quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Festas Sebastianas 1988

Aqui ficam estes belíssimos vídeos das Festas Sebastianas de 1988 da autoria de Manuel. Já lá vão 22 anos...! Verdadeiras preciosidades! Enfim, sempre alegres, sempre bonitas, sempre as melhores, sempre as nossas Sebastianas!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Coisas Minhas

FREAMUNDE ESQUECIDA
Diz a sabedoria popular, num dos seus indesmentíveis e acertados aforismos, que "o que é demais é moléstia"...E a mais recente moléstia que, pela sua proliferação, se implantou entre nós é a das chamadas "Rádios Locais". Em Portugal, neste momento, li algures, há mais de mil!!...A coisa dá que pensar e chega a ultrapassar o nosso entendimento. Como surgiu este súbito surto de vocações rádiofónicas? Porquê esta tremente necessidade de comunicação? O que leva ao urgente desejo de transmissão, pelo microfone, daquilo que a grande maioria não seria capaz de dizer de viva voz?! O Homem é, na realidade, um animal complicado e...não há nada a fazer.
Longe de mim pretender censurar este movimento que reputo de grande importância para uma divulgação cultural, se inteligentemente aproveitado. E se empreguei o termo "moléstia" foi porque, com efeito, as emissoras são em tal profusão que não cabem no limitado quadrante dos nossos aparelhos receptores e estorvam-se umas às outras, sobrepõem-se empurram-se, acotovelam-se desesperadamente...e, como na vida, as mais fortes acabam por abafar as mais fracas, sem que nenhuma delas consiga fazer ouvir de forma aceitável, o que, no caso de algumas, até chega a ser vantajoso...Confesso que é muito raro ouvir rádio, a não ser nas minhas deslocações de automóvel. Há dias saí de casa a ouvir a 5ª de Beethoven que, logo ao desfazer da curva da "Fonte dos Moleiros" se transformou numa música de ritmo moderno, de nome muito comprido, pelo locutor anunciado num tom desnibido e gutural e no mais puro "americanês", brilhantemente berrado por uma cantora de nome duvidoso qo o "põe discos" vomitou com desembaraço, enquanto me afirmava: "você conhece!". Mal eu tinha começado revolver o baú das minhas reminiscências à procura do nome da tal esganiçada que o homem afirmava, convicto, ser do meu conhecimento e, já na curva de Sobrão, um comentador desportivo, com muitos xx na pronúncia, defendia a grande vantagem para o futebol nacional no alargamento das divisões para 20 clubes; esperava eu confirmar, pelo assunto e pelo local, se estaria agora a sintonizar a "Pro-Paços", quando um teimoso fado da Amália entrou em disputa da onda com um animado jogo da "batalha naval"...Foi quando reparei que já estava a descer a Serra da Agrela e que, em cada curva, o rádio me oferecia coisas novas, sem necessidade de lhe mexer nos botões: na altura era um "slogan" publicitário, que uma tal Maria de Jesus estava a ser obrigada a papaguear se queria ver satisfeito o seu desejo de ouvir Rui Veloso, e logo fiquei a saber que cicrano tinha afundado um submarino a beltrano, ouvi o começo de uma anedota de almanaque, interrompida por um furioso a dizer Fernando Pessoa, acompanhado em fundo por um "blue" espiritual, e reatada mas já só no momento em que o "anedotista" ria perdidamente e comentava, sufocado, que aquela era muito boa (a anedota, é claro...); então comecei a ouvir dados biográficos de Lizt, penosamente lidos directamente de um volume de uma enciclopédia que, talvez pelo seu peso e pelo mau jeito que dava ler aquilo ao microfone, caiu ao chão estrondosamente, com garande desespero do infeliz locutor, que a tempo conseguiu evitar uma interjeição menos própria (embora compreensível...), pedindo, com elegância, desculpa aos presados ouvintes por aquela avaria técnica...E já os "UHF" tentavam entrar nesta salsada quando decidi desligar o rádio e oferecer a mim mesmo o repousante silêncio que já merecia; UFF!

