sábado, 29 de setembro de 2007

As ideologias e os tempos

Quando nos é possível recuar nos tempos, apercebemo-nos que a homogeneidade ideológica nunca foi característica de Freamunde, fenómeno que diz da garra e determinação dum povo que na heterogeneidade soube unir-se nos momentos cruciais e dar as mãos para atingir objectivos que têm a ver com o desenvolvimento da sua terra.
Vou mencionar três momentos importantes da História de Portugal,e os acontecimentos com eles relacionados em Freamunde.
Revolução liberal de 1820
A Revolução Francesa deixou as suas marcas e, em 1820, Portugal descontente com a situação política e económica, produz um movimento revolucionário que vai culminar com a Revolução Liberal de 1820 e a implantação do Liberalismo.A Família Real Portuguesa foi obrigada a fugir para o Brasil devido às invasões napoleónicas, e aí se encontrava desde 1808.O país era governado por uma Junta de Governo em nome do Rei D. João VI.A Revolução começou no Porto e rapidamente alastrou-se a Lisboa e ao resto do país.O exército saíu à rua em 24 de Agosto de 1820, e rapidamente se formou uma Junta Provisória, que em 1822 redigiu uma Constituição, a primeira em Portugal, essa Constituição definia que o poder legislativo pertencia às Cortes, eleitas por sufrágio universal e directo, o poder executivo era atribuido ao Rei e ao Governo, não podendo o Rei interferir com o funcionamento das Cortes, e muito menos suspendê-las ou dissolvê-las. As Cortes Constituíntes tinham, entretanto, exigido ao Rei D. João VI que regressa-se a Portugal, e este regressou em 1821. D. João VI jurou cumprir a Constituição que estava a ser elaborada. No entanto a implantação do Liberalismo em Portugal foi difícil. Em 1823 e 1824, D. Miguel, filho de D. João VI, faz dois golpes militares com vista à restauração do Absolutismo. Após a morte do Rei, em 1826, põem-se o problema da sucessão, visto que D. Pedro, o filho primogénito, tinha proclamado a independência do Brasil em 1822 e era na época Imperador do jovem país. Neste contexto, D. Pedro abdicou da coroa portuguesa a favor de sua filha, D. Maria, e combina o casamento desta com D. Miguel. Como D. Maria é ainda criança, D.Miguel governaria Portugal mas de acordo com a Carta Constitucional dada por D.Pedro. D.Miguel concordou mas, logo a seguir, proclama-se Rei absoluto e persegue todos os partidários do Liberalismo. D.Pedro regressa a Portugal e junta-se aos liberais para fazer valer os direitos de sua filha à coroa. Desencadeia-se a guerra civil entre liberais e absolutistas que dura dois anos vencendo definitivamente o Liberalismo.
Em Freamunde, Bernardino Soares de Moura, segundo uns nasceu em Freamunde, segundo outros nasceu em Lousada, era um jovem militar que se distingiu na guerra civil,1832-1834, posicionando-se e lutando pelo lado dos absolutistas, o que o fez subir na hierarquia militar, atingindo o posto de marechal. Depois da derrota dos absolutistas e do claudicar de D.Miguel através da Convenção de Évora-Monte, freguesia alentejana onde se assinou o fim da guerra, e perante a ameaça dos liberais, Bernardino Soares de Moura incita os seus camaradas a baixar as armas e a colocar-se, com ele, ao lado da Junta do Porto e dos ideais liberalistas. E o documento que lhes dirige parte do "Quartel General em Freamunde". Deste quartel não se conhecem ruínas nem sequer se sabe o local onde existiu, mas diz-se que foi daqui que partiu a reviravolta. Barão foi o título que a Junta do Porto lhe concedeu, considerando os seus relevantes serviços. O Barão de Freamunde morreu em Lousada, em 1865.
5 de Outubro de 1910,Implantação da República

