quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Uma imagem de outros tempos

Uma imagem de outros tempos...A entrada Norte da Praça, demolida em 1991 para o arranjo urbanístico do centro cívico de Freamunde. Uma imagem já com uns "anitos"...
Um Freamunde de outros tempos.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória ( XIX )

ÉPOCA 1948 / 1949 (PRIMEIRA PARTE)
O "MESTRE" ESTAVA DE VOLTA
Com Gil Aires de regresso ao leme da nau, estava desbravado o caminho para mais uma época de relativo sucesso.
O Freamunde era um grupo divinal que jogava quase de memória. Comunicavam constantemente uns com os outros através de assobios ou frases estudadas, os chamados códigos de caserna. Nesse aspecto, Quim "Bica" era o "maior".
Mas nem tudo eram rosas. Os dirigentes - já era um hábito - continuavam com "as calças na mão". As dificuldades financeiras tornavam-se uma constante, servindo-se dos "carolas". Alguns agiam de moto próprio, pagando do seu bolso. Era o remédio que tinham. Não havia outro. Mas sabiam agradecer!
ANTÓNIO LUÍS LEÃO COSTA TORRES
Em Outubro de 1948 foi exarado em acta um voto de profundo reconhecimento a António Luís Leão Costa Torres, tesoureiro da direcção, pela oferta de madeira para reparação da  vedação do campo de jogos. Os ajudantes carpinteiros trabalharam - depois da hora, claro - de forma gratuita. Eram assim as "vontades" desse tempo.
Pela direcção foi decidido passar "livres trânsito" aos jornais "O Comércio do Porto", "Norte Desportivo", e ainda ao Padre José Guilherme da Silva Lopes, da paróquia de Freamunde, por expontâneamente ter alterado o horário dos serviços religiosos, de forma a não prejudicar o movimento dos jogos. Atitude "sui generis", sem dúvida. Nos tempos que correm já não há quem pense assim!
Também ao treinador Gil Aires foi oferecida, pela direcção, uma pasta em cabedal como gratificação pelos muitos benefícios que prestou ao nosso clube.
Os terrenos do Campo do Carvalhal continuavam alugados ao Dr. Portocarrero.
A renda, recebida pelo Dr. Chaves, era paga do seguinte modo: entrega em cada ano (pelo S. Mihuel, entre 29 de Setembro e 1 de Novembro) de 20 rasas de milho e 10 carros de mato, ao preço corrente. Não existia contrato escrito.
Entretanto, falecia no Porto o Dr. Portocarrero. A viúva, ao ter conhecimento pelo seu feitor. Casimiro Freitas, que a direcção do Sport Clube de Freamunde tinha mandado celebrar missa por alma do marido, ordenou que a partir de então, e nesse ano,  a renda de aluguer do Campo do Carvalhal deixaria de pagar-se. O clube agradeceu, penhoradamente. Pudera!
Para a sucessão directiva do ano de 1949, Gil Vicente Aires Gomes acumula ao cargo de treinador o de presidente.
Finda a tomada de posse foi oferecido, por um grande número de sócios e amigos dos directores cessantes, um jantar servido pelo restaurante de que era proprietário António Teles Menezes.
No decorrer do repasto usaram da palavra Hermínio Pinto, Gil Aires, Júlio Graça e Casimiro Martins.
Por fim, o ex-presidente, Amâncio Ribeiro, em grande oratória, agradeceu, em seu nome e demais membros do elenco directivo cessante, a manifestação de carinho e apreço de que foram alvo. Todos brindaram o Sport Clube de Freamunde, felicitando-o pela campanha feita.
RELATÓRIO E CONTAS DO ANO DE 1948
 JOAQUIM PINTO - "SPORT CLUBE DE FREAMUNDE - VIDA E GLÓRIA"

