terça-feira, 26 de novembro de 2013

VIII Semana Gastronómica do Capão à Freamunde


VIII Semana Gastronómica do Capão à Freamunde em 8 restaurantes do Concelho
A VIII Semana Gastronómica do Capão à Freamunde, que vai decorrer entre os próximos dias 30 de Novembro a 13 de Dezembro, apresenta este ano algumas novidades, nomeadamente a apresentação do Embaixador Honorário do Capão à Freamunde e dos Embaixadores nomeados para 2013 nas categorias de Empresário, Chefe, Jornalista, Confraria e Professor, que serão distinguidos com um diploma.
Neste período, oito restaurantes do concelho terão disponível no seu menu, o prato de Capão à Freamunde, desafio lançado pela Autarquia e Junta de Freguesia de Freamunde aos restaurantes nos últimos 8 anos, juntamente com a Associação de Jovens Ao Futuro (AJAF) e a Associação de Criadores de Capão de Freamunde.
É mais um momento alto para a promoção deste prato que encanta apreciadores, inspirou escritores e cujo produto se encontra em processo de Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Pelo terceiro ano, em parceria com a Rota do Românico, será lançado um programa turístico “Uma tradição de sentidos e sabores … Capão à Freamunde”, conjugando assim o património histórico e o património gastronómico.
A Semana Gastronómica do Capão à Freamunde abre no dia 30 de Novembro e termina a 13 de Dezembro em 8 Restaurantes do concelho.
Um dos pontos altos desta edição da Semana Gastronómica acontecerá no dia 12 de Dezembro, com o XXII Concurso Gastronómico “Capão à Freamunde” 2013, que consiste num Jantar de Capão à Freamunde na Quinta do Pinheiro- Freamunde, durante o qual é atribuído o prémio ao restaurante que melhor confeciona o Capão.
Neste evento, os restaurantes aderentes levam o seu capão a concurso, onde o prato é apreciado e avaliado por um júri, sendo posteriormente comunicado o vencedor no Jantar e entregues os respetivos prémios. O Jantar de Capão à Freamunde contará com a participação de individualidades das diversas áreas, que têm oportunidade de apreciar tão prezada iguaria.
É mais um momento alto para a promoção deste produto e deste prato que encanta apreciadores e cujo produto já certificado como IGP, Indicação Geográfica Protegida.
Excelente assado, com ou sem recheio, coleciona apreciadores de prestígio. Camilo Castelo Branco, aconselhava-o ligeiramente flambado com aguardente velha e conduzido à mesa com
a pele estaladiça. A iguaria mereceu, no entanto, referência em obras de Gil Vicente, Eça de Queirós e D. Francisco Manuel de Melo.
O jantar de “Capão à Freamude” realizar-se-á na Quinta do Pinheiro a 12 de Dezembro pelas 20h00 e o valor de cada bilhete será de 20 euros e encontram-se à venda na Junta de Freguesia de Freamunde.
O dia 13 de Dezembro é, por excelência, o dia da compra e venda do Capão vivo – Feira dos Capões /Feira de Santa Luzia, onde milhares de pessoas deslocam-se a Freamunde, que decorre no centro da cidade. Também no mesmo terreiro da feira realiza-se, pelas 12h00, o Concurso de Melhor Capão Vivo, onde os criadores presentes na feira apresentam os seus melhores capões a Concurso.
De salientar a importância dos parceiros envolvidos: a AJAF, a primeira grande impulsionadora do Concurso Gastronómico, a Associação de Criadores de Capão, Confraria do Capão, a Entidade Regional do Turismo do Porto e Norte de Portugal, da Rota do Românico, da Associação Empresarial de Paços de Ferreira, ADER-SOUSA, Instituto Politécnico do Porto, Quinta do Pinheiro e INFUSA, que têm por função a promoção e divulgação do Capão à Freamunde.
Historial do Capão
A origem do capão remonta aos tempos romanos diz-se que na Roma antiga, o cônsul Caio Cânio, restringido nas suas horas de sono, pelo alvorecer sonoro dos galos, teria conseguido fazer aprovar uma lei no senado que proibia a existência dos galináceos, no perímetro urbano da cidade.
Privados do prazer da sua carne, os súbditos logo inventariam uma forma engenhosa de contornar a disposição legal – capando os galos. Surgia assim o capão, o sápido eunuco que, na sua nobreza e requinte, se tornou comparável ao faisão, à perdiz e à galinhola.
Diz-se que desvirilizados, eles pararam de cantar, para consolar a perda da função, começaram a alimentar-se compulsivamente e a engordar bastante. Ao serem abatidos, mostraram-se iguarias sublimes. Os romanos descobriram que quanto mais cedo fosse realizada a castração, melhor seria o sabor da carne.
E, pelos caminhos de Roma, chegaria até nós este costume e este processo que enriquecia a gastronomia e a alimentação da região, acrescentando-lhe nova e delicada iguaria.
Vários autores se referiram ao capão como “Manjar dos Reis” em suas obras, mereceu atenção de Gil Vicente, D. Francisco Manuel de Melo, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós.
A par de uma riqueza nutritiva e um sabor delicado, as suas origens fazem parte do património lendário da região.
Feira dos Capões/ Feira de Santa luzia
Instituída por provisão régia d' El-Rei D. João V, a 3 de Outubro de 1719, "rezestada na chancellaria Mor da Corte e Reino no livro de offícios a mercês a folhas quarenta e oito; em Lisboa occidental dois de Novembro de mil setecentos e dezanove(...)”.
Alguns historiadores referem que a "Feira dos Capões” já se realizava no séc. XV. Ainda nos dias de hoje em Freamunde, a “Feira dos Capões” realiza-se a 13 de Dezembro, e coincide com a data em que a liturgia católica venera Santa Luzia, a protetora da visão. Os alegados motivos de atração de milhares de Forasteiros à Cidade de Freamunde, é o da compra dos capões aliando também a fé religiosa, venera-se na capelinha de Santo António, situada no mesmo terreiro da feira.
Para os boémios, manda a tradição que seja os primeiros fregueses da afamada “Barraquinha das Festas Sebastianas”, onde servem rojões, fêveras …. regadas com o novo verde tinto da região que é de praxe.
A Feira conta com a eleição do melhor “Capão Vivo” no sentido de dar a conhecer a especificidade deste produto que, se não for bem castrado, não ganha determinadas características, sendo nesse caso chamado “Rinchão”.
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Pedaços de Nós

