quarta-feira, 27 de maio de 2015

Poesia de Freamundenses

PROMESSAS

Sim, é verdade que prometi...
mas ainda não faltei,
eu ainda não morri.

E eles continuam a comer palavras por pão.

Bem...eu disse,
mas tenho tido umas dificuldades...
mas descansa que em breve será realidade.

E os filhos continuam a pedir pão, enquanto
que aquilo que era esperança,
começa a ser desilusão.

De facto eu prometi, mas...
Ah! Este mas!...

JOSÉ LEAL - "ALMA FREAMUNDENSE - POESIA COLECTIVA" - JULHO DE 2004

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Móveis

Uma foto da abandonada fábrica do Calvário. Em Freamunde numa tarde muito quente, com o Verão aí mesmo à porta.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Viagem no tempo com...Vitorino Ribeiro

O PRIMEIRO TOTOBOLA E A RESPOSTA NA GAZETA
O velhinho e mítico campo do Carvalhal foi palco durante vários anos de jogos emotivos, por onde passaram algumas das estrelas imortais do Sport Clube de Freamunde. Vitorino Ribeiro, agora com 73 anos, vestiu a camisola azul durante seis anos, tendo a oportunidade de defrontar Nóbrega, Morais e Joaquim Jorge, craques que representaram a selecção nacional. "Tinha 18 anos quando jogava nos juniores e fiz a minha estreia pelos seniores contra o Desportivo das Aves", recorda Vitorino Ribeiro com saudade, orgulhoso por ter jogado ao lado de João Taipa. "Era o expoente máximo do Freamunde. Não viu um único cartão amarelo em toda a sua carreira e tive o prazer de jogar com ele. Curiosamente começou a jogar muito antes de mim e acabou a sua carreira depois..."
No período em que vestiu a camisola freamundens, Vitorino Ribeiro coleccionou muitas histórias, mas lembra com alguma adrenalina uma fase em que a equipa lutava por chegar à 2ª divisão nacional..."Na altura só havia o distrital e depois a 2ª divisão nacional. Num ano estávamos a defrontar uma poule com cinco equipas e só o primeiro subia de divisão. E isto começou muito mal...Fomos a Famalicão e acabamos muito prejudicados pela equipa de arbitragem, que levou a pancadaria nas bancadas. Esse jogo deu azo a uma forte polémica com um jogador do Famalicão. Esse jogador escreveu um artigo num jornal local que teve uma forte repercussão e levou o Fernando Santos a responder da mesma forma na GAZETA. Depois desta troca de palavras, houve um senhor de Famalicão que veio de propósito a Freamunde conhecer o Fernando Santos para dar-lhe os parabéns pelo texto que escreveu na GAZETA, pois quem escreveu o artigo no jornal de Famalicão não era muito bem visto naquela terra...E teve a merecida resposta".
APOSTA
Vitorino Ribeiro é ainda do tempo em que o Freamunde apareceu no primeiro boletim do Totobola. "Foi num jogo em Mirandela e, claro, joguei e apostei na vitória da minha equipa. Mas o problema é que apanhamos nesse jogo um árbitro de Vila Real e fomos muito prejudicados. Empatamos 1-1 e saímos de lá ressabiados.
A nossa resposta foi dada quando o Mirandela jogou em nossa casa...Goleámos por 11-0 e eu marquei dois golos", lembrou. A verdade é estes dois jogos tiveram efeitos negativos. "Se calhar não subimos à 2ª divisão nacional por causa destas duas más arbitragens", admite, explicando depois a passagem precoce pelo futebol. "Tive de tomar uma opção entre continuar a jogar futebol ou ir para o teatro. Optei pelo teatro e não estou nada arrependido", garante.
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Gente da Nossa Terra

ALEXANDRE SAIA

O meu amigo Alexandre,
quer acreditem ou não,
é um posto sem comando...
segue a sua direcção.

É coberto pela saia
que cobre os grandes bairristas
e não serve de cobaia
pra agradar a parasitas.

Pra poder dormir nem come
e mesmo passando fome
nunca dorme o que queria.

