quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

"Gandarela"

No dia 22 de Dezembro de 2013 celebrou-se o quinquagésimo aniversário do Grupo Teatral Freamundense, fundado pelo saudoso Fernando Santos (Edurisa, Filho). Em 2013, também, é reposta a opereta popular "Gandarela" (peça que sobe a palco de 10 em 10 anos?...), da autoria do fundador do grupo, que esteve em palco durante o ano de 2014 e, que no passado dia 26 subiu a palco pela última vez, encerrando, assim, as comemorações do cinquentenário do grupo.
 "Gandarela", opereta popular em dois actos, que Noberto Ávila, descreve-a como a «memória teatral de Freamunde», despediu-se dos freamundenses no Centro Escolar, emotivamente!... Eu próprio, tive o prazer de assistir gostosamente pela quarta vez durante o decorrer deste ano.
Foi uma despedida muito, muito emotiva...A assistir estavam pessoas de vários escalões etários, e não só de Freamunde. Pude ver pessoas com lágrimas a escorrer pela face... Pessoas essas, que derivado à idade, possivelmente já não estarão neste mundo para a próxima reposição em 2023...
De salientar e enaltecer que neste grupo estão quatro actores desde a sua fundação: Nélson Lopes, Maria do Carmo Correia, Vitorino Ribeiro e Maria José Ribeiro. E dois interpretam os mesmos personagens desde a sua primeira actuação: "Sora Ana" - Maria do Carmo Correia, "Joaquim Tamanqueiro" - Nélson Lopes.
Importa pois, continuar com a reposição da "Gandarela", para que as gerações mais novas e as próximas sintam Freamunde, sintam o teatro freamundense e sintam a "Gandarela", a «memória teatral de Freamunde». Pena seja que só seja reposta de 10 em 10 anos!...
Bem hajam Grupo Teatral Freamundense. Bem hajam os seus actores, os novos e os "velhos". E venham mais cinquenta!.. Parabéns a todos!
Para que não se esqueça e não se perca, e para memória para as próximas gerações, fica a sinopse, o elenco e a ficha técnica da "Gandarela".
SINOPSE
Acompanhando a onda de revivalismo que se está a verificar no teatro de todo o mundo, repõe-se a opereta "GANDARELA", primeira obra do Grupo Teatral Freamundense, peça de costumes populares, sem preocupações artísticas ou intelectuais, mas que há cinquenta anos constitui o seu maior êxito.
Sendo uma obra ainda com certos laivos de actualidade, a opereta "GANDARELA", é já um documento histórico de Freamunde. E, se politicamente corre o risco de poder ser considerada reaccionária - e até o é..., só se desculpando pela implacável desinformação praticada pelo governo salazarista da época em que foi escrita - , tem a virtude de documentar factos da vida freamundense que os mais novos desconhecem e não mais se verificarão:
 Hoje já não há sardinheiras, nem tamanqueiros, nem tasqueiros, actividades que, há cinquenta anos, caracterizavam a nossa terra. O classismo e a diferenciação social, com o 25 de Abril, esbateram-se muito e hoje, nem Leigal é zona exclusiva dos "ricos", como então era considerada, nem a Gandarela significa "miséria" e menos educação...Não sei se ainda haverá quem recorra a "defumadouros", para alcançar os seus fins..,De qualquer modo, a luz eléctrica, agora acesa toda a noite - o que então não se verificava - muito terá limitado essa prática...A autoridade policial e administrativa deixou de poder contar com as figuras simpáticas, mas bizarras, do Regedor, dos cabos d'ordens e do administrador do concelho...
