quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Viagem no tempo com...José Maria Pinto

O COZIDO À PORTUGUESA E A FACA DO CABO-VERDIANO
José Maria Pinto tem muitas histórias para contar dos tempos em que era verdadeiro craque da bola. O freamundense, de 75 anos, nunca escondeu a paixão pelo clube da terra, o SC Freamunde, de onde guarda as memórias nunca esquecidas..."Comecei a jogar no Largo da Feira, ali debaixo dos plátanos, com bola de trapos. Ali se formataram quase todos os jogadores da minha e outras épocas. O Zeca Mirra reparou em mim. Era como um olheiro da nossa época. E lá fui para o SC Freamunde para os juniores. Tinha 16 anos. Aos 18 anos já jogava nos seniores", recorda José Maria Pinto, orgulhoso por ter ao peito o símbolo do clube que sempre admirou. "Era extremo esquerdo e marcava muitos golos. Joguei com João Taipa, o exemplo dos jogadores, o Zé Manel da Raimonda, o Humberto, o Barbosa, o Zulmiro, o Luís do Cô, os guarda-redes Santos e o Quintela".
Aos 21 anos foi convidado para o Boavista e já depois de ter tido outros convites como do Benfica, a Cufe e a Académica, convites que não aceitou por motivos pessoais. "No Boavista estive quase anos e tive um problema renal porque bati nas grades no Salgueiros, por um empurrão dum jogador. Saí e fui para o Vizela, clube que ajudei a ser campeão da 3ª Nacional, passando para a 2ª Nacional. Depois dei por aí umas voltas de que francamente não me lembro, só me lembro de ter jogado no F. C. Paços de Ferreira e SC Freamunde. Acabei cedo a minha vida no futebol por motivos de saúde, sobretudo o menisco. Muitos episódios se passaram e alguns com saudade e algum humor".
E  há histórias que merecem ser partilhadas..." Um dia o SC Freamunde ia jogar a Macedo de Cavaleiros e um director, desconhecendo as regras do nutricionismo, encomendou no restaurante um farto cozido à portuguesa. Claro que ao ver aquilo, o treinador mandou devolver a comida. Os jogadores foram quase sem comer para o jogo. Foi caso de risota. Outra vez dormimos fora. Eu pus as minhas coisas direitas e em cima da cama o meu pijama. O meu companheiro de quarto, bom jogador e bom rapaz por sinal, vê o pijama e veste-o. Porquê? Pensava que era a pensão que fornecia pijamas a todos. Mais uma vez foi uma risota!"
E há mais histórias..."No Boavista, um dia pedi a um jogador cabo-verdiano, até bom rapaz, se me levava uma carta à minha namorada e dei-lhe dinheiro para o eléctrico. À noite perguntei-lhe o resultado e ele devolveu a carta dizendo que não era criado de ninguém. Manifestei o meu desagrado e ele puxou de faca para mim. Isto levou à intervenção dos directores do Boavista e tudo ficou resolvido".
As histórias vividas por José Maria Pinto davam para escrever um livro, mas só "com tempo e espaço, muitas mais histórias poderiam ser contadas, e com muita graça, e outras com muita dor. O futebol pode gerar disso tudo: alegria, dor, sofrimento, convívio e saudade...E que saudade..."
JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA

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