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segunda-feira, 23 de março de 2020

Suspensão do futebol

A época 2019/2020 ficará para sempre lembrada como a época em que o futebol parou!
Há cem anos atrás, o país que fez nascer o futebol e que já tinha constituídos campeonatos nacionais desde 1871, retomava o futebol após uma paragem entre 1915/1919, aquando da Primeira Grande Guerra Mundial, onde os profissionais de futebol (já existentes) trocaram a camisola e os calções pela farda militar. Na época de 1919/1920 o futebol regressou, com o West Bromwich Albion a vencer pela sua única vez na história o título máximo em Inglaterra. Nessa época militavam na Primeira Divisão Inglesa nove equipas que hoje estão na Premier League: Arsenal, Aston Villa, Chelsea, Everton, Liverpool, Manchester City Manchester United, Newcastle e Sheffield United.
Contudo nem tudo foi mau neste período de suspensão forçado do futebol no início do século XX, houve um aspecto positivo, o futebol feminino. Como os estádios ficaram vazios, mas a paixão pelo futebol continuou, coube às mulheres invadir os relvados e fazer vibrar os amantes do futebol. O êxito foi de tal ordem que no ano de 1917, na final da Challenge Cup em Middlesbrough, o jogo entre as Blyth Spartans contra as Teeside, com a vitória das Spartan por 5-0, teve uma assistência de cerca de 22 mil pessoas! Números muito acima das médias duma Liga Nos. Era o nascimento glorioso do futebol feminino em Inglaterra...era, mas acabou não sendo, porque esta concorrência foi vista de mau tom pelo patriarquismo do futebol quando a guerra terminou, e a FA (Federação Inglesa) proibiu o futebol feminino em 1921, mantendo-se esta proibição até ao início da década de 70 do século passado.
Hoje não temos futebol, tudo foi suspenso, mas antes de chegarmos a este ponto, recorreu-se aos jogos à porta fechada, que infelizmente não são um inédito no mundo do futebol, sendo novo apenas o motivo. Até hoje, o motivo dos jogos sem adeptos estava enraizado nos próprios adeptos. Esta ideia de punir adeptos colocando-os fora dos estádios, nasceu na edição da extinta Taça das Taças da época de 1980/1981 vencida pelos georgianos do Dinamo de Tbilisi. Nesse ano, no mês de Junho, a vizinha Espanha viveu algo inédito, uma final entre uma equipa principal contra a sua equipa B. O estádio Santiago Bernabéu recebeu a final da Copa do Rei que opôs a equipa da casa, o Real Madrid contra a outra equipa da casa, o Castilha (Real Madrid B). Numa das taças mais fáceis de vencer pelos merengues, o resultado final foi de 6-1. Apesar disso, Castilha ganhou a possibilidade de participar na Taça das Taças, onde encontrou os ingleses do West Ham. Na deslocação a Madrid, a 17 de Setembro de 1980, os londrinos provocaram vários desacatos, tendo como consequência maior a morte dum jovem inglês. A UEFA reagiu e pela primeira vez na história aplicou um jogo à porta fechada, quando muitos esperavam que o clube apenas fosse jogar num estádio distante de Londres. A título de curiosidade, nesta edição desta competição em que se inventou o jogo à porta fechada, o participante português, o Benfica alcançou as meias finais, onde foi eliminado pelo FC Carl Zeiss Jana da RDA, após curiosamente ter eliminado o Fortuna Dusseldorf da outra Alemanha, a RFA.
Hoje o mundo do futebol está triste sem as suas equipas e os seus ídolos a jogar, mas o motivo é por demais compreensível e justo! Que este momento seja uma reflexão para que ultrapassada esta crise, nunca mais o futebol seja suspenso ou vedado a adeptos por motivos de violência, racismo e intolerância, e que a única coisa que se perca no futebol sejam jogos, taças e títulos, e nunca a educação, a compreensão e acima de tudo, a vida!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

terça-feira, 3 de março de 2020

Os Maregas dos "pequenos"

Canach é uma pequena vila luxemburguesa onde podemos encontrar um clube chamado F C Jeunesse Canach, que já foi treinado por um conhecido dos freamundenses, Oseias que foi um dos protagonistas da subida do S C Freamunde à Segunda Liga em 2007. Mas o que une esta cidade a este clube, a Freamunde e ao título deste artigo, é o facto de no plantel actual do Jeunesse Canach, a actuar na segunda divisão luxemburguesa, perfilarem 2 antigos jogadores do Freamunde, vítimas de insultos racistas em 2014, o camaronês Nana K e o costa-marfinense Dally.
O primeiro, Nana K, após descida do Freamunde ao Campeonato Nacional de Seniores, rumou para o Salgueiros, equipa que ficou na mesma série do Freamunde. No dia 19 de Janeiro de 2014, o Salgueiros foi visitar o Boavista, que brigava com o Freamunde pela liderança da série. Nesse jogo, após o árbitro João Pinheiro ter expulsado Bobô (actualmente no Tirsense) por falta sobre Nana K, os adeptos boavisteiros não pouparam o camaronês e injuriaram o atleta durante o resto do jogo, tendo o mesmo jogador escrito nesse dia nas redes sociais que tivera um dos piores dias da sua vida. No dia seguinte, na imprensa tivemos um único jornal que colocou um pequeno recorte que dizia: "nota negativa para os cânticos racistas entoados pelas claques da casa, dirigidas ao camaronês Nana K". E a história acabou aqui.
Em 21 de Dezembro do mesmo ano, no jogo Chaves-Freamunde, correu mundo o vídeo do festejo ortodoxo do avançado freamundenseDally, que após marcar o golo do empate, baixou os calções em direcção à claque flaviense. A reacção inusitada do coste-marfinense que foi partilhada mundo fora, não era mais do que uma reacção não pensada aos vários insultos racistas que o tinham como alvo. Dally acabaria expulso pelo mesmo árbitro que amarelou Marega no jogo Vitória-Porto, Luís Godinho. Desta vez o caso não foi esquecido, e em Julho de 2015, o Desportivo de Chaves haveria de ser castigado com um jogo à porta fechada e 7.140 euros de multa. O clube flaviense não recorreu da decisão e pediu desculpas ao Freamunde e ao atleta, num comunicado onde também citou não ser m clube racista ne xenófobo. E a história acabou aqui.
Dally e Nana K são exemplos da mesma dimensão humana de Marega, mas como desportivamente reportavam a clubes pequenos, nunca tiveram o seu devido tratamento. Infelizmente as histórias de Dally, Nana K e de muitos acabaram esquecidas, mas se tivessem sido levados a sério, com a tomada de medidas, talvez o caso Marega não existisse. Este domingo, beneficiando dos holofotes dos clubes grandes, Marga colocou a nu os comportamentos racistas que outros sozinhos tiveram de sofrer durante aqueles 90 minutos, que são rvividos em muitas noites mal dormidas ao sabor da injustiça e da desumanidade. Ao sair de campo, o maliano fez justiça e deu voz a todos os Maregas dos "pequenos"!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" EDIÇÃO DE 20 DE FEVEREIRO DE 2020

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Capão cada vez com mais procura

