terça-feira, 30 de outubro de 2007

Bombeiros Voluntários de Freamunde - Última parte

Os rumos da Instituição
Apesar do fulgor inicial os momentos iniciais da vida da instituição não foram fáceis.A primeira Direcção da instituição levou os seus intentos por diante,mas formalmente ultrapassou uma norma estatutária.A Direcção deveria,à luz dos estatutos,ser constituída por cinco elementos,contudo foi eleita com sete.O Tenente Carlos Luciano Alves de Sousa e a sua Direcção(anos 1930 e 1931) tiveram como tarefas a admissão e inscrição dos primeiros sócios,protectores e activos,bem como a instalação da Associação,administrativamente e em termos físicos.Instalação essa que compreendeu a incorporação dos primeiros Bombeiros a fazer a sua instrução,as obras de adaptação da garagem de S.Francisco para servir de quartel,bem como arranjar o seu mobiliário.Em termos administrativos foi preciso registar as contas,acertar calendários para inaugurações,para fazer peditórios e arranjar receitas,pedindo até a colaboração de um grupo de senhoras para ajudar a instituição.A esta Direcção coube ainda a tarefa de comprar o primeiro carro e transformá-lo num pronto-socorro para os Bombeiros,bem como os primeiros equipamentos necessários.

Primeiro quartel em S.francisco


De S.Francisco para a Rua do Comércio

Durante o mandato de 1932,direcção do Dr.Alberto Cruz,foi levantada a necessidade de um fardamento próprio para as representações,sobretudo em funerais,bem como a necessidade de se substituir a bandeira por uma de seda.Mas as preocupações centrais desta Direcção foram a aquisição de uma moto-bomba,cujas dificuldades financeiras não permitiram e ainda dar continuidade à instrução no corpo activo,coisa que também teve de ficar adiada para 1933.É precisamente dessa instrução que se inicia em Março que vem a suceder um episódio amplamente relatado nas Assembleias e que envolve a indisciplina de um bombeiro face ao instrutor.Tal como no mandato anterior o Presidente da Direcção tinha assumido o comando.E,face a este caso,usando regulamentos de outra Corporação,o Dr.Alberto Cruz decide-se pela suspensão do bombeiro que tinha estado na origem da contenda.As divisões eram notadas quer dentro do corpo de bombeiros quer no seio dos associados.Por esta altura,a Direcção vê-se também em casa emprestada e com necessidade de arranjar um novo quartel.Alberto Cruz ainda propõe a compra de um terreno para esse efeito,o que lhe foi negado pela Assembleia-Geral de 12 de Março de 1933.A instrução e a aquisição da moto-bomba passaram a necessidades de segundo plano e o novo quatel foi prioridade.Em poucos meses estavam na Rua do Comércio com todos os seus haveres.Assim que terminaram este objectivo apresentaram as contas das obras de adaptação do quartel e toda a Direcção pediu a demissão,aceite na Assembleia-Geral de 20 de Agosto de 1933.Ainda foi marcada outra Assembleia para o di 23 de Agosto desse ano para eleger novos corpos sociais,mas a Corporação acaba nas mãos de uma Comissão Administrativa nomeada pelo pelo Governo Civil,que foi sindicada em 1934 e que se manteve em funções até 1936.

Segundo quartel na Rua do Comércio

Construção e inauguração do quartel actual

No ano de 1972 a Direcção foi limando arestas com a Inspecção relativamente ao projecto de construção,mas foi em 1973,durante a presidência do Dr.Jaime Manuel de Barros,que chegou a notícia do subsídio do Ministério das Obras Públicas para a construção do edifício que ainda hoje alberga a sede da Associação e o seu Corpo Activo.É o início de um novo ciclo da instituição.O Dr. Jaime Barros dirigiu os Bombeiros de Freamunde até ao final de 1990,nomeou o Comandante Carlos Felgueiras e o actual Comandante Mendonça Pinto,tendo ele próprio,num curto espaço de tempo,assumido o comando da Corporação.É com o Comandante Carlos Felgueiras que a Direcção de Jaime Barros constrói,mobila,equipa e inaugura o quartel sede da Associação a 4 de Setembro de 1977,numa grande festa de Bombeiros.É no período da sua governação que se assiste a um rápido desenvolvimento da Corporação,comprando novas viaturas e equipamentos,ou aceitando ofertas de outros e mudando hábitos e tradições antigas.Em 1991,depois de ter participado vários anos na Direcção do Dr.Jaime Barros,cujas tarefas directivas levaram à construção e modernização do Corpo de Bombeiros,uma nova etapa surge na vida da instituição.António Rogério Gomes Pereira assume a presidência da Direcção que tem em mãos uma nova necessidade:a ampliação do novo quartel.A obra foi iniciada em 1991 e concluída em meados de 1994.A par do andamento das obras de ampliação do quartel,o parque de viaturas foi modernizado e igualmente ampliado.Em 2005 os freamundenses viram juntar-se ao grupo de viaturas um veículo especial:a auto-escada.Em 13 de Julho de 2002 foi inaugurado um monumento ao soldado da paz,da autoria do escultor Manuel Pereira da Silva.Também em 2005 esta instituição comemorou as bodas de diamante e também o lançamento da primeira pedra do futuro quartel.

