terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Poesia de Freamundenses

 CONSOADA
Tambéu eu, pela vez primeira, um dia,
Era pequeno, ainda lembro bem,
Pus uma chanca no fogão, também,
Deitando-me, a seguir, com que alegria!

Eis que, finalmente, a manhã surgia.
Com que ansiedade eu esperava alguém.
Somente minha mãe e mais ninguém;
Pois só ela era a minha companhia.

Demorava-se. Então, fui eu buscar
A chanca, que, vazia, lá achei.
Corro ao seu leito para me queixar.

Já, sem vida, essa mãe eu encontrei.
A consoada, então, pus-me a pensar,
Fui eu, meu bom Jesus, que vo-la dei.
28 - 6 - 1954

Jaime Sousa - "Alma Freamundense - Poesia Colectiva"- Julho de 2004   


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