domingo, 30 de novembro de 2008

Até sempre Fernando "Moca"

Até sempre Fernando "Moca". Até sempre "Salsicha". Até sempre grande freamundense. Ficarás para sempre na memória colectiva de Freamunde. Singela homenagem do blog "Freamundense", que foi membro da comissão de Festas Sebastianas 2006, que conviveu contigo e que te conheceu pessoalmente...
Deixo aqui uma sugestão à comissão de Festas Sebastianas 2009: porque não um "carro" de homenagem para as marchas...ele bem o merece. Freamunde está de luto...
Sinceros pêsames para toda a família...
Descansa em paz.
Sem mais palavras, despeço-me com um até já...

sábado, 29 de novembro de 2008

III Semana Gastronómica do Capão à Freamunde

A III Semana Gastronómica do Capão à Freamunde vai decorrer entre 6 e 14 de Dezembro. A edição deste ano conta com três novidades, a parceria e a colaboração do Chefe Hélio Loureiro, do Porto Palácio Hotel, o Concurso do Jovem Cozinheiro e a apresentação dos vinhos mais adequados para acompanhar o "Capão à Freamunde."
A III Semana Gastronómica terá este ano uma abertura também diferente. Pelas 17 horas do dia 6 de Dezembro, na Casa da Cultura de Freamunde, e aberto à população, vai decorrer uma Conferência em que participarão o Presidente da Câmara Municipal, que vai traçar uma resenha histórica do Capão à Freamunde; o Chefe Hélio Loureiro vai falar sobre gastronomia portuguesa. Elsa Vieira da Universidade Católica vai desenvolver o tema "Gastronomia Típica e Nutrição"; Ricardo Graça, da Associação de Criadores de Capão, vai tratar da "Importância da preservação de uma tradição gastronómica centenária" e Simão Oliveira, do Instituto Politécnico de Leiria vai ter a seu cargo a temática "Turismo e Gastronomia". Este encontro terá como moderador José Maria Taipa, presidente da Junta de Freguesia de Freamunde.
Ainda no dia da abertura, pelas 20 horas, decorrerá, na Quinta da Vista Alegre, o Concurso Jovem Cozinheiro, em colaboração com a Escola de Hotelaria e Turismo de Santa Maria da Feira e, em simultâneo serão apresentados os vinhos mais adequados para acompanhar esta iguaria.
Um dos pontos altos desta Semana Gastronómica será o 17º Concurso Gastronómico, Jantar de Gala que integra um encontro especial entre todos os presidentes de Câmara do Vale do Sousa, que vão degustar Capão à Freamunde. Será no dia 12, a partir das 20 horas, na Quinta da Vista Alegre, em Freamunde.
O dia 13 é, por excelência, o dia da compra e venda do capão vivo. No sábado de Santa Luzia milhares de pessoas deslocam-se a Freamunde para a Feira dos Capões que decorre no centro da cidade. O cariz religioso é também cumprido com missas em honra de Santa Luzia, pelas 9 e 11 horas, seguindo-se, pelas 12 horas, o Concurso do melhor capão vivo presente na feira, estando previstas para as 15 horas demonstrações equestres.
O dia 14, porque coincide com um domingo, dará lugar a uma feira franca.
O Capão
A origem do acto da capadura remonta aos tempos romanos. Diz-se que por causa da perda de sono do Imperador devido aos cantares dos galos, criou uma lei que impedia a sua existência. Os apreciadores e criadores destas aves conseguem-na ultrapassar castrando o animal que deixa de cantar, de ter porte de "rei da capoeira" para se transformar no "Manjar dos Reis", assim já o refere Gil Vicente nas suas obras. Surge então uma nova espécie, o Capão, que ultrapassa em beleza, tamanho e sabor, o galo macho.
Além de diversos documentos atestarem a existência da Feira dos Capões na Vila de Freamunde, Paços de Ferreira, desde o séc. XV, a sua institucionalização oficial só se fez por provisão do Rei D. João V, em 3 de Outubro de 1719.
De facto, um frango capado, embora se torne incapaz de se defender, de ter carcarejos e de ser assustadiço, criado em grandes extensões e alimentado à base de grão engorda, torna-se avantajado e vistoso e a sua carne tenra e apetitosa que quando assado adquire um requintado e inigualável sabor.
A arte de capar os jovens galos, transformando-os em capões, exige uma técnica muito apurada, que apenas algumas pessoas dominam. Esta técnica não admite erros, que podem ser fatais para o galo ou transformá-lo numa espécie intermédia, habitualmente denominada de rinchão, e que não é galo nem capão, podendo induzir em erro aqueles que procuram Freamunde em busca desta iguaria das realezas.
A arte da capadura é transmitida de geração em geração e neste momento existe a Associação de Criadores de Capão de Freamunde que preserva esta tradição.
Confraria do Capão
Sob a égide de Santa Luzia e em honra do bicho eunuco que faz as delícias dos comensais em tempos natalícios e a honra e glória de Freamunde, foi criada, em 2003, a Confraria do Capão. Os confrades fundadores e os que um dia virão juntar-se a eles, de boa-vontade, juram lutar pela genuinidade do Capão, defendê-lo das imitações e fraudes, saboreá-lo e conduzir outros a saborear, em noites de convívio fraterno, aqui ou mais além.
In: http://www.imediato.pt/

