terça-feira, 23 de abril de 2019

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( XVII )

IV
OS DIRIGENTES ( ÚLTIMA PARTE )
A 30 de Dezembro de 1990, em segunda convocatória, eleições para 1991
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Manuel da Costa Soares
Primeiro Secretário: Alfredo Ferreira Rego
Segundo Secretário: José Manuel Neto de Sousa Mendes
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira (foto)
Vice-Presidente: Luís Alves de Andrade
Tesoureiro: Teodoro da Silva Freire
Primeiro Secretário: Ernani Maria Pereira Cardoso
Segundo Secretário: Maria Celina Pedra Torres Fazenda
Vogal: José Belmiro de Jesus Nunes Chamusca
Vogal: José António da Silva Santos

Em 22 de Fevereiro de 1992, segunda convocatória, foram reeleitos para 1992.
Em 26 de Dezembro de 1992, segunda convocatória, eleições para 1993
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Manuel da Costa Soares
Primeiro Secretário: Rogério Monteiro
Segundo Secretário: José Manuel Neto de Sousa Mendes
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira
Vice-presidente: Maria Celina Pedra Torres Fazenda
Tesoureiro: Domingos Soares Pereira
Primeiro Secretário: António Fernando Moreira Pinto de Matos
Segundo Secretário: José António da Silva Santos
Vogal: José Belmiro de Jesus Nunes Chamusca
Vogal: Joaquim Gonçalves de Sousa

A 26 de Dezembro de 1993, em segunda convocatória, eleições para 1994
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Manuel da Costa Soares
Primeiro Secretário: Rogério Monteiro
Segundo Secretário: Fernando Alberto Gomes Pereira
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira
Vice-presidente: Maria Celina Pedra Torres Fazenda
Tesoureiro: Domingos Soares Pereira
Primeiro Secretário: José António da Silva Santos
Segundo Secretário: José Pinto Marques
Vogal: Fernando Baptista da Silva Ribeiro
Vogal: Jaime Barros Gomes

Em segunda convocatória, a 16 de Dezembro de 1994, a Assembleia dita a reeleição para 1995, e a 15 de Dezembro de 1995, faz eleições para 1996
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Manuel da Costa Soares
Primeiro Secretário: Rogério Monteiro
Segundo Secretário: José Maria de Moura Gomes Pereira
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira
Tesoureiro: Fernando Baptista da Silva Ribeiro
Primeiro Secretário: Jaime Barros Gomes
Segundo Secretário: José Pinto Marques
Vogal: Fernando Alberto Gomes Pereira
Vogal: Fernando Manuel Torres Leão da Rocha Matos
ANTÓNIO ROGÉRIO GOMES PEREIRA
Nova reeleição, a 20 de Dezembro de 1996, em segunda convocatória para 1997, e a 19 de Dezembro de 1997, em segunda convocatória, eleições para 1998
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Manuel da Costa Soares
Primeiro Secretário: Rogério Monteiro
Segundo Secretário: José Maria de Moura Gomes Pereira
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira
Vice-presidente: José António da Silva Santos
Tesoureiro: Fernando Manuel de Jesus Francisco
Primeiro Secretário: Jaime Barros Gomes
Segundo Secretário: José Pinto Marques
Vogal: Fernando Alberto Gomes Pereira
Vogal: Fernando Manuel Torres Leão da Rocha Matos

Em segunda convocatória, a 18 de Dezembro de 1998, para o ano de 1999 e no dia 17 de Dezembro de 1999, para 2000, foram reeleitos
Foi concorrida a Assembleia-geral de 15 de Dezembro de 2000 que, em segunda convocatória, elegeu os corpos sociais para 2001. Foram apresentadas duas listas. Estiveram no escrutínio:
Lista A - Francisco Adolfo Felgueiras Graça Leão
Lista B - Fernando Manuel Jesus Francisco
Ganhou a Lista B que obteve 96 votos contra 70 da Lista A
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Maria de Moura Gomes Pereira
Primeiro Secretário: Rogério Monteiro
Segundo Secretário: Fernando Alberto Gomes Pereira
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira
Vice-presidente: José António da Silva Santos
Tesoureiro: Fernando Manuel de Jesus Francisco
Primeiro Secretário: Jaime Barros Gomes
Segundo Secretário: José Pinto Marques
Vogal: Fernando Baptista da Silva Ribeiro
Vogal: Fernando Manuel Torres Leão da Rocha Matos

