sexta-feira, 28 de março de 2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

Poesia de Freamundenses

 PRIMAVERA EM FLOR

Já chegou a Primavera
É o tempo das flores,
Vejo ao longe um barco à vela
Carregado de amores.

Amores perfeitos são lindos
Há-os de muitas cores
Colho-os no meu jardim
Aqueles lindos amores.

Andorinha quando vem
Traz no bico uma flor,
Foi Deus quem a mandou vir
Trazer a paz e o amor.

Semeei amores-perfeitos
No canteiro do meu jardim
Nascem todos com defeitos
Todos os amores são assim.

Eu tenho no meu jardim
Cravos e rosas em botão,
Para assear o altar
Na noite de S. João.

Eu gosto das andorinhas,
Pela tardinha a voar
Eu colho no meu jardim
As flores p'ró meu altar.

Maximino Mendes - "Freamunde e o Sentimento Popular - Poesia" - 1987

terça-feira, 25 de março de 2014

Olhares

Um olhar sobre uma silhueta urbana, com anoitecer, em Freamunde, na Rua das Escolas. Um olhar, no primeiro sábado da Pimavera 2014, que chegou com chuva e algum frio à mistura.
Um olhar sobre o Bairro do Outeiro no primeiro domingo da Primavera, com muito Sol e com belíssimas nuvens "calmas".
Um outro olhar sobre o Bairro do Outeiro, com cores a fazer lembrar a Bandeira Nacional, faltando apenas o amarelo. São cores de uma belíssima  e recém chegada Primavera.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Sport Clube de Freamunde - 1933 / 2014 - João Taipa