MANUEL BESSA, COM UMA DAS 60 AVES, TEM CLIENTES DE TODO O PAÍS
PAÇOS DE FERREIRA ACOLHE, ATÉ AO PRÓXIMO DIA 13, A SEMANA GASTRONÓMICA DO CAPÃO A FREAMUNDE
TRADIÇÃO  Durante 14 dias, o Capão à Freamunde vais ser servido em 14 restaurantes do concelho de Paços de Ferreira, na 14ª Semana Gastronómica do Capão à Freamunde. Ao longo dos anos, esta iguaria única tem conquistado pessoas de todo o país e tem já como embaixadores vários chefs portugueses, entre os quais, este ano, o chef estrela Michelin Diogo Rocha.
Cozinhado de forma tradicional, assado no forno e acompanhado com batatas assadas e grelos, o capão à Freamunde tem alguns segredos que não são revelados. "Mas o tempero, o tempero de confeção , que é de quatro horas, e o recheio, não podem ser descurados", afirmou ao JN Vitor Brito, proprietário do restaurante Areia, o vencedor do Melhor Capão de 2017, no concurso que encerra a Semana Gastronómica.
Apostado em "produtos de qualidade", o proprietário afirma que o interesse por esta ave, que é um ex-líbris do concelho pacense, "tem crescido e começa a prolongar-se durante todo o ano e não só por ocasião do Natal", ou da Feira de Santa Luzia, conhecida como a Feira dos Capões, que acontece em Freamunde no dia 13 de dezembro.
No seu restaurante, Vítor Brito só serve capões certificados pela Associação de Criadores de Capão de Freamunde, "de preferência com cinco quilos, no máximo, para a carne ser mais tenra". No restaurante, um capão, para oito pessoas, é vendido por 130 euros.
VÍTOR BRITO GANHOU PRÉMIO PARA O MELHOR CAPÃO EM 2017
SEISCENTOS POR ANO
Durante o ano, os 20 associados certificados da Associação de Criadores de Capão produzem cerca de 600 aves. Desde 2015, altura em que o produto foi certificado pela Comissão Europeia, com a denominação de Indicação Geográfica Protegida (IGP), a produção aumentou gradualmente, tendo registado um aumento de 20% no último ano.
Manuel Bessa, tem 49 anos e cria capões há 18. Tem atualmente 60 aves, "todas certificadas", para vender nesta época natalícia. "Mas agora, com a certificação e com uma maior procura do produto, já conseguimos vender capão o ano inteiro e para todo o país", diz com agrado. O capão "é cada vez mais procurado" e Manuel Bessa cria 200 por ano. É vendido a 70 euros a unidade.
JORNAL DE NOTÍCIAS - EDIÇÃO DE 30 DE NOVEMBRO DE 2019

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Clube de Atletismo Andatrilhos de Freamunde

O RENASCER DO ATLETISMO
O C A Andatrilhos de Freamunde  nasceu em 2015 e inicialmente correspondia a um grupo de amigos apaixonados pelo Trail Running, tornando-se um clube oficial em 2017. A maior visibilidade deste clube deu-se com a organização da prova Trail Foge Foge Capão, já na sua terceira edição. Esta prova tornou-se na primeira e na única prova de Trail Running certificada pela ATRP, organismo autónomo da Federação Portuguesa de Atletismo para esta modalidade. A prova para além do carácter competitivo, atraindo já campeões nacionais, tem o objectivo de promover o Capão de Freamunde percorrendo várias freguesias da Região do Capão de Freamunde. Apesar do número crescente de atletas na prova, chegando este ano a ultrapassar os 800 atletas inscritos, o objectivo do clube assenta na qualidade e não na quantidade. A satisfação de quem visita Freamunde e percorre os seus recantos constitui o âmago desta iniciativa.
Para além deste evento, o clube lançou em 2018 a sua Academia de Atletismo sob direcção do professor André Pinto, a quem o crédito da luta pelo atletismo no concelho é algo reconhecido pela comunidade freamundense. A academia de atletismo é direcionada aos escalões de formação da modalidade, mais precisamente a crianças dos 9 aos 17 anos de idade. Neste momento são realizadas 3 sessões de treino semanais, às terças, quartas e sextas, no pavilhão da EB 2, 3 Dr. Manuel Pinto Vasconcelos, em Freamunde. Além dos treinos, na presente época desportiva, o CAAF irá participar em provas de atletismo da Associação de Atletismo do Porto. A estreia competitiva dos jovens do clube aconteceu neste último fim-de-semana.
O principal objetivo através da academia de atletismo é possibilitar que as crianças e jovens tenham uma formação desportiva multidisciplinar, como tal é promovido o contacto com todas as disciplinas que o compõe. Além disso, não se deixa de fazer uma breve incursão pela prática de outras modalidades, proporcionando ao trabalho desenvolvido pela academia uma também vertente multidesportiva. Com esta dinâmica existe o objetivo supremo de permitir às crianças e jovens atletas, adquirirem uma literacia motora o mais abrangente possível, que possa no futuro resultar no seu bem-estar físico e mental, e se possível, também ser um fator potenciador do rendimento desportivo.
Por fim, o CA Andatrilhos não foge às suas origens, e mantém as suas participações da sua equipa sénior em várias provas de trail running pelo país, levando consigo o nome de Freamunde e trazendo das provas experiências muito gratificantes que vão para além dos desafios desportivos, passando pelo contacto único e retemperador.
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

300 anos de Capão, um sucesso (in)esperado!

Quando no ano de 1719, El-Rei D. João V decretou a realização da Feira do Capão em Freamunde, não imaginaria que três séculos depois, a mesma feira tivesse o impacto e a procura nacional, que hoje conquistou. E certamente também não imaginou que o seu acto desse origem à manifestação cultural e festiva que Freamunde proporcionou no último fim-de-semana passado.
Música, dança, animação de rua, poesia, artesanato, feira de animais e claro...os capões, foram estes os motivos de atracção desta feira à moda antiga, que trouxe ao centro de Freamunde milhares e milhares de pessoas, tornando este evento um sucesso que excedeu as melhores expectativas que os mais generosos apontavam.
Paralelamente ao êxito visível aos olhos de todos os que visitaram a feira, é obrigatório referir o sucesso da organização. Centralizada na Junta de Freguesia, a organização soube reunir em seu redor as diversas associações de Freamunde, numa sinergia ímpar e produtiva, dando à expressão: "a união faz a força" o seu fiel sentido.
No evento propriamente dito, destaques para Daniel Pereira Cristo, Retimbrar e os Galandum Galundaina, nomes fortes do evento que confirmaram mais uma vez o seu valor na revitalização dos sons tradicionais, transmitindo na perfeição o espírito desta feira. E muito, muito mais se poderia escrever sobre esta feira dinâmica e imparável.
Os capões voltam a 13 de Dezembro, mas para o ano, por culpa dos 300 anos que mexeu Freamunde duma ponta à outra, todos anseiam pelos 301 anos de Capão de Freamunde!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"
FOTOGRAFIAS: FACEBOOK

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

300 anos de Capão

No próximo mês de Setembro, nos dias 13, 14 e 15, Freamunde irá comemorar os 300 anos da Feira dos Capões, um dos maiores ex-libris da região, com a realização duma Feira à Moda Antiga, que pretende recriar tradições e costumes fazendo uma viagem cronológica pela História.
O evento transportará os seus visitantes a uma viagem no tempo para conhecerem as raízes desta feira, com a recriação histórica do ambiente vivido nesses tempos antigos com música, dança, teatro e animação de rua, demonstrações de ofícios, feira de animais entre outras actividades. A iniciativa é levada a cabo pela Junta de Freguesia de Freamunde, com a colaboração de diversas associações freamundenses, e da Câmara Municipal, que juntaram a este projecto que promete criar um marco cultural e histórico.
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Em memória de Fernando Vasconcelos

A história política de Paços de Ferreira, do distrito e do país ficou mais pobre. Fernando Manuel Torres Matos de Vasconcelos, aquele que foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, eleito após o 25 de Abril, morreu aos 87 anos, no passado dia 12 de Julho, na sua terra natal, Freamunde.
 
