sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sebastianas ( VII )

 CARTAZ DAS FESTAS SEBASTIANAS DE 1954
Mas as gentes de Freamunde adoravam as suas Festas, por elas sentiam orgulho, pela sua realização eram capazes dos maiores sacrifícios, da mais desinteressada entrega, e reagiram energicamente. "Hostilizaram" o poder clerical e deram a "volta" à situação. As razões invocadas não foram consideradas suficientemente fortes, convincentes, de nada servirem os "decretos", e o "arraial", no seu espaço habitual, "ressuscitou" com todo o fulgor em 1944. Só por um ano a Igreja conseguiu "dissuadir" os festeiros dos seus propósitos. Sem manifestações, sem iniciativas e participação, é certo, da Igreja, "eclipsada" que foi na sua vertente religiosa.
Nos programas das, agora, "Festas da Vila", não constava a missa solene e também a procissão.
E assim continuaram até 1948. Debilidades financeiras, com as consequências do pós-guerra, alguma indiferença, apatia cívica, e o desencanto pela falta do "religioso", arrefeceram o ânimo dos "entusiastas", originando um hiato de alguns anos. Já com o carismático Bispo D. António Ferreira Gomes, pensador ilustrado, no "governo" da Diocese do Porto, as Festas ressurgiram em 1954, de novo com a denominação "Festas do Mártir" ou "Sebastianas", pela acção do dinâmico empresário de panificação, Anselmo Ferreira Marques, acolitado pelos restantes membros da Comissão Executiva, pessoas de todos os estratos sociais: Hermínio Pinto Gomes da Silva, Joaquim Fernando de Sousa Ribeiro, João Manuel Monteiro Correia e Abílio Orlando Matos e Barros.
 ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS FREAMUNDENSE
Estavam, assim, ultrapassados os obstáculos que sempre consomem as energias de quem organiza as Festas, muito por obra, graça e perseverança destes entusiastas. O testemunho foi passado a outros freamundenses, tantos outros, que ao longo de todo este tempo têm mantido a tradição com dignidade, fervor e bairrismo.
Aquela gente, que reunia no salão da Associação de Socorros Mútuos Freamundense, estava escudada numa denominada Comissão de Honra, liderada pelo Dr. António Chaves - a "elite" desviou-se para aqui -, que teria, em situações de défice, a obrigatoriedade de cobrir os valores em causa.
Organizou-se um programa a condizer e deu-se início ao peditório, apurando-se a quantidade de 17 notas de mil. O custo total das festividades rondou os 33 contos.
Surgiram, então, as primeiras "novidades": um "mundo" de diversões que emprestavam um colorido e excitação a todos os romeiros, desde o pequenote ao mais idoso: carrinhos de choque; carrosséis; pista de aviõe; cestinhas; poço da morte; ratinho da sorte; matraquilhos; barraquinhas de tiro..., quase tudo montado no largo adjacente à capela de Santo António; programas de variedades, a alegria do povo em amena convivência festiva, quase sempre com a participação de ranchos folclóricos (ponto alto de vista cultural e da aproximação dos povos), alguns da "casa", ensaiados por gente com alma de artista de freguesias circunvizinhas...de norte a sul do país...do estrangeiro.
(Continua)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

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