sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

12 meses, 12 fotografias

JANEIRO
Com 2016 quase, quase a terminar, deixo-vos o último "post" do ano: 12 meses, 12 fotografias. São os 12 meses do ano em revista em formato fotografia. 12 das dezenas que por cá passaram ao longo deste ano...
FEVEREIRO
MARÇO
ABRIL
MAIO
JUNHO
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
OUTUBRO
DEZEMBRO

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Coisas Minhas

 VIVA O CARNAVAL
O Carnaval chegou! Chegou a época do "vale tudo", do "deixa andar", do "não te importes"...É Carnaval: quem se aborrecer perde o seu tempo...O Carnaval é uma espécie de tubo de escape da Humanidade, é o "péssanga" deste enorme jogo da vida, cujas regras todos tentamos infringir como uma necessidade atávica que nos está proibida...E é essa necessidade que leva o Homem a procurar a sua verdadeira máscara, farto que está daquela falsa máscara que suporta em todos os outros dias. Não há regra sem excepção, pelo que não posso aqui confirmar a infalibilidade das minhas afirmações, mas, ao ver alguém mascarado de polícia, leva-me a duvidar da honestidade de processos desse alguém na sua vida real...Se vestido de pirata ou de gatuno, leva-me a pensar já estar farto de carregar, todos os dias, com o disfarce de homem honesto com que engana a sociedade...Se se mascara de Rei, de general ou Imperador, só vejo nele um pobre ser, constantemente mandado, humilhado, tímido e com medo do patrão, que aproveita a quadra carnavalesca para exteriorizar a sua revolta e sonhar "em voz alta"...O que se veste de "supper-man", deve apanhar da mulher com o rolo da massa...E o que se disfarça de mulher no Carnaval pode ser tudo menos o que são aqueles que, na mesma quadra, gostam de engrossar a voz e de colar uns grandes bigodes no lábio superior...O Carnaval sempre foi assim: uma época de revelações impensadas, uma quadra de desabafos, de verdades impedidas de serem proferidas noutra altura.
Mas, até ele tem degenerado. Onde estão os "xé-xés", que,  de bicórnioo napoleónico atravessado na cabeça, a labita setecentista, o colete com aquela espalhafatosa corrente do relógio de bolso, o corno espetado num pau, na mão direita, e a colher ou a móca, na mão esquerda, se dirigia às pessoas e lhes "prantava" na cara aquilo que elas eram em vida e não gostavam que lhes chamassem, entre as risadas dos presentes que, gostosamente, as identificavam com o retrato ali publicamente feito? Que é feito das "cégadas" que corriam os bairros populares, quais procissões profanas, representando cenas cómicas dos ridículos da vida que, por vezes, se adaptavam aos moradores dos locais onde actuavam? Quem se lembra do Carnaval de rua, o célebre "corso", onde todos nós dávamos largas ao espírito belicoso e destruidor do "diabinho", que mora em cada um , e atirávamos uns aos outros os objectos mais contundentes e sujos que podíamos conseguir: ovos (se podres, melhor...), peixe, farinha, água de duvidosa proveniência...? Já passará muito dos sessenta quem de tal se lembrar...
E nos teatros? As serpentinas eram substituídas por rolos de papel higiénico, desenrolado, que o actor Soares Correia recolhia sofregamente, pois, dizia ele satisfeito, tinha de lhe dar para todo o ano...As flores eram substituídas por nabos e repolhos, os "confettis" por sacos de farinha e os estalinhos inofensivos por pós de comichão. Os alvos preferidos eram os cenários de papel (sobretudo quando começavam a rasgar...), os carecas, os músicos (com preferência para os da bateria, bombos e pratos) e os actores que metiam a cabeça, a ver se podiam entrar em cena, e eram logo recebidos com autênticas salvas daquela "artilharia", o que os fazia logo recuar. E quando, mais afoitos, conseguiam entrar, pouco tempo ali se conservavam, porque os impedia a saraivada dos chamados "peidos engarrafados" que tornavam o ambiente verdadeiramente insuportável...
Era um Carnaval impossível de viver, de uma alegria quase feroz, denotador dos instintos verdadeiros de cada um, até dos meus que era um dos mais assíduos foliões, que acabou por ser proibido (como se impunha) mas que muitas saudades me dá!...
Hoje o Carnaval é muito diferente. Muito mais calmo...As pessoas evitam mascarar-se: basta-lhes a máscara que suportam todos os dias...Por outro lado, avida não nos dá grandes motivos para uma alegria, que, cada vez mais, se dissipa com as constantes preocupações que nos assaltam. Resta-nos as crianças: o que de melhor o mundo tem. É nelas que se vão reflectindo as máscaras que os pais gostariam de vestir, mas que não têm coragem de o fazer, para evitarem que os seus desejos, instintos ou até virtudes (porque não?), venham a ser conhecidos...Elas, as crianças, coitadinhas, tudo recebem alegre e ansiosamente. Nelas não se reflectem os instintos numa máscara dos seus sentimentos...Como eu gostaria de poder aparecer com uma máscara dessas!...Mas não: impedem-mo os defeitos com que a vida me contaminou, um sentimento nato de decôro...e a polícia que, digam lá o que disserem, ainda é a nossa grande consciência...
FERNANDO SANTOS " COISAS MINHAS"

