Esta medida extremamente dura que D. João tomou, reconhece hoje a historiografia a relevância deste tipo de representações do poder e quanto são ainda mais importantes em períodos revolucionários. Com efeito e como muitos reconheciam na época, entre os quais os próprios castelhanos, o castigo referido fazia mais duvidosa a conquista de Portugal, entendendo El Rei D. João IV se não arrojara a tanto empenho, se duvidara da sua segurança e obediência dos ânimos de seus vassalos.
O castigo aplicado ao Marquês de Vila Real e a seu filho o
Duque de Caminha (senhores de Freamunde), não foi mais que uma trama urdida
para incriminar estes fidalgos que nunca estiveram envolvidos na conjura, antes
pelo contrário, quando o Marquês teve conhecimento do golpe do 1º de Dezembro
pela boca de seu filho, encontrava-se em Leiria e, aí aclamou de imediato o
novo monarca. Quanto ao Duque de Caminha, o processo dizia mesmo que nas
acusações feitas estas não tinham qualquer fundamento, pelo que estas duas
condenações foram mais um acto político, com certeza com o receio que estes
dois fidalgos podessem dar algumas informações a Castela.
Talvez o caso não assumisse proporções tão alongadas se o
monarca tivesse substituído imediatamente nos postos do governo e do Paço as
figuras conhecidas mais afectas à governação castelhana de Diogo Soares e de
Miguel de Vasconcelos. Foram todavia, uma decisão política. Se a prática
governativa provou que essa opção gerara mais embaraços e intrigas que os
consensos pretendidos confirmava-se igualmente que a pressão surda para a
renovação do pessoal político tivera enfim vencimento. É por isso, importante
sublinhar que muitas das personalidades mais directamente activas na
aniquilação da conjura saíram do grupo dos aclamadores. D. João IV socorria-se
deles, ou melhor, eram os próprios restauradores que se faziam utilizar como
peças determinantes na consolidação do processo da sucessão. Eram o esteio da
mudança definitiva com a qual iriam continuadamente identificar-se. (Continua)
JOÃO CORREIA - "FREAMUNDE E CASA DO INFANTADO"
JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA
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