"Bombeiros Voluntários de Freamunde-75 Anos-João de Vasconcelos"

Monumento ao soldado da paz na Avenida Luis Teles de Menezes

Este é o resultado do trabalho dos Bombeiros ao serviço da população,que desde a sua fundação tem dado a esta Instituição um grande prestígio,pela sua entrega e dedicação,pelo esquecimento de si e dos seus,segundo o lema "Vida por Vida".

Bem hajam Bombeiros Voluntários de Freamunde.

sábado, 27 de outubro de 2007

Bombeiros Voluntários de Freamunde - Parte II


O Nascimento da ABVF
A origem da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários entronca no fenónemo associativo,bem característico de Freamunde e particularmente activo naquela época.A povoação,que volvidos cinco anos passaria a Vila,tinha um centro urbano bem definido,uma intensa actividade comercial e uma indústria instalada e em crescimento.Conhecida a intenção generosa e sabendo-se dos resultados catastróficos que a falta de uma Corporação organizada fazia,facilmente se compreenderá a sua utilidade e a sua criação em Freamunde.Nesse sentido,no dia 16 de Outubro de 1928 no decurso da sessão solene do 2º aniversário do Clube Recreativo Freamundense foi apresentada,discutida e aplaudida a ideia de criar uma Corporação de Bombeiros Voluntários,com sede em Freamunde.Os sócios do clube não só aplaudiram como também se comprometeram a apoiar a iniciativa no "máximo das suas forças",pelo que nessa mesma sessão foi nomeada uma Comissão para desencadear as diligências necessárias.Sentindo a necessidade de ter o apoio de todos os Freamundenses,a referida comissão,já integrando outros elementos,reunida a 25 de Outubro de 1928 decidiu convocar uma reunião geral dos habitantes de Freamunde,para três dias depois,na Associação de Socorros Mútuos Freamundense,que cedeu o espaço para tal realização.Por convite de José António Gaspar Pereira(membro da comissão que convocou essa reunião) e por aprovação unânime da Assembleia,presidiu à sessão o Pe. Florêncio Pinto de Vasconcelos,com os secretários Adolfo Ferreira Leão de Moura e Leopoldo Pontes Saraiva.Unanimemente a assistência foi favorável à criação da Corporação de Bombeiros concordando "que tal agremiação se tornava necessária e indispensável em Freamunde,sabendo como são os fins beneficientes das Corporações de Bombeiros",refere a acta dessa reunião realizada a 28 de Outubro de 1928.Unanimemente os habitantes da freguesia de Freamunde elegeram um grupo alargado de cidadãos que denominaram de Grande Comissão Organizadora da Corporação e que passou a ser uma espécie de Assembleia Geral da ainda embrionária Associação de Bombeiros.
Nomes que constituíram a Grande Comissão Organizadora e constam na acta respectiva:
Dr.Alberto Carneiro Alves da Cruz
Dr.António Henrique Pinto de Vasconcelos
António Joaquim Gomes da Costa Torres
António José de Brito
Pe.António Alves Pereira de Castro
António Joaquim Ribeiro
António Pereira da Costa
António Ferreira Rego
António Taipa Coelho de Brito
Adolfo Ferreira Leão de Moura
Adriano Pinto Martins Leitão
António Martins Ribeiro
Armando Nunes de Oliveira
Alfredo da Silva Cabral
Arnaldo Carneiro Alves da Cruz
Pe.Flerêncio Pinto de Vasconcelos
Jacinto José da Costa Torres
Joaquim Pinto Pereira Gomes
José António Gaspar Pereira
José Maria Ferreira de Matos
Leopoldo Pontes Saraiva
Libório Pinto Gomes
Manuel Augusto Pinto de Barros
Miguel Nunes de Oliveira
Luís Ferreira Leão de Moura
Rafael Pinto Graça
Serafim Pacheco Vieira
Serafim da Silva Moura
Quatro dias depois da reunião geral de Freamundenses,a um de Novembro de 1928,reuniram-se em Assembleia-Geral os cidadãos faziam parte da Grande Comissão Organizadora da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Freamunde.Além de ter sido conferida posse aos seus membros,foi deliberado constituir uma Comissão Executiva e uma Comissão para elaborar os estatutos que,de imediato,tomaram posse.
Comissão Executiva:
Presidente:Dr.Alberto Cruz
Tesoureiro:António Torres
Secretário:Joaquim Pinto Torres
Vogais Efectivos:José António Gaspar Pereira e Leopoldo Pontes Saraiva
Vogais Suplentes:Dr.Amâncio Leão,Arnaldo Cruz e António Joaquim Ribeiro.
Comissão para elaborar os estatutos:
Efectivos:Dr.António Vasconcelos,Adolfo Leão e Armando Oliveira.
Suplentes:Alfredo Cabral e Miguel Oliveira.
Os cargos da Comissão Executiva foram definidos num reunião desta Comissão realizada a 10 de Novembro de 1928,tendo ainda os seus membros deliberado agradecer à Associação de Socorros Mútuos,pela cedência de instalações para tudo o que fosse preciso para a nova instituição.Nos primeiros meses de arranque,a Comissão Executiva reunia com grande regularidade,quase semanalmente e sempre na Associação de Socorros Mútuos,nomeadamente para tratar de actividades diversas que levassem à angariação de fundos,desde a organização e realização de espectáculos teatrais,saraus musicais até à "Festa da Flor" que veio a marcar gerações de freamundenses...
"Bombeiros Voluntários de Freamunde-75 Anos-João de Vasconcelos"

