RUA DO COMÉRCIO
Começa desde 1983, na rua Grupo Teatral Freamundense e termina no cruzamento das ruas Padre Castro e rua do Carvalhal.
Foi o principal comerciante desta rua, o vereador em 1902, António José de Brito, a quem a viação desta terra muito deve, mais do que a nenhum outro, importantes serviços, quem lembrou e conseguiu da Câmara Municipal a designação de rua do Comércio. A primeira rua de Freamunde estendia-se desde a calçada da Gandarela até ao largo da Feira. Nas comemorações do cinquentenário de elevação a vila a rua foi dividida no cruzamento das ruas do Carvalhal e Padre Castro.
Foi e ainda é a principal artéria de Freamunde, onde se efectuam grandes transacções comerciais e a maior em trânsito rodoviário. A rua é uma parte da estrada nacional 207 rasgada nos meados do século XIX feita em terra batida, mas numa reunião de conselho de ministros o engenheiro Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas, determinou nos anos 40 do século passado que as terras com o estatuto de vila e com mais de mil almas, a via principal fosse beneficiada com uma pavimentação em paralelepípedos. O brigadeiro Alves de Sousa na altura com o posto de tenente, apressou o processo e Freamunde foi uma das primeiras terras a ser beneficiada, e considerada uma das melhores do país.
Ali havia uma das maiores drogarias do norte do país e a primeira bomba de gasolina do concelho, pertencente à firma António José de Brito & Filhos, Lda, e que o jornal "O Pacense" em 15 de Julho de 1930, publicitava: "Depósito de material eléctrico. Sortido completo de lâmpadas MAZDA - as melhores de todas. Candeeiros de todos os géneros. Aparelhos para aquecimento. Pessoal competente para instalações particulares. Transformam-se candeeiros em diversos estilos. Representantes neste concelho da casa de candeeiros "Electro Bazar" de Ângelo & Irmão. Depositários da Tabaqueira e Fosforeira Nacional. Agentes bancários etc. etc."
A uns cinquenta metros a poente desta importante casa, havia desde 1890, a hospedaria de Valentim Moreira Dias Cardoso, com a denominação de "Restaurante Cardoso". "Além de bastantes e bem arejados quartos, possui uma esplêndida sala de jantar, podendo comportar para cima de sessenta pessoas."
O seu muito digno proprietário não se poupa a trabalhos para ser agradável a seus fregueses e amigos, tendo adquirido para estes dias de festas a Santo António um belo cozinheiro e um escolhido pessoal para o serviço de mesa e balcão", lia-se no reclamo comercial desta casa, que os meus prezados leitores fiquem com uma ideia de como era feita a publicidade nesses tempos.
Do lado sul, onde está o talho e no primeiro andar o Núcleo do Sporting Clube de Portugal, foi em tempos passados um grande estabelecimento de fazendas de Miguel Nunes de Oliveira. No posto de abastecimento e bloco habitacional eram quintais em forma de rampa cobertos de ramadas, ao fundo a casa do reitor que servia de habitação ao caseiro da quinta pertencente ao Dr. Portocarreiro.
Em 13 de Junho de 1920, dia de Santo António, foi inaugurada a fábrica de mobiliário e material escolar sob a firma de Pereiras, Barros e Companhia, Lda, que laborou com qualidade e eficiência durante cerca de três anos, até que em 23 de Março de 1923, um pavoroso incêndio a tornou pasto das chamas as quais iluminaram quase toda a freguesia. O sinistro dera-se por volta das três da madrugada e o clarão foi notado nas freguesias circunvizinhas, e como nesta data ainda não existiam os bombeiros, a fábrica ficou completamente destruída. Foi então quando se pensou em novas instalações nuns terrenos a duzentos metros a poente e pertencentes ao dr. Alberto Carneiro Alves da Cruz, que fica como sócio da Sociedade Comercial por cotas agora com 28 sócios, entre a viúva da firma Albino de Matos Sucessores Limitada, D. Elisa da Costa Torres, e a nova firma adopta o nome de Albino de Matos, Pereiras & Barros, Lda. (Continua)
João Correia - Toponímia Freamundense - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

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