 ÉPOCA 1942 | 1943
(...) João Taipa, esse, passados que foram alguns meses de impasse, por influência de Júlio Ribeiro Gomes, residente que era na cidade invicta, então a exercer funções de Delegado ou representante do Freamunde S. C. na AFP, é convidado a prestar provas no F. C. Porto, para onde se desloca numa quinta-feira à tarde.
Depois do treino efectuado pernoita em casa de Júlio Gomes, regressando a Freamunde na manhã seguinte onde, de imediato, é confrontado com um telefonema da directoria portista para que se fizesse apresentar o mais rapidamente possível nos seus serviços de secretaria com toda a documentação necessária para posterior inscrição como atleta do clube azul e branco, mas às riscas. A carta de desobriga é assinada por Ernesto Gomes Taipa, Antonino Nogueira Nunes e António Cardoso de Barros, membros directivos do Freamunde, e redigida por Joaquim Pinto Pereira Gomes, competente e dedicado secretário.
Uma semana depois já treinava com o novo emblema ao peito, sendo logo convocado para o desafio de quinta-feira com o Leixões, no Campo do Lima. Jogou na íntegra esse encontro - choruda vitória por 7 -1 - sendo um dos golos da sua autoria.
"Quando fui para o Porto recebia um subsídio de 500 escudos mensais, o que me dava para pagar os transportes, sempre que vinha a casa, comprar umas roupitas e ainda conseguia amealhar alguns tostões", recorda.
 ÉPOCA 1944 | 1945
(...) No campo meramente desportivo, a boa nova rapidamente se espalhou para gáudio dos amantes do "emblema" do Carvalhal; João Taipa, talvez devido à sua maneira de ser, saudoso do seu torrão querido, não se adaptou ao grande clube do Porto, passando Freamunde a ser de novo o seu burgo.
 EQUIPA 1944 / 1945
Em cima: Maximino da "Couta" - Maximino "Frita" - Alberto Matos - Belmiro "da Riqueta" - Zeca "Mirra" - Casimiro "Vaidoso"
Em baixo: Leonel - João Taipa - Américo - Adão Viana - Joaquim Pinto
ÉPOCA 1963 | 1964
HOMENAGEM A JOÃO TAIPA
Freamunde prestou no dia 18 de Maio de 1964 a maior recepção a um dos seus filhos - João Taipa.
O cortejo organizou-se à entrada da Vila e nele se incorporaram todos os atletas do Sport Clube de Freamunde, dois ranchos folclóricos, a Banda de Música e muito, muito povo. 
Presentes, ainda, representações de agremiações desportivas, com os seus estandartes - F. C. Paços de Ferreira e Ermesinde F. C.
Na sessão solene que se seguiu - a mesa de honra foi colocada no lugar da Feira, junto ao bar dos Bombeiros -, vários oradores explicaram a justeza da manifestação e enalteceram as virtudes do homenageado como homem e como desportista.
Tudo isto porque João Taipa foi o atleta, a nível nacional, escolhido e utilizado para porta estandarte da Federação Portuguesa de Futebol, durante as cerimónias de abertura das comemorações do 50º aniversário daquele organismo, a que presidiu o Chefe de Estado, Américo Tomás.
O comodoro Eduardo Scarlatti, num passo da sua brilhante oração, apontou como exemplo de autodisciplina, típica de uma alta formação dos civilizados, «um "modesto" praticante do desporto, desde 1938, há cerca de vinte e seis anos, dois no F. C. Porto e os restantes em agremiação - Sport Clube - de uma terra - Freamunde - desconhecido de muita gente».
João Correia Gomes Taipa nunca deu motivo a mais ligeira punição, por falta de respeito pelos adversários, ou pelas regras de um são desportivismo.
A enorme assistência presente coroou aquelas palavras com prolongada salva de palmas, que o deixou visivelmente emocionado.
João Taipa, colocado no estrado da mesa de honra, empunhava garbosamente a bandeira do seu clube.
Outras manifestações de apreço se seguiram na sua terra natal.
A Câmara Municipal de Paços de Ferreira, tomou a liberdade de testemunhar publicamente todo o apreço por comportamento tão exemplar, deliberando transcrever em pergaminho esta decisão, com o fim de ser entregue ao atleta em referência, em sessão de homenagem a efectuar em Freamunde no dia 28 de Maio de 1964.
Foi ainda tornado público, pelo professor Albano Morais, representante da Associação de Futebol do Porto e Delegado Geral dos Desportos, que lhe iria ser concedida a medalha de oiro da AFP, e a medalha de oiro de Mérito Desportivo da FPF, bem como um livre trânsito perpétuo.
 ÉPOCA 1965 | 1966
" O ADEUS DE JOÃO TAIPA"
A prova extra, organizada pela Associação de Futebol do Porto, serviu para João Taipa se despedir definitivamente dos campos da bola. Foi no dia 16 de Maio de 1966, num Freamunde / Paredes, vencido pelos donos do terreno por 3 - 1, que se assistiu ao momento mais sublime, mais contagiante: o eterno e insaciável goleador pendurava as botas, após 27 anos - não é mentira,  não senhor - a pisar os palcos futebolísticos. Foi difícil pois o "craque" parecia querer prolongar ao máximo uma carreira brilhante, que inevitavelmente terminaria.
Quando em competição, a sua irradiante personalidade, a delicadeza no contacto com os colegas, impunha, por vezes, uma autoridade hipnótica.
Era um jogador que juntava em doses elevadas e equivalentes o seu valor de praticante às de de diplomata do futebol. Ninguém, absolutamente ninguém, tinha quaisquer dúvidas que o seu comportamento ou atitudes sempre se guiaram pelo mais são e puro desportivismo.
O Bilhete de Identidade nunca contou quando era grande o saber e...o querer.
Ao considerá-lo como figura destacada não está somente em causa a sua vali; essencialmente a sua generosidade, a sua tolerância. Foi um desportista de eleição. Que bom lembrá-lo! Que saudades, Joãozinho, desse tempo!...
O povo de Freamunde, e não só, continua e continuará a ter por João Taipa verdadeira idolatria.
ÉPOCA 1969 | 1970
HOMENAGEM A JOÃO TAIPA
Um grupo de freamundenses organizou, no dia 1 de Janeiro de 1970, uma festa de homenagem a João Taipa, figura ímpar do desporto local.
A parte desportiva constou de 2 encontros de futebol: S. C. Freamunde - 1 / Penafiel 4 - e F. C. Porto - 2 / Vitória de Guimarães - 0.
Antes do início deste último jogo, com todos os jogadores alinhados no centro do terreno, Nuno Brás, conceituado jornalista nacional, fez o elogio ao homenageado, exaltando as virtudes de homem e desportista.
Seguidamente o Dr. Luís Guedes, em nome da Associação de Futebol do Porto, depôs nas mãos de João Taipa as medalhas de comportamento exemplar e de mérito desportivo, em ouro, deliberação criada em 1951 pelo Governo Português para galardoar os serviços em prol do desporto nacional.
A comissão distrital de árbitros fez-se representar pela fina flor do conselho: Francisco Guerra e Clemente Henriques.
Uma deputação do Ermesinde, constituída por estandarte e 3 jogadores do tempo de João Taipa (Louceiro, Álvaro Veiga, e José Moreira), também marcou presença. Bonito.
O homenageado agradeceu, comovido, todas as manifestações de carinho, dando então a volta de honra acompanhado por todos os atletas.
João Taipa, durante toda a sua carreira, disputou mais de 800 jogos e rubricou uma imensidade de golos.
Dono de uma personalidade fascinante, despediu-se em glória.
Mais do que um jogador, foi um desportista que não aboliu dimensões fundamentais da existência humana.
Actualmente é recordado com saudade por todos quantos nele viam um praticante de génio e arte.
Nado e criado neste torrão, o nobre e ilustre cidadão João Taipa é o orgulho de todos os que o estimam. Paradigma da personalidade que a sociedade actual, tão corrompida, carece, honra-nos a todos.
A João Taipa, o futebol nunca deu. O futebol recebeu. Tentar imitá-lo, aproveitá-lo, ainda...sempre.
Joaquim Pinto - "Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória" - 2008
MORREU JOÃO TAIPA
A notícia correu célere: morreu o Joãozinho Taipa. Contava 91 anos de idade.
Agora resta-nos entregar aos novos o testemunho da nossa admiração pelo homem, pela figura inconfundível de cidadão e desportista. Pelo "menino" querido do saudoso "Carvalhal", pelo jogador invulgar que empolgava as multidões e criava simpatia nos que o rodeavam, deixando indeléveis recordações, inclusive, nos adversários, árbitros e em todos os adeptod de futebol.
O Joãozinho simboliza, simbolizará sempre, o "velho" Freamunde erguido por gente bairrista e dinâmica, por homens de têmpera que sabiam quanto custava a vida e quanto esforço era preciso para enfrentar e vencer, glorificando a camisola, AZUL, da mesma cor do fato de ganga.
(...) João Taipa só tinha amigos. Homem de hábitos simples, não dispensava visita diária ao "seu" Café Teles, a leitura assídua do jornal diário (devorava os desportivos), futebol na televisão, um bom filme, casa e família, onde procurava a tranquilidade.
João Taipa sobrevirá ao tempo que caminha e destrói a memória dos homens.
Em nome de todos os freamundenses, OBRIGADO, Joãozinho. Descanse em paz.
Joaquim Pinto - "Jornal Gazeta de Paços de Ferreira" - 6 de Fevereiro de 2014
João Taipa nasceu a 30 de Julho de 1922, e faleceu a  2 de Fevereiro de 2014

