quinta-feira, 17 de abril de 2014

Duas imagens da Primavera

Duas imagens dos nossos dias. Duas imagens desta bela Primavera cheia de cores. A Primavera é isto mesmo. É cor. Pura e simples. Primavera com temperaturas a fazer lembrar o Verão que se aproxima.
Algures neste belo jardim que se chama Freamunde.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Gente da Nossa Terra

 ADÃO TEIXEIRA

Vai um joguinho de bisca,
de solo ou de sueca?
Venha cá que só arrisca
a perder uma caneca...

Uma caneca de chá
e biscoitos de sortido,
que a jogar assim não há
quem perca ou fique perdido.

Todo o mundo o respeitava,
pois também não se cansava
de fazer por ter respeito...

Nem mesmo quando a jogar,
a valer ou a brincar,
lhe apontavam um defeito!


sábado, 12 de abril de 2014

Foto do dia

As quatro estações são todas diferentes. Cada uma à sua maneira. Para mim a Primavera é a mais bela das quatro. Pela beleza. Pela beleza das cores. Pela beleza da luz. Pela sua variedade de cores.
Na Primavera tudo se transforma. Tudo se transforma deslumbrantemente. A natureza presenteia-nos com verdadeiras maravilhas...
Deixo-vos com uma destas transformações deslumbrantes, desta sempre belíssima Primavera...Algures num belíssimo jardim de Freamunde que não resisti a fotografar...Pela sua cor.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Toponímia Freamundense

RUA GRUPO TEATRAL FREAMUNDENSE
Situa-se em pleno centro cívico de Freamunde, entre a Rua do Comércio e a confluência das ruas Abílio de Barros e da Banda de Freamunde. O nome desta rua foi proposta pela Comissão de Toponímia em 19 de Maio de 1993. É uma homenagem a todas as pessoas que fizeram e fazem parte do Grupo Teatral Freamundense fundado há 50 anos, em 22 de Dezembro de 1963. O reconhecimento por ter levado, e continua a levar, bem longe o nome de Freamunde.
Em baixo, um breve historial do Grupo Teatral Freamundense, extraído do livro "Freamunde - Apontamentos para uma monografia".
RUA GRUPO TEATRAL FREAMUNDENSE
A monotonia dos tempos dominados pelas regras e influência religiosas, em que pairava um grande espírito gregário a que as condições adversas obrigavam,haveria de fazer despontar certas actividades de recreio do espírito e de renovação de energias. Radicará aí o gosto pelas representações cénicas sempre ligadas às preocupações e crenças religiosas ou aos espinhos das tarefas profissionais. De salientar que nos fins do séc.XIX,os jornais já se referiam a uma intensa actividade da "troupe dramática de Freamunde". Mais tarde e...a meados do séc.XX, surgiu em Freamunde, onde se fixou, por via do casamento, um amante das artes e das letras que viria a contribuir para o fortalecer do embrião lançado relativamente ao teatro,criador de textos, encenador e cenógrafo,o sr. Leopoldo Saraiva. Concebeu e encenou, por exemplo o "Auto das Flores" para obter verbas para terminar as obras da escola "dos meninos" ou as conhecidas escolas amarelas. O jornal "Eco de Paços de Ferreira" de 15 de Maio de 1935 refere que "no salão nobre da Associação de Socorros Mútos Freamundense realizou-se um atraente espectáculo que esteve muito concorrido pelo grupo Dramático de Amadores Freamundenses". Teatro houve...e muito! Entretanto, um outro "imigrante" chegava a Freamunde, onde também havia de fixar-se pelo casamento. Era um homem do teatro(e foi o teatro que o fez chegar pela 1ª vez a Freamunde,integrado no grupo dos "Modestos"), de seu nome Fernando Santos"Edurisa Filho" que , encontrando o terreno desbravado, se dedicou à produção sucessiva de espectáculos. Criou-se então o Grupo Cénico de Freamunde, já dirigido por Fernando Santos que foi iniciado em 1951, e pôs em cena peças como:
"FREAMUNDE É COISA BOA" ; "BOCÁCIO NA RUA" ; "IRENE" ; "CAMA MESA E ROUPA LAVADA" ; "AS INTRIGAS NO BAIRRO" ;"RAINHA CLÁUDIA".
ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS FREAMUNDENSE
Foi depois por conselho de Maximino Ferreira Rego e Nélson Lopes e pela convicção das suas palavras, que Fernando Santos decidiu, com um grupo de amigos actores, criar o GTF-Grupo Teatral Freamundense. Estava-se a 22 de Dezembro de 1963 e o GTF estreava-se com "Gandarela" uma opereta que Fernando Santos tinha começado a escrever aquando do seu assentimento ao convite e sugestão dos amigos, com arranjos musicais de Jaime Rego. Fruto do reconhecimento desse trabalho são os relevantes prémios conquistados a nível nacional do SNI (Secretariado Nacional de Informação), os honrosos convites para festivais internacionais de Nancy e Avignon (que não puderam ser aceites, por indisponibilidade de alguns actores), o 1º Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), o Festival Internacional de Almada, as críticas favoráveis de jornais e mestres de teatro e intelectuais, o convite a Fernando Santos para ministrar cursos e encenar outros grupos...
O GTF seria um veículo honroso do nome de Freamunde porque actuou em variados palcos do país, esteve presente numa exposição documental sobre o Teatro Amador em Yokohama (Japão) e teve convites da embaixada cultural da Rússia.Com a peça "Um fantasma Chamado Isabel" e a convite do SNI, apresentou-se no Teatro Sá da Bandeira no Porto, no dia 13 de Junho de 1965. Acerca deste espectáculo dizia o Jornal de Noticias "Apresentado com toda a propriedade pelo Grupo Teatral Freamundense, o magnífico espectáculo agradou sem reservas, merecendo palavras de elogio todos os intérpretes...o arranjo da cena,a montagem e a encenação foram valiosos contributos para o êxito obtido, que o público soube premiar condignamente, com muitos e prolongados aplausos".
Em 1966, no Teatro Avenida de Lisboa, representou também "O Comissário da Polícia" de Gervásio Lobato, que recebeu também da imprensa, os melhores elogios. O jornal "O Século": "Os Freamundenses estão de parabéns: ouviram reboar na sala,durante e no fim do espectáculo, palmas intermináveis". Estes são alguns exemplos de críticas jornalísticas, muitas outras houve...
O GTF tem colaborado com outras associações locais em actividades várias, e com a CMPF, por exemplo levando peças infantis às escolas e oferecido receitas de espectáculos a associações do concelho. Tem sido convidado para vários festivais de teatro e organiza todos os anos o seu próprio festival de teatro amador. A medalha de "Altruísmo e Mérito do Concelho de Paços de Ferreira" foi-lhe atribuída em 1988, o que diz bem o contributo que o GTF tem dado à evolução cultural de Freamunde e à divulgação do seu nome.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sebastianas ( I I I )

PROGRAMA DAS FESTAS SEBASTIANAS 1954
O primeiro dia da festa abria, ao alvorecer, com salvas de 21 tiros e repique incessante de sinos que despertavam os freamundenses e os convidados ao arraial.
Os Zés P'reiras, agora acompanhados de gigantones e cabeçudos, que exprimiam felicidade ("novidade" trazida de Santiago de Compostela, aí por volta de 1893, para espanto e regozijo dos freamundenses. Fôra, assim, "selado" o surgimento de um dos números mais aguardados do programa), com as suas batidas ensurdecedoras, zabumbavam de porta em porta, horas a fio. Bombos, caixa e gaitas de foles emprestavam um colorido sonoro que atraía a miudagem, de pé descalço, até à última rufada.
A acreditada Banda de música percorria a freguesia, ao som de melodiosos acordes do seu extenso reportório, deliciando os apreciadores até a noite aparecer.
Terminava a acalmia, ao romper d'alva, com a habitual salva de morteiros.
A dimensão religiosa e teológica da Festa englobava a missa solene e a procissão.
A Igreja, adornada com muitas plantas, flores e cortinados bem lançados, abria na manhã de Domingo para a eloquente missa, revestida de enorme magnificiência, acompanhada a grande instrumental pela "cappella" da Banda Freamundense, onde por vezes eram interpretadas obras (Tantum Ergo, Avé Maria, Agnus Dei...) de renomados barítonos da Cidade Invicta.
No púlpito, o panegírico ao Santo era da responsabilidade de eminentes oradores sacros, quase sempre convidados (Augusto Campos Dinis, Abade de Caramos - Felgueiras; D. Clemente Ramos, do Porto; Abade de S. Lourenço das Pias; António Castro, ilustre professor do Internato dos Carvalhos, Porto...). Mas...o mais insigne, o mais eloquente, o mais credenciado pregador, sempre ouvido com admiração e respeito, era o "nosso" Padre Francisco Augusto Peixoto, de verbo fluído e dominador. Ao bater das 14 horas, dava entrada no arraial a Banda de Música convidada, escolhida entre as melhores da região, recebida com toda a fidalguia pela "Freamundense", troando várias girândolas de foguetes.
BANDA FILARMÓNICA DE FREAMUNDE
Nos coretos, as Bandas (anos houve em que foram contratadas quatro!) faziam ouvir-se alternadamente perante numerosos afectos ds arte dos sons.
De permeio, em lugar apropriado, prosseguia a Quermesse (bazar de prendas), organizada por distinto grupo de senhoras da nossa principal elite. Uma das formas a que recorriam para angariação de dimheiro e que perdurou anos a fio.
Contagiados, certos romeiros divertiam-se com as provas de ciclismo para amadores, os jogos tradicionais - roleta, bilhar, mastro de cocaque, corridas de sacos, tiro...Porque a época era de Verão e o calor apertava, não faltava quem se encostasse a uma barraquita e tragasse uns valentes goles desse espirituoso néctar chamado vinho. Os crónicos devotos do deus Baco, sempre cumpridores da promessa. Para os de carteira mais fraca, água açucarada, o "refresco", bebida pelos sequiosos através do mesmo copo e retirada de cântaro forrado a cortiça. Não havia "mal" que lhes pegasse. As raparigas, essas, optavam pelo pirolito ou laranjada "Canadá-Dry", oferta dos namorados. Como complemento, uma mão cheia de tremoços com azeitonas, uma fatia de melancia ou as doçarias (cavacas), produto dos vendeiros. Ano após ano apresentavam-se diversas companhias de saltimbancos, para representações ao ar livre. Diversões que constituíam um mundo maravilhoso. De quando em vez, arrojadas ascenções de balões "fenianos", cheios de ar quente. O aeronauta, sentado numa espécie de trapézio, subia até uma altura de aproximadamente 800 metros, para deleite dos curiosos de narizes empinados e prontos a correr desenfreadamente seguindo o percurso do dirigível que caía quase sempre em campos de cultivo ou matas, pr'ós lados de Nevogilde. (continua)
Joaquim Pinto - "Sebastianas" - Julho de 2013