As festas Sebastianas eram sempre feitas com imensas dificuldades económicas e ninguém queria tomar conta delas. Na "marcha" e na "praça", Gandarela e Leigal apresentavam sempre os seus ranchos pseudo-folclóricos, numa competição que hoje não acontece..."A Banda da Pocariça", foi uma tentativa gorada de concorrência à Banda Cómico - Musical que Figueiró sempre apresentava com imensa graça...O cauteleiro Miguel, que aparece na peça, era uma figura típica e popular, com o seu estridente pregão anasalado e sempre a falar em redondilha rimada. Aquele fotógrafo também existiu: era o "à la minute" e chamava-se Floriano...O relógio da igreja, sempre avariado, passou anos sem ser composto...A estúpida prática do "mel", que consistia em molhar, nos dias das "Sebastianas", todos os que após a "vaca de fogo", não recolhiam a suas casas tinha sido proibida, tendo a Guarda Nacional Republicana aconselhado a junta de freguesia a esvasiar os tanques da praça nesses dias...
 Por tudo isto a opereta "GANDARELA", oferece um interesse que cada vez mais se aviva com o decorrer dos anos. Achamos importante repô-la, mesmo não sendo este o tipo de teatro que mais pode interessar à nossa actividade futura. Mantivemos a encenação inicial, com todos os seus erros e as suas infantilidades...Só não podemos manter os mesmos actores, como o tinhamos feito há dez anos, porque o tempo não perdoa e deixa marcas em cada um de nós...Cantamos sem saber cantar...Fizemos pão-de-ló sem ovos...Oxalá vos saiba bem!
 Cinquenta anos se foram!...Bons tempos, costuma dizer o proverbial saudosismo latino...Eu não estou de acordo. Eu acho que todos os tempos são bons, e que os de agora não são piores, nem melhores que os anteriores. Só que cinquenta anos se passaram, que há menos cinquenta anos para viver e não seriam maus podermos voltar atrás...
 "GANDARELA"
(por ordem de entrada em cena)
Aurora / Bruna Ribeiro | Sora Ana / Maria do Carmo Correia | Joaquim Tamanqueiro / Nelson Lopes | Tino / Jó Saia | Ti Zé / Vitorino Ribeiro | Sora Rita / Aurora Bica | Lopes Regedor / Alberto Felgueiras Leão | Chico Cabo d'Ordens / Francisco Graça | Dona Maria da Anunciação / Maria José Ribeiro | Luisinho / Ricardo Graça | Miquinhas / Aida Gomes | Cego / A. Macedo | Moça do cego / Francisca Balbino | 1ª Vendedeira / Mafalda Ribeiro | 2ª Vendedeira / Ana Leal | 3ª Vendedeira / Catarina Machado | 4ª Vendedeira / Helena Sousa | 1º Freguês / Helder Leão | 1ª Beata / Carla Bica | 2ª Beata / Adelaide Lima | 3ª Beata / Margarida Fernanda | 4ª Beata / Marisa Alves | 5ª Beata / Margarida Taipa | 1ª Rapariga / Eduarda Ribeiro | 2ª Rapariga / Margarida Lima | 1º Miúdo / Diogo Ribeiro | 1º Rapaz / Evaristo Campos | 2º Rapaz / Arménio Sousa | 3º Rapaz / José António Santos | Zé Maria / André Machado | Cauteleiro / Ricardo Machado | Fotógrafo / Arménio Ribeiro |
 FICHA TÉCNICA
Cenografia - Gaspar Leorne | Desenho de Luz - Pedro Lopes | Sonoplastia - Miguel Brito | Montagem - Paulo Ribeiro, Carlos Lemos, Paulo Carvalho, Gabriel Carvalho, Ricardo Machado | Cabelos e Maquilhagem - Albertina Valente, Fátima Moreira, Vitorino Ribeiro | Frente de Sala - Manuel Gomes, Serafim Nogueira | Contra Regra - Arménio Ribeiro | Direcção de Actores - Nelson Lopes, Vitorino Ribeiro | Encenação - Fernando Santos | Direcção de Produção - Arménio Ribeiro, Ricardo Graça.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A preto e branco

Uma fotografia a preto e branco captada num Inverno que recentemente por cá se instalou. E que Inverno! Com temperaturas de bater o dente...Nada de anormal. Nada de estranho. Afinal, estamos no senhor Inverno. Que chegou rigoroso. Nada a que não estejamos habituados...2014, vai-se despedir frio. Muito frio.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Feira dos Capões ou de Santa Luzia

O adágio (Conceição de sol, Luzia de chuva) perspetivava algo de preocupante, mas não se cumpriu. Umas nuvens carregadas, não mais do que isso.
A Festa / Feira prometia: a própria estação pública, RTP1, no seu programa de sábado, 13, "Aqui Portugal", apresentado por Jorge Gabriel, Sónia Araújo e Hélder Reis, dedicou toda a tarde à divulgação e promoção do "bicho", com cantorias e tudo. Oportunidade para que todo o Portugal, os nossos emigrantes espalhados pelo mundo, vissem e ouvissem um pouco do que de bom se produz nesta  Terra: Grupo de Castanholas da Associação Recreativa e Cultural Pedaços de Nós, Grupo Folclórico de Freamunde, Grupo Teatral Freamundense, Rui Taipa...
Depois, a feira é secular, única no País, desde que D. João V a institucionalizou por provisão de 3 de Outubro de 1719, não se estranhando que tivessem afluído a esta cidade milhares de forasteiros durante os dois dias, pois houve prolongamento no domingo, muitos atraídos por um cartaz típico e original, outros à procura do melhor eunuco, "o reia da festa", produto já certificado com a Identidade Geográfica Protegida.
Este ano, os galináceos foram colocados no interior de tenda improvisada, confortável, decente, inovação que se saúda.
Como sempre tem acontecido, a Associação de Criadores de Capões, em parceria com a Junta de Freguesia, promoveu um concurso de "capados" vivos, sujeito, na apreciação e classificação por um júri conceituado, a regras específicas, tendo em consideração o peso a qualidade e a beleza das aves.
A vencedora veio da freguesia vizinha: «todos reclamam, meu senhor, que um par não é nada barato. É bem verdade mas a vida levou uma volta muito grande e os "bichos" custam os olhos da cara a alimentar. Mesmo assim, não me posso lamentar. Pensei que fosse bem pior! A consoada está aí à porta e os que possuem carteira recheada - nem todos, como podem compreender - lá vão mantendo a tradição, obrigando-nos a novas "capadelas" ano após ano».
Mas o dia também é dedicado a Santa Luzia, advogada da vista. Os "crentes" aproveitaram a altura para venerarem na capela de Santo António, onde foram celebradas missas solenes, a imagem da milagrosa. «Queres ver o dia? Pede a Santa Luzia».
Com sol ou chuva, com crise (que tem mexido no orçamento de muitas famílias) ou sem crise, a tradição ainda é o que era. Um pouco diferente, é certo: grande parte dos capões já é procurado e comprado dias antes pelos proprietários dos restaurantes...Antigamente era esta feira que marcava o início do Inverno e onde se compravam os agasalhos para os rigores da época. Com a proliferação dos centros comerciais, as tendas de roupas cingem-se a miudezas (o engraçado era o pregão: é tudo a cinco euros!) e as bancas à venda das doçarias, bujigangas, produtos hortícolas, alfaias agrícolas, eu sei lá!
Quem esteve nas quintas foram as barracas tradicionais de comes e bebes, com especial destaque para a tenda das "Sebastianas", oficialmente aberta desde a noite do dia 12. A abarrotar, todos tingiram os lábios com um tintol de estalo da região e para compor o estômago, uns rojões dentro dum pão pois as castanhas estão pela hora da morte e poucos lá podiam chegar. Dois euros a dúzia, chiça! Enfim, já madrugada dentro, depois das cantigas à mistura, "apanhou-se" um ou outro que não descortinava o caminho para casa ou não se lembrava onde havia estacionado a viatura. Acontece ao mais pintado.
Mas quem não quis esperar pelo dia 13, "alambazou-se" com o saboroso e estaladiço pitéu, no salão de festas da "Quinta do Pinheiro", onde se realizou o jantar de gala, com a presença de vários convidados. No concurso gastronómico, o júri, de paladar bem apurado, apreciou os pratos de capão melhor cozinhado e com superior apresentação dos vários restaurantes concorrentes, premiando com o primeiro lugar a empresa de restauração pacense, "Pensão Aidé".
Também a equitação marcou presença. Nos terrenos junto à piscina, imensos apreciadores puderam assistir à exposição de cavalos de diferentes raças e ao sempre esperado espctáculo equestre, numa organização perfeita.
E é assim. Ano após ano a Feira dos Capões ou de Santa Luzia é o culminar de um ciclo festivo nesta Terra chamada Freamunde.
JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal

Como é habitual nesta quadra, não poderia deixar de expressar o meu desejo de um FELIZ NATAL para todos os visitantes do blogue, e para todos os freamundenses. 
Um Natal cheio de saúde e amor, elementos essenciais para a nossa felicidade.
FELIZ NATAL!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Pedaços de Nós

 A SE ROSA PACHECA

Viva a Se Rosa Pacheca
junto da sua tendinha,
à porta do Venturinha,
minha memória não seca.

Foram milhares, os moços
das escolas da Avenida,
que à Jóia numa fugida
lhe foram roubar tremoços.

Hoje, esta santa mulher,
tenha-a Deus onde quiser
que eu na pobre mente minha

hei-de vê-la a vida inteira,
como Rosa tremoceira
à porta do Venturinha.

"Pedaços de Nós - Poesia Ilustrada" - Julho de 2001

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Uma imagem

Uma imagem captada no parque de lazer de Freamunde numa tarde de Outono quase, quase Inverno.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Viagem no tempo com...Tonanha

O SPORTING E O PASSEIO TECNOLÓGICO...
São muitas as histórias guardadas nos baús dos jogadores que fizeram história em Freamunde. Houve quem vestisse a camisola azul durante toda a carreira, mas há também os que saíram da formação e brilharam nos relvados principais durante muitos anos. Tonanha será, provavelmente, o caso mais marcante de um jogador que saiu do Freamunde e viu o destino colocar-lhe uma barreira intransponível. A saída precoce do profissionalismo aconteceu aos 23 anos de idade, quando jogava na 1ª Liga ao serviço do Belenenses e estava muito perto de assinar pelo Sporting. Um problema de saúde forçou-o a um desvio na sua vida profissional e a uma reorganização pessoal que, na altura, o abalou fortemente.
Mas antes de chegar a este corte na vida, Tonanha teve ainda a oportunidade de guardar para si momentos inesquecíveis de quando jogava futebol. Os primeiros toques foram dados em Freamunde..."Joguei oito anos no clube, na formação e equipa principal. Neste processo, fui campeão sete vezes e, por isso, torna-se difícil escolher o momento mais marcante, pois todos os êxitos foram momentos especiais". No entanto, a presença no campeonato do mundo de sub-20 foi um momento inesquecível. "Era ainda jogador do Freamunde quando isso aconteceu e penso que é algo difícil de repetir. Foi um orgulho para mim e julgo para a maior parte dos sócios do clube", referiu Tonanha, com orgulho, antes de lembrar em que esteve muito perto de assinar pelo Sporting. "Estava tudo tratado para que isso acontecesse, mas foi-me diagnosticado um problema de saúde que me fez abandonar o futebol", recorda, com angústia. "Foram momentos muito difíceis. Ter 23 anos, ser na altura o melhor marcador da 1ª Liga, ser pretendido por um dos grandes do futebol nacional, mas ter que abandonar o que mais se gosta de fazer é muito duro de ultrapassar. São momentos que não desejo a ninguém, mas ultrapassei e hoje tenho outra actividade e sou uma pessoa feliz e realizada", constata.
Para trás fica ainda um episódio vivido quando ainda jogava no Freamunde. "Houve um treino com o António Jesus, o fadista, que ordenou aos jogadores calçarem as sapatilhas. Saímos do estádio à espera de iniciarmos a corrida, mas começámos a andar e nunca mais parámos. Uma hora depois da caminhada, entrámos novamente no estádio até que alguém perguntou ao treinador quando começava o treino. Ao que ele respondeu: «maltinha, o treino está feito. Chama-se a isto treino ecológico». "Foi uma risada total e a verdade é que ganhámos no domingo seguinte".
Em relação ao presente, Tonanha não esconde a preocupação sobre o estado do clube. "Não auguro grande futuro para o Freamunde. Se gostava de treinar a equipa principal? Já tive essa oportunidade e declinei. Gosto muito do clube e gostava de o treinar um dia, mas não nas condições actuais. Nunca irei pôr o futebol à frente da minha estabilidade profissional e familiar".
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Uma imagem de Natal

Presépio da Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós, na sua sede, na Rua do Comércio.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Teatro "Gandarela"

Para quem ainda não teve oportunidade de assistir à belíssima peça de teatro "Gandarela", tem agora mais uma oportunidade para ver ou rever. Desta vez, a peça, que só sobe a palco de 10 em 10 anos, vai ser ainda mais abrilhantada com a actuação da Banda de Freamunde! A não perder!
Dia 20 de Dezembro, 21:30 h, no Centro Escolar de Freamunde.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Senhora da Conceição 2014

No dia 8 de Dezembro, a Igreja Católica celebra a Imaculada Conceição de Maria. Segundo a Igreja, ela é a mais humilde das criaturas, a mãe comum de todos os homens e mulheres. El Rei D. João IV, primeiro Rei da Dinastia de Bragança, consagrou-a Rainha de Portugal nas Cortes de 1646.
Anualmente, Freamunde, também celebra esta data com uma pequena festa a cargo de uma comissão composta por pessoas de ambos os sexos, em que o estado civil é obrigatoriamente solteiro. Uma tradição com largos anos.
A procissão, como não podia deixar de ser, faz parte do programa desta festividade. Aqui ficam algumas imagens dessa procissão.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Banda de Freamunde ( VI )

