quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Curta-metragem de freamundense no Fantasporto

FIND ME, curta-metragem realizada por Bruno Ferreira, freamundense de 21 anos, estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, foi seleccionada para passar na 34ª edição do conceituado festival da cinema Fantasporto e concorre ao "Prémio Cinema Português - Escolas de Cinema".
Esta é a segunda participação do jovem realizador neste festival que se realiza desde 1980, sendo considerado o de maior prestígio internacional realizado em Portugal.
A curta-metragem encontra-se disponível no Youtube e será projectada no dia 6 de Março, no Teatro Rivoli, local escolhido para o evento que decorre entre 28 de Fevereiro e 7 de Março.
IN Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Freamunde em tons de azul

O cinzento escuro carregado deu lugar ao Sol e ao azul sem qualquer cerimónia. Dois belíssimos dias de Inverno em tons de azul. Com muita luz. Momentos de Inverno, com um cheirinho a Primavera que está aí não tarda nada.
Freamunde em tons de (um belíssimo) azul...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O céu como limite

Só porque gostei desta fotografia, só porque me apeteceu publicar, e também só porque me apeteceu dar-lhe um nome: o céu como limite. Ali, onde se perde o olhar...o infinito...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Banda de Freamunde ( V )

 Mesmo sentindo os sacrifícios de toda a ordem, os componentes da Banda, sempre altruístas, continuavam a auxiliar, a cooperar com as Instituições locais, como se pode ler numa das edições do jornal "O Progresso de Paços de Ferreira": (...) no dia 17 de Maio de 1914, espectáculo dado por um grupo de músicos da apreciada Banda do sr. Nunes, no elegante salão da nossa benemérita Associação dos Socorros Mútuos Freamundense, em prol da mesma. O espectáculo esteve esplêndido. Primeiro, com um concerto dado no palco pela citada Banda, que executou a música de revista "Capote e Lenço", sendo no final do espectáculo repetida a pedido."
Freamunde, terra de cariz essencialmente rural, o ganha pão da maioria da população era o reflexo da aspereza da vida, do trabalho no campo, cavando a terra, nas mondas do centeio e sachas do milho.
Lutava-se muito para que a miséria não fosse total.
Os homens, os chefes de família, tinham de esgadanhar-se para sustentar os seus, para os alimentar, para mandar os petizes à escola.
Foi nessa austeridade material e social que, para muitos meninos - quase todos filhos de gente humilde; de abundante, só conheciam o sol e a água - se fez a história de uma infância de privações. "Carregados" pela vida tinham de tomar conta do gado, dos irmãos recém nascidos - quase por um ano, não contando com os que morriam durante o parto ou meses depois; épocas em que à falta de outras "diversões", os homens se "entretinham" a fazer filhos...Havia pouco espaço para brincadeiras e estudos.
Mas já era evidente e surpreendente a vontade de aprender a ler, de aprender a tocar que alguns "miúdos" mostravam, numa terra, Freamunde, que mantinha interessante actividade musical, mesmo sem Academia, mas onde as letras  e as boas artes já eram cultivadas.
Eles tinham muito a noção que a entrada na arte dos sons, na banda, abrindo horizontes culturais, lhes proporcionaria, sobretudo, um dinheirito, garante da melhoria das condições materiais da família; que assim se desforravam, por momentos, das agruras do dia a dia.
Como seria, então, a aprendizagem dos rapazinhos que frequentavam os ensaios, para posterior entrada na Filarmónica? Através do ensino particular, em casa de músicos habilitados, saídos ou fazendo parte da Banda. Com paciência e delicadeza. Havia cumplicidade, relação efectiva entre mestre e aprendiz. Ninguém torcia o nariz ao solfejo, às pautas, por certo! Não era só querer e determinação do aluno. O pai mandava, impunha. Era a lei da vida. O vil metal conquistado nas "funcções", pouco que fosse, ajudava, e muito, a suprir as dificuldades, a matar a fome, a fome negra, literal, que muitas famílias rapavam cá na aldeia.
Socorri-me de alguns exemplares de livros de apontamentos, pertença de Américo Augusto Pereira Gomes, filho do já citado Augusto Pereira Gomes, ex-chefe da Banda (em 1915 ainda copiava partituras por conta dos músicos) - Américo Augusto Pereira Gomes, recorde-se, exímio executante de clarinete e requinta, contra-mestre da Banda, sob regência de António Ferreira Nunes.
Mas só largos anos depois da morte do emblemático músico, é que um familiar, por afinidade, Teodoro "Faria", remexendo nos seus arquivos, espalhados pelo sótão da antiga casa, descobriu a vastidão do espólio, também autobiográfico, manuscrito e dirigido, quem sabe?, aos seus descendentes, e o disponibilizou para auxílio das minhas dúvidas. Alguém que, pelos vistos, se manteve lúcido e activo até ao fim, apesar, dizem, da debilidade física e emocional notória, após enviuvar, nos últimos anos. (continua)
Joaquim Pinto - "Associação Musical de Freamunde - 190 anos"