Mas fora desta promiscuidade que, um receptor fixo, em nossa casa, facilmente elimita, entendo que o movimento é fortemente positivo e, sobretudo para as camadas jovens, de grande interesse pelo aspecto cultural a que, quer queiram quer não, obrigatoriamente conduz.
Eu sou, pois, a favor das Rádios Locais, quando estas não se limitam a serem simples "toca-discos" e os locutores são capazes de ultrapassarem a triste função dos "disco-jockeys". E foi com um agradável sobressalto que acolhi a primeira emissão do nosso posto de Freamunde, terra que, uma vez mais, afirmava o seu interesse pela cultura e, como em quase tudo neste concelho, se posicionava pioneira também neste campo.
Mas depressa o meu entusiasmo bairrista se transformou em decepção: a nossa Rádio rejeitava o nome de Freamunde e adoptava a cacafónica monstruosidade "Inovasom" que, embora assim a escrevam, para o ser, deveria escrever-se "Inovassom. Ao princípio, ainda se começou a anunciar: "Rádio Inovassom - Uma voz de Freamunde ao serviço do Concelho", por entre os clangores das trombetas do 1º andamento da 4ª sinfonia de Tchaikosky, e despedia-se novamente como a "Voz de Freamunde" aureolada pelo coral "O Fortuna!", da cantata "Carmina Buranna", de Carl Orff. Era talvez, excessivamente imponente, perigosamente presunçoso, mas marcava o pundonor e a personalidade de uma gente que ama a sua terra, que a não esquece nem enjeita, e não abdica desse amor e desse bairrismo, mesmo que isso lhe possa trazer inconvenientes...Mas, em breve tudo acabou: agora o emissor de Freamunde aparece sem ruído, e quase sem dizer de onde é, e acaba à meia noite, em silêncio, quase sem se despedir...Porquê? De que tem medo?!...

Há dias, na "Tocata", reuniram-se em congresso (?), as Rádios Locais do Vale do Sousa. Todas ostentavam, orgulhosamente, o nome da sua respectiva terra: Lousada, Paredes, Castelo de Paiva, Paços de Ferreira, Penafiel...A "Inovasom" não fez: nem no cartaz anunciador do encontro, nem durante a sua actuação nem no fim desta...De tal foi chamada a atenção de um responsável (?) presente, que não me parece ter-se incomodado com isso. Talvez tivesse razão: a situação é vulgar e diária. Já tive o cuidado de acompanhar a emissão durante algumas horas e nem uma só vez o nome de Freamunde foi citado! E se não é o anúncio da Relojoaria "Ponto Alto", que todas as horas nos proporciona a oportunidade de acertarmos os relójios, ninguém saberia donde lhe vinha o que estava a ouvir, pois os senhores locutores não desvendam o segredo...Porque será? Por medo de não poderem desagradar a alguém a quem o nome de Freamunde incomode?...Por vergonha do que estão a transmitir?...Porque entendem que o monstruoso neologismo "Inovasom" ou "Inovassom" é mais que suficiente para identificar uma terra que sempre se afirmou defensora do bom senso?!...

E se o Sport Clube de Freamunde trocasse o topónimo por qualquer outra designação? E se o mesmo o fizesse a nossa conhecida e gloriosa Banda Musical? E se o nosso animado promissor Clube da Caça e Pesca e não menos esforçada Sociedade Columbófila ou os nossos - nesta época - heróicos Bombeiros Voluntários também se desinteressassem do nome de Freamunde? E se a nossa veneranda Associação de Socorros Mútuos, a Assembleia, o Clube Recreativo e, sobretudo o nosso Grupo Teatral não fossem, orgulhosamente, "Freamundenses"?? Quem iria saber das virtudes de uma terra que - nunca percebi porquê - nem no mapa, apesar de ser, demográfica, associativa e culturalmente (e não só) a mais importante do concelho...
Por isso, daqui solicito ao sr. Presidente da Junta de Freguesia de Freamunde que inclua no seu orçamento a despesa da propaganda da Relojoaria "Ponto Alto" na nossa rádio, a qual, sem o saber nem querer, está a dar a esta terra a divulgação que os obreiros da "Inovassom", só com um "S" ou com quantos quiserem (não é por isso que a asneira aumenta...), inexplicavelmente lhe negam...

Fernando Santos - Coisas Minhas - 1992

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sebastianas 2011

As Sebastianas 2011, convidam todos os freamundenses a participarem no tradicional Magusto, no próximo Sábado, dia 13 de Novembro, a partir das 18.30h no pavilhão das Sebastianas...