segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma imagem de outros tempos

Uma imagem de outros tempos, provavelmente da década de oitenta do século passado, do lugar da Gandarela e o Bairro do Outeiro...

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Gente da Nossa Terra

ANSELMO MARQUES

Ceifeira que ceifas trigo
pró Marques da padaria
agasalha o teu umbigo,
porque eu quase que te o via!

E põe-te à lupa ceifeira,
c'o dono da padaria,
se te apanha na masseira...
amassa-te noite e dia.

O suor dessa foucinha
dá outro gosto à farinha
e faz com que te demarques.

No meio da confusão,
Freamunde tem razão,
não há pão como o do Marques! 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( III )

1.2 OS BOMBEIROS EM PORTUGAL
Vem de longe a história dos bombeiros portugueses. O Serviço Nacional de Bombeiros e a Liga dos Bombeiros Portugueses assinalaram seis séculos de história, em 1995, publicando dois volumes sobre a evolução dos bombeiros portugueses. Aqui, naturalmente, deixamos apenas os momentos mais significativos dessa evolução.
A carta régia de D. João I, cuja data remonta a 25 de Agosto de 1395, foi o documento que deixou escritas as primeiras directrizes sobre a tomada de medidas preventivas e de combate a incêndios em Portugal.
Lisboa e Porto foram as cidades que primeiro tiveram serviços organizados de bombeiros. Em 1728 já existia um serviço organizado no Porto, mas só nesse ano foi constituída a companhia de fogo com comandante, homens e equipamento, todos prontos a actuar.
Em Lisboa, em 1734, vinte anos depois de repartida a cidade em 3 zonas, foi adoptada e regulamentada uma nova estrutura que, pela primeira vez, baptizou os trabalhadores dos serviços de incêndios de bombeiros.
Nos finais do século XVIII, Lisboa, Porto, Viana do Castelo, Coimbra, Lamego, Braga, Guimarães tinham as suas companhias de bombeiros, muitas ainda com bombas manuais.
Mas se até ao fim do século XVIII apareceram diversas companhias de bombeiros, a sua expansão em Portugal veio a ocorrer no fim do séc. XIX e início do séc. XX tendo, em muitos casos, os municípios um papel de relevo.
Além dos serviços de incêndio organizados nas cidades já referidas, onde também se deve incluir a de Setúbal, nas primeiras três décadas do séc. XIX, também já existiam bombas de incêndio noutras cidades e vilas: Penafiel (1815), Angra do Heroísmo, Barcelos e Viseu.
A preocupação na prevenção de incêndios era considerada pelos municípios, tal como veio a consagrar o decreto de 16 de Maio de 1832, dando essas competências ao Provedor do Concelho (hoje Presidente da Câmara), daí que as Câmaras Municipais tenham continuado a apetrecharem-se com material de incêndio e tenham prosseguido a criação de companhias de incêndio devidamente estruturadas. Essas companhias eram normalmente dotadas por uma Carta de Lei, como o foi em 1839 a Companhia de Incêndio de Gaia.
A 18 de Março de 1842 o Código Administrativo remete para o Administrador do Concelho a competência para "providenciar" em caso de incêndio, inundações, naufrágios e semelhantes. À Câmara incumbe o depósito e guarda de combustíveis, limpeza de chaminés e fornos.
Datam de 1853 (10 de Setembro, Lisboa) primeiras medidas sociais para com os Bombeiros.
A primeira bomba a vapor, já que o combustível retirado a partir do petróleo ainda demoraria a chegar, estreou-se em Lisboa em 1864.
Até ao séc. XIX os bombeiros estiveram intimamente ligados com os poderes públicos. Os serviços de incêndios foram objecto de acção pelos órgãos de diversas cidades, bem como de diversa legislação. Em Lisboa, na câmara municipal, os bombeiros passaram a constituir uma repartição que tinha o fim de "prever e remediar" tudo o que dizia respeito a incêndios na cidade.
ASSOCIATIVISMO E A EXPANSÃO
É ainda no século do Romantismo (XIX), período conturbado da história portuguesa (invasões napoleónicas, guerra civil entre liberais e miguelistas, o ultimato britânico ), que se vai assistir a uma expansão dos bombeiros em Portugal e sobretudo através de um novo instrumento jurídico: a Associação.
Se até aqui a acção e funcionamento dos serviços de prevenção e extinção de incêndios, do ponto de vista institucional, esteve cometido aos municípios, as mudanças na legislação vão permitir uma mudança significativa e o desenvolvimento do voluntariado.
O Código Civil de 1867 reconhece o direito de associação que até aí esteve praticamente vedado aos portugueses, apesar de algumas associações terem sido criadas nesta época. Direito esse que veio a ser confirmado por decreto ditatorial do Duque de Saldanha e de Dias Ferreira, em 1870.
Uma vez criadas as condições legais não tardou a aparecer a primeira "Companhia de Voluntários Bombeiros" em Portugal. Logo no ano de 1868, numa reunião na Farmácia Azevedo (no Rossio . Lisboa), num dos locais onde se encontravam as individualidades da época. Guilherme Cossoul (cidadão francês, bombeiro entusiasta) maestro da da orquestra do Teatro S. Carlos, lançou a ideia de se fazer uma Associação de Voluntários a exemplo do que acontecia no estrangeiro. Assim nasceu a primeira "Companhia de Voluntários Bombeiros" que viria a transformar-se mais tarde (1880), na Associação Bombeiros Voluntários de Lisboa.
A partir daí, todo o país, incluindo as colónias portuguesas de então, assistem à criação de associações de bombeiros, muitos dos quais com o apadrinhamento da Família Real, pelo que ostentaram até 1910 o título de "Real Associação".
A "febre" das associações que, nessa altura, é iniciada levou a que de 1868 até ao fim do séc. XIX se fundassem 82 associações de bombeiros voluntários. Deste novo movimento nasceu um novo ciclo da vida dos bombeiros. Começaram a interessar-se pela causa um conjunto alargado de pessoas que, integrando os corpos gerentes, contribuem também para as suas associações, os vulgarmente chamados bombeiros sem farda.
A par do associativismo nos "bombeiros" depressa os seus membros se aperceberam que a sua acção se pode estender a duas novas áreas do socorrismo: saúde e socorros a náufragos.
Nas primeiras décadas dp séc. XX, entre 1910 e 1919 foram criadas 95 associações de bombeiros voluntários em Portugal.
A Liga Portuguesa de Bombeiros inicia um papel de relevo na década de trinta, no fim da qual começa a ser publicada legislação que tende a uniformizar os corpos de bombeiros, desde o fardamento até à sua composição e funcionamento.
JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS"

