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segunda-feira, 23 de março de 2020

Suspensão do futebol

A época 2019/2020 ficará para sempre lembrada como a época em que o futebol parou!
Há cem anos atrás, o país que fez nascer o futebol e que já tinha constituídos campeonatos nacionais desde 1871, retomava o futebol após uma paragem entre 1915/1919, aquando da Primeira Grande Guerra Mundial, onde os profissionais de futebol (já existentes) trocaram a camisola e os calções pela farda militar. Na época de 1919/1920 o futebol regressou, com o West Bromwich Albion a vencer pela sua única vez na história o título máximo em Inglaterra. Nessa época militavam na Primeira Divisão Inglesa nove equipas que hoje estão na Premier League: Arsenal, Aston Villa, Chelsea, Everton, Liverpool, Manchester City Manchester United, Newcastle e Sheffield United.
Contudo nem tudo foi mau neste período de suspensão forçado do futebol no início do século XX, houve um aspecto positivo, o futebol feminino. Como os estádios ficaram vazios, mas a paixão pelo futebol continuou, coube às mulheres invadir os relvados e fazer vibrar os amantes do futebol. O êxito foi de tal ordem que no ano de 1917, na final da Challenge Cup em Middlesbrough, o jogo entre as Blyth Spartans contra as Teeside, com a vitória das Spartan por 5-0, teve uma assistência de cerca de 22 mil pessoas! Números muito acima das médias duma Liga Nos. Era o nascimento glorioso do futebol feminino em Inglaterra...era, mas acabou não sendo, porque esta concorrência foi vista de mau tom pelo patriarquismo do futebol quando a guerra terminou, e a FA (Federação Inglesa) proibiu o futebol feminino em 1921, mantendo-se esta proibição até ao início da década de 70 do século passado.
Hoje não temos futebol, tudo foi suspenso, mas antes de chegarmos a este ponto, recorreu-se aos jogos à porta fechada, que infelizmente não são um inédito no mundo do futebol, sendo novo apenas o motivo. Até hoje, o motivo dos jogos sem adeptos estava enraizado nos próprios adeptos. Esta ideia de punir adeptos colocando-os fora dos estádios, nasceu na edição da extinta Taça das Taças da época de 1980/1981 vencida pelos georgianos do Dinamo de Tbilisi. Nesse ano, no mês de Junho, a vizinha Espanha viveu algo inédito, uma final entre uma equipa principal contra a sua equipa B. O estádio Santiago Bernabéu recebeu a final da Copa do Rei que opôs a equipa da casa, o Real Madrid contra a outra equipa da casa, o Castilha (Real Madrid B). Numa das taças mais fáceis de vencer pelos merengues, o resultado final foi de 6-1. Apesar disso, Castilha ganhou a possibilidade de participar na Taça das Taças, onde encontrou os ingleses do West Ham. Na deslocação a Madrid, a 17 de Setembro de 1980, os londrinos provocaram vários desacatos, tendo como consequência maior a morte dum jovem inglês. A UEFA reagiu e pela primeira vez na história aplicou um jogo à porta fechada, quando muitos esperavam que o clube apenas fosse jogar num estádio distante de Londres. A título de curiosidade, nesta edição desta competição em que se inventou o jogo à porta fechada, o participante português, o Benfica alcançou as meias finais, onde foi eliminado pelo FC Carl Zeiss Jana da RDA, após curiosamente ter eliminado o Fortuna Dusseldorf da outra Alemanha, a RFA.
Hoje o mundo do futebol está triste sem as suas equipas e os seus ídolos a jogar, mas o motivo é por demais compreensível e justo! Que este momento seja uma reflexão para que ultrapassada esta crise, nunca mais o futebol seja suspenso ou vedado a adeptos por motivos de violência, racismo e intolerância, e que a única coisa que se perca no futebol sejam jogos, taças e títulos, e nunca a educação, a compreensão e acima de tudo, a vida!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

terça-feira, 3 de março de 2020

Os Maregas dos "pequenos"

Canach é uma pequena vila luxemburguesa onde podemos encontrar um clube chamado F C Jeunesse Canach, que já foi treinado por um conhecido dos freamundenses, Oseias que foi um dos protagonistas da subida do S C Freamunde à Segunda Liga em 2007. Mas o que une esta cidade a este clube, a Freamunde e ao título deste artigo, é o facto de no plantel actual do Jeunesse Canach, a actuar na segunda divisão luxemburguesa, perfilarem 2 antigos jogadores do Freamunde, vítimas de insultos racistas em 2014, o camaronês Nana K e o costa-marfinense Dally.
O primeiro, Nana K, após descida do Freamunde ao Campeonato Nacional de Seniores, rumou para o Salgueiros, equipa que ficou na mesma série do Freamunde. No dia 19 de Janeiro de 2014, o Salgueiros foi visitar o Boavista, que brigava com o Freamunde pela liderança da série. Nesse jogo, após o árbitro João Pinheiro ter expulsado Bobô (actualmente no Tirsense) por falta sobre Nana K, os adeptos boavisteiros não pouparam o camaronês e injuriaram o atleta durante o resto do jogo, tendo o mesmo jogador escrito nesse dia nas redes sociais que tivera um dos piores dias da sua vida. No dia seguinte, na imprensa tivemos um único jornal que colocou um pequeno recorte que dizia: "nota negativa para os cânticos racistas entoados pelas claques da casa, dirigidas ao camaronês Nana K". E a história acabou aqui.
Em 21 de Dezembro do mesmo ano, no jogo Chaves-Freamunde, correu mundo o vídeo do festejo ortodoxo do avançado freamundenseDally, que após marcar o golo do empate, baixou os calções em direcção à claque flaviense. A reacção inusitada do coste-marfinense que foi partilhada mundo fora, não era mais do que uma reacção não pensada aos vários insultos racistas que o tinham como alvo. Dally acabaria expulso pelo mesmo árbitro que amarelou Marega no jogo Vitória-Porto, Luís Godinho. Desta vez o caso não foi esquecido, e em Julho de 2015, o Desportivo de Chaves haveria de ser castigado com um jogo à porta fechada e 7.140 euros de multa. O clube flaviense não recorreu da decisão e pediu desculpas ao Freamunde e ao atleta, num comunicado onde também citou não ser m clube racista ne xenófobo. E a história acabou aqui.
Dally e Nana K são exemplos da mesma dimensão humana de Marega, mas como desportivamente reportavam a clubes pequenos, nunca tiveram o seu devido tratamento. Infelizmente as histórias de Dally, Nana K e de muitos acabaram esquecidas, mas se tivessem sido levados a sério, com a tomada de medidas, talvez o caso Marega não existisse. Este domingo, beneficiando dos holofotes dos clubes grandes, Marga colocou a nu os comportamentos racistas que outros sozinhos tiveram de sofrer durante aqueles 90 minutos, que são rvividos em muitas noites mal dormidas ao sabor da injustiça e da desumanidade. Ao sair de campo, o maliano fez justiça e deu voz a todos os Maregas dos "pequenos"!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" EDIÇÃO DE 20 DE FEVEREIRO DE 2020

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Clube de Atletismo Andatrilhos de Freamunde