Nova reeleição a 14 de Dezembro de 2001, em segunda convocatória.
O mesmo acontece a 20 de Dezembro de 2002, para o ano de 2003. A 19 de Dezembro de 2003, em segunda convocatória, eleições para 2004
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Maria de Moura Gomes Pereira
Primeiro Secretário: Rogério Monteiro
Segundo Secretário: Fernando Alberto Gomes Pereira
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira
Vice-presidente: José António da Silva Santos
Tesoureiro: Cândido José Coelho Gomes
Primeiro Secretário: Jaime Barros Gomes
Segundo Secretário: José Pinto Marques
Vogal: Fernando Baptista da Silva Ribeiro
Vogal: Fernando Manuel Torres Leão da Rocha Matos

A 17 de Dezembro de 2004, na primeira assembleia a decorrer à luz dos novos estatutos, foram, em segunda convocatória, eleitos os novos corpos sociais para o triénio 2005/2007, agora já com Conselho Fiscal
Assembleia-geral:
Presidente: Eng. José Maria de Moura Gomes Pereira
Vice-presidente: Miguel António Leão de Brito
Primeiro Secretário: Rogério Monteiro
Segundo Secretário: Fernando Alberto Gomes Pereira
Suplentes: Miguel Fernando Lopes Gomes e José Maria Pacheco Taipa Rego
Conselho Fiscal:
Presidente: Dr. José Luís Ribeiro de Barros
Vice-presidente: Henrique José de Castro Pinto Marques
Relator:: Eng. José de Fátima Ribeiro de Bessa
Suplentes: Pedro Nuno Martins Ferreira Lopes e Célio José Teixeira Ferreira Mendes
Direcção:
Presidente: António Rogério Gomes Pereira
Vice-presidente: José António da Silva Santos
Tesoureiro: Cândido José Coelho Gomes
Primeiro Secretário: Jaime Barros Gomes
Segundo Secretário: José Pinto Marques
Vogal: Fernando Manuel Torres Leão da Rocha Matos
Vogal: Nuno Augusto Pedra Sousa
Suplentes: Adão Queirós Teixeira da Silva, José Fernando Ferreira Ribeiroo e José dos Santos Nogueira
JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS" - 2005

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Tradições pascais no concelho