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Bombeiros Voluntários de Freamunde - Parte I

Os Bombeiros em Portugal
Vem de longe a história dos bombeiros portugueses.O Serviço Nacional de Bombeiros e a Liga dos Bombeiros Portugueses assinalaram seis séculos de história,em 1995,publicando dois volumes sobre a evolução dos Bombeiros Portugueses.Aqui,naturalmente,deixamos apenas os momentos mais significativos dessa evolução.A carta régia de D.João I,cuja data remonta a 25 de Agosto de 1395,foi o documento que deixou escritas as primeiras directrizes sobre a tomada de medidas preventivas e de combate a incêndios em Portugal.Lisboa e Porto foram as cidades que primeiro tiveram serviços organizados de bombeiros.Em 1728 já existia um serviço organizado no Porto,mas só nesse ano foi constituída a companhia de fogo com comandante,homens e equipamento,todos prontos a actuar.Em Lisboa,em 1734,vinte anos depois de repartida a cidade em 3 zonas,foi adoptada e regulamentada uma nova estrutura que,pela primeira vez,baptizou os trabalhadores dos serviços de incêndios de bombeiros.Nos finais do século XVIII,Lisboa,Porto,Viana do Castelo,Coimbra,Lamego,Braga,Guimarães tinham as suas companhias de bombeiros,muitas ainda equipadas com bombas manuais.Mas se até ao fim do século XVIII apareceram diversas companhias de bombeiros,a sua expansão em Portugal veio a ocorrer no fim do século XIX tendo,em muitos casos,os municipios um papel de relevo.Além dos serviços de incêndio organizados nas cidades já referidas,onde também se deve incluir a de Setúbal,nas primeiras três décadas do século XIX,também já existiam bombas de incêndio noutras cidades e vilas:Penafiel(1815),Angra do Heroísmo,Barcelos e Viseu.A preocupação na prevenção de incêndios era considerada pelos municípios,tal como veio a consagrar o decreto de 16 de Maio de 1832,dando essas competências ao Provedor do Concelho(hoje Presidente da Câmara),daí que as Câmaras Municipais tenham continuado a apetrecharem-se com material de incêndio e tenham prosseguido a criação de companhias de incêndio devidamente estruturadas.Essas companhias eram normalmente dotadas por uma Carta de Lei,como o foi em 1839 a Companhia de Incêndio de Gaia.A 18 de Março de 1842 o Código Administrativo remete para o Administrador do Concelho a competência para "providenciar" em caso de incêndio,inundações,naufrágios e semelhantes.À Câmara incumbe o depósito e guarda de combustíveis,limpeza de chaminés e fornos.Datam de 1853(10 de Setembro,Lisboa) as primeiras medidas sociais para com os bombeiros.A primeira bomba a vapor,já que o combustível retirado a partir do petróleo ainda demoraria a chegar,estreou-se em lisboa em 1864.Até ao século XIX,por iniciativa dos municípios,foram criadas umas e organizadas várias Companhias de Bombeiros.Até meados do século XIX os bombeiros estiveram intimamente ligados com os poderes públicos.Os serviços de incêndios foram objecto de acção pelos orgãos de diversas cidades,bem como diversa legislação.Em Lisboa na Câmara Municipal,os bombeiros passaram a constituir uma repartição que tinha o fim de"prever e remediar" tudo o que dizia respeito a incêndios na cidade.