Fernando Manuel Torres Matos de Vasconcelos, nasceu em Freamunde a 21 de Janeiro de 1932 e foi uma figura incontornável do panorama político e associativo do concelho de Paços de Ferreira.
Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, frequentou e completou os estudos secundários no Liceu Alexandre Herculano no Porto e com 17 anos foi admitido na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Treze anos depois de estar a exercer Medicina cumpriu o serviço militar obrigatório, sendo admitido em 1975 no quartel de Mafra, passando a exercer Medicina no Hospital Militar de Lisboa.
Ao longo de uma vida recheada de luta e de sucesso, foi Delegado de Saúde do concelho de Paços de Ferreira e director dos Centros de Saúde de Paços de Ferreira e de Freamunde.
Na vida política, Fernando Vasconcelos foi fundador da Frente Democrática nos primeiros meses após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, assumindo funções a 20 de Janeiro de 1977, sendo sucessivamente eleito durante os quatro mandatos consecutivos.
Foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira em 1993, função que desempenhou durante três mandatos consecutivos. Foi ainda deputado da Assembleia da República na IV legislatura (1985 a 1987) e Governador Civil do Porto - nomeado por resolução do Conselho de Ministros a 4 de Janeiro de 1988, função que exerceu cerca de dois anos.
Além da vida profissional e das funções políticas, Fernando Vasconcelos foi dirigente associativo de diversas colectividades do concelho pacense, sendo o actual presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Paços de Ferreira, chegou a integrar a direcção do Sport Clube de Freamunde e envolveu-se em diversas outras associações locais.
Dedicou muito da sua vida à comunidade local e envolveu-se em muitas iniciativas que notabilizaram o concelho. Era apontado por muitos como "um humanista, na luta por uma sociedade livre, justa e democrática", sendo hoje uma personalidade de relevo na comunidade pacense.
Por ocasião do 181º aniversário do Concelho de Paços de Ferreira, em 2017, o ex-autarca foi distinguido pelo Município com a Medalha Municipal de Honra - Grau Ouro.
JORNAL IMEDIATO

terça-feira, 30 de julho de 2019

Sebastianas, a festa das multidões

As Sebastianas terminaram e ninguém conseguiu ficar indiferente a elas. A cada ano que passa a multidão que invade o centro de Freamunde aumenta e aumenta.
Apesar dos momentos musicais terem criado autênticas atmosferas de puro festival de música com Carlão, Raquel Tavares, Agir e Quim Barreiros, aos quais se seguiram  Afrobrothers, Bispo, Deejay Tello e Deedz B, Fauvrelle, Alexia, Kevu e Dj Ride até ao raiar do dia...não foi por eles que a multidão se juntou.
Apesar das inúmeras comissões de festas Sebastianas terem homenageado os antigos festeiros desta festa quase bicentenária, para depois os Tocá Rufar darem o ritmo para mais uma noite de bombos onde o Bombo foi de todos, com destaque para elas que formaram uma mancha rosa bem visível e audível...não foi por eles, nem por elas que a multidão se juntou.
Apesar de não ter havido vacas de fogo, e apesar dos espectáculos pirotécnicos terem sido de grande brilhantismo, capaz de aliciar aficionados da pirotécnica de bem longe, para no final exclamarem que foi o melhor espectáculo de sempre...não foi por eles que a multidão se juntou.
Apesar da tradição das bandas musicais se ter mantido, com a presença da Banda 12 de Abril - Travassô, a acompanhar a Banda de Freamunde, atraindo naquela noite de domingo muitos apaixonados da música que se viram incapazes de ficar parados naquele momento em que a Gandarela tocou sobretudo no coração, apesar disso...não foi por elas que a multidão se juntou.
Apesar do sol impiedoso, nada impediu que um quase infinito tapete estendido no chão, digno de ser visto na  parede duma pinacoteca, fosse realizado pelas mãos dos populares, para depois se ver passar uma majestosa procissão recheada de encanto, simbolismo e solenidade, que se estendeu pela noite fora com as capelas de Santo António e São Francisco, e a Igreja Matriz abertas para todos...contudo, não foi pelo sagrado que a multidão se juntou.
Apesar muitos se vestirem de azul à Freamunde, numa noite onde o fogo foi rei, mas a rainha foi a sua grandiosa marcha alegórica, que ao ritmo de bombo e de samba fez desfilar a evolução do mundo produzida pelas hábeis mãos dos artistas locais, colocando o primeiro comboio no concelho, depois de o homem ter colocado o pé na Lua...não por ela nem pela Lua que a multidão se juntou.
Apesar da arte doo spray ter dado um novo brilho à cidade e ter colocado uma vaca de fogo muito simpática no parque de lazer de Freamunde...não foi pelo Putrica que a multidão se juntou.
A multidão apenas se juntou pela soma disto tudo. E mais continuarão a juntar-se a esta festa que encerra em si toda uma tradição que teima em não ser esquecida, e todo um futuro irrequieto que fura a fila para ser o primeiro a chegar às Sebastianas.
Que venham as Sebastianas 2020, para a multidão se juntar de novo!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Ser Freamunde

"Terra de Paz e Protecção" - consagra-nos a etimologia coeva dos Suevos que por aí marcaram indelevelmente a nossa estirpe e a nossa forma de estar no mundo e com os outros. "Terra de Cultura Trabalho e Paz" - acrescentamos nós em tempos mais frescos que nos encravam numa rota que não queremos desviar-nos. "Terra de folia, bairrismo e hospitalidade" - merecia mais o epíteto, para ser integral o perfil psicológico dum povo que muito cedo forjou um objectivo no percurso, tendo o céu como meta.
São estas facetas, quiçá muitas outras a estas sucedâneas que funcionam como adutores e justificações daquilo que fazemos, que erguemos e que mantemos, com denodo e pertinácia. E vem, nessa linha, a prática enraizada de nos engalar- nos para festejar e homenagear um santo que já mereceu uma capela por aí que o tempo, na sua vertigem inexorável, fez desabar. E o sagrado mistura-se com o profano nas festas que nos motivam, sem escandirmos esforços ou protelarmos a nossa oferta.
É este "Ser Freamunde" que nos compele a estar, a dar e fazer que justifica que as festas em honra de São Sebastião, que radicam em tempos imemoriais e de que há relatos do início do século XIX, tenham singrado contra as reviravoltas do calendário e adaptado aos tempos e às vontades, sem eliminar, contudo, a sua essência, o que de mais genuíno tem vencido os tempos.
O elixir da sua longa vida, a tradição sempre remoçada mas nunca adulterada e o crescimento contra as dificuldades e as amolgadelas situam-nos perante um caso, quase singular, que só surpreenderá que não está atento a esta forma peculiar que o "ser Freamunde" comporta e reclama. Assim se compreende que nesta época de crise e excídio, todos comparticipem.
"Ex-ofício", levando a actual comissão a concluir e a confessar que este ano, não sentiu a crise para obter a pecúnia necessária para a concretização do sonho, o sonho que se alimenta e revigora, dum ano para o outro. "É pelo sonho que vamos". Mas também por este orgulho incontido de erguermos "as melhores festas do mundo".
As ruas estão já a ornar-se de roupagens novas - é a festa, a nossa festa, que mistura o cunho da romaria do Norte com o que de moderno vem à liça. E virão milhares de forasteiros erguer connosco, as vozes roucas que não distinguem o dia da noite com auréolas de luz, cor e sons transformados em gritos de euforia e do ser liberto das convenções e do estonteamento da "falha de" nestes tempos do não-ter. Estamos prontos para os recebermos e nos darmos e para coroar o santo de preces para que "a fome, a peste e a guerra", de que é advogado, não nos atinja nem os filhos que geramos neste espaço azul, juncado de pequenos eventos que aureolam e completam o grande evento - as Festas Sebastianas. Porque somos assim. Parafraseando o povo "está-nos na massa do sangue".
E, se alguma dúvida persiste, não hesite, apareça por aí - as nossas portas estão sempre escancaradas. Escancaradas as portas e os corações, num fluxo de alegria e de cultura popular (e não só!) que as décadas multiplicaram e robusteceram.
Porque somos assim. Porque isto é muito mais "Ser Freamunde".
ROSALINA OLIVEIRA
N. B. - No domingo das festas, como todos os anos, é já nomeada a Comissão de cerca de 30 elementos que irão organizar as Sebastianas / 2001. E a sua tarefa começa logo, no primeiro dia após o encerramento das festas. Isto diz-lhe alguma coisa sobre o que é "Ser Freamunde"?   

