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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Sebastianas (conclusão)

Mas...há transformações que exigem reflexão. O cariz popular que tende a esvair-se, não está de acordo com a tradição. O folclore quase já se foi. Apenas o "vemos" no Cortejo, a cantar "Oh Freamunde / Oh Festas Sebastianas / Para quem vos vê / Vós sois um espelho..." As "Sebastianas" têm outra cara, quase direccionadas para a juventude que garante multidões. Os concertos de palco, as pistas de dança...Isso sim. Isso é que traz gente a Freamunde. Para o povo "antiquado" serve-se a missa solene, a procissão e as "pranchadas" das Filarmónicas.
Na evolução irreversível dos tempos, mudaram alguns hábitos: a cerveja e a caipirinha sucederam à laranjada e à "pinga"; as bifanas, o pão com chouriço e o porco no espeto condenaram à extinção o caldo verde e a sardinha assada. Restam as farturas, as pipocas, o algodão doce...Laivos de nostalgia. Gastronomia regional? Nada como dantes! Tinha-se de certas casas, as saudosas tasquinhas, de salas exíguas, sem grandes beneficiações mas agradáveis, de ambiente acolhedor e atendimento cortês (das Elvirinhas, do "28", do Ilídio "Jota", do Américo, do Abílio "da Leocádia", do Viana, d'Arminda, do Ramiro...), uma óptima ideia, que nos ficou de estimáveis repastos durante anos - as célebres rojoadas, as tripas à moda do Porto, cabrito assado no forno a lenha...Depois lá vinha, da barraca em frente ao Cruzeiro, um saco de deliciosas farturas da Família Oliveira.
A lista de vinhos era a pipa de verde tinto que tingia os beiços.
Que bom continuarmos, mesmo aceitando e entendendo as "modernices", na "estrada" que sempre trilhamos. A estrada da tradição. Sempre viva...Não a queiramos morta. É certo, pois, que o "profano", na sua cultura popular, não terá certamente entraves. Prosseguirá sempre com pujança. É o que se tem visto!..E, já agora, o "sagrado", como forma religiosa, até onde irá? Será que ainda se festeja o Mártir por devoção?

MARCHA DAS SEBASTIANAS

Oh! Freamunde
Oh! Festas Sebastianas
Para quem vos vê
Vós sois um espelho
Oh! Lindas Festas
Que criaste a fama
Vós sois as melhores
Festas do concelho.

Oh! Vila de Freamunde
És formosa noite e dia
Tens o São Sebastião
As feiras de Santo António
E a de Santa Luzia

Oh! Vila de Freamunde
Como tu não há igual
Tens as tuas distinções
Como a Feira dos Capões
Não há outra em Portugal.

Oh! Vila de Freamunde
Terra de rara beleza
Tens mobílias escolares
Que fabricas aos milhares
Mostras que és Portuguesa

Tu tens bombeiros
Música e Grupo de Futebol
Pareces uma cidade
E sempre que tu precisas
Cá terás a Mocidade.

JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sebastianas ( X )

Esquecê-las? Como, se elas vivem em ansiedade premente na retina dos que já tiveram a felicidade de as gozar? Impossível, teimosamente impossível - assim exaltava o saudoso professor Gil Aires. 
Ou então, o Dr. João Neto: Por Ti lutamos ; Por Ti trabalhamos; Só p'ra Te elevar.
Anos a fio muito delas se escreveu, em prosa e em verso, pela pena de gente sabida e bairrista.
Respiguemos:
1954 - (...) Este Povo de Freamunde tem uma singularidade no seu modo de querer, que o leva a ser invejado e admirado ao mesmo tempo. Uma simples discussão ateia uma labareda de bairrismo que contagia, num ápice, uma massa estruturalmente galvanizada, una, sólida, simplesmente admirável.
Ninguém duvidará que as Sebastianas terão o seu lugar à parte, correndo parelhas no seio das melhores do Norte do País.
1957 - (...) É que estas festas que Freamunde generosamente te oferece, são o produto de um trabalho insano, profícuo, árduo, inteiramente seu.
Vem. Cá te esperamos. Lembra-te da velha sabedoria das Nações: Pela alegria se conhece o povo!
Vem conhecer a alegria de Freamunde, para poderes penetrar na sua alma!
1965 - (...) Vês este esforço ingente, este atrevimento de uma terra que a nada se furta para que haja "Festa" e que tudo faz para que ela te agrade? Tradição!...
Anda daí, pois, forasteiro amigo! Vem folgar, rir, praguejar, beber, cantar, esquecer porque a festa és tu e, sem ti, não pode haver tradição!...
1993 - (...) Mas a ti, Freamundense, que queres que digamos? A ti, que conheces o melhor lugar para ver a marcha; que sabes que há "caldo verde" na Praça; que o "fogo" é lançado da Jóia e que se vê e aplaude nas famosas escadinhas; que há duas corridas atrás das "vacas de fogo" e, pela manhãzinha, pegas num balde e entras no "mel".
A ti, Freamundense, cumpre saber receber porque tu, como nós, és Freamundense. O teu coração bate com o nosso, em uníssono, num ritmo infernal para pulsar este sangue que nos corre nas veias...forte...puro...azul...Muito azul!...