Associativismo e a Expansão
É ainda no século do Romantismo (XIX),período conturbado da História Portuguesa (Invasões Napoleónicas,Guerra Civil entre liberais e miguelistas,o últimato britânico e o fim do regime monárquico),que se vai assistir a uma expansão dos bombeiros em Portugal e sobretudo através de um novo instrumento jurídico: a Associação.Se até aqui a acção e funcionamento dos serviços de prevenção e extinção de incêndios,do ponto de vista institucional,esteve cometido aos municípios,as mudanças na legislação vão permitir uma mudança significativa e o desenvolvimento no voluntariado.O Código Civil de 1867 reconhece o direito de associação que até aí esteve praticamente vedado aos portugueses,apesar de algumas associações terem sido criadas nesta época.Direito esse que veio a ser confirmado por decreto ditatorial do Duque de Saldanha e de Dias Ferreira,em 1870.Uma vez criadas as condições legais não tardou a aparecer a primeira "Companhia de Voluntários Bombeiros" em Portugal.A partir daí,todo o país,incluindo as colónias portuguesas de então,assistem à criação de associações de Bombeiros,muito dos quais com o apadrinhamento da Família Real,pelo que ostentaram o título de "Real Associação".O Infante D.Afonso de Bragança,filho do Rei de Portugal,D.Luis I,foi Comandante Honorário dos Bombeiros da Ajuda,Lisboa.Sempre que ocorria alguma desgraça,este simples Infante,simples porque apesar de membro da Família Real,comparecia no Quartel para acudir às desgraças com os restantes bombeiros...
As outras Corporações Vizinhas
Algumas corporações da região foram fundadas ainda no século XIX.Entre elas estão as corporações de Caldas de Vizela(1877),Santo Tirso(1878),Penafiel(1881),Valongo(1883),Paredes(1884),Lixa(1889) e Felgueiras(1898).No Vale do Sousa ocorrem na década de 1920,por alturas da fundação da Corporação de Freamunde,a criação de sete novas instituições de Bombeiros:Entre-os-Rios(Junho de 1923),Cete(Abril de 1925),Baltar(Fevereiro de 1928),Lousada e Freamunde(1930),Paços de Ferreira(1931) e Paços de Sousa(1938)...Neste período,dos seis Concelhos do Vale do Sousa,apenas Castelo de Paiva ainda não tinha corporação de Bombeiros.Por outro lado,estavam criadas três no Concelho de Penafiel e outras tantas no Concelho de Paredes.No concelho de Paços de Ferreira foi fundada a de Freamunde e no ano a seguir a de Paços de Ferreira...
"Bombeiros Voluntários de Freamunde-75 Anos-João de Vasconcelos"