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Novo livro de Rosalina Oliveira

Ao Menos Só Uma Vez (Algures… Na Gandarela)

É da gente da Gandarela, gente que "trazia o mar no peito e o detectava pelo aroma", mesmo sem o conhecer, que fala o novo e primeiro romance da freamundense Rosalina Oliveira. A obra, pequena no que a número de páginas diz respeito, tem sido uma agradável surpresa junto dos leitores e, embora ainda não tenha sido apresentada oficialmente, já conquistou um considerável número de fãs.
Depois de mais de vinte anos desde a publicação do primeiro trabalho de escrita, Rosalina Oliveira, que já experimentou a poesia e as monografias em originais formatos, juntou ao seu peculiar jeito de desenhar as letras a incansável imaginação e, atrevo-me, a saudade da Freamunde de outrora e passou para o papel a história ficcionada da Rosa "sardinheira" que já não vê chegar as camionetas das sardinhas e teima confundir o transporte do seu sustento de vida com as que agora passam amiúde carregadas de móveis para fazer jus à transformação que o progresso ditou para a sua terra.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um nome milenar


O Pe. Francisco Peixoto, grande investigador da história e da origem de Freamunde, dizia, (no início do Séc. XX) que o topónimo Freamunde deveria ter vindo do nome duma pessoa. Baseava-se na existência dum frade, no lugar de S. Martinho, de nome "Mundus" (e mundus = limpo, puro) e que do constante chamar "Frei Mundus" teria nascido Freamunde. Outros afirmam a existência aí dum outro (ou o mesmo?) frade de nome Fresimunde, dono duma quinta ou "Villa" e dum ermitério e que se situam no Séc. VI. Para corrobar a ideia de que teria vindo de nome de pessoa, diz, por exemplo que Fradamundu...Era " um prebytero que figura num documento em que o Rei Ordonho II fez couto ao mosteiro de S. Salvador de Lerez, na Galiza (836)" e até recorda o facto de num dos seus romances Camilo Castelo Branco, falar num " Freiamunde" que era um membro duma quadrilha.
No entanto e, depois de várias reflexões, acaba por concordar com a explicação do Coronel Baptista Barreiros sobre a origem do nome: os dois termos de origem germânica - "Frea" (de FR)US) e "Munde" (de MONDE) aglutinar-se-iam para formar Freamunde.
É que cansados dos movimentos migratórios e bélicos que lhes endureciam a existência, os primeiros grupos que se fixaram neste pedaço de terra, teriam nele encontrado condições privilegiadas de fertilidade, beleza e frescura natural que depois se prenderam aqui. Procuravam ou fizeram aqui a sua "Paz" (Frea) e acoitaram-se à sua "Protecção" (Munde), a protecção duma natureza afável, a proporcionar-lhes condições e garantias para a fixação.
O topónimo "Freamunde" genitivo de Fredemundus, passou a denominar este recanto, a "terra de paz e protecção" ou "apoio na paz", a paz necessária aos Suevos que por cá se fixaram, por volta, de 410, vindos da Germânia, mesmo junto ao Mar Báltico, onde existiam muitas povoações com nomes semelhantes, como "Gemundi", "Travemundi" e muitos outros.
Um termo intermédio teria sido "Freamundi" como aparece nas Inquirições de D. Afonso III e depois nas de D. Diniz (1346).

