terça-feira, 30 de julho de 2013

Esta é mesmo verdadeira

O CHAPÉU FORA DO SÍTIO
… tão verdadeira que, ainda há dias, foi mencionada na televisão. Passou-se com a actriz de teatro ligeiro Ema de Oliveira, uma excelente colega, de quem todos gostavam, pelo seu feitio alegre e sentido de humor, mas senhora de um vocabulário um tanto destravado, por vezes, inconveniente, até.
Deslocava-se a companhia em que a nossa Ema estava em “tournée”, pela província, deslocação que, nesse tempo se fazia, geralmente, de comboio, durante a noite.
A nossa Ema usava um chapéu meio ridículo, que nada devia à beleza estética, mas de que ela muito gostava. Já dentro da carruagem do comboio, sentada num banco de três lugares com uma colega à sua direita e o bailarino “Francis” à sua esquerda, dispôs-se a dormir e, para tal, inclinou-se toda sobre a colega, voltando, ostensivamente, o traseiro para o Francis.
Mas o chapéu na cabeça incomodava-a, pois tinha medo de o amarrotar. Então, disse:
- “Ó Francis! Espreita-me aí pelo olho do cú e vê se o meu chapéu vai direito...!"
Fernando Santos - "Esta é mesmo verdadeira" - Julho de 2001

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Foram de "arromba" as Sebastianas 2013

É verdade que já foram desmontados os palcos, retirados os arcos que engalanaram o centro da cidade durante vários dias. Mas...ainda se ouve o eco dos festivais de palco que "incendiaram", num ritmo infernal de sedução, uma mole humana impressionante, completamente extasiada e participativa.
Ninguém, certamente, se esquecerá da noitada de sexta. Tantos bombos. Que grande algazarra! Foi uma folia descomunal até ao último acorde.
Ainda resta na memória a procissão que arrastou um mar de gente imbuída numa absoluta manifestação de fé. Estavam tão lindos os andores, os tapetes floridos espalhados ao longo do extenso e penoso percurso nunca alterado nos tempos. Um sonho, o interior da Igreja Matriz. A festa carregou-se de simbolismo religioso, fruto, ainda bem, do capricho da comissão. Valeu.
Depois...o fogo de artíficio, de deslumbrante efeito. Girândolas que iluminaram de esplendor o céu azul, como se quer.
Os concertos das filarmónicas, de Freamunde e Paços de Ferreira, corresponderam às expectativas. Os conjuntos superaram-se e deram espectáculo, num ambiente salutar, de respeito. Como é da praxe, o final foi contagiante. A Banda de Freamunde tocou o Hino, a "Gandarela" e a Marcha das Sebastianas. Ninguém ficou indiferente. Cantou-se, dançou-se...Neste e naquele uma lágrima ao canto do olho. Que mal tem! São assim, os freamundenses.
Recuperado o fôlego, todos se guardaram para o cortejo alegórico, principal cartaz das Sebastianas. Fizeram bem. Os carros, homogéneos, vistosos, perfeitos na sua confeção, construídos exclusivamente por gente da casa, obedeceram à temática imposta: "Artes de Rua". Estava ali representada a vontade, o querer, a determinação de grupos de jovens que ninguém ousará, que ninguém poderá deter. Ah!, as "meninas" fizeram ver. Parabéns.
O povo de Freamunde dá tudo pelas suas festas, ama-as como ninguém, vive-as com uma intensidade sem limites. Está-lhe no sangue. Como tal, já se desdobram os novos "guerreiros", indiferentes à crise. Não há barreira inultrapassável.
Joaquim Pinto - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