A crise económica e financeira tinha provocado, quer na burguesia quer no operariado, um grande descontentamento contra os governos monárquicos e um rápido crescimento do Partido Republicano. Este descontentamento já vinha de longe e foi agravado com a cedência portuguesa perante o Ultimato Inglês no âmbito da partilha de África pelas potências europeias. Este descontentamento é aproveitado pelo Partido Republicano que tudo faz para levantar o orgulho nacional ferido e desacreditar a Monarquia e os governos monárquicos. O governo ditatorial de João Franco é a gota de água que conduz ao Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908. O Rei D. Carlos e o Príncipe Real D.Luís Filipe são assassinados e D.Manuel II sobe ao trono. Dois anos depois, a 4 de Outubro de 1910, inicia-se a Revolução Republicana e, no dia seguinte, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa é proclamada a República. Sob a presidência de Teófilo Braga, foi nomeado um governo provisório, que elaborou as leis do novo regime. Iniciava-se assim a 1ª República, que se prolongou até 1926. A Constituição de 1911 estabelecia a seguinte distribuição dos poderes políticos: o poder legislativo, que cabia ao Parlamento, o poder executivo, que cabia ao Presidente da República e ao governo, e o poder judicial, que cabia aos tribunais. As primeiras medidas republicanas consistiriam na Laicização do Estado, separação da Igreja do Estado, reformas no ensino e legislação de âmbito social.
Em Freamunde,uma figura haveria de destinguir-se, em defesa dos seus ideais políticos, o republicanismo, o Dr. Alberto Cruz. A acta de reunião da Câmara Municipal logo após a implantação da República, afirma que o Dr. Alberto Cruz "há pouco saído dos bancos da Universidade...tem no novo regime e nos seus homens a mais absoluta confiança" e refere a sua brilhante intervenção acerca da mudança de regime. Aquando do 5 de Outubro de 1910 partiu de Freamunde, em direcção à sede do concelho, uma grande manifestação monárquica chefiada pelo pároco de então. Em oposição a essa atitude, houve grandes manifestações em Freamunde, vivas à República, e a banda freamundense a tocar.
25 de Abril de 1974, Revolução dos Cravos

Nos anos setenta do séc. XX, o Estado Novo estava desenquadrado internacionalmente.É evidente que o Salazarismo se tinha preparado para um longa sobrevivência. Pela censura, pela perseguição, prisão e o exílio calou muitas vozes discordantes. O medo e silêncio imperavam num país dito de "brandos costumes". O atraso económico e social mantinham Portugal estagnado e isolado. Por fim o regime atolou-se nos campos de África, preso numa guerra colonial desgastante e interminável. Dia-a-dia, o descontentamento alastrava, a oposição chamava a atenção internacional. E numa manhã de Abril, Portugal renasceria para a democracia e a liberdade. Voltaria a poder escolher livremente o seu destino. Um destino que lhe ensinaria a viver sem o Império, a dar indepêndencia ás suas colónias, a criar laços de fraternidade cultural e linguística com os novos países africanos, a reformar a comunidade da lusofonia espalhada pelo mundo e a aderir à Comunidade Europeia. Um grupo de quadros das Forças Armadas desencadeou no dia 16 de Março de 1974 uma marcha sobre Lisboa, acção que passou a ser conhecida pelo Movimento das Caldas da Rainha. Esboçado embora com contornos um tanto indefinidos,este acontecimento ficou nos anais como o prenúncio do 25 de Abril e não deixou de ser um sinal visível de descontentamento reinante entre os militares. O afastamento dos generais António de Spínola e Costa Gomes do Estado Maior General das Forças Armadas fez transbordar o copo de água. Os militares spinolistas detidos na prisão da Trafaria foram libertados ao fim de pouco mais de um mês e o Movimento dos Capitães escolhe o dia 25 de Abril para levar a cabo o plano de derrubar o regime ditatorial que dominava Portugal há quase meio século. Tudo começou com duas estações de rádio a transmitirem «E depois do adeus»,de Paulo de Carvalho, seguindo-se «Grândola Vila Morena» na voz de Zeca Afonso. Era a senha! As forças militares avançaram cumprindo as operações comandadas por Otelo Saraiva de Carvalho, na Pontinha. Era o fim do Estado Novo...

Em Freamunde,como no resto do país, após o 25 de Abril de 1974, e a partir dumas eleições democráticas(como ao que passaram a realizar-se após esta revolução), na década de 80, três freamundenses coabitariam na Assembleia da República, como deputados da nação, defendendo porém cores partidárias diferentes: Fernando Vasconcelos, pelo PSD, José Carlos Vasconcelos, pelo PRD e Raul Brito pelo PS. O pluralismo político vivenciado sempre em Freamunde reflectiu-se duma forma clara, naquele mandato, para expressar que aqui podem(ou podiam!) de forma racional e equilibrada, viver lado a lado a diferença, sob a égide da democracia. Um freamundense,embora não nascido em Freamunde, era filho de freamundenses, o Major Costa Martins, foi ministro do Trabalho logo após o 25 de Abril.
A Legião Portuguesa,organização paramilitar do Estado Novo, que tinha a missão de coordenar a defesa civil do território nacional, e que se caracterizou pela colaboração com a PIDE(Polícia Internacional de Defesa do Estado), na repressão às forças de oposição ao regime, tinha instalações em Freamunde, na antiga Casa Morgado, no Alto da Feira.
A Rua 25 de Abril e a antiga casa Morgado...



As partes deste extenso post que falam de Freamunde, foram retiradas do livro "Freamunde-Apontamentos para uma monografia"
A actividade e a discussão políticas vêm pois, de longe, prova do dinamismo dum povo que não pára...

Desculpem a extensão do post...foi inevitável!Entusiasmei-me...história é uma área que me fascina imenso.

sábado, 22 de setembro de 2007

Educação e ensino em Freamunde

Não é conhecido aos primeiros povos, qualquer interesse pela difusão da instrução, interessados que estavam na adaptação e desenvolvimento dos lugares e na defesa contra povos invasores e inimigos. Teria sido com a conversão ao cristianismo, por parte dos suevos que, como diz o Coronel Barreiros se passou a contar com uma "orientação favorável à cultura...onde o problema educacional passou a ter forma,orientação e finalidade". As escolas prosperaram junto de sés, mosteiros e igrejas e nestas uma das finalidades era formar sacristães que por sua vez se tornavam professores. As escolas paroquiais e as escolas de cavalaria tiveram papel importante na educação literária.
No séc. XVII as escolas sofreram novo rumo e foram guiadas pelas ideias do Marquês de Pombal. Acredita-se que a expansão tinha chegado ao concelho. Com o liberalismo e a consequente colocação nas recém criadas Juntas de Freguesia dessa responsabilidade, a difusão do ensino é maior. Isto sem esquecer que o Mosteiro de Ferreira deve ter tido influência grande no ensino durante séculos nas freguesias circundantes, em que se inseria Freamunde.As confrarias tiveram um papel importantíssimo a nível social e religioso mas também a nível cultural e educacional.
Já no séc. XV, Freamunde era a freguesia da Chã de Ferreira com a maior percentagem de pessoas a saberem ler e escrever. A partir duma certa altura, as exigências a nível institucional e cultural, passam a aumentar. Por exemplo, nos estatutos da Confraria de Santo António pode ler-se que só poderiam exercer lugares directivos, os que soubessem ler e escrever. Entre os irmãos da Confraria de S. Francisco ou Ordem Terceira, contavam-se vários professores das primeiras letras. A primeira escola primária em Freamunde surge em 1868. Tinha sido criada em Figueiró em 1837 e dali transferida. Por sua vez, a escola de Figueiró tinha sido criada para substituir a de Lustosa um ano após a formação do concelho. A primeira escola feminina foi criada em 1877. Apesar disso já havia um professor de instrução primária. Era a Junta de Freguesia quem, coadjuvado pelos professores procedia ao recenseamento das crianças, em idade escolar. No número de 16 de Janeiro de 1897 e na "Crónica de Freamunde" do Jornal de Paços de Ferreira, o correspondente "Sottam" solicita:"como habitante conhecedor das necessidades relativas à instrução na freguesia de Freamunde, a mais populosa, industrial e comercial de todo o concelho, aproveitamos a ocasião de lembrar e pedir à excmª. Câmara para conseguir a criação de um curso nocturno nesta localidade..."considerando a instrução
tão necessária ao espírito como o pão ao corpo". a Junta de Freguesia repetia o pedido também à Inspecção das Escolas e Cursos Nocturnos móveis em 20 de Setembro de 1914.
O Curso Nocturno foi iniciado em 1911, porque o Dr. Alberto Cruz, Albino de Matos, Alexandrino Chaves, Adolfo Leão, António Torres, Henrique Vasconcelos, Luis Leão, Raúl Vilhena, e António José de Brito se prontificaram a custear, durante um ano, as despesas com a iluminação das salas de aulas.
Em 25 de Outubro de 1931 a Junta de Freguesia (Arnaldo Brito, Abilio Barros e Armando Oliveira), com a colaboração do tenente Alves de Sousa e o autarca camarário António José de Brito, leva à inauguração a nova escola feminina da Rua do Comércio, hoje instalações da GNR, marcando uma etapa solene na evolução da Freguesia. Foi um dia de festa com as meninas e os meninos a uma bela festa, sob a tutela dos professores D. Mercedes Barros e José António Pereira. Este acontecimento é até referido na revista "Ilustração Moderna". Elisa Torres de Vasconcelos ofereceu à escola uma colecção de quadros históricos e o Dr. Portocarrero, de Lousada, ofereceu cem escudos para a compra de livros para as crianças mais pobres.
Em Fevereiro de 1935 a Nova Junta de Freguesia presidida pelo Dr. Alberto Cruz-"trata-se de arranjar terreno para a construção de outra escola". Era um terreno da firma Pereira e Barros Cª. Lda, que se vendia por dezasseis contos. À compra ajudou Joaquim de Brito e Miguel Nunes de Oliveira que deu quatro contos. Foi solicitado ao ministério uma comparticipação, através do freamundense Dr. João Neto, secretário do Ministro da Justiça, da altura. Apesar das obras terem estado paradas durante um tempo por falta de verbas, com a ajuda do Dr. António Portocarrero, António Matos Neto, Luis Leão de Moura, Manuel Pinto de Barros, José Assis Carneiro e José Maria Carneiro Leão e obra foi feita e inaugurada em dois de Outubro de 1937, quando foi inaugurada a Capela de Santo António,no novo local, e também a linha telefónica.
Actualmente, existem três núcleos de escolas de 1º ciclo: Rua do Comércio, Santa Cruz e Outeiro, funcionando junto destas duas últimas escolas, salas de jardim de infância.
Em 16 de Maio de 2005, foi aprovada em sessão de Câmara Municipal de Paços de Ferreira, a implantação e o local para a construção da Escola Secundária de Freamunde, no recinto do Mercado do Outeiro, sendo a feira aconchegada num local mais recuado e adequado ao certame.
"Freamunde-apontamentos para uma monografia"
A educação é um pilar fundamental da nossa sociedade.
Nutro um carinho muito especial pela Escola do Outeiro, pois foi nela que frequentei o ensino primário...belos tempos.
É de enaltecer o empenho e as quantias dispensadas pelas pessoas acima mencionadas, para a construção das escolas, quantias essas que hoje em dia pouco menos são que medianas, mas que na altura eram quantias bastante elevadas.
Bem hajam.

sábado, 15 de setembro de 2007

Os Suevos

Povo germânico, também chamado Suebi ou Suevi.No séc. I DC, a maioria dos Suevos viviam à volta do rio Elba e Oder,Europa do Norte. Desalojados pelos Hunos, alguns Suevos atravessam o rio Reno e em 409 DC entraram na Hispania, assentando-se principalmente no noroeste da Peninsula Ibérica . Quando aqui afluem, fundam um reino com capital em Bracara Augusta(Braga), o qual, na sua máxima extensão, englobava a totalidade da província da Galécia e a parte norte da Lusitânia, até ao Tejo.Os Suevos adoptaram rapidamente a língua hispano-latina falada nas províncias que ocuparam, pelo que poucos vestígios linguísticos restam da sua presença.
O declínio e queda do reino Suevo dá-se quando em 456 DC o Rei Requiário I é assassinado.
O modo de vida dos portugueses da região nortenha foi herdado dos Suevos, principalmente por predominarem as pequenas propriedades rurais contrariamente à região sul de Portugal onde predomina o grande latifúndio. Aos suevos também se atribui a introdução do arado quadrado na Península Ibérica.
Os Suevos foram os fundadores de Freamunde.
Segundo o Coronel Baptista Barreiros,prestigioso militar,escritor e historiador, a quem Freamunde ficou devendo uma cuidada monografia,"Uma povoação suévica da Chã de Ferreira-a vila de Freamunde", o nome Freamunde é de origem germânica, os dois termos "Frea"(de FR) US) e "Munde"(de MONDE) juntar-se-iam para formar FREAMUNDE.
O topónimo "Freamunde", na Europa do Norte, de onde são originários os Suevos, encontra nomes semelhantes como "Gemundi" ou "Travemundi".
Este povo, aqui encontrou a sua "Paz" (FREA) e a sua "Protecção" (Munde), condições garantidas e previligiadas de fertilidade, beleza e frescura natural que os prenderam aqui...

Na nossa toponímia existe a Rua da Origem Suévica...as nossas origens...

Vivam os Suevos, fundadores de Freamunde.

sábado, 8 de setembro de 2007

História de um cruzeiro


O cruzeiro existiu inicialmente junto da Igreja Matriz. Diz a tradição oral que ele sofreu quatro mudanças, sendo a última para o local onde se encontra actualmente, no Alto da Feira.
Em 1877 foi pedida à Junta de Freguesia, a sua mudança para se elevar uma casa junto à devesa da Igreja.
A Junta depois de negociações, no sentido de defender a existência de caminhos e estradas para o cemitério e a igreja, acabou por ceder, indo o cruzeiro para a frente do cemitério.
Mais tarde, em 1884, numa sessão ordinária da junta de Freguesia, com os mesários da Confraria de Santo António, deliberou-se que ia para o terreno da Confraria, ao nascente da Feira das Galinhas...na condição que o terreno seja sempre considerado da Confraria e o cruzeiro da freguesia. Nesta altura, a devesa da Feira, era ainda propriedade da Confraria...O objectivo era fazer caminhos para o cemitério...
Não se sabe quando foi operada a outra mudança e porquê...
"Freamunde - Apontamentos para uma monografia"

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Palmeira

Palmeira é o nome comum da Arecaceae, antigamente conhecida como Palmae ou Palmaceae, a única família botânica da ordem Arecales.Pertencem a estas famílias plantas muito conhecidas, como o coqueiro e a tamareira,abrangendo cerca de 205 géneros e 2.500 espécies.Distribuiem-se pelo mundo todo,mas estão centralizadas nas regiões tropicais e sub-tropicais.
O género tipo desta família é a Areca, cuja espécie mais conhecida é a Areca catechu,uma palmeira da Malásia cuja semente se chama Noz de bétele porque costuma ser mascada em conjunto com a "folha de bétele".
As palmeiras são plantas perenes, arborescentes, tipicamente com um caule cilíndrico não ramificado do tipo estipe, atingindo grandes alturas, mas por vezes apresentando-se como caule subterrâneo.
Não são consideradas árvores porque todas as árvores possuem o crescimento do diâmetro do seu caule para a formação do tronco, que produz a madeira, e tal não acontece com a palmeira..
...E tudo isto, apenas, para descrever a nossa peculiar palmeira...
A nossa palmeira,sim é nossa...
Faz parte desta terra e, do mesmo modo ela é parte de nós próprios.
Ela é nossa todos os dias,semanas,anos...uma vida inteira.
Não damos o devido valor...passamos por ela,nem reparamos que ela existe!
Mas ela está ali, é um albúm de memórias...
Faz parte da "mobília" freamundense...
Ai... se ela falasse...

Uma pequena curiosidade...em Moçambique, a seiva da palmeira é fermentada para produzir o vinho de palmeira.
Segundo os entendidos na matéria,é uma boa pinga!

Deixo-vos um poema de um freamundense...

Palmeira
Nós temos na nossa terra
o símbolo da natureza
é a flor mais bela
que temos na nossa mesa.

Essa flor é a palmeira
não sei os anos que tem
eu quero-lhe tanto,tanto
eu quero-lhe tanto bem.

Quando eu passo por ela,
encontro-a sempre a chorar:
"eu sou velha,muito velha,
todos me querem desprezar."

Olha só para esta:
se não é de eu chorar,
aos meus pés só tenho relva
não era de flores me dar?

Porque se me dessem flores
eu não era tão calcada,
sentia mais alegria
e era mais acarinhada.

Eu tenho os braços caídos,
sou velha não posso amar
mas agasalho os passarinhos
para a noite ver passar.

Dai-me algumas flores
parece que as mereço,
nem que sejam rosas murchas
mesmo assim eu agradeço.

A todos vou pedir
para muitas flores me dar
pra quem passa por mim
não deixe de me olhar.

Maximino Mendes


Singelo post dedicado a um dos "ex-libris" de Freamunde.
Esta Palmae merece todo o nosso respeito.