sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Banda de Freamunde ( XIII )

Em Novembro de 1936, assumiu a regência o sargento reformado da G. N. R., Miguel Moreira, em substituição de António Tavares da Silva Santos, entretanto radicado na cidade do Porto (em 1938, foi regente da Banda de Pinheiro da Bemposta).
Miguel Moreira fixou residência em Freamunde, numa casa de António Taipa Coelho de Brito, antigo industrial de peles envernizadas e sapataria, pai de Arnaldo e Ernesto Gomes Taipa, ali p'rós lados de Freamunde de Cima. Casou no dia 13 de Agosto de 1937 com Emília Coelho Teixeira, de Amarante. De três filhos, o primeiro, Fernando, nasceu cá. Ainda do velhinho livro de apontamentos de Américo Pereira Gomes, repleto de documentos felizmente recuperados, prontinhos que estavam, como tantos outros, a serem atirados para os domínios do esquecimento, descortinámos esta curiosa referência: «No dia 28 de Novembro de 1936, Miguel Moreira fez o 1º ensaio, à noite, tratado por 250$00 mensais, a principiar em Janeiro de 1937».
A Banda continuava a ser uma instituição respeitada, mantendo os seus homens a força galvanizadora de que se ufanavam.
Continuava a ser disputada para os principais arraiais, para importantes cerimónias. Sem a banda de música, os actos públicos não tinham o luzimentos que se impunha.
A vigência de Miguel Moreira à frente da banda (5 anos) coincidiu com um dos momentos mais áureos da mesma, sempre sequiosa de glória. Não são muito os registos, mas alguns, extraídos do "Heraldo", são por demais elucidativos quanto à real valia da banda que continuava a passear classe.
(...) 19-20-21 de Setembro de 1936: A Banda de Freamunde abrilhantou as importantes festas da Senhora da Ajuda, em Espinho, onde tocou com as mais afamadas bandas do país, sendo a mais ovacionada por todos os apreciadores presentes nos concertos.
Outro evento a que tivemos acesso durante as pesquisas sobre a vida musical da Banda de Freamunde, transporta-nos ao mítico "Carvalhal", em dia de festa, no longínquo ano de 1939.
(...) Em 2 de Abril, o "Carvalhal" engalanou-se para uma festa desportiva promovida pela Direcção do Freamunde Sport Club e que constou dum "match" de "football" entre o grupo local e o Pedrouços. Mas festa sem música não teria o brilhantismo desejado. Assim, pelas 14:00, deu entrada a afamada Banda Freamundense que, sob regência do maestro Miguel Moreira, interpretou trechos lindíssimos do seu vasto e requintado repertório. A execução, magistral, agradou por inteiro aos exigentes apreciadores.
Mas - e há sempre um mas...-, a cara não condizia com a careta. As condições disponíveis ao nível de instrumentos e fardamentos eram bastante precárias. Os uniformes mostravam-se desabotoados, rotos, sujos...Havia necessidade de melhorar a indumentária, sobretudo. Carolas? Existiam, alguns. Mas só abriam os cordões à bolsa cobrando uns juritos. A 8% ao ano. Até o padre Castro tinha "aberto os olhos". Ele e o Claudino "do Pacheco". Mas que abonavam sempre, lá isso abonavam!
Tanto assim, que por alturas do Santo António (13 de Junho) foi estreado um belo e novo fardamento, confeccionado na alfaiataria de Américo Pereira Gomes - está lá tudo bem expresso no livro que este ilustre freamundense nos legou e ao qual recorremos frequentemente -, exibido e passeado nas festas ao Mártir São Sebastião, do ano de 1939.
JOAQUIM PINTO - "ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE FREAMUNDE - 190 ANOS" - 2012

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