terça-feira, 25 de novembro de 2014

Uma imagem de Outono

Uma imagem do colorido do Outono que por enquanto ainda permite que as folhas permaneçam nas árvores. Um cenário que em breve mudará...Lugar da Feira, centro cívico de Freamunde.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Caminhos

AS MINHAS VIAGENS
I
Segunda parte
Tive medo de ficar de novo retida em casa, na inactividade física, na casa ainda quente. Fui até ao Outeiro. Entrei num café e pedi um descafeinado. "O que quer dizer descafeinado?" - perguntou-me uma vez o meu médico, aquele médico amável e jovem que me tratou, no hospital e fora dele, do AVC. Era um doce e tinha a qualidade de conhecer Freamunde. Benquista qualidade que, aliada à sua competência, à permissão da toma de chávena de café (sem cafeína) e à empatia suscitada me fez recuperar daquele imenso susto e ausentar-me do "De Profundis - Valsa Lenta" de José Carlos Pires, autor que também esteve em Freamunde e gostou de nós. Por cá passou uns dias, com os primos Zé Carlos e Fernando Vasconcelos, este o meu grande Mestre da vida, da Política (é com maiúscula) e da humanidade.
Freamunde é isto mesmo. Uma amálgama de lugares bonitos e de outros degradados pelas modas. E por pessoas que as modas não baralham.
Voltei atrás e entrei na Casa da Cultura. Assoberbada pela leitura do "Livro do Desassossego" (mas que leituras eu escolho!) retive alguns ensinamentos como quem sorve um copo na tasca das Elviras (ali por baixo, onde o passado se enterrou debaixo desses livros, muitos livros), copo ardente acompanhado dos biscoitos de Valongo.
Porquê ler mais? Já me bastava "A insustentável leveza do Ser" ou "Cem anos de Solidão" para me quedar nas primeiras páginas.
Fui até à janela. Olhei em volta! Ali a voz da outrora do sr. Barros da Farmácia, coadjuvado pelo Luís Teles. E vi o Costinha de bata branca, rodeado de mocitos. Vagarosamente, como era seu timbre, o Poeta, com o livro de poemas de Eugénio de Andrade para me oferecer antes da oferta do seu próprio corpo para estudos de anatomia, subia as escadas da praça. A Praça? Onde? Refeita, daqui a uns tempos, no Outeiro? É o passado entreaberto e cruzado com um futuro cada vez mais áspero e assustador. O hoje é um segundo que se volatiliza na minha carreira e nas minhas reflexões.
Não quis retornar à leitura. Navegar meus dedos na literatura que faz pensar e doer, é errado - pensei.
Deixei-me vaguear, Feira acima. Olhei a casa do Dr. Amâncio e a do Pereira da Costa. Não vi o Café Popular - o centro da intelectualidade e da discussão subversiva ao tempo de Salazar. A Glorinha já não faz pataniscas nem arroz de cabidela ("As pessoas sensíveis / não são capazes de matar galinhas, porém são capazes / de comer galinhas").***
Vi o Arnaldo Guerra sentado nos degraus de outrora. ("Ah! Se o pai da menina fosse vivo, eu não estava no Asilo!").
O tempo flui nas minhas pálpebras. Porquê regressar ao Outeiro? Já lá não está o penedo-escorregão. Nem a Maria do Céu da Riqueta. Nem a Lina Criatura. "Dá-me a tua mão, Teresa Ribeiro, que ainda moras por aí!"
Ali há varandas de roupa branqueadas por um sol furtivo que sobe e se arreda. Há rádios altos para abafar os gemidos surdos dum presente, sem futuro. Sórdida modernidade, onde o quintal das couves e das galinhas é um palmo de terra comum com flores colocadas sem a esquadria das casas apalaçadas de Cesário Verde.
Continuar? - hesitei! Estava cansada. Pelos cabelos coloridos pelas tintas da drogaria moderna, escorria-me um halo de Freamunde.
Queria ver mais. Continuei.
(Continua)
*** Sofia de Mello Breyner
Rosalina Oliveira - "Caminhos" - Dezembro de 2003

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Carvalhal

Fase do jogo S. C. Freamunde - Rio Ave F. C. do campeonato nacional de juvenis no velhinho e saudoso campo do Carvalhal em 1990. Na fotografia encontram-se Hilário (a cabecear), Augusto (guarda-redes), Pimenta (de costas, nº 4) e Paulo Sousa.
Uma fotografia pra recordar este "mítico" campo da bola onde se sentia e vivia Freamunde e que marcou várias gerações de freamundenses, onde eu me incluo. Ah! Que saudades!...
Fotografia gentilmente cedida por um dos intervenientes do jogo: Hilário.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Um pormenor

Um pormenor do Monumento aos Combatentes do Ultramar, da autoria do escultor freamundense Gusto Ramos. Um pormenor de uma das sete colunas em granito erguidas ao alto, representando os sete dias da semana, numa luta ininterrupta...Uma homenagem aos combatentes da "Guerra das ex-Colónias" que ceifou a vida a milhares de pessoas.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Esta é mesmo verdadeira