2002
Já foi do Mártir, outrora.
Festa da Vila, eu sei lá.
Sebastianas, agora...
Sempre a melhor, amanhã.

2004
O povo vai descansar.
E ainda mal se deitou,
Ouve a "alvorada" a lembrar
Que a festa não acabou.
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sebastianas ( IX )

Recinto sempre prenhe de multidões eufóricas e entusiastas nos aplausos aos nomes mais sonantes do panorama artístico português: Max, Fernanda Baptista, Lenita Gentil, Conjunto Típico de Maria Albertina, Amália Rodrigues, Duo Ouro Negro, José Cid e Quarteto 111, Green Windows, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Paco Bandeira, Gabriel Cardoso, Florência, As Doce, Roberto Leal, Tonicha e o Conjunto Tilo Krasman, Cidália Moreira, Cândida Branca Flor, Maria Armanda, Alexandra, Marco Paulo, Sérgio e Madi, Coktail, Carlos Paião, José Cheta, Manuela Bravo, Ana, UHF, Raízes, Os Delfins, Herman José e Nicolau Breyner, Nuno da Câmara Pereira (recinto fechado), Rádio Macau, vedetas do teatro de revista: Maria Dulce, Óscar Acúrsio, Vitor Mendes, Helena Tavares, Carlos Coelho, Octávio de Matos, Natália Maria, Leónia Mendes...Depois, já em espaço aberto e franqueado, fruto das transformações no centro cívico: Pedro Barroso, Luís Represas, Hands On Approach, Toca a Rufar, Quim Barreiros, SantaMaria, Conjunto Típico de António Mafra, Rui Veloso, De Gift, Quinta do Bill, Ala dos Namorados, Fernando Pereira, Sérgio Godinho, João Pedro Pais, Da Weasel, Gene Loves Jezebel, TerraKota, Pedro Abrunhosa, Frei Fado D'El Rei, Os Deolinda, Buraka Som Sistema, GNR, Jorge Palma, Xutos e Pontapés, Os Homens da Luta, David Fonseca...Nos últimos anos, até bandas estrangeiras se mostraram nas Sebastianas: Banda Eva, Terra Samba, Banda Cubana, Axé, Boney M, Imagination, Martinho Da Vila, Chico e os Gypsies (ex-Gypsie Kings)...
MAX - PRIMEIRO ARTISTA DA RÁDIO E TELEVISÃO COM MEDIATISMO A VISITAR FREAMUNDE
Os "tempos" são outros, realidade incontornável, e hoje há mais sumptuosidade nas sedutoras e, por vezes, exóticas realizações, vividas com uma intensidade fora do comum; o multicolor fogo-de-artifício e piro-musical - que veio introduzir uma importante qualificação às festas -; a procissão, deslumbrante, com os imensos andores ricamente ornamentados (um sonho, que arrasta um mar de gente pelas principais artérias urbanas), passando pela "Marcha", referência do cartaz, cheia de encanto e beleza, que enche as ruas de forasteiros, constituída por vários carros alegóricos, todos eles imaginados e construídos por jovens desta terra; mais dias de folia - a sexta-feira está a ganhar "pontos", a pegar de estaca, na sua dimensão profana, com a já tradicional "Noite de Bombos" onde centenas de zabumbeiros, completamente contagiados, mergulharam a cidade com as suas batidas ensurdecedoras e por vezes, muitas vezes, descontroladas, até ao nascer do dia; eventos de cariz cultural e recreativo, onde se têm aliado associações e colectividades locais, uma forma de afirmação, envolvimento e dinâmica das nossas gentes, sobressaindo o "Concurso de Quadras"; mais dinheiro...O orçamento foi de tal forma inflaccionado que actualmente 275.000 Euros já não chegam, obrigando as comissões, que trabalham afincadamente doze meses a fio na preparação dos "grandes dias", a trabalhos redobrados, sem desfalecimentos, para que as "Sebastianas", festas de bairrismo e de cultura, mola aglutinadora da vontade e da paixão dos freamundenses, sua linguagem comum, não se apaguem na poeira do esquecimento.
(CONTINUA)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Sebastianas ( VIII )

