Na boca do Zé Povinho
não desejo nunca andar,
antes prefiro o bom vinho
da boca do meu lagar.
Gosto desta reinação
de beber o meu copinho
mas se eu bufo ao balão
lá vai parte do gostinho.
Se me dão cabo da "pinha"
seja a mulher, seja o filho,
lá vem a desgraça minha
de beber mais um quartilho.
Eu gostei duma tasqueira
que me regou com seu vinho
mas, depois, a bebedeira
fez-me esquecer do caminho.
Saltei na tua fogueira,
em noite de S. João
e foi tal a bebedeira
que o "alho" ficou na mão!...
Passo noites a pensar:
se o vinho se extinguisse,
levava a vida a chorar,
pois morria se sorrisse!...
Vitorino Ribeiro - "1001 Quadras ao Vinho"
Poesia Colectiva - Novembro de 2009

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