domingo, 27 de junho de 2010

Memórias vivas das Sebastianas de antigamente

É riquíssima a memória de alguns freamundenses das edições mais antigas das Festas Sebastianas e das tradições sagradas e profanas à volta do culto a S. Sebastião, advogado das pestes.
A história das Festas de antigamente têm um lugar privilegiado na memória de João Correia, festeiro em 1954, a primeira após uma década de interregno das Festas e que guarda, religiosamente documentos oficiais, facturas e recortes de jornais da época.
Quase nas vésperas de fazer 95 anos, Alfredo Matos recorda a procissão ao mártir Sebastião à luz das velas e da sua participação no programa festivo, enquanto músico da Banda de Freamunde, onde tocou vários instrumentos, entre os 16 e os 78 anos.
Histórias e memórias que o aproximar da edição 2010 das Sebastianas trazem ao de cima e que sabem bem recordar.
Refere o documento distribuído porta a porta em Junho de 1954, pedindo prendas para organizar um “caprichado Bazar de prendas”, que “depois de um interregno de alguns anos, de novo se voltam a realizar as brilhantes festas, de que tanto se orgulhavam os Freamundenses, em honra do Glorioso Martir S. Sebastião. Árdua tarefa que, numa terra como Freamunde onde todos os empreendimentos resultam exclusivamente do esforço e iniciativa particulares, demanda arrojo e boa soma de força de vontade, porém tudo isto se previu e a todos os sacrifícios se submete a comissão…”. Referia-se o peditório às tradicionais Festas Sebastianas que se realizavam, nesse ano, nos dias 10,11 e 12 de Junho, razão das “avultadas despezas que estas festas acarretam”.
O documento, a par de muitos outros, está guardado com todos os cuidados no arquivo pessoal de João Correia que aos 21 anos tomou a iniciativa, juntamente com Anselmo Marques, conhecido merceeiro de Freamunde, de retomar as Sebastianas, interrompidas ente 1944 e 1954. Pouco tempo depois surge o primeiro obstáculo. O peditório rendera 17 contos e o orçamento para a festividade rondava os 33 contos. Anselmo Marques decidiu incentivar tudo e todos para que as festas se realizassem. João Correia recorda a euforia de Anselmo Marques, quando dizia com vivacidade “vamos fazer umas festas iguais às de Guimarães, com cortejo e tudo”.
Papel importante neste retomar das festas teve também o conhecido Dr. Chaves, “homem respeitado, que andou pela freguesia para conseguirmos dinheiro, mas entretanto mais tarde o Dr. Chaves desistiu e as festas passaram a ser organizadas por uma Comissão”, recorda João Correia, encostado ao balcão da sua mercearia, a mesma que já foi do avô e do pai.
Aos 77 anos, João Correia continua a abrir e fechar a sua mercearia, onde se vende de tudo um pouco, sempre à mesma hora, “continuo a fazê-lo como se ainda tivesse 21 anos”. O Avô de João Correia era Almocreve, natural da Régua que viajava periodicamente até Freamunde, para vender azeite e produtos hortícolas e levava peixe, “até que em 1870 decidiu ficar-se por aqui, porque dizia a toda a gente que escolheu Freamunde porque era uma terra de gente pândega”.
Joãozinho Correia, como também é tratado, continua um apaixonado pelas Festas e contribuiu monetariamente todos os anos, afirmando com jovialidade que a sua maior tristeza “é a segunda-feira depois das Festas”.
Recorda ainda este freamundense que inicialmente as festas realizavam-se a 20 de Janeiro, data do aniversário de D. Sebastião, mas poucos eram os adeptos das festas e noitadas em noites frias. A festa passou então a organizar-se no 2º domingo de Julho.
Invejável é a memória de Alfredo Gomes de Matos, que em Agosto próximo completa 95 anos. Sentado num bando de jardim do Centro Urbano de Freamunde, Alfredo Matos assinala com o dedo o trajecto da procissão a S. Sebastião que se fazia à luz de velas, sem iluminação pública. Tinha então 14 anos. Fez a instrução primária num Mestre particular, que o padrinho, ourives, suportou financeiramente e aos 11 anos foi trabalhar para o Porto como caixeiro numa loja de mercearia e tabaco. Regressa aos 14 para Freamunde, onde trabalha até aos 24 como tamanqueiro. Aos 16 entra para a Banda de Freamunde e entrega-se a este projecto durante longos 62 anos. Saiu da Banda aos 78, depois de ter passado por vários instrumentos: clarinete, saxofone, clarinete baixo e pratos.
É nesta qualidade de músico da Banda de Freamunde que tem muitas recordações das Festas Sebastianas, animadas por diferentes ranchos folclóricos e por bandas de música que vinham de fora. Recorda-se das pessoas darem aos 25 centavos para as festas, que também eram animadas pelo estalar dos foguetes que trazia muita gente de Sobrosa e de outros lugares próximos.
Alfredo Matos conta, com uma lucidez extraordinária, algumas peripécias ocorridas nas festas. Namorados que se conheciam, os carrinhos, as camionetas e as figuras que integravam as marchas, “creio eu as marchas têm mais de 50 anos e as figuras, em papel e outros materiais eram muito bonitas”.
Um dos episódios que melhor recorda foi a recusa da Banda de Freamunde em tocar nas Sebastianas, num determinado ano. O empresário António Pereira da Costa usou o coreto para colocar algumas das oferendas para leilão e “como não aceitamos a sugestão de tocar em plena rua, o sr. Pereira da Costa resolveu o problema, trazendo as Bandas de Música de Vilela e Vila Verde”.
In GAZETA

