quarta-feira, 24 de maio de 2017

Uma imagem de outros tempos

Uma imagem de outros tempos da antiga Praça de Freamunde. Num outro ângulo. Um local que marcou gerações de freamundenses, foi inaugurada a 16 de Abril de 1896, e demolida em 1991 para o arranjo urbanístico no centro cívico de Freamunde como o conhecemos hoje. Passaram 26 anos, e ao que parece, vai ser sujeito a novas obras...
Imagem partilhada na rede social "facebook".

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Esta é mesmo verdadeira

RESPOSTA A TEMPO...
Esta passou-se durante uma das muitas representações de "A Severa", não me recordo porque companhia, nem quais os actores que nela entravam.
No 4º acto da peça, quando a Severa já se encontrava muito mal da angina de peito que, na vida real, a matou aos 26 anos, mal agravado pelo abandono a que a tinha votado o Conde de Vimioso, o Marialva seu amante, receoso e contristado, entra no seu tugúrio da Rua do Capelão o seu devotado amigo Romão Alquilador que, de chapéu na mão, se acerca do leito dela e lhe pergunta tristemente:
- "Então Severa? Como vais?..."
- "Mal!...Vou muito mal!..." - responde-lhe a custo a cigana fadista.
Este é o texto da peça de Júlio Dantas. Só que, naquela altura, e face à desastrada representação que se estava a passar, o actor que fazia de "Romão", num elevado sentido humorístico, decidiu continuar e animou-a:
- "Deixa lá, rapariga! Vais tu mal...vou eu mal, vamos todos muito mal...!"
...que raiva não saber quem foi o actor de tão oportuna tirada!!...Até me apetece dizer que foi o Joaquim Prata, que com gosto a juntaria às "milhentas" do seu repertório...
FERNANDO SANTOS - "ESTA É MESMO VERDADEIRA" - JULHO DE 2001

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Poesia de Freamundenses

HOMENAGEM

Pequeno ladino,
De andar apressado,
É vê-lo correndo
De lado pra lado.

Amigo fiel,
Leal companheiro
Não trai, não magoa
Pelo mundo inteiro.

Artista de gema,
Na família tem
Orgulho e vaidade
Que lhe ficam bem.

Ah! Já descobriram
Depois desta dica?
Trata-se do nosso 
Amigo Quim Bica.

FERNANDINHA FELGUEIRAS - "FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR" - JUNHO DE 1987

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dos fracos (?) também reza a história - "Bicha da Bouça"