ZÉ NICETO

Orgulhoso por ser tambolineiro
Trazia Freamunde sempre ao peito,
Zé Tufe, Zé Niceto, Zé Coveiro,
Um filho verdadeiro e de respeito.

A gabardine branca condizia
Com festas, funerais e desfolhadas,
A harmónica de boca respondia
Mas só com o calor dumas copadas.

Zé Tufe, Zé Niceto, Zé Coveiro
Zé-povo mas do povo verdadeiro
Cantavas de cabeça levantada!

E tanto Zé passava a rir, eu vi
Vendo o podre que são dentro de ti,
Mas sempre de cabeça bem vergada.

"Pedaços de Nós - Poesia ilustrada" - Julho de 2001

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Banda de Freamunde (IV)

Com a Banda se cantava, com a Banda se bailava nas romarias dos Santos Populares, dos Padroeiros.
O enraizamento rural das Bandas não está suficientemente estudado, mas, pelos elementos que dispomos, atingia, em finais do século XIX, dimensões insuspeitas. Um pormenor significativo e esse respeito é o facto de, só no concelho de Paços de Ferreira e concelhos limítrofes, terem existido várias Bandas.
No período compreendido entre 1890 e 1906, contavam-se nas redondezas diversos conjuntos musicais, quase todos conhecidos pelos seus regentes ou maestros: de Constantino Carneiro Pinto (Eiriz); de Avelino Carneiro Pinto (Santo Tirso); dos Conceições (Ribeira - Negrelos), de grande fama, dizia-se; de Maximiano Cardoso Osório (Santo Estevão de Vilela), substituído, em 1890, devido a impossibilidade física, por António Gaspara Pereira - os padres Celestino e Martinho Cardoso Osório, conjuntamente com o padre reitor da aldeia, José Machado, fomentaram a criação de uma Banda, a dos Cardosos, que deu origem, "1895", à de Vilela; de Vitorino Batista, de Paços (Vitorino Batista Ferreira da Costa, dono de restaurante, por volta de 1902, na antiga casa dos Brás Cardoso, na Feira do Cô); do Ferreiro ( das "Portas", Meixomil), regida por Joaquim de Sousa Costa, o "Valongueiro" - emigrou para o Brasil em 1898 -, da qual a de Paços é autêntica continuidade; a Louzadense e a "Nova" (Louzada); do Mendes (Fábrica do Rio Vizela); Infantaria 6...Todas elas alternaram, em anos distintos, com a Banda de Freamunde por ocasião dos festejos em honra ao Mártir São Sebastião.
Em Portugal, no plano político, a instabilidade,o prenúncio de bancarrota gerou conflitos e desesperos no seio das populações. João Franco assumiu o poder em 1906 e instalou a Ditadura. Já ninguém vivia em sossego. As agitações populares cresciam de tom e violência. O regicídio haveria de concretizar-se no dia 1 de Fevereiro de 1908 e a proclamação da República dois anos depois.
Freamunde, região alegre e colorida emudeceu. Toda a inquietação provocada pelo assassinato do Rei D. Carlos e D. Luís Filipe levou ao descontrolo emocional da população, originando situações caricatas mesmo no seio dos adeptos da Divina Arte, como a transcrita no jornal de Paços de Ferreira: (...) Em 20 de Setembro de 1908, houve grandes festejos em honra de S. José, na igreja matriz desta vila.
(...) O arraial foi abrilhantado pelas Bandas do Nunes (Freamunde) e Baptista (Paços), as quais se mantiveram no festival nocturno só até à meia noite porque os dois partidos de simpatizantes se excederam.