O RENASCER DO ATLETISMO
O C A Andatrilhos de Freamunde  nasceu em 2015 e inicialmente correspondia a um grupo de amigos apaixonados pelo Trail Running, tornando-se um clube oficial em 2017. A maior visibilidade deste clube deu-se com a organização da prova Trail Foge Foge Capão, já na sua terceira edição. Esta prova tornou-se na primeira e na única prova de Trail Running certificada pela ATRP, organismo autónomo da Federação Portuguesa de Atletismo para esta modalidade. A prova para além do carácter competitivo, atraindo já campeões nacionais, tem o objectivo de promover o Capão de Freamunde percorrendo várias freguesias da Região do Capão de Freamunde. Apesar do número crescente de atletas na prova, chegando este ano a ultrapassar os 800 atletas inscritos, o objectivo do clube assenta na qualidade e não na quantidade. A satisfação de quem visita Freamunde e percorre os seus recantos constitui o âmago desta iniciativa.
Para além deste evento, o clube lançou em 2018 a sua Academia de Atletismo sob direcção do professor André Pinto, a quem o crédito da luta pelo atletismo no concelho é algo reconhecido pela comunidade freamundense. A academia de atletismo é direcionada aos escalões de formação da modalidade, mais precisamente a crianças dos 9 aos 17 anos de idade. Neste momento são realizadas 3 sessões de treino semanais, às terças, quartas e sextas, no pavilhão da EB 2, 3 Dr. Manuel Pinto Vasconcelos, em Freamunde. Além dos treinos, na presente época desportiva, o CAAF irá participar em provas de atletismo da Associação de Atletismo do Porto. A estreia competitiva dos jovens do clube aconteceu neste último fim-de-semana.
O principal objetivo através da academia de atletismo é possibilitar que as crianças e jovens tenham uma formação desportiva multidisciplinar, como tal é promovido o contacto com todas as disciplinas que o compõe. Além disso, não se deixa de fazer uma breve incursão pela prática de outras modalidades, proporcionando ao trabalho desenvolvido pela academia uma também vertente multidesportiva. Com esta dinâmica existe o objetivo supremo de permitir às crianças e jovens atletas, adquirirem uma literacia motora o mais abrangente possível, que possa no futuro resultar no seu bem-estar físico e mental, e se possível, também ser um fator potenciador do rendimento desportivo.
Por fim, o CA Andatrilhos não foge às suas origens, e mantém as suas participações da sua equipa sénior em várias provas de trail running pelo país, levando consigo o nome de Freamunde e trazendo das provas experiências muito gratificantes que vão para além dos desafios desportivos, passando pelo contacto único e retemperador.
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

300 anos de Capão, um sucesso (in)esperado!

Quando no ano de 1719, El-Rei D. João V decretou a realização da Feira do Capão em Freamunde, não imaginaria que três séculos depois, a mesma feira tivesse o impacto e a procura nacional, que hoje conquistou. E certamente também não imaginou que o seu acto desse origem à manifestação cultural e festiva que Freamunde proporcionou no último fim-de-semana passado.
Música, dança, animação de rua, poesia, artesanato, feira de animais e claro...os capões, foram estes os motivos de atracção desta feira à moda antiga, que trouxe ao centro de Freamunde milhares e milhares de pessoas, tornando este evento um sucesso que excedeu as melhores expectativas que os mais generosos apontavam.
Paralelamente ao êxito visível aos olhos de todos os que visitaram a feira, é obrigatório referir o sucesso da organização. Centralizada na Junta de Freguesia, a organização soube reunir em seu redor as diversas associações de Freamunde, numa sinergia ímpar e produtiva, dando à expressão: "a união faz a força" o seu fiel sentido.
No evento propriamente dito, destaques para Daniel Pereira Cristo, Retimbrar e os Galandum Galundaina, nomes fortes do evento que confirmaram mais uma vez o seu valor na revitalização dos sons tradicionais, transmitindo na perfeição o espírito desta feira. E muito, muito mais se poderia escrever sobre esta feira dinâmica e imparável.
Os capões voltam a 13 de Dezembro, mas para o ano, por culpa dos 300 anos que mexeu Freamunde duma ponta à outra, todos anseiam pelos 301 anos de Capão de Freamunde!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"
FOTOGRAFIAS: FACEBOOK

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

300 anos de Capão

No próximo mês de Setembro, nos dias 13, 14 e 15, Freamunde irá comemorar os 300 anos da Feira dos Capões, um dos maiores ex-libris da região, com a realização duma Feira à Moda Antiga, que pretende recriar tradições e costumes fazendo uma viagem cronológica pela História.
O evento transportará os seus visitantes a uma viagem no tempo para conhecerem as raízes desta feira, com a recriação histórica do ambiente vivido nesses tempos antigos com música, dança, teatro e animação de rua, demonstrações de ofícios, feira de animais entre outras actividades. A iniciativa é levada a cabo pela Junta de Freguesia de Freamunde, com a colaboração de diversas associações freamundenses, e da Câmara Municipal, que juntaram a este projecto que promete criar um marco cultural e histórico.
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

terça-feira, 30 de julho de 2019

Sebastianas, a festa das multidões

As Sebastianas terminaram e ninguém conseguiu ficar indiferente a elas. A cada ano que passa a multidão que invade o centro de Freamunde aumenta e aumenta.
Apesar dos momentos musicais terem criado autênticas atmosferas de puro festival de música com Carlão, Raquel Tavares, Agir e Quim Barreiros, aos quais se seguiram  Afrobrothers, Bispo, Deejay Tello e Deedz B, Fauvrelle, Alexia, Kevu e Dj Ride até ao raiar do dia...não foi por eles que a multidão se juntou.
Apesar das inúmeras comissões de festas Sebastianas terem homenageado os antigos festeiros desta festa quase bicentenária, para depois os Tocá Rufar darem o ritmo para mais uma noite de bombos onde o Bombo foi de todos, com destaque para elas que formaram uma mancha rosa bem visível e audível...não foi por eles, nem por elas que a multidão se juntou.
Apesar de não ter havido vacas de fogo, e apesar dos espectáculos pirotécnicos terem sido de grande brilhantismo, capaz de aliciar aficionados da pirotécnica de bem longe, para no final exclamarem que foi o melhor espectáculo de sempre...não foi por eles que a multidão se juntou.
Apesar da tradição das bandas musicais se ter mantido, com a presença da Banda 12 de Abril - Travassô, a acompanhar a Banda de Freamunde, atraindo naquela noite de domingo muitos apaixonados da música que se viram incapazes de ficar parados naquele momento em que a Gandarela tocou sobretudo no coração, apesar disso...não foi por elas que a multidão se juntou.
Apesar do sol impiedoso, nada impediu que um quase infinito tapete estendido no chão, digno de ser visto na  parede duma pinacoteca, fosse realizado pelas mãos dos populares, para depois se ver passar uma majestosa procissão recheada de encanto, simbolismo e solenidade, que se estendeu pela noite fora com as capelas de Santo António e São Francisco, e a Igreja Matriz abertas para todos...contudo, não foi pelo sagrado que a multidão se juntou.
Apesar muitos se vestirem de azul à Freamunde, numa noite onde o fogo foi rei, mas a rainha foi a sua grandiosa marcha alegórica, que ao ritmo de bombo e de samba fez desfilar a evolução do mundo produzida pelas hábeis mãos dos artistas locais, colocando o primeiro comboio no concelho, depois de o homem ter colocado o pé na Lua...não por ela nem pela Lua que a multidão se juntou.
Apesar da arte doo spray ter dado um novo brilho à cidade e ter colocado uma vaca de fogo muito simpática no parque de lazer de Freamunde...não foi pelo Putrica que a multidão se juntou.
A multidão apenas se juntou pela soma disto tudo. E mais continuarão a juntar-se a esta festa que encerra em si toda uma tradição que teima em não ser esquecida, e todo um futuro irrequieto que fura a fila para ser o primeiro a chegar às Sebastianas.
Que venham as Sebastianas 2020, para a multidão se juntar de novo!
RICARDO JORGE NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sebastianas: Capital (do) Simbólico