Joaquim exibe com certa vaidade a sua "cara metade"
JOAQUIM FERREIRA TAIPA "BICHA DA BOUÇA"
1908 (?) - 1985
Era uma vez um jornaleiro, filho de Claudino Ferreira Taipa e Rosalina Pereira do Carmo, de nome Joaquim, carinhosamente tratado por "Bicha da Bouça", talvez por ter nascido e residir no lugar da... Bouça, nesta freguesia.
Pobre como era, perguntava-se, certamente, na altura o que lhe iria acontecer; testemunhos de gente da sua geração, pessoas credíveis - não sou dado a certas "fontes" -, descrevem-no como alguém alimentado mais a sonhos que a outra coisa qualquer.
Produto de uma família que mal tinha dinheiro para o pão e vinho sobre a mesa, que sempre viveu à rasquinha, cedo teve de se fazer homem à pressa e ir trabalhar à jorna, no duro. Ganhar algum para que os dias não fossem tão dolorosos. Assim atravessou a meninice. Sem escola, sem as brincadeiras de crianças passadas à sombra das frondosas tílias (uns anos mais tarde substituídas por plátanos), no largo da Feira, onde os pássaros, imensos, davam voz às árvores; sem esperança que o "trabalho" o resgatasse da miséria. Miséria que, infelizmente, assombrava grande parte dos lares nesta terra. Neste país. A realidade, à época, era esta, bem diferente da actual. Tempos em que, às refeições, havia uma cabeça de sardinha para três irmãos. Em que os meninos andavam descalços. Pés descalços e roupas esfarrapadas. Com piolhos na cabeça e ranho no nariz. Assim mesmo!
Jornaleiro "documentado", perito na extracção de raizeiros e seu desmembramento (dizem que a "vontade" não era por aí além, custava-lhe bastante arregaçar as mangas, mourejar assiduamente), da vida, do que ambicionava, Joaquim nada obteve. Enquanto para muitos o descanso era o trabalho, Joaquim foi atacado por uma doença: o vinho. Iniciou cedo o seu processo de alcoolização, que lhe deu fama mas não proveito.
Tasca das Elvirinhas
As minhas memórias, as mais gratas recordações, levam-me aos tascos d'Arminda "da Couta", das Elvirinhas, do Américo, do 28, do Viana, do Manel "da Balbina"... Foi aqui, talvez, para Joaquim, o poiso ideal desde a juventude. Assim o demonstra a fotografia. De fato domingueiro e chapéu na cabeça, o "nosso" homem ostenta garbosamente a caneca de porcelana, mimada como ninguém, sempre na vazante. Era deste modo que perdia a inibição: "Bastava cheia!... Bastava cheia!"...
E tão focado ficou na "matéria" que quase ignorou o resto. Quase, porque não era ele apenas que consumia álcool, era o álcool que o consumia.
O último registo de Joaquim Taipa "Bicha da Bouça" é esta fotografia desgastada pelo tempo, obtida, ocasionalmente, por Pedro Pedra, nas escadarias do cemitério nº1 de Freamunde.
Nunca casou, manteve-se eterna e orgulhosamente solteiro, mas "namorou", sem desfalecimentos, as "canecas" (de todas as castas, de feição escura, branca, rosé... Não era esquisito!), e não foram assim tão poucas, formando um casal perfeito. Por mais "brigas" que tivessem, não se separavam por nada. Sempre houve união e cumplicidade. Uma verdadeira história a dois. Sem interferências.
Com a morte dos pais, passou a viver sozinho na velha casa da "Bouça", sombria, mas que se manteve sempre de pé, quase a ruir, mas de pé, com alguns contornos mal definidos, propriedade do irmão, António, radicado no Brasil mas com procurador cá.
Para sobreviver, não encontrou outro "remédio":  estender a mão aos amigos. Que os tinha. Nunca se tornou o alvo preferido do desprezo e da chacota, grosseira e canalha. Não. Cumprimentador, todos lhe devolviam a gentileza, apesar do rosto fechado (não sabia sorrir, fazia apenas um esgar).
O.R.M., no jornal "Fredemundus", dedicou-lhe uma crónica, há vinte e cinco anos atrás, porque o admirava e conhecia relativamente bem. Eis alguns fragmentos: «...movia-se vagarosamente  pelas ruas e caminhos pedinchando aqui e acolá umas moedas que convertia no único prazer da sua vida: canecas de vinho e copos de bagaço. Quando o peditório era feito à porta de alguma habitação, a moeda recebida era justificada por umas orações ininteligíveis pelo resgate das almas dos mortos da casa. (...) Adepto das grandes verdades, simples como as gotas de chuva, ia, às vezes, ao cemitério inspirar-se para as suas reflexões sobre a vida e os seus prazeres. Ao constatar que no fundo das sepulturas, os defuntos, na sua imobilidade horizontal, não sentiam fome nem sede e estavam imperdoavelmente encarcerados na eternidade, descia veloz à loja do Manel "da Balbina" e entornava mais uns copos, com urgência febril, que amanhã poderia ser tarde».
E foi assim, na escadaria do cemitério, que o "apanhámos de ar cansado (só a "caniça" lhe erguia a espinha), nariz afilado, cabelos grisalhos, desalinhados, sem conhecer o pente há muito (havia simulado tirar o chapéu, para a saudação, logo que nos encarou),  sobrolho arqueado, cara de poucos amigos - o sorriso deixou de fazer parte da sua vida. A expressão do olhar era trágica e melancólica. De sobretudo cinzento desabotoado, cachecol, as frieiras das mãos agasalhadas nos bolsos das calças puídas, meias de cores distintas, botas abertas nas biqueiras, para "arejar", talvez a curar-se da última ressaca, que muitas vezes se sobrepunha à penúltima e à antepenúltima. Parecia confuso, e com razão. Tudo parecia desmoronar-se à sua volta.
O "Américo" na sua tasca
Trocámos algumas palavras. Quando terminámos a conversa (discurso pouco fluído da sua parte mas fino e irónico) inclinou ligeiramente a cabeça, fixou-nos de esguelha e perguntou timidamente: - Não têm por aí vinte escuditos para uma sopinha (!) no Américo? Claro que tínhamos.
Depois de uma estadia no "Lar António Barbosa", em Paços de Ferreira, onde apenas asilava nos rigores do Inverno, foi encontrado inanimado na sua residência, com ferimentos na cabeça. Socorrido pelos vizinhos, a única "família" que possuía, e transportado para o Hospital de Paredes, aí faleceu serenamente  no dia 26 de Janeiro de 1985, em completa indigência.
O funeral fez-se, a acompanha-lo várias dezenas de freamundenses. Um dos "seus" estimados filhos que foi para a terra fria, como muitos outros que se vangloriaram ser ricos só porque tiveram dinheiro. Joaquim "concentrou e condensou no acto de beber todos os prazeres da sua vida".
A factura do cangalheiro e as dívidas na mercearia foram saldadas por um fundo de poupança efectuado por alguém bem intencionado e saído de uma pequena pensão de velhice que lhe tinha sido atribuída.
Desapareceu, assim, a figura de um homem singular, típico, matreiro,  castiço, de um lote de que já não resta ninguém. Os actuais não têm "pinta".
JOAQUIM PINTO - BLOG "FREAMUNDE: FACTOS E FIGURAS 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A preto e branco