As consequências dos desacatos foram, contudo - segundo o referido periódico, na edição seguinte -, mais dramáticas: (...) as coisas azedaram a sério e houve bordoada de criar bicho, com várias cabeças e queixos partidos e alguns instrumentos seriamente danificados por terem sido utilizados como armas ofensivas. Pronto! A partir de então, as Bandas mais representativas do concelho, que sempre haviam tocado na melhor das harmonias, tornaram-se rivais. Criaram desavenças, atritos (tal como no futebol, anos mais tarde!), e que hoje, aqui e ali, ainda perduram. Mesmo com a monarquia decadente, em Julho de 1909, o jovem Rei D. Manuel II, de passagem para Amarante onde foi presidir às comemorações do centenário das invasões francesas, teve calorosa recepção em Freamunde. Muito povo, colgaduras nas moradias e...a Banda musical.
A implantação da República em Portugal (5 de Outubro de 1910) arrastou uma longa série de alterações políticas e sociais, de grande alcance, sobretudo as reformas do ensino (primário, técnico e universitário), criação da semana de 48 horas de trabalho em todo o país, nova lei do inquilinato...
Mas, a par destas medidas úteis e benéficas para a população, problemático foi o choque com a Igreja Católica. Em 19 de Abril foi promulgada a Lei da Separação da Igreja e do Estado, que suscitou vários conflitos e perseguições ao clero. O Estado deixava de reconhecer a religião católica como religião oficial do país.
A República passou a supervisionar as manifestações de culto. A Igreja assistia, impotente, ao tresmalhar das ovelhas.
Vários festejos em honra de santos padroeiros foram liminarmente interrompidos. As Bandas quase se limitavam a festas comemorativas: 5 de Outubro, 31 de Dezembro, 1 de Janeiro..., onde davam entusiasmo e contribuíam para o êxito das manifestações promovidas pelas forças afectas ao regime.
A política mandava. Por exemplo, numa exaltada manifestação, em finais de 1912, a Banda apareceu, à entrada de Freamunde, na frente do Regimento de Infantaria nº 6, do Porto, composto por 750 praças (vinha em exercícios da Escola de Repetição, Penafiel, com destino à sede do concelho), a realçar o acto que se praticava - demonstração de força às constantes rebeliões monárquicas e clericais. A Banda, que executava a "Portuguesa", entoando-a entusiasticamente os militares, marcou o passo dos "heróis", perante eufórica multidão.
Curiosamente, Freamunde foi das poucas terras (porque seria?) onde as celebrações, sobretudo as realizadas em honra do Santo Mártir, vingaram.
Os músicos agradeceram. Era o argumento monetário. Tocar em festas, pela Banda, era muito bom. Sempre se ganhava uma maquiazita que ajudava a compor o orçamento do lar.
Música, teatro e festividades religiosas continuavam, mesmo com entraves, a viver harmoniosamente, entretendo o espírito do povo deste torrão.
(Continua)
Joaquim Pinto - "Associação Musical de Freamunde - 190 anos"

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Poesia de Freamundenses

MULHER DE ONTEM E DE HOJE
 
Tu mulher, que tanto sofrias
De noite não dormias
Sempre a pensar na má sorte...
Se não fosse pelos filhos
Que às vezes são empecilhos
Tu preferias a morte.
 