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Feira de Santa Luzia ou dos Capões

Fotografia captada na Feira dos Capões 2012
Na manhã solarenga do dia 13 do mês corrente (não se cumpriu o adágio: Conceição de sol, Luzia de...sol), Freamunde abriu as portas e recebeu de braços abertos centenas de forasteiros que quiseram manter a tradição histórica documentalmente instituída por D. João V por provisão de 3 de Outubro de 1719.
Satisfazendo "graças" perante a imagem de Santa Luzia, advogada da vista (Queres ver o dia? / Pede a Santa Luzia), a capela de Santo António foi "inundada" de fiéis, imbuídos na crença religiosa, na qual se celebraram duas missas solenes.
Cá fora, sobretudo na tenda junto ao Coreto e que servia a Associação de Criadores de Capão, o "bicho" imperava. A promoção intensificou-se e os "eunucos" e perus resistentes (quantos já não teriam sido vendidos nas vésperas para vários restaurantes da região?!) mostravam credenciais. Este ano, no concurso promovido, contrariando a lógica, a Guidinha perdeu para concorrência de "fora".
O negócio dos tendeiros não foi por aí além. Vá que não vá! As carteiras andam sem "ar" e a mercadoria exposta para uso no Inverno, sobretudo capotes, samarras, botas e camisolas peludinhas..., não serve a juventude, mais virada para os centros comerciais. Nada como umas calças de ganga rasgadas nos joelhos e sapatilhas nos pés.  É a moda, dizem.
Mesmo os "trameleiros" dos contrabandistas acusaram a crise. Só as barracas de comes e bebes se safaram. Que o diga a Comissão de Festas Sebastianas 2017. Na véspera (a tradição está a pegar de tal forma que o espaço já não chega para as encomendas), foi um ver-se-te-avias de rojões com batatas alouradas com "pinga" de se lhe tirar o chapéu. Não faltaram, como não podia deixar de ser, as castanhas quentes e boas. Só poucos lhe chegaram: uma dúzia, dois euros. Chiça! Enfim, foi comer e beber à tripa forra. Tudo ao som do "residente" Mingas e amigos, para animar o ambiente já de si escaldante.
Na noite do dia 12, no salão de festas da "Quinta do Pinheiro", realizou-se, como vem sendo habitual, um jantar de gala. No concurso gastronómico, o conceituado júri apreciou os pratos de capão cozinhado e apresentado por 13 restaurantes concorrentes, premiando a empresa de restauração "Pensão Aidé", de Paços de Ferreira.
Para o ano há mais. É assim em Freamunde. Com chuva ou com sol a tradição é para manter.
JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 22 DE DEZEMBRO

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Pedaços de Nós

EM HONRA DA MINHA MÃE

Vou pintar minha mãezinha
tal e qual como ela era
essa flor da primavera
que ela se dispôs a ser minha!

Foi enteada da vida,
desde o berço até à morte;
a roda que arrasta a sorte
sempre andou de si fugida.