Visitaram-nos durante anos a fio os agrupamentos mais conceituados no panorama etnográfico: Pauliteiros de Miranda do Douro; Tricanas da Lapa, da Póvoa do Varzim; G. F. Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo; Grupo Típico O Cancioneiro de Águeda; G. F. Tá-mar, da Nazaré; G. F. Casa do Povo, Abrantes - Ribatejo; Grupo Coral de Odemira, Alentejo; G. F. da Luz de Tavira, Algarve; Grupo Folclórico de "Antoxo de Bueu" - Galiza - Espanha; Groupe Folklorique del Monastir, França...O Cortejo Alegórico e Luminoso, agora Marcha Alegórica, fazia-se anunciar por poderosos morteiros e pelas ensurdecedoras zabumbadas dos Zés Pereiras, acompanhados pela alegria, pelas danças, dos inúmeros gigantones e cabeçudos, ainda sem a participação dos grupos de samba com as "abrasileiradas" meninas deliciosamente descascadas para deleite dos "apreciadores".
A segunda-feira foi o dia escolhido para o culminar, em apoteose, das Festas, que duravam desde sábado.
Os carros, que desfilavam na marcha, eram patrocinados pelas principais fábricas da Vila ( Fábrica Grande, Fábrica do Calvário, Telme, Pinto e Moura, L. Menezes...), e tinham a orientação, até finais da década de cinquenta, de Leopoldo Pontes Saraiva, numa manifestação desinteressada de gosto e arte que tanto engrandeciam esta Terra. Leopoldo Pontes Saraiva, freamundense por adopção, porque era natural de Azurara, Vila do Conde, e para cá viera em meados de dez (ainda bem!), cá casara com Lucinda de Oliveira e cá seria sepultado.
Tempos difíceis, pois a azáfama era grande e o ritmo não abrandava um minuto que fosse, do pôr do sol à meia noite. Por dificuldades no empréstimo dos atrelados, havia só um mês para a confecção dos carros. Os mesmos, já com mais gente a supervisionar, eram feitos, recuperados e reconvertidos na rua, em barracões abandonados, em quintas, onde quer que fosse. Ao relento, ao frio, à chuva...A paixão, o amor, o orgulho em ser-se freamundense, tudo  suplantava.
A concentração, organização e saída da "marcha" fazia-se sempre da "Quinta do Pinheiro". Uma ou outra vez da "Fábrica Grande". Actualmente, e desde há muitos anos, da "Gandarela". A Banda da Terra fechava o Cortejo, ainda não muito extenso - quatro ou cinco carros - de permeio com o colorido e a animação das Associações Etnográficas e das "cegadas" do jocoso grupo de Figueiró; momentos deliciosos proporcionados pelo espírito de Luís Monteiro.
No pós 25 de Abril de 1974, sobretudo, no recinto da Praça do Mercado, que saudades!..., vedado a serapilheira porque as entradas eram pagas (o bar da cantina, onde nos deliciávamos com a sardinha assada, o caldo verde e a tijelinha de verde tinto, já era explorado pelos festeiros), surgiram os grandes concertos musicais, sobretudo no Domingo de Páscoa, forma encontrada para angariação de fundos.
(CONTINUA)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sebastianas ( VII )

 CARTAZ DAS FESTAS SEBASTIANAS DE 1954
Mas as gentes de Freamunde adoravam as suas Festas, por elas sentiam orgulho, pela sua realização eram capazes dos maiores sacrifícios, da mais desinteressada entrega, e reagiram energicamente. "Hostilizaram" o poder clerical e deram a "volta" à situação. As razões invocadas não foram consideradas suficientemente fortes, convincentes, de nada servirem os "decretos", e o "arraial", no seu espaço habitual, "ressuscitou" com todo o fulgor em 1944. Só por um ano a Igreja conseguiu "dissuadir" os festeiros dos seus propósitos. Sem manifestações, sem iniciativas e participação, é certo, da Igreja, "eclipsada" que foi na sua vertente religiosa.
Nos programas das, agora, "Festas da Vila", não constava a missa solene e também a procissão.
E assim continuaram até 1948. Debilidades financeiras, com as consequências do pós-guerra, alguma indiferença, apatia cívica, e o desencanto pela falta do "religioso", arrefeceram o ânimo dos "entusiastas", originando um hiato de alguns anos. Já com o carismático Bispo D. António Ferreira Gomes, pensador ilustrado, no "governo" da Diocese do Porto, as Festas ressurgiram em 1954, de novo com a denominação "Festas do Mártir" ou "Sebastianas", pela acção do dinâmico empresário de panificação, Anselmo Ferreira Marques, acolitado pelos restantes membros da Comissão Executiva, pessoas de todos os estratos sociais: Hermínio Pinto Gomes da Silva, Joaquim Fernando de Sousa Ribeiro, João Manuel Monteiro Correia e Abílio Orlando Matos e Barros.
 ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS FREAMUNDENSE
Estavam, assim, ultrapassados os obstáculos que sempre consomem as energias de quem organiza as Festas, muito por obra, graça e perseverança destes entusiastas. O testemunho foi passado a outros freamundenses, tantos outros, que ao longo de todo este tempo têm mantido a tradição com dignidade, fervor e bairrismo.
Aquela gente, que reunia no salão da Associação de Socorros Mútuos Freamundense, estava escudada numa denominada Comissão de Honra, liderada pelo Dr. António Chaves - a "elite" desviou-se para aqui -, que teria, em situações de défice, a obrigatoriedade de cobrir os valores em causa.
Organizou-se um programa a condizer e deu-se início ao peditório, apurando-se a quantidade de 17 notas de mil. O custo total das festividades rondou os 33 contos.
Surgiram, então, as primeiras "novidades": um "mundo" de diversões que emprestavam um colorido e excitação a todos os romeiros, desde o pequenote ao mais idoso: carrinhos de choque; carrosséis; pista de aviõe; cestinhas; poço da morte; ratinho da sorte; matraquilhos; barraquinhas de tiro..., quase tudo montado no largo adjacente à capela de Santo António; programas de variedades, a alegria do povo em amena convivência festiva, quase sempre com a participação de ranchos folclóricos (ponto alto de vista cultural e da aproximação dos povos), alguns da "casa", ensaiados por gente com alma de artista de freguesias circunvizinhas...de norte a sul do país...do estrangeiro.
(Continua)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

quarta-feira, 4 de março de 2015

Sebastianas ( VI )

Com a constituição da Cooperativa Eléctrica, as ruas mais centrais da povoação e o exterior da Igreja Matriz passaram a ser iluminadas, à moda do Minho, com alguns milhares de lâmpadas a cor. O efeito tornou-se surpreendente atraindo milhares de forasteiros à risonha e neófita "Vila de Freamunde", a rebentar pelas costuras.
Mas não há bela sem senão. Em 1934, a mística que caracterizava este povo quase se esvaiu. Os comissionados, por razões desconhecidas, talvez desinteresse, não aceitaram o mandato para que foram eleitos, deixando as gentes de Freamunde preocupadas. Eis então que se apresentou, fazendo corar de vergonha o sexo forte, uma "senhora" d' armas deste Vila, a orgulhosa bairrista e opulenta capitalista D. Elvira Monteiro, a quem nunca faltou o empenho cívico, que tomou a seu cargo e a expensas próprias a realização das Festas ao Mártir. E logo com uma surpresa no programa: pela primeira vez o povo teve a ocasião de presenciar momentos de verdadeiro folclore, oportunidade, inclusive, para dar ao pé com as danças e cantares das "Rendilheiras da Praça", de Vila do Conde.
Num Portugal aparentemente despreocupado, indiferente à II Grande Guerra Mundial (1939/1945), como país neutro foi poupado pela máquina destruidora alemã, não escapando, porém, à fome que sucede a todos os conflitos, com o racionamento dos alimentos essenciais. Freamunde, Terra, não foi excepção. Muitas famílias viviam no seio da mais completa miséria. Eram inúmeros os indigentes.
Cônscios da crise, as Festas, essas, é que continuaram refulgentes. Podia lá ser o contrário! O tal "milagre" de dedicação à causa...Bairrismo!
Até que, em 1943, a notícia, qual estrondo sísmico, abalou o espírito dos pacatos freamundenses; a Igreja, através do novo Bispo do Porto, D. Agostinho de Jesus e Sousa, transferido da Sé de Lamego para substituir o nosso "vizinho", natural de Boim-Lousada, D. António Augusto de Castro Meireles, deu orientações ao pároco local para que o religioso se "afastasse" do profano (bandas, arraial, bazares...). As Irmandades e Confrarias dependiam totalmente do Bispo, directamente ou por intermédio do pároco. «...Sabe-se muito bem que os povos vizinhos, por vezes pessoas da mesma aldeia, esperam por estes ajuntamentos nocturnos para resolverem os seus diferendos pela violência. Quem reflectir no que expusemos deverá concordar que as festas não podem, em caso algum, merecer simpatia e a aprovação dos que têm responsabilidades na direcção das consciências e dos interesses espirituais do povo». In "Agostinho de Jesus e Sousa, Pastoral sobre Festas, Op. Cit. 1937, P. 519 - 1943, P. 8.
Desilusão total. Para alguns não era, porém, descabido de todo o pensamento.
A decisão foi acatada e as festividades, nesse ano, não se realizaram.
(Continua)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sebastianas ( V )

LEOPOLDO PONTES SARAIVA
Voltando à procissão, na retaguarda das duas Bandas, dezenas e dezenas de fiéis, orando, numa absoluta manifestação de fé.
Ao longo do extenso percurso, nunca alterado nos tempos, não faltavam as colgaduras de damasco e linho pendentes das sacadas e peitoris nem as pétalas para atirar ou a verdura para embelezar e perfumar o chão. Devem-se a Leopoldo Pontes Saraiva, durante muitos anos, os maravilhosos tapetes de flores por si orientados nestas ocasiões. Trabalho minucioso e que requeria arte e paciência.
Já sol posto, era tempo de comer - para alguns, não para todos...- o apetecido carneiro com arroz de forno que sobrara do almoço, bem regado com um tintol da região, e retemperar forças para o que restava da romaria; o arraial nocturno, o número mais atractivo do programa, com iluminações à moda do Minho, as denominadas tijelinhas, ou "lumes", aos milhares, acesas e dispersas em lugares específicos, a cargo de "especialistas" como Constantino Lira, de Felgueiras, Plácido Campos, da Póvoa, Bernardo Barreira, de Guimarães, Manuel Silva Pereira, de Lamego...
Madrugadadentro, descantes populares, onde se cantava ao despique e se exercitava sobre certo tipo de poesia, e lançamento de lindos e variados aeróstatos, os denominados balões (quem não se lembra, nas décadas de cinquenta, sessenta, setenta..., do contributo de Valentim Augusto Martins "Faneco"?!..). O certame pelas Bandas contratadas durava até ao cantar do galo, para regalo duma multidão de apreciadores.
BRAVÍSSIMA VACA DE FOGO
Vistoso e profuso fogo do ar e preso - o denominado fogo dos bonecos, hoje vulgarmente conhecido por "ferreirinhos" - era lançado por dois, três e, por vezes, quatro considerados pirotécnicos das redondezas: Melro, Maravilhas, Valbom (Gondomar), Pontes (Lustosa), Teles (Sobrão), Teixeira (Frazão)..., em acérrimas disputas.
O programa encerrava com a queima de "bravíssimas" vacas de fogo, verdadeira arte de pirotecnia, vinda do longínquo Oriente. "Vacas" de madeira puxadas por cordas e que iam lançando sobre o público bichas de rabiar. Esta tradição data, em Freamunde, de 1904. Antes, desde 1897, a emoção crescia com corridas de touros à vara larga, depois de recolhida a procissão. Espectáculo arriscado, ao que parece sem consequências de maior.
A folia terminava, quase sempre, com as habituais zaragatas. Bordoada de criara bicho, com efeitos nefastos, e que obrigava as farmácias Barros e Matos a trabalhos redobrados, tantos eram os curativos. Só as forças de segurança requisitadas (Regedores e G. N. R.) punham cobro aos desacatos, levando sob prisão os que alteravam a ordem pública, os larápios que montavam arraiais atrás das carteiras e os incendiários de colmos e palheiros.
Analisando o período, até 1930 aproximadamente, dá para perceber que as Festas ao Mártir, já então consideradas umas das melhores do norte do país, não eram vazias de ideias.
E assim continuaram no pensamento do freamundense bairrista.
(Continua)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sebastianas ( IV )

FESTAS SEBASTIANAS EM 1958
A imagem de marca das festividades acontecia a meio da tarde: a procissão, momento sentido, de forte carga emotiva, que com luzido acompanhamento saía da Igreja Matriz, subia a "Feira", atravessava a mítica Gandarela, entre alas imensas de um povo crente, até ao local de partida.
Convocavam-se cidadãos honrados para os distinguir com a tarefa de levar as varas do pálio e segurar as borlas dos deslumbrantes e bem enfeitados andores ( 5 ou 6 nessas épocas), de quem eram protectores.
Correm vozes de que, noutros tempos, só pegava à charola quem desse mais dinheiro. E a tradição deixa adivinhar que não havia rapaz que não quisesse carregar o peso assombroso, maltratando os pés e os ombros, mesmo usando as "ganchas" numa das mãos, como ainda hoje se faz, peças que servem para manter o andor suspense durante as paragens. A "majestosa" procissão incorporava ainda diversos lanceiros, guiões, dezenas de anjinhos ricamente vestidos pela firma António Ribeiro & Filho, e depois pelo carismático herdeiro, César Vilhena Ribeiro ( também, mormente nas décadas de quarenta e cinquenta, se fizeram representar armadores da Póvoa, Guimarães, Amarante, Felgueiras...) Cruzes, Irmandades, Confrarias e Ordens desfilavam então numa hierarquia precisa.
Atrás do pálio, sob o qual era conduzido o Santo Lenho - o dinamismo do religioso popular foi, é e será sempre apetecível ao poder político -, a vereação municipal.
MAJESTOSA PROCISSÃO
Não se pense, entretanto, que as relações entre as comissões, a autarquia e o Pároco foram determinantes, sequer fundamentais para a realização das festividades. Não. Houve alguns receios (não passaram disso) a partir de 1910, com a implantação da República, a crescente laicização e as condições que daí resultaram. A República era laica mas as gentes, principalmente as do Norte, tinham fé e alegria suficientes para conjugarem os "opostos". Havia comunhão de esforços, participação activa...Todos percebiam o espaço - para o social, para o lazer, para o religioso...- das Festas nas suas categorias ou dimensões. Havia a "força" da promessa a cumprir (no tempo em que se prometia e cumpria!) e a graça, a alegria, de um arraial popular em simultâneo. Mas que os "políticos às vezes se serviam "delas", lá isso serviam. Ainda agora!
As Festas, porém, é que tinham de fazer-se. Custasse o que custasse. Mesmo com os surtos de influenza, varíola, peste bubónica e epidemias de tifo e pneumónica que vitimaram milhares de pessoas...Com o encarecimento dos bens essenciais, em que o pão escasseava para a grande maioria da população...Só em 1908, consequência talvez do Regicídio, e 1914 sofreram interrupções. Neste último ano, Afonso Costa, líder do Partido Democrático no poder, proibiu todas as manifestações, fossem ou não de índole cristã, de alteração da ordem pública. Também em 1916, não houve arraial nocturno depois da sangrenta revolta de 14 de Maio que provocou centenas de mortos.
E se avançarmos para a década de vinte, nem com a desvalorização da moeda, a recessão, o espectro da bancarrota, a Festa do Mártir deixou de realizar-se.
 (Continua)
JOAQUIM PINTO - "SEBASTIANAS" - JULHO DE 2013

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sebastianas ( I I I )

PROGRAMA DAS FESTAS SEBASTIANAS 1954
O primeiro dia da festa abria, ao alvorecer, com salvas de 21 tiros e repique incessante de sinos que despertavam os freamundenses e os convidados ao arraial.
Os Zés P'reiras, agora acompanhados de gigantones e cabeçudos, que exprimiam felicidade ("novidade" trazida de Santiago de Compostela, aí por volta de 1893, para espanto e regozijo dos freamundenses. Fôra, assim, "selado" o surgimento de um dos números mais aguardados do programa), com as suas batidas ensurdecedoras, zabumbavam de porta em porta, horas a fio. Bombos, caixa e gaitas de foles emprestavam um colorido sonoro que atraía a miudagem, de pé descalço, até à última rufada.
A acreditada Banda de música percorria a freguesia, ao som de melodiosos acordes do seu extenso reportório, deliciando os apreciadores até a noite aparecer.
Terminava a acalmia, ao romper d'alva, com a habitual salva de morteiros.
A dimensão religiosa e teológica da Festa englobava a missa solene e a procissão.
A Igreja, adornada com muitas plantas, flores e cortinados bem lançados, abria na manhã de Domingo para a eloquente missa, revestida de enorme magnificiência, acompanhada a grande instrumental pela "cappella" da Banda Freamundense, onde por vezes eram interpretadas obras (Tantum Ergo, Avé Maria, Agnus Dei...) de renomados barítonos da Cidade Invicta.
No púlpito, o panegírico ao Santo era da responsabilidade de eminentes oradores sacros, quase sempre convidados (Augusto Campos Dinis, Abade de Caramos - Felgueiras; D. Clemente Ramos, do Porto; Abade de S. Lourenço das Pias; António Castro, ilustre professor do Internato dos Carvalhos, Porto...). Mas...o mais insigne, o mais eloquente, o mais credenciado pregador, sempre ouvido com admiração e respeito, era o "nosso" Padre Francisco Augusto Peixoto, de verbo fluído e dominador. Ao bater das 14 horas, dava entrada no arraial a Banda de Música convidada, escolhida entre as melhores da região, recebida com toda a fidalguia pela "Freamundense", troando várias girândolas de foguetes.
BANDA FILARMÓNICA DE FREAMUNDE
Nos coretos, as Bandas (anos houve em que foram contratadas quatro!) faziam ouvir-se alternadamente perante numerosos afectos ds arte dos sons.
De permeio, em lugar apropriado, prosseguia a Quermesse (bazar de prendas), organizada por distinto grupo de senhoras da nossa principal elite. Uma das formas a que recorriam para angariação de dimheiro e que perdurou anos a fio.
Contagiados, certos romeiros divertiam-se com as provas de ciclismo para amadores, os jogos tradicionais - roleta, bilhar, mastro de cocaque, corridas de sacos, tiro...Porque a época era de Verão e o calor apertava, não faltava quem se encostasse a uma barraquita e tragasse uns valentes goles desse espirituoso néctar chamado vinho. Os crónicos devotos do deus Baco, sempre cumpridores da promessa. Para os de carteira mais fraca, água açucarada, o "refresco", bebida pelos sequiosos através do mesmo copo e retirada de cântaro forrado a cortiça. Não havia "mal" que lhes pegasse. As raparigas, essas, optavam pelo pirolito ou laranjada "Canadá-Dry", oferta dos namorados. Como complemento, uma mão cheia de tremoços com azeitonas, uma fatia de melancia ou as doçarias (cavacas), produto dos vendeiros. Ano após ano apresentavam-se diversas companhias de saltimbancos, para representações ao ar livre. Diversões que constituíam um mundo maravilhoso. De quando em vez, arrojadas ascenções de balões "fenianos", cheios de ar quente. O aeronauta, sentado numa espécie de trapézio, subia até uma altura de aproximadamente 800 metros, para deleite dos curiosos de narizes empinados e prontos a correr desenfreadamente seguindo o percurso do dirigível que caía quase sempre em campos de cultivo ou matas, pr'ós lados de Nevogilde. (continua)
Joaquim Pinto - "Sebastianas" - Julho de 2013

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sebastianas ( I I )