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Inverno com tréguas

Rua acima, rua abaixo, e mais um fim-de-semana que passou. Mais um fim-de-semana de Inverno com a chuva  a dar tréguas no domingo, e com o dia a iniciar-se com um nevoeiro quase cerrado, mas óptimo pra captar fotografias...
Aqui ficam mais alguns momentos de mais um fim-de-semana de Inverno. Em Freamunde. Com tréguas...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Poesia de Freamundenses

POUCA SORTE

Hoje, abri uma janela
Ao romper da madrugada,
Passei a ver mesmo em frente
A futura namorada.

Com a boca sorridente
Se encontrava debruçada,
No peitoril da janela,
 Que deitava para a entrada.

Tive então a tentação
De um beijo lhe pedir
Ela fechou-me a janela
E dentro ficou-se a rir...

Esta é a grande verdade
Bem ou mal isto acontece...
Se aparências iludem
Nada é o que parece.

ARNALDO BRITO - "FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR - POESIA" - 1987

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Toponímia Freamundense

RUA FERNANDO SANTOS (EDURISA, FILHO)
A rua começa no Largo Associação de Socorros Mútuos Freamundense, e termina na Rua da Escola Infantil de Música, no cruzamento com a Rua Sociedade Columbófila e com a Rua de Santa Luzia, rua esta que dá acesso à Escola Secundária de Freamunde.
Esta rua foi inaugurada após a morte de Fernando Santos (Edurisa, Filho), em 2005. Este foi um dos critérios da Comissão de Toponímia: «só homenagear os que a morte já levou».
Em baixo uma breve biografia de Fernando Santos.
FERNANDO SANTOS
Fernando Eduardo da Silva Delgado Ribeiro dos Santos nasceu na Invicta cidade do Porto a 09/12/1922. Filho de um crítico de teatro do Porto,que adoptou o pseudónimo de "Edurisa",pelo que veio a ser conhecido por "Edurisa, filho". Seus padrinhos de baptismo foram o grande actor Alves da Cunha e sua esposa.
Nascido e criado no meio teatral, cedo ingressou no TEP,onde encenou uma peça.Transferido para o "Grupo de Modestos" no Porto vem, na qualidade de seu encenador a Freamunde com o grupo, a convite de António Pereira da Costa, que era então presidente da Associação de Socorros Mútuos Freamundense.Gostou da então Vila de Freamunde e da filha do seu anfitrião, D. Brazinda Pereira da Costa, com quem viria a casar depois. E para Freamunde se mudou, assumindo o lugar de sócio gerente da Fábrica do Calvário,propriedade de seu sogro.
Quando estudante do Instituto Industrial do Porto, escreveu inúmeras revistas académicas que obtiveram assinalado êxito no Norte do País, sendo as principais "Mais um ano", "Está na hora!", "Gatas à porta" e "A grande fita".
Era um homem de teatro e não podia apagar-se. Aderiu ao grupo cénico de Freamunde, hoje Grupo Teatral Freamundense, grupo este do qual foi director e um dos fundadores, onde encenou obras suas, adaptando outras.Homem multifacetado do teatro, desde a escrita ou adaptação de textos à encenação, não se queda por aí o seu talento. Não tendo nascido em Freamunde, adoptou-a como sua, conhecendo-a, sentindo-a, e vivendo-a como um dos seus filhos. Publicou algumas das suas obras em livro para eternizá-las no coração e mente dos que gostam da terra e das coisas culturais. Foi colaborador efectivo e dirigiu o programa radiofónico que o periódico "A Bomba" mantinha na Rádio Clube do Norte, e também foi correspondente efectivo dos jornais "Diário do Norte" e "Primeiro de Janeiro" . Foi colaborador do jornal "Fredemundus", onde publicava as suas "Coisas Minhas".
A poesia e uma cultura diversificada tornaram-no uma referência cultural de Freamunde. 
Fernando Santos faleceu a 20/10/2005.
OBRAS ENCENADAS DA SUA AUTORIA:
"Agência de casamentos"
"Irene"
"Bocácio na rua"
"As intrigas no bairro"
"Rainha Cláudia"
"Tem calma Pacheco!"
"Entardecer"
"A casa da felicidade"
"Verdades"
"Gandarela"
"Álbum de família"
"Caridade"
"Cama mesa e roupa lavada"
"Freamunde é coisa boa"
 DISTINÇÕES ATRIBUÍDAS:
1964: Menção honrosa de encenação do SNI
1965:1º Prémio "Francisco Lavadeira"
1966:1º Prémio "Chabi Pinheiro"
1968:2º Prémio "Araújo Pereira"
1971:1º Prémio "António Pinheiro"