E TUDO COMEÇOU EM S. MARTINHO
Diz a tradição ( e a tradição também é fonte histórica) que os primeiros grupos étnicos, por andarem cá na cata dos bons lugares, teriam escolhido, nesta vasta "Chã de Ferreira ou Território de Ferrara, um pequeno sítio, mais tarde apelidado de lugar de S. Martinho, para formar o primeiro núcleo populacional, donde adviria Freamunde".
As escavações efectuadas nesse local pelo Pe. Francisco Peixoto, coadjuvado por Martinho Nunes "Catano", no início do Séc. XX, forneceram alguns objectos que contribuíram de algum modo, para confirmar a fonte: mós, um cunhal de habitação, degraus duma escaleira em pedra e outras coisas que se perderam na voracidade dos tempos, pela ignorância e incúria populares. O Pe. Francisco Peixoto referia aí a exestência de panelas, o que indica no local, a existência dum necrópole da Idade do Ferro.
O local apresentava condições favoráveis mas os prolblemas carreados pela Reconquista Cristã, alguns séculos depois, levariam ao êxodo da população, que se foi disseminando por outros lugares.
Abandonava-se a vila primaeva, povoava-se o vale e ia-se formando um aglomerado que hoje constitui a cidade de Freamunde.
O lugar mais povoado segundo as inquirições a seguir a Freamunde de Cima era Madões (cujo nome significa "campos lentos") e depois "Pocô" ou "Pozoo" (com 6 casais).

DE S. MARTINHO A S. SALVADOR
Nas Inquirições de D. Afonso III, a freguesia de Freamunde era citada já, como tendo orago S. Salvador "Hic incipit Ecclesiae Sancti Salvatoris de Fremundi".
Tendo nascido no Oriente, acredita-se que a devoção a S. Salvador se tenha disseminado pelo Ocidente, através das Cruzadas, isto é, a partir do Séc. XI.
É no Séc. XIII que aparece a paróquia de Freamunde devotada a S. Salvador, relegando o patrono de séculos, S. Martinho. Não surpreenderá esta mudança que o Coronel Barreiros justifica por a freguesia ter estado sujeita, como muitas outras, às oscilações, incertezas e vicissitudes comportadas pela Reconquista e à "influência do entusiasmo das Cruzadas".
A população, ao descer de S. Martinho, para outros lugares, teve de erigir uma nova igreja paroquial, o que teria contribuído também para a escolha doutro patrono, mudança que a Igreja Católica permitia e até apoiava. É que se acredita que tenha havido em Freamunde de Cima uma igreja que o Pe. Francisco Peixoto diz poder ter sido derrubada pelos Mouros, após a batalha de Guadelete em 711 ou no Séc. X, quando esses povos árabes destruíram a Sé do Porto.
A construção da igreja actual é, porém, muito posterior pois falou-se na sua ampliação, no primeiro quartel do Séc. XIX "em 1825 ainda se trabalhava nos altares da egrega nova". É imposível averiguar a data da construção e comprovar se haveria ou não uma igreja após a de S. Martinho e antes da actual. A de S. Martinho teria existido, "como propriedade dum particular, dum senhor ou dommus", como diziam as Inquirições Reaes e ali, as escavações mostraram pias de água benta, lages de sepultura, ossos...
Estaria dentro da quinta do Sr. Fresimundi.

IMAGEM DE S. MARTINHO TERIA SIDO ROUBADA PELOS HABITANTES DE PENAFIEL
A tradição oral dizia que a imagem de S. Martinho, que era muito bonita, teria sido roubada pelos habitantes de Penafiel. Isto acontecia muito, nos Séc. IX e X por influência das invasões e destruições operadas pelos Mouros e foi nessa altura, precisamente, que se edificou ou reedificou a "igreja de S. Martinho de Penafiel ou a mudança do seu primitivo orago de Espírito Santo para o actual".
A mesma tradição também diz que com o "roubo" da imagem se fez deslocar a feira de S. Martinho que era importante por cá, para Penafiel. Segundo Pinho Leal essa feira faz-se em Penafiel "desde quando, anno de 1260, D. Afonso III mandou que pelo Reino se fizessem feiras e mercados".
As datas aproximam-se e parecem corroborar a lenda (e chamamos-lhe lenda por carecer de justificação histórica e de comprovação documental...)
Mais outro dado: no arquivo da Confraria de Santo António estava um documento, com data de 1722 que, em relação à criação da feira dos 13 dizia "levantando-se de novo feira de gado, pannos, etc. ". A expressão "de novo" pode contribuir para justificar o que se diz ou dizia por aí. E passará então de lenda...

