terça-feira, 29 de outubro de 2013

Pessô

Aparece nas Inquirições como Poçô ou Pozoo, o que leva a crer ser um diminuitivo de poço, ou ainda, segundo o Pe. Francisco Peixoto, originário do latim puteus que tem o mesmo significado. Houve quem quisesse identificar poçô com pessoa, mas não aparecia assim, nos livros.
É que ali teria havido um charco, uma cisterna ou água presa...e muita água a atolar os campos.
Era o terceiro lugar em termos de habitantes, pois tinha 6 casais. Três desses casais foram legados pelo poderoso D. Egídio ao convento do "Rozavalles", mosteiro que não se consegue identificar.
Este local de Poçô teria sido muito pisado por Mouros que cruzavam aqueles prados e veigas, quando vinham de Covas. Aí também iam os habitantes de Freamunde para lutar contra eles e torná-los cativos.

António Torres Correia - "Freamunde - Apontamentos para uma monografia"

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Pedaços de Nós

A JUSTEZA DUMA RUA

Se Martinho "Catano" se chamou
este endireita-ossos cá da terra,
nome que a vila dita ser de guerra
e que nela p'ra sempre eternizou

Freamunde de Cima anda contente
e verdade se diga com razão:
na rua onde lhe bate o coração,
canta o nome dum filho dessa gente.

Quem destas redondezas ali passa,
só com mais de trinta anos na carcaça,
recorda aquelas mãos abençoadas,

recompensadas com cigarros "fortes",
contrariando o timbre dos seus nortes
por não quererem ser indelicadas

"Pedaços de Nós - Poesia ilustrada" - Julho de 2001

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Freamunde e a Casa do Infantado (XVI)

Pelo relato do reitor Lucas Gomes Ferreira em 1758, aparecem como donatários de Freamunde os senhores Infantes do Reino, uma vez que o marquês de Vila Real havia sido banido do plantel da nobreza pela conspiração de lesa Sua Majestade D. João IV.
No tempo do marquês de Vila Real, Freamunde foi património da Ordem de Cristo à qual estavam destinados proventos dados pelo marquês para sustento dos religiosos e a ordem tinha as mesmas honras e privilégios como se fossem dados pelo rei.
Por extinção da Ordem dos Templários em 1307, conseguiu D. Dinis do Papa autorização para criar em Portugal a Ordem de Cristo. Acto político muito importante. Para a nova ordem passaram todos os bens dos Templários, evitando-se assim a saída de grandes riquezas, e os novos freires prestaram a Portugal serviços importantíssimos. A cruz adoptada foi uma cruz prateada com outra branca sobreposta mais ou menos estilizada - a conhecida Cruz de Cristo, considerada hoje um símbolo nacional.
A Ordem de Cristo instalou-se primeiro no castelo de Castro Marim e depois no convento de Tomar.
Diz o Catálogo dos Bispos do Porto: "O Salvador de Friamundi, Ermidas: Santa Lhena, São Sebastião: tem de comunhão 242 pessoas, menores 36. Há préstimo, rende cento e setenta mil reis. Vigaria".
Em 1821, tinha Freamunde 272 fogos. Pessoas de sacramento e menores de 7 anos para cima: 895. Tinha reitor e Coadjutor. Esteve imposta na igreja uma censoria de 200 reis e de 40 alqueires de milho. Pertenciam ao Infantado 587.200 reis, valor dos dízimos em milhão, centeio, milho alvo, vinho, painço e feijão.
Em 1858, o reitor António Ferreira de Matos num relatório enviado à cúria diocesana diz: que Freamunde é aldeia populosa; que era donatário o Infantado e tinha privilégios do mesmo: e que havia mercado duas vezes no mês, nos dias 13 e 27 e as grandes feiras anuais de 13 de Junho e 13 de Dezembro, são sempre concorridíssimas e têm o nome dos santos do dia em que se realizam, Santo António e Santa Luzia respectivamente. (Continua)
João Correia - "Freamunde e a Casa do Infantado" - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

1001 Quadras ao Vinho

Bebo vinho pra matar
saudades do meu amor!
Água? Só pra refrescar
os pés quando está calor.

São as mil quadras ao vinho,
que eu tenciono fazer,
que me andam a por tolinho
com vontade de beber.

Gosto tanto de beber,
quer seja tinto, quer branco,
que me chega a parecer
que quando bebo nem manco.

Maldito seja quem tem
pipas de vinho a sobrar
e não se lembra de quem
tem a sede por matar.

Bebo vinho pra mostrar
a todo o mundo a razão
porque me perco a beijar
a boca do garrafão.

Um copo de vinho verde
nunca fez mal a ninguém!...
A cabeça só se perde
quando a gente não a tem.

António Rodela
"1001 Quadras ao Vinho" - Novembro de 2009

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Comissário de Polícia - 1966

Um clássico do teatro cómico português que o Grupo Teatral Freamundense levou a palco em Abril de 1966. Farsa em 4 actos com encenação, direcção de cena e sonoplastia a cargo de Fernando Santos. Uma obra de Gervásio Lobato que se desenrola em Lisboa no princípio do século XX.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Poesia de Freamundenses

ÉS AMIGO

Ouço
no silêncio pausado dum olhar
as palavras que não dizes.
Leio
na ausência do minuto parado
um esboço dum sorriso.

Sinto
na tibieza dum gesto dormente
o abraço que não dás.
Leio
na empatia do tempo que passa
teu escutar do que não digo.

Ouço o que não dizes
sinto o que tu sentes.
Vejo o esboço do gesto
que fica no ar.

Obrigada
pelas palavras que envias
pelo sorriso e o esboço
pelo abraço que não dás.

Rosalina Oliveira - "Freamunde e o Sentimeno Popular" - Junho de 1987