segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Feira de Santa Luzia ou dos Capões

LUÍS PINTO - 1º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
Os serviços de meteorologia avisavam: vai chover no dia de Santa Luzia. Iria confirmar-se o adágio, pois o tempo portou-se bem na festa da Srª da Conceição? Não. São Pedro foi amigo e apenas abriu as torneiras já sol posto e com os tendeiros de regresso a casa.
Só a crendice poderia afastar os milhares de forasteiros deste colorido cartaz regional, este ano estendido por dois dias. Mas alguém, há tempos, lembrou-se de sossegar os espíritos, "cantando": «Vá comprar o seu capão/Dia treze não se importe.../Não ceda à superstição/Treze, em Freamunde, é sorte».
As aves, estendidas em tenda apropriada junto ao Coreto, foram alvo de apreciação por parte do júri entendido que, segundo regras específicas, avaliou o melhor capão vivo no concurso promovido por várias parcerias.
Com a crise que por aí grassa, os feirantes eram aos montes. É certo e sabido que já nada é como dantes: na rua do "Américo" já não se veem os cobertores da Serra da Estrela; nos capotes e nas samarras do "Cardoso da Saudade" - ainda resiste - poucos lhes pegam (a malta jovem está virada para os "shoppings", onde encontram artigo leve, de "marca", pouco se importando com os rigores do Inverno); tamancos, quem os quer?
ARMANDO GONÇALVES - 2º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
Trameleiros, estavam os "contrabandistas". De microfone em riste, falavam pelos cotovelos apregoando a mercadoria: «Pegue lá!...Pegue lá!...Por apenas cinco euros leva quatro almofadas ortopédicas, duas dúzias de pares de meias e ainda estes dois lindos guarda-chuvas». Não faltou quem fosse levado na "onda"!
De bolsos a abarrotar ficaram os tendeiros de "comes e bebes", Comissão das Sebastianas 2016 incluída. O vinho era de estalo e para uns rojões, iscas ou frango assado há sempre uns trocos. Às castanhas é que poucos lhe chegavam. As "quentes e boas" custavam os olhos da cara e o negócio foi fracote.
Na capela de Santo António, onde, na manhã do dia 13, se celebraram duas missas solenes, ninguém podia entrar, sempre "à pinha" de fiéis, cumpridores da promessa, satisfazendo "graças" perante a milagrosa imagem de Santa Luzia, advogada da vista. «Queres ver o dia?/Pede a Santa Luzia».
No festival equestre, realizado nos terrenos adjacentes à piscina municipal, o numeroso público vibrou de entusiasmo com as habilidades dos conjuntos. Não faltou quem notasse a falta do "Dragão", esse dócil e fiel amigo do cavaleiro freamundense, Abílio Ribeiro Gomes. "Dragão", célebre cavalo branco, que durante anos a fio deliciou, com os seus movimentos de verdadeiro "artista", a imensidão de aficionados que possuía. O "Dragão" havia "tombado", há poucos dias, de morte natural.
Pronto, já sabe: Capão, já com processo de certificação, é em Freamunde. Só.
Uma certeza aqui fica: com chuva ou com sol a tradição é para manter.
MARGARIDA MOTA - 3º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
 JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"
FOTOS : FACEBOOK

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