(...) Os foguetes e as bandas de música  a acompanhar são números de agrado geral, que muito enfeitam e animam o pequeno cortejo. Desapareceu o antigo uso do lenço de seda, atado na cabeça dos mordomos a evitar o chapéu, as moças também já remiram os «raminhos de armador» em que caprichavam os seus apaixonados.
Ramos...! Aleluia!...Ressurreição!...O padrão de Deus das Alturas entre os homens!...
As casinhas por humildes, apresentam-se airosas, cuidadas, com banhos de cal por fora e por dentro. Sai a «limpeza» das arcas e dos gavetões. Caminhos e carreiros cobertos de «rosas» e ervas bentas. Onde o arruamento se presta, estendem-se tapetes de murta e de «espaganas» a ligar entradas das moradias, num pregão de amizades que mais se manifesta ainda nos desenhos de flores desfolhadas. Colchas de chita e de seda que prendem das sacadas. Tudo varridinho, um amor.
(...) A missa primeira, no Domingo de Páscoa, a única quase sempre em todas as freguesias, decorre entre pressas. Em meio já se distribuem as opas pelo Juiz da Cruz, mordomos e rapazes da campainha e da caldeira.
O «compasso» sai, enfim, a coroar uma aurora rara de anseios, de lidas, de brics em mil coisinhas, caseiras, sem perder o seu verdadeiro significado. Como primeiro acto, os companheiros do sacerdote beijam a Cruz Paroquial, no que são secundados pelos componentes da música. O estrondo glorioso dos foguetes mistura-se com o rapique dos sinos.
Dentro de horas, muitas casas estarão visitadas.
O pequeno almoço é servido em casa dum paroquiano. Momentos depois, o povo acode ao logradoiro da aldeia, e ali se demora e descobre, reverente, apreciando as entradas nos lares.
Na Trindade e Sobrão (Meixomil), no Carvalho (Frazão), em Vilar (Seroa), na sede de Freamunde, os «compassos» costumam atrair grande concurso de  gente, assim como no largo do Cô, onde a mocidade manda queimar muito fogo.
O «compassso» é recebido na «casa limpa», a melhor salinha, e, na grande maioria, o quarto do casal. A cama ostenta vistosas mantas e rendados guarda-pés. Para oscularem a imagem de Jesus crucificado e a estola do pároco ajoelham os da família, alguns vizinhos e parentes.
A mesa ao centro da salinha está arranjada com gosto. Sobre a toalha, uma jarra bonita com flores naturais (ou de papel de seda, compradas na feira da Páscoa, no Cô, às mulheres de Aldozinde, Carvalhosa, e da Lameira, Meixomil), hábeis neste artesanato caseiro. Dispostos pela mesa da casa dum lavrador, uma rosca de «pão-leve» e outra de pão branco, um prato com ovos, laranjas ou maçãs. No lar dum outro lavrador-caseiro: dois pratos com três ou seis ovos cada, uma rosca de pãoo-trigo, vendo-se flores soltas e em raminhos a alegrar a mesa. Curiosa a colocação dos retratos do casal por entre os doces. Mais além, na casa dum comerciante, mesa igualmente convidativa, lavores saídos das mãos das filhas a cobrir as guloseimas e a enxugar lágrimas de vinho fino do «Dão José».
Nas famílias de mais destaque o Abade descansa um pouco e mimoseiam-no com um chá e doces, um cálice de vinho do Porto ou uma laranja das bandas de Refojos e de S. Miguel do Couto.
Entretanto os ovos, muitos deles tingidos, as maçãs, as laranjas, vão caindo na cesta dos mordomos. O folar em dinheiro é entregue ao Abade. Em várias residências é fácil encontrar nas mesas da Páscoa uma laranja com uma peça (moeda) espetada ao alto, e algumas famílias permutam raminhos com o cura das almas. E é assim aqui e além sob contínuas provas de regozijo e de sentir profundamente cristão.
O jantar em casa do Juiz da Cruz decorrerá animado. A banda de música terá o seu beberete sem falar nas «graças» que já lhe fizeram nas «casas boas». Novo foguetório anunciará que o «compasso» vai romper para delícia dos paroquianos que o esperam. 
(...) Já noite cerrada, os «compassos» vão recolhendo ao templo paroquial. Os sinos bimbalham de novo e os foguetes riscam profusamente o céu, dando a impressão de uma noite sanjoanina. A benção, com música a acompanhar, rematará o dia d glorificação máxima do Salvador.
Situa-se à parte a ceia oferecida e servida em casa do Abade aos membros do «compasso». Conta-se o dinheiro apurado para a música. Se sobrar, será o excedente aplicado em missas de sufrágio por alma dos mortos da freguesia ou em alfaias de que o templo carece. Quando a receita faz negaças, um rateio por vinte e tantos rapazes resolve a questão.
Na segunda-feira de Páscoa, sai ainda o «compasso» em Arreigada, Codessos, Modelos e Sanfins. O povo guarda o dia, comparecendo à missa como de preceito se tratasse. (...)
MANUEL VIEIRA DINIS - "ETNOGRAFIA DE PAÇOS DE FERREIRA"

terça-feira, 16 de abril de 2019

A preto e branco

A torre sineira da igreja do Divino Salvador de Freamunde a preto e branco. Uma fotografia captada desde Leigal, numa bela tarde de domingo.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Esta é mesmo verdadeira

A LICENÇA DO ESPECTÁCULO
Estava-se na época de fim de curso e ia realizar-se a festa da "Queima das Fitas", da qual, como número principal, fazia parte a récita teatral. Esta récita era, geralmente, constituída por uma revista expressamente escrita para esse fim.
Estou a falar-vos das récitas do Instituto Industrial do Porto para as quais escreveram diversos autores que, mais tarde, até adoptaram o profissionalismo: o Manuel Sílvio, o João Manuel (que hoje dirige "A Voz dos Ridículos"), o Castro e Silva e muitos outros, entre os quais este vosso maçador...Nesse ano coube-me a mim a incumbência, até porque eu pertencia, como finalista de curso, à comissão organizadora.A revista lá foi escrita: chamava-se "Gatas à Porta" (mais tarde, ainda escreveria outras: "A Grande Fita", "Está na Hora", "Abaixo o Grêlo!"...). Os ensaios estavam quase concluídos; somente as "coristas" se tinham negado terminantemente a rapar os pelos das pernas, como eu exigia...Havia que tratar da legalização do espectáculo, que se obtinha, no Governo Civil. O assunto tinha de ser tratado com um funcionário gordo, carrancudo e pouco comunicativo, que se chamava Nunes. Ninguém  queria ir falar com o Nunes, que nos anos anteriores tinha recebido a "malta" com cara de poucos amigos e tinha mesmo chamado a polícia de segurança para os pôr no olho da rua. Em face de tanta timidez, prontifiquei-me eu a lá ir. E fui. O sr. Nunes tinha gabinete próprio...Entrei a medo e levei logo nas trombas com um "que é que quer", que o Nunes me atirou sem para mim olhar e sem ver mesmo se me acertara..."Diga o que quer" - repetiu bruscamente...Lá gaguejei ao que ia e o homem berrou que tinha de lhe levar "cem mil reis" em selos fiscais para inutilizar com o pedido de licença.
Cem escudos naquela altura era muito dinheiro e o quiosque da esquina não tinha selos de tal valor. Por sinal que, naquele momento, até só tinha selos de tostão.
Quando voltei ao gabinete do Nunes e senti outra vez na cara mais um "que é que quer", que ele me voltou a atirar sem olhar para mim, estendi-lhe o braço direito tendo entre os dedos da mão daquele braço dez folhas de 100 selos de $ 10 cada, dizendo-lhe com um sorriso amarelo:
- Como não havia selos maiores e Vossa Excelência (!!) disse que eram para inutilizar, achei que estas folhas eram melhores, pois dão mais jeito a rasgar..."
A fera Nunes ia tendo uma apoplexia, mas preferiu rir-se e mandar-me trocar os selos...
FERNANDO SANTOS - " ESTA É MESMO VERDADEIRA"

terça-feira, 9 de abril de 2019

Caminhos

XIII
"Ai há quanto tempo que eu parti chorando, deste meu..." - perdoe-me Guerra Junqueiro desvirtuar os seus versos e completar: "desta minha saudosa terra!". Nem sequer foi há tanto tempo. Estive na Galiza e apetecia-me sempre regressar. É neste recanto envelhecido que me apetece estar. É mórbido, eu sei!
Os lugares bonitos, as praias, o desenvolvimento ordenado fazem-me nostalgia e até...inveja. Egotismo exacerbado? Talvez...Não preciso que os outros reconheçam...eu sei fazer uma auto-reflexão lúcida. O que não sou capaz é de me modificar. Nasci não sei como e depois fui pervertendo os meus genes.
Caminhei ao invés, como quem aponta a Estrela Polar na ponta da "ursa" mais pequena e se norteia por uma estrela duma qualquer grandeza. Se calhar  uma cadente. E tenho massa cinzenta dentro do crânio e até tenho espinal medula. Mas tenho um coração que bate, bate e aquece as informações do meu sistema periférico. A ordem chega, assim, distorcida. Nunca serei o cão do Pavlov mas também não sereio autómato de Augusto Comte. Nem sei classificar-me à luz dos conceitos de definição de personalidades. Nem quero. As definições e as caracterizações são estáticas...e eu baloiço tanto que quebro a corda em que me apoio.