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Olhares

Três olhares captados num fim-de-semana carregado de nuvens, como vem sendo habitual nestes últimos dois meses, tendo como pano de fundo este imenso céu sempre carregado, em tons de azul.
Olhares de um Inverno, a fazer jus à palavra!... 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Pedaços de Nós

SE ASSIM FOSSE TODA A GENTE

O Ramos de Carvalhosa
merece a minha amizade,
p'la maneira carinhosa
com que trata a liberdade

Este homem de corpo inteiro
vale p'la sua franqueza,
não p'lo peso do dinheiro
nem pela carteira tesa.

Se assim fosse toda a gente
neste mundo, num repente
tudo seria melhor.

Os homens davam as mãos,
reconheciam-se irmãos
e transbordavam de amor.

"Pedaços de Nós - Poesia ilustrada" - Julho de 2001

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Caminhos

"Caminhos" é um livro da autoria de Rosalina Oliveira editado em Dezembro de 2003. Neste livro, a autora, através de trinta e quatro viagens na nossa linda cidade de Freamunde, pereniza figuras populares e carismáticas da nossa terra...
AS MINHAS VIAGENS
I
Primeira parte
As nuvens pareciam placas de algodão imóveis e longínquas que a ausência de brisa persistia em segurar ali. Era um capacete alvo e azul, quente e prisional que nos circundava.
Sentia-me cativa dessa atmosfera cálida e adversa que me compelia na busca do canto mais fresco da casa. Aí permanecia imota e pensativa. Mas a reflexão e o pensamento aqueciam-me mais a cabeça. Lá fora...calor e azul. Cá bem dentro, dentro de mim, a negritude e o frio.
Pensar faz doer e aquece a cabeça. Treinei-a porém para a arena da vida hodierna, onde as vicissitudes e as surpresas nos fazem tiubear.
Pensei...pensei. Não por opção, mas pelo assalto que o pensamento teima em continuar, com malvadez.
De repente...o assobio melancólico dum pássaro arredio fez-me despertar da letargia e da introspecção em que havia mergulhado ali, no mais recôndito da minha casa, no mais recôndito do meu ser.
Afinal ainda há pássaros. Não há só pássaros de 4.º e 5.º andar como na cidade de Jorge de Sena. É que surgiu outro pássaro e mais outro, em toques divinais. Era a filarmónica da minha terra, a homenagear a Gandarela.
Gandarela
As folhas dos plátanos agitaram-se enfim e começaram a namorar a janela do meu quarto. Na volúpia dos sentidos, ou dos instintos, eu sei lá!, pássaros e folhas, folhas e pássaros começaram a agitar-se e a envolver-me completamente.
Soergui-me e aproximei-me da janela. A carapaça imobilizante começou a soltar-se. Quanto pode a natureza!
-"Não, não vou continuar nesta ausência, mergulhada na minha linfa, exausta e vencida, dominada e amarfanhada". Foi neste ímpeto de vida, neste esforço de presença e neste convite fugaz da natureza que decidi partir para a viagem física. Não há momentos definitivos. Nem os que gostaríamos de eternizar.
A tarde ia chegando à sua condura e o calor árido e avassalador ia-se esfumando pelos meus dedos cada vez menos hirtos.
Calvário
Subi o Calvário, ali onde existiu uma Via Sacra. Na minha religiosidade modesta e introvertida, levantei os olhos para relembrar os passos de Cristo, na sua cruz. E rezei. Soltei palavras do meu âmago, sem que os lábios se mexessem, mas alvoroçou-me o coração. Faltou-me ali o inderal para controlar a minha taquicardia.
Fui subindo. Ah! Como a minha terra se metamorfoseou!
