terça-feira, 21 de setembro de 2010

Espectáculo das Castanholas

No próximo dia 25 de Setembro, pelas 21h30, o Auditório da Fundação A LORD vai receber a Associação Pedaços de Nós, para um espectáculo de Castanholas, que a todos vai deslumbrar.
O projecto “Castanholas de Freamunde”, da Instituição referida, tem como objectivo avivar a tradição do instrumento que lhe dá nome e que foi muito popular nessa localidade. Como se tratava de um objecto de fácil construção, os antigos marceneiros concebiam-no para com ele se divertirem e o oferecerem como brinquedo aos seus filhos.
Neste espectáculo, protagonizado por 30 elementos, os castanholeiros são acompanhados por cantores, viola baixo, viola semi-acústica, cavaquinho e viola de arco. O repertório que apresentam é formado por composições conhecidas do grande público e que já marcou presença em diversas actuações, como no programa da RTP1 “Praça da Alegria”, na Casa da Música, nas lojas da FNAC, no Pavilhão Rosa Mota, entre outras.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sebastianas 2011 - Pedipaper / Rally das Tasquinhas


A Comissão de Festas Sebastianas 2011 vai realizar no próximo dia 25 de Setembro de 2010 o Pedipaper/ Rally das Tasquinhas pelas ruas da cidade. As inscriçoes estão abertas até ao dia 23 de Setembro. Todos os interessados podem inscrever-se no Garden's Bar ou no Pavilhão das Sebastianas. A inscrição custa apenas 5€ por cada membro de equipa. Estes 5€ serão posteriormente consumíveis no arraial. Cada equipa deverá ter entre 3 a 4 membros. O Pedipaper inicia-se às 15.00h. No fim do Pedipaper haverá um arraial popular com muita animação de:
- Quarteto Saxofones
- Mingas
- Bomba Aí
- Popkillers
- Staff do "Masturbar"
- Little Box
- Illegal
- Várias surpresas
Vem participar nesta iniciativa. Vem participar no arranque oficial das Sebastianas 2011!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Bombeiros - fotos antigas

Os Bombeiros Voluntários de Freamunde nas Marchas Alegóricas das Festas Sebastianas de 1992.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cremilde Queirós - Uma mulher - Uma vida

