sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Festas Sebastianas sobrevivem à crise

Apesar do contexto económico menos favorável que o país em geral e o concelho em particular já há alguns anos, as várias Comissões que ano após ano têm sido incumbidas de fazer perdurar uma tradição secular, têm sabido ultrapassar as dificuldades. Tendo consciência do carácter único das Sebastianas, que são um marco para um povo e pelo qual todos anseiam durante um ano, a "Gazeta" aproveitou a iniciativa que juntou muitos dos ex-festeiros desta festividade para perceber o que cada um sentiu e se consideram que as Sebastianas poderão continuar a ser feitas da mesma forma como tem acontecido.
A actual comissão das Festas Sebastianas realizou no passado Sábado, dia 23, uma iniciativa em que pretenderam juntar ex-festeiros das Festas Sebastianas para que dessa forma pudessem novamente reviver alguns dos momentos por que passaram e também ajudar a actual comissão a angariar fundos.
Apesar de ser a primeira vez que esta iniciativa foi realizada foram muitos os que responderam ao desafio que lhes foi lançado. Sendo uma festa com muitas particularidades a "Gazeta" achou por bem aproveitar esta ocasião para relembrar alguns dos episódios que se passaram em anos anteriores, explicar quais as razões que levam a que ano após ano os orçamentos se mantenham iguais apesar do contexto económico menos favorável.
Apenas pudemos falar com algumas das comissões e todas destacaram alguns elementos que consideram fundamentais para que as Sebastianas se continuem a realizar por muitos e bons anos.
Todos destacaram que ser festeiro é um dos requisitos que se impõem a todos os freamundenses, mesmo aqueles que vêm viver para a cidade posteriormente. Realçam ainda que durante esse ano tudo fica um pouco para trás, a família, os amigos e os hobbys, para se dedicarem de corpo e alma às Sebastianas.
Reúnem-se diariamente com um grupo de amigos, alguns deles com quem até não tinham grande convivência, mas que se criaram laços que irão perdurar por toda a vida.
Todos destacaram ainda a mística da população freamundense que vibra com estas festas e que anseia pela sua chegada um ano inteiro contribuindo com aquilo que podem, e por vezes com aquilo que não podem.
A actual comissão de festas consciente que terá mais dificuldades em angariar fundos, devido à crise, além das iniciativas habituais (torneio de futsal, presença na festa de Nossa Senhora da Conceição e Santa Luzia, torneio de sueca) têm também primado pela diferença e realizado algumas iniciativas originais para poder compensar alguma quebra em termos de patrocínios.
"Nas Sebastianas realiza-se o maior festival de música do país com entrada livre".
Destacando como principais elementos das Sebastianas o fogo-de-artifício, os concertos, as marchas e a procissão, os festeiros da actual comissão quiseram realçar ainda o carisma e a mística de todos os freamundenses como um dos aspectos mais marcantes desta festa que tem conseguido sobreviver a todas as contrariedades.
Para finalizar revelaram que foi um grande orgulho terem aceite o convite que lhes foi endereçado, que é com grande prazer que têm desenvolvido o trabalho necessário para atingir os objectivos a que se propuseram, mas que têm consciência que só irão usufruir verdadeiramente dos efeitos desta experiência passados uns anos quando tiverem a oportunidade de se juntarem novamente, talvez até no convívio de ex-festeiros, e relembrar alguns episódios que marcaram a passagem de todos pelas Sebastianas.
In "Gazeta de Paços de Ferreira"

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Feira outlet

Dias 12, 13, 14 de Fevereiro
Pavilhão das Sebastianas
Entrada gratuita
A não perder...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

1º convívio de ex-festeiros das Sebastianas

Uma belíssima iniciativa da comissão de Festas Sebastianas 2010, juntou algumas dezenas de ex-festeiros no pavilhão das Sebastianas. Posso dizer que este primeiro convívio de ex-festeiros foi um verdadeiro sucesso. Mais do que um convívio, foi uma maneira agradável de se ficar a conhecer as Sebastianas de outros tempos, através dos cartazes e panfletos expostos, verdadeiras relíquias...Por exemplo, pudemos encontrar cartazes dos anos vinte do século passado. Foi um matar de saudades das nossas queridas Sebastianas...Recordar-mos as peripécias que passamos enquanto festeiros...Uma belíssima iniciativa que se deve repetir nos próximos anos. Parabéns comissão de Festas Sebastianas 2010. Parabéns por nos proporcionar este belo momento.