Levavas por tudo e por nada
Não te davam valor
Faziam de Ti escrava
O teu corpo era um tambor
 
Pobre de Ti, ó mulher
Que em silêncio e segredo
Não lutavas em protesto
Dentro de Ti estava o medo.
 
Tu, mulher de hoje,
Fuma, refila, luta
Chama-lhe filho da puta.
 
Não o deixes avançar
Nem que te levante a mão
Impõem-te, dá-te ao respeito
Não o deixes ser machão
Pois tens o mesmo direito.
 
Maria Augusta - "Alma Freamundense - Poesia Colectiva" - Julho de 2004

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A castração do capão

A populosa e aprazível freguesia de Freamunde, tem um sugestivo cartaz de propaganda - a antiga e concorrida feira anual de Santa Luzia, pitorescamente conhecida em todo o país por «Feira dos Capões».
Em vésperas da festiva quadra do Natal, a 13 de Dezembro de cada ano, Freamunde chama ao seu convívio inúmeros feirantes que ali vão vender e comprar gados, bovino, cavalar ou porcino, e outros animais domésticos, onde há a salientar os perús e os célebres «capões», ou sejam galos que foram submetidos, quando novos, à operação de castração, a fim de qua a carne se torne mais delicada, saborosa e tenra e adquira tecido adiposo em maior grau.
Mas, como nem só de pão vive o homem, as diversões e as guloseimas não faltam na «Feira dos Capões», a par de artigos de vestuário, sobretudo roupas de agasalho.
Num ou noutro rancho, os feirantes e os foliões cantam a propósito:
«Fostes a Santa Luzia, nem um pito me trouxestes,
nem os mouros da mourama
fazeram o que tu fazestes!!»
e dizem resignados e pitorescamente:
«Na falta de capão
cebola e pão.»
As galinheiras, quando «apernam» ou atam pelas pernas os frangos, dão sempre a preferência aos de «quilha torta e grossa veia debaixo da asa».
A «capação dos frangos» é feita por gente prática daquelas redondezas. Nos seus preceitos gerais, resume-se no seguinte: põem o frangão em jejum durante dia e meio. Uma criatura sujeita a ave, segurando-lhe as asas, deitando-a de costas e estendendo-lhe a coxa direita ao longo do corpo, e puxando-lhe a coxa esquerda para trás de maneira a ficar descoberto o flanco esquerdo, se despluma em 7 cm2, perto da última costela, lavando em seguida a pele com álcool, molhando as penas que ficam em roda, para que não levantem; faz-se, a meio do flanco, um golpe de 4 centímetros. Pela abertura, introduz-se o dedo médio untando em azeite, o qual procura os «guaranipos», isto é os testículos, situados um de cada lado da coluna vertebral (para o que necessita afastar as vísceras), na direcção da última costela. Destaca-se, para evitar hemorragias, um «guaranipo» de cada vez, fazendo pressão com a unha lentamente, e para os extrair far-se-ão escorregar com a cabeça ou polpa do dedo encostados à parede abdominal. Depois cose-se o golpe com linha vulgar preta e lava-se com um desinfectante.
Deixa-se o frango em liberdade, dando-lhe, quinze horas depois, leite ou papa rala, mas é preciso que a ave não se empoleire durante quatro dias. Para se proceder à castração é conveniente que os testículos estejam já suficientemente desenvolvidos e, por isso, deve fazer-se logo que os galispos comecem a galar as frangas.
Em muitas povoações, os «capões» servem para ajudar a criar os pintos mais corpulentos. Para este fim usam uma prática rotineira e bárbara: arrancam ao «capão» as penas do ventre e, depois de desplumado, esfregam-lhe este com urtigas; mete-se depois na capoeira este humilhado «eunuco», com um pequeno número de frangos, que, passando-lhe debaixo do ventre, abrandam o prurido produzido pelas urtigas e o obrigam, por este alívio, a recebê-los sem briga.
Guilherme Felgueiras - "Paços de Ferreira - História para um guerreiro" - 1995