Cremilde Augusta Neves Queirós nasceu em S. Cosmado, lugar e freguesia do concelho de Armamar, distrito de Viseu, no dia 8 de Agosto de 1916. Filha de Augusto dos Santos Queirós e de Emília Augusta das Neves.
Finalizou o Curso do Magistério Primário em 1935, em Lisboa. Começou a trabalhar como preceptora de uma jovem, numa casa particular, no lugar do Pinheiro, no concelho de Baião. Começou a trabalhar em Escolas Públicas no lugar de Ribeira, Vila Chã, no concelho de Amarante, de Fevereiro a Julho de 1938; de Novembro de 1938 a Julho de 1939, leccionou em Baldos, Moimenta da Beira, passando por S. Cosmado, sua terra natal, de Outubro de 1939 a Setembro de 1940.
De Outubro de 1940, a Setembro de 1943, deu aulas em Viariz, no concelho de Baião, onde passou a efectiva. De Outubro de 1943 a Setembro de 1946, leccionou nas Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo.
A partir de 1 de Outubro de 1946 até à sua aposentação em 17 de Setembro 1983, leccionou no Ensino Público em Freamunde, sendo que, como Directora da Escola Feminina, desde 7 de Novembro de 1949, data da posse.
Tempo de trabalho como professora: 45 anos, 6 meses e 13 dias, no Ensino Público.
Em Freamunde, casou com Rogério Monteiro no dia 15 de Março de 1951. O casal teve quatro filhos - Ângelo, Rogério, Madalena e José Luía. No dia 28 de Dezembro de 1972, morre o seu filho Rogério, vítima de trágico acidente, com mais dois amigos na curva que hoje é designada por "Curva dos Três".
Em 15 de Março de 2001, o casal, comemora as Bodas d'Ouro.
Em 1975 foi registado este instantâneo (em cima). A curiosidade desta foto reside no facto de um menino que não chegou a conhecer o pai e foi acolhido aos cinco meses pelo casal Monteiro, tendo partilhado o quarto até aos cinco anos, e vivido nesta casa até à idade de constituir família, aqui sorridente, era, e é, mais um "irmão". Assim, temos no passe-partout o filho Rogério, que já não se encontrava, infelizmente entre nós, vítima de trágico acidente, no dia 28 de Dezembro de 1972, com mais dois amigos na curva que hoje é designada por "Curva dos Três", o Francisco com o seu infantil sorriso, extravasava alegria com o braço por cima do "irmão" José Luís, a filha Madalena, muito bem disposta, a nossa homenageada D. Cremilde, com o braço apoiado na sua querida nora Lígia e o seu filho Ângelo.
UMAS QUANTAS REFLEXÕES E MEMÓRIAS DA MINHA VIDA DE PROFESSORA...
Ontem, num ontem de há mais de meio século, mas tal como hoje, escolher, como actividade profissional, o Ensino Primário, ou o Ensino no Primeiro Ciclo do Ensino Básico, como hoje se diz, apesar de ser sempre o Primeiro e o Primário, é uma opção que se toma muito cedo e nunca a meio da vida ou de uma carreira profissional, o que tem significações profundas, comigo, assim mesmo aconteceu.
Ao iniciar a minha vida de Professora Primária, o número de Professoras, e digo Professoras porque, tal como hoje, o ensino primário, ou básico, era ministrado, quase a cem por cento, por mulheres.
Apesar de nessa época também ser menor o número de alunas, houve anos em que tive turmas de cerca de 60 crianças, distribuídas pelas quatro classes de então, isto é, da 1ª à 4ª classe (a obrigatoriedade da 4ª classe, e respectivo exame, só ocorre alguns anos mais tarde, quando começa a generalização da maquinaria industrial, cujo manejo exigia a leitura de manuais de instruções).
Nesse tempo, e ainda hoje acontece a muitas colegas, fui leccionar para muito longe de casa, ao longo de vários anos, o que implicava, como alojamento, um quarto numa casa particular, (quando havia quem se dispusesse a receber uma professora em casa), até porque os salários eram bastante pequenos e não havia qualquer outro tipo de alojamento possível fora das cidades de então. As desvantagens pessoais que representava, e representa ainda, a deslocação para longe de casa, transformavam-se, não raras vezes, em facilidades de relacionamento no seio das comunidades de então.
De facto, a Professora ia adquirindo o estatuto de amiga, a quem se recorria para ler algo mais complicado ou, tão somente uma carta.
A preparação académica das Professoras Primárias, bem como o ensino que ministravam às crianças, contibuía para a aquisição de um estatuto de autoridade, baseado no saber que detinham e no conhecimento que transmitiam, de par com o respeito que lhes era tributado.
Naturalmente, não devemos esquecer que a taxa de analfabetismo era bastante mais elevada do que hoje; bastará recordar que, durante muitos anos dei aulas a adultos, enquadradas num sistema apoiado pelo Estado.
Por outro lado, não esqueço que conhecia quase toda a gente das terras onde leccionei e, em relação à última, que como sabem, foi Freamunde, conheci ainda gerações sucessivas de alunas, que, com o passar dos anos se foram transformando em mães de novas alunas.
Num país tão rural como era o Portugal de grande parte do meu tempo de Professora e a dar os primeiros passos na industrialização, com salários baixos e famílias numerosas, as crianças foram, muitas vezes, usadas como apoio à família fosse nas tarefas domésticas, fosse nas lides do campo ou com o salário das fábricas; muitas vezes, foi a autoridade da Professora que impediu a saída da escola ou as fez regressar, mais do que o recurso, permitido por lei, à autoridade da Guarda Nacional Republicana.
Ao olhar para trás, para a minha actividade como Professora, não deixo de sentir que, também, fui um pouco "mãe" de muitas filhas, com algum prejuízo dos meus próprios filhos, que tinham em casa uma Mãe a tempo parcial, só depois de ser "mãe" de muitos outros; não substituí as mães e os pais, mas fui (fomos e somos), para além de Professora, um prolongamento da família, ora mais "mães", ora mais "pais", num tempo em que as mães tinham mais tempo para dedicar às crianças.
Recordarei para sempre, tal como muitos dos presentes, as palmatórias, as réguas, as canas de bambu...tal como recordarei a dor das palmadas, repartidas com a minha mão...mas, também recordarei sempre, e aqui com imensa alegria, frases que tantas vezes ouvi, anos mais tarde, sobre si ou sobre as filhas:
"Senhora Professora, se acabei a Escola, à Senhora devo."
"Senhora Professora, não se preocupe; só foi pena as que caíram ao chão."...

