sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Freamunde e a Casa do Infantado ( VIII )

Sobressaltando tudo e todos a 28 de Julho foi dada ordem de prisão a Nuno de Mendonça 2º Conde de Vale de Reis, a Gonçalo Pires de Carvalho, seu filho, e provedor das obras reais, a D. António de Ataíde, 5º Conde de Castanheira, a Rui de Matos Noronha, 1º Conde de Armamar, a António de Mendonça, comissário da cruzada, a Frei Luís de Melo, religioso da Ordem de Santo Agostinho, eleito Bispo de Malaca, a Paulo de Carvalho, vereador da Câmara e a seu irmão Sebastião de Carvalho, desembargador, a Luís de Abreu de Freitas, escrivão da Câmara do Rei, a Jorge Fernandes de Elvas, a Diogo Rodrigues de Lisboa e seu filho Jorge Gomes Álamo, a Simão de Sousa Serrão e dois filhos seus, a Cristóvão Cogominho, guarda-mor da Torre do Tombo, e seu irmão Fernão Cogominho, bispo de anel de Braga, a Manuel Valente Vilasboas, escrivão da Távola de Setúbal e a António Correia, oficial maior da Secretaria de Estado no tempo de Miguel de Vasconcelos. No dia seguinte foram presos D. Agostinho Manuel e D. Francisco de Faria, Bispo de Martíria.
A participação do 7º Marquês de Vila Real na conjura foi, com efeito, pouco activa. Sabia do caso nos seus pormenores, é certo. Mas apoiava-o discretamente e não sem alguma ambiguidade. Não se lhe denunciaram conversas senão com o Arcebispo de Braga, com o Baeça e o Franca. Se nos seus testemunhos o dava perentoriamente como aliado, outros desmentiram essas afirmações tão taxativas. Luís Pereira de Barcos confessou até que a certa altura na facção o «tinham por traidor porque souberam que aconselhara a Sua Majestade não mandasse sair deste porto a Armada!». Por seu turno, o Franca disse que o Marquês considerava as propostas de Baeça «uma doideira» e que queria dele era dinheiro para acabar de consertar a quinta de Alvalade, e nada mais, afirmou o mesmo do Duque de Caminha que era filho do Marquês, pois também ele enxotara o Baeça. Contudo, o nome do Marquês e o do filho surgiram sempre nos demais interrogatórios. Pelo contexto percebe-se, porém, que essa nomeação sistemática tinha origem, no Arcebispo e que fora por ele usada instrumentalmente com um determinante factor de persuasão e da credibilidade do golpe. Foi, no entanto, a alegada participação do Marquês que provocou suspeitas sobre Luís de Abreu Freitas, um seu criado, que servia no momento uma escrivaninha na Câmara do Rei e conduzira ao seu encarceramento em 28 de Julho. (Continua).
João Correia - Jornal Gazeta de Paços deFerreira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Festa do Festeiro

Uma noite que se destina a todos os que já deram o seu contributo, na realização das nossas majestosas Festas Sebastianas. Uma festa de festeiros para todos os ex-festeiros.
Dia 25 de Janeiro, pavilhão das Sebastianas.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O venerável capão

É UMA DAS GLÓRIAS DE OUTRORA.
E agora está de volta à nossa cozinha, com todo o sabor. Já vai sendo altura de lhe dar o devido lugar de destaque.
Tudo aponta para que a saga do capão tenha começado com a descoberta de que, privado dos argumentos masculinos, o galo não cantaria. Silêncio portanto na capoeira, para sossego dos centuriões romanos que terão, reza a lenda, inaugurado a criação de capões. Um bónus: o animal bem alimentado compensa o seu dono com carne macia e gorda, amiga da assadura.
Afinal, estávamos a mais de mila anos da chegada do primeiro peru ao velho continente - esse bicho medonho que crescia incomensuravalmente, a ponto de entrar nas honras da mesa da ceia dos norte-americanos, que o batizaram de turkey. Os mercadores turcos fizeram-no subir do México para as terras dos pioneiros e tinha carne para uma família numerosa. Os franceses foram um pouco mais requintados, chamando-lhe dinde, ou poularde des Indes; « a galinha das Índias Ocidentais». Nós não fomos em modas e chamámos-lhe peru, porque tudo o que vinha da América do Sul era marcado como vindo do Peru.
O capão perdeu, por isso, atenção. Mas agora renasce com honras de Indicação Geográfica Protegida (IGP), através da freguesia de Freamunde, com receita única e tema de feira - em Dezembro, na festa de Santa Luzia. E com a inevitável comparação: se de um peru primorosamente assado não arrancamos mais do um « não está seco», do capão extraímos sabores copiosos e uma textura deliciosa. Ainda falta uma certa tramitação legal para que possamos comprá-lo nos supermercados, embalado e pronto a comer. Mas já faltoumais...
"GOURMET - Por Fernando Melo. Revista Notícias Magazine - dia 13 de Janeiro de 2013"

