sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

António José de Brito

 ( 9 - 8- 1866 / 24 - 2 - 1951 )
Natural de Santo André de Cristelos - Lousada, filho de Gaspar António de Brito, mestre pedreiro, oriundo de Aboim, aldeiazinha pertencente ao concelho de Arcos de Valdevez, e Ana Joaquina de Bessa, costureira, da referida freguesia de Santo André de Cristelos, "cresceu" profissionalmente no seio de uma família de comerciantes de Penafiel, gente que o ensinou a ser honesto, e, contagiado e incentivado pelo "patrão", comerciante se tornou.
Adolescente cheio de esperança (os ventos pareciam-lhe de feição), subiu São João de Covas e deparou-se-lhe uma terra interessante. Em Freamunde não procurou emprego: estabeleceu-se. A "Casa" António José de Brito, sediada na rua que viria a chamar-se "do Comércio", voltada para a venda de qualquer tipo de ferragens e materiais para o ramo da construção civil, abriu as suas portas à freguesia no dia 11 de Março de 1888.
Dinâmico, seguro, de ar maduro e confiante, iria tornar-se num bem sucedido homem de negócios. Mas não só. De visão prática, pugnava pelo progresso da terra que o havia adoptado. Depositário da caixa do correio, incumbiu-se gratuitamente nas diligências e esclarecimentos necessários à instalação de uma estação postal em Freamunde.
Católico praticante, foi, em Outubro de 1896, nomeado tesoureiro da Confraria de Nossa Senhora das Neves, sendo principal responsável pela reforma de pintura e douramento do altar da dita Confraria.
Cedo se embeiçou por uma menina prendada, de sua graça Henriqueta (Moreira Dias Cardoso da Costa), filha de António da Costa Gomes e Joaquina Moreira Dias Cardoso. Do namoro ao matrimónio (13-10-1889) foi um passo. Os filhos, em número de dez, não se fizeram esperar: Arnaldo, Vitorino, Alexandrino, Alzira, Ernesto, Jaime, Alberto, António, Ernestina e Cassilda.
Henriqueta M. D. C. Costa e António José de Brito
O agregado desfrutava do conforto da classe média, auferindo rendimento sólido. Era feliz.
A par da sua actividade comercial, António José de Brito cedo foi atraído pelo poder autárquico, mas não a qualquer preço. Já em 1895 se havia envolvido nestes meandros, tendo sido eleito membro efectivo da Comissão de Recenseamento Eleitoral.
"Militante" político com um claro compromisso com as forças mais conservadoras, tornou-se, em 1897, importante e influente líder dos Regeneradores de Freamunde.
De 1902 a 1907, aí o tínhamos como vereador municipal, na presidência do Dr. Luís Alves Pinheiro Torres, ao lado do Padre António Ferreira de Carvalho (Ferreira) e Júlio Alves Carneiro (Seroa).
António José de Brito: 3º da 2ª fila a contar de baixo da direita para a esquerda
Combatente, desde a primeira hora, contra a macrocefalia da sede do concelho, tudo fez para libertar a terra das amarras da subalternidade autárquica.
Mas... com o poder centralizado (Paços de Ferreira) e hostil às necessidades prementes da "sua" terra (Por exemplo, foi a gente bairrista de Freamunde que, por um espaço de três anos, com início em 1907, através de donativos oferecidos à Junta, proporcionou a colocação e sustentação de 24 candeeiros a gás de acetileno nas ruas mais centrais, melhoramento que se tornou importantíssimo), sentindo perdida mais uma batalha, mesmo aceitando o compromisso de, para ali destacado, garantir o escrupuloso cumprimento da vontade da "maioria" da edilidade, decepcionado com as suas ambições, aproveitou o decreto-lei do ministro João Franco, que dissolvia todas as vereações, substituindo os seus membros (Não precisou, pois, de renunciar, em 1908, à Comissão Administrativa Municipal), integrando, como vogal, a Comissão Administrativa da Junta da Paróquia de Freamunde até 1910.
É que, a obra política, exígua que fosse, por ele orientada ou influenciada nesta terra, tinha sido antes produto do sentimento e da vontade de freamundense bairrista, como António José de Brito era, que resultado de um esforço consciente dos colegas do executivo.
Desiludido, inerte e conformado, isolou-se da actividade política após a revolução do 5 de Outubro de 1910, que proclamou a República e fez cair a Monarquia. Ainda integrou a facção das primeiras figuras da oposição ao novo regime, fruto da sua consciência política, sendo um dos nomes apontados como suspeito de ter participado na rebelião de 19 de Setembro de 1911. A alma ficou ferida. Deve ter doído.
Não podemos, contudo, agora que o percebemos melhor depois de algum trabalho de recolha documental, acusá-lo de falta de honestidade, de cobardia ou ausência de valores. Valores que se elevavam em todos os seus comportamentos sempre que Freamunde estava em causa. Havia notória solidariedade entre os honrados e bairristas cidadãos desta terra, assíduos nos mais importantes acontecimentos dessa época.
Questiúnculas partidárias à parte, não se estranhe, pois, encontrá-lo como Juiz das Festas em Honra ao Mártir S. Sebastião no ano de 1911 (em 1909 já havia sido vogal da comissão promotora das mesmas festividades) e membro efectivo, em todos os cargos, até na comissão revisora dos Estatutos da benemérita Associação de Socorros Mútuos (foi seu sócio fundador), desde 1890 até à data da sua morte (1951). Por justiça, foi a sua fotografia colocada e descerrada na galeria daquela Instituição, na habitual sessão solene do 19 de Março, corria o ano de 1928, pelo Dr. Alberto Cruz.
Desaparecido da ribalta política, já tinha, no entanto, provado o seu "ópio" e por mais que tentasse nunca mais se livraria dele.
Bastou o golpe do 28 de Maio de 1926, que instalou um regime mais de acordo com o seu pendor político, para o termos de novo, de 1927 a 1938, no seio de cinco vereações, presididas pelo Dr. José de Lencastre.
1927- C. A. Câmara Municipal: António José de Brito; Manuel Leão; Dr. José de Lencastre e Joaquim Monteiro
De permeio, fruto do seu altruísmo, membro destacado, em 1928, da Grande Comissão Organizadora da Corporação de Bombeiros de Freamunde e Vice Presidente da referida Associação Humanitária nos anos de 1930 e 1931.
Por uns tempos reintegrou-se na luta pelo progresso e bem estar dos freamundenses. Com o apoio incondicional, e enorme dedicação, dos elementos da Junta de Freguesia (Abílio Pacheco de Barros, Arnaldo da Costa Brito e Armando Nunes de Oliveira), a importância política, junto das altas esferas governamentais, do Dr. Alberto Cruz e, sobretudo, do Tenente Carlos Luciano Alves de Sousa, Administrador do Concelho, Freamunde conhece um maior desenvolvimento com as inaugurações de duas escolas primárias (1931 e 1938), uma cabine telefónica, fontanários, lavadouros, coreto, abertura e reparação de arruamentos... Em 1933, Freamunde é elevada à categoria de Vila, acontecimento histórico e que fez transbordar de alegria os orgulhosos freamundenses.
Depois, regressou o ostracismo. A terra voltou a parar de uma forma confrangedora. Em 20 de Outubro de 1938, António José de Brito, personalidade acima de qualquer suspeita, sendo mesmo tido como incorruptível, sequer subserviente, eventualmente marginalizado e sem poder decisório, pede licença e é substituído na vereação por António Afonso da Silva.
António José de Brito chegava ao fim de vários mandatos sem a imagem desgastada.
Anos 50: "Casa Brito", à direita
Faleceu, serenamente, no dia 24 de Fevereiro de 1951, com 84 anos de idade, um dos "Homens" de grande influência para Freamunde durante meio século.
O seu nome ficou perpetuado em placa toponímica, numa merecida e justa decisão da comissão executiva das comemorações do cinquentenário da Vila de Freamunde: Largo António José de Brito (no Alto da Feira, desde a Rua Abílio Barros à rampa para a Associação de Socorros Mútuos). 
Lápide descerrada pelo filho, Arnaldo Brito
 JOAQUIM PINTO: BLOG "FREAMUNDE FACTOS E FIGURAS"

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