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Toponímia Freamundense

RUA DO COMÉRCIO
Começa desde 1983, na rua Grupo Teatral Freamundense e termina no cruzamento das ruas Padre Castro e rua do Carvalhal.
Foi o principal comerciante desta rua, o vereador em 1902, António José de Brito, a quem a viação desta terra muito deve, mais do que a nenhum outro, importantes serviços, quem lembrou e conseguiu da Câmara Municipal a designação de rua do Comércio. A primeira rua de Freamunde estendia-se desde a calçada da Gandarela até ao largo da Feira. Nas comemorações do cinquentenário de elevação a vila a rua foi dividida no cruzamento das ruas do Carvalhal e Padre Castro.
Foi e ainda é a principal artéria de Freamunde, onde se efectuam grandes transacções comerciais e a maior em trânsito rodoviário. A rua é uma parte da estrada nacional 207 rasgada nos meados do século XIX feita em terra batida, mas numa reunião de conselho de ministros o engenheiro Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas, determinou nos anos 40 do século passado que as terras com o estatuto de vila e com mais de mil almas, a via principal fosse beneficiada com uma pavimentação em paralelepípedos. O brigadeiro Alves de Sousa na altura com o posto de tenente, apressou o processo e Freamunde foi uma das primeiras terras a ser beneficiada, e considerada uma das melhores do país.
Ali havia uma das maiores drogarias do norte do país e a primeira bomba de gasolina do concelho, pertencente à firma António José de Brito & Filhos, Lda, e que o jornal "O Pacense" em 15 de Julho de 1930, publicitava: "Depósito de material eléctrico. Sortido completo de lâmpadas MAZDA - as melhores de todas. Candeeiros de todos os géneros. Aparelhos para aquecimento. Pessoal competente para instalações particulares. Transformam-se candeeiros em diversos estilos. Representantes neste concelho da casa de candeeiros "Electro Bazar" de Ângelo & Irmão. Depositários da Tabaqueira e Fosforeira Nacional. Agentes bancários etc. etc."
A uns cinquenta metros a poente desta importante casa, havia desde 1890, a hospedaria de Valentim Moreira Dias Cardoso, com a denominação de "Restaurante Cardoso". "Além de bastantes e bem arejados quartos, possui uma esplêndida sala de jantar, podendo comportar para cima de sessenta pessoas."
O seu muito digno proprietário não se poupa a trabalhos para ser agradável a seus fregueses e amigos, tendo adquirido para estes dias de festas a Santo António um belo cozinheiro e um escolhido pessoal para o serviço de mesa e balcão", lia-se no reclamo comercial desta casa, que os meus prezados leitores fiquem com uma ideia de como era feita a publicidade nesses tempos.
Do lado sul, onde está o talho e no primeiro andar o Núcleo do Sporting Clube de Portugal, foi em tempos passados um grande estabelecimento de fazendas de Miguel Nunes de Oliveira. No posto de abastecimento e bloco habitacional eram quintais em forma de rampa cobertos de ramadas, ao fundo a casa do reitor que servia de habitação ao caseiro da quinta pertencente ao Dr. Portocarreiro.
Em 13 de Junho de 1920, dia de Santo António, foi inaugurada a fábrica de mobiliário e material escolar sob a firma de Pereiras, Barros e Companhia, Lda, que laborou com qualidade e eficiência durante cerca  de três anos, até que em 23 de Março de 1923, um pavoroso incêndio a tornou pasto das chamas as quais iluminaram quase toda a freguesia. O sinistro dera-se por volta das três da madrugada e o clarão foi notado nas freguesias circunvizinhas, e como nesta data ainda não existiam os bombeiros, a fábrica ficou completamente destruída. Foi então quando se pensou em novas instalações nuns terrenos a duzentos metros a poente e pertencentes ao dr. Alberto Carneiro Alves da Cruz, que fica como sócio da Sociedade Comercial por cotas agora com 28 sócios, entre a viúva da firma Albino de Matos Sucessores Limitada, D. Elisa da Costa Torres, e a nova firma adopta o nome de Albino de Matos, Pereiras & Barros, Lda. (Continua)
João Correia - Toponímia Freamundense - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Esta é mesmo verdadeira