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Café Teles tem fino e marisco de top no Vale do Sousa

ESPAÇO É GERIDO HÁ 36 ANOS POR DOIS CUNHADOS NUM ESQUEMA DE GESTÃO MENSAL
Os melhores mariscos e finos do Vale do Sousa podem ser encontrados no Café Teles, em Freamunde, no concelho de Paços de Ferreira, garantem os proprietários. O espaço, com mais de 50 anos, é liderado há 36 pelos cunhados Carlos Gonçalves e Manuel Cardoso, que têm muito orgulho na casa que é já uma referência na região e é conhecida pelas suas especialidades em vários pontos do país.
"Esta foi uma aposta ganha", afirma ao JN Carlos Gonçalves, que há 36 anos partilha com o cunhado um esquema de gestão mensal. "Trabalhamos aqui um mês cada um. A cada dia 16 entregamos o café ao outro, com as contas a zero. Isto permite-nos descansar, ter tempo para a família e dedicarmo-nos de corpo e alma ao café, com uma vontade diferente daquela que teríamos se estivéssemos cá os dois diariamente", diz.
A funcionar no centro da cidade de Freamunde, o café Teles é um espaço acolhedor, que funciona diariamente até de madrugada. "Só fechamos na véspera de Natal", conta o proprietário. O horário alargado, as suas especialidades, aliadas aos bons preços, fazem desta casa um espaço bem conhecido na região. "Somos um bom sítio para se comer fora das refeições", acrescenta.
Carlos Gonçalves assegura que os mariscos são "os melhores da região do Vale do Sousa" e apontados por muitos clientes como "melhores que os de Matosinhos". Também as francesinhas e petiscos, os finos - tirados em copos que são tratados com o mesmo cuidado que a carne e os mariscos -, são marcos que distinguem o café de outros estabelecimentos.
Durante o ano, são vendidas centenas de quilos de marisco e cerca de 50 mil litros de cerveja. "Temos muito brio no nosso trabalho e na qualidade daquilo que servimos", assegura Carlos Gonçalves, que, apesar de se sentir realizado com este projecto, continua a querer inovar e a alargar o leque de produtos a apresentar ao cliente.
JORNAL DE NOTÍCIAS - EDIÇÃO DE 11 DE AGOSTO DE 2018  
MANUEL CARDOSO (À ESQUERDA) E CARLOS GONÇALVES

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sebastianas: Capital (do) Simbólico

As Festas Sebastianas são cada vez mais um caso surpreendente de um contexto festivo local que se vai projetando e engrandecendo a nível nacional e até internacional, por meio dos emigrantes, migrantes e novas gerações. 
Para muitos, sobretudo oriundos das gerações mais velhas, são alvo de inveja recalcada, para outros de admiração, para uns quantos âmago do seu existir mas para cada vez mais – no que se refere particularmente às novas gerações – local de encontro, de celebração que vai para além de guerras arcaicas e inusitadas (aos seus olhos por que a história e a vivência lhes escapa) de outros tempos.
Tentando adotar aquilo que tecnicamente se apelida de “visão de helicóptero”, o que suspeito não ser possível no meu caso, uma vez que quando objeto  e analista se confundem tal será inviável,  é meu entendimento que o sucesso destas e o seu resultado para Freamunde e para os Freamundenses, advém, sobretudo, ou até quase unicamente, do capital simbólico que das mesmas  os seus atores e a cidade, como um todo, daí retiram. Isto é, as Festas Sebastianas não permitem significativo aumento da produção de riqueza, de emprego estrutural, de especial dinamização do comércio e muito menos da indústria. Quando muito, permitem um incremento do capital cultural e o acesso dos Freamundenses e visitantes a experiências qualificantes por via dos espectáculos e atividades culturais, parte integrante das Sebastianas.
Então a pergunta: Por que são tão amadas, desejadas e invocadas pelos Freamundenses?
Questão de resposta muito simples. Porque encerram um enorme capital simbólico, porque são móbil fundamental da estrutura identitária Freamundense. Porque são contexto privilegiado de encontro da diáspora Freamundense.
Porque constituem fundamental mecanismo de uma identidade e um autoconceito positivo permitindo a construção de uma narrativa coletiva e (ins) conciente de independência e recusa de adestramento por forças externas e de recusa de uma avaliação externa.  
Estou também convencido que é uma forma de afirmação de um sentido de religiosidade muito entranhado em Freamunde e uma demonstração de resistência à crescente descristianização que se vai assistindo.
Estas permitem que os Freamundenses estabeleçam um diálogo entre o passado, o presente e se projetem no futuro afirmando o seu orgulho de existirem, particularmente quando se assiste à falência de instituições tão “amadas” em Freamunde.
É um dos mais importantes veículos de evocação de uma comunidade de pertença securizante, através da edificação de uma identidade coletiva. Ajudam a atribuir sentido à existência de quem vive em Freamunde ou ama aquela terra. Mais ainda, num mundo crescentemente globalizado são uma oportunidade única de resistir às ameaças – reais ou percecionadas - da aniquilação das singularidades de Freamunde e das suas marcas.
Neste jogo, nesta complexidade de relações, os foliões, os convivas são o elemento que dão sentido a este mecanismo de afirmação deste “pertencimento”.
Não vale a pena tentar racionalizar as explicações sobre o fenómeno porque de um fenómeno humano se trata, muito complexo e que tem muito mais de simbólico, afetivo e emocional do que racional…tal como cada um de nós.
O caminho das Sebastianas está, portanto, sociologicamente assegurado, estando estas obrigadas a algo mais do que o seu natural e sociológico destino. Devem, pois, servir de meio qualificador das suas gentes, não cederem a modas momentâneas vulgarizando-se e procurarem a originalidade assente na tradição (penso que seria muito importante as mulheres serem chamadas a integrar as comissões de festas), serem mecanismo integrador - e não exclusor - de outras freguesias (a este respeito é muito interessante a crescente chamada de pessoas não-residentes em Freamunde para as comissões de festas), cidades e regiões, manterem-se irreverentes e contribuírem para o enriquecer da vida social e cultural de Freamunde e da região norte.
No entanto, urge pensar Freamunde como um todo, urge chamar as suas gentes a redefinir os caminhos e os projectos que pretendem calcorrear para o futuro … É tempo de pensar Freamunde, chamando as suas elites – autóctones ou os seus amantes – à discussão, não esquecendo o pulsar do povo. 
MARCOS TAIPA - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 26 DE JULHO