As Festas Sebastianas são cada vez mais um caso surpreendente de um contexto festivo local que se vai projetando e engrandecendo a nível nacional e até internacional, por meio dos emigrantes, migrantes e novas gerações. 
Para muitos, sobretudo oriundos das gerações mais velhas, são alvo de inveja recalcada, para outros de admiração, para uns quantos âmago do seu existir mas para cada vez mais – no que se refere particularmente às novas gerações – local de encontro, de celebração que vai para além de guerras arcaicas e inusitadas (aos seus olhos por que a história e a vivência lhes escapa) de outros tempos.
Tentando adotar aquilo que tecnicamente se apelida de “visão de helicóptero”, o que suspeito não ser possível no meu caso, uma vez que quando objeto  e analista se confundem tal será inviável,  é meu entendimento que o sucesso destas e o seu resultado para Freamunde e para os Freamundenses, advém, sobretudo, ou até quase unicamente, do capital simbólico que das mesmas  os seus atores e a cidade, como um todo, daí retiram. Isto é, as Festas Sebastianas não permitem significativo aumento da produção de riqueza, de emprego estrutural, de especial dinamização do comércio e muito menos da indústria. Quando muito, permitem um incremento do capital cultural e o acesso dos Freamundenses e visitantes a experiências qualificantes por via dos espectáculos e atividades culturais, parte integrante das Sebastianas.
Então a pergunta: Por que são tão amadas, desejadas e invocadas pelos Freamundenses?
Questão de resposta muito simples. Porque encerram um enorme capital simbólico, porque são móbil fundamental da estrutura identitária Freamundense. Porque são contexto privilegiado de encontro da diáspora Freamundense.
Porque constituem fundamental mecanismo de uma identidade e um autoconceito positivo permitindo a construção de uma narrativa coletiva e (ins) conciente de independência e recusa de adestramento por forças externas e de recusa de uma avaliação externa.  
Estou também convencido que é uma forma de afirmação de um sentido de religiosidade muito entranhado em Freamunde e uma demonstração de resistência à crescente descristianização que se vai assistindo.
Estas permitem que os Freamundenses estabeleçam um diálogo entre o passado, o presente e se projetem no futuro afirmando o seu orgulho de existirem, particularmente quando se assiste à falência de instituições tão “amadas” em Freamunde.
É um dos mais importantes veículos de evocação de uma comunidade de pertença securizante, através da edificação de uma identidade coletiva. Ajudam a atribuir sentido à existência de quem vive em Freamunde ou ama aquela terra. Mais ainda, num mundo crescentemente globalizado são uma oportunidade única de resistir às ameaças – reais ou percecionadas - da aniquilação das singularidades de Freamunde e das suas marcas.
Neste jogo, nesta complexidade de relações, os foliões, os convivas são o elemento que dão sentido a este mecanismo de afirmação deste “pertencimento”.
Não vale a pena tentar racionalizar as explicações sobre o fenómeno porque de um fenómeno humano se trata, muito complexo e que tem muito mais de simbólico, afetivo e emocional do que racional…tal como cada um de nós.
O caminho das Sebastianas está, portanto, sociologicamente assegurado, estando estas obrigadas a algo mais do que o seu natural e sociológico destino. Devem, pois, servir de meio qualificador das suas gentes, não cederem a modas momentâneas vulgarizando-se e procurarem a originalidade assente na tradição (penso que seria muito importante as mulheres serem chamadas a integrar as comissões de festas), serem mecanismo integrador - e não exclusor - de outras freguesias (a este respeito é muito interessante a crescente chamada de pessoas não-residentes em Freamunde para as comissões de festas), cidades e regiões, manterem-se irreverentes e contribuírem para o enriquecer da vida social e cultural de Freamunde e da região norte.
No entanto, urge pensar Freamunde como um todo, urge chamar as suas gentes a redefinir os caminhos e os projectos que pretendem calcorrear para o futuro … É tempo de pensar Freamunde, chamando as suas elites – autóctones ou os seus amantes – à discussão, não esquecendo o pulsar do povo. 
MARCOS TAIPA - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 26 DE JULHO

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Sebastianas...Ó gente da minha terra


Nas Sebastianas 2018 mudaram os palcos e mudaram os divertimentos, mas as maiores mudanças foram aquelas que cada um levou na sua memória para junto daquelas raridades que guardamos com o rótulo de: inesquecíveis!
Com coragem e audácia, a comissão das Sebastianas deslocou o habitual local dos divertimentos para junto das Piscinas, e no seu lugar colocou o palco principal. O resultado foi um tremendo êxito. Os divertimentos passaram a ter um local amplo assemelhando-se a uma feira popular, onde os destemidos saltitam de diversão em diversão.  
PALCO PRINCIPAL
Mas a maior vitória desta edição foi o palco principal. Num espaço maior, Freamunde teve este ano a maior assistência num concerto musical que há memória. Esse momento alto teve como figura central, Mariza! Uma multidão sem fim cobriu todo o recinto, e a voz sentida e límpida da fadista conquistou todos os presentes, num espectáculo emotivo e muito interactivo.
Na habitual homenagem aos festeiros falecidos, a Comissão das Sebastianas 2018 em colaboração com a Associação das Sebastianas, e com o precioso estudo histórico de Joaquim Pinto, introduziram uma novidade com a atribuição de medalhas de 25 anos e 50 anos a todos os festeiros das comissões aniversariantes, que deram o seu contributo de forma a que hoje as Sebastianas sejam uma realidade viva em crescendo. 
PROGRAMA RELIGIOSO
No roteiro religioso, realce-se a Procissão do Mártir São Sebastião com a temática: ‘’Alegrai-vos e escutai’’, num momento muito sentido por todos aqueles que se juntaram a este momento da festividade. A preparação da tradicional procissão contou este ano com uma preparação extra. Todos os jovens da paróquia foram convidados para um work-shop sobre construção de tapetes, transmitindo-se às novas geração as tradições das suas raízes.
MARCHAS ALEGÓRICAS
Outro momento alto das Sebastianas foram as marchas alegóricas. Dedicadas ao tema d’As Belas Artes, os carros produzidos em Freamunde para além de serem o habitual centro das atenções, são também um exemplo sui generis deste tema. Neles combinam-se pintura e escultura, mas apenas ganharam vida quando colocados numa marcha rica em música, teatro e dança. E assim se resume a última grande noite de Sebastianas embelezada com os fogos-de-artifício e com a marcha sempre bela e cativadora. Foi nesta teia bem montada que milhares de foliões viram a noite esvanecer-se num ápice, ficando a sensação que nessa noite, o sol acordou mais cedo… 
"UMA FESTA MUITO GRANDE"
Seabstianas 2018 foi ‘’uma festa muito grande’’, do tamanho das saudades que deixam no seu povo e do tamanho dos dias que faltam para as Sebastianas 2019! Mas para alívio de todos os sebastiões, os trabalhos já iniciaram, e as ideias começam a ser projectadas. Em Freamunde não se nasce festeiro, mas basta receber o bombo no fim da festa, e fica-se mestre por inteiro!  
RICARDO NETO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 12 DE JULHO DE 2018 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Festas Sebastianas 2018