A ORIGEM SUÉVICA
Alguns vestígios da cultura castreja parecem confirmar a tese de instalação, na actual área de Freamunde de núcleos, de que o Castro dos Mortórios (repartido por Freamunde e Covas) é o mais elucidativo. É dessa époc, uma ponta de bronze possível lança ou punhal aí encontrado que se pode ver no Museu do Seminário Maior do Porto.
Com estilos de vida mais avançados, os Romanos invasores destruiriam muitos dos habitats lusitanos (ou galaicos), para introduzir novas técnicas de cultivo, novas formas de organização administrativa, política e militar. Mas, no início do Séc. V, o declínio do grande Império Romano chegou à Hispânia.
Uma nova vaga de invasores suceder-se-ia e neles convém destacar os Suevos, por serem fundadores de Freamunde, "Uma povoação suévica da Chã de Ferreira", como consignava o Coronel Baptista Barreiros, na sua comunicação em Julho de 1957, no Colóquio Bracarense de Estudos Suévicos.
Era um povo bárbaro que se estendeu por toda a região de Entre-Douro-e-Minho, estabelecendo em Braga, a capital do seu reino.
Convertidos ao catolicismo no tempo do Rei Recaredo, (em Fevereiro de 587) filho de Leovigildo, por influência de S. Martinho de Dume, fixaram um bispado em Meinedo (Lousada). O apóstolo dumiense teria por cá passado e influenciado a adopção de S. Martinho de Tours, por quem tinha uma enorme devoção, para patrono ou orago de Freamunde.
O Rei suévico era também um chefe militar e tinha um poder sacralizado, o que lhe concedia prestígio, autoridade e orgulho. Sob a sua égide, o seu povo influenciou muito a vida colectiva de então, onde conviviam os invasores e os dominados em harmonia.
Valorizavam o poder eclesiástico, deram uma componente guerreira mais forte ao poder político, consideraram a economia como base real e deixaram influenciar toda a sua vida pelo sagrado. A marca suévica é acentuada em alguns pormenores. Por exemplo, em Freamunde existiu o lugar de Berto, citado nas inquirições e "ber", "bher" "bherta" segundo Ribeiro dos Santos, são radicais góticos. Outros termos de origem gótica ou germânica aparecem nas inquirições, como "allodeais" (propriedade completa).

E A HISTÓRIA EVOLUI...
Na Idade Média, a economia agrária repousava em duas vertentes fundamentais - a existência de casais e a pertença de grande parte das terras à Igreja.
Pelas Inquirições de D. Afonso III de 1258 percebe-se a antiguidade de Freamunde. Inserida no Couto de Ferreira, a maior parte dos casais da freguesia pertencia ao Mosteiro, embora sobressaíssem já os descendentes de D. Urraca Fernandes e D. Egídio com vários casais. Em 1346, o delegado régio Aparício Gonçalves que entra em Freamunde para de novo inquirir, cita Gil Vasques e Martim Anes também como grandes proprietários.
Os Soverosa, de origem galega, deram origem à Honra de Soverosa (Sobrosa) que depois adquiriu o estatuto de vila, por foral de D. Manuel I. Os casais passaram a depender de Sobrosa, excepto os que pertenciam ao Couto de Ferreira, o que colocava Freamunde numa posição curiosa.
Era Couto e era Honra.
Integrado no Julgado de Aguiar de Sousa, o que já fazia parte em 1346 como atesta o Coronel Barreiros, porque também no Couto de Ferreira, (a 1ª Junta da Paróquia foi nomeada pela Câmara do Concelho de Sobrosa, em 26 de Setembro de 1835, sendo o seu primeiro presidente António José Lopes Meireles) a freguesia de Freamunde assim permanece até que, em 1836, com a reforma administrativa da Raínha D. Maria II, se constitui o concelho de Paços de Ferreira que juntou freguesias desse julgado e algumas do de Refojos, julgados que eram separados pelo rio Ferreira...Entretanto tinha sido prestimónio ou comenda da Ordem de Cristo, no senhorio dos marqueses de VIla Real, cujos bens passaram depois para a Casa do Infantado, em 1641.