ACERTO EM CHEIO
Vasco Santana, o inesquecível actor cómico português, que os mais novos só conhecem dos filmes antigos nacionais que a nossa TV por vezes apresenta, era um bom "gourrat" e um óptimo apreciador da boa mesa, o que fazia jus ao seu volumoso físico...No Porto, terra com bons restaurantes e largas tradições culinárias, andava sempre à cata de lugares onde melhor se pudesse comer.
Ouvindo falar certo dia na "Mamuda", nome porque era conhecido um restaurante de grande fama, o "Restaurante Montenegro", que ainda hoje existe no mesmo sítio, na rua de Santo André, e que era assim apelidado em virtude da dona ter sido por Deus dotada com volumoso peito capaz de fazer inveja, em "patriotismo", à própria Maria da Fonte ou Padeira de Aljubarrota, quis saber onde ficava, para lá ir com os amigos e colegas da "companhia".
Explicaram-lhe o caminho para lá, mas o nosso Vasquinho não deu com a casa e teve de perguntar.
Logo por azar foi informar-se com a própria:
- "É capaz de me dizer, por favor, onde é que fica a "mamuda"? - perguntou com toda a delicadeza.
- "Mamuda" era a p... que o p...!" - respondeu-lhe a visada que nem tinha papas na língua nem gostava que lhe bulissem nas..., no..., enfim, no apelido...
E logo o Vasco Santana, voltando-se para os parceiros, que tinham ficado à espera:
- "Ó rapazes!...É mesmo aqui...!"
Fernando Santos - "Esta é mesmo verdadeira" - Julho de 2001

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sebastianas ( IV )

FESTAS SEBASTIANAS EM 1958
A imagem de marca das festividades acontecia a meio da tarde: a procissão, momento sentido, de forte carga emotiva, que com luzido acompanhamento saía da Igreja Matriz, subia a "Feira", atravessava a mítica Gandarela, entre alas imensas de um povo crente, até ao local de partida.
Convocavam-se cidadãos honrados para os distinguir com a tarefa de levar as varas do pálio e segurar as borlas dos deslumbrantes e bem enfeitados andores ( 5 ou 6 nessas épocas), de quem eram protectores.
Correm vozes de que, noutros tempos, só pegava à charola quem desse mais dinheiro. E a tradição deixa adivinhar que não havia rapaz que não quisesse carregar o peso assombroso, maltratando os pés e os ombros, mesmo usando as "ganchas" numa das mãos, como ainda hoje se faz, peças que servem para manter o andor suspense durante as paragens. A "majestosa" procissão incorporava ainda diversos lanceiros, guiões, dezenas de anjinhos ricamente vestidos pela firma António Ribeiro & Filho, e depois pelo carismático herdeiro, César Vilhena Ribeiro ( também, mormente nas décadas de quarenta e cinquenta, se fizeram representar armadores da Póvoa, Guimarães, Amarante, Felgueiras...) Cruzes, Irmandades, Confrarias e Ordens desfilavam então numa hierarquia precisa.
Atrás do pálio, sob o qual era conduzido o Santo Lenho - o dinamismo do religioso popular foi, é e será sempre apetecível ao poder político -, a vereação municipal.
MAJESTOSA PROCISSÃO
Não se pense, entretanto, que as relações entre as comissões, a autarquia e o Pároco foram determinantes, sequer fundamentais para a realização das festividades. Não. Houve alguns receios (não passaram disso) a partir de 1910, com a implantação da República, a crescente laicização e as condições que daí resultaram. A República era laica mas as gentes, principalmente as do Norte, tinham fé e alegria suficientes para conjugarem os "opostos". Havia comunhão de esforços, participação activa...Todos percebiam o espaço - para o social, para o lazer, para o religioso...- das Festas nas suas categorias ou dimensões. Havia a "força" da promessa a cumprir (no tempo em que se prometia e cumpria!) e a graça, a alegria, de um arraial popular em simultâneo. Mas que os "políticos às vezes se serviam "delas", lá isso serviam. Ainda agora!
As Festas, porém, é que tinham de fazer-se. Custasse o que custasse. Mesmo com os surtos de influenza, varíola, peste bubónica e epidemias de tifo e pneumónica que vitimaram milhares de pessoas...Com o encarecimento dos bens essenciais, em que o pão escasseava para a grande maioria da população...Só em 1908, consequência talvez do Regicídio, e 1914 sofreram interrupções. Neste último ano, Afonso Costa, líder do Partido Democrático no poder, proibiu todas as manifestações, fossem ou não de índole cristã, de alteração da ordem pública. Também em 1916, não houve arraial nocturno depois da sangrenta revolta de 14 de Maio que provocou centenas de mortos.
E se avançarmos para a década de vinte, nem com a desvalorização da moeda, a recessão, o espectro da bancarrota, a Festa do Mártir deixou de realizar-se.
 (Continua)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

terça-feira, 4 de novembro de 2014