Receita de sucesso para as melhores festas do país
Estão aí as Sebastianas, misturando emoções, experiências, ritmos e tradições. Com o Mártir São Sebastião no centro da festividade, as Sebastianas, após mais de um século de existência, encontraram a receita do sucesso para se tornarem numa das festas populares mais importantes do país, cativando milhares de participantes, que fazem de Freamunde um local de paragem obrigatória no mês de julho.

SEMANA CULTURAL
Com o início da semana cultural no dia 29 de junho, as Sebastianas abrem as portas com o concerto do setubalense Slow J, que vem confirmando créditos no novo panorama musical português. Recorrendo-se de misturas inovadoras e duma voz única, Slow J não irá passar despercebido ao público freamundense, bem acostumado à diversidade musical. Durante a  semana cultural teremos também o XVI Concurso de Quadras das Sebastianas, a XI Corrida de Rolamentos, o XIII Festival Nacional de Folclore, o espectáculo da ARC Pedaços de Nós, o concerto da Tuna Universitária do Minho, terminando a semana com o tradicional concerto da Banda de Freamunde.
TRES PALCOS
Este ano, o espaço das Sebastianas terá um novo formato, contando com 3 palcos de música, aos quais ainda se somam os palcos das bandas filarmónicas.
No panorama musical, para além dos 3 grandes nomes anunciados na última edição: GNR, Mariza e Anselmo Ralph, as Sebastianas contarão ainda com Mundo Segundo. Vindo de Vila Nova de Gaia, Mundo Segundo irá certamente abrilhantar a noite de dia 5 de julho de todos os aficionados dos Hip-Pop. 
SONS ALTERNATIVOS
Dos sons alternativos dos vários  DJ’s que marcarão presença nesta edição, realce-se a atuação de Branko no dia seguinte. O membro integrante da extinta banda Buraka Som Sistema, que por duas vezes animou Freamunde em edições anteriores, volta a um placo que bem conhece. O mesmo acontece com o antigo membro dos Da Weasel, DJ Glue, que, acabado de lançar o EP Goodies, irá certamente transformar a praça Sagres numa imensa pista de dança, conduzida desde o som do rap underground à electrónica. Voltando aos sons mais tradicionais, o dia de domingo será vivido ao som das bandas filarmónicas de Freamunde e da Trofa, demonstrando que em Freamunde a tradição destas bandas continua bem viva, e com muitos seguidores.
NOITE DE BOMBOS
Na sexta-feira dia 6 de julho, a noite de bombos promete colocar toda a cidade acordada até de madrugada ao som de bombo e caixa. Dos mais novos aos mais velhos, pelo menos nesta noite, todos são tocadores de bombo. Uma tradição bem enraizada entre os locais, que cada vez mais contamina grupos e simples tocadores forasteiros, que se juntam a esta imensa nuvem carregada de batidas e ritmo.
Ainda a toque de bombo, as mulheres freamundenses não se deixarão ficar de fora. À semelhança do ano anterior, espera-se uma enorme maré rosa com mais de meio milhar de tocadoras bem afinadas, que prometem voltar a bater um record do mundo, que já lhes pertence, desde o último ano.
PUTRICA- STREET ART
Surpreendente será também a edição do Putrica deste ano, um evento de Street Art, que tem vindo a refrescar a cidade com pinturas e outros apontamentos artísticos, que, para além da grande aceitação dos freamundenses, vão-se tornando motivo de visita e interesse nesta cidade.
Este ano, o símbolo desta festividade, a vaca de fogo, continuará ausente por impedimentos legais, que se prendem com questões de segurança. Num país, onde touradas são legais, e ainda existem excepções para que se matem touros na arena em nome da tradição, não seria aceitável discutir e criar condições para que as vacas de fogo voltassem a ser uma realidade em Freamunde?
JORNAL " GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 28 DE JUNHO DE 2O18

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

181º aniversário do concelho - Fernando Vasconcelos homenageado

Fernando Vasconcelos
Médico, Fernando Manuel Torres Matos de Vasconcelos, natural de Freamunde, Licenciado em Medicina, Delegado de Saúde, e diretor dos Centros de Saúde, Fundador da Frente Democrática, Presidente da Câmara e da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira; Deputado; Governador Civil do Porto presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Freamunde; Chegou a integrar a direção do SC Freamunde e de outas coletividades.
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 9 DE NOVEMBRO

Carlos Costa premiado em Serpa

O artista plástico freamundense Carlos Costa participou no “VII Prémio Ibérico de Escultura”, patrocinado pela Câmara Municipal de Serpa, e a sua escultura “Levado Pelo Movimento” (190x40x50 cm) foi selecionada e premiada pelo Júri com Menção Honrosa. De realçar que neste concurso houve um 1.º Prémio atribuído ao Escultor Thierri Ferreira e 3 Menções Honrosas. A inauguração da exposição e entrega dos prémios decorreu no dia 4 de novembro e encerrará no dia 3 de dezembro, no Jardim da Biblioteca Municipal de Serpa.
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 9 DE NOVEMBRO

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Banda de Freamunde - quase 200 anos a dar-nos música

