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sábado, 27 de outubro de 2007

Bombeiros Voluntários de Freamunde - Parte II


O Nascimento da ABVF
A origem da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários entronca no fenónemo associativo,bem característico de Freamunde e particularmente activo naquela época.A povoação,que volvidos cinco anos passaria a Vila,tinha um centro urbano bem definido,uma intensa actividade comercial e uma indústria instalada e em crescimento.Conhecida a intenção generosa e sabendo-se dos resultados catastróficos que a falta de uma Corporação organizada fazia,facilmente se compreenderá a sua utilidade e a sua criação em Freamunde.Nesse sentido,no dia 16 de Outubro de 1928 no decurso da sessão solene do 2º aniversário do Clube Recreativo Freamundense foi apresentada,discutida e aplaudida a ideia de criar uma Corporação de Bombeiros Voluntários,com sede em Freamunde.Os sócios do clube não só aplaudiram como também se comprometeram a apoiar a iniciativa no "máximo das suas forças",pelo que nessa mesma sessão foi nomeada uma Comissão para desencadear as diligências necessárias.Sentindo a necessidade de ter o apoio de todos os Freamundenses,a referida comissão,já integrando outros elementos,reunida a 25 de Outubro de 1928 decidiu convocar uma reunião geral dos habitantes de Freamunde,para três dias depois,na Associação de Socorros Mútuos Freamundense,que cedeu o espaço para tal realização.Por convite de José António Gaspar Pereira(membro da comissão que convocou essa reunião) e por aprovação unânime da Assembleia,presidiu à sessão o Pe. Florêncio Pinto de Vasconcelos,com os secretários Adolfo Ferreira Leão de Moura e Leopoldo Pontes Saraiva.Unanimemente a assistência foi favorável à criação da Corporação de Bombeiros concordando "que tal agremiação se tornava necessária e indispensável em Freamunde,sabendo como são os fins beneficientes das Corporações de Bombeiros",refere a acta dessa reunião realizada a 28 de Outubro de 1928.Unanimemente os habitantes da freguesia de Freamunde elegeram um grupo alargado de cidadãos que denominaram de Grande Comissão Organizadora da Corporação e que passou a ser uma espécie de Assembleia Geral da ainda embrionária Associação de Bombeiros.
Nomes que constituíram a Grande Comissão Organizadora e constam na acta respectiva:
Dr.Alberto Carneiro Alves da Cruz
Dr.António Henrique Pinto de Vasconcelos
António Joaquim Gomes da Costa Torres
António José de Brito
Pe.António Alves Pereira de Castro
António Joaquim Ribeiro
António Pereira da Costa
António Ferreira Rego
António Taipa Coelho de Brito
Adolfo Ferreira Leão de Moura
Adriano Pinto Martins Leitão
António Martins Ribeiro
Armando Nunes de Oliveira
Alfredo da Silva Cabral
Arnaldo Carneiro Alves da Cruz
Pe.Flerêncio Pinto de Vasconcelos
Jacinto José da Costa Torres
Joaquim Pinto Pereira Gomes
José António Gaspar Pereira
José Maria Ferreira de Matos
Leopoldo Pontes Saraiva
Libório Pinto Gomes
Manuel Augusto Pinto de Barros
Miguel Nunes de Oliveira
Luís Ferreira Leão de Moura
Rafael Pinto Graça
Serafim Pacheco Vieira
Serafim da Silva Moura
Quatro dias depois da reunião geral de Freamundenses,a um de Novembro de 1928,reuniram-se em Assembleia-Geral os cidadãos faziam parte da Grande Comissão Organizadora da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Freamunde.Além de ter sido conferida posse aos seus membros,foi deliberado constituir uma Comissão Executiva e uma Comissão para elaborar os estatutos que,de imediato,tomaram posse.
Comissão Executiva:
Presidente:Dr.Alberto Cruz
Tesoureiro:António Torres
Secretário:Joaquim Pinto Torres
Vogais Efectivos:José António Gaspar Pereira e Leopoldo Pontes Saraiva
Vogais Suplentes:Dr.Amâncio Leão,Arnaldo Cruz e António Joaquim Ribeiro.
Comissão para elaborar os estatutos:
Efectivos:Dr.António Vasconcelos,Adolfo Leão e Armando Oliveira.
Suplentes:Alfredo Cabral e Miguel Oliveira.
Os cargos da Comissão Executiva foram definidos num reunião desta Comissão realizada a 10 de Novembro de 1928,tendo ainda os seus membros deliberado agradecer à Associação de Socorros Mútuos,pela cedência de instalações para tudo o que fosse preciso para a nova instituição.Nos primeiros meses de arranque,a Comissão Executiva reunia com grande regularidade,quase semanalmente e sempre na Associação de Socorros Mútuos,nomeadamente para tratar de actividades diversas que levassem à angariação de fundos,desde a organização e realização de espectáculos teatrais,saraus musicais até à "Festa da Flor" que veio a marcar gerações de freamundenses...
"Bombeiros Voluntários de Freamunde-75 Anos-João de Vasconcelos"

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Bombeiros Voluntários de Freamunde - Parte I

Os Bombeiros em Portugal
Vem de longe a história dos bombeiros portugueses.O Serviço Nacional de Bombeiros e a Liga dos Bombeiros Portugueses assinalaram seis séculos de história,em 1995,publicando dois volumes sobre a evolução dos Bombeiros Portugueses.Aqui,naturalmente,deixamos apenas os momentos mais significativos dessa evolução.A carta régia de D.João I,cuja data remonta a 25 de Agosto de 1395,foi o documento que deixou escritas as primeiras directrizes sobre a tomada de medidas preventivas e de combate a incêndios em Portugal.Lisboa e Porto foram as cidades que primeiro tiveram serviços organizados de bombeiros.Em 1728 já existia um serviço organizado no Porto,mas só nesse ano foi constituída a companhia de fogo com comandante,homens e equipamento,todos prontos a actuar.Em Lisboa,em 1734,vinte anos depois de repartida a cidade em 3 zonas,foi adoptada e regulamentada uma nova estrutura que,pela primeira vez,baptizou os trabalhadores dos serviços de incêndios de bombeiros.Nos finais do século XVIII,Lisboa,Porto,Viana do Castelo,Coimbra,Lamego,Braga,Guimarães tinham as suas companhias de bombeiros,muitas ainda equipadas com bombas manuais.Mas se até ao fim do século XVIII apareceram diversas companhias de bombeiros,a sua expansão em Portugal veio a ocorrer no fim do século XIX tendo,em muitos casos,os municipios um papel de relevo.Além dos serviços de incêndio organizados nas cidades já referidas,onde também se deve incluir a de Setúbal,nas primeiras três décadas do século XIX,também já existiam bombas de incêndio noutras cidades e vilas:Penafiel(1815),Angra do Heroísmo,Barcelos e Viseu.A preocupação na prevenção de incêndios era considerada pelos municípios,tal como veio a consagrar o decreto de 16 de Maio de 1832,dando essas competências ao Provedor do Concelho(hoje Presidente da Câmara),daí que as Câmaras Municipais tenham continuado a apetrecharem-se com material de incêndio e tenham prosseguido a criação de companhias de incêndio devidamente estruturadas.Essas companhias eram normalmente dotadas por uma Carta de Lei,como o foi em 1839 a Companhia de Incêndio de Gaia.A 18 de Março de 1842 o Código Administrativo remete para o Administrador do Concelho a competência para "providenciar" em caso de incêndio,inundações,naufrágios e semelhantes.À Câmara incumbe o depósito e guarda de combustíveis,limpeza de chaminés e fornos.Datam de 1853(10 de Setembro,Lisboa) as primeiras medidas sociais para com os bombeiros.A primeira bomba a vapor,já que o combustível retirado a partir do petróleo ainda demoraria a chegar,estreou-se em lisboa em 1864.Até ao século XIX,por iniciativa dos municípios,foram criadas umas e organizadas várias Companhias de Bombeiros.Até meados do século XIX os bombeiros estiveram intimamente ligados com os poderes públicos.Os serviços de incêndios foram objecto de acção pelos orgãos de diversas cidades,bem como diversa legislação.Em Lisboa na Câmara Municipal,os bombeiros passaram a constituir uma repartição que tinha o fim de"prever e remediar" tudo o que dizia respeito a incêndios na cidade.
Associativismo e a Expansão
É ainda no século do Romantismo (XIX),período conturbado da História Portuguesa (Invasões Napoleónicas,Guerra Civil entre liberais e miguelistas,o últimato britânico e o fim do regime monárquico),que se vai assistir a uma expansão dos bombeiros em Portugal e sobretudo através de um novo instrumento jurídico: a Associação.Se até aqui a acção e funcionamento dos serviços de prevenção e extinção de incêndios,do ponto de vista institucional,esteve cometido aos municípios,as mudanças na legislação vão permitir uma mudança significativa e o desenvolvimento no voluntariado.O Código Civil de 1867 reconhece o direito de associação que até aí esteve praticamente vedado aos portugueses,apesar de algumas associações terem sido criadas nesta época.Direito esse que veio a ser confirmado por decreto ditatorial do Duque de Saldanha e de Dias Ferreira,em 1870.Uma vez criadas as condições legais não tardou a aparecer a primeira "Companhia de Voluntários Bombeiros" em Portugal.A partir daí,todo o país,incluindo as colónias portuguesas de então,assistem à criação de associações de Bombeiros,muito dos quais com o apadrinhamento da Família Real,pelo que ostentaram o título de "Real Associação".O Infante D.Afonso de Bragança,filho do Rei de Portugal,D.Luis I,foi Comandante Honorário dos Bombeiros da Ajuda,Lisboa.Sempre que ocorria alguma desgraça,este simples Infante,simples porque apesar de membro da Família Real,comparecia no Quartel para acudir às desgraças com os restantes bombeiros...
As outras Corporações Vizinhas
Algumas corporações da região foram fundadas ainda no século XIX.Entre elas estão as corporações de Caldas de Vizela(1877),Santo Tirso(1878),Penafiel(1881),Valongo(1883),Paredes(1884),Lixa(1889) e Felgueiras(1898).No Vale do Sousa ocorrem na década de 1920,por alturas da fundação da Corporação de Freamunde,a criação de sete novas instituições de Bombeiros:Entre-os-Rios(Junho de 1923),Cete(Abril de 1925),Baltar(Fevereiro de 1928),Lousada e Freamunde(1930),Paços de Ferreira(1931) e Paços de Sousa(1938)...Neste período,dos seis Concelhos do Vale do Sousa,apenas Castelo de Paiva ainda não tinha corporação de Bombeiros.Por outro lado,estavam criadas três no Concelho de Penafiel e outras tantas no Concelho de Paredes.No concelho de Paços de Ferreira foi fundada a de Freamunde e no ano a seguir a de Paços de Ferreira...
"Bombeiros Voluntários de Freamunde-75 Anos-João de Vasconcelos"