Freamunde, de nome soante, vem sugerir tempos pré-nacionais de águias romanas, desfalecendo ao ímpeto das hordas bárbaras...
Mas é Freamunde nome de paz. De origem germânica, provém de FRID (paz) e MUNDE (boca), segundo o confirmam os eminentes filólofos Carolina de Michaelis e Leite de Vasconcelos.
Das mais antigas terras portuguesas, tem seu assento no termo de Entre-Douro-e-Minho, região do Noroeste, berço da nacionalidade e núcleo donde partiram os varões portucalenses para a epopeia da conquista e da civilização.
A seus foros de antiguidade e nobreza acresce a honra de ser a mais importante freguesia do concelho.
Nas Inquirições de 1288, aparece já mencionada como povoação antiga. Dependeu dos Templários de S. Pedro de Ferreira, e, posteriormente, da Ordem de Cristo, fundada no tempo de D. Dinis em substituição da Ordem do Templo.
Freamunde foi dada aos monges-cavaleiros pelos Marqueses de Vila Real, com tantas honras e privilégios como se a doasse ao Rei. Não tinha, por isso, o soberano, nesse senhorio, direitos por quaisquer benefícios concedidos a ricos-homense no tempo da fundação do Reino. Este território foi, mais tarde, incluído na honra e vila de Sobrosa e, várias vezes, aqui esteve instalada a Câmara.
Após 1641, com a integração das propriedades e foros dos Marqueses de Vila Real na Casa do Infantado, os direitos de senhorio transitaram para aquela Casa. Cessaram assim muitos privilégios da terra.
Mas a gente de Freamunde pôde suprir em desenvolvimento económico o lento desvanecer do velho cunho de antiguidade.
Situada em terreno úbere de aprazível vale, a povoação cresceu e aformoseou-se em feição urbanística, por suas ruas aplanadas, prédios de linhas regulares, novos estabelecimentos, enfim, por todo um fervilhar de vida e aspirações a fomentar auspicioso futuro.
Factor importante da sua economia foi, sem dúvida, a Feira dos Treze, criada por provisão de D. João V. A Feira dos Capões, conforme designa o povo a Feira de Santa Luzia, concita actualmente grande número de visitantes e é indice de grande relevância económica.
Elevada à categoria de Vila em Junho de 1933, Freamunde possui uma população de cerca de 5000 habitantes, vária e importante indústria, como a de mobiliário, e consequente movimento comercial. Electrificada em toda a sua área, é servida por boa rede de comunicações. A marginarem a estrada principal para o Porto e a estrada subsidiária de Vizela, encontram-se bons prédios residenciais e estabelecimentos.
O CORREIO DE FREAMUNDE
O serviço de comunicações postais ascende, na localidade, a recuadas épocas. As malas de correio de Freamunde beneficiavam, então, do transporte dos almocreves da Poupa-Seroa e outros, encarregados da boletinagem régia através dos percursos ligados à estrada do Porto-Bragança.
O correio entre Freamunde e Penafiel, com carácter regular, embora apenas em dias alternados, fazia-se já no ano de 1856. A segurança das malas postais obrigava por vezes, nessa época, ao acompanhamento de guardas à vista, tal a frequência com que eram assaltados os almocreves ou caminheiros incumbidos do respectivo transporte.
A partir de 1882, passou o Correio de Freamunde a depender do núcleo postal da vila de Paços de Ferreira. As malas saíam, ora de Valongo, ora de Paredes.
A estação de Freamunde é relativamente recente. Em 25 de Outubro de 1923, abriu à exploração com a categoria de «regional» e, em 12 de Junho de 1958, foi classificada como Estação de 3ª classe.
O seu funcionamento em edifício demasiado pequeno, sem o mínimo de comodidade, desprovido mesmo de instalações hidráulicas, impunha a urgência de uma reinstalação.
Colaborando com a Junta de Freguesia local, envidaram-se esforços para conseguir-se casa adequada ao Correio e convenientemente situada.
Entabuladas negociações, foi construído, nos moldes do Plano de Instalação e Reinstalação de Estações, um edifício para arrendamento aos CTT pelo Ex.mo Senhor Dr. Fernando Matos de Vasconcelos.
A partir de agora, pode a Vila utilizar os serviços de uma estação apetrechada por forma a garantir a eficiência das comunicações e o bem-estar do público.
CTT - 450. ª Realização do Plano de Instalação e Reinstalação de Estações
Junho / 1970


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