À CONVERSA COM LUÍS REGO
A Banda de Freamunde é uma das associações mais antigas do concelho de Paços de Ferreira, sendo 1822 o ano apontado para a sua fundação, de acordo com algumas fontes que nos levam até ao segundo quartel do século XIX, portanto estamos perante uma instituição quase bicentenária, que, no entanto, revela uma vitalidade de fazer inveja à juventude mais azougada da actualidade.
Fomos até Freamunde para conhecer melhor esta “jovem bicentenária/quase” e ninguém mais talhado para nos ciceronear que Luis Rego, o popular Lula, actual Presidente  da Direcção, um freamundense dos quatro costados, que transpira bairrismo por quantos poros o seu corpo tem, e nos fala de coração aberto da Banda, da sua componente popular, da qualidade de músicos e maestros, do empenho dos  dirigentes ( o Zé Maria quase lhe arranca uma lágrima), do seu prestigio no Norte do Pais e mesmo além fronteiras, da tuna, da escola de música, da Gandarela (Ah! A Gandarela!), dos apoios, das dificuldades e das ambições (sempre renovadas).
Fomos até às Escolas de Santa Cruz, mesmo junto da tão cantada Fonte do Agrelo, donde brota a água com o supremo condão de grudar, definitivamente, quem dela bebia/bebe, ao chão freamundense (o modernismo da água canalizada da AGS acabou com este romantismo todo), alegramo-nos/entristecemo-nos por “ver” um velho amigo, daqueles que conseguem libertar-se da lei da morte, ali firme, esculpido por mãos com a alma do húmus comum, e muito tristes continuamos com a degradação da fachada do prédio e do abandono e incúria do espaço envolvente.
O Luis esperava-nos nas traseiras do edifício e lá nos conduziu para a sede da Banda. Então voltámos a sorrir e o caso não era para menos. Entramos na Biblioteca e pudemos ver largas centenas de livros, de variados géneros desde a poesia ao direito, doados por José Carlos Vasconcelos, um dos maiores freamundenses (se não mesmo o maior freamundense, de todos os tempos) no campo da cultura, do jornalismo,do Direito e da intervenção cívica. Passamos ao Museu, onde apreciamos os inúmeros factos da memória bicentenária da instituição e terminamos a visita na sala de ensaios, que nos maravilhou pelas excelentes condições acústicas de que dispõe, fruto da aplicação, no tecto e nas paredes, da mais avançada tecnologia.
Depois, foi uma longa conversa, de que vos deixamos os tópicos que nos pareceram mais interessantes.
Entrada de mulheres na Banda
A entrada de Mulheres na Banda de Freamunde deu-se no dia 24/04/2014 no concerto do 25 de Abril, promovido pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira e pela junta de Freguesia de Freamunde. Nesse concerto foram apresentadas as duas primeiras mulheres a ingressarem na Banda: Raquel Pedra e Patrícia Martins.
Concertos em Festas e Romarias
A Banda de Freamunde, devido à sua qualidade artística, é sempre muito solicitada. Os pedidos surgem de várias zonas do norte do País e por vezes do sul. Nem todas as cidades, vilas ou aldeias têm o privilegio de ter a nossa Banda nas suas festividades, geralmente por motivos financeiros. Neste ano em que completamos 195 anos de existência, 195 anos de atividade ininterrupta, 195 anos a elevar bem alto o nome de Freamunde e do concelho, temos um leque de festas contratadas muito bom. No concelho, atuamos em Freamunde, Ferreira e Carvalhosa. Fora do concelho temos Rio Mau (Vila do Conde), Trofa e Campeã (Vila Real) e no Minho vamos abrilhantar as bonitas festas de Fragoso (Barcelos), Vila Mou (Viana do Castelo), Forjães e Marinhas (Esposende) e Fontão (Ponte de Lima).
Alegrias e Tristezas         
Ao longo da sua existência a Banda de Freamunde viveu momentos brilhantes, tais como as várias idas a França e Espanha, a participação no Batizado Real do 3º filho de D. Duarte  e Dona Isabel, sendo a única Banda convidada, comemoração dos seus 170 anos com  reunião e  concerto de todas as Bandas Militares do País -facto inédito- a festa de homenagem ao maestro Manuel Abreu Neto, o titulo de Instituição de Utilidade Pública, a comemoração dos 190 anos com a publicação do livro do historial da Instituição e a inauguração das atuais instalações. Acontecimento muito triste deu-se em 15/09/1919. Quando a Banda de Freamunde se dirigia com destino a Castelo de Paiva para tocar numa festa que ali se realizava, em Senradelas-Penafiel, a camioneta que transportava os músicos despenhou-se numa ribanceira, tendo morrido um dos executantes de seu nome José Ferreira Rego de 39 anos e ficando feridos quase todos os restantes.
Colaboração da Banda com a Terra
A Bande de Freamunde sempre teve uma relação privilegiada com a sua terra merecendo por isso o carinho de todos os Freamundenses. As suas atuações em acontecimentos que marcam etapas da nossa história coletiva, foram sempre uma nota importante que importa salientar. É que em colaborações várias como dos aniversários da elevação a Vila e Cidade, das instituições como os Bombeiros Voluntários de Freamunde, o S.C. Freamunde, a Associação dos Socorros Mútuos Freamundense, o Grupo Teatral de Freamunde, em Festas religiosas e Procissões, em inaugurações como do Centro Escolar e da Escola Secundária, em Festas de Homenagem, na toponímia das ruas, etc, a Banda foi uma presença constante, fator de embelezamento cultural e de união.
Projectos
Continuar a trabalhar afincadamente para que o bom nível da banda se mantenha (se possível melhorar ainda mais), contratar festas, manter a maioria da estrutura e o bom ambiente que existe, apoiar a Tuna e dar muita atenção e carinho à nossa Escola de Música, além de outras ideias que estão na nossa mente.
Dificuldades financeiras
Existem muitas e variadas, mas felizmente temos a situação mais ou menos controlada, apesar de eu ser um credor habitual. Há alturas em que o dinheiro não chega para certos compromissos e, nessa ocasião tem de haver alguém que abra os cordões à bolsa e não é qualquer um que faz isso, para mais nos tempos que correm. No ano passado a Banda estreou um novo fardamento na Festa de Santo António e como não havia possibilidades financeiras, fui eu, com muito prazer, que o ofereci.
Direcção = paixão e disponibilidade
É preciso sobretudo ter muita paixão, viver o seu dia a dia e ter muita disponibilidade de tempo. Uma Instituição como a Associação Musical de Freamunde já requer tempo e muita dedicação, pois há sempre vários assuntos a tratar em determinados momentos do dia e tem de haver diretores disponíveis. Na atual direção estamos todos livres.
Actual direção vai concorrer às próximas eleições
Felizmente a nosso trabalho é reconhecido por todos os que gostam desta vetusta Associação. Os sócios, músicos e até a própria Cidade tem elogiado o nosso valioso trabalho. Notamos através de várias conversas que querem a nossa continuidade. Com uma ou outra alteração na composição da lista, vamos concorrer às próximas eleições. Freamunde não se pode dar ao luxo de acabar com uma Associação Histórica. Temos a obrigação e o dever de a manter.
JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 31 DE AGOSTO DE 2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sebastianas / 17: Já lá vão...

