O CHAPÉU FORA DO SÍTIO
… tão verdadeira que, ainda há dias, foi mencionada na
televisão. Passou-se com a actriz de teatro ligeiro Ema de Oliveira, uma
excelente colega, de quem todos gostavam, pelo seu feitio alegre e sentido de
humor, mas senhora de um vocabulário um tanto destravado, por vezes,
inconveniente, até.
Deslocava-se a companhia em que a nossa Ema estava em “tournée”, pela província, deslocação
que, nesse tempo se fazia, geralmente, de comboio, durante a noite.
A nossa Ema usava um chapéu meio ridículo, que nada devia à
beleza estética, mas de que ela muito gostava. Já dentro da carruagem do
comboio, sentada num banco de três lugares com uma colega à sua direita e o
bailarino “Francis” à sua esquerda, dispôs-se a dormir e, para tal, inclinou-se
toda sobre a colega, voltando, ostensivamente, o traseiro para o Francis.
Mas o chapéu na cabeça incomodava-a, pois tinha medo de o
amarrotar. Então, disse:
- “Ó Francis!
Espreita-me aí pelo olho do cú e vê se o meu chapéu vai direito...!"
Fernando Santos - "Esta é mesmo verdadeira" - Julho de 2001

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