quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Coronel Barreiros

  (10-8-1893 / 23-8-1965)
De nome próprio: José Baptista Barreiros.
Do enlace com D. Maria da Conceição Alves da Cruz (irmã, entre outros, de Dr. Alberto e Arnaldo Cruz), da Casa da Igreja, Freamunde, resultou o nascimento de duas filhas: Maria Elvira e Maria Cristina.
Muito novo, frequentou as Faculdades de Ciências (Matemática) e Direito, em Coimbra, e tirou o curso superior da Escola de Guerra (1916/1917).
De uma crónica assinada por A.M., de Braga - pessoa autorizada e com conhecimento de fontes capazes de melhor ficarmos a conhecer a personalidade do distinto Coronel, de talhe bem militar, metódica, calma, distinta, e arrumada na interpretação dos factos históricos a que por muito tempo ligou seu nome em ribalta de grande responsabilidade deixada por Rocha Martins -, e publicada no jornal regionalista "Gazeta de Paços de Ferreira", alguns respigos, como preito de admiração e gratidão a tão ilustre figura, que dispensou a Freamunde larga predilecção:
« (...) Os lugares que exerceu em Braga, onde fez uma grande parte da sua carreira militar, alguns por mero acidente, como os de presidente da Junta Distrital, pouco interessam para a compreensão da sua figura, que era estruturalmente a de um patriota, a de um republicano e a de liberal, embora, por vezes, circunstâncias fortuitas o houvessem aparentemente desviado do caminho de uma plena afirmação de princípios e atitudes.
Tinha, porém, um pronunciado sentido do dever e da capacidade de servir e assim, posto que afastado, por convicção, das actividades políticas directas desde 1926 (era então comandante da P.S.P. do distrito), nunca recusou a sua colaboração, mostrando maior ou menor entusiasmo, em benefício dos valores morais e culturais do povo e da Pátria através da defesa e da proclamação dos seus direitos tanto na sua própria conduta pessoal como nos seus trabalhos de pesquisador e de ressuscitador de velhos textos, em que bebia a força alentadora do seu testemunho de português consciente.
Após a sua passagem à reserva, em 1953, consagrou-se apaixonadamente com devoção e persistência, a uma fecunda tarefa de historiógrafo positivista, escrevendo magníficos ensaios e elucidativas crónicas sobre relevantes acontecimentos e vultos nacionais.
Possuía aptidões natas de investigador, um raciocínio claro, um sólido bom senso, uma lucidez penetrante no comentário, um critério esclarecido, uma segura prudência no avançar julgamentos e no extrair conclusões, uma prosa correntia de expositor, uma larga soma de conhecimentos especializados, um arreigado gosto pelas coisas singelas ou fabulosas do passado.
(...) Não deixou uma obra de envergadura, susceptível de traduzir o conjunto dos seus méritos e das suas possibilidades, decerto porque o não permitiram as limitações da sua existência. Em todo o caso coligiu subsídios e exumou documentos de real importância.
Premiado diversas vezes pelos seus trabalhos publicados na "Revista Militar", onde assiduamente colaborou, o coronel Barreiros, que também foi professor nos Altos Estudos Militares, era um técnico abalizado, com a excepcional competência de quem ocupa jubilosamente um lugar para cumprir uma missão em favor da grei: filho do povo, rendeu sempre a sua homenagem ao povo, com inalterável respeito.
Foi episódico o seu trânsito pela Santa Casa da Misericórdia - aí quis também por inteiro colocar-se ao lado do povo, mas acabou por renunciar ante um mundo de dificuldades e de inibições a que o seu temperamento e a sua educação de militar não se adaptavam de ânimo leve - e a sua presidência na Junta Distrital, quase desde logo assinalada pela doença, não lhe deu oportunidades, por tão curta, de empreender um novo programa de realizações.
Mas a sua acção de patriota, livre de compromissos, à frente da delegação da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, cuja criação e desenvolvimento quase exclusivamente se lhe devem, conquistaram-lhe um prestígio tangível, sem benevolências nem convencionalismos, que se prolongou até final».
Foi de sua iniciativa a compra do Palácio dos Biscainhos para instalação do Museu de História, Arte e Etnografia, a promoção de Feiras, Exposições, Congressos, manifestações de carácter patriótico para comemorar datas nacionais.
Destaque para as condecorações de Comendador de Grande Oficial da Ordem Militar de Avis e a Medalha de Mérito Militar.
A notícia do seu súbdito desaparecimento, calou fundo no sentimento de todos os habitantes da Vila de Freamunde, já escassa de valores.
Esta Terra, concelho incluído, mereceu-lhe sempre um carinho especial, sendo alvo de vários e aprofundados estudos.
Deve-se-lhe a monografia de Freamunde, de alto valor histórico.
Em edição da Associação de Socorros Mútuos Freamundense foi publicada, em 1957, uma comunicação da sua autoria, apresentada ao Colóquio Bracarense de Estudos Suévicos Bizantinos, sob o título "Uma povoação Suévica da Chã de Ferreira - A Vila de Freamunde".
"Portugal de ontem e de hoje na sua missão histórica", foi a legenda de uma notável conferência pronunciada em Junho de 1961, na sede daquela Associação de Socorros, a que presidiu o Chefe do Distrito, Brigadeiro Gonçalves da Silva. Este trabalho foi depois editado pela Câmara Municipal.
Em 1957, a direcção do Clube Recreativo propôs sócio benemérito da Colectividade, o coronel Baptista Barreiros, pela valiosa colecção de livros que gentilmente ofereceu (onde param?), para o enriquecimento da Biblioteca, decisão aprovada por unanimidade e aclamação.
 É, pois, «altamente gostoso o sentimento que Freamunde, de lés-a-lés, devota ao saudoso coronel José Baptista Barreiros. Adventício da terra, teve por ela amor estranho e por ela queimou muitos dos poucos vagares em busca de elementos para a história de Freamunde».
Em 1983, por alturas das comemorações da elevação de Freamunde a Vila (Cinquentenário), o seu nome ficou eternizado em placa toponímica: Rua do Coronel Barreiros (da Rua D. Mercedes Barros à Rua Brigadeiro Alves de Sousa).

 JOAQUIM PINTO - BLOG "FREAMUNDE: FACTOS E FIGURAS"

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