terça-feira, 8 de setembro de 2015

Sebastianas ( VIII )

Visitaram-nos durante anos a fio os agrupamentos mais conceituados no panorama etnográfico: Pauliteiros de Miranda do Douro; Tricanas da Lapa, da Póvoa do Varzim; G. F. Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo; Grupo Típico O Cancioneiro de Águeda; G. F. Tá-mar, da Nazaré; G. F. Casa do Povo, Abrantes - Ribatejo; Grupo Coral de Odemira, Alentejo; G. F. da Luz de Tavira, Algarve; Grupo Folclórico de "Antoxo de Bueu" - Galiza - Espanha; Groupe Folklorique del Monastir, França...O Cortejo Alegórico e Luminoso, agora Marcha Alegórica, fazia-se anunciar por poderosos morteiros e pelas ensurdecedoras zabumbadas dos Zés Pereiras, acompanhados pela alegria, pelas danças, dos inúmeros gigantones e cabeçudos, ainda sem a participação dos grupos de samba com as "abrasileiradas" meninas deliciosamente descascadas para deleite dos "apreciadores".
A segunda-feira foi o dia escolhido para o culminar, em apoteose, das Festas, que duravam desde sábado.
Os carros, que desfilavam na marcha, eram patrocinados pelas principais fábricas da Vila ( Fábrica Grande, Fábrica do Calvário, Telme, Pinto e Moura, L. Menezes...), e tinham a orientação, até finais da década de cinquenta, de Leopoldo Pontes Saraiva, numa manifestação desinteressada de gosto e arte que tanto engrandeciam esta Terra. Leopoldo Pontes Saraiva, freamundense por adopção, porque era natural de Azurara, Vila do Conde, e para cá viera em meados de dez (ainda bem!), cá casara com Lucinda de Oliveira e cá seria sepultado.
Tempos difíceis, pois a azáfama era grande e o ritmo não abrandava um minuto que fosse, do pôr do sol à meia noite. Por dificuldades no empréstimo dos atrelados, havia só um mês para a confecção dos carros. Os mesmos, já com mais gente a supervisionar, eram feitos, recuperados e reconvertidos na rua, em barracões abandonados, em quintas, onde quer que fosse. Ao relento, ao frio, à chuva...A paixão, o amor, o orgulho em ser-se freamundense, tudo  suplantava.
A concentração, organização e saída da "marcha" fazia-se sempre da "Quinta do Pinheiro". Uma ou outra vez da "Fábrica Grande". Actualmente, e desde há muitos anos, da "Gandarela". A Banda da Terra fechava o Cortejo, ainda não muito extenso - quatro ou cinco carros - de permeio com o colorido e a animação das Associações Etnográficas e das "cegadas" do jocoso grupo de Figueiró; momentos deliciosos proporcionados pelo espírito de Luís Monteiro.
No pós 25 de Abril de 1974, sobretudo, no recinto da Praça do Mercado, que saudades!..., vedado a serapilheira porque as entradas eram pagas (o bar da cantina, onde nos deliciávamos com a sardinha assada, o caldo verde e a tijelinha de verde tinto, já era explorado pelos festeiros), surgiram os grandes concertos musicais, sobretudo no Domingo de Páscoa, forma encontrada para angariação de fundos.
(CONTINUA)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

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