Mas pra colar propaganda
do PS cai prá banda
e não lhe falta folia.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sentido obrigatório

Freamunde, rua Leopoldo Saraiva, numa tarde muito quente desta Primavera a fazer lembrar o Verão que se aproxima. Uma imagem a preto e branco, com cor, com sentido obrigatório.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( I )

 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
1.1 Freamunde fins do século XIX e início do século XX
"Depois de Paços, ou mesmo mais do que ella, a terra mais importante do Concelho é Freamunde" escreveu José Augusto Vieira em o "Minho Pitoresco" no final do séc. XIX.
A propósito das melhorias que se entendiam necessárias para a sede do Concelho, em 1896, vários artigos foram publicados no "Jornal de Paços de Ferreira". Num desses referidos escritos reconhece-se razão a este autor: "nem num largo, nem numa praça, nem numa fonte, nem num edifício público, que denuncie Paços alguma coisa que Seroa, Carvalho ou Frazão, antes tudo mostra alguma coisa menos do que Freamunde e até mesmo do que o Cô".
Se José Augusto Vieira (1886) prevenia o leitor de que "o nome aristocrático de Paços de Ferreira é um logro", de modo diferente descrevia Freamunde: "A povoação parece de hoje, desenvolve-se, aformosea-se, e quem entra no largo, onde existe a capella de Santo António, pensa entrar em uma villasinha de aspecto attrahente situada em pequeno valle fértil e risonho, prosperando com os enthusiasmos felizes da mocidade e da riqueza. Os prédios tomam as linhas symetricas e regulares, os estabelecimentos nascem e progridem, as ruas aplanam-se e tudo faz esperar que, poucos annos volvidos, a importância de Freamunde tenha duplicado em valor".
No retrato da paisagem humana dessa obra de 1886 refere-se que "tem lojas de mercearia, tem alfaiates procurados das villas mais próximas, tem já um collegio de instrucção secundaria que há de futuramente influir no desenvolvimento da povoação, e já no espírito de algum enthusiasta tem efervescido a ideia de fundar um club, e porventura de crear também um jornal".
Efectivamente, as décadas que se seguiram confirmaram estes prognósticos de desenvolvimento, no qual se insere o aparecimento dos Bombeiros em Freamunde e de várias outras instituições que denotam o desenvolvimento económico e social a que a povoação tinha chegado.
O investigador da história de Freamunde, Coronel Baptista Barreiros, refere que a povoação contava com um elevado número de gente alfabetizada, a avaliar pelas inúmeras assinaturas registadas em todo o género de actas de Confrarias e Irmandades (séc. XVIII e XIX).
Nos arquivos municipais citados na Monografia do Concelho existem referências à existência de escolas primárias, pública e privada e ao funcionamento, excepcional, de formação para adultos já nos fins do séc. XIX.
Por outro lado, a fundação, ainda no séc. XIX, da Associação de Socorros Mútuos Freamundense, da Banda de Música, da Assembleia Freamundense, indicam uma sociedade estruturada.
Para tal situação em muito pode ter contribuído a existência de duas feiras mensais (13 e 27), não só como meio de promoção da actividade comercial, mas também como local de trocas de conhecimentos, bem como no fenómeno de emigração a que todo o país foi sujeito. É ainda hoje visível na cidade, o fruto dessa emigração. De meados do séc. XIX, a 1911-13, foi-se intensificando e nestes anos atingiu o apogeu que foi quebrado pela 1ª Grande Guerra Mundial. A mudança de rumo na emigração, isto é, a viragem à Europa, acontece por alturas da crise económica internacional em 1929, quando o Brasil adopta medidas restritivas, com dificuldades acrescidas posteriormente no transporte aquando da 2ª Grande Guerra Mundial (1939-45).
O fenómeno emigratório, nos finais do séc. XIX, é particularmente notório em Freamunde. A população manteve-se "relativamente estável até 1861, a partir dessa data mostra uma quebra contínua até 1875, só depois se encetou um processo de recuperação, embora relativamente lento".
Outro facto que se verifica neste período, indica que não eram os mais necessitados que emigravam, mas quem podia e ambicionava atingir um deterninado nível social.
A emigração foi, igualmente importante para os Bombeiros. Uma das primeiras receitas da Associação dos Bombeiros Voluntários de Freamunde vem a ser subscrita a bordo de um navio por uma conterrânea. Mais tarde é nomeado benemérito, um emigrante de Lamoso, e muitas outras receitas vêm do outro lado do Atlântico.
(Continua)
JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS"