quarta-feira, 24 de março de 2010

Alguns adágios mais significativos para as gentes e factos de Freamunde

"Conceição chora, Luzia ri"
"Conceição ri, Luzia chora"
"O que não se faz no dia de Santa Luzia, faz-se ao outro dia"
"Pela Santa Luzia cresce a noite e minga o dia"
"Conjuge o dia com Santa Luzia"
"Laranjas de manhã ouro, de tarde prata e à noite mata"
"Queres ver o dia? Pede a Santa Luzia"
"Casa quanta caibas e terra quanta vejas"
"Santa Luzia é quem te guia"
"Deus não castiga pela vingança, castiga pela mansa"
"Quem fez a casa na praça
A muito arriscou...
Uns dizem que ela é baixa
Outros que de alta passou"
"Quando o pai dá ao filho
Ri o pai e ri o filho...
Quando o pai dá ao pai
Chora o pai chora o filho"

AS DANÇAS
A existência antiga de Corporações de Artes e Ofícios em Freamunde, comprova-se também pela exibição de certas danças em que se destacam a "Dança dos Alfaiates" e a "Dança dos Pedreiros".
"Quatrocentos alfaiates
Todos postos em campanha
Com agulhas e tesouras
P' ra matar a bicha aranha"
Há notícia de que, pelo Carnaval de 1895 (12 de Março) a dança dos alfaiates de Freamunde esteve em Sobrão e Meixomil.
Mas também existia a "Dança dos Pedreiros" e sabe-se que de Freamunde partiu um grupo para a festa da Senhora das Candeias, em S. Brás, Frazão em 1895, com os homens de calças brancas..
"Nós somos todos pedreiros
Que vimos de trabalhar
Sabemos erguer socalcos
E casas a retalhar"
As danças ajudavam a vencer a solidão e o isolamento...
"Freamunde - Apontamentos para uma monografia"

segunda-feira, 22 de março de 2010

Parabéns Juvenis

Os Juvenis Sub-17 do Sport Clube de Freamunde apuraram-se para a segunda fase do Campeonato Nacional de Juvenis. O jogo disputado ontem, no centro de estágios do Luso, frente à Académica de Coimbra, terminou empatado a uma bola. No desempate do jogo, através da marcação de grande penalidade, a equipa liderada por Tonanha, acabou por vencer por 0-3.
Pela primeira vez na história do clube, os Juvenis Sub-17, vão agora disputar a segunda fase do Campeonato Nacional de Juvenis com o Feirense, o Vitória de Guimarães e o Boavista.
Parabéns à equipa e à equipa técnica.

domingo, 21 de março de 2010

Cromos 2009 - 2010

Já se encontram à venda em diversos estabelecimentos de Freamunde a colecção de cromos 2009 - 2010 do Sport Clube de Freamunde. Coleccione. Está a ajudar o Departamento de Futebol de Formação. Num estabelecimento mesmo perto de si...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sport Clube de Freamunde 1933 - 2010

OS PRIMEIROS CONFRONTOS
Em Dezembro de 1934 é convidado o Sport Club Sobrosa para um jogo que serviu de experiência ao novo campo do clube, privado ainda de indispensáveis balneários, construídos tempos após e que constavam de uma periclitante estrutura de madeira, pintada a azul, de telhado clássico e com um pequeno gradeamento frontal, assente no solo a uns quinze / vinte metros da porta de entrada principal, a norte do "Carvalhal". Em frente ergueu-se, mais tarde, um frondoso carvalho - felizmente ainda resiste - implantado pelo Freamundense João Pereira, mais conhecido por João "Ovelha". A árvore veio do Marão, trazida por um tal Mendes, chefe dos cantoneiros, natural de Felgueiras, que correspondeu afirmativamente e com enorme prazer ao pedido formulado por Hermínio Pinto, dirigente de então. Para suprir tal lacuna os jogadores serviam-se de pequenos aposentos de uma casa particular pertença de Maximino da "Eira", mais tarde sogro do atleta Alberto Augusto. A vitória sorriu aos anfitriões por uns concludentes 10 - 0.
Testemunhos da época referem que a jornada foi um êxito total, pelo número e qualidade de espectadores e também pelo interesse despertado
Cerimónia essa que jamais se apagará da memória de quem teve o previlégio de assistir e participar, e do coração de quem esperou e lutou por esse momento.
O que de mais relevante ressaltou do acontecimento foi a adesão de entusiastas, figuras públicas incluídas, o ambiente de festa que rodeou a peleja e a goleada - é sempre bom ganhar-se mesmo num jogo a "feijões" - imposta pelos rapazes aos ilustres visitantes.
Para os intervenientes directos foi, sem dúvida, um dia de rara felicidade, compreendendo-se o que para eles representava vestir, em data simbólica, a camisola que era uma paixão.
Uma semana depois os "Onze Vermelhos" recebem e derrotam copiosamente os "Scouts" (Escuteiros) do Vasco da Gama, da Vila de Paços de Ferreira, por 13 - 0.
"Foi um para cada um e ainda sobraram dois". Assim nos contava, vezes sem conta, com os olhos a brilhar, Cândido Pinheiro, atleta desse lendário grupo.
Para a disputa da Taça "Aniversário do F. C. Lagoense" disputou-se no campo deste um encontro que opôs as formações dos Onze Vermelhos e o S. C. Penafiel. O empate a duas bolas foi o resultado final.
Relatam as crónicas de então: "O árbitro, embora razoável no primeiro tempo para uns e no segundo para outros, não pôde contentar a todos e assim, fez com que parte da assistência, invadindo por vezes o campo, invectivasse o árbitro, incitando os jogadores".
O ritual de insultos entre adeptos, antes e durante os jogos, era uma constante, para além dos habituais piropos aos adversários e aos, por vezes, improvisados árbitros, e de uns tantos confrontos com elementos da força da ordem (Regedores e respectivos Cabos) que às vezes deixavam algumas marcazitas. Coisa "pouca" como se vê...
Os desafios não eram, portanto, lá muitos pacíficos, causando impressão o ambiente que os rodeava. Eram mesmo durinhos a roçar a brutalidade. O que deveria ser um simples jogo de futebol, brincadeira com bola, "descambava" para a violência. Não raras vezes - parecia que tinham chegado da guerra - era ver os atletas de narizes e dedos a sangrar, pernas desfoladas, braços ao peito, ossos à mostra, tornozelos torcidos...Problema delicado o do policiamento dos recintos, necessário por temor de invasão ou outras escaramuças, mal de que padecia e padece, o futebol.
Outros encontros de carácter amigável se disputaram contra, por exemplo, o S. C. Pacense (3 - 1), o S. C. Penafiel (4 - 1), Lagoense F. C. (7 - 1 e 3 - 0), Grupo Caldas da Saúde (6 - 3) "Centenas de pessoas assistiram ao jogo sem alterações à ordem", Louzada (6 - 2 e 3 - 2) "Jogo quezilento e interrompido várias vezes devido a cenas de pugilato entre os jogadores", Figueirense F. C. (4 - 4), Leões Sé do Porto (3 - 1) e Marco S. C. (4- 2 e 4 - 4).
Em Março de 1935 tinha sido o campo de futebol desta Vila - denominado de "Carvalhal" por se situar no lugar do mesmo nome -, por muitos entendidos considerado um dos mais funcionais e modernos da província.
Bom, mas o mais importante de tudo era já haver um espaço onde se pudesse praticar o futebol e onde se escreviam algumas das "Páginas Futebolísticas" mais brilhantes da respectiva história.
Ao Carvalhal passaram a convergir, durante anos e anos, milhares de homens, mulheres e crianças que, com a sua alegria, a sua entrega, tanto a participarem como só a verem ou a apoiarem, fizeram do Freamunde um clube diferente, do qual todos gostamos.

Equipa (Época 1938/1939)

Em cima: Leonel - Maximino "Frita" - Chico "da Fonte" - João Taipa - Agostinho Machado "Barroco" - Boaventura

Em baixo: Maximino "da Couta" - Zeca "Rabão" - Alberto Matos - Zeca "Pequito" - Belmiro "da Riqueta"

A FILIAÇÃO
Em Novembro de 1935 é extinta a denominada Liga Invicta e o Freamunde Sport Club filia-se na Associação de Futebol do Porto, preparando-se para entrar no Campeonato da Promoção.
O azul passaria a ser a referência predominante da sua bandeira. O Clube optava por camisola e meias desta cor e calções brancos, tonalidade que ainda hoje perduram. e porquê esta alteração na indumentária?...Conta-se que nesses remotos tempos a povoação integrava comunidades judaicas - o sobrenome de vários freamundenses "Pinheiro, Carvalho, Pereira, Nogueira...(alusão a árvores, sobretudo de fruto)", é ilucidativo - , daí a cor azul e o emblema do nosso orgulho ser "sósia" da Estrela de David, já, portanto, com seis vértces e não cinco como anteriormente.
O futuro começava a construir-se. O denominado "Desporto Rei" ia tomando grande desenvolvimento nesta terra, passando a visitar-nos clubes de assinalado valor.
O Freamunde alinhava quase sempre com rapazes naturais da Vila, alguns jeitosos e muito prometedores, mas faltava-lhe alguém que ministrasse alguns conhecimentos futebolísticos enfim, que soubesse da poda, mas também tivesse o cuidado de formar outros tantos, pois as deserções eram uma constante e o Clube via-se na necessidade de convidar jogadores da cidade do Porto.
Francisco Castro
O RECRUTAMENTO PARA APRENDIZAGEM

Aparece então em finais de 1935 ao lance de um grupo o conhecido e valoroso internacional do F. C. Porto, Francisco castro, campeão de Portugal em 1930/1931 e da 1ª Liga em 1934/1935.
Da revista "Stadium" extraímos esta deliciosa referência sobre o perfil do orientador : " Filho de uma talhante - possuidor de metade de estabelecimentos comerciais do género, no Porto - só gostava de sardinhas. Jogador polivalente, actuava preferencialmente a ponta esquerda, por sinal onde menos dava nas vistas. Nos outros lugares, inclusive no de guarda redes, era imbatível. Craque também no jogo das cartas, ninguém o levava...a não ser quando encontrava nas visitas a Lisboa, determinada "Rosa"...Para os colegas era o "arrasta".
Com tantos atributos os freamundenses ganhavam alma, alento. Francisco Castro iria ter o pivilégio de orientar uma das melhores "linhas" de sempre do onze da "terra dos capões".
Alberto "Botas", Bica I e Cândido; Pinheiro, Correia e Careca; Pinto, Bica II, Moreira, Jerónimo e Firmino.
Correia (António Aloísio), natural do Porto, onde chegou a alinhar na formação do Wanzeleres, tinha-se transferido do F. C. Pacense para o Freamunde Sport Club.
Jerónimo (proveniente do Salgueiros) - irmão de Miguel que por cá também deu alguns pontapés na bola antes de incorporar na GNR, posto de Faro -, era filho da senhora Mariquinhas do Porto, de onde eram naturais. Entretanto, a família radicou-se em Freamunde, na procura de emprego, vindo a morar numa das casas de Serafim Pacheco Vieira (Pai das "meninas Vieiras"), no túnel do Carvalhal, bem perto do então Quartel dos Bombeiros. Jerónimo e MIguel, conjuntamente com os irmãos Cristovão e José, eram exímios jogadores da "malha".
Ao iniciar-se o ano de 1936 o Freamunde Sport Club, já em pleno Campeonato da Promoção, mede forças com congéneres de alguma nomeada: F. C. Campense (7 - 1), Ginásio Club Laborim - V. N. G. (6 - 0), Sporting Club Famalicão (5 - 2), Sport Club Wanzeleres - Porto (1- 1) "Durou apenas 45 minutos devido ao mau tempo", Sport Comércio e Salgueiros (3 - 6), Club Desportivo Costa Cabral (6 - 0), Sport Club Penafiel (2 - 2), Sporting Club Baliense (3 - 1), Sport Club Barros Lima (3 - 5) e Atlético Águas Santas (3 - 1).

Equipa "Classe Infantil" - Época 1935/1936

Em cima: João Taipa - António "Pataco" - Fernando Rego - Rodrigo "Passarinha" - João Campos - Maximino "Frita" - Miguel - Belmiro "da Riqueta"

Em baixo: Manuel "Bica" - Amâncio Torres - Zé "Baião"

DOS "PEQUENOS" TAMBÉM REZA A HISTÓRIA

Em Meixomil, por estas alturas, teve lugar um encontro de futebol da classe infantil, que opôs as formações da U. D. Paços de Ferreira e do Freamunde S. C.. Venceram os miúdos do "Carvalhal" por 4-2. O seu responsável técnico era o então jogador e sub-capitão do grupo principal, António Aloísio Correia. Este "mister" improvisado assentou arraiais, definitivamente, nesta Vila ao contrair matrimónio, em Dezembro de 1936, com Etelvina Gomes Bessa, filha do Regedor Joaquim Bessa Ribeiro.

No jogo de retribuição - contou-nos João Taipa - inverteram-se os papéis e os vizinhos venceram por 2-1. " Nesta partida fui excluído do onze por me encontrar lesionado numa das mãos, sendo substituído na baliza pelo Casimiro "Vaidoso". Efectuamos depois mais alguns desafios com o Lagoas, Colégio de Lousada e S. Martinho do Campo. Aqui, goleamos por 4-0. Os golos foram todos da autoria do António "Pataco", após assistências perfeitas do "Zé Baião". "Zé Pinga", para os amigos, por ser admirador confesso desse portentoso atleta do F. C Porto, Artur de Sousa "Pinga". O "Zé" era um franganote mas "rabiscava" que se fartava".
Facto curioso da baliza ser ocupada por aquele que viria a tornar-se numa das lendas do Clube "azul": João Taipa.
E tem uma história este facto; Porquê na baliza e não na posição onde mais tarde se viria a evidenciar?...Pois bem, andava o Joãozinho no primeiro ano de escolaridade - tempos de sacola de pano e pequena ardósia -, tendo como professor Francisco Valente, quando nas escolas amarelas da Rua do Comércio, em tempo de recreio, se formavam entre os alunos duas equipas para os habituais jogos de futebol, com uma bola feita de trapos e sempre sob o olhar atento do Mestre. Como infelizmente nesse tempo quase todos os alunos andavam descalços, e porque só um ou outro usavam botas ou chancas, (Joãozinho incluído), o professor Valente colocava-os na ingrata posição de guarda redes (aos possuidores de calçado, claro), remediando assim a situação.

Envelope. O ecletismo do clube, bem vincado neste envelope

OS PRIMEIROS GRANDES "DERBYS"

Para a época 1936/1937, a preparação técnica da rapaziada foi entregue ao cuidado de Fernando Sacadura, categorizado jogador do F. C. Porto. (Na época seguinte, este defesa lateral direito do clube da cidade invicta foi, sob a orientação do treinador Miguel Siska, um dos catorze jogadores integrantes da equipa que conquistou o campeonato nº 1 da primeira divisão nacional).
No entanto, para que tudo corresse sobre esferas - fazia-se o possível e por vezes o "impossível" - era necessário que todos os jogadores estivessem dispostos a assimilar os ensinamentos que lhes eram ministrados e que fossem assíduos aos treinos. Estímulos poucos havia, apenas perdurava o amor à camisola.
As condições disponíveis ao nível de equipamentos eram bastantes precárias. As vestimentas, sobretudo as de treino, mostravam-se quase sempre rotas e desbotadas, não coincidindo umas com as outras, nem na forma, nem na cor. Quanto a calçado, era o que calhava. Coitados! Eram uns pobretanas!...
Para além do "mister" referido, ingressa no Clube, proveniente do Wanzeleres, o promissor atleta Alberto Augusto.
Nesta temporada o Campeonato Regional foi disputado em duas Séries:
Série "A": Sport Club Penafiel, União Desportiva Penafidelense, União Desportiva Paços Ferreira, União Desportiva Paredes e Freamunde Sport Club.
Série "B": Amarante, Felgueiras, Lixa e Marco.
Existiam, como se pode verificar, várias equipas no Vale do Sousa e concelhos limítrofes. Os jogadores mais cotados reforçavam-nas, em determinadas alturas, porque não tinham vínculos que, legalmente, os prendessem aos Clubes.
Era, portanto, possível um futebolista alinhar, hoje, por um lado e, amanhã, pelo outro. Se no plano desportivo as coisas caminhavam mais ou menos bem, no financeiro já não era tanto assim.
Era quase sempre necessário recorrer aos carolas. Estes não abriam os cordões à bolsa só por mero protagonismo, faziam-no, isso sim, por paixão, por amor a uma causa que consideravam justa. Outros tempos!...Era a altura dos sócios protectores - desembolsavam, por norma, quantias superiores aos dos denominados contribuintes.
Mas...é caso para perguntar: Não existiam subsídios para jogar? Qual quê!...De vez em quando qualquer coisa para trincar...um bocado de broa, umas lascas de bacalhau com azeitonas e uma malguita de vinho para refrescar as goelas sequiosas.

Lopes Carneiro

O 1º GRANDE TÍTULO
O FREAMUNDE S. C. SAGRA-SE CAMPEÃO DA 3ª DIVISÃO DISTRITAL
Para a campanha desportiva de 1941/1942, o Freamunde Sport Club é enquadrado na zona do Porto, disputando aSérie A da 3ª Divisão Regional, ao lado do Sport Progresso, Atlético Club de Rio Tinto e Figueirenses, congéneres que enfrentava pela primeira vez.
Com Lopes Carneiro, atleta do Futebol Clube Porto, no comando técnico, a ambição era desmedida pois o grupo, composto de jovens de inegáveis recursos, dava garantias.
Lopes Carneiro era nos meios desportivos um fenómeno de popularidade. Dele, aqui ficam respigados alguns pedaços de trecho, inseridos na "Stadium": "Filho de Juiz de Tribunal da Relação, tinha uma facilidade espantosa para perder anos de liceu, por mais que se zangasse o velhote. Era para uns "o ponto e vírgula", para outros "o contra peso". Uma vaidade: O sorriso ao entrar em campo."
Com tamanha vedeta do principal clube do Porto a liderar, e logo filho de Juiz, à terceira será de vez; comentava-se à boca cheia nas tertúlias da Vila.
Porém, logo no primeiro desafio do Campeonato, no campo do Ameal, reduto do S. Progresso, a equipa mostra falta de humildade e personalidade, saindo derrotada copiosamente por 8-2, de nada valendo os golos de João Taipa e Alberto Matos.
Mas os rapazes, embora reconhecendo a superioridade do adversário, não ficaram convencidos.
Feridos no seu orgulho, logo deixaram advinhar que o próximo pagaria as "favas".
Era, contudo, necessário e importante dar as mãos, unir esforços. A tarefa era árdua, mas sedutora, e quase sempre gratificante.
A vítima acabaria por ser o Atlético Rio Tinto, incapaz de se opôr à garra e determinação dos azuis e brancos. 3-0 para os locais, foi o resultado final.
Na terceira jornada, o anfitrião Freamunde recebeu a ilustre equipa do Figueirenses.
"Aviados" estes por uns claros 3-1, o mau tempo já lá ia, ressurgindo a esperança.
Para o desafio que marcava o início da segunda volta havia enorme expectativa, tanto dos jogadores como do próprio público afecto, pois o adversário dava pelo nome de Sport Progresso, de tão más recordações.
Mas os briosos atletas do Freamunde não estiveram mesmo com meias medidas, despachando o seu valoroso opositor por 2-1, naquela que foi uma das melhores jogatanas até então.
O "Carvalhal", a rebentar pelas costuras, registou a maior enchente da época e da vida do Clube.
Definitivamente cientes do seu real valor, o onze da "Terra dos Capões" fixava os olhos na conquista do título. Os jogadores, motivados, lutavam até à exaustão para atingir os objectivos.
Para Rio Tinto, no campo do Atlético, a equipa arrasta inúmeros fiéis.
Os dois pontos da ordem - vitória por 2-1 - estão cada vez mais no "papo" e a glória ali tão perto.
O Freamunde botava figura, saindo da cepa torta.
O último e decisivo jogo, no Campo do Curim com o Figueirense, foi dramático.
O Freamunde, fazendo uso da sua melhor valia técnica, vence tangencialmente e com evidentes dificuldades por 2-1, trazendo para a sua terrinha o primeiro grande triunfo: conquista da Série A da 3ª Divisão Regional, com 15 pontos, seguido do Sport Progresso (12 pontos), Atlético Rio Tinto (11 pontos) e Figueirense (10 pontos).
O seu principal artilheiro foi João Taipa com 9 golos. Alberto Matos "facturou" por 3 vezes, cabendo os restantes 2 a Adão Viana e Alberto Augusto.
Depois - e aqui é que a porca torce o rabo - o Freamunde teria que medir forças com os Unidos (ex-Cuf), grupo de reconhecido valor, vencedor da Série B.
No primeiro embate, no campo do Carvelhal, sob a direcção do juiz Mário Correia, os locais esmagam o se adversário por um robusto 5 -1. Sem espinhas, pois.
Os forasteiros, dignos e briosos, bem tentaram ripostar mas foram infrutíferas todas as tentativas para conseguir atenuar a fogosidade dos rapazes de azul vestidos. João Taipa (2), Alberto Matos (2) e Adão Viana (1) foram os autores dos tentos do onze do "Carvalhal" que alinhou da seguinte forma:
Hercílio, Zinho, Leonel; Xico "da Fonte", Zé Viana e Samuel; Adão Viana, Alberto Matos, Alberto Augusto, João Taipa e Maximino "da Couta".
Mesmo perdendo o jogo de retribuição por 3 -1, o Freamunde conseguiria assim o seu primeiro Título de Campeão, conquistando de forma fulgurante apesar dos empecilhos lançados no seu caminho, como nos contou João Taipa. "Não foi nada fácil este jogo, pois logo de início deu para ver que ali havia espiríto santo de orelha. O árbitro, com cara de quem comeu o amargo pão da véspera, não trazia boas intenções, prejudicando descarada e escandalosamente a nossa equipa, levando ao desespero atletas e simpatizantes. O campo parecia que estava inclinado. Enfim, foi um ver-se-te-avias de decisões inqualificáveis que quase deitavam por terra todo o nosso labor e abnegação".
O Freamunde passava definitivamente do anonimato à ribalta. Estava robusto e garboso o "Capão".
A vila, em peso, engalanada com colchas do melhor linho, nas varandas dos prédios periféricos ao centro da povoação, recebeu os seus ídolos de uma forma carinhosa.
A Banda de Música da terra percorreu as principais artérias, executando trechos das suas lindas partituras, acompanhada de enorme multidão que se dirigiu, por fim, às imediações da Praça para em uníssono, entre palmas e vivas, saudar efusivamente os seus campeões. De todo o concelho saíram à rua fervorosos e indefectíveis adeptos do "emblema" azul e branco - que se iriam multiplicar em número e entusiasmo - correspondendo com grande alegria às manifestações de regozijo pelo êxito alcançado pelos heróis do "Carvalhal".

Taça de campeão 1941/42

O título "chorado" um ano antes era agora motivo de orgulho para todos os freamundenses. Houve festa, houve lágrimas de emoção, houve assomos indescritíveis de puro bairrismo. Finalmente, chegada aos jogos de passagem, a equipa já relaxada e sem os imprescíndiveis treinos, vê-se batida nos dois encontros, pelo F. C Gaia, pela marca de 3 -2.

Equipa campeã: Hercílio Valente, Zinho e Leonel; Samuel, Zé Viana e Xico "da Fonte"; Maximino "da Couta", Adão Viana, Alberto Matos, Alberto Augusto e João Taipa.

Alinharam ainda em dois jogos António Carvaljo "Pataco" e Ulisses Valente.

Para a entrega dos troféus aos detentores dos títulos conquistados nesta época, a Associação de Futebol do Porto levou a efeito, na sua sede da Rua José Falcão, uma Sessão Solene. O Freamunde Sport Club fez-se representar nas cerimónias pelos seu distinto Delegado Júlio Pinto Ribeiro Gomes.

Diploma de Honra

Fonte: "Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória"


sexta-feira, 12 de março de 2010

IV Seminário de Futebol do S C F : "Talento Para o Futebol"

No próximo ia 19 de Março, o Sport Clube de Freamunde vai levar a cabo o seu IV Seminário de futebol com o tema: "Talento para o Futebol".
Um prestigiado painel de personalidades ligadas ao futebol discutirão alguns dos temas mais pertinentes no desenvolvimento do beautiful game.
Destinatários: Público em geral, Técnicos de Futebol, profissionais e estudantes nas áreas da Fisioterapia, Enfermagem, Medicina, Educação Física e Desporto, Motricidade Humana e outros.
O S.C.F. procura criar condições para que os seus técnicos ligados à formação possam expandir os seus conhecimentos, reflectindo-se desta forma num trabalho ao nível da formação mais consciente e melhorado ao longo do tempo. Assim, considerámos importante neste momento em que a formação de jovens é tema central de debate da nossa sociedade, colocar ao serviço de todos os interessados, desde profissionais activos, estudantes, até aos mais curiosos do mundo do futebol, especialistas de variadas competências Humanas, Técnicas e Cientificas, que partilhem as suas experiências e conhecimentos, enriquecendo desta forma o futebol no seu conceito global.
PROGRAMA

MANHÃ
09:00h
ABERTURA DO SECRETARIADO
Recepção dos participantes e entrega de documentação
09:30h
SESSÃO SOLENE DE ABERTURA
Presidente do SC Freamunde
Presidente da Junta de Freguesia de Freamunde
Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira
Vereador do Desporto Câmara Municipal de Paços de Ferreira

“TREINO DE GUARDA-REDES”
10:00H Vital (Treinador Guarda-redes - S C Braga)
10:20H Neno (Treinador Guarda-redes - Vitoria Sport Clube de Guimarães)
10:40H Brassard (Treinador Guarda Redes - FPF)
11:00H Debate

“ENSINO DO FUTEBOL I”
11:30H Luis Castro (FCP)
12:00H Hugo Vicente (Director Coerver Coaching Portugal)
12:30H Debate
13:00H ALMOÇO

TARDE

“ENSINO DO FUTEBOL II”
14:30H Dr. Vitor Maçãs (Regente da Disciplina de Futebol do UTAD)
15:00H Dr. Jorge Pinto (Docente do Gabinete de Futebol da FADEUP)
15.30H Mestre Rui Pacheco (Coordenador da Escola de Futebol Hernâni Gonçalves)
16:00H Debate

“SCOUTING”
16:15H Prof. José Alexandre Carneiro (SCP)
16:45H Gonçalo Bexiga (SLB)
17:15H Debate
17:30H Coffe Break

“PROBLEMÁTICA DA TRANSIÇÃO FORMAÇÃO/SÉNIOR”
17:45H João Mário (Treinador - SCP)
18:15H Mestre José Guilherme (Treinador - FPF)
18:45H Prof. Ilidio Vale (Seleccionador sub-19 FPF)
19:15H DEBATE

”MESA REDONDA – INTEGRAÇÃO DE JOVENS NUMA EQUIPA SÉNIOR PROFISSIONAL”
19:30H Jorge Regadas (Treinador do S. C. Freamunde)
Dr. Freitas Lobo (Comentador Desportivo da RTP)
Paulo Bento (Treinador)
Tonanha (Ex-Jogador Profissional/Treinador Juvenis SC Freamunde)

MODERADORES:
Rui Orlando (SportTV)
Bernardino Barros (Rádio Renascença)
Fernando Eurico (Antena 1)
Jorge Nunes (RCPF)

Inscrições: 15,00€

Secretariado / Informações / Inscrições:
Sport Clube de Freamunde
Rua S.C. Freamunde
Apartado 20, 4591-908 - Freamunde
tel.: 255 879 597 / 255 878 689 Fax: 255 878 388

CONTACTOS
prof. Ricardo Pacheco 916939333 ricardo_pacheco84@hotmail.com
prof. Rui Ribeiro 912649679 rui_filipe_ribeiro@clix.pt
Rui Neto 913453900 neto.rui@gmail.com
Nuno Leão 916419475 n_leao@yahoo.com

LOCAIS DE INSCRIÇÃO
- Secretaria do Departamento de Futebol de Formação
Horário: 19:00h - 21:00h
- Secretaria do Departamento de Futebol Profissional
Horário: 9:00h - 12:00h ; 14:00h - 18:00h

NOTA: As inscrições serão validadas após prova de pagamento, poderá ser efectuado no acto da inscrição na secretaria, ou por transferência bancária através do NIB:

0045 1401 4021 6902 6182 7

terça-feira, 9 de março de 2010

Junta de Freguesia ainda sem rumo

A Junta de Freguesia de Freamunde continua envolvida num impasse que parece não ter fim. A assembleia de Freguesia de sexta-feira tinha como objectivo eleger os elementos para o executivo, mas não houve qualquer entendimento entre os partidos que compõem a bancada da assembleia. O PS pondera recorrer ao Tribunal Administrativo.
Esta assembleia devia ter sido realizada a 29 de Janeiro, mas acabou suspensa para que os três partidos com representação na Assembleia entrassem num ciclo negocial, mas não teve o retorno esperado.
José Maria Taipa (PSD) e Armanda Fernandez (PS) mostraram-se irredutíveis nas reivindicações e as três propostas apresentadas pelo Presidente da Junta foram chumbadas com os votos contra do PS e CDU. José Maria Taipa pretende, pelo menos, três lugares no executivo e os outros dois para PS e CDU porque "não faz sentido ser presidente de Junta e não mandar, mas ser mandado". Armanda Fernandez defende que o PSD deve ter apenas dois elementos, os mesmos que o PS, e um para CDU, justificando a posição por "ser essa a vontade do eleitorado e não podemos defraudar aquilo que nos pediram". A eleita pelos socialistas admitiu agora recorrer ao Tribunal Administrativo para solucionar o imbróglio. "É a solução limite", defendeu. José Maria Taipa vai dar conhecimento da assembleia ao Governo Civil do Porto.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Freamunde de Ontem e de Hoje

Inicio hoje aqui no blog uma nova rubrica - o Freamunde de Ontem e de Hoje. Uma rubrica que consiste em imagens do mesmo local, para comparar o Freamunde de ontem e de hoje. Imagens separadas por poucos anos, outras por dezenas de anos, mas em todas ou quase todas, a possibilidade de comparar e reflectir sobre a evolução da nossa terra, pela positiva ou pela negativa...vocês o dirão...
Inicio esta rubrica com imagens do Centro Cívico de Freamunde. Imagens separadas por algumas dezenas de anos, anos oitenta do século passado, e Fevereiro de 2010.
Espero que gostem...
Centro Cívico de Freamunde - Anos oitenta do século passado

