quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Banda de Freamunde ( X )



(...) Não. Não me pareceu que fosse qualquer "chicotada psicológica". Longe disso! O sr. Leitão era um músico conceituado, de 1ª classe, sabia muito da "poda", tinha a Banda na mão e por estas redondezas só talvez a de Revelhe rivalizasse com a nossa em qualidade.
Sabe, qualquer aborrecimento...desmedidadas ambições. Havia colegas meus, os mais velhos - já com algum "estatuto", portanto -, que tinham o seu feitio, não acatavam certas decisões...Mas creio que logo se arranjou substituto. Não me recordo bem do nome do novo "chefe"...Deixe lá ver...
Abílio do Nascimento? a atiramos nós.
Esse, esse mesmo! Era o sr. Nascimento. Mas olhe que foi também por pouco tempo, se não estou em erro.
A notícia publicada no "Heraldo" ajudou a desfazer a dúvida. (...) Janeiro de 1932: Acaba de ser confiada a Abílio do Nascimento, da cidade do Porto, hábil 1ª Sub/Chefe aposentado da extinta Banda da G. N. R. do Porto, a regência da consagrada Banda Freamundense. A comprovada competência daquele maestro, e o justo nome de que vem precedido, são garantias mais que suficientes para podermos assegurar novos e assinaláveis êxitos.
O concerto de apresentação, na Associação de Socorros Mútuos Freamundense, esteve à cunha e foi muito aplaudido.
Mas...Eduardo Leitão gostava da Terra. Gostava daquela que considerava já "a menina dos seus olhos". Pelos vistos, os freamundenses gostavam dele.
Não causou surpresa, pois, encontrá-lo referenciado, de novo, corria o ano de 1933, como "chefe" da Banda.
A Banda era factor importante de divertimento colectivo e de chamariz de freguesia, naqueles tempos em que a telefonia, muito menos a televisão, ainda não preenchia essas funções. Tudo parava para ver a "Banda passar". O sentimento dos habitantes dos meios rurais, como Freamunde, prendia-se um pouco às manifestações musicais de carácter tradicional, e em datas solenes, manifestações, a Banda dava constantemente concertos e audições, muitas vezes de forma gratuita, para gáudio do nosso povo, que, sensibilizado, agradecia de forma emotiva.
Recolhas efectuadas, remexidas as "cinzas", lá encontramos relato no "Jornal de Notícias", crónica feita por alturas da elevação de Freamunde a categoria superior: (...) Dia 15 de Junho: Manifestações em Freamunde pela elevação da povoação a Vila. (...)
A Banda de Freamunde, excelente agrupamento musical que a batuta do sr. Leitão conseguiu igualar, em mérito artístico, a qualquer Banda dos grandes centros, entrou inesperadamente na povoação às 16,00 horas, vinda da Trofa, donde apressou os seus trabalhos, para não faltar às Festas dos seus conterrâneos.
E quando soavam as 21,00 horas, já no Largo da Feira, sob as frondosas tílias, a multidão se comprimia, deliciada pela audição de alguns trechos de música que a Banda de Freamunde ia executando.
A Banda atravessava um dos seus períodos mais refulgentes, sendo convidada para variados certames.
Na relação de festas do ano de 1933, apontados ao pormenor no caderno de Américo Pereira Gomes, contabilizamos 41 saídas, para todo o Norte do País, desde as circunvizinhas freguesias de Eiriz, Sousela (Sta. Águeda), Vilela..., até Águeda, Forjães, S. João da Madeira, Laúndos, Vilar de Figos...Os contratos oscilavam entre 350 e os 1.600 escudos. No final iam a contas. O pecúlio, a dividir pelos músicos, era variável: entre os 8 e os 38 escudos. Tudo dependia do orçamento e da qualidade do executante.
Dez reis de mel coado! - ironizava Alfredo "Cherina".
De uma crónica, extraída do jornal "O Heraldo", feita a um concerto dado em Espinho, em 23 de Junho, sob a batuta de Eduardo Leitão, respigámos o seguinte: (...) A Banda de Freamunde, em compita com a Banda dos Bombeiros Voluntários de Espinho, conquistou, por ser a que melhor tocou, um Diploma de Honra e uma Medalha em Ouro, tendo considerado o júri e o povo em geral a melhor Banda Marcial do Norte do País.
Alguma pontinha de exagero, estamos em crer, algum "chauvinismo", mas que era inequívoca a fama granjeada, lá isso era! 
(Continua)
JOAQUIM PINTO - "ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE FREAMUNDE - 190 ANOS" - 2012 

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