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Esta é mesmo verdadeira

UMA INESPERADA PARTIDA...
Álvaro de Almeida, apreciado actor cómico que muito fez rir as plateias portuguesas na primeira metade do século passado, casado com a não menos apreciada actriz cómica Teresa Gomes, qualquer dos dois imprescindíveis para o bom êxito de um espectáculo de revista ou de comédia, era, com o seu ar calmo e recatado, um inveterado brincalhão, qualidade de que o público se não chegava a perceber. Com efeito, as "buchas", que a miúde metia em cena, eram proferidas com tal seriedade e naturalidade que ninguém diria não fazerem parte do texto, ou então encaixadas em situações que só os colegas davam por elas.
O ACTOR ÁLVARO DE ALMEIDA NUMA CENA DE REVISTA COM A ACTRIZ TERESA GOMES
Numa opereta (ou "Vaudevile"?) de cujo nome me não recordo, a primeira cena passava-se na sala de espera de uma clínica e começava com um grande coro dos "doentes" que, pela natureza da música, eram obrigados a berrarem com toda a força dos seus pulmões:
"Os doentes
que vêm à consulta
não comem nem bebem,
só chá, canja e fruta!..."
No meio daquela cantoria toda, o nosso Álvaro de Almeida, sabendo-se defendido pelo berreiro dos colegas, dizia sempre:
"Os doentes
que vêm à consulta
não comem nem bebem...
...são filhos da puta...!"
E ria-se da sua façanha, que ele sabia não poder ser detectada no meio daquele coro todo, sublinhado por vigorosos acordes da orquestra, quase toda à base de "metais". E assim aconteceu durante dias e dias, o que teve o condão de enervar os colegas que decidiram pregar-lhe uma partida.
Certa noite, a orquestra atacou a abertura da peça e todos começaram a cantar, cheios de entusiasmo:
"Os doentes
que vêm à consulta
não comem, nem bebem..."
...Mas, combinados, todos se calaram, subitamente, e só o nosso Álvaro de Almeida continuou a cantar, fiado na sua habitual impunidade:
"...são filhos da puta!..."
Nessa mesma noite, a temível "tabela" passou a conter o nome de Álvaro de Almeida, que não mais se arriscou a repetir a brincadeira...
FERNANDO SANTOS - "ESTA É MESMO VERDADEIRA"

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

António Pereira da Costa

 (9-9-1888 / 28-8-1966)
António Pereira da Costa, filho de Teodoro Pereira Gomes e Ana Rosa de Jesus, nasceu na freguesia de Freamunde no dia 9 de Setembro de 1888.

Seus avós paternos, António Pereira da Rocha, célebre comprador e vendedor de objectos antigos, mais conhecido por António Pereira "do Calvário", falecido, com avançada idade, no dia 11 de Março de 1902, e Leonor Nogueira Nunes.

A propósito da vida desta ilustre personalidade, encontrei há tempos, nos abandonados aposentos do genro, Fernando Santos,  exemplar de biografia "trabalhada" por alguém e que realçava a figura do grande criador da indústria de marcenaria nesta terra e arredores, parte dela já referenciada pelo Dr. Joaquim Manuel Fernandes de Carvalho, perante uma dissertação de mestrado, no livro por si editado "A indústria de mobiliário em Paços de Ferreira - O caso da fábrica Albino de Matos, Pereiras & Barros, Ldª".
«... Filho de um casal de gente simples e boa, mas que havia herdado aquela austeridade caldeada na luta pela existência, que repartia entre um campo e uma alfaiataria o seu labor quotidiano, tinha o "Toninho" sete anos apenas ( o sol da vida mal tinha despontado), quando começou a ajudar a família no amanho de umas terras que tomaram de arrendamento na freguesia de Ferreira. 

Por essa altura falecia Ana Rosa de Jesus, e o seu coraçãozito tenro de idade era assolado logo no despertar da infância pela dura tempestade da perda da mulher sublime que era sua mãe.

Aos dez anos quis seu pai, Teodoro Pereira Gomes, agora casado em segundas núpcias com Maria Joaquina Lopes Ferreira Velho, fazê-lo seminarista, para que mais tarde se tornasse sacerdote e, deste modo, lhe assegurar o futuro. A princípio nenhuma reacção lhe ocorreu. Mas quando ambos foram a Lustosa consultar o pároco da freguesia, mais tarde bispo do Porto, Reverendo António Barbosa de Leão, e este lhe fez ver a agra encosta das responsabilidades clericais, António rapidamente respondeu que não aceitava a vida do sacerdócio. O seu "mundo" teria de ser outro. Qualquer profissão lhe servia, menos a de sapateiro. E com doze anos lá se foi para Sobrosa, Paredes, aprender a arte de marceneiro na oficina do grande mestre da arte, Júlio Barbosa Correia da Fonseca.

