quarta-feira, 28 de junho de 2017

A sina dum revoltado

ESTE DOM QUE DEUS ME DEU

Fundiu-se no meu pedaço
este dom que Deus me deu,
mas cada verso que eu faço
tem sempre um pouco de meu.

É nos braços da loucura,
que vivo a cada momento
e os versos são a doçura,
que me atenua o tormento.

Quem nasce versejador
não passa dum sofredor
como o Deus crucificado.

Versejador que se veja
só na cantiga da igreja,
não passa dum pau mandado.

RODELA - " A SINA DUM REVOLTADO" - MARÇO DE 2016

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sebastianas à porta

Realização ímpar, graças ao bairrismo e dedicação de um punhado de jovens que "as" erguem com o seu trabalho e o seu dinamismo. Dinamismo de que se orgulham pelo dever cumprido, por se terem sentido úteis à causa que serviram.
A tradição teima em manter-se no essencial: laço do passado com o presente. A religião e o profano andam de mãos dadas. Conservam o seu brilho.
A cidade de Freamunde, "vestida a rigor", vai voltar a encher-vos o coração com a simpatia e o calor humano com que o seu povo - folião, por natureza, mas também crente - sempre recebe quem o visita.
Um convite: não fiques em casa, vem daí e junta-te a nós para gozares as Sebatianas com todo o entusiasmo. Entusiasmo que se instala logo no primeiro dia e só acaba no desmanchar dos arcos.
JOAQUIM PINTO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 22 DE JUNHO DE 2017

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Banda de Freamunde ( XVI )

E não demorou o nosso "jovem" a rebuscar na memória fases marcantes de uma década, de 1943 a 1953, período em que António João de Brito elevou a filarmónica ao mais alto nível artístico até então conseguido. E fê-lo com entusiasmo. Talvez por isso, mantém o espírito mais desempoeirado do que muitos que por aí andam.
«Sabe, o senhor Brito era detentor de uma boa formação musical, quer no domínio da composição quer no da execução. Essa formação permitia-lhe tocar muitos dos instrumentos existentes na banda. Era uma pessoa conhecedora , ponderada...Logo granjeou inúmeras amizades. Era bem evidente o seu carisma, a sua alegria comunicativa, o prazer com que transmitia a toda a gente uma parte do que muito sabia. Ele vinha de outros "mundos". Tinha a banda a seus pés.
Lembro-me agora, é curioso!, que em 1943, creio, o Bispo de Porto e o Padre de Freamunde proibiram a nossa banda de cantar nas missas de festa e integrar as procissões. E por alguns anos, se não estou em erro. Tem graça que, por volta de 1945, 1946..., 1945, estou certo, fomos impedidos de actuar nas festas da vila, assim se chamavam na altura. E sabe porquê? Era costume nós tocarmos no coreto de pedra, o que se encontra junto aos correios. Porém, o presidente das festas, António Pereira da Costa,  queria a todo o custo utilizar o espaço para qualquer exposição ou quermesse e "desviou-nos para debaixo das árvores, junto à farmácia. Olhe, nem queira saber! O "caldo" entornou-se e as coisas estiveram mesmo pretas. Houve mosquitos por cordas, com ameaças e insultos à mistura, mas a realidade é que o senhor Pereira da Costa levou a sua avante e rejeitou-no, convidando, para alternar com a de Vila Verde, a Banda de Vilela. O nosso regente, João de Brito, ainda intercedeu, mas todos sabíamos como era o senhor Pereira "do Calvário": o que ele dissesse era uma escritura. Não foi bonito mas foi verdade. Curiosamente, em 1952, nos festejos em honra do Divino Salvador, a banda que abrilhantou o certame foi a de Baltar. Mas aqui o problema foi outro: a Banda de Freamunde, fruto da sua valia, já era cara e a comissão não tinha dinheiro para cobrir o "cahet"».
Falam eloquentemente as crónicas da época que a banda exibia-se com esplendor, fazendo vibrar as plateias ante o fascínio, a classe dos seus intérpretes. O maestro andava empolgado com a qualidade patenteada pelos seus músicos. A banda atravessava um período refulgente.
Com a rendição das tropas alemãs, em 1945, a flagelo da II Grande Guerra Mundial tinha terminado. Manifestações de regozijo aconteceram por todo o lado. O povo veio para a rua rejubilar. A banda associo-se às manifestações e tocou várias marchas patrióticas, terminando com a "Portuguesa".
O imediato pós guerra trouxe a consagração de António João de Brito.
A banda passeava classe, sendo requisitada para todos os cantos do país: Póvoa de Lanhoso, Vale de Cambra, Sanfins do Douro...Ervedal (Aviz) - Baixo Alentejo, terra de nascimento de António João de Brito.
Olhe - recordou, sorridente, o episódio, Alfredo "Cherina" -, até a mula ronceira montámos, na planície alentejana.
JOAQUIM PINTO - "BANDA DE FREAMUNDE - 190 ANOS - 2012

quarta-feira, 21 de junho de 2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

XV Concurso de Quadras Sebastianas 2017

1º Prémio - Quadra nº 230

O "mel", as ruas ornadas,
A procissão, os tambores,
As "vacas de fogo", arruadas,
Freamunde tem mil cores.

"Amigo da Folia" - Joaquim da Conceição Barão Rato - Beja

2º Prémio - Quadra nº 24

Eu fui à noite dos bombos
E pulei como os cachopos...
Para casa vim aos tombos,
- Foi dos tombos ou dos copos?!...

"Músico" - João Pedro Nunes Duarte Marques - Porto 

3º Prémio - Quadra nº 190

Lançado no São João
Com rumo às Gualterianas
Eis que caiu o balão
Em plenas Sebastianas!

"Pureza" - Arménio João Nogueira de Sousa - Freamunde

sexta-feira, 16 de junho de 2017

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Uma imagem de outros tempos

Uma imagem de Freamunde de outros tempos. Não sei quantos anos terá, mas com toda a certeza é anterior a 1991, ano da demolição da Praça e do arranjo urbanístico do centro cívico de Freamunde, pois ainda é possível ver o telhado da praça e os postes de iluminação pública curvos em cimento que caracterizavam o antigo centro cívico.
Uma imagem muito curiosa...Nela vemos o saudoso freamundense Quim Bica, falecido a 12 de Fevereiro de 2009, com a bonita idade de 84 anos. Artista de renome nos domínios da escultura, pintura e escrita, tendo exposto as suas obras em Portugal e no estrangeiro. Quim Bica também foi jogador do nosso Sport Clube de Freamunde.
É mais uma belíssima imagem de Freamunde de outros tempos.
Imagem partilhada na rede social facebook.