quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Freamunde e a Casa do Infantado (XVII)

Como disse no início deste trabalho, a extinção da Casa do Infantado deu-se por decreto de 18 de Março de 1834, juntamente com a legislação governamental de 1834-1835, que extinguiu igualmente os conventos, nacionalizando os respectivos bens (enorme património fundiário que o Estado Liberal lançou no mercado) foi decisivo para a transformação estrutural da sociedade portuguesa, que, nos inícios da década de 1850, se podia considerar já consolidadamente liberal. Com efeito, só após os sobressaltos ocorridos nos anos 30 e 40 do século XIX e as experiências setembrista (1836-1842) e cabralista (1842-1851), é que o Portugal oitocentista encontrou a estabilidade possível, com o advento da Regeneração em Maio de 1851, estabilidade essa que estava a ser pedida como o pão para a boca.
Logo após em 1856, era Lisboa e grande parte do país, invadido por duas epidemias terríveis que causaram numerosas vítimas - a febre amarela e a cólera-mórbus - o Rei fez quando pôde a favor dos doentes, visitando os hospitais a socorrer e a animar os doentes. Mesmo assim continuou o desenvolvimento da Instrução e realizaram-se ainda melhoramentos importantes. Criaram-se muitas escolas e fundaram-se o Curso Superior de Letras e o Observatório Astronómico de Lisboa, foi ainda abolida a pena de morte, para os crimes civis; proibiram-se os trabalhos forçados na metrópele e a prisão perpétua; e aboliu-se também a escravatura em todas as terras de Portugal.
Foi ainda um período áureo nas Letras, com os brilhantes escritores: Almeida Garret, António Feliciano de Castilho, Oliveira Martins, João de Deus, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Pinheiro Chagas e tantos outros que deram a Portugal honra e prestígio. (Continua)
João Correia - "Freamunde e a Casa do Infantado" - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

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