São Pedro, vá lá saber-se porquê?!, nos primeiros dias fez das "suas", ameaçando chuva contínua. Um cabo das "tormentas" para as agitadas gentes de Freamunde. A tempestade amainou e tudo foi dobrado, ressurgindo a esperança. Até o monstrengo Adamastor foi superado pela vontade e querer de um povo, representado pela comissão, que pelas suas festas sentem alegria, orgulho. Por elas são capazes dos maiores sacrifícios, da maior entrega. Força e determinação que ninguém poderá deter. O tal amor à terra, BAIRRISMO.
As iniciativas mantiveram a natureza tradicional, que fazem desta festa a mais "apetecível" do Vale do Sousa.
Mesmo não sendo uma "romaria à antiga" (nada que o pareça...Os tempos mudaram muito), foi bom constatar, para lá da essência religiosa (procissão e missa solene) e das características profanas, bem visíveis no aspecto lúdico (divertimentos, corrida de rolamentos, concentração de vespas (XX edição), concertos musicais, fogo de artifício, marcha alegórica...), a presença de elementos culturais, etnográficos (XII festival de folclore)..., que constituem a matriz deste grande evento.
E Freamunde foi "inundada" por milhares de forasteiros movidos pelo eco das tradições há muito arreigadas e misturadas com a vivência de uma cidade que se quer cada vez mais moderna.
Que desfrutaram de um programa de animação arrojado dirigido às diferentes faixas etárias da população que nele se revê e identifica.
A Semana Cultural, acontecimento louvável, verdadeiramente marcante, ano após ano tem vindo a alargar o leque das suas realizações culturais, recreativas e sociais, num enriquecimento progressivo, sobretudo na diversidade. A Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós, incumbida, já por tradição, da abertura oficial da edição (louve-se a persistência dos entusiastas que mantêm de pé o "Concurso de Quadras", com o número de participantes, oriundos de vários pontos do país, a aumentar gradualmente), Lar da Terceira Idade de Sto. António e Associação Musical de Freamunde, com todas as suas valências, mostraram qualidade e encheram-nos a alma de contentamento. Os concertos de palco foram, sobretudo, efusivos. Os grupos e artistas convidados (Capitão Fausto, Richie Campbell, Sérgio Godinho, C4 Pedro, Grupo Revelação, Kussondulola, Bonga, DJ's até mais não...) tudo fizeram para conseguir estabelecer interação com a enorme mole humana (impressionante a noite de sábado), que, solícita, cooperou na plenitude. Uma autêntica histeria! A folia crescia de dia para dia.
De sexta para sábado, já madrugada dentro, as mulheres (as "nossas" e não só) fizeram ver: eram às centenas (mais de 400), bem ensaiadas, disciplinadas mas eufóricas quanto baste (a cerveja e a caipirinha fazem "milagres", a ribombarem, prolongando a folia até ao romper da aurora. Até que o cansaço as obrigou à debandada.  Não as vacas de fogo, tradição com mais de cem anos, que, este ano, "ameaçadas", se mostraram demasiado tímidas. As "outras", salvo seja, são cada vez mais arrojadas e "provocadoras". Para todos os gostos. Também está bem.
Mais calmo esteve o concerto das bandas de música (Freamunde e Trofa), só "explodindo" o ambiente, verdadeiramente contagiante, com os hinos da opereta "Gandarela", "Freamunde" e a marcha das Sebastianas. Não faltaram os "encores". O povo pede, portanto...
Mas houve mais para contar: os "artistas" da "Putrica", sempre bem vindos, têm cá uma "pinta"!...Os "grafites" são para admirar, registar e guardar. Um sonho!...A autêntica arte urbana patente na fachada da piscina de Freamunde; a edição deste ano de "O Bombeiro d'ouro", foi, em termos organizativos, da responsabilidade da Associação Humanitária local; homenagem, digna, aos festeiros falecidos; entrega de medalhas comemorativas aos ex-membros da organização das Sebastianas de há 25 e 50 anos atrás; alvoradas...Enfim!
Na componente religiosa (tempo de venerar o Mártir S. Sebastião), a procissão continua a figurar como um dos momentos mais marcantes das festividades, arrastando milhares de pessoas, distribuídas pelas principais artérias da cidade, totalmente coloridas pelos contínuos tapetes de flores ou coisa que o pareça. Curiosamente, não são muitas - talvez a tradição, aqui, já não seja o que era - as varandas e janelas adornadas com puras toalhas de linho estendidas.
 A sessão de fogo de artifício de segunda-feira, de efeito multicolor, foi um regalo para a vista porque teve qualidade. Sumptuoso, o adjectivo apropriado para classificar "tamanho" espectáculo. Só os ouvidos é que sofreram de tanto "barulho", no final. Gostos são gostos e como tal não se discutem.
No cortejo alegórico (voltou a marcar pontos), carregado de uma certa simbologia, a que se atribuiu, como temática, o feito revelador, histórico dos nossos navegadores, "Os Descobrimentos", o centro das atenções recaiu sobre os doze carros, todos eles construídos por gente desta terra, com uma dedicação ímpar. Com perfeição a mais. Sim senhor, uma marcha colorida, bem organizada, muito preenchida e que encheu os olhos ao povo, acomodado em tudo quanto era sítio. A cidade rebentou pelas costuras.
Pronto! As luzes já se apagaram. Na memória ficarão os momentos inolvidáveis, dias exuberantes de alegria, intensos, únicos que nos foram proporcionados. Para o ano há mais "Sebastianas", festas sedutoras, "MUITO GRANDES" e que continuam a solidificar uma comunidade que se pretende unida, mais do que nunca.
E então, para a rapaziada da comissão não há duas linhas? Há: simplesmente fantásticos. Ao trabalho de um ano, intenso, juntaram a coragem e o cérebro. Parabéns, malta. Que sirvam de exemplo, em quase todos os sectores (uma ou outra falha, perfeitamente desculpável e natural, não lhes retira o brilho), para os que já andam aí, os novos, numa lufa-lufa a prepararem as próximas "Sebastianas", genuínas festas de bairrismo, bem enraizadas e que fazem parte da memória colectiva deste povo.
JOAQUIM PINTO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 20 DE JULHO DE 217

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sebastianas à porta

Realização ímpar, graças ao bairrismo e dedicação de um punhado de jovens que "as" erguem com o seu trabalho e o seu dinamismo. Dinamismo de que se orgulham pelo dever cumprido, por se terem sentido úteis à causa que serviram.
A tradição teima em manter-se no essencial: laço do passado com o presente. A religião e o profano andam de mãos dadas. Conservam o seu brilho.
A cidade de Freamunde, "vestida a rigor", vai voltar a encher-vos o coração com a simpatia e o calor humano com que o seu povo - folião, por natureza, mas também crente - sempre recebe quem o visita.
Um convite: não fiques em casa, vem daí e junta-te a nós para gozares as Sebatianas com todo o entusiasmo. Entusiasmo que se instala logo no primeiro dia e só acaba no desmanchar dos arcos.
JOAQUIM PINTO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 22 DE JUNHO DE 2017

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Feira de Santa Luzia ou dos Capões

Fotografia captada na Feira dos Capões 2012
Na manhã solarenga do dia 13 do mês corrente (não se cumpriu o adágio: Conceição de sol, Luzia de...sol), Freamunde abriu as portas e recebeu de braços abertos centenas de forasteiros que quiseram manter a tradição histórica documentalmente instituída por D. João V por provisão de 3 de Outubro de 1719.
Satisfazendo "graças" perante a imagem de Santa Luzia, advogada da vista (Queres ver o dia? / Pede a Santa Luzia), a capela de Santo António foi "inundada" de fiéis, imbuídos na crença religiosa, na qual se celebraram duas missas solenes.
Cá fora, sobretudo na tenda junto ao Coreto e que servia a Associação de Criadores de Capão, o "bicho" imperava. A promoção intensificou-se e os "eunucos" e perus resistentes (quantos já não teriam sido vendidos nas vésperas para vários restaurantes da região?!) mostravam credenciais. Este ano, no concurso promovido, contrariando a lógica, a Guidinha perdeu para concorrência de "fora".
O negócio dos tendeiros não foi por aí além. Vá que não vá! As carteiras andam sem "ar" e a mercadoria exposta para uso no Inverno, sobretudo capotes, samarras, botas e camisolas peludinhas..., não serve a juventude, mais virada para os centros comerciais. Nada como umas calças de ganga rasgadas nos joelhos e sapatilhas nos pés.  É a moda, dizem.
Mesmo os "trameleiros" dos contrabandistas acusaram a crise. Só as barracas de comes e bebes se safaram. Que o diga a Comissão de Festas Sebastianas 2017. Na véspera (a tradição está a pegar de tal forma que o espaço já não chega para as encomendas), foi um ver-se-te-avias de rojões com batatas alouradas com "pinga" de se lhe tirar o chapéu. Não faltaram, como não podia deixar de ser, as castanhas quentes e boas. Só poucos lhe chegaram: uma dúzia, dois euros. Chiça! Enfim, foi comer e beber à tripa forra. Tudo ao som do "residente" Mingas e amigos, para animar o ambiente já de si escaldante.
Na noite do dia 12, no salão de festas da "Quinta do Pinheiro", realizou-se, como vem sendo habitual, um jantar de gala. No concurso gastronómico, o conceituado júri apreciou os pratos de capão cozinhado e apresentado por 13 restaurantes concorrentes, premiando a empresa de restauração "Pensão Aidé", de Paços de Ferreira.
Para o ano há mais. É assim em Freamunde. Com chuva ou com sol a tradição é para manter.
JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 22 DE DEZEMBRO