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Sebastianas...Ó gente da minha terra


Nas Sebastianas 2018 mudaram os palcos e mudaram os divertimentos, mas as maiores mudanças foram aquelas que cada um levou na sua memória para junto daquelas raridades que guardamos com o rótulo de: inesquecíveis!
Com coragem e audácia, a comissão das Sebastianas deslocou o habitual local dos divertimentos para junto das Piscinas, e no seu lugar colocou o palco principal. O resultado foi um tremendo êxito. Os divertimentos passaram a ter um local amplo assemelhando-se a uma feira popular, onde os destemidos saltitam de diversão em diversão.  
PALCO PRINCIPAL
Mas a maior vitória desta edição foi o palco principal. Num espaço maior, Freamunde teve este ano a maior assistência num concerto musical que há memória. Esse momento alto teve como figura central, Mariza! Uma multidão sem fim cobriu todo o recinto, e a voz sentida e límpida da fadista conquistou todos os presentes, num espectáculo emotivo e muito interactivo.
Na habitual homenagem aos festeiros falecidos, a Comissão das Sebastianas 2018 em colaboração com a Associação das Sebastianas, e com o precioso estudo histórico de Joaquim Pinto, introduziram uma novidade com a atribuição de medalhas de 25 anos e 50 anos a todos os festeiros das comissões aniversariantes, que deram o seu contributo de forma a que hoje as Sebastianas sejam uma realidade viva em crescendo. 
PROGRAMA RELIGIOSO
No roteiro religioso, realce-se a Procissão do Mártir São Sebastião com a temática: ‘’Alegrai-vos e escutai’’, num momento muito sentido por todos aqueles que se juntaram a este momento da festividade. A preparação da tradicional procissão contou este ano com uma preparação extra. Todos os jovens da paróquia foram convidados para um work-shop sobre construção de tapetes, transmitindo-se às novas geração as tradições das suas raízes.
MARCHAS ALEGÓRICAS
Outro momento alto das Sebastianas foram as marchas alegóricas. Dedicadas ao tema d’As Belas Artes, os carros produzidos em Freamunde para além de serem o habitual centro das atenções, são também um exemplo sui generis deste tema. Neles combinam-se pintura e escultura, mas apenas ganharam vida quando colocados numa marcha rica em música, teatro e dança. E assim se resume a última grande noite de Sebastianas embelezada com os fogos-de-artifício e com a marcha sempre bela e cativadora. Foi nesta teia bem montada que milhares de foliões viram a noite esvanecer-se num ápice, ficando a sensação que nessa noite, o sol acordou mais cedo… 
"UMA FESTA MUITO GRANDE"
Seabstianas 2018 foi ‘’uma festa muito grande’’, do tamanho das saudades que deixam no seu povo e do tamanho dos dias que faltam para as Sebastianas 2019! Mas para alívio de todos os sebastiões, os trabalhos já iniciaram, e as ideias começam a ser projectadas. Em Freamunde não se nasce festeiro, mas basta receber o bombo no fim da festa, e fica-se mestre por inteiro!  
RICARDO NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 12 DE JULHO DE 2018 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Festas Sebastianas 2018

Receita de sucesso para as melhores festas do país
Estão aí as Sebastianas, misturando emoções, experiências, ritmos e tradições. Com o Mártir São Sebastião no centro da festividade, as Sebastianas, após mais de um século de existência, encontraram a receita do sucesso para se tornarem numa das festas populares mais importantes do país, cativando milhares de participantes, que fazem de Freamunde um local de paragem obrigatória no mês de julho.

SEMANA CULTURAL
Com o início da semana cultural no dia 29 de junho, as Sebastianas abrem as portas com o concerto do setubalense Slow J, que vem confirmando créditos no novo panorama musical português. Recorrendo-se de misturas inovadoras e duma voz única, Slow J não irá passar despercebido ao público freamundense, bem acostumado à diversidade musical. Durante a  semana cultural teremos também o XVI Concurso de Quadras das Sebastianas, a XI Corrida de Rolamentos, o XIII Festival Nacional de Folclore, o espectáculo da ARC Pedaços de Nós, o concerto da Tuna Universitária do Minho, terminando a semana com o tradicional concerto da Banda de Freamunde.
TRES PALCOS
Este ano, o espaço das Sebastianas terá um novo formato, contando com 3 palcos de música, aos quais ainda se somam os palcos das bandas filarmónicas.
No panorama musical, para além dos 3 grandes nomes anunciados na última edição: GNR, Mariza e Anselmo Ralph, as Sebastianas contarão ainda com Mundo Segundo. Vindo de Vila Nova de Gaia, Mundo Segundo irá certamente abrilhantar a noite de dia 5 de julho de todos os aficionados dos Hip-Pop. 
SONS ALTERNATIVOS
Dos sons alternativos dos vários  DJ’s que marcarão presença nesta edição, realce-se a atuação de Branko no dia seguinte. O membro integrante da extinta banda Buraka Som Sistema, que por duas vezes animou Freamunde em edições anteriores, volta a um placo que bem conhece. O mesmo acontece com o antigo membro dos Da Weasel, DJ Glue, que, acabado de lançar o EP Goodies, irá certamente transformar a praça Sagres numa imensa pista de dança, conduzida desde o som do rap underground à electrónica. Voltando aos sons mais tradicionais, o dia de domingo será vivido ao som das bandas filarmónicas de Freamunde e da Trofa, demonstrando que em Freamunde a tradição destas bandas continua bem viva, e com muitos seguidores.
NOITE DE BOMBOS
Na sexta-feira dia 6 de julho, a noite de bombos promete colocar toda a cidade acordada até de madrugada ao som de bombo e caixa. Dos mais novos aos mais velhos, pelo menos nesta noite, todos são tocadores de bombo. Uma tradição bem enraizada entre os locais, que cada vez mais contamina grupos e simples tocadores forasteiros, que se juntam a esta imensa nuvem carregada de batidas e ritmo.
Ainda a toque de bombo, as mulheres freamundenses não se deixarão ficar de fora. À semelhança do ano anterior, espera-se uma enorme maré rosa com mais de meio milhar de tocadoras bem afinadas, que prometem voltar a bater um record do mundo, que já lhes pertence, desde o último ano.
PUTRICA- STREET ART
Surpreendente será também a edição do Putrica deste ano, um evento de Street Art, que tem vindo a refrescar a cidade com pinturas e outros apontamentos artísticos, que, para além da grande aceitação dos freamundenses, vão-se tornando motivo de visita e interesse nesta cidade.
Este ano, o símbolo desta festividade, a vaca de fogo, continuará ausente por impedimentos legais, que se prendem com questões de segurança. Num país, onde touradas são legais, e ainda existem excepções para que se matem touros na arena em nome da tradição, não seria aceitável discutir e criar condições para que as vacas de fogo voltassem a ser uma realidade em Freamunde?
JORNAL " GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 28 DE JUNHO DE 2O18

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Sebastianas em Freamunde anuncia cartaz para 2018