Coitada da minha mãe
que viu partir o meu pai,
uma criança crescida

e transformou-se em mulher,
a ver os filhos crescer
na dura luta da vida!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Uma imagem de outros tempos

Uma imagem de outros tempos. Uma imagem do antigo centro cívico de Freamunde, com a antiga Praça do Mercado e a palmeira ao fundo. Uma imagem anterior a 1990, ano em que foi demolida a antiga praça para o arranjo urbanístico do centro cívico. 
Uma outra perspectiva do antigo centro de Freamunde, da autoria de Luís Rego.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Em tons sépia

Uma imagem em tons sépia da passagem pedonal no parque de lazer da cidade de Freamunde.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Alexandrino Chaves

  ALEXANDRINO MARIA CHAVES FERREIRA VELHO

(31-08-1862 / 22-7-1913)
Alexandrino Maria nasceu na freguesia de Freamunde, fruto da união entre José Maria Ferreira Velho e Delfina da Conceição Chaves, baixados à sepultura nº 2 da Ordem Terceira de S. Francisco no mesmo ano de 1884 (17 de Dezembro e 30 de Outubro, respectivamente).
Teve dez irmãos: Augusto Maria "Reverendo", Ermelinda Rosa, Rosalina Augusta, Maria Augusta, Antero Maria, Abílio Maria, António Maria, Amélia Augusta, Adelino Maria e Albano Maria.
Digníssimo tabelião público no Julgado da Paz de Freamunde (cargo que não tinha ordenado estipulado e que dependia exclusivamente da confiança da "clientela"), com escritório na sua residência, em S. Francisco, viu-se envolvido, decorria o ano de 1896, em questiúnculas partidárias que visavam concessões chantagiosas - passar por cima de valores fundamentais em nome de um negócio mesquinho, a compra dos votos dos freamundenses, a uma "vaga" no tabelionado. O "lugar", conseguido a troco dum pesado sacrifício, foi-lhe disputado por José Cândido da Silva Torres, solicitador em Paços de Ferreira, com o apoio do partido monárquico, Progressista, no poder. O "movimento" esboroou-se e prevaleceu o bom senso: Alexandrino Chaves não foi obrigado ao vexame de dever o seu lugar a "cedências" políticas. Conseguiu-o por direito próprio. A honra não se vende.
Foi casado com Anna Pereira Aranha Torres, natural de Santa Marinha de Nespereira, Cinfães, viúva de Manuel Albino da Costa Torres, de Freamunde.
Alexandrino e Ana não tiveram filhos.
Alexandrino enviuvou em 12 de Março de 1900, vindo a contrair matrimónio, em segunda núpcias, no dia 10 de Dezembro de 1903, na Igreja Paroquial de Figueiras, com Ernestina Maria Gomes Rego, de 18 anos de idade, senhorinha de excepcionais dotes de beleza e coração, filha de António Ferreira Rego e Maria Gomes Rego. Estava, assim, preenchido o vazio da sua solidão.
ALEXANDRINO CHAVES E ESPOSA ERNESTINA MARIA
Deste enlace resultou o nascimento de dois filhos: António Maria e Ermelinda Maria. Personalidade relevante, de frágil fisionomia (existem fotografias que mostram um homem franzino, esguio, barba aparada rente, mas de porte aristocrático), requintadamente aprumado no vestir, "bon vivant", cedo se embeiçou por causas nobres.
ALEXANDRINO CHAVES
A Associação de Socorros Mútuos Freamundense era a menina dos seus olhos, sendo por todos considerado um dos grandes impulsionadores da Instituição, tão útil e benemérita.
Serviu-a com denodo e paixão. Fez parte da comissão para a criação da mesma, em 1890. Até à sua morte, em 1913, foi relator do processo dos Estatutos, Tesoureiro da Comissão Provisória, e, por diversas vezes, Presidente e Secretário da Direcção, Presidente da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal.
Por justiça, foi-lhe concedida a presidência da 1ª Assembleia Geral que se efectuou no novo edifício da Associação.
A seu tempo recebeu significativa homenagem, com colocação de fotografia a "crayon" na galeria daquela Instituição, em 19 de Março de 1894, descerrada pelo padre Maximino Ferreira Alves. Já saudoso, em sessão ordinária de 8 de Fevereiro de 1914, pelo presidente da ASMF, António José de Brito, foi proposta pintura a óleo do benquisto benemérito, por um dos melhores artistas da cidade do Porto. A "obra" foi descerrada pelo padre Florêncio de Vasconcelos durante a sessão solene do 19 de Março desse mesmo ano.
ASMF