Cremilde Augusta Neves Queirós - 18/01/1998
TEATRO - UMA GRANDE PAIXÃO

O gosto pelo Teatro, pela poesia, pela música e outras manifestações artísticas não passaram ao lado desta mulher de grande têmpera, dura, disciplinada e simultaneamente dócil.
Freamunde reunia todas as condições, para além do seu Rogerinho, para se sentir realizada.
Foi organista, valorizando as liturgias. Preparou as crianças para os saudosos "19 de Março" nos aniversários da Associação de Socorros Mútuos Freamundense nas récitas e representações ali apresentadas. Chegou mesmo a encenar a Fantasia Infantil "Maria Migalha" de parceria com Maria José Machado Pereira, sua colega e ex-aluna e o experiente Fernando Santos (Edurisa, Filho).

AS CRIANÇAS NA ESCOLA E NO PALCO

Com a perseverança que é apanágio das pessoas bem formadas, os encenadores que montaram este espectáculo, todo ele, e já lá vai meio século, é recordado como um grande êxito. A professora Cremilde Queirós teve papel relevante na encenação.

TEXTO DE APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA DAS SEBASTIANAS'95

As nossas "Sebastianas"
São um mundo sem igual.
Orgulho de Freamunde
Encanto de Portugal.

É assim. São assim as tradicionais Festas da Vila "As Sebastianas" em honra do Mártir S. Sebastião, que em simultâneo, o veneram e dão a Freamunde uma animação, uma alegria e muito, muito calor humano.
Umas se acabam,...e logo outras se começam a preparar, pois é necessário trabalhar muito para que se consiga um novo êxito e aqueles que nos visitam, possam afirmar convictos: estas são as Festas a que não podemos faltar anualmente.
E a vila, a mais populosa do concelho, rica em cultura e trabalho, possas recebê-los com a lhaneza que lhes é habitual. Realizam-se estas Festas anualmente no segundo fim de semana de Julho e se não esquecer o calendário, temos a certeza que enquanto Deus lhe der vida e saúde, não faltará, nesta data, à Grandiosas Festas "Sebastianas".
"PEDAÇOS DE FREAMUNDE"

A Professora Cremilde Queirós foi homenageada pela Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós, em Julho passado, nas IV Jornadas de Reflexão e Saudade, na Semana Cultural das Sebastianas'10, com a Exposição Documental "Cremilde Queirós - Uma Mulher - Uma Vida".

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Gandarela" - Memória Teatral de Freamunde

Há, todos nós o sabemos, uma Geografia Humana. E, sendo o Teatro uma das mais nobres manifestações artísticas com que o Homem fortalece e dignifica os dias difíceis e problemáticos do seu percurso terrestre, não pode deixar de considerar-se a existência de uma Geografia Teatral. Assim, pois, numa imaginária carta do Teatro Amador Português, assinalou-se Freamunde como uma terra altamente significativa, isto em meados da década de 60.
Ele há cidades e vilas, e outros lugares até, cujo nome, pronunciado entre cidadãos de mediana cultura, já evocam um monumento, uma indústria, uma especialidade gastronómica. E se é certo que, em meios mais especializados, se sabia da existência de uma importante indústria de móveis em Freamunde, se é certo que por ali perto, em território mais cercão, não era desconhecida a "Feira dos Capões", facto indesmentível é que, a um nível mais amplamente nacional, o nome de Freamunde se impôs pela produção de teatro de qualidade.
O qual, sendo natural e forçosamente amador, soube merecer o apoio generalizado do público e da crítica. Mérito que é, seguramente, da própria terra de Freamunde, do temperamento dos seus habitantes, entre os quais não foi fácil aliciar actores e arrebanhar espectadores, em tão grande número. Mas mérito que é, acima de tudo, do meu querido amigo Fernando Santos, cujo trabalho, à frente do Grupo Teatral Freamundense, venho seguindo há mais de vinte e cinco anos.

Pedem-me agora umas palavras de acompanhamento à edição de Gandarela, da autoria de Edurisa, Filho (Fernando Santos, para melhor dizer, já que é nome mais consagrado). Gostosamente me desempenho dessa missão, por se tratar de quem se trata e não porque me ache particularmente talhado para este tipo de escrita. (Ainda se fosse em forma de diálogo!) Mas aí vai.

De Gandarela não vi a primeira encenação (1963), porque só pouco depois, na convivência de algumas figuras grandes do nosso Teatro (quase sempre Alves da Costa e Rui de Carvalho), passei a acompanhar a actividade cénica dos nossos grupos de amadores, particularmente na zona norte do País. Mas tive oportunidade de ver a reposição da popularíssima opereta, em 1983, por altura das comemorações do 20º aniversário do GTF. Recorro-me agora da impressão que me deixou esse espectáculo, reforçando-o com a leitura do texto.

