segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Bombeiros Voluntários de Freamunde (IV)

1.3 AS OUTRAS CORPORAÇÕES VIZINHAS
Algumas das corporações da região foram fundadas ainda no séc. XIX. Entre elas estão as corporações de Caldas de Vizela (1877), Santo Tirso (1878), Penafiel (1881), Valongo (1883), Paredes (1884), Lixa (1889), Felgueiras (1898).
No Vale do Sousa ocorrem na década de 1920, por alturas da fundação da Corporação de Freamunde, a criação de sete novas instituições de Bombeiros: Entre-os-Rios (Junho de 1923), Cête (Abril de 1925), Baltar (Fevereiro de 1928), Lousada e Freamunde (1930), Paços de Ferreira (1931) e Paço de Sousa (1938).
Neste período, dos seis concelhos do Vale do Sousa, apenas Castelo de Paiva ainda não tinha Corporação de Bombeiros. Por outro lado, estavam criadas três no concelho de Penafiel e outras tantas no concelho de Paredes. No concelho de Paços de Ferreira foi fundada  a de Freamunde e no ano a seguir a de Paços de Ferreira.
Uma nova vaga de corporações apareceu por volta da Revolução dos Cravos em Portugal. Foi criada em 1970 a de Lordelo, em 1975 a de Castelo de Paiva e em 1978 a de Rebordosa.
II - A ASSOCIAÇÃO DE BOMBEIROS
Na década de 20 a 30 do séc. XX, Freamunde era um pólo de comércio, florescia a indústria, com unidades fabris de dimensões consideráveis, havia uma tradição associativa já enraizada. A então freguesia assumia alguns traços de urbanidade, tendo instituições culturais e sociais em franca actividade.
É neste ambiente que, passado o primeiro período de desenvolvimento associativo em Portugal, também em Freamunde um grupo de pessoas decidiu organizar e pôr em funcionamento uma Corporação de Bombeiroa, tendo sida a 9ª a ser criada no Vale do Sousa e a primeira no concelho de Paços de Ferreira.
A história dos Bombeiros em Portugal diz-nos que o voluntariado, tal como o conhecemos hoje, é de meados do séc. XIX. No Vale do Sousa algumas corporações foram fundadas antes do fim do século e várias outras nos anos 20 do séc. XX. Nesse grupo inclui-se a de Freamunde e, logo depois, a de Paços de Ferreira.
Porém, um manuscrito do Coronel Barreiros, depositado no Museu Municipal, refere que "foi por alturas de 1905 que em Freamunde se começou a falar na criação de uma Corporação de Bombeiros. O assunto não passou então de uma intenção generosa. Com o rodar do tempo, perante os catastróficos resultados da falta de uma Corporação disciplinada de extinção de incêndio e o movimento geral que a favor da criação desses corpos de salvação pública se tornou pelo País cada vez mais intenso, a ideia renasceu por iniciativa do Clube Recreativo Freamundense, em 1928".
Entre os resultados catastróficos a que se refere o Coronel Barreiros pode estar o incêndio que ocorreu em Freamunde por volta de 1920 e que terá consumido a fábrica de mobiliário que foi a génese de uma das grandes organizações empresariais da época e mais tarde grande benfeitora e benemérita desta Corporação: a Albino de Matos, Pereiras & Barros, Lda.
A existência da instituição pressuponha uma organização formal que permitisse atingir os seus fins: "prestar auxílio ao povo desta Freguesia e ao de qualquer outra que o reclame, especialmente em casos de incêndio, e em geral em qualquer outro caso de perigo ou calamidade".
Conscientes dessa necessidade, até pelo conhecimento que tinham da existência de outras congéneres, um grupo de cidadãos activos meteram mãos à obra, chamaram a população e criaram a Associação dos Bombeiros Voluntários de Freamunde, dotando-a de estatutos e de um regulamento, distinguindo e organizando, desde cedo, o corpo de Bombeiros dos demais órgãos.
O desenvolvimento da indústria, na ulterior vila e agora cidade, também esteve intimamente ligada à criação dos Bombeiros, como se denota não só pelas profissões dos homens que foram e são os soldados da paz, como os Bombeiros sem farda que ao longo de várias direcções foram conhecidos empresários/industriais de Freamunde. Além de empresários, de várias áreas, foram também líderes da direcção da instituição figuras ligadas à área da saúde, da Igreja e membros da administração local. Em muitos casos não só deram o seu esforço e trabalho pela instituição como também depositaram bons donativos em dinheiro e em espécie. Entre os muitos esforçados cidadãos para com esta instituição estão pessoas ligadas a freguesias vizinhas, algumas das quais figuram entre os primeiros beneméritos.
Mas o aparecimento e vida desta instituição, com 75 anos de existência, demonstram, sobretudo, uma complexa teia de relações na sociedade local, o que denota grande entrosamento entre comunidade e Bombeiros.
JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS"

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