AS FESTAS ESTE ANO TEM COMO TEMA AS "BELAS ARTES"
Mariza, Anselmo Ralph e os GNR, são algumas das apostas culturais que a organização apresenta para a edição de 2018 a ter lugar de 5 a 10 de Julho em Freamunde. O Tema da Marcha Alegórica são as Belas Artes e a Noite de Bombos tem como objetivo bater um recorde de participação.
As Sebastianas são as festas da cidade de Freamunde, celebradas em honra de São Sebastião que decorrem sempre no segundo fim-de-semana de julho. Com mais de 120 anos de história, voltam a colocar Freamunde no roteiro do turismo cultural das Festas de Verão.
Entre os dias 5 e 10 de Julho, dança-se, reza-se, bebe-se, come-se e, como não podia deixar de ser, diverte-se muito numa festa com entrada livre e para todos.
Na quinta-feira, 5 de Julho, a Música começa e o cabeça de cartaz são os GNR, a banda portuense com mais de 35 Anos de carreira que continua a brilhar com as multidões que conquistam. Poucos são os artistas que se podem orgulhar de ter um alinhamento que é um hino à música portuguesa.
Segue-se sexta-feira e a grande Noite de Bombos sai à rua na sua XVI edição. Um dos pontos altos da festa que nasceu da ideia de juntar antigas comissões e todos os que querem tocar bombo livremente apenas pelo gosto. Em 2018 o repto é a participação de ainda mais elementos, em especial de mulheres, para se bater o recorde de 2017.
No dia 7 de Julho, sábado, sobe ao palco, a fadista Mariza, uma das mais aplaudidas estrelas do circuito mundial da World Music. Este ano com um novo álbum, o sétimo da sua carreira, e que promete ser um dos maiores concertos.
No domingo, é o dia da verdadeira essência das Sebastianas: o sagrado e profano dão as mãos, e se à tarde decorre a Procissão em honra de S. Sebastião sobre um tapete de 4km desenhado em fitas de madeira (aproveitadas das empresas de mobiliário da região) que são coloridas de várias cores e resultando numa Pintura única. À noite, Anselmo Ralph aquece os ritmos da festa através de novas músicas, novas letras e várias surpresas em primeira mão a todos os seus fãs neste concerto inesquecível da digressão “Um Em Um Milhão”.
Dia 9 Julho, segunda-feira, dia do emblemático fogo-de-artifício, um dos mais aclamados do Porto e Norte de Portugal a que se segue a Marcha Alegórica, este ano tem como o tema as Belas Artes, invade as ruas da festa. Artes Cénicas, Escolas de Samba, gigantones, grupos de bombos e os carros alegóricos e a sua Escultura, totalmente criados na Oficina da Marcha Sebastianas, por grupos de artistas locais e amigos que com o seu esforço, trabalho e dedicação desenvolvem e tornam esta marcha singular.
Terça-feira é o dia da passagem de testemunho com um último e popular concerto dos Diapasão com Marante na voz. Neste dia comissão de organização passa a pasta os seus quarenta sucessores voluntários.
"Ao acabar a edição de 2018, já se começa o planeamento da próxima"!
Consulte o programa completo no website oficial www.sebastianas.com
Sebastianas 2018 - 5 a 10 de Julho - Freamunde

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Freamunde, 1 - Leixões, 0

Há cinquenta anos, no dia 28 de Janeiro de Janeiro de 1968, no mítico Campo do Carvalhal, o S.C.Freamunde defrontou o Leixões S.C. na categoria de juniores. Um jogo decisivo para as aspirações do clube com vista ao apuramento para o Nacional da categoria. Com uma equipa algo desfalcada na defesa, a equipa conseguiu com muita garra, paixão e amor à camisola, vencer o valoroso adversário recheado de bons elementos. Aos 26 minutos Luís Rego, marcou o golo que garantiu a vitória do Freamunde. 
Crónica do jogo do Jornal de Notícias no dia seguinte ao jogo (foto de cima):
"Jogo em Freamunde. Árbitro: Fernando Leite.
FREAMUNDE: Dias; Quim, Viana I, Viana II e Ribeiro; Santos e Barbosa; Lobo, Martins, Daniel e Luís.
LEIXÕES: Terroso; Alípio, Galrão, Santos e Óscar; Adelino e Alberto; Nicolau, Albertino, Iglésias, Dias da Hora (Quim).
Ao intervalo: 1 - 0. Marcador: Luís (aos 26 minutos).
Vitória certa, pois premeia a equipa que mais lutou pelo triunfo.
O Leixões superou em técnica e força os seus adversários. No entanto, ainda foram os avançados do Freamunde que tiveram à sua mercê mais duas grandes oportunidades de golo, que foram salvas pela rapidez e atenção do defesa Galrão.
Arbitragem com alguns erros."
Luís Rego, autor do golo, no mítico Campo do Carvalhal.
Equipa de juniores do Sport Clube de Freamunde. Luís Rego, o autor do golo, é o primeiro da direita da fila de baixo.
Imagens publicadas na rede social "facebook", pelo nosso conterrâneo Luís Rego, autor do golo deste jogo.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Jovem de Freamunde vence Concurso Europan

Competição destina-se a arquitectos com menos de 40 anos e oferece aos jovens arquitectos a possibilidade de conseguir um trabalho em escala urbana.
O arquitecto Humberto Pereira, de Freamunde, venceu o Concurso Europan com o projecto “ Seed structure: The Production of Happiness”, cuja competição decorreu na Bélgica e contou com a presença de vários países.
Ao Verdadeiro Olhar, Humberto Pereira que tem um gabinete de arquitectura em Freamunde, designado Omatelier, destacou que O Europan é uma “competição bi-anual de projectos urbanos para arquitectos com menos de 40 anos que oferece a jovens arquitectos a possibilidade de conseguir um trabalho em escala urbana, sendo que as propostas vencedoras podem chegar a ser executadas em parceria com as organizações europeias e os municípios locais”.
O Europan foi organizado como uma iniciativa conjunta entre 13 organizações europeias que englobaram países como a Alemanha, Áustria, Bélgica, Croácia, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Noruega, Polonia, Suécia e Suíça.
O tema geral, deste ano, foi “Productives Cities”, as cidades produtivas e dos 13 países em concurso, estiveram envolvidas 40 cidades europeias.
Ao nosso jornal, Humberto Pereira revelou que foi colocado a todos os participantes o desafio de resolverem, com um programa livre, um lote de terreno situado numa antiga zona industrial que se encontra actualmente numa das entradas principais da cidade de Tubize, na Bélgica.
“O projecto que apresentei para o concurso tem como ideia central a felicidade e o tema geral “as cidades produtivas”. Parti do principio que para podermos ter uma cidade produtiva, temos de, numa primeira fase, ter seres humanos felizes e para isso acontecer temos de criar estruturas que possam produzir essa felicidade. Desta forma propus a criação de uma construção central chamada de “Seed of happiness” – Semente da Felicidade. Esta, irá ser directamente um ponto gerador de outros núcleos chamados de Núcleos de Produção que irão dinamizar e criar novas sinergias na cidade. Espero que num futuro próximo, esta «Semente» possa vir a ser «Plantada» noutros locais dando origem a cidades/sítios felizes”, disse.
Referindo-se ao seu projecto que venceu este concurso internacional, o jovem de Freamunde garantiu que “a cidade está intimamente ligada ao ser humano porque sem este a cidade não sobrevive, aliás nem chega a existir.
“Penso que a arquitetura tem de pensar a cidade não só do ponto de vista material (como um conjunto de edifícios, ruas, etc..) mas como algo muito mais profundo e importante, o aspeto imaterial e como é que através da criação de espacialidades podemos melhorar a qualidade de vida do ser humano. Torná-lo feliz”, acrescentou.
Para a cidade de Tubize participaram 19 equipas, mas somente 12 entregaram proposta final.
Humberto Pereira realçou, também, que a distinção que lhe foi atribuída veio marcar uma nova etapa na sua carreira profissional.
“No que toca à responsabilidade esta é a mesma, pois sempre encarei o trabalho de arquitecto como um pensador e criador de espaços que tem a função de melhorar a qualidade de vida do ser humano. Sendo o concurso à escala internacional este está-me a dar mais visibilidade e notoriedade, o que é sempre bom pois é esta qualidade e profissionalismo que pretendo transmitir no omatelier em Freamunde”, frisou, manifestando trabalhou para este concurso com prazer e determinação e com uma ideia muito concreta do queria realmente propor.
“Isso deu-me motivação e fez-me acreditar que seria possível vencer”, afiançou.
Humberto Pereira já tinha concorrido à edição de 2013 do Europan 13, com um colega, tendo ambos sido seleccionados para a shortlist com o projecto Rethinking the Viticultural Landscape- The Market Square as a Patio para a cidade de Santo Tirso, em Portugal.
Falando do seu estilo, Humberto Pereira afirmou não ter um estilo específico de arquitectura.
“Pessoalmente não considero que tenha um estilo específico de arquitectura, porque cada projecto tem diferentes variáveis, condicionantes, etc. Pretendo projectar pensando o processo arquitectónico na sua totalidade, percebendo a construção, não como um objecto espacial para utilizar a curto e médio prazo, mas como um elemento “vivo” onde se deverá entender o seu principio, meio e fim”, asseverou.
Sobre os projectos de arquitectura que vão vingando na Região do Vale do Sousa, o arquitecto manifestou que existem alguns projectos interessantes nesta zona, que apresentam qualidade.
“Contudo penso que há ainda um grande trabalho a fazer a nível urbanístico, a meu ver existe nesta zona uma “confusão” urbanística, ou seja, falta de um planeamento urbano adequado e organizado”, anuiu.
Humberto Pereira está a trabalhar atualmente na ampliação de hotel em Moura no Alentejo e a criação de um complexo de turismo rural na zona de Águeda.
O jovem freamundense em 2016 já tinha ganho uma menção honrosa no concurso internacional LAKA COMPETITION e em 2017 abriu o OMATELIER em Freamunde – Paços de Ferreira, um espaço que definiu como “criativo e dinâmico” e que além de espaço de arquitectura funciona como atelier de artes.
“Temos no atelier uma galeria dedicada à exposição de artes plásticas. Iremos ter mensalmente artistas convidados que irão expor as suas obras neste espaço. O nosso intuito é criar uma dinâmica entre a arquitectura e as artes plásticas e dar a conhecer novos artistas”, afiançou, realçando que dia 15 de Janeiro de 2018 estará patente, no omatelier, a exposição “Rostos de Portugal” do artista Miguel Dias.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