Diplomado, sabia muito, de tudo falava e escrevia, revelando-se também como músico de inegáveis capacidades, iniciação na arte propiciada por lições advindas de seu pai. Horizontes musicais abertos, piano, violino, flauta e clarinete eram alguns dos instrumentos que, com mestria, tocava nas reuniões dançantes, frequência das pessoas distintas da época. O seu fascínio pela cultura dos sons levou-o, inclusive, a dedilhar primorosamente uma cítara (guitarra com caixa de ressonância em forma de pêra). Tudo nele era sensibilidade artística, exemplo raro de virtuosismo, originalidade e criatividade. Benemérito, ofereceu à Câmara Municipal, água para abastecimento do mercado, em Freamunde. O "nosso" povo, grato a quem servia e lutava desinteressadamente pelo progresso da Terra e seu bem estar, não se poupou a esforços e preparou para o dia da inauguração (16-04-1896) enormes festejos, «com música, foguetes e embandeiramento. A Praça, enfeitada com flores, tinha à entrada um lindo arco artisticamente construído onde se liam as iniciais A.C. (Alexandrino Chaves). Num ambiente de perfeito delírio, onde não faltou a vereação municipal, a população, numa manifestação espontânea de apreço e gratidão, passeou Alexandrino Chaves aos ombros».
AS BICAS DA "VELHA" PRAÇA
Em 1896, deixou-se seduzir pelo teatro, aproveitando as receitas dos espectáculos para precioso auxílio e "empurrão" na edificação da Associação de Socorros Mútuos. As primeiras peças apresentadas foram o drama "Leonardo, o Pescador" e a comédia "Quem tem dinheiro... tem medo". Em 1898, ele próprio redigiu um drama original, "Ernesto, o Enjeitado", representado num salão por si construído no quintal da residência onde habitava, apelidado de "Teatro de S. José", mesmo com os escassos quadros humanos existentes para tão difícil tarefa.
O PALACETE ONDE VIVEU ALEXANDRINO CHAVES
Ele por si desempenhava os papéis de autor, ensaiador e de figura em cena.
Seguiram-se comédias e cenas cómicas... Outras... E depois outras...
As receitas de "bilheteira" ( a "casa" era passada à gente da "elite") ajudavam, e muito, a "erguer" a Associação.
A partir de 1904, porque se esfumaram quase todos os testemunhos contemporâneos, pouco se sabe da sua vida social, entregue que foi, nesse mesmo ano, a pasta de encenador a Henrique de Vasconcelos.
Mesmo assim, encontrámo-lo referenciado, em 1901, como "Juiz" das Festas em honra de S. Sebastião, reaparecendo, em 1913, na presidência das mesmas, já "convertido" ao vegetarianismo e com a doença (tuberculose), que o levaria à morte prematura, a miná-lo de forma galopante. Por sinal, sua esposa faleceria pouco tempo depois (9 de Outubro de 1914), com apenas 29 anos de idade, eventualmente vitimada pelo mesmo bacilo.
Curiosamente, já em 1899, o distinto tabelião havia sido incomodado com uma hemiplegia (paralisia que atinge uma das metades do corpo, a maior parte das vezes devido a uma lesão cerebral no hemisfério oposto), doença que, contudo, não se revelou de gravidade extrema.
Em 1909 (4 de Julho), na calorosa recepção a D. Manuel II, na passagem em Freamunde rumo a Amarante, ao Rei foi entregue uma mensagem que levou a assinatura, entre outras, de Alexandrino Chaves.
Na ribalta política, parece ter-se dedicado aos preceitos monárquicos.
Alexandrino Chaves desceu à terra para todo o sempre no dia 22 de Julho de 1913, curiosamente poucos dias após ter servido, como "Juiz", aos festejos do Santo Mártir.
Ainda há pouco tempo (!) havia gente (César Ribeiro, por exemplo) que carregava memórias do funeral: « Indiscritível, medonho! Nunca assisti a um cortejo fúnebre tão imponente e sentido. A emoção atingiu o clímax. A terra inteira veio para a rua. Gente do campo, gente humilde que se despedia do amigo, do freamundense de gema. Alas de pessoas, que cresciam a uma velocidade impressionante, de archotes acessos ao longo do percurso».    
Pessoas, todos os sócios que o próprio presidente da Assembleia Geral da ASMF havia convocado em sessão extraordinária para, em elogio, fazer-lhes sentir a «dolorosa e irreparável perda do inolvidável protector da Associação. Dos seus mais firmes e constantes sustentáculos. O seu trabalho e o seu dinheiro nunca faltaram quando a elle se recorria. Foram de tal ordem o zelo e dedicação que este benquisto benemérito da Associação a ella se consagrou, foram de tal magnitude os seus serviços que difícil se torna innumera-los numa simples acta de sessão. Por bem conhecidos e avaliados, eles deverão ficar perpectuamente gravados no coração reconhecido de todos os sócios, que nelle perderam o mais valioso e desinteressado companheiro, e dele herdaram o mais salutar modelo a imitar».
Seria, pois, uma falha, uma injustiça de todo o tamanho, não exaltarmos, não darmos a conhecer, a grandeza do homem, do cidadão Alexandrino Chaves, seu carácter e envolvimento nas causas sociais e culturais do torrão que o viu nascer.
Afirmamos com toda a segurança, que a sua obra, a sua personalidade de criador, a sua inteligência, o seu bairrismo, foram e continuam a ser apreciados por todos os freamundenses.
Pasmo como foram necessários mais de oitenta anos após a sua morte para que Freamunde homenageasse, em placa toponímica, um dos vultos mais relevantes que a serviu.
Nesta matéria, andava muita gente distraída.
JOAQUIM PINTO - BLOGUE " FREAMUNDE: FACTOS E FIGURAS" 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( VIII )