terça-feira, 23 de julho de 2013

Toponímia Freamundense

 RUA CORAÇÃO DE JESUS
Começa na Travessa de Santa Cruz e termina na Rua de São Martinho.
Foi desde tempos imemoriais um simples caminho de servidão dos proprietários para das matas transportarem o que estas produziam, bravios pertencentes a Matias Alves Lima e uma parte ainda em terrenos de Freamunde sendo na altura seus proprietários a família da Casa do Recanto, que adiante na nótula referente a esta casa, falarei mais em pormenor. Foi este caminho que também dá acesso ao monte do Coração de Jesus e depois de devidamente alargado veio a dar o nome a esta rua e que à roda de 1950 começou por ser habitado. Antes existira uma oficina de serralharia de Rodrigo Marques (Passarinha) e da qual um seu familiar construiu a sua habitação. A rua está urbanizada do nascente, quanto do poente está praticamente desabitada, existindo uma casa quase no princípio da rua e mais ou menos a meio um casebre que dá a ideia de estar desabitado.
Não muito longe desta rua, entrando em Freamunde pelos actuais limites da freguesia de Figueiras, há um lugar chamado ainda agora de “Os Mortórios”. Por toda a província do Minho há muitos lugares com esta denominação, os quais devem ter provavelmente a mesma origem. Mortório no antigo português equivalia a fogo morto, que era o lume do lar apagado, a casa abandonada, o casal desabitado, reduzido a mato e sem cultura. Segundo pois, esta significação, o local de “Os Mortórios” foi em tempos remotos povoado. Seria nele a aldeia de Berto? (lugar antigo de Freamunde citado nas Inquirições dos meados do séc. XII e que nós não sabemos onde ficava). Só se pode admitir supondo que os inquiridores passando de Freamunde de Cima (centro da povoação) a Leigal, e de Leigal a Sistos o deixassem ficar para trás por descuido, o que não me parece muito aceitável. Além disso, o sítio, hoje quase todo coberto de pinheiros e mato, não era nem é próprio pelo menos na sua maior parte para a cultura de cereais ou outros produtos que a terra nos dá.
Nem poderia conter os outros quatro casais que lhe dão as Inquirições.
Contíguos ficam “Os Castros”, dois pequenos outeiros, um deles, mais elevado e agudo, conhecido também pelo nome, mais português de Picôto, que lhe é bem apropriado.
Há em várias terras este nome, Picôto, aqui bem perto de nós, em Carvalhosa há o nome de Picôto, em Braga conheço o mesmo nome, que quanto a mim devem ter o mesmo significado e deviam na altura das incursões do inimigo servirem de postos de vigia.
Deve-se também o nome de Castro aos montes que, pela sua situação geográfica, podiam servir de defesa a uma povoação, e até àqueles que sendo coroados de penedias, se assemelhassem, vistos de longe, a castelos. Alguns desses castros-fortalezas povoaram-se, e ficaram conservando as povoações, servindo de guarda, ou atalaia às campinas ou lugares chão, expostos às invasões dos inimigos. A Citânia de Sanfins, a meia dúzia de quilómetros de Freamunde, é um rico exemplo da cultura castreja do noroeste peninsular e uma das estações arqueológicas mais significativas da vivência desses tempos. Está classificada como monumento nacional desde 20 de Agosto de 1946. A zona escavada mostra um forte sistema defensivo, de várias ordens de muralhas, que envolve uma área superior a 15 hectares, e uma apreciável organização protourbana de estrutura regular com arruamentos octogonais e mais de centena e meia de construções de planta circular e quadrangular agrupadas em cerca de quarenta conjuntos de unidades domésticas.
Em Freamunde, o lugar dos Mortórios, que se estende no sopé e a ocidente do Castro do Picôto seria uma dessas povoações aninhada ao lado de uma fortaleza?
João Correia - "Toponímia Freamundense" - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Sebastianas 2013 - fogo de artíficio

Belíssimas fotografias captadas no parque de lazer de Freamunde, no dia 15 de Julho durante a sessão de fogo de artíficio das Sebastianas 2013.
Fotografias da autoria de Flávio Sousa. Gentilmente cedidas para publicação no blogue.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Grupo Teatral Freamundense - 50 anos

O Grupo Teatral Freamundense (GTF) comemora este ano 50 anos de vida. Inseridas nestas comemorações, no passado dia 14, nas Sebastianas 2013, elementos do GTF percorreram as Sebastianas caracterizados a rigor.... Uma iniciativa em que apenas os intervenientes e a Comissão Sebastianas 2013 tinham conhecimento da sua realização.
Uma bela iniciativa neste ano comemorativo do 50º aniversário do GTF. Parabéns.

quarta-feira, 17 de julho de 2013