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Coisas Minhas

QUERIDOS E SAUDOSOS AMIGOS
Há dias, tive um encontro singular. Foi um encontro preparado, muito agradável e que me encheu de alegria. Ao mesmo tempo veio colmatar um vazio que, há 44 anos, me confrangia e me alimentava um dos mais dolorosos sentimentos que um ser humano pode experimentar: a saudade!
Nunca nestas "Coisas Minhas" eu tratei um assunto que melhor expressasse o significado do título destas lucubrações hebdomadárias: "Coisas Minhas". Por outro lado, também nunca abordei assunto de maior desinteresse para os meus habituais leitores. Sim, porque estas "coisas" são mesmo minhas e os que, nestas colunas, procuram encontrar motivos de algum interesse próprio, vão sair daqui defraudados e desiludidos.
Foi o caso que alguns dos meus velhos colegas de curso do Instituto Industrial do Porto - curso de que o súbito falecimento de meu pai me obrigou a desistir no último ano - decidiram fazer um encontro a que aderiram cerca de duas dúzias de indivíduos e "indivíduas" (o curso era misto) que, na sua maior parte, não se viam há 44 anos!
A reunião teve lugar num restaurante da costa marítima a sul do Rio Douro, pois dela constava um almoço de confraternização, uma vez que todos nós, como bons portugueses que somos, só sabemos confraternizar ou comemorar qualquer coisa sentados a uma mesa, com um prato de comida, um copo e uma garrafa cheia à nossa frente...Não há motivo de alegria - ou mesmo de tristeza...- que não exiga o simultâneo acto de mastigar e, sobretudo, o de beber...Longe de nós alterarmos, sem mais nem menos, os ancestrais hábitos lusitanos e, assim, lá escolhemos e descobrimos o local onde a tradição pudesse ser mantida...e de que modo...
Quarenta e quatro anos longe da vista, uma tão longa ausência que, de repente, se interrompe, traz-nos, a par de uma alegria imensa, um sentimento de frustração e de auto-interrogação que nos assusta: Olha fulano, como está velho, cheio de rugas! E cicrano? Que lhe terá acontecido à bela cabeleira que possuía para hoje se apresentar tão sem cabelo?...E aquela? Lembras-te dela? Aquela cuja elegância e beleza atraía facilmente a atenção de toda a "malta" a ponto de ter sido cognominada de "Mulher Fatal"! Que é feito do seu "charme", do seu porte, daqueles adoráveis contornos físicos que possuía?...Ainda se nota, é certo, que deve ter sido uma bela mulher: hoje de cabelo todo branco, continua adorável, mas uma adorável avó...! Ih!, meu Deus! Como aquele engordou!...E só me dou conta do imenso disparate desta minha observação quando, atrás de mim, ouço uma voz amiga que festivamente me berra: "Olha o Delgado! Venha de lá esse abraço!..."
O Delgado era eu. Este Delgado que, de repente, me soa aos ouvidos como um adjectivo provocador, quase ofensivo perante o volume físico que hoje apresento - louvado seja Deus! - era o sobrenome que os meus colegas de então tinham escolhido para me chamarem no chorrilho de sobrenomes com que os meus pais e padrinhos tinham decidido enriquecer o meu nome, para desespero dos notários e de quantos têm de registar a minha identificação...
- Mas tu és mesmo o Delgado, pá? Se o és, vou passar a chamar-te antes "Paradoxo"! - dizia aquela minha antiga colega muito divertida com a gracinha que tinha dito.
- Eu quem sou, ora diz lá! - continuou.
- Ora! Tu és a Deolinda! - arriaquei eu sem grande convicção.
- Ó seu esquecido! A Deolinda sou eu! - exclamou outra senhora de cabelos brancos que nos escutou.
- Essa é a minha Odete! A que tinha o pi ao cubo!
- O pi ao cubo? - interroguei intrigado.
- Sim! A Odete Pitrez Ferreira. Bem se vê que nunca foste grande coisa a matemática...
Meus queridos amigos, que a vida dispersou sem compaixão...E que hoje, quarenta e quatros anos passados, ali se reuniam cheios de alegria: o Abreu, a Isilda, o Cabral, o Sá, a Alzira (de aqui bem perto, da Casa da Deveza, em Codeços, filha do Prof. Albano Coelho e a quem eu então chamava de "minha mulher"), o Artur, a Loreto, a Odete, a Deolinda, o Magalhães, a Portocarrero (-De ti sempre me lembrei, quando em Freamunde ia ao futebol...é que o Campo do Carvalhal pertenceu à tua família!...), o Baptista...e tantos, tantos que a vida afastou e...que felicidade ter-vos voltado a encontrar! Que pena saber que outros não puderam vir, ausentes em terras longínquas, Brasil, Canadá, Austrália..., ou mais longe ainda: Lá, onde só chega a recordação e de onde ninguém regressa...Que pressa foi a tua minha querida Ermelinda? Que acaso te apressou, meu bom Nogueira? Havemos de nos encontrar, oh, havermos sim!...E acabará para sempre esta saudade imensa que de vós tenho...Até porque a saudade é luxo, prazer e amargura dos que ficam: onde vós estais, só há serenidade!...
E vós, queridos leitores, perdoai-me hoje estas "coisas minhas"...que até me envergonho de as ter querido tornar vossas...
Fernando Santos - Coisas Minhas