 Andor finais de anos 1970, inícios de 1980
O facto destes festejos se efectuarem fora do dia atribuído ao Santo Mártir deve-se, segundo a lenda, a uma promessa feita, em tempos remotos, em altura de grande aflição para Freamunde, a braços com devastador cataclismo, que a história não a definir, mas que certamente seria a Guerra ou a Peste, pois para qualquer das duas a sua invocação era remédio. Ou porque o Verão era a época do ano mais propícia a...romarias?
Há um século, aproximadamente, eram habituais os festejos a S. Sebastião nas freguesias de Sanfins, Modelos, Arreigada, Carvalhosa, Meixomil e Freamunde.
Este tipo de realizações eram, e continuam a ser, sem dúvida, testemunhos da cultura de um povo e inequívocas manifestações populares.
Havia mesmo uma certa tendência para consagrar uma por freguesia, como festa religiosa local.
Porém, nesta povoação, em décadas não muito distantes, e porque há documentação precisa que nos permite afirmá-lo, chegaram a realizar-se, no decorrer do mesmo ano, treze (!) festejos, todos de carácter religioso com o profano à mistura.
É interessante, pois, apontar a grande propensão do freamundense para este tipo de eventos.
Dar a conhecê-los é prestar homenagem às suas origens sociais e culturais.
Freamunde, Terra, fez sempre das Festas ao Mártir o seu "ex-líbris".
Sem data regular, só em 1 de Abril de 1906, numa sessão ordinária da Junta da Paróquia, Henrique de Vasconcelos foi portador de uma proposta, assinada por vários requerentes da freguesia, já apreciada em 19 de Novembro de 1905, sendo definitivamente aceite, como dia certo e determinado, o segundo Domingo de Julho.
Já então o programa oficial das Festas pouco ou nada diferia, na sua verdadeira essência, do actual.
A romaria era da responsabilidade quase em exclusivo dos comissionados ou festeiros, gente da classe média/alta, que, face às precárias condições de vida do "povo", estrato social iletrado e menos considerado, arcavam com o custo e o esforço no cumprimento dos contratos.
 Saída da majestosa procissão da Igreja Matriz
Numa época de grande conflituosidade (primeira década do século XX), o poder político pouco ou nada manipulou directamente estas Festas. A comissão apenas tinha que entender-se com o Abade da freguesia, igualmente presidente da Junta da Paróquia. O resto dizia respeito ao Administrador do concelho.
Festa era sinómino de movimento, convívio, amizade, prazer, bulício...Como tal, os romeiros deslocavam-se a pé de todas as freguesias circunvizinhas, por incontáveis caminhos de regos e pó. Que interessava! Para lá do alegre divertimento, as jovens rurais, donzelas casadoiras, faces afogueadas - queriam lá saber da devoção! -, cuidadosamente preparadas pela mãe, com os melhores adornos - e duas irmãs para evitar qualquer ciúme, levavam vestidos iguais - dispunham-se em fila no adro do santuário, em lugares estratégicos, esperando com naturalidade a primeira tentativa dos seus admiradores. Por vezes resistiam e, impassíveis, levavam tempo a arrastar atrás de si os pretendentes - vestiam quase sempre "quinzena" (colete e calça de pano preto) - , que alternavam a gentileza com a ironia. Mas lá surgia o namoro que redundava, na maior parte das vezes, em casamento. Outros tempos!
Realizações de grande implantação popular, as Festas do Mártir quase não necessitavam de acções objectivamente dirigidas à sua promoção, tão fortes eram os atractivos, o entusiasmo, dfíceis de igualar, que quase naturalmente estimulavam e motivaram todos aqueles que directa ou indirectamente lhes davam continuidade.
O aproximar da festa, sempre precedida pelas novenas, era vivido com muita ansiedade, sobretudo pelos forasteiros, atraídos por um programa rico e pelo calor e hospitalidade dos freamundenses.
Alegria era coisa que não faltava para oferecer a quem nos visitava.
A principal rua, de S. Francisco ao Cruzeiro, toda em arcaria a balões venezianos, encontava-se enfeitada com mastros, festões, bandeiras, galhardetes...Milhares de "lumes" - tijelinhas cheias de barro com cebo, porque no princípio do século XX se usava pouco a cera - tornavam os espaços referidos, o largo da Igreja Matriz e a Praça do Mercado, vistosíssimos e encantadores.
Proprietários das residências senhoriais, repletas de familiares e amigos que visitavam Freamunde nestes dias festivos, adornavam-nas e iluminavam-nas caprichosamente durante as noites. As casas e muros eram branqueados com demão de cal.
As Festas eram, e são, necessárias também para unir e fortalecer as estruturas sociais da comunidade.
(continua)
Joaquim Pinto - "Sebastianas" - Julho de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Sebastianas ( I )

Hoje "Sebastianas", outrora "Festas do Mártir" ou "Festas da Vila", da sua origem pouco se sabe.
O Professor Manuel Vieira Dinis, numa das muitas rubricas "História e Etnografia", publicadas na Gazeta de Paços de Ferreira, faz menção a um dos mais enraizados cultos, S. Sebastião, adorado desde meados do século XIV.
«É quase certo não haver paróquia concelhia em cuja matriz não figure uma imagem do martírio aplicado ao cristianíssimo S. Sebastião, advogado da "fome, peste e guerra. Sempre que os males rondavam e caíam sobre os povos, atingindo, por vezes, o gado e as culturas, a veneranda imagem cruzava então a freguesia em deligência piedosa.
Saía de seus lares o povo, penitenciando-se, com hinários e ladaínhas, pregações e procissões de negro. Verdadeiros clamores dirigidos ao Céu, de profundo desespero. Guiões coloridos, cruzes, andores com orago e imagens de maior devoção. De cada casa um representante; o bom conselho popular interpunha-se de aviso: - Quem em vida faltou a algum clamor de obrigação, teria de fazê-lo depois de morto.
Velhos manuscritos registam cercos a quem não faltavam tocadores de viola e os respectivos foliões bailando na frente.
Quando a caminhada era longa, o povo prevenia-se com farnel e boa pinga.
As procissões ao S. Sebastião, aí por meados do século XVIII, não deixavam de ter características especiais. Davam-se morteiros ao levantar do mastro, véspera e dia, armava-se a capela com damascos; havia também tambores, clarins e trompas, além da missa cantada, sermão e de tarde procissão.
Faziam-se "comezainas em hum Monte, pousavam-se indecentíssimamente os Andores no chão, enquanto se comia, e estalavam rizadas e galhofas; sahia-se muito bêbado". É claro que estes e outros aspectos de irreverência mereceram medidas proibitivas por parte das autoridades eclesiásticas».
As romarias e as festas populares, aquelas onde encontramos as mais expressivas vivências de religiosidade - conforme descreveu Carlos Ferreira de Almeida em "Alto Minho" -, centravam-se, sistematicamente, em santuários, capelas ou ermidas e não em igrejas paroquiais onde, aqui, o controle era mais intenso e não eram possíveis tão grandes liberdades de festa, de ritos e de lúdico, até, por vezes, de erotismo.
Por outro lado, as capelas e os santuários, isolados, prestavam-se muito melhor que as paroquiais às vivências do romeiro.
As festas ao Mártir, em Freamunde, tiveram sempre - tanto quanto sabemos - como epicentro na sua vertente religiosa, a igreja matriz.
Anteriormente à construção da mesma, o culto seria praticado numa velha capelinha que, dizem, teria existido em honra do Santo Sebastião e derrubada para posterior edificação da capela de S. Francisco, em meados do século XVIII.
Socorrendo-nos de vários elementos de pesquisa, constatámos que depois de algumas hesitações ao longo da primeira metade do século XIX a festa ao Santíssimo libertou-se de certos preconceitos para concentrar a anterior vivência em comunhão com o profano.
A invocação ao Santo deixou de ser uma realidade intrinsecamente ligada à vida religiosa.
Nem os documentos nem a tradição fixam no calendário a data exacta em que houve início à festa ao Mártir por excelência, com as características, com o aparato, que hoje se lhe conhecem.
Porém, há indícios que a Regeneração e consequente entrada na segunda metade do século XIX foi um voltar de página nas festividades a S. Sebastião.
A Festa ao Mártir não correspondia, nem corresponde, à data litúrgica ( a Igreja dedica a S. Sebastião o dia 20 de Janeiro de cada ano).
(Continua)
Joaquim Pinto - "Sebastianas" - Julho de 2013