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Jubileu sacerdotal de D. António Taipa

Entrevista a D. António Taipa, Bispo Auxiliar do Porto, publicada no Jornal Gazeta de Paços de Ferreira na edição de 4 de Agosto.
D. António Taipa foi ordenado padre a 15 de Agosto de 1966, na Sé Catedral do Porto, por D. Florentino Andrade e Silva, na altura Administrador Apostólico. Em 21 de Fevereiro de 1999 foi nomeado Bispo Auxiliar do Porto. A ordenação episcopal aconteceu a 18 de Abril de 1999, na Sé Catedral do Porto.
No próximo dia 15 de Agosto comemora o seu jubileu sacerdotal. 50 anos ao serviço da Igreja.
Imagens gentilmente cedidas pelo Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Sebastianas 2016

As Sebastianas já lá vão. Aqui e ali alguns resquícios dos "grandes dias": a estrutura da iluminação, que tardou a mostrar-se, parece não querer despedir-se.
O que dizer, então? As "SEBASTIANAS" não perderam qualidade, mesmo no âmbito da fórmula tradicional.
Salta sempre aos olhos dos mais atentos a passagem da procissão, a marcha alegórica, o fogo de artifício, os concertos de palco, o "combate" entre as filarmónicas...Mesmo exigindo uma ou outra intervenção especializada em alguns aspectos fundamentais, as festas mantiveram a bitola, a excelência a que já nos habituaram.
Por exemplo, o cortejo alegórico, manifestação de cultura e arte, teve na temática escolhida (festa em marcha) um bico de obra para os "arquitectos". Era preciso muita imaginação. Tudo saiu a contento.
A procissão, bonita como sempre, bateu o recorde. Nunca o percurso habitual foi percorrido tão rapidamente como o deste ano. Os andores parecia que voavam! Era o futebol (final do Europeu) a falar mais alto.
As próprias filarmónicas também foram vítimas do "pontapé na bola": viram o concerto nocturno encurtado ma nem por isso deixaram de proporcionar um espectáculo decente, com qualidade, animação e "fair-play". Assim está bem! O fogo de artifício deliciou os milhares de curiosos, de olhos arregalados. Um estrondo!
Quanto aos concertos de palco, é uma injustiça não destacar a exibição do agrupamento "Resistência": simplesmente sensacionais.
Uma palavra final para os "heroicos" membros da comissão de festas que ao longo de um exaustivo ano tudo fizeram para que as Sebastianas, AS MELHORES FESTAS DO NORTE DO PAÍS, mantivessem o estatuto. Parabéns.
Quanto à nova comissão, já os vimos por aí, de mangas arregaçadas, prontos para a luta.
JOAQUIM PINTO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA

sexta-feira, 8 de julho de 2016

As "Sebastianas" já mexem

As Festas ao Mártir São Sebastião estarão a perder as tradições com raízes mais profundas?! Será fruto dos tempos?! Assim como assim - honra seja feita à Comissão - ainda é bem evidente (até quando?!) a carga simbólica da dimensão religiosa, cultural e social que esta herança do passado nos legou. Mas já se notam algumas diferenças. Hoje, o profano está a impor-se de tal maneira que, ou muito me engano, as "Sebastianas" tendem a perder o cariz popular, caminhando assustadoramente para autênticos festivais de Verão. Não sei mesmo, não, onde isto ira parar!
Era bom que se continuasse a enquadrar, como até aqui, a tradição no presente, onde todos, velhos e novos, se possam rever e identificar, mesmo entendendo as "modernices". Isto mudou de tal forma que nada é como dantes, todos sabemos, mas com um pouco de boa vontade, de respeito...
Seja como for, ELAS aí estão, sempre belas e sedutoras. E estarão, por muitos e bons anos, pois por ELAS sentimos alegria e orgulho. Por ELAS somos capazes de tudo: dos maiores sacrifícios, do mais desinteressado contributo...
Chama-se a esta entrega, pelos "vizinhos" elogiada, BAIRRISMO!...
BAIRRISMO (como cheguei a escrever, tempos atrás, neste jornal) que só ressurge com as "SEBASTIANAS"...As Festas, sim (olhem que não estou, infelizmente, enganado!), evidenciam, salvo raras excepções, sinais únicos de pioneirismo e vanguardismo nesta terra. Nas suas realizações não há letargia, comodismo...
Ninguém fica indiferente à forma como "FREAMUNDE" cumpre, recebe quem a visita, como do nada tudo faz.
Querem saber como se exprimiu "gente" importante que por aqui passou durante os grandes dias? Aí vai:
2007: PEDRO BARROSO, o brejeiro cantor  de voz inimitável, sentia-se em casa; sempre pronto para qualquer momento "incendiar", numa onda de ritmo e sedução. Consegui-o. Plenamente. Notou-se bem na tristeza generalizada quando no fim da 15ª(!) música soltou um "OBRIGADO, FREAMUNDE! ADORO-VOS!"
2009: O líder dos BURACA SOM SISTEMA, mal se apresentou perante a moldura humana impressionante, exclamou de forma bem elucidaitva: "FREAMUNDE FAZ UMAS FESTAS DO CARAÇAS!...NUNVA VI NADA ASSIM!..."
2011: JOSÉ CID, durante o espectáculo sério, decente, soltou uma frase que gostosamente e orgulhosamente registamos como patente: "FREAMUNDE, RAINHA DA SIMPATIA".
Porque a boa-vai-ela "são dez (!) dias", tu, forasteiro amigo, vem, não fiques para trás e goza as "Sebastianas" à brava. À "grande e à francesa".
JOAQUIM PINTO - JORNAL "GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Feira de Santa Luzia ou dos Capões