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Esta é mesmo verdadeira

UMA DO PRATA...
Nunca aqui falei do Joaquim Prata...E é estranho, porque, tratando-se de anedotas de teatro, de casos picarescos ocorridos no palco, de situações cómicas ou imprevistas, nenhum outro actor profissional português pode, nem de longe, igualar-se ao Joaquim Prata.
Joaquim Prata nasceu no Porto mas, apesar do Porto manter, na sua época, diversas companhias de teatro comercial, exerceu a sua profissão, quase sempre, em companhias da capital. Era essencialmente, um actor cómico que, mal entrava em cena, fazia logo rir o público. Sóbrio, pouco dado a espalhafatos, era sobretudo a sua cara séria (nunca se ria) e feia, como se fora feita a canivete por um escultor de pouco jeito, que punha logo a plateia a rir às gargalhadas. Depois as patifarias que estava sempre a fazer em cena aos outros colegas, as "buchas" que metia constantemente e, quase sempre, cheias de oportunidade, os improvisos com que, a miúde supria o seu total desconhecimento dos "papéis" que ele nunca sabia, por mais tempo que a peça estivesse no cartaz, tudo isto, que o fez rir imensas vezes para a "tabela" e perder ordenados inteiros, por vezes, eram estranhamente, razões para ser adorado pelo público, que dele sempre esperava qualquer coisa nova ou, como então se dizia, qualquer "pratada" que o satisfizesse e fizesse rir.
Joaquim Prata fez comédia, fez revista e fez cinema.
Contracenou com os maiores cómicos portugueses, numa época em que eles abundavam e eram de grande qualidade: Costinha, António Silva, Vasco Santana, Álvaro de Almeida, Ribeirinho, os Santos Carvalho (o Manuel e o Ricardo), Alberto Chira, Soares Correia, Nascimento Fernandes, etc...e foi notado entre eles..., pela seriedade com que dizia piadas monumentais, pela cara de estanho que conseguia manter em todas as situações, pela oportunidade dos seus ditos e "buchas" em cena, que faziam desmanchar os colegas e perigar a representação...
Dele as anedotas são imensas  e a seu tempo as contarei. Para já lembro-me desta:
Joaquim Prata fazia o "compére" de uma revista qualquer que tinha uma "rábula" de um louco, cuja principal mania eram os metais, as suas transformações, amálgamas e ligas. Julgo que o actor encarregado desta "rábula" era o saudoso Alfredo Ruas, o que, de resto, para o caso pouco interessa. Só sei que, na altura em que o maníaco dos metais exaltava as virtudes das suas ligas e mencionava o cupro-ferro, o cupro-ouro, o cupro-níquel, o cupro-chumbo..., Joaquim Prata interrompeu-o para lhe perguntar:
- Mas diga-me cá: e cú...pró-Prata não há?...
Escusado será dizer que isto não era da peça...nem tinha ido à Censura...
FERNANDO SANTOS - "ESTA É MESMO VERDADEIRA" - JULHO DE 2001