sábado, 20 de outubro de 2007

A capela de S.Francisco

Teria sido inicialmente um oratório,a seu tempo demolido para ser erigida a capela e a casa-hospício em 1737 (a avaliar pela inscrição na fachada).A sua benção foi concedida em 1744.Segundo o catálogo dos Bispos do Porto,em 1623 "...o Salvador de Freamunde...ermidas Santa Helena e São Sebastião..." logo ali existia a Capela de S.Francisco.A obra é de iniciativa e orientação da Ordem Terceira de S.Francisco,cuja existência é anterior.Os primeiros estatutos desta confraria datam de 1749 mas foram revistos em 1885 e 1913,sendo nesta altura o pároco,Pe Florêncio de Vasconcelos.A capela de S.Francisco teria sofrido uma remodelação posterior,por iniciativa do Capitão-Mor Moreira Carneiro que a dotaria de tribuna,sineira e a imagem de Nossa Senhora da Conceição,padroeira da confraria,apesar do seu patrono especial ser S.Francisco de Assis.O facto dos lugares circundantes terem o nome de S.Francisco e de S.Sebastião,o que é corroborado pelo Pe Lucas Ferreira em 1758,no inquérito que envia ao Bispo do Porto em que fala da existência da "Capela de S.Sebastião no lugar de Freamunde"(será Freamunde de Cima?).Esta data,confrontada com a que está incrita na fachada a Capela de S.Francisco contraria a tese de que esta seria construída por demolição daquela.A irmandade de S.Francisco teve um papel importante a nível do culto religioso e da beneficiência,ao longo dos tempos.Ao mesmo tempo,atraiu a Freamunde vultos da hierarquia eclesiástica,como por exemplo, "Frei João da SS Trindade,Comissário Geral das Ordens Terceiras,no jubileu de Agosto de 1904".A festividade actual que está associada à capel é a de N. S. da Conceição que se realiza a 8 de Dezembro de cada ano e é planeada e desenrolada pr um grupo de jovens que se sucedem.Trata-se duma festa com uma componente religiosa muito forte (com missa solene e procissão) e uma parte de arraial que se concentra mais em torno da capela.Os tradicionais "ferreirinhos" (espécie de fogo-preso) e a actuação da Banda de Freamunde atrai muitos forasteiros que desafiam o frio do fim do Outono...Até há bem poucos anos era,nesta festa que se estreavam os jovens músicos que passavam a fazer parte do elenco da filarmónica quase bicentenária,um dso veículos do nome Freamunde.Compete aqui recordar a festa da "Porciúncula" que atraía a Freamunde todos os fiéis que queriam o Jubileu.Era uma enorme festa,a maior das redondezas,com muitos padres e uma procissão longa,com uma grande manifestação da fé do povo.Decaiu com a extinção das Ordens Religiosas,mas foi reactivada pela Ordem Terceira depois.Ainda havia no príncipio do século XX.De referir que na parte traseira da capela se encontra um relógio de sol que se pensa ter sido ali colocado,aquando da sua construção.
"Freamunde-Apontamentos para uma monografia"
Relógio de sol existente na parte traseira da capela.

Inscrição da data da construção.

...tenho de confessar que desconhecia a existência do relógio de sol!

domingo, 14 de outubro de 2007

Freamunde de ontem e de hoje-Freamunde é coisa (mesmo)boa

A Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós desde há umas semanas a esta parte,tem vindo a colocar em palco,na Associação de Socorros Mútuos Freamundense, a revista "Freamunde de ontem e de hoje".Esta peça da autoria do saudoso Fernando Santos,feito por gente da nossa terra,a última vez que teve lugar foi no dia de Natal de 1951,já lá vão quase 56 anos...muito tempo!Na década de 1980,fez-se uma tentativa para a levar a palco,mas desistiu-se ao fim de alguns ensaios.Esta peça fala de coisas muito bonitas,fala-nos de varíadissimos acontecimentos e retrata um pouco a história de Freamunde.O texto é composto por parte da revista "Freamunde é coisa boa",a peça que foi representada no dia de Natal de 1951.Ontem fui assistir,mais uma vez, a este belo e jocoso espectáculo e,mais uma vez saí emocionado,saudoso e enriquecido...valeu a pena!Esta peça está agora mais enriquecida com a participação do Grupo Folclórico de Freamunde e Escola Infantil de Música.Este espectáculo tem nele envolvidas muitas pessoas,com algumas delas a viverem a sua primeira experiência teatral...de enaltecer.
A direcção,coordenação e encenação está a cargo de Vitorino Ribeiro.
Parabéns a todo o elenco e a todas as pessoas nele envolvidas.
Bem hajam.
A não perder!
Viva o Teatro.
Viva Freamunde de ontem e de hoje.
Freamunde é coisa(mesmo)boa.

