quinta-feira, 14 de maio de 2015

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( I )

 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
1.1 Freamunde fins do século XIX e início do século XX
"Depois de Paços, ou mesmo mais do que ella, a terra mais importante do Concelho é Freamunde" escreveu José Augusto Vieira em o "Minho Pitoresco" no final do séc. XIX.
A propósito das melhorias que se entendiam necessárias para a sede do Concelho, em 1896, vários artigos foram publicados no "Jornal de Paços de Ferreira". Num desses referidos escritos reconhece-se razão a este autor: "nem num largo, nem numa praça, nem numa fonte, nem num edifício público, que denuncie Paços alguma coisa que Seroa, Carvalho ou Frazão, antes tudo mostra alguma coisa menos do que Freamunde e até mesmo do que o Cô".
Se José Augusto Vieira (1886) prevenia o leitor de que "o nome aristocrático de Paços de Ferreira é um logro", de modo diferente descrevia Freamunde: "A povoação parece de hoje, desenvolve-se, aformosea-se, e quem entra no largo, onde existe a capella de Santo António, pensa entrar em uma villasinha de aspecto attrahente situada em pequeno valle fértil e risonho, prosperando com os enthusiasmos felizes da mocidade e da riqueza. Os prédios tomam as linhas symetricas e regulares, os estabelecimentos nascem e progridem, as ruas aplanam-se e tudo faz esperar que, poucos annos volvidos, a importância de Freamunde tenha duplicado em valor".
No retrato da paisagem humana dessa obra de 1886 refere-se que "tem lojas de mercearia, tem alfaiates procurados das villas mais próximas, tem já um collegio de instrucção secundaria que há de futuramente influir no desenvolvimento da povoação, e já no espírito de algum enthusiasta tem efervescido a ideia de fundar um club, e porventura de crear também um jornal".
Efectivamente, as décadas que se seguiram confirmaram estes prognósticos de desenvolvimento, no qual se insere o aparecimento dos Bombeiros em Freamunde e de várias outras instituições que denotam o desenvolvimento económico e social a que a povoação tinha chegado.
O investigador da história de Freamunde, Coronel Baptista Barreiros, refere que a povoação contava com um elevado número de gente alfabetizada, a avaliar pelas inúmeras assinaturas registadas em todo o género de actas de Confrarias e Irmandades (séc. XVIII e XIX).
Nos arquivos municipais citados na Monografia do Concelho existem referências à existência de escolas primárias, pública e privada e ao funcionamento, excepcional, de formação para adultos já nos fins do séc. XIX.
Por outro lado, a fundação, ainda no séc. XIX, da Associação de Socorros Mútuos Freamundense, da Banda de Música, da Assembleia Freamundense, indicam uma sociedade estruturada.
Para tal situação em muito pode ter contribuído a existência de duas feiras mensais (13 e 27), não só como meio de promoção da actividade comercial, mas também como local de trocas de conhecimentos, bem como no fenómeno de emigração a que todo o país foi sujeito. É ainda hoje visível na cidade, o fruto dessa emigração. De meados do séc. XIX, a 1911-13, foi-se intensificando e nestes anos atingiu o apogeu que foi quebrado pela 1ª Grande Guerra Mundial. A mudança de rumo na emigração, isto é, a viragem à Europa, acontece por alturas da crise económica internacional em 1929, quando o Brasil adopta medidas restritivas, com dificuldades acrescidas posteriormente no transporte aquando da 2ª Grande Guerra Mundial (1939-45).
O fenómeno emigratório, nos finais do séc. XIX, é particularmente notório em Freamunde. A população manteve-se "relativamente estável até 1861, a partir dessa data mostra uma quebra contínua até 1875, só depois se encetou um processo de recuperação, embora relativamente lento".
Outro facto que se verifica neste período, indica que não eram os mais necessitados que emigravam, mas quem podia e ambicionava atingir um deterninado nível social.
A emigração foi, igualmente importante para os Bombeiros. Uma das primeiras receitas da Associação dos Bombeiros Voluntários de Freamunde vem a ser subscrita a bordo de um navio por uma conterrânea. Mais tarde é nomeado benemérito, um emigrante de Lamoso, e muitas outras receitas vêm do outro lado do Atlântico.
(Continua)
JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS"

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