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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( XV )

IV
OS DIRIGENTES (QUARTA PARTE)
A 27 de Dezembro de 1970, em segunda convocatória, nas eleições para 1971 ficam assim constituídos os corpos gerentes:
Assembleia-geral:
Presidente: Alfredo Cardoso de Barros
Secretários: João Correia Gomes Taipa e António dos Santos Costa
Direcção:
Presidente: Teodoro Alberto Machado Pereira (foto)
Vice-presidente: Alfredo Ferreira Rego
Tesoureiro: António de Sousa Vieira
Secretários: José Belmiro de Jesus Nunes Chamusca, António Luís Pereira de Barros
Vogais: Anselmo Ferreira Marques e António Ribeiro Nunes "Pinhão"
A animada assembleia-geral de 27 de Dezembro de 1971, dita em segunda convocatória, os seguintes sócios para dirigir a instituição durante o ano de 1972.
Assembleia-geral:
Presidente: Alfredo Cardoso de Barros
Primeiro secretário: António dos Santos Costa
Segundo secretário: João Correia Gomes Taipa
Direcção:
Presidente: Teodoro Alberto Machado Pereira
Vice-presidente: Alfredo Ferreira Rego
Tesoureiro: António de Sousa Vieira
Primeiro secretário: José Belmiro Nunes Chamusca
Segundo secretário: António Pereira de Barros
Vogais: Anselmo Ferreira Marques e António Ribeiro Nunes "Pinhão"
TEODORO ALBERTO MACHADO PEREIRA
Para o ano de 1973, eleitos a 17 de Dezembro de 1972, em segunda convocatória:
Assembleia-geral:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Primeiro secretário: Domingos Ribeiro Alves
Segundo secretário: Francisco Neto Pereira Pontes
Direcção:
Presidente: Dr. Jaime Manuel Nogueira de Barros (foto)
Vice-presidente: Júlio de Jesus Nunes Chamusca
Tesoureiro: Fernando Herculano Pinto de Moura
Primeiro secretário: Vitorino Ferreira Ribeiro
Segundo secretário: Rogério Monteiro
Vogais: Adriano Antero Leitão Soares e Guilherme Barros Gomes
Dá-se a reeleição para 1974 a 9 de Dezembro de 1973, mas a direcção já conta com um subsídio para a construção do seu quartel.
Em sessão extraordinária de 15 de Março de 1974 é eleito António Carneiro para o lugar de secretário para substituir Vitorino Ribeiro que tinha pedido escusa ao presidente da assembleia-geral, em virtude de ter ocupações várias em diferentes instituições da freguesia.
Em 17 de Dezembro de 1974, em segunda convocatória, eleitos para 1975:
Assembleia-geral:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Secretários: Domingos Ribeiro Alves e Francisco Neto Pereira Pontes
Direcção:
Presidente: Dr. Jaime Manuel Nogueira de Barros
Vice-presidente: Júlio de Jesus Nunes Chamusca
Tesoureiro: António Carneiro
Primeiro secretário: Armando Aníbal Torres Lima
Segundo secretário: Fernando Herculano Pinto Moura
Vogais: Adriano Antero Leitão Soares e Guilherme Barros Gomes
DR. JAIME MANUEL NOGUEIRA DE BARROS
No dia 15 de Dezembro de 1975, em segunda convocatória, são reeleitos para o ano de 1976:
Assembleia-geral:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Secretários: Domingos Ribeiro Alves e Francisco Neto Pereira Pontes
Direcção:
Presidente: Dr. Jaime Manuel Nogueira de Barros
Vice-presidente: Júlio de Jesus Nunes Chamusca
Tesoureiro: António Carneiro
Primeiro secretário: Armando Aníbal Torres Lima
Segundo secretário: Fernando Herculano Pinto Moura
Vogais: Adriano Antero Leitão Soares e Guilherme Barros Gomes
A 12 de Dezembro de 1976, em segunda convocatória, eleições para 1977 ditam os seguintes dirigentes:
Assembleia-geral:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Secretários: Domingos Ribeiro Alves e Francisco Neto Pereira Pontes
Direcção:
Presidente: Dr. Jaime Manuel Nogueira de Barros
Vice-presidente: Luís Alberto Gomes Teles de Meneses
Tesoureiro: Joaquim Oliveira Taipa de Moura
Primeiro secretário: António Carneiro
Segundo secretário: Adriano Antero Leitão Soares
Vogais: Bernardino Machado de Sousa e José da Silva Coelho
No dia de Natal de 1977, em segunda convocatória, elegem para 1978:
Assembleia-geral:
Presidente: Alfredo Cardoso de Barros
Secretários: José Manuel Neto de Sousa Mendes e Domingos Gomes Taipa
Direcção:
Presidente: Dr. Jaime Manuel Nogueira de Barros
Vice-presidente: Luís Alberto Gomes Teles de Meneses
Tesoureiro: Cândido Monteiro Correia
Primeiro secretário: António Carneiro
Segundo secretário: Adriano Antero Leitão Soares
Vogais: Bernardino Machado de Sousa e Rogério Gomes Pereira  
JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS"

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória ( XIX )

ÉPOCA 1948 / 1949 (PRIMEIRA PARTE)
O "MESTRE" ESTAVA DE VOLTA
Com Gil Aires de regresso ao leme da nau, estava desbravado o caminho para mais uma época de relativo sucesso.
O Freamunde era um grupo divinal que jogava quase de memória. Comunicavam constantemente uns com os outros através de assobios ou frases estudadas, os chamados códigos de caserna. Nesse aspecto, Quim "Bica" era o "maior".
Mas nem tudo eram rosas. Os dirigentes - já era um hábito - continuavam com "as calças na mão". As dificuldades financeiras tornavam-se uma constante, servindo-se dos "carolas". Alguns agiam de moto próprio, pagando do seu bolso. Era o remédio que tinham. Não havia outro. Mas sabiam agradecer!
ANTÓNIO LUÍS LEÃO COSTA TORRES
Em Outubro de 1948 foi exarado em acta um voto de profundo reconhecimento a António Luís Leão Costa Torres, tesoureiro da direcção, pela oferta de madeira para reparação da  vedação do campo de jogos. Os ajudantes carpinteiros trabalharam - depois da hora, claro - de forma gratuita. Eram assim as "vontades" desse tempo.
Pela direcção foi decidido passar "livres trânsito" aos jornais "O Comércio do Porto", "Norte Desportivo", e ainda ao Padre José Guilherme da Silva Lopes, da paróquia de Freamunde, por expontâneamente ter alterado o horário dos serviços religiosos, de forma a não prejudicar o movimento dos jogos. Atitude "sui generis", sem dúvida. Nos tempos que correm já não há quem pense assim!
Também ao treinador Gil Aires foi oferecida, pela direcção, uma pasta em cabedal como gratificação pelos muitos benefícios que prestou ao nosso clube.
Os terrenos do Campo do Carvalhal continuavam alugados ao Dr. Portocarrero.
A renda, recebida pelo Dr. Chaves, era paga do seguinte modo: entrega em cada ano (pelo S. Mihuel, entre 29 de Setembro e 1 de Novembro) de 20 rasas de milho e 10 carros de mato, ao preço corrente. Não existia contrato escrito.
Entretanto, falecia no Porto o Dr. Portocarrero. A viúva, ao ter conhecimento pelo seu feitor. Casimiro Freitas, que a direcção do Sport Clube de Freamunde tinha mandado celebrar missa por alma do marido, ordenou que a partir de então, e nesse ano,  a renda de aluguer do Campo do Carvalhal deixaria de pagar-se. O clube agradeceu, penhoradamente. Pudera!
Para a sucessão directiva do ano de 1949, Gil Vicente Aires Gomes acumula ao cargo de treinador o de presidente.
Finda a tomada de posse foi oferecido, por um grande número de sócios e amigos dos directores cessantes, um jantar servido pelo restaurante de que era proprietário António Teles Menezes.
No decorrer do repasto usaram da palavra Hermínio Pinto, Gil Aires, Júlio Graça e Casimiro Martins.
Por fim, o ex-presidente, Amâncio Ribeiro, em grande oratória, agradeceu, em seu nome e demais membros do elenco directivo cessante, a manifestação de carinho e apreço de que foram alvo. Todos brindaram o Sport Clube de Freamunde, felicitando-o pela campanha feita.
RELATÓRIO E CONTAS DO ANO DE 1948
 JOAQUIM PINTO - "SPORT CLUBE DE FREAMUNDE - VIDA E GLÓRIA"

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A indústria do mobiliário escolar em Paços de Ferreira ( IV )

O caso da fábrica Albino de Matos, Pereiras e Barros, Lda.
 1. ALBINO FERREIRA DE MATOS
1.1 O HOMEM NO TEMPO (TERCEIRA PARTE)
Em Portugal, a educação percorreu as mesmas etapas que nos outros países da Europa, embora com calendarização diferente. De facto, a educação em Portugal foi-se desenvolvendo rápida ou morosamente de acordo com as políticas económicas, sociais e culturais. A Federação Escolar dá-nos uma imagem da escola tradicional:
N'aquelle tempo, o mestre-escola era geralmente o papão das creanças, o flagello dos discípulos, o carrasco e terror numa freguesia. N'aquellas escolas o preceptor da infância, de palmatória em punho, com cara de réu e fumos de juiz empunha a insttrucção aos seus discípulos, sem ordem, sem methodo, sem formas e processos de ensino, descarregando nas creanças dúzias de bôllos por qualquer futilidade.
Dois anos mais tarde, o mesmo jornal evidencia o novo momento pedagógico e a função social de uma escola que se pretende dinâmica e motor de transformação, preparando o homem para a liberdade, criatividade e realização pessoal:
A escola antiga, abrindo as portas só ás classes ricas, representava a escravidão do pensamento. A escola moderna a escola popular, representa a emancipação da natureza humana (...). A nova escola deixou de ser um effeito para se converter numa causa (...). Por dois motivos é a escola actual a grande revolução humanitária:
1º Porque deixando de monopolizar a instrucção privilegiada de classes, vem expremir a instrução de todos.
2º Porque não contente de ser mero instrumento de leitura, abrange as faculdades phisycas, moraes e intellectuais, isto é, o homem completo.
O período que estamos a analisar e que vai da segunda metade do século XIX ao primeiro quartel do século XX, caracterizou-se, em termos educativos, por uma evolução no que se refere ao ensino primário.
Em 1870, no âmbito da ditadura do general Saldanha, foi criado o Ministério da Instrução Pública e, nesse mesmo ano, D. António da Costa procedeu à reforma da instrução primária.
A reforma da instrução primária de D. António da Costa dividia o ensino em dois graus: o elementar e o complementar. 
O 1º grau compreendia a Educação Física (Ginástica, Higiene), Educação Moral, Educação Intelectual (Leitura, Escrita, Operações Aritméticas, Pesos e Medidas, Gramática e Exercício de Redacção, Desenho Linear, História Sagrada  e Pátria, Geografia e Cronologia, Agricultura, Canto Coral). O 2º grau, para além de desenvolver os mesmos temas, compreendia elementos de Física, de Química e de História Natural.
As raparigas tinham também certas ocupações consideradas próprias do seu sexo. Os encargos com a escola pertenciam às Câmaras Municipais e às Juntas Gerais de Distrito. O ensino era obrigatório para rapazes e raparigas.
Com a subida ao poder de Sá da Bandeira, foram abolidos o Ministério dos Negócios da Instrução Pública e a reforma da Instrução Primária.
Em 1878, Rodrigues Sampaio foi nomeado, pela terceira vez, Ministro do Reino, tendo, nessa altura, publicado a sua reforma do ensino primário. Continuavam a existir dois graus, o elementar e o complementar, mas transferiu do primeiro para o segundo a História, a Geografia, a Cronologia, a Agricultura, O Canto Coral, a Educação Física e a Educação Política. Foram eliminados os rudimentos de Ciências Físicas e Naturais. Manteve-se a obrigatoriedade da frequência do ensino primário para rapazes e raparigas.
A reforma da instrução primária de Rodrigues Sampaio, datada de 2 e Maio de 1878 só foi regulamentada em 1881.
Data da década de setenta a publicação de uma das mais notáveis obras de pedagogia portuguesa: a Cartilha Maternal, de João de Deus. Em 1888 foi criado o lugar de Comissário Geral do Método de Leitura Cartilha Maternal de João de Deus para o qual foi nomeado o próprio poeta, e cujo objectivo era o de promover o ensino da Cartilha nas escolas primárias públicas e privadas.
Na década de oitenta, foi dada pouca atenção ao ensino primário.Quando Luciano de Castro chega ao poder, a reforma vigente era a de Rodrigues Sampaio, de 2 de Maio  de 1878 e a mesma foi mantida na década de oitenta com pequenas alterações.
No decurso da década de noventa, por razões de diminuição das despesas, foi reformulado o ensino primário. A nova reforma estabeleceu que o ensino primário se dividia em elementar e complementar. O elementar subdividia-se em dois graus.
O 1º grau do ensino elementar era obrigatório para todas as crianças dos 6 aos 12 anos; o 2º grau era obrigatório para a admissão às escolas do ensino secundário.
As matérias programadas para o 1º grau eram as habituais no ensino primário, acrescentadas de trabalhos manuais e exercícios ginásticos; e para o 2º grau estavam programadas a Língua Portuguesa, Cronologia, Geografia e História Pátria, Aritmética e Geometria, Moral e Desenho Linear.
No ensino complementar, entre outras, ensinava-se Direitos e Deveres dos Cidadãos, Noções de Física, de Química e de História Natural aplicáveis à Agricultura, à Indústria e à Higiene, Ginástica, Música e Natação, quando possível.
O final do século XIX foi politicamente agitado com a questão do mapa cor-de-rosa e a oposição da Grã-Bretanha sobre a soberania portuguesa dos territórios que o mapa englobava. Em 11 de Janeiro de 1890, o governo britânico, a que presidia Lord Salisbury, apresentou um ultimato a Portugal, reclamando a imediata retirada das forças portuguesas daquela zona. O governo do Rei D. Carlos, cujo reinado mal se iniciara, resolveu ceder às exigências britânicas. Face à decisão tomada, sucederam-se manifestações nas ruas contra a decisão tomada e ataques nos jornais.
Toda esta situação conduziu à revolta da guarnição militar do Porto, na madrugada de 31 de Janeiro de 1891 que, aliás, marcou de modo decisivo a luta contra a Monarquia. O 31 de Janeiro tornou-se numa marca importante do combate pela República.
A luta contra a Monarquia não impediu que, em 24 de Dezembro de 1901, surgisse um novo reformador respeitante ao ensino primário, que introduzia importantes alterações estruturais. O novo decreto estabelecia que o ensino primário passava a ficar dividido em quatro classes, das quais as três primeiras constituíam o 1º grau e a última o 2ºgrau. O 1º grau terminava com um exame que encerrava a escolaridade obrigatória do ensino primário. O 2ºgrau destinava-se àqueles que desejassem ser admitidos no curso liceal. As escolas eram classificada em centrais e paroquiais. As primeiras ou eram masculinas ou femininas e as segundas poderiam ser mistas.
JOAQUIM MANUEL FERNANDES DE CARVALHO

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Banda de Freamunde ( XXII )

Porém, no dia 4 de Abril desse mesmo ano, a Vila acordou com o dobrar dos sinos da igreja matriz. A notícia correu célere: tinha falecido o Toninho Nogueira, com apenas 64 anos de idade, consumido por uma doença de foro oncológico que lhe martirizou os últimos anos de vida.
A morte do "mestre" Antonino causou consternação entre todos os membros da Banda com os quais sempre conseguiu encontrar forças para vencer as crises mais agudas da sua existência.
No funeral, muito participado, incorporaram-se, com os respectivos estandartes, representações das congéneres de Golães e Revelhe (Fafe), Maia, Pevidém, Riba d'Ave, Lousada, Paços de Ferreira...
Cobrindo a urna, a bandeira azul da "menina dos seus olhos". Nas mãos, a batuta que apaixonadamente empunhou durante 18 anos.
Figura tão marcante, cuja dedicação, carisma, perseverança e empenho foram merecedores de reconhecimento público. Assim, mais tarde, uma comissão de toponímia atribuiu o nome de uma das ruas de Freamunde ao saudoso regente.
O NOSSO TONINHO NOGUEIRA

Quando o Toninho Nogueira
fazia o rosto corar,
nenhuma Banda p'la beira
batia a nossa, a tocar!

Este Filho cá da gente,
nesta sua Banda amada
foi desde aluno a regente,
sempre de cara lavada.

Ainda hoje a chorar
a gente ouve perguntar
onde a Banda se desloca

pelo Toninho Nogueira
e há quem jure, ali à beira!
"está no que a Banda toca".

                      RODELA
ERNESTO GOMES TAIPA
Temia-se que com ele fosse também a  alma da Banda, a quem havia dado o seu estilo, o seu contributo, a sua fidelidade. Um caso exemplar de devoção à arte dos sons.
A temporada musical estava à porta. Tornava-se urgente encontrar outro regente. Até que isso acontecesse, o filho José continuou a "dar vida" à Banda.
Após indicação de António João de Brito, e durante apenas seis meses - até Outubro de 1977 -, "deitou a mão" o maestro António Júlio Machado "Machadinho", sargento músico no RIP, morador na cidade do Por to, com anteriores passagens como regente pelas bandas de Coimbrões e PSP. Figura, de quem se sabe biograficamente muito pouco.
Com o "vazio" então criado, a Banda sofrera nova crise, decadência à vista. Teria mesmo acabado se não fosse o inconformismo de um punhado de bons freamundenses que, em princípios de Janeiro de 1977, se haviam constituído em direcção provisória, estilo comissão administrativa, liderada pelo entusiasta, pelo benemérito Ernesto Gomes Taipa - o salão de ensaios, que lhe pertencia, foi cedido gratuitamente, situação que ainda hoje se mantém, dele se servindo os miúdos que frequentam a Escola Infantil. Para quando o verdadeiro reconhecimento a este grande freamundense, entretanto nomeado sócio benemérito da Banda?
Enfim, verdadeiros bairristas que assim recuperaram o dinamismo e a mesma força de alma.
JOAQUIM PINTO - "ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE FREAMUNDE - 190 ANOS"

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( XIV )

IV
OS DIRIGENTES (TERCEIRA PARTE)
A 20 de Dezembro de 1953, em 2ª convocatória, as eleições para o ano de 1954 ditam a reeleição da assembleia-geral e da direcção.
No dia 19 de Dezembro de 1954, também em 2ª convocatória, apesar de proposta a recondução dos órgãos para o ano de 1955, ela não foi maioritária e acabou por ganhar a lista apresentada por José Maria Gomes Taipa (volta a ter sete elementos):
Assembleia-geral:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Secretários: Domingos Gomes Taipa e José Maria Pinto de Moura
Direcção:
Presidente: Arnaldo da Costa Brito
Vice-presidente: Artur de Vilhena Ribeiro
Tesoureiro: António Cardoso de Barros
Secretário: João Correia Gomes Taipa
Segundo secretário: António dos Santos Costa
Vogais: Júlio Dias de Andrade e António Nogueira Nunes
Em Dezembro de 1955, são reeleitos para o ano de 1956. O mesmo sucede a 9 de Dezembro de 1957, e a 14 de Dezembro de 1958, todas elas apontando os trabalhos para a construção do quartel como justificação para a reeleição
No dia 20 de Dezembro de 1959, saem das eleições para 1960 os seguintes corpos sociais:
Assembleia-geral:
Presidente: José António Nunes Chamsca
Secretários: João Correia Gomes Taipa e António dos Santos Costa
Direcção:
Presidente: António Teles Meneses Júnior
Vice-presidente: José Maria Gomes Taipa
Tesoureiro: António Cardoso de Barros
Primeiro-secretário: Hermínio Pinto Gomes da Silva
Segundo-secretário: Rogério Monteiro
Vogais: Joaquim Ribeiro e António Luís Leão da Costa Torres
A 18 de Dezembro de 1960, em segunda convocatória, eleições para 1961.
Assembleia-geral:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Secretários: João Correia Gomes Taipa, António dos Santos costa
Direcção:
Presidente: António Teles de Meneses Júnior
Vice-presidente: Luís Teles de Menezes
Tesoureiro: António Cardoso de Barros
Secretários: Domingos Ribeiro; Rogério Monteiro
Vogais: Joaquim Ribeiro e António Luís Leão da Costa Torres
A 17 de Dezembro de 1961, em segunda convocatória, eleições para 1962.
Por unanimidade é eleita a lista A.
Assembleia-geral:
Presidente: Doutor Jaime Manuel Nogueira de Barros
Secretários: Alfredo Cardoso de Barros e António Cardoso de Barros
Direcção:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Vice-presidente: Alfredo Ferreira Rego
Tesoureiro: Agostinho Mendes
Secretários: Domingos Ribeiro Taipa e Nélson Taipa Lopes
Vogais: António Luís Leão da Costa Torres e Fernando Herculano Pinto de Moura
A 16 de Dezembro de 1962, não apareceu outra lista e a mesma direcção ficou reeleita por unanimidade, tendo sido reeleita sucessivamente a 8 de Dezembro de 1963, a 13 de Dezembro de 1964, a 12 de Dezembro de 1965 e a 11 de Dezembro de 1966, também em segunda convocatória, para dirigirem a Associação no ano de 1967, tendo em vista a aquisição de uma viatura e o quartel.
No dia 17 de Dezembro de 1967, em segunda convocatória, ficam eleitos para o ano de 1968.
Assembleia-geral:
Presidente: Alfredo Cardoso de Barros
Secretários: João Correia Gomes Taipa e António dos Santos Costa
Direcção:
Presidente: Teodoro Alberto Machado Pereira
Vice-presidente: Júlio Dias de Andrade
Tesoureiro: António de Sousa Vieira
Secretários: Alberto Matos e Barros, António Luís Pereira de Barros
Vogais: Anselmo Ferreira Marques a António Ribeiro Nunes "Pinhão"
Foram novamente reconduzidos a 8 de Dezembro de 1968 e a 18 de Dezembro de 1969, igualmente em segunda convocatória. Nas eleições para 1970, com a particularidade de Alfredo Ferreira Rego ter sido substituído por Júlio Dias Andrade, por ter falecido.
JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS"

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória ( XVIII )

ÉPOCA 1947 / 1948
FINAL DE ÉPOCA CONFLITUOSO
O FREAMNDE VENCEU A "SÉRIE" MAS...NÃO VALEU
No Campeonato da 3ª Divisão e após o apuramento numa "poule" em que participaram igualmente as formações do Penafiel, Varzim, Valonguense, Rio Tinto, Rebordões, Castelo e Rio Ave, o S. C. Freamunde sagrar-se-ia vencedor da Série A com 35 pontos (50 golos marcados e 28 sofridos).
A disputa de jogos para a definição do campeão da prova não chegou a efectuar-se por questões burocráticas levantadas pela Associação de Futebol do Porto, após recurso do Rio Tinto.
No entanto, o acesso à 2ª Divisão Distrital foi mesmo uma realidade.
Vergados ao peso de derrotas sucessivas, que vinham da época anterior, o Freamunde andava ávido de vitórias, sequioso de glória. O pontapé de saída foi dado na Póvoa, ante o Varzim. A assistência correspondeu em fraco número, contra o costume. O resultado - 2-0 a favor do Freamunde - feito no primeiro tempo. Os azuis e brancos começavam "em grande" o campeonato.
O perigo espreitava a cada esquina. Era preciso muito cuidado com o Penafiel.
Mesmo reduzido a nove elementos, a 20 minutos do final (ainda não eram permitidas substituições nesta épocas), o Freamunde conseguiu uma importante e justa vitória por 4-3. João Taipa (3) e Adão Viana apontaram os tentos que valeram preciosos pontos.
Despachado o Valonguense por 4-0, seguia-se o Rio Tinto. O Freamunde dava cartas.
Jogar no Campo do Ferraria nunca foi pêra doce, mas seis...é muita fruta e...podiam ser mais, não fora o adversário tão misericordioso.
A equipa, que tinha acabado de escapar a uma "calamidade", perdia a "virgindade".
Diferente, bem diferente, foi a história com o Castelo.
O jogo (7-3), para sempre recordar, foi um regalo para o olho. A máquina atacante carburou e o adversário viu-se cilindrado. João Taipa, com 5 golos, encheu o saco. Adão Viana e João "Cherina" completaram o lote de marcadores.
Pontaria afinada e nova cabazada.
João Taipa e Adão Viana com 4 golos cada e José Maria "da Couta" com 1, "inundaram" o Rio Ave em jogo memorável e que ficará para a história do Clube.
O grupo não descartava, mesmo suplantado em Penafiel (1-3) pela formação da casa.
Quem pagou as "favas" foi o Valonguense, goleado (5-2) no seu reduto. O árbitro do encontro foi Jaime Sistelo - lembram-se? -, grande columbófilo e primo dos atletas Zinho e António Sistelo.
Com a vitória por 3-1 sobre a equipa do S. C. Rio Tinto - com alguma fortuna à mistura, pois o visitante desperdiçou duas grandes penalidades -, os "azuis" ficaram a um só ponto deste seu adversário, líder da prova, que tinha em Arnaldo um dos seus maiores expoentes. Este possante defesa riotintense era irmão de Arnaldina, professora primária que leccionou, durante alguns anos, nesta Vila.
A senda dos êxitos continuava. A equipa cheirava a título. Não se notavam fissuras ou falhas estruturais num Freamnde que prosseguia imperturbável na marcha para a glória. João Taipa e Bica repartiram os golos do triunfo em Rebordões.
Mas...por pouco lá se ia tudo quando Marta fiou. A jornada (13ª) quase se transformou no jogo do azar. O Freamunde venceu à rasquinha (5-4) a frágil equipa do Castelo, com golos de João Taipa (2), Adão Viana (2) e José Maria "da Couta" (1).
De longe, entretanto, surgiam boas notícias. Com a derrota do Rio Tinto, na Póvoa, por 5-0, o Freamunde alcançava o primeiro posto.
ESTA FOI MESMO VERDADEIRA...
"Do desafio com o castelo vou contar-lhe uma das recordações mais lindas e insólitas que ainda preservo - ouvir José Maria "da Couta" era um prazer.
Por culpa própria (o Freamunde tinha vencido, fora, por 7-3 o seu opositor no encontro da primeira volta) o que parecia fácil tornou-se difícil.
A comitiva maiata não vinha para dificultar mas a nossa rapaziada não estava em dia sim.
Com o resultado em 4-4 e quando faltavam somente três minutos para o final da partida, decisiva para as aspirações do Freamunde, o central do do Castelo, qual guarda-redes, interceptou a bola com as mãos lá nas alturas, não restando outra alternativa ao árbitro que indicou de pronto a marca de grande penalidade.
Chamado a converter, o exímio executante João Taipa, talvez um pouco incomodado com tais "favores" - tanto na vida como no desporto jamais pôs de lado a dignidade - contra o costume atirou, propositadamente, ao lado da baliza.
Valeu já sob o apito derradeiro um autêntico "frango" do guardião visitante que não conseguiu ou não quis segurar um inofensivo remate de Adão Viana.
Estava assim consumada a difícil e importante vitória, comemorada minutos mais tarde, conjuntamente com a comitiva adversária - bons amigos, por sinal - no restaurante de Ernesto Taipa". A cabidela já habitual nestas circunstâncias, presume-se, pois os tempos estavam difíceis e estas oportunidades eram de aproveitar porque fastio era coisa que os bravos rapazes nunca tinham.
É que, até então, só se saboreavam, de quando em vez, umas sandezitas - já não era nada mau!...- mas, se fosse alguma coisa de faca e garfo!...Pois é, mas isso só quando o Rei fazia anos.
Não fez, é certo, mas como o prometido é devido, a arrozada lá foi servida. Dela, no final, nem um "greiro" ficou, cremos. "Se nas quatro linhas nós logramos vantagem, no terreno do prato e copo o jogo foi de tal forma renhido que ainda hoje estou para saber qual o vencedor", ironizou José Maria "da Couta".
CONFUSÃO INSTALADA
Na derradeira jornada, em Vila do Conde, o Freamunde, mesmo perdendo, sagrar-se-ia campeão de série caso o Rio Tinto não vencesse o Penafiel, em jogo mandado repetir por alegadas irregularidades cometidas em jornada anterior. A Direcção do Freamnde "estimulou" Peixoto, guarda-redes dos penafidelenses, com quinhentos escuditos e o Rio Tinto viu-se batido por um escasso golo. Tudo parecia terminado mas...novos protestos, baseados em argumentações, no mínimo, insólitas, recursos atrás de recursos e...o Varzim acaba por beneficiar, surpreendentemente, de todas esta confusão. Por ter dirigido directamente uma exposição ao Ministro da Educação Nacional, a Associação de Futebol do Porto, escudada num livre arbítrio regulamentar, sancionou o Freamunde com uma repreensão registada e subtraiu-lhe três pontos. Seguiu-se um braço de ferro com o conselho técnico da dita associação, mas de nada valeu.
EQUIPA TIPO:
Hercílio, Alberto "Mirra" e Zeca "Mirra"; Agostinho Machado "Barroco", Casimiro Alves "Russo" e Amaro "da Cavada"; Adão Viana, João "Cherina", Quim "Bica", João Taipa e José Maria "da Couta".
Outros mais utilizados: Casimiro "Vaidoso", Leonel, Rogério Monteiro, António Sistelo e Zeca Lopes "Pequito".
EQUIPA:
EM CIMA: Alberto "Mirra" - Quim "Bica - Zé Viana - Zeca "Mirra" - Hercílio Valente
EM BAIXO: Amaro "da Cavada" - João "Cherina" - Neves - casimiro "Russo" - João Taipa - Adão Viana
MARCADORES DOS GOLOS:
João Taipa (24); Adão Viana (14); João "Cherina" e António Sistelo (3 cada); Quim "Bica" (2); Alberto "Mirra", José Maria "da Couta, Amaro "da Cavada" e Casimiro Alves "Russo (1 cada).
 JOAQUIM PINTO - "SPORT CLUBE DE FREAMUNDE - VIDA E GLÓRIA"

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A indústria do mobiliário escolar em Paços de Ferreira ( III )

O caso da fábrica Albino de Matos, Pereiras & Barros, Lda.
 1. ALBINO FERREIRA DE MATOS
1.1 O HOMEM NO TEMPO (SEGUNDA PARTE)
Na sua obra Emílio publicada em 1762, Rousseau defendeu a educação como meio de fazer despertar os dons naturais do homem e de o aperfeiçoar espiritualmente.
Estruturou a educação, de acordo com as diferentes fases a serem vividas por Emílio, seu aluno imaginário, desde o nascimento até à idade de 25 anos.
A educação devia começar no berço, investir no desenvolvimento dos sentidos e da observação entre os 3 e os 13 anos, desenvolver a inteligência entre os 13 e os 17 anos, formar a personalidade e o carácter entre os 17 e os 25 anos.
Toda esta concepção pedagógica do século XVIII insere-se no movimento da descoberta da particularidade da infância que foi emergindo ao longo do Antigo Regime e que coincidiu com o triunfo da família como núcleo efectivo.
Ainda no século XVIII destacamos a figura de Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) considerado o educador da humanidade ou educador do homem do povo. Foi director de escolas elementares, chefe de institutos agrícolas, de asilos de caridade, organizador de colégios e estava sempre pronto para reconstruir uma escola. Exerceu uma grande influência na educação que democratizou, proclamando ter a criança direito ao ensino.
O sistema pedagógico de Pestalozzi tinha como fundamento propiciar à infância a aquisição dos primeiros elementos do saber: o número (soma), a forma (desenhos e medições) e a linguagem (sons das palavras) para depois saberem os conhecimentos abstractos: a expressão dos sentidos (a palavra: vocabulário e gramática) e a expressão sensorial (forma, dimensões e proporções), de forma natural e intuitiva.
Foi considerado um dos precursores da educação nova baseada no respeito pelo crescimento e desenvolvimento da criança, sua única preocupação. Simboliza a instrução popular e democrática. As suas contribuições pedagógicas foram de grande valia para a estruturação do pensamento educacional do século XIX.
No século XIX destacamos a figura de Friedrich Froebel (1782-1852). Educador alemão, conhecedor do sistema pestalozziano, desenvolveu as suas teorias inspiradas no amor à criança e à natureza. Foi após ter contactado com o filósofo Krause, que se sentiu arrebatado pela ideia da educação da primeira infância. Foi marcadamente reconhecido pela criação de escolas infantis, a que deu o nome de Kindergarten (jardins de infância), em 1837, para indicar que as crianças são como flores de um jardim e que devem ser tratadas com amor e de harmonia com Deus e com a natureza. Considerado um clássico da primeira infância. Para a difusão do seu método, Froebel funda o semanário Kommt, lasst uns unsern leben (Vinde, vivamos para as nossas crianças) onde faz a explicação dos jogos por ele inventados para educar as crianças, mais tarde denominados dons de Froebel. No material froebelniano os dons ocupavam uma posição de destaque:
- Primeiro dom: seis bolas de lã de cor amarela, vermelha, azul, castanha e laranja.
- Segundo dom: esfera, cilindro e cubo.
- Terceiro dom: cubo dividido em oito cubos iguais.
- Quarto dom: cubo dividido em oito ladrilhos.
- Quinto dom: cubo dividido em 27 dados, alguns dos quais estão cortados por uma diagonal.
- Sexto dom: cubo dividido em 27 peças rectangulares.
O jogo, entendido como objecto de brincar, passa a ser usado como recurso educativo, do ensino pré-escolar. Para Froebel, o primeiro a utilizar o brinquedo como actividade nas escolas, a criança quano manipula e brinca com a bola, o cubo ou o cilindro fá-lo de maneira organizada, metódica, estabelece relações matemáticas e adquire noções primárias de física e metafísica. O jogo não está sujeito a qualquer obrigação, antes representa o auto-desenvolvimento e auto-actividade. Pelo seu carácter de exercício, conduz ao trabalho e ao contacto social. Ninguém como Froebel soube explorar e valorizar o interesse lúdico da criança e as suas qualidades sensoriais. Os seus dons e as suas ocupações que, afinal, constituem o extracto da sua metodologia, servem com rigor o instintivo interesse da criança pelo jogo e pela manipulação dos objectos. Froebeliana deve ser também a atitude e a forma de actuar do professor, que constitui o fulcro de todo o trabalho escolar. Amigável, paciente e activo, tomando parte, dirigindo e determinando as actividades dos alunos. Obviamente, não seria com a palmatória e o puxão de orelhas, tão vulgares nas nossas escolas, que se aplicaria o método de Froebel.
PRIMEIRO DOM DE FROEBEL
Da Europa à América, a influência de Froebel foi muito grande; isto deve-se, em boa parte, à acção da baronesa de Marenholtz que, após a morte deste, se dedicou, nas suas viagens e nos seus livros, à propaganda das suas ideias. É considerado hoje o pedagogo mais completo do século XIX.
Em finais do século XIX e no decorrer do século XX, verificaram-se profundas e intensas mudanças no campo da educação, na Europa e também nos EUA. As escolas laicas romperam com o domínio da Igreja sobre a educação, reafirmando a supremacia da burguesia liberal. É o grande movimento de renovação pedagógica denominado Educação Nova, ou Escola Nova, que exigia que a escola se adaptasse a uma nova realidade e uma nova mentalidade surgidas com a segunda revolução industrial. Para novas mentalidades e novos laços sociais, exigia-se um homem esclarecido, participante na vida colectiva e democrática.
Esta mudança manifestou-se tanto na organização das escolas (turmas, distribuição dos alunos na sala, horário e programas) como no método de ensino. É Rousseau o verdadeiro precursor, pela filosofia naturalista que defende, desta renovação pedagógica. Embora lhe possa reunir também, entre outros, Pestalozzi e Froebel que constituem como que o ponto de união entre a educação moderna e a contemporânea. O epicentro da relação pedagógica deste movimento que, antes, na escola tradicional, se centrava no professor e no ensino, sendo o professor o detentor da autoridade e desempenhando o aluno um papel passivo, competindo-lhe apenas responder e não questionar o mestre, na Escola Nova centralizava a acção educativa na criança, respeitando a sua autonomia e liberdade como sujeito que aprende. Privilegia-se a relação entre alunos, assim como os trabalhos de grupo e os debates. O ensino contempla a totalidade da criança e não só o seu aspecto intelectual. Esta passa a ser encarada como um ser dotado de um ritmo próprio de aprendizagem, com os seus interesses, necessidades e capacidades. Mais do que ensinar, ao professor cabe ensinar o estudante a aprender, proporcionando a auto-actividade e a auto-educação em ambientes e experiências educativas favoráveis ao seu desenvolvimento. Cada aluno é responsável pela construção do seu próprio conhecimento, de modo que, observando e experimentando, possa não apenas compreender o mundo, mas adaptar-se a ele, devendo o professor apenas estimulá-lo e orientá-lo na aprendizagem, criando-lhe o desejo de continuar a aprender. Considerada, no início, muito polémica, acabaria por impor-se a todas as reformas educativas do século XX. A sua temática ainda hoje se mantém viva e actuante em muitas técnicas e correntes pedagógicas, como no ensino programado, dinâmicas de grupo ou pedagogia da não directividade.
JOAQUIM MANUEL FERNANDES DE CARVALHO

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Banda de Freamunde ( XXI )

A relação com o tempo dominava esta conversa, na qual sobressaía a evocação da memória e das aventuras já distantes.
«Com as nuvens já um pouco acasteladas, esperavam-se, contudo, sinais de retoma. No entanto, nada. Ou quase nada. Abdicar, nunca.
O Antonino Nogueira era uma pessoa apaixonada, que chegava a remeter para segundo plano os seus interesses pessoais e familiares quando estava em causa a Banda. Nunca o viram com cara de pau. Mas que a tarefa era hercúlea, lá isso era. E porquê?! Bom, em boa verdade não se pense que todos os componentes da filarmónica eram executantes de fina água. Nem por sombras. Só alguns tratavam os instrumentos por tu. Parte deles - a denominada "pancadaria", músicos sem formação -, porque ainda iletrados, simplesmente não tocavam. Não. Não era a lei do menor esforço. A verdade é que não sabiam! E, ao ouvi-los executar (?) Tchaikovsky, Wagner ou Rossini, quanta boa vontade, quanto sacrifício dispendido. Era o puro amadorismo. Não estavam ali para o cultivo da música, no verdadeiro e são sentido da palavra. Precisavam dos tostões todos para o equilíbrio orçamental da casa. Eram as dificuldades da vida. A maioria dos lares não eram fartos e estas oportunidades não se enjeitavam. A história também se deve debruçar sobre a capacidade de resistência destes indivíduos».
A análise de documentos datados, sobretudo na Gazeta, permitiu-nos conhecer de forma mais detalhada a actividade contínua da Banda.
A própria Arte de Talma, através do Grupo Teatral Freamundense, tal como a música, importante manifestação de comunicação e cultura "serviu-se" dos préstimos de alguns elementos da Marcial, na edição da Opereta "Gandarela" (1963) e na peça "As Pupilas do Senhor Reitor" (1964), numa adaptação de Fernando Santos. O regente Antonino Nogueira foi o supervisor de parte dos trechos musicados pelo também freamundense Jaime Rego, distinto sargento-chefe da Banda da GNR, de Lisboa.
Banda que continuava a ser requisitada para digressões de norte a sul do país. Que continuava a receber galardões. Em Lalim, freguesia do concelho de Lamego, corria o mês de Agosto de 1965, foi presenteada com uma medalha de ouro, amabilidade da comissão de festas da Senhora dos Remédios.
E, pasme-se, até de Itália veio proposta, que honrou Freamunde. Em Junho de 1968, a "Comune Di Salerno" convidou a "nossa" Banda para participar num festival, a realizar em Setembro, a que os italianos chamavam "Convegne", e que constava de concertos ao ar livre e desfiles. Aos agrupamentos participantes seriam atribuídos valiosos prémios.
Tudo levava a crer que a "Marcial" de Freamunde se fizesse representar, visto já se ter posto em contacto com a organização, pedindo-lhes o programa definitivo, mas tal não veio a acontecer por falta de disponibilidade de alguns músicos.
Em 1974, ano da "Revolução", a banda teve cerca de trinta saídas: Cervães - Barcelos (13.000$00); Abragão (15.600$00); Vila Chã - Esposende (23.500$00); Fafe (12.000$00); Sanfins do Douro (25.000$00); Arcos de Valdevez (14.000$00); Avanca (15.000$00); Courel - Barcelos (12.000$00); S. Vicente do Pinheiro (11.000$00)...À Comissão das Sebastianas, cobraram...18.000$00. E compreende-se tal maquia. É que a banda tocava ao Domingo, na missa solene, na procissão e nos concertos da tarde e noite, e à Segunda-feira, no despique da tarde, integrando ainda a marcha alegórica, madrugada fora.
Banda que, face a todas as transformações operadas no país com o 25 de Abril, através da sua dinâmica social, foi-se readaptando às novas realidades. Pormenor que nos parece pertinente para reforçar esta ideia, a participação nos festejos do 1º de Maio de 1974, dia do trabalhador, onde todos os componentes se apresentaram de cravo vermelho ao peito.
A vida da filarmónica continuava difícil, atendendo a que não existiam direcções, sequer sócios e as respectivas quotizações que muito jeito poderiam fazer. Não dispunha de quaisquer fontes de financiamento senão as receitas provenientes dos contratos. Era de todo necessário revitalizar o conjunto artístico, enriquecendo-o de componentes com sobejas provas do seu valor.
Só em princípios de 1977, da cessante Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, chegou um subsídio de 200 contos para aquisição de instrumentos e fardamento.
JOAQUIM PINTO - "ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE FREAMUNDE - 190 ANOS"

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A indústria do mobiliário escolar em Paços de Ferreira ( II )

O caso da fábrica Albino de Matos, Pereiras & Barros, Lda.
 1. ALBINO FERREIRA DE MATOS
1. 1. O HOMEM NO TEMPO (PRIMEIRA PARTE)
Albino Ferreira de Mattos, nasce na segunda metade do século XIX (1863), época em que o processo civilizacional do ocidente europeu sofre uma grande aceleração, registando-se novas ideias e novas tensões que se repercutem em Portugal. De 1851 a 1910, Portugal vive sob a influência dos Regeneradores.
A Regeneração dividiu o século XIX em duas partes; dá-se a separação entre o período de ideias revolucionárias do primeiro Romantismo, de Herculano e Garrett, e o período do pré-industrialismo. Fontes Pereira de Melo é um dos mentores deste pré-industrialismo tendo mandado construir não só quatrocentos quilómetros de estradas, uma dezena de pontes e a primeira linha de caminho-de-ferro, entre Lisboa e o Carregado, como também impulsionado o ensino técnico, agrícola e industrial. O outro mentor desse pré-industrialismo foi o Rei D. Pedro V que, tal como Fontes Pereira de Melo, acreditou no progresso. Mas esse progresso, em que se empenhou a burguesia pré-industrial, não representou nada em termos de desenvolvimento cultural, social ou no que se refere à vitalidade política do país.
Nos primeiros anos do terceiro quartel do século XIX e após a longa crise da implantação do liberalismo em Portugal, o Romantismo português evidenciava estar em fase de decadência. Após a morte de Garrett, toda a insurgência inerente ao movimento romântico se personificou em Alexandre Herculano, até à sua retirada para Vale de Lobos. Como figura emblemática ultra-romântica, surge Castilho. Em oposição a este ultra-romantismo forma-se, em Coimbra, um novo núcleo, uma nova geração intelectual. Esta nova geração, desde 1861, vinha revelando inconformismo relativamente aos valores oficiais da sociedade da sua época.
A grande manifestação desta geração está relacionada com a Questão de Coimbra, também conhecida pelo Bom Senso e Bom Gosto. Esta geração ficou conhecida pelos nomes de Geração, Escola ou Dissidência de Coimbra e também pela Geração de 70.
Com a Questão Coimbrã entram em conflito o novo espírito científico europeu e o velho sentimentalismo Ultra-Romântico.
O novo lirismo social, humanitário e crítico insurgia-se contra o gosto literário vigente exercido por Castilho e contra os conceitos políticos, históricos e filosóficos que os defensores do Ultra-Romantismo simbolizavam.
A Questão não foi apenas literária, uma vez que também representou a reacção dos jovens universitários de 1865 contra a falsidade que dominava muitos aspectos da vida nacional.
Este grupo que se opôs a Castilho fez parte de um grupo mais amplo que, em 1871, organizou as Conferências Democráticas do Casino, na ânsia de colocar Portugal a par da actualidade europeia, ligando-o com o movimento moderno.
A geração, que emergiu com a famosa Questão, caracterizou-se pelo seu carácter regenerador, de revisão de valores, de desejo de reforma do estilo de vida e da literatura do país.
Um grupo de jovens intelectuais de vanguarda formou o Cenáculo e organizou uma série de conferências que se realizaram em Lisboa. O grande impulsionador destas conferências foi Antero de Quental.
A primeira conferência realizada a 22 de Maio de 1871 centrou-se na temática O Espírito das Conferências. Aí se salientou a ignorância, a indiferença e a repulsa dos portugueses pelas ideias novas e a necessidade de preparar as inteligências e as consciências para o progresso das sociedades e para o resultado da ciência.
A segunda conferência, ainda de Antero, foi subordinada ao tema: Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. As causas apresentadas eram três: o Catolicismo posterior ao Concílio de Trento, a Monarquia Absoluta e as Conquistas Ultramarinas. Estes eram os grandes males que pareciam estar a minar a sociedade portuguesa. Para estes males, as soluções apontadas eram: opor ao Catolicismo a consciência livre, a ciência, a filosofia, a crença na renovação da Humanidade; à Monarquia opunha-se a federação republicana, com larga democratização da vida municipal; à inércia industrial, a iniciativa do trabalho livre, sem interferência do Estado.
A Augusto Soromenho pertenceu realizar a terceira conferência, tendo falado sobre a Literatura Portguesa.
A quarta conferência foi a de Eça de Queirós sobre a Literatura nova - O Realismo como Nova Expressão de Arte. Eça de Queirós chamou a atenção para a necessidade de se operar na literatura a mesma revolução que estava a ocorrer na política, na ciência e na vida social. Ele entendia que a doutrina da arte era produto das sociedades, intimamente ligada ao seu progresso e decadência. Criticou o Romantismo e anunciou o Realismo. A nova escola foi apresentada como a negação pela arte, da retórica balofa, do passadismo e como a análise com vista à verdade absoluta, como a anatomia do carácter.
Adolfo Coelho fez a quinta conferência, a que chamou A Questão do Ensino. Nesta conferência foi traçado o quadro desolador do ensino em Portugal e foram apontadas como soluções a separação da Igreja do Estado e a ampla liberdade de consciência.
Uma sexta conferência foi anunciada sobre os historiadores críticos de Jesus, de Salomão Sárago, mas não se realizou devido ao aviso de proibição. De imediato surgiram inúmeros protestos. Mas em vão, porque a proibição foi mantida e nunca mais se realizaram as outras conferências previstas.
No conjunto, as Conferências do Casino representam, entre nós, a afirmação de um movimento de ideias importadas de fora. Os intelectuais portugueses deixaram-se influenciar pelo historicismo, pelas ciências políticas e sociais, pela crítica positivista de Taine, pelo evolucionismo de Darwin, pelas Teorias de Marx e Engels, pela Internacional, pelo realismo, pela crença no progresso das sociedades.
No plano literário, a geração de 70 representou a afirmação da Escola Realista e, ideologicamente, teve como base o socialismo utópico.
A agitação ideológica que se viveu não foi apenas de inspiração socialista, mas também republicana. A partir de 1870, mas sobretudo desde a fundação do Partido Republicano em 1873 até ao fim do século, ocorre uma separação entre o socialismo e a ortodoxia republicana. No que concerne às mudanças no âmbito da metodologia de ensino e da difusão das correntes pedagógicas em Portugal, por esta altura não é possível fazer a sua abordagem sem referir o legado histórico que permitiu aos pedagogos portugueses, de forma mais ou menos teórica, preocuparem-se com a educação da infância. É no século XVIII cosmopolita que as ideias novas e revolucionárias se transmitiram de país para país, criando uma atmosfera cultural marcada pela liberdade e pela tolerância que transformaram para sempre a humanidade.
Cientistas e homens do saber colocaram de parte os ensinamentos antigos e preferiram a experiência e a razão, valorizando o homem e o que o rodeava.
Era a Época das Luzes ou Iluminismo, movimento que pretendia contribuir para o bem geral da sociedade iluminando-a e libertando-a do despotismo da Igreja, da Monarquia, da superstição e da ignorância.
Os iluministas criticam abertamente o ensino, tradicionalmente baseado numa perspectiva de autoridade de quem o exercia. Declaram guerra à  escolástica e procuram novas metodologias que incutam uma aprendizagem pelo gosto do saber, feita em liberdade e responsabilidade, assente no estudo directo da natureza e dos factos.
Embora muitos iluministas se tenham pronunciado e empenhado nas questões do ensino, destacamos as contribuições de Jean Jacques Rousseau (1712-1778), um dos filósofos mais importantes de todo este movimento e considerado como uma das personagens mais destacadas da história da pedagogia, apesar de não ter sido propriamente um educador. Homem de espírito sistematizador, foi ele que centralizou a questão da infância na educação, evidenciando a necessidade de não mais considerar a criança como um homem pequeno (homúnculo), mas que ela vive num mundo próprio, restando ao adulto compreendê-la.
JOAQUIM MANUEL FERNANDES DE CARVALHO

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória ( XVII )

ÉPOCA 1947 / 1948
GIL AIRES ABDICAVA DO COMANDO TÉCNICO DA EQUIPA
Contra todas as expectativas Gil Aires cedia o comando técnico a Albertino Ferreira Andrade, funcionário do Banco de Portugal e ex-treinador do Académico do Porto.
Como a hora era de apertar o cinto, as condições contratuais resumiram-se ao pagamento de despesas com viagens, estadias e pensão, ficando ao critério da Direcção qualquer outro tipo de gratificação.
Foi ainda deliberado em reunião de executivo a aquisição de equipamento completo, novinho e a estrear, com golas e punhos em branco - todos gostaram de ver o traje, era um pouco diferente do habitual, conferia dignidade, enfim, estava na moda - mais onze pares de botas - um luxo para a época - uma bola, que custava (302$00) os olhos da cara, exigindo grandes esforços financeiros, e ainda doze pares de meias de lã e uma câmara para o esférico. O conserto das botas estaria uma vez mais a cargo de António Ribeiro "Filipe". Só as de Rogério Monteiro não lhe passavam pelas delicadas mãos. O "menino" vivia de forma abonada e, como tal, não necessitava de "material" remendado. "O Rogerinho - bom rapaz, por sinal - ofereceu-me as "chuteiras" que estreei no primeiro jogo oficial. Anteriormente, nos treinos, usava o que calhava! Por vezes, duas do mesmo pé e de cores bem distintas. Estávamos nos anos do futebol puramente amador e os praticantes eram, geralmente, gente pobre. O tempo voa, já lá vão quase sessenta anos mas ainda tenho na memória todas estas peripécias". Assim nos referiu Quim "Bica" num cantinho do Café Teles.
O futebol era e é, sem dúvida, fértil em relatos do insólito.
Ficou igualmente lavrado em acta o gesto de José Teixeira Sousa Bonito (mais tarde reconhecido com a oferta de um livre trânsito), pela dádiva ao Clube de uma nova bola. Idêntica iniciativa teve Albino Torres Monteiro, também contemplado com o cartãozinho.
"Mas era mesmo um grande gesto, podem crer - confidenciou-nos Alfredo Rego em 1994, durante um concerto da Banda, por alturas do Santo António. Se querem saber, o custo de uma bola representava na época, um quinto da despesa mensal do Clube. No cenário actual assemelhava-se a um donativo no valor de setecentos ou oitocentos contos".
O mesmo tratamento para Faustino de Sousa Mendes pelos serviços prestados à agremiação como carpinteiro.
Para criação de novas e imprescindíveis receitas foi lançado sorteio de uma bicicleta - mil bilhetes a 5$00 cada - que ficou exposta no stand da Fábrica do Calvário, no Largo de Santo António. Porque a venda das rifas não estava a ter o sucesso desejado, a data do sorteio foi por diversas vezes adiada.
Como um mal nunca vem só, a dita bicicleta foi alvo de roubo para tristeza e indignação geral. Sucedeu. Estas coisas sucediam amiúde. Os "desvios" eram mesmo uma constante.
Esquecido o infortúnio e enquanto as forças da ordem não resolviam o problema, tempo para uma vista de olhos à correspondência.
Lida e relida, ficou a saber-se - através de comunicado da AFP - que um atleta podia ocupar no mesmo dia o lugar de guarda-redes em dois jogos da mesma modalidade.
Também determinada a obrigatoriedade do policiamento dos campos de jogo ser efectuado pela PSP ou GNR (anteriormente superintendida pelo Regedor e Cabo d'Ordem, Joaquim Bessa Ribeiro e Manuel "Faria", respectivamente), fazendo-se igualmente lei que todos os atletas fossem sujeitos a exames no Centro de Medicina Desportiva.
BENFEITORIAS NO "CARVALHAL"
As estruturas, essas, estavam já um pouco caducas. Os painéis de madeira que circundavam o campo, roídos pela usura e pelas intempéries, exigiam bastantes consertos. Remediando outras insuficiências, a Direcção decidiu adaptar um chuveiro privativo no gabinete do árbitro. Finalmente, o homem do apito já podia tomar banho sossegado. Por oferta de Júlio Dias Andrade foi colocada - era mesmo uma necessidade - uma porta na entrada sul do Campo do Carvalhal, satisfazendo-se, principalmente, os anseios da vizinha freguesia de Ferreira.
O Clube crescia a olhos vistos. A admissão de associados em larga escala era já um facto real e constituía um privilégio pois só poderiam ser aceites após propostas de outros e deferidas pela Direcção.
Todo o sócio, sem excepção, seria demitido se infringisse o art. 20, parágrafo 1º (falta de pagamento superior a quatro quotas sucessivas).
No que à apresentação de contas relativas ao ano de 1947 diz respeito, os resultados foram os seguintes:
OS ATLETAS MAIS CREDENCIADOS ERAM REQUISITADOS PARA JOGOS DE BENIFICIÊNCIA
No concelho poucas empresas "pagavam" bem. P´rás "bandas" do Vale do Ave (Fábrica da "Cuca" em Moreira de Cónegos, principalmente) as coisas estavam muito melhor, obrigando determinados jogadores a darem outro rumo profissional às suas vidas. Assim, foram passadas cartas de desobriga a Belmiro Ribeiro Pinto "da Riquêta" (ingresso no Desportivo das Aves) e a Joaquim Pinto "Maneta" (passou a representar o Moreirense F. C.), que por lá ficaram após terem contraído matrimónio. Entretanto, fazia o "baptismo" nas Primeiras outro dos "Mirras": Alberto. Jogador de estilo discreto, mais "forte e feio", era consistente a defender e prático a endossar. Por vezes actuava em posições "contra natura" mas...estava sempre bem!
Os próprios atletas já possuíam um certo "cartel". No dia 15 de Junho de 1948, João Taipa e Hercílio Valente foram, sem surpresas, requisitados para colaborar num jogo de benificiência, em Paredes, integrando uma selecção do Vale do Sousa que defrontou a equipa do F. C. Porto. Em idênticas circunstâncias, outro dos convocados era Zeca "Mirra", pois claro!
DOMINGOS GOMES
Mas nem só os jogadores estavam em alta. "Honras", igualmente, para Domingos Ribeiro Gomes, indigitado pela Direcção e posteriormente nomeado membro do Conselho Técnico da Associação de Futebol do Porto.
JOAQUIM PINTO - "SPORT CLUBE DE FREAMUNDE - VIDA E GLÓRIA"

quarta-feira, 21 de março de 2018

Bombeiros Voluntários de Freamunde ( XIII )

IV
OS DIRIGENTES (SEGUNDA PARTE)
No dia 19 de Dezembro de 1937, em segunda convocatória, elegem-se os órgãos para 1938.
Os membros da assembleia-geral e os vogais da direcção foram reeleitos.
Assembleia-geral:
Presidente: Adolfo Ferreira Leão de Moura;
Secretário: António Alves Pacheco
Secretário: Porfírio Teles
Direcção:
Presidente: Padre José Joaquim Moreira
Tesoureiro: Francisco Torres Carneiro
Secretário: Jaime da Costa Brito
Vogais da Direcção: Alberto Alves Pereira e Antonino Nogueira Nunes.
A 18 de Dezembro de 1938, em 2ª convocatória, eleitos para 1939:
Assembleia-geral:
Presidente: Luís Ferreira Leão de Moura
Primeiro Secretário: Maximino de Matos Nunes
Segundo Secretário: Joaquim de Bessa Ribeiro
Direcção:
Foram reeleitos o presidente, tesoureiro e secretário
Eleitos os vogais Idalino Ferreira Alves Pacheco e António Cardoso de Barros
No ano de 1939 a 17 de Dezembro, 2ª convocatória, para 1940 são reeleitos os membros da assembleia-geral.
Direcção:
Presidente: Armando Nunes de Oliveira (foto)
Tesoureiro: Alfredo Matos da Silva Neto
Secretário: Adolfo Gomes Pereira
Vogais reeleitos: Idalino Fereira Alves Pacheco e António Cardoso de Barros
A 15 de Dezembro de 1940, 2ª convocatória, elegem-se para 1941:
Assembleia-geral:
Presidente: Arnaldo da Costa Brito
Secretários: António Matos da Silva Neto e Boaventura Correia da Fonseca
Direcção:
Reeleitos os presidente, tesoureiro e secretário;
Vogais eleitos: António Ferreira Alves Pacheco e José Leal de Morais
A 21 de Dezembro de 1941, 2ª convocatória, elegem-se par 1942:
Assembleia-geral:
Presidente: Arnaldo da Costa Brito
Secretários: Alfredo da Silva Cabral e Abílio Pacheco de Barros
Direcção:
Presidente: Padre António Alves Pereira de Castro
Tesoureiro: Leonel Barros de Oliveira
Secretário: Joaquim de Bessa Ribeiro
Vogais: Antónino Nogueira Nunes e Henrique Felgueiras da Silva
Na assembleia-geral de 20 de Dezembro de 1942, em 2ª convocatória, elegem-se para 1943:
Assembleia-geral:
Presidente: Arnaldo da Costa Brito
Secretários: Alfredo da Silva Cabral e Abílio Pacheco de Barros
Direcção:
Presidente: António Pereira da Costa
Tesoureiro: António Joaquim Ribeiro
Secretário: Armando Nunes de Oliveira
Vogais: Arnaldo Gomes Taipa e Joaquim de Bessa Ribeiro
ARMANDO NUNES DE OLIVEIRA
Seguem-se os anos negros da corporação. Estamos em pleno período da II Grande Guerra Mundial e a crise instala-se na Associação de Bombeiros Voluntários de Freamunde. Ao que tudo indica a instituição não deixou de ter dirigentes, mas é certo que não cumpriram algumas obrigações e isso afectou substancialmente o prestígio da ainda jovem instituição. No arquivo, que a Direcção do ano de 1946, de que era secretário José Gomes Rêgo, deixou à Direcção que lhe seguiu, não constavam actas dos anos de 1943, 1944, 1945 e 1946 quer da direcção quer da assembleia-geral. Esta última foi em 1946 presidida por Leonel Nunes de Oliveira. Para o ano de 1947, as eleições realizaram-se apenas a 20 de Janeiro desse ano:
Assembleia-geral:
Presidente: Armando Nunes de Oliveira;
Secretários: Joaquim Pinto Pereira Gomes e José Maria Pinto de Moura
Direcção:
Presidente: José António Nunes Chamusca (foto)
Tesoureiro: Agostinho Mendes
Secretário: Hermínio Pinto Gomes da Silva;
Vogais: António Ferreira Alves Pacheco e Antonino Nogueira Nunes
A 21 de Dezembro de 1947, foram reeleitos para o ano seguinte todos os órgãos.
JOSÉ ANTÓNIO NUNES CHAMUSCA
No dia 19 de Dezembro de 1948, em 2ª convocatória, fazem a eleição para o ano de 1949 e pela primeira vez dá-se uma segunda reeleição dos corpos sociais, permitida agora pela alteração aos estatutos ocorrida em 31 de Outubro de 1948
A 18 de Dezembro de 1949, em 2ª convocatória, eleição para 1950.
Foi novamente reeleita a direcção tendo, contudo, sido substituído o vogal Antonino Nogueira Nunes por António Cardoso de Barros.
No dia 10 de Dezembro de 1950, em 2ª convocatória, nova reeleição para 1951.
A reeleição acontece por proposta de Amâncio Vilhena Ribeiro e reverendo Padre José Guilherme da Silva Lopes.
A 16 de Dezembro de 1951, em 2ª convocatória, reeleição para 1952.
Na assembleia-geral de 21 de Dezembro de 1952, em 2ª convocatória, aparecem duas listas às eleições para 1953. Uma, da direcção, acaba preterida e a outra acabou votada por aclamação. Este paradoxo é justificado pelo facto de conciliar alguns dos membros que estavam em funções e prever uma renovação no ano seguinte "após os novos elementos terem tomado contacto com a administração deste organismo".
Assembleia-geral:
Presidente: Hermínio Pinto Gomes da Silva
Secretários: António Cardoso de Barros e António Ferreira Alves Pacheco.
Direcção:
Presidente: José António Nunes Chamusca
Tesoureiro: Agostinho Mendes
Secretário: Jaime da Costa Brito
Vogais: José Maria Gomes Taipa e António Pinto de Moura
 JOÃO VASCONCELOS - "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FREAMUNDE - 75 ANOS"

segunda-feira, 5 de março de 2018

Banda de Freamunde ( XX )