Serrar, moldar, conceber coisas prodigiosas da madeira seria, doravante, a máxima preocupação na carreira que acabava de abraçar.

Bom aluno, reteve sem dificuldade os ensinamentos mais preciosos.

Durante catorze anos trabalhou António Pereira da Costa em Sobrosa, não abandonando o mestre e amigo de tantas horas de labuta agora doente e senil.

Após a sua morte (1914),  com vinte e seis anos regressa definitivamente a Freamunde, por esse tempo uma terra apagada, rural, sem o menor reflexo de indústria, sobretudo no campo da marcenaria, época agitada e pouco propícia a negócios estáveis.  Com as poupanças, cerca de 200$00 (sobras dos 200 réis que diariamente ganhou),  monta uma oficina no lugar do Calvário. Um pequeno recinto, mas que se adaptava perfeitamente às exigências de quem principiava com tão pouco capital.
Fruto de um namorico que já vinha de Sobrosa, em 1915 casa-se com Adelaide de Sousa e Castro, dessa mesmo freguesia natural.
ANTÓNIO PEREIRA DA COSTA E ESPOSA
Foi então que no espírito do grande industrial de Freamunde, artista de fino gosto, começou a esboçar-se a ideia da primeira fábrica de serração e marcenaria, em parceria com o seu irmão, Joaquim Pereira da Costa, que no Porto tinha frequentado a Escola de Belas-Artes onde adquiriu um curso de desenho, e Abílio Pacheco de Barros, seu primo, entalhador e natural da freguesia de Figueiró, regressado de uma aventura no Brasil.
O projecto poderia ser arrojado, mas, mesmo assim, surge a Sociedade Pereiras & Barros, Ldª. que, de imediato, inicia a construção, agora na Rua do Comércio, de novas instalações, como refere o jornal "Progresso de Paços de Ferreira" na sua edição do dia 13 de Junho de 1920:

"...Já se acha devidamente instalada em casa própria, na Rua do Comércio, desta povoação (Freamunde) a nova oficina de Mobiliário e Material Escolar, sob a firma Pereiras, Barros e Companhia Ldª.

A sua inauguração realizar-se-á no próximo Domingo, 13 do corrente, dia de feira anual de Santo António"
Pouco tempo depois, em 1921, morre o irmão, primeiro contratempo surgido inesperadamente e que o abalou profundamente. Esta fatalidade caída assim abruptamente sobre uma organização de pouca idade e, para piorar a situação, segura no mínimo do seu valor, teve o trágico condão de abrir uma nova fenda no futuro de António Pereira da Costa.
JOAQUIM PEREIRA DA COSTA
Mal reposto da perda do irmão, um voraz incêndio destrói-lhe, em 23-3-1923, a fábrica, implantada nos terrenos onde, mais tarde, seriam edificadas as denominadas "escolas amarelas" que, conjuntamente com Abílio Pacheco de Barros, tinha construído.
ABÍLIO PACHECO DE BARROS
In "O Progresso de Paços de Ferreira", Ano XXI, nº 1080 de 25 de Março de 1923.
(...) Manifestou-se hoje n'esta freguesia, cerca das 3 horas, um pavoroso incêndio, na importante Fábrica de Serração, Moagem e Mobiliário, da Firma Pereiras, Barros e Companhia Limitada, destruindo-a por completo.

As labaredas do incêndio alcançaram grande altura e iluminaram distintamente toda a freguesia.

Apenas se pôde salvar o cofre, escrituração e o mobiliário de escritório.

