NA REALIDADE!...
Eduardo Artayete, era um "bon vivant" da cidade do Porto, no começo de século, e como não podia deixar de ser, um homem sempre metido nos teatros, não só nas plateias, como nos palcos, de olho afiado para os artistas.
A este tipo de conquistadores de bastidores até se tinha dado um nome: eram os "coiós".
Nos teatros, sobretudo nos espectáculos comerciais, sempre houve (e ainda hoje há) um grupo de indivíduos contratados para baterem palmas, mesmo que o espectáculo ou a actuação dos principais actores fôsse uma "borracheira". Era a "claque", a qual era dirigida pelo "chefe da claque", que seria o primeiro a bater palmas, sinal para todos os outros dispersos pela sala o acompanharem, convidando, assim, os espectadores a fazê-lo também. E assim se fazia um êxito...
Ora certo dia, no Teatro de São João, adoeceu o "chefe da claque", que não podia dar o seu concurso ao espectáculo de estreia, o que era muito mau. Era preciso arranjar outro e alguém do Eduardo Artayete, homem muito batido nestas coisas e que, de certo, saberia bater palmas nos momentos precisos.
Escusado será dizer que os claqueiros não só iam ao teatro de borla, como ainda recebiam dinheiro. Pois, a certa altura, ouviu-se um espectador furioso a patear e a vociferar: "Fora! Fora!"...Grandre reboliço na sala, foram ver quem era, e deram com o Eduardo Artayete furioso a bater com os pés no chão e com a bengala, que nunca o largava, e agritar impropérios. O director do teatro, escandalizado, corre a ele e diz-lhe:
- Então tu vens para aqui de graça, com a obrigação de aplaudires e sais-te com uma destas?!!...
Resposta pronta do Artayete:
- Olha, filho: por este preço, tenho assistido a coisa muito melhor...

0 comentários:
Postar um comentário