«Rasgos de euforia, embebidos em promessas de trabalho árduo e constante, sementes férteis de ilusão, dedicação abundante que faz esquecer tudo e todos, deixando-nos apenas uma coisa na nossa retina: As Festas! As nossas Sebastianas!...
Um ano em que todos nós (festeiros) nos dedicamos a esta causa de forma simples, prática e acima de tudo pura, não só pelo que realmente fazemos, mas também por aquilo que afinal conseguimos fazer e que jamais acreditávamos ser possível realizar...Esta é a vida do festeiro, que nos enche de orgulho e faz de nós unicamente aquilo que somos: Freamundenses...»
Um festeiro

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Textos sobre a cidade

FREAMUNDE, TERRA DE PAZ DE AMOR E LIBERDADE
Ao romper da linda aurora,
Quando o sol te vem beijar,
Estou longe mas toda a hora
Sinto o teu coração palpitar.
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Trago no peito um país
Que me dá um pão tão duro.
Freamunde é de raiz
Terra de progresso e futuro.
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Teu povo é um folião,
Na humildade uma certeza,
Pronto a ganhar o pão
Que come na sua mesa.
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Recordo tempos antigos,
Mas sinto um desgosto profundo
Recordo tantos amigos
Que partiram deste mundo.
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Tu em mim bem acreditas
Não sou p'ra brincadeira,
És a sala de visitas
Do concelho de Paços de Ferreira.
CHILE - FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR

POESIA - 1987


domingo, 10 de janeiro de 2010

Freamunde vestida de branco...

Fez ontem precisamente um ano que nevou pela última vez em Freamunde. Hoje a natureza, em jeito de comemoração, brindou-nos com um pequeno nevão. Por cá são momentos únicos que eu, forçosamente, não poderia deixar de passar em claro este belo brinde. Ficam as fotografias...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Personalidades freamundenses

1999. Junto à Capela de Fradelos (com 65 anos)
O Padre Leonel Camelo de Oliveira nasceu em Freamunde no dia 9 de Maio de 1934 e foi baptizado poucos dias depois, no dia 21 do mesmo mês. Filho de Ana Joaquina e Leonel Oliveira, foi o quarto e último filho do casal.
Com 13 anos foi estudar para o Colégio do Carmo, em Penafiel, e com 16 matriculou-se no Liceu Alexandre Herculano, no Porto. Mais tarde, uma profunda conversão interior leva-o a ingressar no Seminário da Diocese do Porto; depois de dois anos em Vilar, fez os estudos teológicos no Seminário da Sé: "Desde o meu curso de Teologia que me sinto devorado pelo desejo de tudo saber, o que se passa, o que se pensa, o que se diz. Foi a Teologia que me despertou para o Mundo". Foi ordenado padre presbítero no dia 3 de Agosto de 1958, pelo então Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes.
Durante seis meses esteve como coadjutor na Paróquia de Santo Ildefonso. Entretanto, o administrador apostólico, D. Florentino de Andrade e Silva, em Setembro de 1959, nomeou-o coadjutor da Paróquia de Leça do Balio, com a missão específica de trabalhar pastoralmente a área do Padrão da Légua, com vista à criação aí de uma nova paróquia, o que veio a acontecer em 1964.
Leonel Oliveira, viveu, durante mais de quinze anos, uma intensa e criativa experiência paroquial no Padrão da Légua: "Passei a vida a juntar pedras, pedras-vivas bem entendido. Escrevi montanhas de folhas que nunca coleccionei, pois sempre as quis espalhadas ao vento. Fiz milhares de reuniões, de casa em casa, de rua em rua, pastoral de rua. Construí barracos, muitos barracos,tendas de reunião. Duma só coisa quis saber entre eles, os homens meus irmãos: de Jesus Cristo".
Em 1957 parte para outros caminhos nos passos e actos dos Apóstolos da Sé, já em 1976. Durante esse período trabalhou como marceneiro e carpinteiro e reencontrou, num bairro em ruínas, os pobres da sua infância: "Não basta amá-los".
Durante essa fase da sua vida, celebrou a Eucaristia e colaborou na Comunidade da Serra do Pilar, com o P. Arlindo Magalhães. Depois de um período muito intenso de encontros e desencontros, esse foi um tempo de circunspecção: "São precisos anos para que se esqueçam de nós". No Bairro da Sé começou uma luta contra as ruínas que matam por dentro as pessoas que vivem no meio das ruínas. Nasceu assim o Grupo de Apoio ao Bairro da Sé, que o P. Leonel introduz deste modo: "De simples moradores da Freguesia da Sé, que éramos, resignados e habituados ao Horrível, quase insensibilizados para as realidades gritantes ao pé da nossa porta, somos agora uma população consciente dos seus próprios problemas, dos direitos que nos assistem, e dos lugares onde de uma forma autorizada e reconhecida, constitucional, podemos ser voz dos que não têm voz".
Em 1995 o Bispo do Porto, D. Júlio Tavares Rebimbas, a pedido dos párocos da cidade, criou o Centro Catecumenal da Igreja do Porto e nomeou o P. Leonel Oliveira como responsável pela iniciação de adultos em-Cristo e na-Igreja. Começava uma etapa que exigiria a sua intrínseca e criativa apostolicidade: "A busca, como doutrina e como prática, da mais eficiente instituição que na Igreja fez Cristãos, foi escola de Santos, treinou os Mártires, formou os Doutores, deu à Igreja os seus mais famosos Bispos e, mais tarde, os Monges, forneceu o quadro vivo da Reconversão e donde partiram, como matriz, e se desenvolveram, as escolas da Actividade Teologal. Catacumenado de que a Igreja nunca perdeu o rasto, ainda que lhe tenha perdido a forma sob a avalanche da conversão maciça de povos e nacões inteiras. Catacumenando agora necessariamente exigido no crepúsculo da Cristandade e por força das disposições preliminares do Novo Ordo quanto à Iniciação Cristã dos adultos".
Em 1996 o P. Leonel Oliveira foi nomeado reitor da Capela de Nossa Senhora da Boa Hora de Fradelos, onde há já alguns anos celebrava a Eucaristia e onde, desde 1991, exercia as funções de capelão: "Neste momento sou um siples capelão, e faço a experiência fascinante de exercer o meu ministério presbiteral num espaço não necessário, o que me exige um esforço teologal de aprofundamento do lugar de uma pequena capela no centro e nas encruzilhadas da cidade".
Em 2002 D. Armindo Lopes Coelho, então Bispo do Porto, disponibilizou uma casa na Rua de Costa Cabral para o Centro Catecumenal, onde Leonel Oliveira passou a residir.
José Rui Teixeira - "Duma só coisa quis saber"
No dia 3 de Agosto de 2008, a Associação "Pedaços de Nós", realizou a exposição "Bodas de Ouro do Padre Leonel Oliveira", no ano em que comemorou as bodas de ouro do seu sacerdócio.

