Armanda Fernandez quer revitalizar Associação de Socorros Mútuos de Freamunde
Armanda Fernandez é o rosto da
renovada gestão da Associação de Socorros Mútuos de Freamunde. A líder
da comissão administrativa assumiu funções com o objetivo de dinamizar a
área do mutualismo, só que uma profunda crise financeira está a
assombrar o futuro da instituição que está na iminência de dispensar
funcionários para reequilibrar as contas. Desde 2002 que os prejuízos
anuais rondam os 50 mil euros, colocando em causa o funcionamento do
Centro Infanto-Juvenil, uma das valências da Associação.
Numa entrevista ao IMEDIATO, Armanda Fernandez faz um
ponto da situação da instituição e antecipa as medidas que terão de ser
tomadas para viabilizar o funcionamento pleno de todas as valências que
contemplam a Associação de Socorros Mútuos de Freamunde.
O que a levou a assumir a liderança da instituição?
Quando me abordaram para assumir a instituição era no
sentido de trabalhar na área do mutualismo porque a instituição tem
mais de 100 anos e já foi a salvaguarda de muita gente. Teve o cariz de
apoios médicos e medicamentosos. Por isso fazia sentido trabalharmos
nessa área.
Mas, para além disso, a associação tem o Centro
Infanto-juvenil, que carecia de uma gestão apertada. Longe de mim pensar
que as contas estariam naquele estado, mas foi o que nos calhou em mãos
e, por isso, tivemos que nos agarrar com unhas e dentes a todo o
processo.
Como encontraram as finanças do Centro?
Encontrámos, desde logo, muitas dificuldades impostas
pela diretora técnica que lá estava. Foi muito contrária à nossa
entrada, de tal forma que tive de pegar na lei e perceber o que estava a
acontecer, pois na situação em que estávamos não podíamos eleger corpos
sociais e acabámos por constituir uma comissão administrativa.
Depois de assumirmos, fizemos um levantamento técnico
e financeiro da instituição e percebemos que o equipamento estava a ter
prejuízos na ordem dos 50 mil euros anuais, desde que começou a
funcionar, em 2002. Aquilo foi sobrevivendo porque as comissões de
gestão anteriores aproveitavam a entrada de dinheiros a título de
donativos. O buraco existia economicamente, mas era sempre coberto com
este tipo de situações.
Então o estado da instituição pode ser considerado grave…
Não conhecia as pessoas que lá trabalhavam, mas
quando chegámos verificámos que no ano anterior já tinham despedido
quatro pessoas. Isto porque o dinheiro começou a faltar e tiveram de
despedir pessoal.
Como pretendem estancar a dívida?
O meu compromisso com os associados é de que a gestão
corrente a partir de janeiro de 2012 seja sustentável. Com esforço
vamos conseguir, mas provavelmente ainda teremos de dispensar
excedentários. Em relação às dívidas anteriores, essas terão de ser
renegociadas.
Têm recebido apoios da autarquia?
Neste momento há uma verba devida pela Camara
Municipal que ainda tem a ver com as obras do centro Infanto-juvenil, na
ordem dos 13 mil euros. Este valor era importante para negociarmos com o
empreiteiro pois temos as salas onde chove no interior e não será
intervencionado enquanto não lhe pagarmos.
O próprio presidente da Câmara disse-nos que pagava a
verba em agosto, depois foi o vereador o António Coelho a dizer que
seria liquidada em Setembro, mas até agora ainda não recebemos nada.
Tentámos também um acordo com o Centro Escolar de
Freamunde para as extensões horárias. São necessárias pessoas para
assegurarem os prolongamentos dos horários e sugerimos a colocação dos
nossos excedentários, só que foi recusada. Penso que era uma solução
viável para todas as partes, pois assim seria possível manter as pessoas
no ativo.
A construção dos centros escolares coloca em causa o funcionamento do Centro?
A abertura dos novos centros escolares foi, na minha
opinião, uma gestão abrangente demais, porque não ponderaram a
existência de outras instituições, como a nossa.
Neste momento temos mais vagas no pré escolar e menos
apoios da segurança social. Colocámos o problema à autarquia porque
nestes moldes está em causa a própria instituição e os 30 postos de
trabalho. Fizemos ainda um pedido de conversão porque temos capacidade
excedente na creche e, por isso, podíamos albergar mais crianças.