terça-feira, 30 de abril de 2013

Sebastianas 1960

DIA 9 JULHO
Alvorada ruidosa com foguetes e morteiros. Anunciação das «Festas» por numeroso grupo de Zés P'reiras, Gigantones e Cabeçudos.
DIA 10 DE JULHO
ÀS 7 HORAS - Alvorada com estrondoso fogo.
ÀS 8 HORAS - Entrada da Banda Marcial de Freamunde.
ÀS 11 HORAS - Missa Solene e festiva subindo ao púlpito um distinto orador sagrado. Esta Santa Missa, que será a grande intrumental, terá a celebração da Banda Musical de Freamunde.
ÀS 15 HORAS - Entrada da consagrada Banda de Música de Revelhe de Fafe, seguindo-se a subida aos respectivos coretos destes dois anunciados conjuntos musicais que iniciarão os respectivos concertos.
ÀS 19 HORAS - Saída da respeitável, magestosa e tradicional PROCISSÃO DE SÃO SEBASTIÃO na qual se incorporarão numerosas Confrarias, Irmandades, Pias Uniões, Associações Religiosas, encantadores grupos de anjos e querubins e deslumbrantes andores, precedida por um garboso grupo de Centuriões Romanos.
ÀS 22 HORAS -Início do surpreendente arraial nocturno, com feéricas iluminações.
ÀS 22:30 - Novos concertos musicais pelas Bandas Marcial de Freamunde e Revelhe de Fafe.
ÀS 24 HORAS - Sencacional certame de fogo de artíficio, pelos conhecidos pirotécnicos Pontes & Filho, de Raimonda e viúva de António Teles de Paços de Ferreira.
ÀS 2 HORAS DA MADRUGADA - Encerramento deste festivo dia, com a tradicional e pitoresca corrida de uma bravíssima Vaca de Fogo.
DIA 11 DE JULHO
ÀS 15 HORAS - Diversos divertimentos e números desportivos a anunciar brevemente.
ÀS 16 HORAS - Concêrto pela Banda Musical de Freamunde.
ÀS 18 HORAS - Entrada dos numerosos Ranchos Folclóricos das freguesias circunvisinhas e concelhos limitrofes.
ÀS 21 HORAS - Início do grandioso Festival Regional, que terá lugar em recinto fechado.
ÀS 23 HORAS - Desfile do grandioso e já afamado CORTEJO LUMINOSO E ALEGÓRICO ao qual se incorporarão todos os agrupamentos citados, e um numeroso grupo de Gigantones e Cabeçudos, Banda Marcial de Freamunde, atroador grupo de Zés P'reiras, conjuntos infantis de diversos significados e maravilhosos carros alegóricos.
ÀS 24 HORAS - Grandiosa sessão de fogo de artíficio pelos mesmos pirotécnicos.
As festas encerrarão com uma nova corrida de uma furiosa Vaca de Fogo.
Durante os dias Festas funcionarão: Uma riquíssima Quermesse, com valiosas prendas - A Cantina das Escolas, com serviço de bar e restaurante - O Bar dos Bombeiros Voluntários de Freamunde - Inúmeras diversões tais como: automóveis eléctricos, carrósseis, etc.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

História das Festas Sebastianas

Caríssimos,
Convido-vos a ouvirem esta gravação áudio da história das Festas Sebastianas, da autoria de "Joãozinho" Correia. Vale a pena...