1958. Com a família. Entre os pais, Leonel e Ana Joaquina.
Em cima, os irmãos: Maria Ângela, Manuel e Irene.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

De aldeia a vila...de vila a cidade

" Em Freamunde, terra de saúde, de paz e de sossego, de trabalho e de ordem, tem lugar quem precisa de descanso do corpo ou do espírito para a luta para a vida, ou quem queira aprender, na luta para a vida, ou quem queira aprender, na luta pela vida, no livro dos exemplos locais, a satisfação plena de consciência, com vitória, sobre as contigências que nos rodeiam".
Alberto Cruz in "O Comércio do Porto, nos anos 20".
No início do séc. XX e por via dum trabalho denodado da sua população, Freamunde já se distinguia no contexto concelhio. Havia um grande dinamismo económico, já um certo movimento associativo e vontade comum de dotar a freguesia dos melhores equipamentos e da melhor qualidade de vida.
Com um progresso assinalável e evidente, a Junta de Freguesia conseguiria a sua elevação a Vila pelo Dec-Lei nº 22656 de 13 de Junho de 1933, lendo-se no preâmbulo "A importância atingida pela povoação de Freamunde e o seu movimento industrial e comercial justificam sobejamente a solicitação dos seus habitantes no sentido de ser elevada à categoria de Vila". Motivo mais que suficiente para uma grande festa popular. A Junta de Freguesia era constituída por Arnaldo Brito, Abílio Barros e Armando Oliveira, tendo contado com a preciosa colaboração do então Tenente Alves de Sousa, que tinha uma posição priviligiada em Lisboa.


Dec-Lei nº 22656 de 13 de Junho de 1933 - Elevação à categoria de vila.
Dec-Lei nº 36/2001 de 12 de Julho de 2001 - Elevação à categoria de cidade.

Medalha comemorativa do cinquentenário da elevação de Freamunde à categoria de Vila - 13 de Junho de 1983.
À medida do sonho que sempre marcou presença e norteou a vida desta gente, Freamunde tem vindo a crescer a vários níveis, a tal ponto que foi reunindo os requisitos necessários para poder candidatar-se à ascensão a cidade.
Em trabalho concertado com a Junta de Freguesia, que era constituída por Presidente; António Maria Leão Torres Correia - Tesoureiro; José Maria Taipa Pinto Nogueira - Secretário; Manuel Abílio Costa Pinto Carneiro - Vogal; Maria Madalena Barros Lima e Vogal; Manuel de Jesus Gomes Mendes e depois de aprovado na Assembleia de Freguesia, Câmara e Assembleia Municipal, o deputado do CDS/PP Nuno de Melo desencadeia um processo que levaria à aprovação unânime na Assembleia da República a 19 de Abril de 2001. Perante uma multidão de Freamunde que, nas galerias e nos corredores do Parlamento, esperava com ânsia e sofreguidão pela palavra "Aprovado", fizeram intervenções na defesa da proposta, o referido deputado do CDS, Manuel Moreira, deputado pelo PSD (que também teve papel importante em todo este processo) e Honório Novo, do PCP.
Foi um momento singular naquela casa, quando a palavra esperada foi proferida pelo Presidente da Assembleia da República, Almeida Santos, que se mostrou profundamente compreensivo com as variadas e ruidosas manifestações de alegria por parte daquela gente que viajou mais de 300 km para ouvir "in loco" a aprovação de que hoje se orgulha. Ao mesmo tempo estalavam foguetes em Freamunde, porque nascia Freamunde como cidade. Uma nova etapa da sua história começou aí.
Intervenção do deputado Nuno de Melo na defesa da elevação a cidade
"Começo por Freamunde, vila integrada no concelho de Paços de Ferreira. Trata-se de uma vila com fortes tradições e que, nos últimos anos, tem vindo a evidenciar um grande desenvolvimento, nomeadamente social, económico, cultural, desportivo e outros.
Importa salientar, por isso mesmo, que a iniciativa para elevação desta vila à categoria de cidade apenas peca por tardia. Seja como for, relativamente, à mesma, e pese embora a diligência de muitos, manda a justiça que refira, em particular, o arquitecto Firmino Meireles e o Dr. Álvaro Castello Branco a quem coube a paternidade da ideia, bem como o seu esforço e o dos representantes políticos da vila, em particular do Presidente da Junta, António Correia, na respectiva concretização".
Freamunde - Apontamentos para uma monografia