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Poesia de Freamundenses

MEU SER

O amor é como a brasa
Que sai rubra do fogão
Quando o amor é sincero
Ninguém tente pôr-lhe a mão.

Quem te disse a ti meu bem
Que o nosso amor não é o mesmo?
Se eu sinto o peito escaldar-me
Como se fosse um torresmo!

Para saberes que te amo
Eu ouço a voz do meu peito,
Que me diz abertamente
Que o meu amor é perfeito.

Quando me dizes, às vezes
Que o nosso amor esfriou,
Logo o coração responde
Que o nosso amor aumentou.

Se há palavras no mundo
Que se fazem magoar
Uma delas é a incerteza
Que tens de te não amar.

Arnaldo Brito - Freamunde e o Sentimento Popular - 1987

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Memórias

Duas imagens da antiga Escola Primária do Outeiro. Imagens que lembram nostalgicamente uma escola que marcou gerações de freamundenses. Memórias não esquecidas de uma época que nos marcou a todos nós, os que por lá passaram. Memórias de parte das nossas vidas. Memórias passadas, de hoje, e de sempre. Ficam as memórias. Não esquecidas.
Imagens: Facebook

sábado, 5 de janeiro de 2013

Teatro

A Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós apresenta a peça de teatro "O cadáver do Senhor Garcia". A peça é uma comédia em três actos. Original de Enrique Jardiel Poncela, tradução de Fernando Santos - Edurisa, Filho e encenação de Vitorino Ribeiro.
Sábado, dia 5 de Janeiro, às 21:30H, na Associação de Socorros Mútuos Freamundense.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Toponímia Freamundense

RUA DE ALÉM DO RIO
A rua começa no Largo Costa Torres e termina na Rua de Penelas, perto da junção com a Rua de Talhô.
Até 1985, era um caminho de terra batida, com três metros de largura, ladeado do nascente por quintais e ramadas pertencente a Matias Alves Lima e que este cedeu terreno para o alargamento da rua. Entretanto o genro Fernando Moura construiu aí uma oficina de metalurgia e a sua habitação.
Quase no príncípio da rua e também do nascente o industrial de móveis em pele António Alves Barbosa em 1993, levantou aí uma bonita vivenda. Do poente, havia já algumas habitações antigas e à roda de 1945 a construção de um prédio de Abílio Freire e quase no final da rua foi construida uma casa térrea à volta dos anos 50 / 60 de José Correia. Muito recentemente foi levantada uma bonita habitação também do poente, depois de ser demolida a casa de Agostinho Gomes (Ratoeira) que havia construído em 1954, e um seu familiar agora edificou.
O sulco aberto pelas águas correntes que nasce e alimenta a represa de Freamunde de Cima, talvez, noutros tempos remotos, constituísse um pequeno riacho. Depois, as muitas minas, poços e noras que por esses campos e montes circunjacentes se abriram desviaram para diversos pontos as linhas de água que o formavam. Antigamente dava-se o nome de rios a fios de água pouco mais volumosos do que regos. E ainda hoje no Inverno as águas naturais das chuvas e de uma ou outra nascente que atravessam esses campos tomam por vezes, o volume de um pequeno rio. Essas águas que passam junto ao Centro de Saúde e atravessam a Quinta do Balaio (mais conhecida por quinta da Elisa Torres) foram entretanto drenadas muito perto da estrada nacional que por vezes chegava a ficar intransitável com os «lençóis» de água que ali se formavam.
Essas água juntam-se à nascente da Jóia e formam um pequeno rio que alimenta o lavadouro de Além, onde noutros tempos centenas de mulheres ali iam lavar a sua roupa de casa, e uma parte destas águas ia ainda alimentar o moínho que lá se encontra (hoje desactivado) e por fim vão banhar o Parque de Lazer, seguindo depois o seu curso natural.
Os moradores da aldeia de Freamunde de Cima para designarem os poucos casebres qua lá existiam e lhes ficava a nordeste além do riacho, deram-lhe o nome de Além do Rio. Este topónimo é posterior às Inquirições de D. Afonso III de 1258, visto elas a ele não se referirem.
"TOPONÍMIA FREAMUNDENSE" - JOÃO CORREIA - JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA