quinta-feira, 16 de agosto de 2018

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Café Teles tem fino e marisco de top no Vale do Sousa

ESPAÇO É GERIDO HÁ 36 ANOS POR DOIS CUNHADOS NUM ESQUEMA DE GESTÃO MENSAL
Os melhores mariscos e finos do Vale do Sousa podem ser encontrados no Café Teles, em Freamunde, no concelho de Paços de Ferreira, garantem os proprietários. O espaço, com mais de 50 anos, é liderado há 36 pelos cunhados Carlos Gonçalves e Manuel Cardoso, que têm muito orgulho na casa que é já uma referência na região e é conhecida pelas suas especialidades em vários pontos do país.
"Esta foi uma aposta ganha", afirma ao JN Carlos Gonçalves, que há 36 anos partilha com o cunhado um esquema de gestão mensal. "Trabalhamos aqui um mês cada um. A cada dia 16 entregamos o café ao outro, com as contas a zero. Isto permite-nos descansar, ter tempo para a família e dedicarmo-nos de corpo e alma ao café, com uma vontade diferente daquela que teríamos se estivéssemos cá os dois diariamente", diz.
A funcionar no centro da cidade de Freamunde, o café Teles é um espaço acolhedor, que funciona diariamente até de madrugada. "Só fechamos na véspera de Natal", conta o proprietário. O horário alargado, as suas especialidades, aliadas aos bons preços, fazem desta casa um espaço bem conhecido na região. "Somos um bom sítio para se comer fora das refeições", acrescenta.
Carlos Gonçalves assegura que os mariscos são "os melhores da região do Vale do Sousa" e apontados por muitos clientes como "melhores que os de Matosinhos". Também as francesinhas e petiscos, os finos - tirados em copos que são tratados com o mesmo cuidado que a carne e os mariscos -, são marcos que distinguem o café de outros estabelecimentos.
Durante o ano, são vendidas centenas de quilos de marisco e cerca de 50 mil litros de cerveja. "Temos muito brio no nosso trabalho e na qualidade daquilo que servimos", assegura Carlos Gonçalves, que, apesar de se sentir realizado com este projecto, continua a querer inovar e a alargar o leque de produtos a apresentar ao cliente.
JORNAL DE NOTÍCIAS - EDIÇÃO DE 11 DE AGOSTO DE 2018  
MANUEL CARDOSO (À ESQUERDA) E CARLOS GONÇALVES

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Banda de Freamunde ( XXII )

Porém, no dia 4 de Abril desse mesmo ano, a Vila acordou com o dobrar dos sinos da igreja matriz. A notícia correu célere: tinha falecido o Toninho Nogueira, com apenas 64 anos de idade, consumido por uma doença de foro oncológico que lhe martirizou os últimos anos de vida.
A morte do "mestre" Antonino causou consternação entre todos os membros da Banda com os quais sempre conseguiu encontrar forças para vencer as crises mais agudas da sua existência.
No funeral, muito participado, incorporaram-se, com os respectivos estandartes, representações das congéneres de Golães e Revelhe (Fafe), Maia, Pevidém, Riba d'Ave, Lousada, Paços de Ferreira...
Cobrindo a urna, a bandeira azul da "menina dos seus olhos". Nas mãos, a batuta que apaixonadamente empunhou durante 18 anos.
Figura tão marcante, cuja dedicação, carisma, perseverança e empenho foram merecedores de reconhecimento público. Assim, mais tarde, uma comissão de toponímia atribuiu o nome de uma das ruas de Freamunde ao saudoso regente.
O NOSSO TONINHO NOGUEIRA

Quando o Toninho Nogueira
fazia o rosto corar,
nenhuma Banda p'la beira
batia a nossa, a tocar!

Este Filho cá da gente,
nesta sua Banda amada
foi desde aluno a regente,
sempre de cara lavada.

Ainda hoje a chorar
a gente ouve perguntar
onde a Banda se desloca

pelo Toninho Nogueira
e há quem jure, ali à beira!
"está no que a Banda toca".

                      RODELA
ERNESTO GOMES TAIPA
Temia-se que com ele fosse também a  alma da Banda, a quem havia dado o seu estilo, o seu contributo, a sua fidelidade. Um caso exemplar de devoção à arte dos sons.
A temporada musical estava à porta. Tornava-se urgente encontrar outro regente. Até que isso acontecesse, o filho José continuou a "dar vida" à Banda.
Após indicação de António João de Brito, e durante apenas seis meses - até Outubro de 1977 -, "deitou a mão" o maestro António Júlio Machado "Machadinho", sargento músico no RIP, morador na cidade do Por to, com anteriores passagens como regente pelas bandas de Coimbrões e PSP. Figura, de quem se sabe biograficamente muito pouco.
Com o "vazio" então criado, a Banda sofrera nova crise, decadência à vista. Teria mesmo acabado se não fosse o inconformismo de um punhado de bons freamundenses que, em princípios de Janeiro de 1977, se haviam constituído em direcção provisória, estilo comissão administrativa, liderada pelo entusiasta, pelo benemérito Ernesto Gomes Taipa - o salão de ensaios, que lhe pertencia, foi cedido gratuitamente, situação que ainda hoje se mantém, dele se servindo os miúdos que frequentam a Escola Infantil. Para quando o verdadeiro reconhecimento a este grande freamundense, entretanto nomeado sócio benemérito da Banda?
Enfim, verdadeiros bairristas que assim recuperaram o dinamismo e a mesma força de alma.
JOAQUIM PINTO - "ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE FREAMUNDE - 190 ANOS"

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Uma fotografia aérea de Freamunde

Uma fotografia aérea parcial de Freamunde, partilhada na rede de compartilhamento de fotografias Flickr.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Sebastianas 2011

Vamos recordar as Sebastianas 2011 que se realizaram de 7 a 12 de Julho. No panorama musical do cartaz, actuaram: Pedro Barroso, Homens da Luta, José Cid e Big Band, David Fonseca e Kumpanhia Algazarra.
Em 2011, tudo correu a vaca...