Sendo Gandarela uma opereta, género infelizmente quase desaparecido quando me converti ao Teatro, como autor e espectador assíduo, não posso ter ideias suficientemente sólidas sobre o assunto, até por falta de termos de comparação. Opereta popular, de fundo regionalista (pela expressão textual e musical), Gandarela tem todas as condições para ser a memória permanente do público freamundense, que ao longo de quase três décadas, Fernando Santos e o seu Grupo souberam formar no gosto e na aceitação de uma certa modernidade. (Estou a lembrar-me, por exemplo, de Gladiadores e Amor de Perdição, produções locais, mas também de exemplares espectáculos profissionais de Lisboa, Porto e outras proveniências.)
Verificadas as razões principais para que o público de Freamunde permaneça fiel ao seu espectáculo emblemático - espelho que reflete um recente passado comum, que uns querem recordar e outros conhecer - poder-se-á perguntar em que medida o espectador forasteiro e intruso na celebração do culto revivalista se deixa mover pela acção e pela intriga da história de entrecruzadas conquistas amorosas, que levam no altar nada menos que 4 pares - 4 - para a suprema felicidade.

Pois a mim parece-me que esta proliferação matrimonial com que se remata a opereta tem um sentido caricatural e humorístico muito próprio de Fernando Santos. E, de qualquer modo há que reconhecer em Gandarela uma razoável galeria de tipos populares de bom recorte, muitos diálogos de pitoresca e saboros linguagem, em que palpita uma inegável vitalidade.

Oiço dizer (ou sonhei?) que se prevê uma nova reposição de Gandarela. Se isto se torna um hábito de certa periodicidade, estou em crer que os freamundenses dispersos logo e sempre correrão à terra natal, a ouvir dedilhar as cordas sensíveis de um bairrismo inofensivo e até salutar. Mal comparando, será assim como ir a Oberamergau ver a tradicional Paixão...
Norberto Ávila - Lisboa, Primavera de 1991

Opereta Popular em dois actos, representada pelo GTF, pela primeira vez em 22 de Dezembro de 1963 e depois de dez em dez anos. Da autoria de Fernando Santos (Edurisa, Filho).

MARCHA DA GANDARELA

Gandarela, Gandarela!
Vais mostrar a quem te vir
Que a tua marcha singela,
Sendo simples, é a mais bela
Que na festa há-de sair!...
O teu povo sofre e chora,
Passas a vida a trabalhar,
Mas quando é chegada a hora
Mandas a tristeza embora
E vens p'ra rua cantar!...
ESTRIBILHO
Eis a Gandarela,
Olhai p'ra ela
Se quereis aprender
Como, num momento,
O sofrimento
Se muda em prazer!...
Lá vai jovial
Não tem rival
P'ra cá da Serra da Agrela!
Ninguém a confunde
E até Freamunde
Não era nada sem ela!...

Gandarela, Gandarela!

De ti muito mal se diz,
Mas a verdade revela
Que mais vale uma chinela
Que um sapato de verniz!...
Deixa lá falar quem fala,
Que a inveja é que os faz falar!
Não é isso que te rala,
Pois a ti ninguém te cala
Se tens que desabafar...
ESTRIBILHO
Eis a Ganadarela
Olhai p'ra ela,
etc...etc...etc...

Ah! gente da Gandarela!

Bairro pobre, mas honrado!
Vale mais a tua chinela
Que pantufa da fivela
Ou sapato envernizado!...
És pobre. Porém, espanta
Tua alegre condição!...
Gente que sofre e que canta!
A alma junto à garganta
E, nas mãos, o coração...
Gente tão mal compreendida,
Que a não querem compreender!...
Mostra aos outros o que é vida:
Diz-lhes que é prazer e lida,
Diz-lhes que é rir e sofrer!...

FADO DA GANDARELA

Ó Gandarela. (Bis)
Casas velhinhas, (Bis)
Ruas, vielas,
Tão pobrezinhas
Não como elas! (Bis)
Tens por brazão (Bis)
Trabalho honrado,
Rosto suado,
Corpo cansado (Bis)
No ganha pão (Bis)
E cada canto (Bis)
Dos muros teus
É um recanto
De riso e pranto (Bis)
E fé em Deus!...
Viva a Gandarela!!...
Viva! Viva! Viva!

Livro "Gandarela"

As fotografias são da primeira representação da Opereta Popular "Gandarela".