sábado, 6 de outubro de 2007

Pioneirismo no mobiliário

No primeiro centenário do concelho de Paços de Ferreira, 1936, o Padre Armando Pereira, faz uma compilação de estudos monográficos que a Câmara Municipal de então publica, como comemoração. Nesse livro, afirma, a certa altura que as indústrias de madeira já estavam com algum peso e devidamente especializadas, situadas em Freamunde e depois em Arreigada. Afirma mesmo, relativamente a Freamunde, "são também numerosas as oficinas de tamancaria e marcenaria". O jornal local da época " O Eco de Paços de Ferreira" referindo o cortejo do centenário, diz no seu n.º 35 de 1 de Setembro de 1936 que a participação de Freamunde era enriquecedora com "o carro e pessoal da indústria de marcenaria" e ainda com elementos da indústria de serralharia, torrefacção, calçado e fundição de metais. Mas é o "Progresso de Paços de Ferreira" que na "Crónica de Freamunde", fixava a 10 de Junho de 1920, a indústria de mobiliário, pela primeira vez, em Freamunde "já se achava devidamente instalada na rua do Comércio desta povoação, a nova oficina de Mobiliário e Material Escolar e a Fábrica de Moagem sob a firma Pereiras e Barros e Ca. Lda.", acrescentando a 16 de Setembro do mesmo ano "principiou já a construção do aparatoso edíficio da fábrica de mobiliário e material escolar da firma Albino de Matos e Sucessores, Lda."

Pensa-se que tudo radica na tradição da indústria de tamancaria e, sobretudo no contributo pessoal do Prof. Albino de Matos, ilustre pedagogo que sentindo necessidade de material didáctico para o curial exercício da sua tarefa educativa, se predispôs a criar ele próprio, para si e depois para todas as escolas do concelho e do país, as caixas métricas em madeira como os contadores, as medidas do sistema métrico, os sólidos geométricos e ainda carteiras, secretárias, mesas, armários, suportes para mapas e outras coisas, segundo o que era aconselhadopor os grandes pedagogos da época, por exemplo Maria Montessori, Froebel, etc. Este material viria depois a ser premiado na Feira do Porto (Palácio de Cristal) e no Rio de Janeiro. As duas fábricas haveriam de fundir-se, mais tarde, numa só que se tornou moderna e adoptou o anúncio "Temos imitadores, não temos concorrentes". Ocupava, em 1945, mais de 500 operários.
O Padre Castro teve um papel importante, nesta fábrica, a partir de certa altura. Contam-se muitas histórias a seu respeito. Morreu cedo...
Entretanto, mais precisamente em 1926 surgia a "Fábrica do Calvário" de António Pereira da Costa onde outra fornada de grandes profissionais do trabalho da madeira, a rendilharem e a trabalharam para toda a parte do país, designadamente para o Convento de Mafra. De salientar que António Pereira da Costa tinha pertencido durante dois anos à fábrica de Albino de Matos Pereira e Barros Lda. O seu material foi também premiado com o 1º prémio no Congresso Pedagógico de Viseu em 1928 e na Feira do Porto. Estas duas fábricas foram um caldo da cultura de saber-fazer, de emprego e formação e daí, muitos trabalhadores disseminaram-se pelo concelho e (também pelo concelho de Paredes), enxameando a região de oficinas e fábricas que serviram de base ao epíteto "Capital do Móvel".

Neste contexto não deixa de ser elucidativo o anúncio de "A Elisa-Fábrica a vapor de serração de madeiras de José Luiz Affonso, em Freamunde", no "Jornal de Paços de Ferreira" de 22 de Julho de 1899, o que prova a antiguidade do trabalho de madeira e "a vapor".

"Freamunde-Apontamentos para uma monografia"

É triste a situação decadente que chegaram estas duas fábricas, nomeadamente a Fábrica do Calvário, outrora um grande centro de emprego, hoje falida, abandonada,deteriorada e à venda!

Ora, se foi aqui,Freamunde, que verdadeiramente nasceu a indústria do mobiliário, que se fundaram as primeiras fábricas, dignas deste nome,é urgente congregar esforços para acordar deste perigoso sono e inexplicável indiferença...

Por último,como operário do ramo,não podia deixar de referenciar a fábrica da qual sou funcionário:Coelho e Martins Lda.O seu dono,José da Silva Coelho,mais conhecido por "Zé Grilo",natural da vizinha freguesia de Ferreira,aqui casou e fundou a sua fábrica em 16-05-1967.Começou com uma pequena oficina de maquetaria e, com um "tico-tico"de sua autoria, numa pequena arrecadação, e depressa se expandiu até ao que é hoje...Em Abril de 2001 efectuou-se a mudança para as actuais instalações..Em 16 de Maio passado comemorou-se o 40º aniversário,com uma festa,"comes e bebes" e entrega de uma salva de prata alusiva ao aniversário a todos os funcionários.

Bem haja "Zé Grilo".

Antigas instalações da "Coelho e Martins Lda".