FORAL DA HONRA DE SOVEROSA
Daddo pellas Inquiriçooens
Dom Manuel ect.
Mostrasse polla Imquyriçam que na dita homra mandamos tirar que o senhorio della tem hy particullares casaaes propios aforados e emprazados aas pessoas que os trazem per seus titollos e prazos segundo os quaaes mandamos que ao diante (13) se paguem sem outra em novaçam nem mudamça.
" O passado é a única realidade humana - Tudo o que é já foi" - Anatole France
"Freamunde - Apontamentos para uma monografia"

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

São Martinho

A Comissão de Festas Sebastianas 2009 irá realizar no próximo sábado, dia 15 de Novembro, a partir das 18:30 horas, no pavilhão das Festas Sebastianas, a festa de São Martinho. Esta festa será abrilhantada com a actuação do grupo "Laços e Nós", da Associação Pedaços de Nós.
Bem...com um cartaz destes é impossível faltar!...
Vamos todos ajudar a Comissão 2009, além de se passar um bom bocado de diversão e convívio, estaremos a ajudar monetariamente a comissão de festas...
Vamos todos contribuir um pouco, e um pouco a cada um de nós nada custa...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coisas Minhas

O ADEUS AO VELHO CARVALHAL

No passado dia 19, o velho campo do Carvalhal serviu, pela última vez, de ponto de reunião aos "tifosi" freamundenses que ali acorreram a presenciar o derradeiro prélio futebolístico que ali se realizou: o Freamunde - Felgueiras, a contar para o campeonato nacional da 2ª Divisão. O tempo nada perdoa e, mais tarde ou mais cedo, todas as coisas atingem o seu fim: até os campos de futebol...O "Carvalhal" não podia fugir a esta intransigente regra: o seu fim aí está, um fim natural e que, com igual naturalidade se aceita, sem mágoa justificada, sem discussão válida, sem desnecessário saudosismo, antes com exacerbada alegria e profundo alívio, por finalmente, se terem adquirido condições mais consentâneas com o futebol que hoje se pratica em Freamunde e que o velho campo já não podia oferecer...
No entanto, embora leve, sempre um amargo de alma nos fica ao vermos desaparecer um local a que nos habituáramos, ao longo dos anos, e onde tantas horas de alegria e outras tantas de angústia e desespero tínhamos vivido face ao nosso exagerado fervor clubista e hoje, ao afastar-me daquele velho "pelado", não posso deixar de parar, por instantes, de me voltar para trás e de lhe deitar um olhar de nostálgica simpatia...
E é nesse derradeiro olhar que, mesmo ofuscado por uma impertinente e teimosa lágrima, consigo ver figuras e factos que, nestes mais de quarenta anos de freamundense dali me acenam amiga e saudosamente...
Eu, antes de vir para Freamunde, nunca dei grande atenção a este portenso fenónemo que hoje avassala o mundo, lhe faz descer para os pés a virtude, habilidade e inteligência que só à cabeça deviam pertencer, e se chama "foot-ball" ou, mais portuguesmente, futebol, ou não tivéssemos nós a viva protensão para adoptar tudo quanto a "estranja" nos manda...
"-És uma besta! A ti a ciência e inteligência não te conseguem entrar na cabeça e vão-te cair aos pés". - dizia, no meu tempo de menino, no já extinto Colégio de João de Deus, o Dr. Marques de Carvalho a um colega meu, de que já não me recordo o nome mas que, mais tarde, foi internacional na selecção portuguesa de futebol...Não se enganava...
Mas - como estava a dizer - e apesar de ter sido guarda-redes num campeonato escolar do pé na bola (como, de resto, o cheguei a demosntrar, em Freamunde, num célebre jogo entre o Clube Recreativo e a Assembleia), este desporto nunca me atraiu e, ainda hoje me orgulho de poder dizer que nunca vi jogar o Porto, Benfica, o Sporting ou qualquer outro clube que não tenha sido adversário do Freamunde. E, se sei que o Porto é azul e branco e o Benfica vermelho, é porque seria um autêntico crime de lesa-pátria esse desconhecimento e porque já há televisão a cores há alguns anos...E até porque, como diz o "outro", o futebol é que "induca" e o Benfica é que "instroi"...