Quando regressei vi tudo engalanado para a festa da Senhora da Conceição, ali em São Francisco. Havia bombos na rua, como não podia deixar de ser, nesta terra de alguns excessos, como o dos ruídos. Hábitos de aldeia em tempo de cidade. Ou tradições que não se querem perder? Mas em vez da moderação, às vezes hiperbolizamos.
Mesmo assim preferi ao sossego e à beleza do Monte da Senhora da Roca, ali em Baiona, o movimento e o barulho desta cidade-aldeia, onde gostaria de morrer, um dia.
Amanhã é dia da Senhora da Conceição, a festinha feita por jovens (hoje já com meninas na comissão) e chove! Vai sorrir a Luzia? Espero que sim.
Não vou ver os "ferreirinhos", tudo o que é fogo mete-me medo. E fogo no ar, a rabiar, ainda mais. Mas vou ouvir os estalidos e os estrondos. É obrigatório! não vou fugir a correr dos sons desta terra! A sua falta é que poderia ensurdecer-me. Sigo, neste aspecto, Virgílio "trahit sue quem que voluptas".
Ainda há foguetes a anunciar a festa. A chuva impiedosa obriga-nos ao remanso da casa, enquanto estouram as bombas. Amanhã continuará a chover, dizem os entendidos. Estamos sobre influência dum centro anticiclónico e vêm aí as perturbações da frente polar. Ainda mais frio.
O tempo está a mudar - diz-se por aí. Mas o frio do Inverno é mesmo frio. E sente-se na cara dos meninos, a encolher a cabeça e a oferecer as mãos ao tempo, carregando livros, por as mochilas já irem superlotadas!
Mas o tempo está a mudar, é verdade. A culpa é do homem. Estará perto o fim do mundo, como vaticinam alguns? Para haver vida na Terra, na atmosfera primitiva formou-se o ozono. Agora está a eliminar-se essa camada protectora e amiga. Até um dia! A natureza não perdoará...
O Homem tem necessariamente de fazer o seu acto de contrição. Mas também arrepiar caminho. Não valeu ao mundo, Einstein ter-se arrependido da carta a Roosevelt. A bomba atómica, baseada na sua teoria, cairia mais tarde sobre Hiroshima.
Apetece-me repetir Pablo Neruda "Pai nosso que estais na terra, na água e no ar, de toda a nossa extensa latitude silenciosa, tudo toma o teu nome, pai, na nossa morada". Vale a pena rezar a Javé ou a Alá, ao nosso Deus ou ao dos outros e pedir clemência e tino para os homens. Os homens que não agradecem a dádiva suprema que é a vida e a vão delapidando, a sua e a dos outros.
Um dia...quando conseguirmos criar água líquida em Marte, iremos degradar outro planeta, em nome da civilização dos humanos. Que às vezes parecem Ets.
Se eu soubesse fazer golpes de magia como Harry Potter, poria uma escada para Marte e de lá lançaria papéis para baixo, para alertar os do planeta azul a serem comedidos. E fugiria das bombas dos ferreirinhos, admirando só, de cima, o esplendor e o feérico.
Se eu tivesse o poder hipnotizador do Alexandrino, o bruxo que era meu amigo, usava o meu poder nos momentos do derrube das árvores, das descargas poluentes...de tudo enfim que pudesse fazer mais rendilhados na camada de ozono, rendilhados que roubam à atmosfera o seu poder de filtro.
Porque tudo muda...nas mãos do Homem, à luz da ciência e do progresso. Mas amanhã há ferreirinhos, Senhora da Conceição, banda e procissão...Há tradição e convívio...E frio.
E daqui por alguns dias haverá os capões...Só não haverá cavalos à minha porta. Porque tudo muda. Em nome de quê?
ROSALINA OLIVEIRA - "CAMINHOS" 
NO ENCERRAMENTO DA FESTA À SENHORA DA CONCEIÇÃO OS "FERREIRINHOS" SÃO UMA TRADIÇÃO QUE VEM DE LONGA DATA

