quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Uma sociedade agrária

De toda a documentação medieval, respeitante à freguesia, ressaltam duas situações marcantes. A primeira, dá-nos conta da exploração indirecta da terra, cujo amanho é entregue a camponeses, fundamentalmente a Casais que contratam com os proprietários a exploração. O Casal é uma instituição medieval omipresente nessa documentação. Significa um todo constituído à volta duma família a quem é entregue uma casita de habitação, com anexos de abegoaria para a criação de gados, uma eira e alguns celeiros e sobretudo terrenos de cultivo. Junto das casas, umas hortas e pomares que davam directamente para os terrenos de pastos para rebanhos. Mais ao largo, em terras aráveis a área de cultivo intensivo, os linhares e as parcelas para os cereais.
Vida dura a desta gente. E no entanto intensamente disputada. O que permitia abusos e aumentos constantes nas rendas. Rendas que abrangiam tudo quanto se produzia. Trigo, milho, centeio, canadas de manteiga, carneiros, galinhas, capões (um só valia por duas galinhas gordas) e também dinheiro.
Os contratos, ou prazos eram no seu início orais. Entretanto, a influência do Couto de Ferreira, cedo introduziu outras formas mais rigídas e passadas a escrito. Também mais curtas no tempo a fim de permitirem a respectiva revisão aquando da renovação. Passaram então a vigorar por três vidas. O chefe de família, o cônjuge que sobrevivesse e um descendente.
Passado a escrito, ao contrato não podia fugir-se e as suas exigências chegavam a pormenores tais que fixavam não só quantitativas a semear, rendas a pagar como também serviços e melhorias a prestar não só à propriedade, mas também ao senhorio.
Uma outra situação marcante é a pertença da grande maioria da propriedade a instituições eclesiásticas radicadas na área do concelho. Em 1258, dos casais recenseados na documentação inquisitorial, cerca 45% dos casais pertenciam à Igreja. No caso de Freamunde ao Couto de Ferreira que era de longe a maior proprietário. Seguia-se-lhe Pombeiro e a Ordem do Hospital.
As autoridades de Ferreira exerciam também jurisdição própria sobre estas terras. Todas elas marcadas por "marcos e divizooens", obedeciam ao abade do Mosteiro, que escolhia um morador do Couto para Juíz nas causas cívis. Quanto às questões criminais actuava a justiça régia, através de pessoas sempre da confiança do abade.
Entre os séc. XIII e XVI, o mosteiro procedeu a uma inteira reforma reorganizativa da respectiva propriedade, abandonando por troca ou venda alguns casais mais afastados para concentrar os seus domínios em redor das melhores terras de aluvião mais próximas e melhor controláveis.
Pela mesma data (1258) um outro proprietário se distinguiu na freguesia, como de resto em toda a área do actual concelho. Trata-se da família dos Soverosas, de origem Galega muito bem relacionados com a Corte durante os primeiros três ou quatro reinados. A esta família pertenceu a fundação duma Honra em Soverosa (Paredes). Com o tempo e com o relacionamento familiar acabaram por adquirir grandes propriedades na área do actual concelho.
Coube a Gil Vasques de Soverosa consolidar este património que abrangia casais em Gonsende, Lamoso, Sanfins, Eiriz, Figueiró e Carvalhosa e principalmente em Freamunde, em redor de Madões, onde possuía 27 casais. Este D. Gil, exerceu funções de tenente em Águiar de Santa, facto que aliado à protecção régia lhe permitia alargar substancialmente as respectivas propriedades, nem sempre por meios legais, como se constatou em 1258 com casais em Buçacos...Nada impediu que a família consolidasse aqui o seu património, em 1288, Freamunde era já no seu todo uma «honra dos Soverosas», desde o tempo de D. Gil dizem os inquiridos.
Neste último ano, Martim Anes de Sevorosa era senhor de toda a Honra. Morreu sem descendência conhecida, e todo o seu património se foi desagregando.
Dos Saverosas se passou a Sobrosa, honra que já era e Vila que passou a ser e à qual D. Manuel auturgou carta de foral, em 15 de Outubro de 1519, a fim de bem esclarecer quais os rendimentos devidos à Coroa e quem naturalmente lhe estavam a ser sonegados.
Nessa carta de foral, passa-se em revista todo o antigo património dos Soverosas, aqui (em Peçô, Xisto, Lama, Igreja, Leigal e Cachopadre como se escreveu...), bem como Carva-lhosa, Figueiró e Meixomil.
São expressamente citados os diversos casais com os quantitativos que haviam de pagar os respectivos detentores:
« O casal de Gonçalo Anes, de Freamundy, pollho caso de luis álvares do porto, desoyto reaes; gonçalo martyns de peçou polho casal do dito gonçalo camello, treze reaes; do casal da lama cynquo reaes; do casal afonso gonçalves de xisto, nove reaes; do casal de joham pirez do carvalhal polho casal do mosteiro de ferreira; gonçalo pirez polho casal da Igreja de friamundi nove reaes; Joaquim coelho de cachopadre; affonso gonçalves do leijal, fernam pirez do outeiro...»
Eram por então estes alguns dos senhorios de Freamunde e seus casais, todos integrados na lei de Sobrosa e respectiva honra, à excepção daqueles que pertenciam ao "couto do dito mosteiro (Ferreira) e freguesia dele".
"VILA DE FREAMUNDE"

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Talhô

Este topónimo teria resultado de "talhão" que é um terreno delimitado para plantio. Aquele lugar só muito recentemente começou a ser povoado. Foi durante muito tempo um conjunto de campos, quintas e propriedades rurais. Era um talhão, um tabuleiro.

domingo, 16 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ginástica de manutenção

Iniciaram-se na passada terça-feira, dia 4 de Outubro, no Centro Escolar de Freamunde, as aulas de ginástica de manutenção. Esta iniciativa organizada pelo Departamento de Futebol de Formação do S. C. de Freamunde, conta com quase 100 participantes, estando ainda abertas as inscrições. As aulas irão decorrer todas as terças e sextas-feiras das 21 às 22:00h. Para mais informações e inscrições na secretaria do Departamento de Futebol de Formação ou através do número de telefone 255 878 689. Participa.