181º aniversário do concelho - Fernando Vasconcelos homenageado

Fernando Vasconcelos
Médico, Fernando Manuel Torres Matos de Vasconcelos, natural de Freamunde, Licenciado em Medicina, Delegado de Saúde, e diretor dos Centros de Saúde, Fundador da Frente Democrática, Presidente da Câmara e da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira; Deputado; Governador Civil do Porto presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Freamunde; Chegou a integrar a direção do SC Freamunde e de outas coletividades.
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 9 DE NOVEMBRO

Carlos Costa premiado em Serpa

O artista plástico freamundense Carlos Costa participou no “VII Prémio Ibérico de Escultura”, patrocinado pela Câmara Municipal de Serpa, e a sua escultura “Levado Pelo Movimento” (190x40x50 cm) foi selecionada e premiada pelo Júri com Menção Honrosa. De realçar que neste concurso houve um 1.º Prémio atribuído ao Escultor Thierri Ferreira e 3 Menções Honrosas. A inauguração da exposição e entrega dos prémios decorreu no dia 4 de novembro e encerrará no dia 3 de dezembro, no Jardim da Biblioteca Municipal de Serpa.
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 9 DE NOVEMBRO

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Banda de Freamunde - quase 200 anos a dar-nos música

À CONVERSA COM LUÍS REGO
A Banda de Freamunde é uma das associações mais antigas do concelho de Paços de Ferreira, sendo 1822 o ano apontado para a sua fundação, de acordo com algumas fontes que nos levam até ao segundo quartel do século XIX, portanto estamos perante uma instituição quase bicentenária, que, no entanto, revela uma vitalidade de fazer inveja à juventude mais azougada da actualidade.
Fomos até Freamunde para conhecer melhor esta “jovem bicentenária/quase” e ninguém mais talhado para nos ciceronear que Luis Rego, o popular Lula, actual Presidente  da Direcção, um freamundense dos quatro costados, que transpira bairrismo por quantos poros o seu corpo tem, e nos fala de coração aberto da Banda, da sua componente popular, da qualidade de músicos e maestros, do empenho dos  dirigentes ( o Zé Maria quase lhe arranca uma lágrima), do seu prestigio no Norte do Pais e mesmo além fronteiras, da tuna, da escola de música, da Gandarela (Ah! A Gandarela!), dos apoios, das dificuldades e das ambições (sempre renovadas).
Fomos até às Escolas de Santa Cruz, mesmo junto da tão cantada Fonte do Agrelo, donde brota a água com o supremo condão de grudar, definitivamente, quem dela bebia/bebe, ao chão freamundense (o modernismo da água canalizada da AGS acabou com este romantismo todo), alegramo-nos/entristecemo-nos por “ver” um velho amigo, daqueles que conseguem libertar-se da lei da morte, ali firme, esculpido por mãos com a alma do húmus comum, e muito tristes continuamos com a degradação da fachada do prédio e do abandono e incúria do espaço envolvente.
O Luis esperava-nos nas traseiras do edifício e lá nos conduziu para a sede da Banda. Então voltámos a sorrir e o caso não era para menos. Entramos na Biblioteca e pudemos ver largas centenas de livros, de variados géneros desde a poesia ao direito, doados por José Carlos Vasconcelos, um dos maiores freamundenses (se não mesmo o maior freamundense, de todos os tempos) no campo da cultura, do jornalismo,do Direito e da intervenção cívica. Passamos ao Museu, onde apreciamos os inúmeros factos da memória bicentenária da instituição e terminamos a visita na sala de ensaios, que nos maravilhou pelas excelentes condições acústicas de que dispõe, fruto da aplicação, no tecto e nas paredes, da mais avançada tecnologia.
Depois, foi uma longa conversa, de que vos deixamos os tópicos que nos pareceram mais interessantes.
Entrada de mulheres na Banda
A entrada de Mulheres na Banda de Freamunde deu-se no dia 24/04/2014 no concerto do 25 de Abril, promovido pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira e pela junta de Freguesia de Freamunde. Nesse concerto foram apresentadas as duas primeiras mulheres a ingressarem na Banda: Raquel Pedra e Patrícia Martins.
Concertos em Festas e Romarias
A Banda de Freamunde, devido à sua qualidade artística, é sempre muito solicitada. Os pedidos surgem de várias zonas do norte do País e por vezes do sul. Nem todas as cidades, vilas ou aldeias têm o privilegio de ter a nossa Banda nas suas festividades, geralmente por motivos financeiros. Neste ano em que completamos 195 anos de existência, 195 anos de atividade ininterrupta, 195 anos a elevar bem alto o nome de Freamunde e do concelho, temos um leque de festas contratadas muito bom. No concelho, atuamos em Freamunde, Ferreira e Carvalhosa. Fora do concelho temos Rio Mau (Vila do Conde), Trofa e Campeã (Vila Real) e no Minho vamos abrilhantar as bonitas festas de Fragoso (Barcelos), Vila Mou (Viana do Castelo), Forjães e Marinhas (Esposende) e Fontão (Ponte de Lima).
Alegrias e Tristezas         
Ao longo da sua existência a Banda de Freamunde viveu momentos brilhantes, tais como as várias idas a França e Espanha, a participação no Batizado Real do 3º filho de D. Duarte  e Dona Isabel, sendo a única Banda convidada, comemoração dos seus 170 anos com  reunião e  concerto de todas as Bandas Militares do País -facto inédito- a festa de homenagem ao maestro Manuel Abreu Neto, o titulo de Instituição de Utilidade Pública, a comemoração dos 190 anos com a publicação do livro do historial da Instituição e a inauguração das atuais instalações. Acontecimento muito triste deu-se em 15/09/1919. Quando a Banda de Freamunde se dirigia com destino a Castelo de Paiva para tocar numa festa que ali se realizava, em Senradelas-Penafiel, a camioneta que transportava os músicos despenhou-se numa ribanceira, tendo morrido um dos executantes de seu nome José Ferreira Rego de 39 anos e ficando feridos quase todos os restantes.
Colaboração da Banda com a Terra