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Rádio Inovasom

RÁDIO INOVASOM: UMA RÁDIO QUE SE QUERIA LIVRE PARA UM AMPLO PROJECTO CONCELHIO
«Amortecidas as ondas de choque do impacto televisivo, a rádio ressurgiu, a nível mundial, como um fenómeno social com uma impetuosidade, com uma força vulcânica, um peso histórico tal que assinalou, em definitivo, a conquista da realização plena da expressão do pensamento e da intercomunicação humana». "Fragmentos da apresentação do projecto e sua definição, por Renato Magalhães".
Foi, pois, neste contexto que surgiu a Rádio INOVASOM, após a primeira reunião formal, em 30 de Maio de 1986, de um grupo de freamundenses que decidiram, nessa altura, constituírem-se em Comissão Promotora de uma cooperativa dedicada à produção e emissão de programas radiofónicos para toda a área do concelho de Paços de Ferreira, com um projecto, cujas linhas de força ficariam orientadas para uma programação imaginativa, inovadora e dinâmica no campo musical, informativo, recreativo, de animação cultural e social, partidáriamente isenta e independente de todos os outros poderes constituídos.
Compareceram no referido dia 30, nas instalações do Clube Recreativo Freamundense, os bairristas Amâncio Vilhena Ribeiro, Joaquim Pinto, Carlos Taipa, Alberto Mendes, Hernâni Cardoso, Luís Manuel Pereira, Pedro Pedra, Nuno Barros e Renato Magalhães, que se dividiram nos cargos e tarefas a realizar. Dias após, novos entusiastas se juntaram: Fernando Correia, Jacinto Sousa, Juan Fernandez... Outros locais de reunião: Agência de Contribuintes de Freamunde, estabelecimento comercial de Luís Manuel Pereira, salão dos Bombeiros Voluntários de Freamunde, andar superior do edifício da Junta de Freguesia....
E foi aqui, no salão do velho prédio, na Rua do Comércio, gentilmente cedido pela vereação local, que se abriram então as portas da Rádio, a quem, de uma forma genérica, julgasse possuir o talento, a imaginação, o poder criador, a inteligência e o desejo de comunicar para trabalhar com os elementos fundadores. E a verdade é que o "convite" foi aceite com entusiasmo e com amor por muitos freamundenses, sobretudo jovens de sangue azul a ferver-lhes nas veias. A INOVASOM rapidamente movimentou-se orientada numa programação rica e variada em diversas áreas.
Estou a lembrar-me de alguns colaboradores como, por exemplo, Joaquim Pinto, Pedro Pedra, António Matos, Filipe Pinto, Hernâni Cardoso, Professor José Neto, Carlos Freitas, José Moura Pereira..., no departamento desportivo (associativismo, futebol e desportos motorizados eram os temas mais visados).
No campo musical e informativo, Paulo Renato Costa, Adelino Correia, Pedro Lopes, (capacidades fantásticas destes jovens superdotados, "paus para toda a colher", autênticos animadores residentes que passaram ao lado de uma promissora carreira radiofónica), Juan Fernandez, Amâncio Vilhena, Jacinto Sousa, Alberto Mendes, Paulo Campos, Luís Paulo Taipa e o programa "Bandas no Coreto", Luís Manuel Pereira e a sua "Divina Arte", o eterno nostálgico João Correia; grandes reportagens com Renato Magalhães; manhãs recreativas, duma audiência ímpar, com as duplas Carlos e Manuela "da Papelinha" (programas direccionados aos mais novinhos), e Arménio Pereira e Emília Soutinho ... ( a música popular portuguesa sempre em destaque); acções de dinamização cultural e social com Professora Rosalina Oliveira e Fernando Santos.
O primeiro ensaio hertziano deu-se com a colocação, provisória, da antena na residência de Luís Manuel Pereira, na Plaina. Experiência bem sucedida e no dia 17 de Agosto de 1986, a "Voz de Freamunde ao serviço do Concelho", em 89 megahertz, FM stéreo, iniciou as suas emissões de estação de rádio local, sem qualquer ajuda oficial.
As grelhas, entretanto, foram-se renovando e outros entusiastas apareceram.
Vivia-se o tempo do amadorismo puro, dos sonhos e das fantasias. Mas... a realidade foi outra: os assuntos sérios tomaram conta das primeiras emissões. O cemitério novo de Freamunde, benzido pelo Prelado da Diocese do Porto, D. Júlio Tavares Rebimbas, no dia 12 de Outubro de 1986, foi tema, numa abordagem pública deste acontecimento de grande interesse local para a Vila, que havia suscitado algumas apreensões e dividido as opiniões relativamente à sua utilização. Assim, a INOVASOM pôs no ar, um programa especial, da responsabilidade do Departamento de Informação e coordenado por Renato Magalhães, subordinado ao tema: A Vida; a Morte; os Cemitérios. Dias após, 29 de Outubro, Maria da Silva Pacheco, popularmente conhecida por Maria "Reca", foi a enterrar. Havia concedido a Renato Magalhães uma entrevista, no sábado anterior, para o programa em causa. Era uma mulher simples, uma mulher do povo, uma mulher para quem os sentimentos se sobrepunham à razão. Era uma figura popular, bairrista quanto baste, um pedaço de Freamunde. "Libertou-se" com as suas palavras, a sua emoção, o seu pensamento. A Inovasom deu-lhe "voz" na emissão que foi para o ar. O impacto foi enorme. Estava dado o mote para uma caminhada bem sucedida.