A fábrica apenas estava segura em cento e dez mil escudos, nas companhias Phoenix e Royal, sendo os prejuízos importantes, pois ardeu uma grande encomenda de móveis de grande valor que estava para seguir o seu destino.
Ainda no mesmo ano de 1923, com o dinheiro do seguro e algumas poupanças, entram para sócios da recém criada Sociedade Comercial Albino de Matos, Sucessores, Limitada, com a cota de 68 contos cada, passando a adoptar, a partir de então, o nome de Albino de Matos, Pereiras e Barros, Ldª, agora com 28 sócios, sendo-lhe atribuído artº 5º do contrato de sociedade:
FÁBRICA ALBINO DE MATOS, PEREIRAS E BARROS, LDA
(...) A gerência social com dispensa de caução, fica a cargo dos sócios António Pereira da Costa e José Maria Ferreira de Matos (irmão do falecido professor Albino de Matos), ao sócio Abílio Pacheco de Barros compete as funções de encarregado da secção de máquinas, madeiras e marcenaria (...).

Parágrafo 1º: Fica, contudo, estipulado que compete exclusivamente ao sócio António Pereira da Costa a direcção técnica da fábrica, bem como os serviços de arrecadação e expedição.

Estávamos em 1924 e esta sociedade que parecia um projecto audaz para António Pereira da Costa, torna-se um novo pesadelo em virtude de uma série de incidentes com António Alves Pereira de Castro, o "Padre Castro" como era conhecido e que veio marcar uma gerência forte num período de grande desenvolvimento industrial, que terminaram com o encerramento temporário da fábrica, isto cerca de dois anos volvidos após a sua abertura. António Pereira da Costa seria exonerado em Assembleia Geral de 21-11-1926.
Afinal, o grande marceneiro, o artista fecundo ficava de novo só depois de ter esbanjado grande parte de capital emprestado no litígio que sustentou com a firma cessante. Se desejava vencer teria que desprezar mentores e capitalistas, burocratas e políticos, todos, em suma, os que só serviam para lhe impor peias e nenhuma ajuda lhe traziam.
E o grande industrial cada vez mais pobre, com uma dívida de 50.000$00, lá se foi, desta vez só (e tendo que lutar com uma concorrência de capitais organizados) a criar o seu mundo de arte concebido segundo as suas ideias e o seu pensamento.
E ao contrário do que seria de esperar, António Pereira da Costa apareceu cada vez mais enrijecido pela fé nos seus próprios dotes e disposto a vencer a batalha da existência.
António Pereira da Costa volta de novo ao lugar do Calvário para recomeçar as suas actividades num pobre barracão. O seu "capital" constava de nove dúzias de tábuas emprestadas e três metros cúbicos de madeira a crédito adquiridos na firma Rodrigo Ferreira & Filho, Porto.
António Pereira da Costa recuperava lentamente a dignidade de industrial.
Para vencer precisou de anular, até, os seus grandes reveses, impondo-se por um merecimento sem paralelo.
A par do mobiliário escolar, a genial criação de mobiliário doméstico e de escritório da Fábrica do Calvário de António Pereira da Costa, que, com auxílio de mestres formados na Escola Soares dos Reis, concebeu todo um conjunto de móveis vulgarmente denominados por "reclame".
Conforme refere o "Comércio do Porto" em 27 de Março de 1929: (...) Trabalhando em sua arte, desde a idade de 12 anos, António Pereira da Costa é o técnico competentíssimo, o mestre de grande experiência para quem aquela arte não tem segredos, e que só à sua conta tem preparado e educado mais de 300 operários, hoje artistas perfeitos na arte de marcenaria.
O material saído das suas mãos e da sua fábrica é tão perfeito, que lhe tem merecido os prémios da Exposição do Palácio de Cristal (Feira do Porto), do Rio de Janeiro, Exposição do 2º Congresso Pedagógico do Ensino Secundário Oficial de Viseu (1928), com o 1º prémio, medalha de ouro e diploma de honra.
Num armazém por si construído por volta de 1937, junto à capela de Santo António, tornou-se no primeiro expositor de móveis em Freamunde e no concelho. 
