terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Feira dos Capões / Santa Luzia 2011

Em dia de Santa Luzia...
Quando "cresce a noite e minga o dia..." é mesmo, dia de perder a noite. Sobretudo se choveu pela Senhora da Conceição, cinco dias antes. É que lá diz a sabedoria avessa a livros mas de boas graças com a realidade que «Conceição de chuva, Luzia de sol...Conceição de sol, Luzia de chuva...»
Seja como fôr, com sol, ou com chuva, Santa Luzia te guia como a milhares de pessoas para Freamunde. A um espectáculo popular com origens perdidas nas raízes dos tempos e único neste país e mesmo na Europa. Onde há que vir e estar com olhos de ver porque também para tal Santa Luzia dá uma ajuda.
A 13 de Dezembro de cada ano, dia festivo de Santa Luzia, padroeira das doenças das vistas - ela própria a abrir os olhos a quem, por má intenção ou desatenção, não queira ver que se encontra perante um espectáculo único em todo o país.
Com efeito, em mais nenhuma feira portuguesa o capão impera e a justifica: só em Freamunde. E de longa data assim é...
Capão
O Capão de Freamunde, ex-libris de Freamunde, é um frango proveniente de estirpes de crescimento lento, do tipo Atlântico da raça Gallus domesticus, castrado antes de atingir a maturidade sexual e que se destina esclusivamente à produção de carne.
O acto de capar remonta ao tempo dos Romanos. Consta-se que o Cônsul Romano Caio Cânio, cansado da perda do sono por causa do cantar dos galos, conseguiu fazer aprovar uma lei impeditiva da existência destas aves na cidade de Roma. Sem contrariar a lei, houve logo quem se lembrasse de uma forma de continuar a usufruir da carne dos galos, capando-os. Terá deste modo surgido uma nova "espécie", o capão, que ultrapassa em beleza, tamanho e sabor, o galo macho. O "voto" de castidade concede ao animal um ar triste e envergonhado, mas torna-o gordo, opulento, dotado de uma carne tenra e das mais saborosas de todas as aves.
Com a romanização de todo o território do Noroeste Peninsular e com a criação dos pequenos aglomerados populacionais sobre a jurisdição Romana, a tradição de criação do capão foi passando de geração em geração.
A Feira do Capão...
Se bem que a instituição oficial se tenha verificado em 1719, por uma provisão d'El Rei D. João V, datada de 3 de Outubro desse ano e "rezestada na Chancellaria Mor da Corte e Reino no livro dos officios e Mercês a folhas quarenta e oito : (em) Lisboa Occedental (a) dois de Novembro de mil setecentos e dezanove...", já alguns séculos antes a prática de capar frangos e de os comercializar era tradição na "freguesia de Salvador de Friamunde de Honrra de Sobrosa Concelho de Aguiar de Souza Comarca do Porto..". Estudiosos indicam-no como costume medieval, de que há mesmo notícia em documentos do Séc. XV, muito anterior, portanto, à provisão atrás citada a qual, no fundo, não mais visava do que a sua legalização e a defesa dos interesses da Confraria de Santo António, em cujo terreiro as feiras se realizavam e das quais pretendia auferir proveitos.
O melhor da feira, e que lhe granjeou fama e popularidade, é o imenso mercado de aves. Se o capão é o rei da festa, com justiça se poderá dizer que o perú - que à feira também ocorre em numerosos bandos - é a sua vistosa e majestosa corte. Este enorme arraial de emplumados empresta à feira um generoso e inigualável colorido, o que a torna no mais alegre e garrido cartaz de quantas manifestações do género que se podem usufruir na região de Entre-Douro-e-Minho. Não admira, pois, que milhares de forasteiros ocorram, nesta ocasião, à cidade de Freamunde vinds de todo o Portugal e até de Espanha, sobretudo da vizinha Galiza...
Capão à Freamunde
A carne de capão sempre foi apontada como iguaria, habitual nos repastos e banquetes reais. Inúmeros historiadores e cronistas referem-na como podendo pedir meças em qualidade e requinte, à de muitas outras aves que iam à mesa do Rei, como a perdiz, o faisão ou a galinhola.
Foi provavelmente, a junção de três factores que levou à criação da receita Capão à Freamunde. Primeiro, as inegáveis qualidades gastronómicas da carne da ave. Segundo, o facto de o capão ser o "ex-libris" de Freamunde. Finalmente, a vontade de receber bem e sempre de braços abertos, aqueles que visitam a cidade de Freamunde.













Como diz a sabedoria popular...«Conceição de chuva, Luzia de sol...Conceição de sol, Luzia de chuva...»

2 comentários:

Anônimo disse...

Isto é que é uma actualização rápida do blogue! A Feira ainda decorre e já há fotos tão bonitas na rede. Parabéns pelo artigo e pelas fotos. Um dia ao navegarmos pela internet ainda iremos recordar!...

Anônimo disse...

Foi e sempre será uma boa feira e que nunca se quebre esta tradição.
E que fique aqui bem explicito que o CAPÃO Á FREAMUNDE é uma tradição de freamunde e não uma tradição de paços de ferreira como apareceu numa pequena reportagem na RTP 1 em que diziam que o CAPÃO Á FREAMUNDE era uma tradiçao de paços de ferreira.