A Bande de Freamunde sempre teve uma relação privilegiada com a sua terra merecendo por isso o carinho de todos os Freamundenses. As suas atuações em acontecimentos que marcam etapas da nossa história coletiva, foram sempre uma nota importante que importa salientar. É que em colaborações várias como dos aniversários da elevação a Vila e Cidade, das instituições como os Bombeiros Voluntários de Freamunde, o S.C. Freamunde, a Associação dos Socorros Mútuos Freamundense, o Grupo Teatral de Freamunde, em Festas religiosas e Procissões, em inaugurações como do Centro Escolar e da Escola Secundária, em Festas de Homenagem, na toponímia das ruas, etc, a Banda foi uma presença constante, fator de embelezamento cultural e de união.
Projectos
Continuar a trabalhar afincadamente para que o bom nível da banda se mantenha (se possível melhorar ainda mais), contratar festas, manter a maioria da estrutura e o bom ambiente que existe, apoiar a Tuna e dar muita atenção e carinho à nossa Escola de Música, além de outras ideias que estão na nossa mente.
Dificuldades financeiras
Existem muitas e variadas, mas felizmente temos a situação mais ou menos controlada, apesar de eu ser um credor habitual. Há alturas em que o dinheiro não chega para certos compromissos e, nessa ocasião tem de haver alguém que abra os cordões à bolsa e não é qualquer um que faz isso, para mais nos tempos que correm. No ano passado a Banda estreou um novo fardamento na Festa de Santo António e como não havia possibilidades financeiras, fui eu, com muito prazer, que o ofereci.
Direcção = paixão e disponibilidade
É preciso sobretudo ter muita paixão, viver o seu dia a dia e ter muita disponibilidade de tempo. Uma Instituição como a Associação Musical de Freamunde já requer tempo e muita dedicação, pois há sempre vários assuntos a tratar em determinados momentos do dia e tem de haver diretores disponíveis. Na atual direção estamos todos livres.
Actual direção vai concorrer às próximas eleições
Felizmente a nosso trabalho é reconhecido por todos os que gostam desta vetusta Associação. Os sócios, músicos e até a própria Cidade tem elogiado o nosso valioso trabalho. Notamos através de várias conversas que querem a nossa continuidade. Com uma ou outra alteração na composição da lista, vamos concorrer às próximas eleições. Freamunde não se pode dar ao luxo de acabar com uma Associação Histórica. Temos a obrigação e o dever de a manter.
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 31 DE AGOSTO DE 2017

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Freamundense completou 102 primaveras

Alfredo Matos completou 102 anos no passado dia 23 de Agosto e o Imediato recorda a sua história de vida já publicada no jornal quando completou o centenário. Porque os bons exemplos devem ser recordados...
A vida deste freamundense é repleta de aventuras e desventuras, acompanhadas pelo paralelismo de uma mudança de pensamento que marcou a história do séc. XX. Tem presente na sua memória o drama da 2ª Guerra Mundial, viveu a evolução do regime de Salazar e ainda a vitória da democracia.
Foi com uma excelente lucidez e um discurso fluido que Alfredo Matos recuou no pensamento e lembrou os seus tempos de infância. "Fui um privilegiado, sabe. Consegui tirar a 4ª classe naquele tempo numa escola particular. O meu padrinho era rico e pagou-me os estudos", lembrou com saudade os tempos que antecederam o início de uma longa caminhada laboral. Em 1926, tinha 11 anos, e já trabalhava como caixeiro, na Rua do Freixo, no Porto. Por lá esteve 3 anos e não mais ficou por causa de uma sova que nunca esqueceu. "Trabalhava para uma tia minha e ela pediu-me para ir para ir ao Campo 24 de Agosto comprar tabaco. Apanhei "boleia" do eléctrico, mas da parte de fora, e quando vi o cobrador aproximar-se tive que saltar para a rua. Acho que desmaiei quando caí, mas a minha tia só soube disto no dia seguinte. Bateu-me, fartei-me de lá ficar, e regressei a Freamunde".
Esta história mirabolante foi decisiva para ingressar na sua grande paixão: a música. Entrou na Banda de Freamunde aos 16 anos e por lá permaneceu até aos 78 anos. "Aprendi a tocar muitos instrumentos, como clarinete, o saxofone e o pratilheiro. Foi uma ligação de 62 anos à banda", sublinha Alfredo Matos. Mas pelo meio ficaram mais experiências no trabalho, primeiro como tamanqueiro e depois como pintor numa fábrica de móveis, onde ficou até atingir a idade da reforma.
RITUAL
Os dias de Alfredo Matos vão passando sempre ao mesmo ritmo. Vive em casa de um filho mas a sua independência é uma condição obrigatória. Levanta-se às 7 horas da manhã e uma hora depois está a tomar o pequeno-almoço. Almoça ao meio-dia e depois segue-se o passeio pelas ruas da cidade de Freamunde. A visita ao Café Teles é um ritual obrigatório depois do jantar. "Vou lá diariamente há 24 anos e já tenho a minha cadeira reservada. Chego por volta das 20 horas e só me vou embora duas horas depois. Tenho sempre a conversa em dia".
AMORES
Alfredo Matos casou-se aos 23 anos com a Gracinda, era uma jovem "muito bonita" e morava perto de sua casa. Tiveram uma vida em comum até aos 65 anos, altura em que uma doença cortou uma relação de onde nasceram cinco filhos e ma extensão de 45 familiares divididos entre netos, bisnetos e trisnetos.
Mas a primeira namorada de Alfredo foi Olinda. "Eu trabalhava como tamanqueiro, tinha 15 ou 16 anos, e ela numa casa como servente. Sempre que eu passava na rua ela vinha espreitar-me à janela, mas o patrão não achou piada e despediu-a porque entendia que estava a perder tempo ao ver-me". Nunca mais a viu até há pouco tempo. "Sabia que ela morava por estes lados e disseram-me que estava internada no Lar André Almeida. Fui visitá-la e perguntei-lhe se me reconhecia. As gargalhadas só vieram quando lembrei a história da janela. Ainda a fui visitar uma outra vez, mas acabou por falecer".
As histórias de Alfredo Matos são intermináveis e mágicas e a sua energia demonstra que muitas outras ainda ficarão registadas num futuro que se espera longínquo.
JORNAL IMEDIATO - EDIÇÃO DE 25 DE AGOSTO DE 2017