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sebastianas 2010

Estão quase a chegar as Festas Sebastianas. Estão quase a chegar as melhores festas do concelho e arredores. Para as gentes de Freamunde, são as melhores do mundo. Únicas por estes lados! A sua realização deve-se à força de vontade das suas gentes que labutam durante um ano, deixando pra trás os momentos de lazer com a família, com os amigos em prol das suas festas.
As gentes de Freamunde amam as suas festas, amam as suas Sebastianas.
As Sebastianas fazem parte da tradição e memória de Freamunde.
As gentes de Freamunde esperam por estes dias a visita de gentes de outras terras.
Freamunde saúda-vos.
Sejam bem-vindos a Freamunde.

domingo, 13 de junho de 2010

Feira de Santo António

A Santo António há quem peça protecção para os animais. Há, porém, quem o invoque, como protector dos namorados. A provisão de D. João VI (30 de Julho de 1800) que autorizava as feiras dos 27, autorizava também o prolongamento da feira de Santo António de 13 a 14 de Junho.
A importância das transacções, nas feiras era de tal monta que o Ministério da Agricultura chegou a conceder primeiro um subsídio de 250$00, em 1925 que passou a 500$00 conforme diz a acta da Junta de Freguesia de 16 de Agosto do mesmo ano, para o concurso pecuário.
"Freamunde - Apontamentos para uma monografia"

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Marcha da fábrica de Luís Teles

Freamunde é nossa terra
mais nenhuma outra encerra
tanta beleza.
P'ra cá da Serra da d'Agrela
não há outra igual a ela,
não há com certeza.
Fez do trabalho um brasão
e tem o mago condão
de toda a gente encantar,
quem Freamunde conhece
nunca mais dela se esquece
nem mais a pode deixar.
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REFRÃO
Olhai ó gente
a marcha de Freamunde
que mais nenhuma confunde
cheia de cor e de graça,
cá vai contente
fazendo da noite dia,
inundando d'alegria
as ruas por onde passa,
anda com ela
mete o braço no meu braço
acerta comigo o passo
e deixa a alma cantar.
Se a vida é bela
mais bela se torna ainda
quando a alegria infinda
vai Freamunde a passar.
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Nascida entre Douro e Minho
Freamunde meu cantinho
é jóia fulgente
encastoada a preceito
no estribo do nosso peito
vive eternamente
tens tal valor terra amada
apesar de desprezada
em tudo és sempre a primeira
defende o nome de bem
não deves nada a ninguém
e segue sempre altaneira.
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Letra: Fernando Santos (Edurisa, Filho)
Música: Francisco Pinto (Chico Flauta)