Assim, numa das páginas de um dos manuais lá estava anotado: (...) 30 de Março de 1913. Relação do tempo que os meus aprendizes de música deram no princípio: Maxymino "do Cândido" deu 3 funcções e ganhou logo na 4ª. O irmão Claudino principiou a vir a minha casa aprender música no dia 23 de Setembro de 1919.
José "do Lexandre" deu 4 funções e ganhou logo na 5ª.
Noutra página, referente ao ano de 1917, já o trágico conflito da Grande Guerra Mundial se arrastava há três anos, a par dos primeiros sinais de surto de epidemias de tifo e gripe pneumónica que iriam causar milhares de mortos em todo o país, (...) o meu aprendiz, António (António Ferreira Rego Júnior), filho do José Ferreira Rêgo, entrou para a múzica e fez a primeira funcção no dia 20 de Maio de 1917, em Sanfins. Começou a ganhar meia porção no dia 10 de Junho na Seroa.
Deu 4 funcções.
Mais tarde...« Principiei a ensinar o Juca, filho do José "do Cândido", no dia 15 de Maio de 1923».
"Funcções": entenda-se prestações em concertos.
"Porção": percentagem do total da verba estabelecida contratualmente, depois de extraída uma parte para o regente e outra para fundo de maneio.
Os instrumentos e fardamento eram propriedades dos músicos.
Num apontamento de Américo Pereira, é mencionado o custo da sua farda e do filho Augusto: 8.050 réis (pelos vistos tornava-se difícil esquecer o real, quando a moeda que circulava era o escudo).
Numa terra em que a maioria da população era iletrada, não se tornava imperioso uma cultura por aí fora para se sentir a música, acessível ao povo. Bastava vivê-la. Bastava tê-la no sangue.
Curiosamente, a maior parte dos descendentes dos "Pereiras", "Regos", "Cândido", "Lexandre", "Caixas", "Nunes", "Carecas", "Ratoeiras", "da Lama"...foram portadores de genes que despertariam novos músicos nas gerações seguintes. Algumas já passadas, mas ainda evocadas.
Era, pois, o "povo" (Pedro de Freitas, 1946: 29 - 30) quem, nessas épocas, melhor interpretava e valorizava a prática filarmónica. Às Sociedades Filarmónicas quem lhes emprestava mais solidariedade? Quer no campo artístico quer no campo económico, eram, em geral, as classes menos abastadas. Nas outras, infelizmente, e em relação à generalidade, poucas condições se encontravam. Era no pedreiro, no sapateiro, no carpinteiro, no empregado humilde, que se encontrava a verdadeira e desinteressada dedicação. Foram estes obreiros anónimos que sustentaram a música do povo.
No dia 8 de Fevereiro de 1918, a Banda ficou órfã do seu chefe: António Ferreira Nunes, devido ao estado precário de saúde, deixou a regência da mesma.
Lá está tudo bem mencionadinho no velho relicário de Américo Pereira Gomes.
Não tardou substituto. Joaquim Mendes Caldas, oriundo da congénere de Vizela, então considerada a melhor Banda civil do norte de país, com anterior passagem pela de Paços (tratou de ganhar duas porções e meia por festa e no final de cada ano, 18.000 réis em dinheiro), principiou os ensaios no dia 23 de Fevereiro e estreou-se à frente da "Freamundense" no dia 19 de Março, festejos a S. José e data comemorativa da fundação da ASMF. Sob a acção do mestre Mendes o mérito da Banda subiu de ponto, por ter criado este maestro uma verdadeira escola de arte musical.
A Banda passou a denominar-se "A Freamundense" em vez da Banda do "senhor fulano de tal", como até aí se designava.
Ao trágico conflito mundial que enlutou parte do mundo, seguiu-se um período de pouca paz e prosperidade.
O descontentamento, a incerteza, a miséria levaram milhares de portugueses, dezenas de freamundenses (mesmo alguns elementos da Banda), a atravessar o Atlântico, rumo ao Brasil, dispostos a todos os sacrifícios, à procura de uma vida melhor...Para alguns, uma miragem.
O decénio (20 a 30) abriu praticamente com o nascimento da ditadura militar (1926).
Porém, as filarmónicas cresciam em número, requisitadas para arraiais e festas partculares.
As "saídas" eram curtas. O percurso para as romarias era feito a pé, por caminhos poeirentos no Verão e lamacentos no Outono e Inverno. Os instrumentos mais pesados, tais como a tuba, o contrabaixo, o bombo e a caixa, eram acarretados no costado pelos próprios músicos. Por vezes usavam os carros de bois e os cavalos como meio de transporte.
(CONTINUA)
Joaquim Pinto - "Associação Musical de Freamunde - 190 anos - 1822 / 2012"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Duas imagens

Duas imagens captadas no passado domingo. Um belíssimo dia de Outono a fazer lembrar outras estações do ano...