Um trajecto cunhado pela paixão. Antonino Nogueira estava para a Banda como se a Banda estivesse dentro dele. E lá a "segurou". Como pôde.
Mesmo quando as coisas, aparentemente, não corriam bem, Toninho Nogueira, bem ao seu jeito, de batuta na mão, faces ruborizadas, gesticulava, rodava a cabeça, sorria, piscava o olho, dando sinais positivos dos "andamentos" da Banda. As "hostes" - os costumados "percebedores" - acalmavam.
Nos intervalos, cigarrito colado aos lábios, vício que fintou mas não conseguiu vencer. Ainda tentou substituir a nicotina pelo sabor do mentol mas foi pior a emenda que o soneto. Ficou com dois hábitos: depois da "travadela", um rebuçado para chupar.
A Banda, sem o fulgor doutras épocas, mantinha, no entanto, enorme cartel. Os convites para concertos em romarias sucediam-se.
Oriundos, sobretudo, do Minho, Trás-Os-Montes e Litoral Norte do País: Viana do Castelo, S. Pedro de Fins, Póvoa de Varzim, Gondomar, Folgosa da Maia, Sandim, Macieira de Cambra...
Até o Rádio Clube Português, através do seu colaborador, Mário Afonso, recolheu, em 1958, elementos para um programa das mais reputadas bandas musicais do norte do país. Foi, pois, sem surpresa que foram gravados alguns números do repertório da Banda de Freamunde. E recebeu loas, a iniciativa do R. C. P., ao serviço da cultura nacional, contribuindo também para a difusão da nossa terra.
A própria imagem dos músicos saiu reforçada. O obsoleto fardamento, já desbotado, após 20 anos de uso foi substituído por um novo, estreado no dia 17 de Maio de 1959, em Grijó.
Os "veteranos da Banda", dotados apenas da experiência adquirida ao longo de vários anos e que se haviam distinguido como exímios executantes, davam continuidade, em suas casas, ao ensino da arte dos sons aos jovens que os procuravam.
O sangue "puro" começava a afluir. A "nova matéria prima" fazia adivinhar futuro risonho. Um dos principiantes, Luís Manuel Pereira, começou a solfejar junto do tio, Arménio Rego, onde a aprendizagem, mesmo com devoção e persistência, não era coisa fácil. Ao entusiasmo inicial, muitas vezes surgia o desânimo e, não raro, até a desistência. Não foi o caso do Luís Manuel, pois o trompete fascinava-o. Não tardou a engrossar, como tantos outros, o naipe da Banda.
Luís Manuel era, e é, possuidor de um humor muito subtil, mas, por vezes, não sabemos se aquilo que nos conta é verdadeiro ou pertence ao reino da ficção. Alfredo "Cherina" - interessante a forma como procura a melhor maneira de andar por cá, com qualidade de vida - haveria de corroborar as histórias do insólito, contribuindo para salvá-las do esquecimento.
Por conseguinte, fomos confrontados com as situações mais desusadas, com as personagens mais improváveis; do meu primo, Luís, fomos ouvindo com agrado algumas das peripécias que deram razão à vida da Banda. E é bom que existam homens destes, pois o acto de contar histórias vai subsistir para todo o sempre. 
Assim, num fascinante exercício de memória, recrutando as narrativas sem desvirtuar, muito, o seu sentido original, lá foi desembuchando: «Principalmente nessa época, e estou a falar da de sessenta, já muitos jovens haviam iniciado os primeiros passos na arte dos sons - o acaso, a meias com a sagacidade, ajudou-nos a ganhar o respeito de todos, incluindo os mais "poderosos" -, engrossando o "plantel" da Banda, que parecia definhada, envelhecida. Jovens que foram de extraordinária importância, porque bem formados musicalmente, até a tropa os ocupar. Alguns, por opção profissional, como foi o meu caso, que ingressei na Força Aérea - já antes tinham tomado outro rumo, para a Banda de música do Comando-Geral da GNR, Lisboa, "artistas" como o Hélder Ribeiro, Rogério Gomes, Jaime Rego, Atílio Pereira...Para a capital, seguiriam também, mais tarde, José Augusto e António Augusto, da Lama; José Domingos Rego, Claudino Leal, Jorge Taipa, Domingos Leal e mais uns tantos que de momento não me recordo.
Outros, no entanto, enviados para África, para a guerra. Houve também quem emigrasse, sobretudo para França. Uma autêntica debandada.
Mesmo com actuações honrosas, que já vinham fazendo parte dos pergaminhos da Banda, a mesma ressentiu-se, naturalmente.»
JOAQUIM PINTO - "ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE FREAMUNDE - 190 ANOS"

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A indústria do mobiliário escolar em Paços de Ferreira ( I )

O caso da fábrica Albino de Matos, Pereiras & Barros, Lda.
CAPÍTULO I
DA OFICINA À FÁBRICA
O concelho de Paços de Ferreira foi até ao primeiro quartel do século XX uma região de economia rural. Não obstante haver nas freguesias alguma actividade artesanal, de acordo com as condições naturais à sua prática - o rio Ferreira, como força motriz, foi utilizado por inúmeras e diversas indústrias que ultrapassavam, desta maneira, a falta de qualquer outro propulsor - era da terra que vinha o sustento. A vinha era a principal fonte de receita dos agricultores, remunerava bem o trabalho e a despesa; o milho, adequado aos solos e clima, constituía a base da alimentação do povo; e a criação de gado, numeroso pelos prados existentes, fornecia a carne e o leite.
O Inquérito Industrial de 1881, fonte importante para conhecer o que seria a indústria portuguesa nos finais do século passado, refere como existentes no concelho de Paços de Ferreira apenas as pequenas indústrias, não nos dando notícia da existência de qualquer Fábrica. Haveria 52 moinhos, 140 mós e 150 a 200 empregados no seu trabalho. Em 1895 o número de moinhos ascende a 70 e empregavam cerca de 210 pessoas. Haveria 15 serras hidráulicas, cujo trabalho estava orçado em 1500 tábuas por dia em 8 meses de trabalho activo; o estio durava cerca de 4 meses e esta actividade, tal como a anterior, estava dependente do caudal do rio; 5 fornos de padaria, 14 serras mecânicas, 16 oficinas de ferraria, 2 fogueteiros, 150 teares domésticos de linho, 1 manufactura de algodão, 2 teares em oficina, 25 alfaiates e sapateiros, 1 oficina de tinturaria, 2 cesteiros, 200 / 250 palhoças, 30 fuseiros. A esta manufactura de fusos refere o inquérito: industrialmente curioso por mais de um título que trinta pessoas vivem de fabricar este artigo. E ainda 3 fabricantes de manteiga com a produção anual de 3000 / 4000 Kg. O inquérito refere que esta produção acha-se apenas em Paços de Ferreira onde 3 pessoas vivem exclusivamente dela (...) constitui um labor doméstico de algumas famílias rurais. É uma indústria recente neste concelho, que denota uma certa inclinação fabril (...) A exportação faz-se para o Porto e Vallongo, onde o fabrico de biscoito requer grandes porções de manteigas. Quanto às serrações de madeira, aquelas que poderão ser consideradas como a origem mais antiga da indústria do mobiliário, o inquérito industrial designa o concelho de Paços de Ferreira como: um centro de produção fabril rural, não fazendo significativas referências. Cerca de 10 anos mais tarde, este concelho é de novo alvo de um estudo, elaborado pela comissão industrial do Porto, no âmbito do inquérito de 1890 sobre as indústrias fabris e manufactureiras. Refere a propósito de Paços de Ferreira: (...) attendendo á pequena area do concelho e ao limitado numero de inudstreais, encarregou um só individuo do trabalho de distribuir e recolher 55 questionarios. Tudo continuaria na mesma e as oficinas de móveis, que caracterizam o concelho, ou não existiam - o que era mais provável - ou seriam meros projectos na cabeça de homens conhecedores de determinada realidade social e sensíveis a um problema que grassava por todo o Portugal, como relata o artigo do Jornal de Paços de Ferreira, no dia 16 de Janeiro de 1897:
No dia 25 do passado dezembro, reuniram, no edificio da escola do sexo masculino d'esta freguesia (Freamunde) a convite do respectivo professor, Albino de Mattos, os paes dos 64 alumnos que actualmente a frequentavam.
O referido professor, usando da palavra, faz notar a todos os cavalheiros e senhoras presentes a deficiência da mobilia escolar, tanto no que diz respeito a sua pessima construcção, como ao numero de alumnos que comporta, uns 18 apenas, sendo elles actualmente 64.
Em seguida ponderou a urgente necessidade de se mandar construir uma mobilia em condição.
O mesmo jornal refere, mais tarde, no dia 16 de Fevereiro de 1887:
Na casa da escola do sexo masculino d'esta freguesia reuniu, a semana passada, a comissão que, com ajuda dos seus demais conterraneos e outras pessoas de fora de Freamunde, dedicados á santa cruzada do progresso e derramamento da instrucção e educação pelos filhos do povo, tenta levar a effeito a construcção d'uma mobilia para aquella escola, e, se tanto puder ser, dar começo á construcção d'um edificio proprio para as duas escolas officiais d'esta freguesia funcionarem.
Resolveu que o seu secretario (professor Albino de Mattos) se informasse, no Porto, dos milhores modelos de carteiras escolares e dos seus respectivos preços, afim de ver se será possivel mandar construir aqui, em bôas condições a referida mobilia, para dar que fazer aos artistas da localidade.
Por fim o mesmo jornal refere a 20 de Março de 1887:
(...) para a escola official do sexo masculino d'esta freguesia, resolveu, n'uma das suas ultimas sessões, mandar construir 18 carteiras.
Porque, refere o jornal:
Uma escola sem mobilia, ou com uma mobilia deficiente e mal apropriada, o que pouco mais vale, faz-nos lembrar uma officina pejada de artifices mas sem instrumentos, aparelhos ou maquinas.
Ora pretendam-se obter de uma tal officina produções perfeitas, e veremos se isso é possivel. Não é. Outro tanto sucede numa escola onde a creança não possa estar comodamente instalada e assim entregar-se livremente a todo e qualquer trabalho.
Não lhe basta já a falta de aptidão para tudo, que ainda está por crear, mas ainda para maior embaraço, que muitas vezes resulta em lastimavel desanimo, o não estar á vontade e poder tomar naturalmente a posição adquada ao trabalho a desempenhar.
Infelizmente as informações ficam-se por aqui e mais não conseguimos apurar.
A quem foram entregues as carteiras? Teriam sido construídas em Freamunde, como era ideia da comissão/professor, ou compradas no Porto? Germinava a ideia de produzir material escolar no homem que daria o nome à primeira fábrica de móveis escolares em Freamunde, concelho de Paços de Ferreira.
Freamunde era, nos finais do século XIX, e segundo o mapa demonstrativo das quantias com que cada freguesia do concelho contribui para a despesa do Estado, do seu número de fogos, população e eleitores, a 2ª freguesia na contribuição industrial com 698$330 reis, a primeira na contribuição comercial com 526$952 reis, a primeira em número de fogos 367, a que tinha mais população 1557 e mais eleitores 136.
Foi nesta freguesia, como testemunham as referências mais antigas que foi possível encontrar, que nasceu a primeira oficina de produção de material escolar, pelo homem que se estreava neste sector: Albino Ferreira de Mattos.
JOAQUIM MANEL FERNANDES DE CARVALHO