Uma fotografia a preto e branco com vista para a Avenida do Centro de Saúde, desde o Monumento ao Capão e à Cidade de Freamunde, situado na Praça 19 de Abril. Esta obra é da autoria do freamundense Augusto Ramos. Uma fotografia captada entre colunas...

quarta-feira, 10 de maio de 2017

10º aniversário

Hoje o blog faz 10 anos que anda por aqui. Uma bela data...Se olhar pra trás, para o ano de 2007, muita coisa mudou a nível de blogosfera. A maioria dos blogs de Freamunde deixaram de ser actualizados. Pena que assim seja. Há 10 anos havia vida...Arrisco-me a dizer mesmo que, apenas este blog, o blog "coisas que podem acontecer", e o blog "Freamunde: factos e figuras"são os únicos que continuam activos...
Hoje, o freamundense está muito diferente dos seus primeiros tempos. Penso que para melhor... Com mais conteúdo, novas rubricas, e em breve mais surgirão. Com mais fotografias. Hoje privilegio mais a fotografia. Sempre de Freamunde...
Nestes 10 anos publicaram-se no blog 1058 posts e centenas de fotografias.
Algumas das estatísticas do blog:  post com mais visualizações: "Cartaz musical Sebastianas 2013": 5621. O segundo foi o post "A Rua D. João V" com 3289 visualizações, e o terceiro foi o post "Uma imagem de outros tempos" com 3023 visualizações. O histórico de visualizações de páginas é de 302. 462. O número de visitantes, embora não esteja correcto devido a nestes 10 anos terem existido alguns erros com o contador de visitas, é de 228. 300.
No que só à fotografia diz respeito, esta fotografia com o nome de "Santinha", foi a que atingiu maior número de visualizações: 603. O post "10 anos em imagens - 2009", foi o post com maior número de visualizações até ao momento neste ano de 2017: 934.
Estes são alguns dos números de 10 anos de existência do "freamundense"...
Ainda no que à fotografia diz respeito, e a nível pessoal, esta fotografia foi a que mais gozo me deu publicar: "Uma vista em tons sépia". Vá-se lá saber porquê...
E como é sempre habitual nesta data, quero agradecer a todos vocês que se encontram do outro lado do monitor do computador, e que o brindam com a vossa visita. E também lembrar que o blog continua aberto a quem nele queira colaborar directamente...
Um agradecimento muito especial ao Nuno Leão pela sua colaboração e pela sua sempre prestabilidade, sempre que lhe é requisitada da minha parte. A maioria dos cabeçalhos, e todas as imagens das rubricas do blog, são de sua autoria.
Da minha parte, irei manter o blog actualizado com a regularidade que é conhecida.
Obrigado a todos! Cumprimentos.