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Sebastianas 2016

 GRANDE ARRAIAL SEBASTIANAS 2016

Sábado 19 Setembro 2015 :Programa

18h00  Salva de Fogo
19h00  Grupo de Bombos
20h00  Grupo de Cavaquinhos ‘Os Amigos Vilar do Torno e Alentém’
21h30  Música Popular Portuguesa ‘Banda Bandidos’
23h30  Fogo de Artifício
23h45  Baile Popular pela noite dentro

 

Domingo 20 Setembro 2015 :Programa

16h00  Animação Infantil
17h30  Cantares ao Desafio
19h15  Transmissão Futebol FCPorto vs SLBenfica
21h30  Tuna da Associação Musical de Freamunde
23h30  Fogo de Artifício

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Sebastianas ( VIII )

Visitaram-nos durante anos a fio os agrupamentos mais conceituados no panorama etnográfico: Pauliteiros de Miranda do Douro; Tricanas da Lapa, da Póvoa do Varzim; G. F. Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo; Grupo Típico O Cancioneiro de Águeda; G. F. Tá-mar, da Nazaré; G. F. Casa do Povo, Abrantes - Ribatejo; Grupo Coral de Odemira, Alentejo; G. F. da Luz de Tavira, Algarve; Grupo Folclórico de "Antoxo de Bueu" - Galiza - Espanha; Groupe Folklorique del Monastir, França...O Cortejo Alegórico e Luminoso, agora Marcha Alegórica, fazia-se anunciar por poderosos morteiros e pelas ensurdecedoras zabumbadas dos Zés Pereiras, acompanhados pela alegria, pelas danças, dos inúmeros gigantones e cabeçudos, ainda sem a participação dos grupos de samba com as "abrasileiradas" meninas deliciosamente descascadas para deleite dos "apreciadores".
A segunda-feira foi o dia escolhido para o culminar, em apoteose, das Festas, que duravam desde sábado.
Os carros, que desfilavam na marcha, eram patrocinados pelas principais fábricas da Vila ( Fábrica Grande, Fábrica do Calvário, Telme, Pinto e Moura, L. Menezes...), e tinham a orientação, até finais da década de cinquenta, de Leopoldo Pontes Saraiva, numa manifestação desinteressada de gosto e arte que tanto engrandeciam esta Terra. Leopoldo Pontes Saraiva, freamundense por adopção, porque era natural de Azurara, Vila do Conde, e para cá viera em meados de dez (ainda bem!), cá casara com Lucinda de Oliveira e cá seria sepultado.
Tempos difíceis, pois a azáfama era grande e o ritmo não abrandava um minuto que fosse, do pôr do sol à meia noite. Por dificuldades no empréstimo dos atrelados, havia só um mês para a confecção dos carros. Os mesmos, já com mais gente a supervisionar, eram feitos, recuperados e reconvertidos na rua, em barracões abandonados, em quintas, onde quer que fosse. Ao relento, ao frio, à chuva...A paixão, o amor, o orgulho em ser-se freamundense, tudo  suplantava.
A concentração, organização e saída da "marcha" fazia-se sempre da "Quinta do Pinheiro". Uma ou outra vez da "Fábrica Grande". Actualmente, e desde há muitos anos, da "Gandarela". A Banda da Terra fechava o Cortejo, ainda não muito extenso - quatro ou cinco carros - de permeio com o colorido e a animação das Associações Etnográficas e das "cegadas" do jocoso grupo de Figueiró; momentos deliciosos proporcionados pelo espírito de Luís Monteiro.
No pós 25 de Abril de 1974, sobretudo, no recinto da Praça do Mercado, que saudades!..., vedado a serapilheira porque as entradas eram pagas (o bar da cantina, onde nos deliciávamos com a sardinha assada, o caldo verde e a tijelinha de verde tinto, já era explorado pelos festeiros), surgiram os grandes concertos musicais, sobretudo no Domingo de Páscoa, forma encontrada para angariação de fundos.
(CONTINUA)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Poesia de Freamundenses

SAUDADE

Esta saudade que trago
Está prestes a explodir
Tento, tento, mas
Sem ti nunca vou sorrir

A saudade é grande
E o mundo está a cair
Porque não voltas e partiste
Para eu jamais sorrir

Tu és luz, tu és amor
Eras o sorriso que se foi
Eras a melodia que partiu
E que não ficou

Sem ti sou um pássaro
Sem asas para voar
Sou uma estrela cadente
Que fugiu para não voltar

ANA TOJAL - "ALMA FREAMUNDENSE - POESIA COLECTIVA" - JULHO DE 2004