Quando dei por mim, estava no Coração de Jesus, ali no monte de Covas. Novo assalto do pensamento, ali feito saudade. Revi a minha estada aí com os serãozinhos e novenas e depois com os rapazes e raparigas a bailar, recrear, namorar...Era outra a juventude, Não havia "Jessicas Lynch" a ser "feitas" prisioneiras no Iraque. Havia música dos ninhos e música, num portátil. Recordo as canções de Chico Buarque (que afinal recentemente apoiou um ditador, para minha desilusão).
Ali, no monte da saudade e da memória, para me libertar desses acessos de outrora olhei em frente. Só sinais da modernidade! Dessa modernidade que pespega cimento por entre o verde imbecil e dócil.
Coração de Jesus - Covas
Regressei quase como parti. Afinal o ver é correligionário do pensar. Pobre couraça humana, incapaz dos automatismos da vontade, de assomos de indiferença ao espraiar os olhos, para que o pensar atroz não se imponha,, numa ditadura feroz e impiedosa. É esta superioridade humana que nos veio da libertação das mãos e do crescimento do cérebro e nos fez "faber" e "sapiens" que nos faz tantas vezes desejar a insensibilidade dos tempos primitivos. No meu tempo de docente, dei uma vez como tema de redacção a uma quarta classe "Se eu fosse um cão...". O rapazito, de olhos vivos e perspicazes, escreveu: "Se eu fosse um cão, mudava o mundo e fazia a paz". Ao tentar explicar que o cão não é um ser pensante e capaz de decidir, há outro petiz, um espevitado hoje feito homem de bem na vida e com a vida que diz do canto: "Ele queria dizer que os cães é que deviam ter raciocínio..."
As palavras são como as cerejas e a memória é um vídeo aberto não falaz nem imaginativo. Ia-me afastando do meu roteiro. Regressei então mas tive medo. Medo é a sensação presente, no nosso quotidiano. Foi por medo da perda de Marie que Bertrand Cantat, do grup Noir Desir a matou. A morte por amor que pode justificar o masoquismo de mulheres vítimas de violência doméstica, nos dias de hoje. (continua)
Rosalina Oliveira - "Caminhos" - Dezembro de 2003

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

João Taipa - 1922 / 2014

Quando se fala em Sport Clube de Freamunde, fala-se, obrigatoriamente em João Taipa. Figura ímpar do clube, partiu ontem para a vida eterna! Homem íntegro, humanista, nunca sujeito a qualquer tipo de punição a nível desportivo! Caso único no futebol português! 
Partiu o mais nobre atleta de todos os tempos do Sport Clube de Freamunde. 
Em 1964, nas comemorações do 50º aniversário da Federação Portuguesa de Futebol, o presidente da República, Américo Tomás, condecora a F. P. F. com a medalha de Mérito Desportivo. O porta-estandarte foi confiado a João Taipa.
João Taipa despediu-se definitivamente dos campos no dia 16 de Maio de 1966, num jogo disputado entre o Freamunde e Paredes a contar para a prova extra da Associação de Futebol do Porto, jogo esse em que o clube da casa venceu por 3 -1.
A João Taipa foi concedida a medalha de ouro de Mérito Desportivo da Associação de Futebol do Porto, a medalha de ouro de Mérito Desportivo da Federação Portuguesa de Futebol, e um livre trânsito perpétuo.
João Correia Gomes Taipa nasceu a 30 de Julho de 1922, e faleceu a 2 de Fevereiro de 2014.
Foto: facebook

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Coisas boas do Inverno

Fim-de-semana! Quase toda a semana a pensar nele, e apesar de ser Inverno - e que Inverno! -, fazem-se planos. Eis que São Pedro intromete-se, troca-nos as voltas, e os planos acabam, literalmente, por ir por água abaixo! Ou quase...Céu carregado de nuvens. Nuvens plúmbeas, com chuva e vento...Um convite pra ficarmos em casa...Ou não...É o Inverno. Rigoroso. Típico. Mas no fundo, no fundo, até que nos deixa coisas boas...