Foi, pois, em Freamunde que o "bichinho" da "bola" me começou a corroer o interior. Mas não era a bola que atraía: era a equipa da terra que me adoptara e que eu aprendera a amar. E é desse tempo que, ao despedir-me hoje do Campo do Carvalhal, se erguem na montra das minhas recordações todos aqueles que, desinteressadamente, sem a mínima remuneração, constituiram as briosas equipas do "Freamunde", equipas que, então, eram constiyuídas por jogadores quase todos batizados na nossa igreja matriz! Os Vianas, O Bica, os Mirras, o Cherina, o Casimiro, o Barbosa,o Laurindo, o Peixoto, o Santos, os Zés Marias, e, mais recentemente, o Venâncio, o Guerra, o Ernesto, o Capot, os meus filhos, e tantos, tantos outros, a quem peço desculpa do esquecimento e que fastidioso seria aqui mencionar, alguns deles que já moram só na nossa saudade e que, infelizmente, já não se aborrecerão com o meu lapso, a menos que o "Fredemundus" consiga ser lido na eternidade...Mas um há, no entanto, que não pode ser esquecido: o maior de todos, o que sempre mereceu o respeito de colegas e adversários, o que a própria Federação Portuguesa de Futebol considerou ser o mais digno, entre Eusébios e quejandos, para poder transportar a sua bandeira num dos seus últimos congressos, e que, pelo seu comportamento como jogador e como Homem, sempre dignificou o Sport Clube de Freamunde e a terra que o viu nascer - JOÃO TAIPA, um maravilhoso exemplo!
Mas nem só jogadores eu recordo hoje no velho "Carvalhal": vejo o meu velho amigo, o professor Gil Aires, treinador efectivo e desinteressado dos bons tempos das "seisadas", que mantinha uma filosófica fleugma enquanto a turba exigia "só mais um!" ; vejo o João Cardoso, sempre a falar alto enquanto percorria aceleradamente ao longo do muro do lado do peão, de um lado para o outro; vejo um já venerando espectador de Ferreira, de bigode branco e esquisito chapéu redondo de copa afunilada, cujo nome nunca soube, e ao lado de quem ninguém podia estar, devido aos "efeitos" que ele fazia com as pernas sempre que o jogo se desenrolava junto da baliza adversária; outro junto a quem também era pouco prudente estar, o meu grande amigo Ernesto Taipa, a cuspinhar constantemente sobretudo nos lances mais animosos dos jogo...; recordo o "grupo dos malcriados" do qual eu próprio fazia parte e no qual se destacava, entre muitos outros bons e grandes amigos, a metódica figura do Domingos Taipa, aque todos consideravam o "tesoureiro" deste imprtante conjunto de detractores dos senhores árbitros...E tantos, tantos outros "habitués" da claque freamundense e das futebolísticas tardes do velho "Carvalhal", que terminaram definitivamente...
Adeus, meu velho amigo! Uma coisa te deve orgulhar e a todos os freamundenses: acabas como nasceste - livre, aberto, sem redes de protecção à tua volta obrigatoriamente levantadas. Este deve ser o teu grande orgulho e uma medalha de tácito louvor à assistência freamundense que sempre acolheste e que, nem sempre ordeira e acatadora das injustiças que, por vezes, alguns dos chamados juízes de campo ali vieram impor, sempre soube não pisar o risco das conveniências que te obrigariam à morcaça de rede que maculou a quase totalidade dos campos de futebol nacionais...
E, para terminar, e no jeito das minhas coisas sobre teatro, deixem-me contar-lhes porque ESTA É MESMO VERDADEIRA...O senhor árbitro apitara para o final da primeira parte. O trio de arbitragem dirigia-se, calmamente, para os balneários. A seu lado, num passo de igual cadência, seguia o "Quim Bica", que imaginava maroteiras como hoje imagina as suas obras de arte. O árbitro, sempre a andar, olha para o céu, muito nublado, e comenta:
- Somos capazes de ter chuva na segunda parte..."
-Está enganado, senhor árbitro. - contesta o Bica: Aqui em Freamunde, quando ao Domingo o céu está assim carregado...ao outro dia é Segunda-Feira..."
Parece que o árbitro não achou graça à piada, uma vez que, logo ao começar a segunda parte, à mínima coisa que o Bica fez, lhe apresentou logo o "cartão vermelho"...

FERNANDO SANTOS (EDURISA, FILHO) - "COISAS MINHAS"

Para quem não conhece este senhor, aqui fica o link para o ficar a conhecer um pouco mais.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O "novo" Estrelinha


O blog "Estrelinha", do Departamento Juvenil do Sport Clube de Freamunde, está novamente on-line agora com um novo visual. Agora estará sempre actualizado com informação sobre as camadas jovens do Sport Clube de Freamunde.
O endereço mantém-se: estrelinhascf.blogspot.com/