sexta-feira, 28 de julho de 2017

Poesia de Freamundenses

HISTÓRIA DAS BOTAS

Tenho dito ao senhor Brito
E aborreço-o muitas vezes
Por causa de umas botas
Já lá vão nove meses.

Peço desculpa, oh senhor Brito,
Mas como vê, tem de ser
Se não ponho os pontos nos is,
Nunca mais as chego as ver.

Oh botas, vós que sois botas,
Botas fortes e de potência,
Desculpe lá senhor Brito
O forte da minha exigência.

É do conhecimento de todos,
Meus senhores, bem o sabeis,
Estou a contar com as botas
Antes de chegarmos aos reis.

Eu nunca me envaideci
Por saber contar anedotas,
Oh senhor Brito, termina aqui
A grande história das botas.

BRANQUINHO - "FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR" - 1987

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Em tons sépia

Uma fotografia em tons sépia de uma propriedade agrícola, na Rua Nova de Cachopadre, no lugar homónimo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Esta é mesmo verdadeira

LUA DE MEL ACIDENTADA
Já que hoje se falou do "Comissário de Polícia", vem a calhar contar um facto, algo jocoso, passado na pensão em que o GTF se instalou em Lisboa, quando ali se deslocou para a final do Concurso de Arte Dramática do SNI, em 1966.
Num quarto com quatro ou cinco camas alojaram-se alguns dos homens isolados da comitiva freamundense, sobretudo os que constituiam a sua "parte técnica". E, no quarto ao lado, gozava a sua "lua de mel" um casalinho que, em viagem de núpcias, tinha chegado no mesmo dia.
Ora aconteceu que, ao regressar, de noite, ao quarto, o Domingos Gomes da Silva, o "Domingos Teles" a quem o GTF deve a solução técnica e a perfeição de algumas das suas melhores montagens, enganou-se na porta e foi bater no quarto dos noivos. Com cara de aborrecido - e o caso não era para menos...- o noivo veio abrir e saber o que queria aquele importuno. O "Teles" - que todos sabem ser um homem pacato, bem educado e incapaz de uma indelicadeza - ao dar pelo engano, mal pediu desculpa e logo se enfiou no quarto dos colegas a quem, muito encavacado, contou o que lhe acontecera.
O "Quim Bica" - malandro e brincalhão como poucos - ao saber que ele mal balbuciara uma desculpa, dirigiu-se novamente, ao quarto pegado e voltou a bater à porta, com toda a "lata". E quando o incomodado do noivo lhe apareceu, desta vez mais fulo que uma barata e capaz de comer, furioso, quem assim lhe interrompia...o sono..., disse-lhe, com o ar mais sério do mundo:
-" Eu vinha aqui pedir desculpa pelo meu amigo que há pouco os incomodou e que, de tão embaraçado, nem se soube justificar". "A verdade é que ele se enganou na porta..."
-Oh, amigo!...Não me chateie mais e vá-se embora..."
E bateu-lhe com a porta na cara..., todo zangado...
Na realidade...isso não se faz a uma lua de mel...
FERNANDO SANTOS - "ESTA É MESMO VERDADEIRA" - JULHO DE 2001

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sebastianas / 17: Já lá vão...

São Pedro, vá lá saber-se porquê?!, nos primeiros dias fez das "suas", ameaçando chuva contínua. Um cabo das "tormentas" para as agitadas gentes de Freamunde. A tempestade amainou e tudo foi dobrado, ressurgindo a esperança. Até o monstrengo Adamastor foi superado pela vontade e querer de um povo, representado pela comissão, que pelas suas festas sentem alegria, orgulho. Por elas são capazes dos maiores sacrifícios, da maior entrega. Força e determinação que ninguém poderá deter. O tal amor à terra, BAIRRISMO.
As iniciativas mantiveram a natureza tradicional, que fazem desta festa a mais "apetecível" do Vale do Sousa.
Mesmo não sendo uma "romaria à antiga" (nada que o pareça...Os tempos mudaram muito), foi bom constatar, para lá da essência religiosa (procissão e missa solene) e das características profanas, bem visíveis no aspecto lúdico (divertimentos, corrida de rolamentos, concentração de vespas (XX edição), concertos musicais, fogo de artifício, marcha alegórica...), a presença de elementos culturais, etnográficos (XII festival de folclore)..., que constituem a matriz deste grande evento.
E Freamunde foi "inundada" por milhares de forasteiros movidos pelo eco das tradições há muito arreigadas e misturadas com a vivência de uma cidade que se quer cada vez mais moderna.
Que desfrutaram de um programa de animação arrojado dirigido às diferentes faixas etárias da população que nele se revê e identifica.
A Semana Cultural, acontecimento louvável, verdadeiramente marcante, ano após ano tem vindo a alargar o leque das suas realizações culturais, recreativas e sociais, num enriquecimento progressivo, sobretudo na diversidade. A Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós, incumbida, já por tradição, da abertura oficial da edição (louve-se a persistência dos entusiastas que mantêm de pé o "Concurso de Quadras", com o número de participantes, oriundos de vários pontos do país, a aumentar gradualmente), Lar da Terceira Idade de Sto. António e Associação Musical de Freamunde, com todas as suas valências, mostraram qualidade e encheram-nos a alma de contentamento. Os concertos de palco foram, sobretudo, efusivos. Os grupos e artistas convidados (Capitão Fausto, Richie Campbell, Sérgio Godinho, C4 Pedro, Grupo Revelação, Kussondulola, Bonga, DJ's até mais não...) tudo fizeram para conseguir estabelecer interação com a enorme mole humana (impressionante a noite de sábado), que, solícita, cooperou na plenitude. Uma autêntica histeria! A folia crescia de dia para dia.
De sexta para sábado, já madrugada dentro, as mulheres (as "nossas" e não só) fizeram ver: eram às centenas (mais de 400), bem ensaiadas, disciplinadas mas eufóricas quanto baste (a cerveja e a caipirinha fazem "milagres", a ribombarem, prolongando a folia até ao romper da aurora. Até que o cansaço as obrigou à debandada.  Não as vacas de fogo, tradição com mais de cem anos, que, este ano, "ameaçadas", se mostraram demasiado tímidas. As "outras", salvo seja, são cada vez mais arrojadas e "provocadoras". Para todos os gostos. Também está bem.
Mais calmo esteve o concerto das bandas de música (Freamunde e Trofa), só "explodindo" o ambiente, verdadeiramente contagiante, com os hinos da opereta "Gandarela", "Freamunde" e a marcha das Sebastianas. Não faltaram os "encores". O povo pede, portanto...
Mas houve mais para contar: os "artistas" da "Putrica", sempre bem vindos, têm cá uma "pinta"!...Os "grafites" são para admirar, registar e guardar. Um sonho!...A autêntica arte urbana patente na fachada da piscina de Freamunde; a edição deste ano de "O Bombeiro d'ouro", foi, em termos organizativos, da responsabilidade da Associação Humanitária local; homenagem, digna, aos festeiros falecidos; entrega de medalhas comemorativas aos ex-membros da organização das Sebastianas de há 25 e 50 anos atrás; alvoradas...Enfim!
Na componente religiosa (tempo de venerar o Mártir S. Sebastião), a procissão continua a figurar como um dos momentos mais marcantes das festividades, arrastando milhares de pessoas, distribuídas pelas principais artérias da cidade, totalmente coloridas pelos contínuos tapetes de flores ou coisa que o pareça. Curiosamente, não são muitas - talvez a tradição, aqui, já não seja o que era - as varandas e janelas adornadas com puras toalhas de linho estendidas.
 A sessão de fogo de artifício de segunda-feira, de efeito multicolor, foi um regalo para a vista porque teve qualidade. Sumptuoso, o adjectivo apropriado para classificar "tamanho" espectáculo. Só os ouvidos é que sofreram de tanto "barulho", no final. Gostos são gostos e como tal não se discutem.
No cortejo alegórico (voltou a marcar pontos), carregado de uma certa simbologia, a que se atribuiu, como temática, o feito revelador, histórico dos nossos navegadores, "Os Descobrimentos", o centro das atenções recaiu sobre os doze carros, todos eles construídos por gente desta terra, com uma dedicação ímpar. Com perfeição a mais. Sim senhor, uma marcha colorida, bem organizada, muito preenchida e que encheu os olhos ao povo, acomodado em tudo quanto era sítio. A cidade rebentou pelas costuras.
Pronto! As luzes já se apagaram. Na memória ficarão os momentos inolvidáveis, dias exuberantes de alegria, intensos, únicos que nos foram proporcionados. Para o ano há mais "Sebastianas", festas sedutoras, "MUITO GRANDES" e que continuam a solidificar uma comunidade que se pretende unida, mais do que nunca.
E então, para a rapaziada da comissão não há duas linhas? Há: simplesmente fantásticos. Ao trabalho de um ano, intenso, juntaram a coragem e o cérebro. Parabéns, malta. Que sirvam de exemplo, em quase todos os sectores (uma ou outra falha, perfeitamente desculpável e natural, não lhes retira o brilho), para os que já andam aí, os novos, numa lufa-lufa a prepararem as próximas "Sebastianas", genuínas festas de bairrismo, bem enraizadas e que fazem parte da memória colectiva deste povo.
JOAQUIM PINTO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 20 DE JULHO DE 217

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Gente da Nossa Terra

DININHO MOURA

Fujam, oh rapaziada!...
Vem aí o Senhor Moura
e vem de língua afiada...
mais parece uma tesoura.

Foi pró Brasil em rapaz,
voltou maduro e cansado
e descansa agora, em paz,
ao seu torrão abraçado.

Partiu para lá sozinho
e regressou ao seu ninho
solteirinho novamente,

por ter jurado à palmeira
amá-la prá vida inteira
e ser seu eternamente.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A preto e branco

Uma fotografia nocturna da igreja do Divino Salvador de Freamunde, iluminada durante as Festas Sebastianas 2017. Uma fotografia nocturna com o efeito a preto e branco.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória ( XIII )

ÉPOCA 1944 / 1945
SÃO CRIADOS E APROVADOS OS ESTATUTOS DO CLUBE
No dia 18-8-1944 a Tesouraria da AFP, com sede na Rua José Falcão, 124, cidade do Porto, recebe do Freamunde Sport Club a quantia de 30 escudos, verba relativa à taxa de filiação da divisão da "Promoção", para a época 1944 / 1945.
Os abnegados dirigentes - o clube nesta época, como em anteriores, quase batia no fundo - lá conseguiam encontrar forças para vencer as crises mais agudas da sua existência.
Porém, indo de encontro aos legítimos anseios da colectividade, são finalmente criados e aprovados os primeiros estatutos do clube, nos termos do parágrafo 3.º do Artigo 20, Decreto Lei nº 32.946 (Despacho de 21-10-1944 - Publicado no Diário do Governo de 31-10-1944, nº 253 II Série).
A partir de então, a actividade da agremiação jamais pararia, prosseguindo ininterrupta tão fértil longevidade.
ESTATUTOS DO CLUBE
No mesmo ano de 1944, os associados existentes pagavam mensalmente de quota a quantia de 2$00. No acto de admissão, a título de jóia, teriam de desembolsar a verba de 1$50, para muitos considerada uma exorbitância, mas o futebol era o único escape capaz de fazer esquecer as agruras da vida.
No campo meramente desportivo, a boa nova rapidamente se espalhou para gáudio dos amantes do "emblema" do Carvalhal; o esperançoso jogador João Taipa, talvez devido à sua maneira de ser, saudoso do seu torrão querido, não se adaptou ao grande clube do Porto, passando Freamunde a ser de novo o seu burgo.
No Promocionário, a equipa batia-se bem, dava-se por inteiro à luta, com raça, atingindo o final da primeira volta no cimo da tabela classificativa. Depois, alguns resultados imprevistos atiraram o grupo para um lugar menos consentâneo com a sua real valia.
JOÃO TAIPA
Para comandar tecnicamente a equipa, desta vez "deitou a mãozinha" o atleta Alberto Matos.
Sobre o encontro Freamunde / S. C. Penafiel, João Taipa contou-nos: "A certa altura, o Freamunde beneficiou de uma grande penalidade. Eu, o habitual marcador destes castigos, ausente por lesão, vi o desfio fora das quatro linhas. Mas que grande dilema este! Quem marca, quem não marca, e eis que surge Leonel - o das "carroçarias da Seroa, irmão de Samuel que também cá jogou -, rapaz afável, sereno, autoritário: Não se preocupem! Não se preocupem! Eu transformo. Estejam descansados. Os prosélitos, estupefactos, olhavam-se, apreensivos. Fez-se silêncio sepulcral. Uns torciam o nariz, outros viravam a cara para o lado, os demais sorriam face ao insólito.
Com três sonoros toques de bota no chão, qual toiro - salvo seja - preparando a investida ao forcado, Leonel correu para a marca do "penalty" e com uma violenta biqueirada levou a bola a anichar-se, como um bólide, no fundo das redes. O "keeper", sem tempo sequer de esboçar qualquer reacção, viu mesmo o esférico passar-lhe muito perto do nariz que ficaria num "bolo" se a mira fosse mais certeira. E olhe que ficava mesmo! Quando chovia, como foi o caso, as bolas, que normalmente pesavam 280/300 gramas, engordavam de tal forma que se tornavam duras como o aço. O "cautchú" com que se treinava era o mesmo com que se jogava. Então, ao cabecear, quando se sentia o "linhol", nem queira saber...Só víamos estrelas.
Estava, assim, resolvido o "bicudo" problema para gozo dos adeptos que, já aliviados, riam a bom rir".
EQUIPA TIPO:
Casimiro "Vaidoso", Leonel e Zeca "Mirra"; Xico "da Fonte", Zé Viana e Agostinho Machado "Barroco"; Maximino "da Couta", Joaquim Pinto "Maneta", Adão Viana, João Taipa e Belmiro "da Riqueta".
Outros utilizados: António "Pataco", José Nogueira "Rabão", Jerónimo, Maximino "Frita" e Américo.
EQUIPA:
Em cima: Maximino "da Couta" - Maximino "Frita" - Alberto Matos - Belmiro "da Riqueta" - Zeca "Mirra" - Casimiro "Vaidoso".
Em baixo: Leonel - João Taipa - Américo - Adão Viana - Joaquim Pinto.
JOAQUIM PINTO - "SPORT CLUBE DE FREAMUNDE - VIDA E GLÓRIA" - 2008

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sebastianas 1968

No rescaldo das magníficas Sebastianas 2017, aqui fica uma belíssima fotografia das Sebastianas de 1968. Uma fotografia com 49 anos que mostra a entrada da centenária Banda de Freamunde, na Rua Dona Mercedes Barros. De realçar, os arcos da iluminação...
Ontem, tal como hoje, continuam sempre belas as nossas Sebastianas.
Fotografia partilhada na rede social "Facebook" pelo nosso conterrâneo Pedro Lopes. Uma belíssima fotografia que não resisti a publicar aqui no blog...