Centro Cívico de Freamunde - Fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

Personalidades freamundenses

António Pereira da Costa nasce em Freamunde em 1888. Filho de um casal simples que repartia entre o campo e uma alfaitaria o seu labor quotidiano, muito cedo começou a ajudar a família no amanho de uma terras tomadas de arrendamento na freguesia de Ferreira. Tinha sete anos de idade quando lhe faleceu a mãe D. Rosa de Jesus, duro golpe numa criança que necessitava dos afectos e da ternura que só uma mãe pode dar. Aos dez anos (1898) quis seu pai, Teodoro Pereira Gomes, agora casado de novo, fazê-lo seminarista, para mais tarde se tornasse sacerdote e, deste modo, lhe assegurar o futuro. Indiferente à ideia e tendo reflectido pouco na proposta, aceita ir com o pai a Lustosa consultar o pároco da freguesia, mais tarde Bispo António Barbosa de Leão, para auscultar a sua opinião e este lhe mostrar as responsabilidades clericais e tudo aquilo que ele deveria ser, caso aceitasse a vida do sacerdócio. Não aceita. O seu mundo teria de ser outro. Agora com doze anos (1900) e com a benção do pai vai para Sobrosa, Paredes aprender a arte de marceneiro na casa do que foi um dos grandes mestres da arte, Júlio Barbosa Correia da Fonseca. Revelou-se um bom aluno, retendo os ensinamentos do mestre e rapidamente se apercebeu que estava ali o seu futuro. Serrar, moldar, entalhar, conceber coisas da madeira, era o que mais gostava.
Durante 14 anos trabalhou António Pereira da Costa em Sobrosa não abandonando o seu mestre e amigo de tantas horas de labuta agora doente e senil. Após a sua morte, e com 26 anos de idade, regressa definitivamente a Freamunde e monta uma pequena oficina no lugar do Calvário, com as poupanças, cerca de 200$00, que ao longo do tempo fizera. Corria o anos de 1914, época agitada e pouco propícia a negócios estáveis. Casa em 1915 com Adelaide de Sousa Castro. Em 13 de Junho de 1920, surge a sociedade Pereiras & Barros, Lda. , que, de imediato, inicia a construção na Rua do Comércio. Pouco tempo depois, em 1921, morre o irmão, o que o abalou profundamente. Era o primeiro contratempo surgido inesperadamente. Ainda mal reposto da perda do irmão, um voraz incêndio destrói-lhe a fábrica em 23/03/1923 que, juntamente com Abílio Pacheco de Barros tinha construído na Rua do Comércio. Em 1923 com o dinheiro do seguro e com algumas poupanças, entram para sócios da Sociedade Comercial Albino de Matos, Sucessores, Lda. , com a cota de 68 contos cada, passando a adoptar o nome de Albino de Matos, Pereiras & Barros, Lda. agora com 28 sócios.
Estávamos em 1924 e esta sociedade, que parecia um projecto audaz para António Pereira da Costa, torna-se um novo pesadelo em virtude de uma série de incidentes - com António Alves Pereira de Castro, o " Padre Castro " como era conhecido e que veio a marcar uma gerência forte num período de grande desenvolvimento industrial - que terminaram com o encerramento temporário da fábrica, isto cerca de dois anos volvidos após a sua abertura. Exonerado em Assembleia-geral em 21/11/1926, regressa, agora só ao lugar do Calvário, onde tinha iniciado a sua actividade industrial, com toda a sua experiência de grande artífice. Movido por uma grande força de querer vencer, retoma a actividade, recuperando lentamente não só a dignidade de industrial, mas também o património que perdeu com estas duas sociedades que se mostraram um fracasso. Em 1953, António Pereira da Costa, em escritura lavrada no cartório notarial de Paços de Ferreira, constitui entre Joaquim Ribeiro, Fernando Eduardo de Sousa Delgado da Silva Ribeiro dos Santos, D. Zeferina Pereira de Castro e Felisbina Pereira de Castro (filhas e genros) uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada. Adoptando o nome de António Pereira da Costa, Lda. a quem coube a responsabilidade de perpetuar todo um património de sucesso industrial. Esta fábrica, cujo peso na industrialização do concelho e na formação de pessoal especializado foi importante para a formação do cluster do mobiliário que existe actualmente. Encerrou as portas em 2001 por passividade e ineficiência da gestão e pouca adaptação dos serviços/produtos às novas exigências do mercado.
António Pereira da Costa morre em 1961.