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Nacos de Vida

AMANTES DE FREAMUNDE

Vou mandar pôr debaixo da palmeira
uma mesa de pedra e quatro bancos,
com quatro homens todos de tamancos
e um busto a recordar a sardinheira.

São estas as lembranças mais queridas
de quem adora a borga nesta terra,
porque aqui o bairrismo não emperra
e as saudades assanham as feridas.

À custa destes pobres, somos ricos,
p'ra eles o trabalho não tem picos,
querem mais gorda a terra que a carteira.

De tanta gente boa a relembrar
há dois homens que eu quero destacar:
O senhor António Filipe e o Quim Loreira.

RODELA - "NACOS DE VIDA"

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sebastianas: Capital (do) Simbólico

As Festas Sebastianas são cada vez mais um caso surpreendente de um contexto festivo local que se vai projetando e engrandecendo a nível nacional e até internacional, por meio dos emigrantes, migrantes e novas gerações. 
Para muitos, sobretudo oriundos das gerações mais velhas, são alvo de inveja recalcada, para outros de admiração, para uns quantos âmago do seu existir mas para cada vez mais – no que se refere particularmente às novas gerações – local de encontro, de celebração que vai para além de guerras arcaicas e inusitadas (aos seus olhos por que a história e a vivência lhes escapa) de outros tempos.
Tentando adotar aquilo que tecnicamente se apelida de “visão de helicóptero”, o que suspeito não ser possível no meu caso, uma vez que quando objeto  e analista se confundem tal será inviável,  é meu entendimento que o sucesso destas e o seu resultado para Freamunde e para os Freamundenses, advém, sobretudo, ou até quase unicamente, do capital simbólico que das mesmas  os seus atores e a cidade, como um todo, daí retiram. Isto é, as Festas Sebastianas não permitem significativo aumento da produção de riqueza, de emprego estrutural, de especial dinamização do comércio e muito menos da indústria. Quando muito, permitem um incremento do capital cultural e o acesso dos Freamundenses e visitantes a experiências qualificantes por via dos espectáculos e atividades culturais, parte integrante das Sebastianas.
Então a pergunta: Por que são tão amadas, desejadas e invocadas pelos Freamundenses?
Questão de resposta muito simples. Porque encerram um enorme capital simbólico, porque são móbil fundamental da estrutura identitária Freamundense. Porque são contexto privilegiado de encontro da diáspora Freamundense.
Porque constituem fundamental mecanismo de uma identidade e um autoconceito positivo permitindo a construção de uma narrativa coletiva e (ins) conciente de independência e recusa de adestramento por forças externas e de recusa de uma avaliação externa.  
Estou também convencido que é uma forma de afirmação de um sentido de religiosidade muito entranhado em Freamunde e uma demonstração de resistência à crescente descristianização que se vai assistindo.
Estas permitem que os Freamundenses estabeleçam um diálogo entre o passado, o presente e se projetem no futuro afirmando o seu orgulho de existirem, particularmente quando se assiste à falência de instituições tão “amadas” em Freamunde.
É um dos mais importantes veículos de evocação de uma comunidade de pertença securizante, através da edificação de uma identidade coletiva. Ajudam a atribuir sentido à existência de quem vive em Freamunde ou ama aquela terra. Mais ainda, num mundo crescentemente globalizado são uma oportunidade única de resistir às ameaças – reais ou percecionadas - da aniquilação das singularidades de Freamunde e das suas marcas.
Neste jogo, nesta complexidade de relações, os foliões, os convivas são o elemento que dão sentido a este mecanismo de afirmação deste “pertencimento”.
Não vale a pena tentar racionalizar as explicações sobre o fenómeno porque de um fenómeno humano se trata, muito complexo e que tem muito mais de simbólico, afetivo e emocional do que racional…tal como cada um de nós.
O caminho das Sebastianas está, portanto, sociologicamente assegurado, estando estas obrigadas a algo mais do que o seu natural e sociológico destino. Devem, pois, servir de meio qualificador das suas gentes, não cederem a modas momentâneas vulgarizando-se e procurarem a originalidade assente na tradição (penso que seria muito importante as mulheres serem chamadas a integrar as comissões de festas), serem mecanismo integrador - e não exclusor - de outras freguesias (a este respeito é muito interessante a crescente chamada de pessoas não-residentes em Freamunde para as comissões de festas), cidades e regiões, manterem-se irreverentes e contribuírem para o enriquecer da vida social e cultural de Freamunde e da região norte.
No entanto, urge pensar Freamunde como um todo, urge chamar as suas gentes a redefinir os caminhos e os projectos que pretendem calcorrear para o futuro … É tempo de pensar Freamunde, chamando as suas elites – autóctones ou os seus amantes – à discussão, não esquecendo o pulsar do povo. 
MARCOS TAIPA - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 26 DE JULHO