sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória ( XIII )

ÉPOCA 1944 / 1945
SÃO CRIADOS E APROVADOS OS ESTATUTOS DO CLUBE
No dia 18-8-1944 a Tesouraria da AFP, com sede na Rua José Falcão, 124, cidade do Porto, recebe do Freamunde Sport Club a quantia de 30 escudos, verba relativa à taxa de filiação da divisão da "Promoção", para a época 1944 / 1945.
Os abnegados dirigentes - o clube nesta época, como em anteriores, quase batia no fundo - lá conseguiam encontrar forças para vencer as crises mais agudas da sua existência.
Porém, indo de encontro aos legítimos anseios da colectividade, são finalmente criados e aprovados os primeiros estatutos do clube, nos termos do parágrafo 3.º do Artigo 20, Decreto Lei nº 32.946 (Despacho de 21-10-1944 - Publicado no Diário do Governo de 31-10-1944, nº 253 II Série).
A partir de então, a actividade da agremiação jamais pararia, prosseguindo ininterrupta tão fértil longevidade.
ESTATUTOS DO CLUBE
No mesmo ano de 1944, os associados existentes pagavam mensalmente de quota a quantia de 2$00. No acto de admissão, a título de jóia, teriam de desembolsar a verba de 1$50, para muitos considerada uma exorbitância, mas o futebol era o único escape capaz de fazer esquecer as agruras da vida.
No campo meramente desportivo, a boa nova rapidamente se espalhou para gáudio dos amantes do "emblema" do Carvalhal; o esperançoso jogador João Taipa, talvez devido à sua maneira de ser, saudoso do seu torrão querido, não se adaptou ao grande clube do Porto, passando Freamunde a ser de novo o seu burgo.
No Promocionário, a equipa batia-se bem, dava-se por inteiro à luta, com raça, atingindo o final da primeira volta no cimo da tabela classificativa. Depois, alguns resultados imprevistos atiraram o grupo para um lugar menos consentâneo com a sua real valia.
JOÃO TAIPA
Para comandar tecnicamente a equipa, desta vez "deitou a mãozinha" o atleta Alberto Matos.
Sobre o encontro Freamunde / S. C. Penafiel, João Taipa contou-nos: "A certa altura, o Freamunde beneficiou de uma grande penalidade. Eu, o habitual marcador destes castigos, ausente por lesão, vi o desfio fora das quatro linhas. Mas que grande dilema este! Quem marca, quem não marca, e eis que surge Leonel - o das "carroçarias da Seroa, irmão de Samuel que também cá jogou -, rapaz afável, sereno, autoritário: Não se preocupem! Não se preocupem! Eu transformo. Estejam descansados. Os prosélitos, estupefactos, olhavam-se, apreensivos. Fez-se silêncio sepulcral. Uns torciam o nariz, outros viravam a cara para o lado, os demais sorriam face ao insólito.
Com três sonoros toques de bota no chão, qual toiro - salvo seja - preparando a investida ao forcado, Leonel correu para a marca do "penalty" e com uma violenta biqueirada levou a bola a anichar-se, como um bólide, no fundo das redes. O "keeper", sem tempo sequer de esboçar qualquer reacção, viu mesmo o esférico passar-lhe muito perto do nariz que ficaria num "bolo" se a mira fosse mais certeira. E olhe que ficava mesmo! Quando chovia, como foi o caso, as bolas, que normalmente pesavam 280/300 gramas, engordavam de tal forma que se tornavam duras como o aço. O "cautchú" com que se treinava era o mesmo com que se jogava. Então, ao cabecear, quando se sentia o "linhol", nem queira saber...Só víamos estrelas.
Estava, assim, resolvido o "bicudo" problema para gozo dos adeptos que, já aliviados, riam a bom rir".
EQUIPA TIPO:
Casimiro "Vaidoso", Leonel e Zeca "Mirra"; Xico "da Fonte", Zé Viana e Agostinho Machado "Barroco"; Maximino "da Couta", Joaquim Pinto "Maneta", Adão Viana, João Taipa e Belmiro "da Riqueta".
Outros utilizados: António "Pataco", José Nogueira "Rabão", Jerónimo, Maximino "Frita" e Américo.
EQUIPA:
Em cima: Maximino "da Couta" - Maximino "Frita" - Alberto Matos - Belmiro "da Riqueta" - Zeca "Mirra" - Casimiro "Vaidoso".
Em baixo: Leonel - João Taipa - Américo - Adão Viana - Joaquim Pinto.
JOAQUIM PINTO - "SPORT CLUBE DE FREAMUNDE - VIDA E GLÓRIA" - 2008

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