Em 1953, António Pereira da Costa, em escritura lavrada no cartório Notarial de Paços de Ferreira, constitui entre Joaquim Ribeiro, Fernando Eduardo de Sousa Delgado da Silva Ribeiro dos Santos, Zeferina Pereira de Castro e Felisbina Pereira de Castro (genros e filhas solteiras) uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, adoptando o nome de "António Pereira da Costa, Limitada".
Pensava ele que só assim o seu nome permaneceria na sua fábrica eternamente.
António Pereira da Costa atravessou durante a sua vida, por vezes, situações tão angustiantes que, a não ser a astúcia que possuía, o teriam vitimado.
E uma delas ocorreu na festa da Páscoa de 1918, quando se viu forçado a receber em sua casa o Compasso, dispondo de meia dúzia de cadeiras e uma cama de ferro, isto depois de ter vendido todo o mobiliário que tinha para fazer jus a compromissos inadiáveis.
Tanta coragem e tanta honestidade não eram muito frequentes nesses tempos (nos de agora, então!!!), nem foi sempre o apanágio principal de muitos ricos que por lá abundavam lançados no caminho do triunfo, às vezes mais por golpes de artifícios malabares, ou inconfessáveis aliciamentos da própria consciência do que por louvável iniciativa do seu próprio esforço».
Depois foi o que se sabe: Esta fábrica, cujo peso na industrialização do concelho e na formação de pessoal especializado foi importante para a formação do "cluster" do mobiliário que existe actualmente, encerrou as portas em 2001 por passividade e ineficiência da gestão e pouca adaptação dos serviços/produtos às novas exigências.
António Pereira da Costa, o homem que tinha um grande e farfalhudo bigode que contornava o lábio superior com prolongamento, personalidade forte e enérgica, repudiava os "medricas".
Pioneiro de um ramo industrial que projectou Freamunde e o concelho, foi um espírito brioso no fabrico do mobiliário. Todo o êxito alcançado foi fruto do seu excepcional instinto empresarial, que o tornou poderoso e célebre.
Coração generoso, e com pendor especial para dar uma reviravolta estrutural a Freamunde no seu todo, batalhou junto dos poderes municipais por aquilo que mingava nas franjas do seu berço terreno, chegando mesmo, a expensas suas, na elaboração de um projecto capaz de maravilhas, com "risco" do multifacetado artista Salvador "Santa Marta". Insistia constantemente na necessidade de uma reforma de mentalidade, de visão urbanística, condição para o progresso e transformação do centro da vila.
O processo correu os gabinetes dos poderes autárquicos. A questão parecia irreversível, fizeram-se planos de pormenor, mas os ares administrativos não eram lá muito favoráveis...
Serenada a "euforia", sobrou-lhe tempo para atenções redobradas à Associação de Socorros Mútuos Freamundense, a necessitar urgentemente das receitas do teatro, quase parado desde meados de quarenta.
Fernando Santos, director de um grupo cénico portuense, foi, por ele, atraído a Freamunde para representações nesta vila, sobretudo no 19 de Março. Gostou disto, gostou de uma das suas filhas, Brasinda, com quem casou, e por cá ficou. Ainda bem.
Exemplo de vida, de cidadania, devotou-se com alma e coração ao associativismo desta terra, às suas realizações, lúdicas, festivas, culturais... Tudo o movia.
Membro, em 1928, da "Grande Comissão Organizadora da Corporação de Bombeiros de Freamunde", foi no seio da ASMF que mais se notabilizou. Tesoureiro e presidente da direcção entre 1939 e 1952, foram, neste último ano, a expensas próprias e com o produto da venda de rifas e das festas por si promovidas, levadas a cabo importantes obras no edifício da benemérita associação: restauração, cedência de água para instalações sanitárias, oferta de mobiliário de consultório médico...
Parte do terreno, que lhe cabia, onde foram implantadas as "Escolas Amarelas", da Rua do Comércio, inauguradas no dia 2 de Outubro de 1938 (ele mesmo fez parte da comissão promotora das festas alusivas as acontecimento), foi cedido gratuitamente à Junta de Freguesia, principal interessada no projecto.