LUÍS PINTO - 1º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
Os serviços de meteorologia avisavam: vai chover no dia de Santa Luzia. Iria confirmar-se o adágio, pois o tempo portou-se bem na festa da Srª da Conceição? Não. São Pedro foi amigo e apenas abriu as torneiras já sol posto e com os tendeiros de regresso a casa.
Só a crendice poderia afastar os milhares de forasteiros deste colorido cartaz regional, este ano estendido por dois dias. Mas alguém, há tempos, lembrou-se de sossegar os espíritos, "cantando": «Vá comprar o seu capão/Dia treze não se importe.../Não ceda à superstição/Treze, em Freamunde, é sorte».
As aves, estendidas em tenda apropriada junto ao Coreto, foram alvo de apreciação por parte do júri entendido que, segundo regras específicas, avaliou o melhor capão vivo no concurso promovido por várias parcerias.
Com a crise que por aí grassa, os feirantes eram aos montes. É certo e sabido que já nada é como dantes: na rua do "Américo" já não se veem os cobertores da Serra da Estrela; nos capotes e nas samarras do "Cardoso da Saudade" - ainda resiste - poucos lhes pegam (a malta jovem está virada para os "shoppings", onde encontram artigo leve, de "marca", pouco se importando com os rigores do Inverno); tamancos, quem os quer?
ARMANDO GONÇALVES - 2º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
Trameleiros, estavam os "contrabandistas". De microfone em riste, falavam pelos cotovelos apregoando a mercadoria: «Pegue lá!...Pegue lá!...Por apenas cinco euros leva quatro almofadas ortopédicas, duas dúzias de pares de meias e ainda estes dois lindos guarda-chuvas». Não faltou quem fosse levado na "onda"!
De bolsos a abarrotar ficaram os tendeiros de "comes e bebes", Comissão das Sebastianas 2016 incluída. O vinho era de estalo e para uns rojões, iscas ou frango assado há sempre uns trocos. Às castanhas é que poucos lhe chegavam. As "quentes e boas" custavam os olhos da cara e o negócio foi fracote.
Na capela de Santo António, onde, na manhã do dia 13, se celebraram duas missas solenes, ninguém podia entrar, sempre "à pinha" de fiéis, cumpridores da promessa, satisfazendo "graças" perante a milagrosa imagem de Santa Luzia, advogada da vista. «Queres ver o dia?/Pede a Santa Luzia».
No festival equestre, realizado nos terrenos adjacentes à piscina municipal, o numeroso público vibrou de entusiasmo com as habilidades dos conjuntos. Não faltou quem notasse a falta do "Dragão", esse dócil e fiel amigo do cavaleiro freamundense, Abílio Ribeiro Gomes. "Dragão", célebre cavalo branco, que durante anos a fio deliciou, com os seus movimentos de verdadeiro "artista", a imensidão de aficionados que possuía. O "Dragão" havia "tombado", há poucos dias, de morte natural.
Pronto, já sabe: Capão, já com processo de certificação, é em Freamunde. Só.
Uma certeza aqui fica: com chuva ou com sol a tradição é para manter.
MARGARIDA MOTA - 3º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
 JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"
FOTOS : FACEBOOK

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sebastianas 2015

MANTEVE-SE A TRADIÇÃO
Viste os milhares de forasteiros, como tu, que nos deram a honra da sua visita nestes dias exuberantes de alegria e de júbilo, cada vez mais buliçosos, atraídos por um programa rico e pelo calor, pela galhardia e hospitalidade desta gente, generosa e franca, que pôs o melhor da sua alma a testemunhar toda a virtude do seu bairrismo, que, em tempo de crise, com as carteiras quase vazias, foi capaz dos maiores sacrifícios e, apesar do seu esforço, ainda lhe sobrou alegria a rodos para oferecer aos outros? TRADIÇÃO!...
Viste os inúmeros eventos "sérios" - uma profusão de manifestações de arte e cultura popular da responsabilidade de associações locais - , integrados na Semana Cultural (concurso de quadras, festival de folclore, concentração de vespas, exibição de carrinhos de rolamentos, concertos de coros (Centro Paroquial e Ensemble Vocal), concerto do Grupo de Castanholas (a comemorar 10 anos de existência, que se saúda), Tuna Sénior da AMF, AMAF, Banda de Música...? Já é TRADIÇÃO!...
Viste os espectáculos de palco, sempre em crescendo, onde os "artistas" (uma surpresa agradável, o "nosso" jovem, Rui Taipa, e seu grupo) criaram ambiente de uma forma emocionada perante as imensas plateias, de diferentes faixas etárias, completamente extasiadas, que não arredaram pé até ao último "encore"? TRADIÇÃO!...
Viste na sexta-feira as centenas e centenas de folgazões, sem olhar a idade ou sexo, a ribombarem madrugada dentro, até ao romper do dia, numa intensidade que arrepia? COMEÇA A SER TRADIÇÃO!...
Viste no domingo, dia por excelência para as actividades religiosas, a procissão, que nos remeteu para para as origens da festa, um dos momentos marcantes das Sebastianas, deslumbrante, com os andores ricamente ornamentados, que percorreu as ruas da cidade num percurso nunca alterado no tempo, em contínuo tapete florido e que arrastou um mar de gente, imbuída numa absoluta manifestação de fé? TRADIÇÃO!...
Viste os concertos das filarmónicas ( Freamunde e Pêro Pinheiro), em interessante e salutar despique, num recinto praticamente esgotado, e que a apoteose final (hino das Sebastianas, hino de Freamunde e trechos da opereta Gandarela) até a ti te contagiou? TRADIÇÃO!...
Viste os olhos de milhares de pessoas arregalarem-se perante as sessões sumptuosas, multicolores, estrondosas do fogo de artifício e piro musical e do espectáculo: cultura, trabalho e paz? TRADIÇÃO!...
Viste, perante uma multidão comprimida, a passagem da Marcha - constituída por carros alegóricos (uma autêntica "Volta ao Mundo"), todos eles imaginados e construídos por gente desta terra, com alma de artistas, cheios de simbolismo, beleza e colorido? TRADIÇÃO!...
Viste as imensas vacas de fogo, queimadas já o galo cantava, para delícia dos mais arrojados - tantos, meu Deus, tantos atrás "delas"! - e que obrigaram a algumas correrias, não vá o diabo tecê-las? TRADIÇÃO!...
Viste que, em todos os dias, houve festa rija até ao nascer do sol, de autêntica loucura nos bares e pistas de dança (não sei, mesmo, onde isto vai parar!), onde não faltou de comer com muita cerveja e caipirinha à mistura? Continua TRADIÇÃO!...Mas cuidado!...
Viste, portanto, que as festas ao "Mártir" mantêm-se frescas, sedutoras, eufóricas como nunca, enfim, as "MELHORES"? TRADIÇÃO!...
Podes, pois, ter a certeza que as "SEBASTIANAS", para o ano (já anda num rebuliço a nova comissão), sairão a enobrecer o bairrismo que enche o peito de todos os freamundenses, moldados no trabalho de um punhado de jovens (PARABÉNS à Comissão que agora cessou funções, com o "dever" inteiramente cumprido) que se desdobram dia e noite, durante doze meses, e que representam a força de uma vontade, de um querer, de uma determinação, que ninguém poderá deter.
Esperamos, pois, forasteiro amigo, que fiques, ou continues a ser, cliente da "casa", porque cá estaremos, como sempre, pra te dar o melhor do nosso carácter, da nossa alegria.
JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"