SALVO SEJA!...
O actor Erico Braga era um dos muitos que, na sua época, primeiras décadas do passado século, usvam monóculo, mais por ser considerado chic e "rafiné" do que por necessidade visual.
Um dia, em que era acompanhado pelo grande actor Chaby Pinheiro (...grande em tudo...), disse-lhe que precisava de ir ao oculista para comprar um novo monóculo, pois o seu partira-se ou perdera-o...Chaby Pinheiro foi com ele e ajudou-o a escolher os petulantes vidrinhos que se encaixavam nas órbitas apoiados no nariz e, na sua maioria, presos ao colete por um longo fio preto...
Feita a escolha disse para o empregado que o atendeu:
- "Levo este."
- "Deseja que o embrulhe?" - perguntou o solícito atendedor. E logo o malandro do Chaby Pinheiro, com o tom mais natural deste mundo:
- "Não vale a pena: ele leva no olho..."
Chaby Pinheiro














Erico Braga

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Sebastianas ( I )

Hoje "Sebastianas", outrora "Festas do Mártir" ou "Festas da Vila", da sua origem pouco se sabe.
O Professor Manuel Vieira Dinis, numa das muitas rubricas "História e Etnografia", publicadas na Gazeta de Paços de Ferreira, faz menção a um dos mais enraizados cultos, S. Sebastião, adorado desde meados do século XIV.
«É quase certo não haver paróquia concelhia em cuja matriz não figure uma imagem do martírio aplicado ao cristianíssimo S. Sebastião, advogado da "fome, peste e guerra. Sempre que os males rondavam e caíam sobre os povos, atingindo, por vezes, o gado e as culturas, a veneranda imagem cruzava então a freguesia em deligência piedosa.
Saía de seus lares o povo, penitenciando-se, com hinários e ladaínhas, pregações e procissões de negro. Verdadeiros clamores dirigidos ao Céu, de profundo desespero. Guiões coloridos, cruzes, andores com orago e imagens de maior devoção. De cada casa um representante; o bom conselho popular interpunha-se de aviso: - Quem em vida faltou a algum clamor de obrigação, teria de fazê-lo depois de morto.
Velhos manuscritos registam cercos a quem não faltavam tocadores de viola e os respectivos foliões bailando na frente.
Quando a caminhada era longa, o povo prevenia-se com farnel e boa pinga.
As procissões ao S. Sebastião, aí por meados do século XVIII, não deixavam de ter características especiais. Davam-se morteiros ao levantar do mastro, véspera e dia, armava-se a capela com damascos; havia também tambores, clarins e trompas, além da missa cantada, sermão e de tarde procissão.
Faziam-se "comezainas em hum Monte, pousavam-se indecentíssimamente os Andores no chão, enquanto se comia, e estalavam rizadas e galhofas; sahia-se muito bêbado". É claro que estes e outros aspectos de irreverência mereceram medidas proibitivas por parte das autoridades eclesiásticas».
As romarias e as festas populares, aquelas onde encontramos as mais expressivas vivências de religiosidade - conforme descreveu Carlos Ferreira de Almeida em "Alto Minho" -, centravam-se, sistematicamente, em santuários, capelas ou ermidas e não em igrejas paroquiais onde, aqui, o controle era mais intenso e não eram possíveis tão grandes liberdades de festa, de ritos e de lúdico, até, por vezes, de erotismo.
Por outro lado, as capelas e os santuários, isolados, prestavam-se muito melhor que as paroquiais às vivências do romeiro.
As festas ao Mártir, em Freamunde, tiveram sempre - tanto quanto sabemos - como epicentro na sua vertente religiosa, a igreja matriz.
Anteriormente à construção da mesma, o culto seria praticado numa velha capelinha que, dizem, teria existido em honra do Santo Sebastião e derrubada para posterior edificação da capela de S. Francisco, em meados do século XVIII.
Socorrendo-nos de vários elementos de pesquisa, constatámos que depois de algumas hesitações ao longo da primeira metade do século XIX a festa ao Santíssimo libertou-se de certos preconceitos para concentrar a anterior vivência em comunhão com o profano.
A invocação ao Santo deixou de ser uma realidade intrinsecamente ligada à vida religiosa.
Nem os documentos nem a tradição fixam no calendário a data exacta em que houve início à festa ao Mártir por excelência, com as características, com o aparato, que hoje se lhe conhecem.
Porém, há indícios que a Regeneração e consequente entrada na segunda metade do século XIX foi um voltar de página nas festividades a S. Sebastião.
A Festa ao Mártir não correspondia, nem corresponde, à data litúrgica ( a Igreja dedica a S. Sebastião o dia 20 de Janeiro de cada ano).
(Continua)
Joaquim Pinto - "Sebastianas" - Julho de 2013