sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Uma imagem

Uma imagem captada no parque de lazer de Freamunde numa tarde de Outono quase, quase Inverno.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Viagem no tempo com...Tonanha

O SPORTING E O PASSEIO TECNOLÓGICO...
São muitas as histórias guardadas nos baús dos jogadores que fizeram história em Freamunde. Houve quem vestisse a camisola azul durante toda a carreira, mas há também os que saíram da formação e brilharam nos relvados principais durante muitos anos. Tonanha será, provavelmente, o caso mais marcante de um jogador que saiu do Freamunde e viu o destino colocar-lhe uma barreira intransponível. A saída precoce do profissionalismo aconteceu aos 23 anos de idade, quando jogava na 1ª Liga ao serviço do Belenenses e estava muito perto de assinar pelo Sporting. Um problema de saúde forçou-o a um desvio na sua vida profissional e a uma reorganização pessoal que, na altura, o abalou fortemente.
Mas antes de chegar a este corte na vida, Tonanha teve ainda a oportunidade de guardar para si momentos inesquecíveis de quando jogava futebol. Os primeiros toques foram dados em Freamunde..."Joguei oito anos no clube, na formação e equipa principal. Neste processo, fui campeão sete vezes e, por isso, torna-se difícil escolher o momento mais marcante, pois todos os êxitos foram momentos especiais". No entanto, a presença no campeonato do mundo de sub-20 foi um momento inesquecível. "Era ainda jogador do Freamunde quando isso aconteceu e penso que é algo difícil de repetir. Foi um orgulho para mim e julgo para a maior parte dos sócios do clube", referiu Tonanha, com orgulho, antes de lembrar em que esteve muito perto de assinar pelo Sporting. "Estava tudo tratado para que isso acontecesse, mas foi-me diagnosticado um problema de saúde que me fez abandonar o futebol", recorda, com angústia. "Foram momentos muito difíceis. Ter 23 anos, ser na altura o melhor marcador da 1ª Liga, ser pretendido por um dos grandes do futebol nacional, mas ter que abandonar o que mais se gosta de fazer é muito duro de ultrapassar. São momentos que não desejo a ninguém, mas ultrapassei e hoje tenho outra actividade e sou uma pessoa feliz e realizada", constata.
Para trás fica ainda um episódio vivido quando ainda jogava no Freamunde. "Houve um treino com o António Jesus, o fadista, que ordenou aos jogadores calçarem as sapatilhas. Saímos do estádio à espera de iniciarmos a corrida, mas começámos a andar e nunca mais parámos. Uma hora depois da caminhada, entrámos novamente no estádio até que alguém perguntou ao treinador quando começava o treino. Ao que ele respondeu: «maltinha, o treino está feito. Chama-se a isto treino ecológico». "Foi uma risada total e a verdade é que ganhámos no domingo seguinte".
Em relação ao presente, Tonanha não esconde a preocupação sobre o estado do clube. "Não auguro grande futuro para o Freamunde. Se gostava de treinar a equipa principal? Já tive essa oportunidade e declinei. Gosto muito do clube e gostava de o treinar um dia, mas não nas condições actuais. Nunca irei pôr o futebol à frente da minha estabilidade profissional e familiar".
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Uma imagem de Natal

Presépio da Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós, na sua sede, na Rua do Comércio.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Teatro "Gandarela"

Para quem ainda não teve oportunidade de assistir à belíssima peça de teatro "Gandarela", tem agora mais uma oportunidade para ver ou rever. Desta vez, a peça, que só sobe a palco de 10 em 10 anos, vai ser ainda mais abrilhantada com a actuação da Banda de Freamunde! A não perder!
Dia 20 de Dezembro, 21:30 h, no Centro Escolar de Freamunde.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Senhora da Conceição 2014

No dia 8 de Dezembro, a Igreja Católica celebra a Imaculada Conceição de Maria. Segundo a Igreja, ela é a mais humilde das criaturas, a mãe comum de todos os homens e mulheres. El Rei D. João IV, primeiro Rei da Dinastia de Bragança, consagrou-a Rainha de Portugal nas Cortes de 1646.
Anualmente, Freamunde, também celebra esta data com uma pequena festa a cargo de uma comissão composta por pessoas de ambos os sexos, em que o estado civil é obrigatoriamente solteiro. Uma tradição com largos anos.
A procissão, como não podia deixar de ser, faz parte do programa desta festividade. Aqui ficam algumas imagens dessa procissão.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Banda de Freamunde ( VI )

Assim, numa das páginas de um dos manuais lá estava anotado: (...) 30 de Março de 1913. Relação do tempo que os meus aprendizes de música deram no princípio: Maxymino "do Cândido" deu 3 funcções e ganhou logo na 4ª. O irmão Claudino principiou a vir a minha casa aprender música no dia 23 de Setembro de 1919.
José "do Lexandre" deu 4 funções e ganhou logo na 5ª.
Noutra página, referente ao ano de 1917, já o trágico conflito da Grande Guerra Mundial se arrastava há três anos, a par dos primeiros sinais de surto de epidemias de tifo e gripe pneumónica que iriam causar milhares de mortos em todo o país, (...) o meu aprendiz, António (António Ferreira Rego Júnior), filho do José Ferreira Rêgo, entrou para a múzica e fez a primeira funcção no dia 20 de Maio de 1917, em Sanfins. Começou a ganhar meia porção no dia 10 de Junho na Seroa.
Deu 4 funcções.
Mais tarde...« Principiei a ensinar o Juca, filho do José "do Cândido", no dia 15 de Maio de 1923».
"Funcções": entenda-se prestações em concertos.
"Porção": percentagem do total da verba estabelecida contratualmente, depois de extraída uma parte para o regente e outra para fundo de maneio.
Os instrumentos e fardamento eram propriedades dos músicos.
Num apontamento de Américo Pereira, é mencionado o custo da sua farda e do filho Augusto: 8.050 réis (pelos vistos tornava-se difícil esquecer o real, quando a moeda que circulava era o escudo).
Numa terra em que a maioria da população era iletrada, não se tornava imperioso uma cultura por aí fora para se sentir a música, acessível ao povo. Bastava vivê-la. Bastava tê-la no sangue.
Curiosamente, a maior parte dos descendentes dos "Pereiras", "Regos", "Cândido", "Lexandre", "Caixas", "Nunes", "Carecas", "Ratoeiras", "da Lama"...foram portadores de genes que despertariam novos músicos nas gerações seguintes. Algumas já passadas, mas ainda evocadas.
Era, pois, o "povo" (Pedro de Freitas, 1946: 29 - 30) quem, nessas épocas, melhor interpretava e valorizava a prática filarmónica. Às Sociedades Filarmónicas quem lhes emprestava mais solidariedade? Quer no campo artístico quer no campo económico, eram, em geral, as classes menos abastadas. Nas outras, infelizmente, e em relação à generalidade, poucas condições se encontravam. Era no pedreiro, no sapateiro, no carpinteiro, no empregado humilde, que se encontrava a verdadeira e desinteressada dedicação. Foram estes obreiros anónimos que sustentaram a música do povo.
No dia 8 de Fevereiro de 1918, a Banda ficou órfã do seu chefe: António Ferreira Nunes, devido ao estado precário de saúde, deixou a regência da mesma.
Lá está tudo bem mencionadinho no velho relicário de Américo Pereira Gomes.
Não tardou substituto. Joaquim Mendes Caldas, oriundo da congénere de Vizela, então considerada a melhor Banda civil do norte de país, com anterior passagem pela de Paços (tratou de ganhar duas porções e meia por festa e no final de cada ano, 18.000 réis em dinheiro), principiou os ensaios no dia 23 de Fevereiro e estreou-se à frente da "Freamundense" no dia 19 de Março, festejos a S. José e data comemorativa da fundação da ASMF. Sob a acção do mestre Mendes o mérito da Banda subiu de ponto, por ter criado este maestro uma verdadeira escola de arte musical.
A Banda passou a denominar-se "A Freamundense" em vez da Banda do "senhor fulano de tal", como até aí se designava.
Ao trágico conflito mundial que enlutou parte do mundo, seguiu-se um período de pouca paz e prosperidade.
O descontentamento, a incerteza, a miséria levaram milhares de portugueses, dezenas de freamundenses (mesmo alguns elementos da Banda), a atravessar o Atlântico, rumo ao Brasil, dispostos a todos os sacrifícios, à procura de uma vida melhor...Para alguns, uma miragem.
O decénio (20 a 30) abriu praticamente com o nascimento da ditadura militar (1926).
Porém, as filarmónicas cresciam em número, requisitadas para arraiais e festas partculares.
As "saídas" eram curtas. O percurso para as romarias era feito a pé, por caminhos poeirentos no Verão e lamacentos no Outono e Inverno. Os instrumentos mais pesados, tais como a tuba, o contrabaixo, o bombo e a caixa, eram acarretados no costado pelos próprios músicos. Por vezes usavam os carros de bois e os cavalos como meio de transporte.
(CONTINUA)
Joaquim Pinto - "Associação Musical de Freamunde - 190 anos - 1822 / 2012"