A segurança social autorizou, mas o acordo devia ter
sido revertido, diminuindo o pré escolar e aumentado a creche. Esta
situação iria permitir manter o rendimento da segurança social.
Colocámos a questão às entidades responsáveis, mas faltou o forcing para
tornar isto uma realidade.
Quais são as suas prioridades para 2012?
Quero garantir a sustentabilidade do centro infanto-juvenil para depois me preocupar com a área do mutualismo.
Em relação Centro, temos de encontrar uma solução
para as dívidas anteriores, mas as responsabilidades devem ser imputadas
a quem as criou.
Somos uma comissão administrativa, e o que está para
trás deve ser assumido por quem as fez. A nossa gestão, e foi dito em
assembleia geral, passa por colocar o centro a trabalhar de uma forma
sustentável, como se estivéssemos no ano zero.
Pretendemos também dar mais benefícios aos
associados, pois neste momento apenas existem os subsídios de morte que
vão dos 100 aos 2500 euros. Neste momento ser sócio equivale a quase
nada e não queremos isso. Vamos fazer uma campanha de angariação de
sócios, mas teremos de dar mais, criando acordos com clínicas, farmácias
e benefícios no comércio local.
Queremos ainda revitalizar a nossa casa cultural,
colaborando com as associações que existem na cidade, através da música
ou teatro. Por minha vontade A Associação de Socorros Mútuos nunca
fechará. É uma instituição centenária e é pena ter chegado a este ponto.
Houve guerrinhas pessoais que só prejudicaram a instituição..
In Jornal Imediato
In Jornal Imediato
3 comentários:
Estou curioso para ver a tal revitalização da velinha ASMF, sabendo-se que ela só se tornou a mexer para servir de testa de ferro para jurídica para o Centro-Infanto Juvenil.
Também curioso estou para ver se as tais guerrinhas pessoais que se seguiram a esse ressurgimento da ASMF, sempre se extinguiram, porque só alguém desinformado não se lhes reconhece guerrinhas de origens. politicas
E finalmente também estou curioso com a sua sala de espectáculos, já que parece que a ASMF descobriu agora que tem uma sala de espectáculos, que é nada mais do que a sua sede que foi transformada em sala de espectáculos há quase 30 anos pela CMPF e pelo GTF. Tendo em conta o seu estado de degradação, vamos ver de quem é a "criança" daqui a alguns tempos.
Claro que é de louvar a rejuvenescer de uma instituição centenária de Freamunde. Ainda para mais já que a actual conjuntura parece que vai tonar realmente premente o renascer da mutualidades. A ver vamos se assim é de facto, ao não é antes apenas mais uma manobra política. Não podemos ser cegos e esquecer o passado politico desta Senhora e o triste espectáculo com que todos os elementos da actual Assembleia de freguesia nos presentearam. Esta desconfiança é ainda mais natural quando nesta entrevista observamos desde logo ataques à Câmara. É óbvio que há coisas mal. É óbvio que há má gestão e que tem que ser denunciada. Mas também só quem é cego ou ingénuo é que não percebe o real papel da CMPF em todo o processo de Centro Infanto-Juvenil.
Também é absurda a proposta de colocar os excedentes do Centro nos Centros Escolares. Queria ver se também fazem isso ao meus colega de trabalho quando a fábrica já não precisar do mesmo número de empregados.
Mas vamos acalentar que seja mesmo um renascer desinteressado das questões politicas, mas tão somente no revitalizar de uma centenária instituição que servirá Freamunde.
Depois de ler esta entrevista e tomar conhecimento de que o centro infanto juvenil Antonio Freire Gomes, está com graves problemas, pois os funcionários já não receberam meio subsidio de férias do ano passado, o subsidio de natal, o mês de janeiro e mt possivelmente o mês de fevreiro, pq a direção ou comissão administrativa q lá está, não está legal segundo os estatutos da associação de socorros mutuos, só me aprás dizer a estes senhores, e nomeadamente à dra Armanda que se demita enquanto é tempo de salvar os cerca de 30 postos de trabalho e evite o problema social de os pais n terem onde colocar cerca de 200 crianças .... ou será mais uma questão politica que deitou esta associação abaixo ....
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