2.5 OS SÍMBOLOS
A bandeira foi um dos primeiros símbolos da Associação dos Bombeiros Voluntários de Freamunde. Já em Dezembro de 1932 houve uma proposta na direcção para substituir a bandeira da corporação e associação por uma de seda, bordada ou pintada. Mas é na reunião da Comissão Administrativa de 20 de Agosto em 1935 que esta toma conhecimento da oferta, "pela D. Ilda Monteiro, desta vila, de certa porção de seda destinada a uma bandeira". Os responsáveis pelos bombeiros de então considerarama oferta valiosa e decidiram contratar um "desenhista" que apresentasse um ou mais riscos apropriados. No mês seguinte escolheram o trabalho apresentado por Eduardo Coquet, da cidade do Porto. Consultadas as propostas que tinham para a execução da bandeira, entregaram-na à Casa Eduardo da Conceição Amorim e Filhos, de Braga. Era quem oferecia melhores condições para a obra que se pretendia. Bordada a matiz, a prata e a ouro, conforme o desenho que se optou, a bandeira estava pronta em Novembro desse ano e o trabalho foi considerado primorosamente acabado.
Posteriormente, nos anos quarenta, por influência do heraldista Afonso Dornelas, a Liga sensibilizou as diferentes associações de bombeiros para a uniformização da emblemática. O emblema da Corporação de Freamunde é hoje bem diferente do que foi desenhado por Coquet em 1935.
III SÓCIOS E DIRIGENTES
 À luz dos primeiros estatutos da Associação de Bombeiros Voluntários de Freamunde são quatro os tipos de sócios: os Activos (Bombeiros), isentos de pagamento de jóia e quota, mas sujeitos a regras especiais de admissão; os Protectores, que na prática são os associados comuns, pagam uma quota mensal e uma jóia e ganham o direito a definir a vida da associação podendo votar na assembleia-geral; os Honorários, são as pessoas que prestaram serviços valiosos à Associação. Eram ainda considerados, pelos antigos estatutos, sócios honorários natos os comandantes das corporações congéneres do país: os sócios Beneméritos são, além dos "activos que se distingam ou inutilizem em serviço, as pessoas  que se subscrevam para o cofre social, por uma só vez, com quantia não inferior a quinhentos escudos e que tenham sido aprovados pela assembleia-geral".
Os novos estatutos classificam-nos de modo diferente , mas mantém o mesmo princípio, acrescentando apenas a possibilidade de existirem sócios colectivo.
JOÃO VASCONCELOS - BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS" - 2005

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Uma imagem da época

Uma imagem da torre sineira da igreja do Divino Salvador de Freamunde captada desde o centro cívico de Freamunde. Uma imagem da época, com cores típicas da época, o Outono.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A sina dum revoltado

MINHA VIDA DE VERSOS

A poesia é o sol da minha vida,
que me alimenta a alma, dia a dia.
Traz-me a paz e os momentos de alegria
nas horas mais difíceis desta lida.

Cada verso que eu faça é uma luz
que vem iluminar o meu caminho,
que não passa dum espaço, dum cantinho
onde eu vou carregando a minha cruz!

Dou tudo quanto tenho de melhor
p'ra matar a paixão da minha dor,
nem que p'ra isso tenha que puxar

as orelhas às musas desta fonte,
p'ra que, depois de mim alguém vos conte
os versos que eu ao mundo vim cantar!

RODELA - " A SINA DUM REVOLTADO" - MARÇO DE 2016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Esta é mesmo verdadeira

UM NOVO CARLOS GARDEL
Há algumas dezenas de anos, eram vulgares as deslocações ao Brasil de companhias portuguesas de teatro. Todos os anos, uma, duas e mais companhias ali se deslocavam, quase sempre com assinalado êxito económico e artístico.
Depois, foram os brasileiros que nos começaram a visitar regularmente e assim fomos recebendo as companhias de Ruth Escobar, do Procópio Ferreira e, mais tarde, da sua filha, a talentosa Bibi Ferreira, de Maria Della Costa, de Paulo Autran, de Alma Flora, etc...Por cá foram ficando alguns artistas, que se foram adaptando ao nosso meio, como Spina, Badaró e Alma Flora, falecida em Lisboa.
Este intercâmbio teatral foi perdendo o uso, se bem que, recentemente, alguns grupos portugueses têm voltado a visitar o país irmão e deles há que destacar o grupo "A Barraca", que por já três vezes ali tem colhido o maior êxito do público e da crítica e, quando da visita do nosso primeiro-ministro, Cavaco Silva, ao Brasil, ainda ali se encontrava a actuar com grande sucesso, sem que o nosso chefe de governo se dignasse visitar quem tão alto assim elevava o bom nome de Portugal, no campo da cultura teatral. Esta falta foi muito notada, tanto no Brasil como em Portugal, e constituiu um dos fiascos assinalados pela imprensa dos dois países.
Mas voltemos às deslocações das companhias teatrais a terras de Santa Cruz. Era hábito, depois dos espectáculos, alguns artistas deslocarem-se a clubes, "boites" e "cabarets" onde actuavam profissionalmente, conseguindo, por esse meio, um complemento económico que iria melhorar o contrato previamente estipulado. O actor Octávio Matos, pai do artista do mesmo nome que se tem popularizado através das suas actuações na nossa televisão, decidiu fazer o mesmo. Ele era, de resto, além de um actor  bastante apreciado, um extraordinário ilusionista. Mas apeteceu-lhe fazer uma coisa que nunca tinha feito: cantar tangos...
Um amigo lá lhe arranjou contrato para uma actuação num clube nocturno, tendo o seu nome sido alvo da maior publicidade como um grande cantor de tangos, capaz de pôr de lado o próprio Carlos Gardel.
Na noite aprazada Octávio Matos lá foi e mal acabou de cantar o primeiro tango, ao qual ele tentou emprestar, em vão, o maior casticismo, a mais "caliente" entrega de alma, o maior cunho de macho castigador e a voz mais assolapadamente apaixonada, o silêncio na sala, que estava cheia, foi absoluto e confrangedor: nem uma palma, nem nada...Mas eis que numa mesa ao fundo, um senhor gordo, começa a dar-lhe algumas palmas, muito a contra gosto e compassadamente. O nosso patrício voltou-se naquela direcção e entendeu dever agradecer, em largas e rasgadas vénias. O outro lá continuava a aplaudir, dolente, compassada e preguiçosamente e, vendo-o dobrar-se todo em agradecimentos, sempre lhe foi dizendo:
- "Não esquenta, minino, não esquenta...Dá o fora...Dá o fora..."
Nunca mais o Octávio Matos cantou tangos...
FERNANDO SANTOS - "ESTA É MESMO VERDADEIRA" - JULHO DE 2001