Devoto do "Condestável" D. Nuno Álvares Pereira, o respeito pela tradição fê-lo membro das Festas ao Mártir, como Presidente, em dois mandatos, pelo menos, (1936 e 1944). Integrou ainda a denominada "Comissão de Honra" das "Sebastianas" durante uma década (1954 a 1963).
Como político, serviu a Autarquia, na condição de vogal da Comissão Administrativa, entre 1942 a 1946.
As horas de ócio eram passadas à noite, no convívio do "Recreativo", Clube que serviu em diversas ocasiões nos cargos de Presidente do Conselho Fiscal e Direcção.
Pelo Natal de 1954, foi sujeito, na Casa de Saúde da Avenida, no Porto, a uma melindrosa cirurgia. Já restabelecido, o respeitável industrial foi recebido, nas imediações do seu lar, pelos amigos e gente anónima desta terra, sempre gratos a quem lhes fez bem, ao som de estrondoso foguetório, em sinal de regozijo. A própria comunicação regional fez manchete do acontecimento.
AO LADO DA ASMF, A CASA ONDE ANTÓNIO PEREIRA DA COSTA MOROU
A doença acabou definitivamente com a sua resistência, vindo a falecer na tarde de 28 de Agosto de 1966 na sua residência, no Alto da Feira. Contava 78 anos de idade.
Por alturas das comemorações de elevação de Freamunde a Vila (1983), a Junta de Freguesia em conjugação com a Comissão de Toponímia deliberaram atribuir, muito justamente, o nome de uma das artérias a António Pereira da Costa - principia no Largo da Feira e termina no cruzamento de Panelas, para o Ciclo Preparatório.
Gil Aires, na edição de 1 de Outubro de 1952 da "Gazeta de Paços de Ferreira", rubrica "Ares de Freamunde - Perfil da Semana", fotografou-o assim:
«Pobrezita!
Do olho, focinho abaixo, rola uma lágrima de saudade.
Pobre "Chica", triste, encostada a um canto, espera.
Olhem, agora, como salta dengosa, com um "salero" que já fica mal à sua idade. É que ele já chegou. Pressente-o, e não o confunde no meio dos seus operários, no seio dos quais o seu traje o iguala. Sim, que, à semana em nada difere a sua vestimenta da do mais modesto dos seus empregados. Mas, leitor amigo, vê-lhe a cerimónia nos dias festivos, opa lavrada, abrindo caminho ao andor da sua da sua devoção, e não te parecerá o mesmo.
Se te falo no seu característico bigode (à Sloan), ficas desenhando a sua figura; aquele bigode, que nos dias de má disposição, toma aspecto aterrador.
Amigo da sua Terra, bairrista, sonhou projectos, concretizados numa tela que a sua vista entristece os Freamundenses.
Desilusão! O mundo dos homens é o mundo dos enganos! Enganaram-no, e não lhe falem nos seus antigos planos, se não querem vê-lo irritado, e de punhos cerrados falar com todas as letras. A verdade cabe em todo o lugar e não há quem não lhe dê razão. Freamunde fica tão longe...
Infeliz nos seus treinos de condução (nem sempre as paredes eram seguras), não fica contente quando um dos seus carros sai a arejar, pois que o grande só nos dias de festa mostra o brilho dos seus cromados, e, nessa altura, também ele vai.
Devoto da lavoura, tem uma predilecção especialíssima pela estratégia da sua propriedade de Talhô, onde... regala a vista, mirando os campos de milho ou centeio.
Tem uma "pinga" afinadíssima, que os amigos, em "conjunto" muitas e muitas vezes gostam de saborear. Previno-te, leitor amigo, de que o tempo está prestes a chegar; e também podes entrar na roda, que, com isso, só dás alegria a este homem que só tem por brasão o trabalho». 

JOAQUIM PINTO - BLOG "FREAMUNDE: FACTOS E FIGURAS"

terça-feira, 2 de outubro de 2018

A sina dum revoltado

A MODA DO TELEMÓVEL

A moda do telemóvel
vai chegando a todo o lado...
de carroça ou automóvel
lá vai ele passeado!...

Pi pi pi pi quem fala?
Diga lá que estou com pressa!
Então veja lá se se cala,
que a conversa já começa.

Sou o Joaquim sabe tudo!...
Ó se Manel cabeçudo,
ai, és tu, grande s'tapor?...

Rais te parta Zé ninguém
Inté pareces alguém
por entre este falador!

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO" -2016

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Em tons sépia

Uma das sete colunas de granito do monumento aos Combatentes do Ultramar, da autoria do freamundense Augusto Ramos, em tons sépia.