Curiosamente, as emissões iniciais foram transmitidas apenas às Sextas-Feiras, Sábados e Domingos, das 21,00 hrs à 1,00 da manhã. Não demorou a termos emissões regulares.
O êxito crescente das emissões difundidas, já alargadas no tempo (primeiramente com abertura às 18,00 hrs, depois a partir das 15,00 hrs e fecho às 24,00 hrs, diariamente), deu azo a que muitos jovens, levados pela "onda", discretamente subissem as escadas carunchosas ( a porta de entrada nunca esteve fechada) à espreita duma oportunidade, dum «anda cá, não queres experimentar o microfone?». Lembro-me do Pedro Ribeiro, do Orlando Correia, do Francisco Graça, do Nuno Gomes e irmão Zézé, do Jorge Ribeiro, do Amaro Costa, do Arménio Ribeiro, do Mário Meireles..., logo incorporados e sem necessidade de acesso a testes; outros de maior "peso", tais como Carlos Cabral, Dr. Miguel Brito, Dr. José Carlos Carneiro... 
Logo se aventou a hipótese de directos do exterior. E foi a Discoteca "Tocata", enorme referência nocturna da Vila e de toda a região Norte do País, com a realização, no dia 6 de Dezembro de 1986, do 1º Rally Paper, a ser alvo duma grande cobertura informativa dum acontecimento que reuniu a fina flor dos pilotos que habitualmente participavam nas provas de autocrosse.
A segunda saída deu-se no dia 13 de Dezembro. Uma vasta equipa de reportagem da Inovasom cobriu, em directo, a famosa Feira de Santa Luzia ou dos Capões, um dos "ex-libris" da nossa Terra. Ao meio-dia, na Quinta da Vista Alegre, por amabilidade do então Presidente da Junta de Freguesia, António Carneiro, aos elementos destacados bem como a outros membros da comunicação social e entidades convidadas, foi servida uma lauta almoçarada de capão.
No regresso a "casa", depois  de um longo dia de trabalho, já se ouvia a "Carmina Burana", sinal que a emissão terminara. O sinal horário das 24,00 hrs tinha patrocínio exclusivo da Ourivesaria e relojoaria Ponto Alto.
Um ano decorrido, para poder servir e promover Freamunde e o concelho em melhores condições, preservando e consolidando a sua identidade, a nova direcção, consciente das responsabilidades que recaiam sobre os seus ombros, promoveu a "Campanha dos 2.000 Transistores", pretendendo assim sensibilizar todas as pessoas para a necessária colaboração e ajuda. Infelizmente, a receptividade foi diminuta.
Festejava-se o 1º aniversário da INOVASOM. A festa decorreu na Praça 1º de Maio, no dia 22 de Agosto de 1987, com transmissão directa e integral. Enquanto se degustava a sardinha assada na brasa e o caldo verde, animavam o convívio os agrupamentos convidados que actuaram gratuitamente, sintoma de que cultura, música e comunicação se complementavam e caminhavam de mãos dadas: Associação Folclórica Independente de Sanfins de Ferreira; Grupo "Roca e Fuso", de Frazão; Grupo "Brilhante Sol", de Frazão; "Grupo de Cavaquinhos de Macieira",-Lousada; e o Agrupamento "Sol Nascente", de Roriz-Santo Tirso. Mas festejar um ano, implicava fazer o seu balanço e, acima de tudo, relançar os olhos para o futuro.
Sem condições dignas em todos os aspectos, a Rádio Inovasom dotou-se de novas, adequadas e funcionais instalações, em casa alugada na Rua 25 de Abril. Após um curto interregno para que os preparativos de reabertura fossem ultimados, a voz amiga a que já estávamos habituados era de novo escutada.
Grelha de programas renovada surgiria. De "fora" batiam à porta entusiastas imbuídos de enorme paixão . Quem não se lembra do "lordelense" Ângelo Querido e os sons vibrantes do "heavy metal", direccionados a uma legião de ouvintes? A Inovasom era um espaço de liberdade hertziana.
A qualidade da  rádio assentava na capacidade criativa dos seus colaboradores.
Entretanto, o número de emissoras existentes no país excedia, em muitas centenas os alvarás que iriam ser concedidos face à lei da rádio que entraria em vigor. Lei que se previa selectiva, exigindo condições muito difíceis de satisfazer, tais como instalações condignas, meios técnicos eficientes e apropriados, grau de profissionalismo... Potencialidade económica e financeira, de todo impossível.
A rádio estava por um "fio". Só o Ernâni Cardoso ( o "eterno maluco") e um ou outro colaborador seguravam as "pontas", adiavam o inadiável.
O "golpe" fatal foi dado com a legalização da Rádio Clube de Paços de Ferreira.
O "nosso" projecto foi por água abaixo. As portas da Rádio Inovasom fecharam-se de vez e Freamunde perdeu o único instrumento capaz de promover o seu progresso.
Fez falta, a INOVASOM, a Freamunde. Fez muita falta.
    
   
JOAQUIM PINTO - BLOG FREAMUNDE: FACTOS E FIGURAS