segunda-feira, 17 de março de 2014

Foto do dia

Uma nova rubrica que, sempre que possível, passará por aqui no blogue. Uma rubrica dedicada à fotografia.
E para começar, uma foto da lua cheia de ontem à noite.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Boavista

Pensa-se que é um nome composto de boa + vista. Nos tempos antigos, daquele lugar avistava-se uma bela paisagem verde com as águas a correr no Cortenhal (1). Bela paisagem é sinónimo pois de boa vista, dois termos que se aglutinaram para formar o topónimo.
1. Cortenhal seria uma pequena corte ou uma parte de pocilga. Será uma adulteração de cortelha. Há quem proponha a grafia Curtinhal. Neste caso seria sítio de curtir peles? Fica a incógnita.
António Torres Correia - "Freamunde - Apontamentos para uma monografia"

terça-feira, 11 de março de 2014

A Primavera aí à porta

Temos quase, quase, de regresso a merecida Primavera. Depois de três longos meses de Inverno, temos a luz, o Sol, com temperaturas quase a lembrar o Verão...
E para iniciar a semana nada melhor que a continuação de luz, muito Sol, tal qual aconteceu no fim-de-semana...
E com a Primavera aí mesmo à porta,há que não esquecer de gozar estes belíssimos dias...

quinta-feira, 6 de março de 2014

Gente da Nossa Terra

"Gente da Nossa Terra" é um livro de poesia ilustrada da autoria de António Ribeiro Taipa (Rodela) e de Vitorino Ribeiro (Inô Vitor) editado em Setembro de 2013. Este livro foi editado doze anos depois de "Pedaços de Nós", da autoria dos mesmos autores. No livro "Pedaços de Nós" foram retratadas 40 personalidades. Neste são retratadas 49 personalidades. Algumas já partiram, outras continuam entre nós.
É mais um belíssimo trabalho destes dois autores. Uma belíssima maneira de recordar pessoas, de recordar GENTE. Gente da Nossa Terra.
A primeira das 49 personalidades a ser retratada é A. Vieira.

GENTE DA NOSSA TERRA
Esta gente que aqui está
é gente da nossa terra
que pode nem ser de cá,
mas está pronta para a guerra.

Morem aonde morar,
dentro do seu pensamento,
ouviram os sinos chamar,
mesmo que não haja vento.

São bairristas verdadeiros,...
Soldados, ...e justiceiros...
vendo o "quartel" em perigo

dão, se for preciso, a vida
pla sua terra querida
pra correr c'o inimigo!...

RODELA
A. VIEIRA

Já mais ninguém o confunde!
Senhora da Aparecida
nasceu em ti para a vida,
mas hoje ele é de Freamunde.

Veio prá aqui pequenino
e cresceu ao nosso lado.
Hoje, faz parte do fado
que dita o nosso destino.

Ele é parte da razão
de casa associação
que a nossa terra pintou.

E há quem diga até por graça,
que foi na bica da praça
que esta terra o batizou!

terça-feira, 4 de março de 2014

Chuva

Chuva. Vai caindo copiosamente e não parece disposta a ir-se embora. Carnaval cinzento. Aliás, muito cinzento. Afinal, é Carnaval, e ninguém leva a mal. Ah! Primavera que tardas!
E "ela", continua copiosamente caindo...