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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Em memória de Fernando Vasconcelos

A história política de Paços de Ferreira, do distrito e do país ficou mais pobre. Fernando Manuel Torres Matos de Vasconcelos, aquele que foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, eleito após o 25 de Abril, morreu aos 87 anos, no passado dia 12 de Julho, na sua terra natal, Freamunde.
 
Fernando Manuel Torres Matos de Vasconcelos, nasceu em Freamunde a 21 de Janeiro de 1932 e foi uma figura incontornável do panorama político e associativo do concelho de Paços de Ferreira.
Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, frequentou e completou os estudos secundários no Liceu Alexandre Herculano no Porto e com 17 anos foi admitido na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Treze anos depois de estar a exercer Medicina cumpriu o serviço militar obrigatório, sendo admitido em 1975 no quartel de Mafra, passando a exercer Medicina no Hospital Militar de Lisboa.
Ao longo de uma vida recheada de luta e de sucesso, foi Delegado de Saúde do concelho de Paços de Ferreira e director dos Centros de Saúde de Paços de Ferreira e de Freamunde.
Na vida política, Fernando Vasconcelos foi fundador da Frente Democrática nos primeiros meses após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, assumindo funções a 20 de Janeiro de 1977, sendo sucessivamente eleito durante os quatro mandatos consecutivos.
Foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira em 1993, função que desempenhou durante três mandatos consecutivos. Foi ainda deputado da Assembleia da República na IV legislatura (1985 a 1987) e Governador Civil do Porto - nomeado por resolução do Conselho de Ministros a 4 de Janeiro de 1988, função que exerceu cerca de dois anos.
Além da vida profissional e das funções políticas, Fernando Vasconcelos foi dirigente associativo de diversas colectividades do concelho pacense, sendo o actual presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Paços de Ferreira, chegou a integrar a direcção do Sport Clube de Freamunde e envolveu-se em diversas outras associações locais.
Dedicou muito da sua vida à comunidade local e envolveu-se em muitas iniciativas que notabilizaram o concelho. Era apontado por muitos como "um humanista, na luta por uma sociedade livre, justa e democrática", sendo hoje uma personalidade de relevo na comunidade pacense.
Por ocasião do 181º aniversário do Concelho de Paços de Ferreira, em 2017, o ex-autarca foi distinguido pelo Município com a Medalha Municipal de Honra - Grau Ouro.
JORNAL IMEDIATO

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Freamundense completou 102 primaveras

Alfredo Matos completou 102 anos no passado dia 23 de Agosto e o Imediato recorda a sua história de vida já publicada no jornal quando completou o centenário. Porque os bons exemplos devem ser recordados...
A vida deste freamundense é repleta de aventuras e desventuras, acompanhadas pelo paralelismo de uma mudança de pensamento que marcou a história do séc. XX. Tem presente na sua memória o drama da 2ª Guerra Mundial, viveu a evolução do regime de Salazar e ainda a vitória da democracia.
Foi com uma excelente lucidez e um discurso fluido que Alfredo Matos recuou no pensamento e lembrou os seus tempos de infância. "Fui um privilegiado, sabe. Consegui tirar a 4ª classe naquele tempo numa escola particular. O meu padrinho era rico e pagou-me os estudos", lembrou com saudade os tempos que antecederam o início de uma longa caminhada laboral. Em 1926, tinha 11 anos, e já trabalhava como caixeiro, na Rua do Freixo, no Porto. Por lá esteve 3 anos e não mais ficou por causa de uma sova que nunca esqueceu. "Trabalhava para uma tia minha e ela pediu-me para ir para ir ao Campo 24 de Agosto comprar tabaco. Apanhei "boleia" do eléctrico, mas da parte de fora, e quando vi o cobrador aproximar-se tive que saltar para a rua. Acho que desmaiei quando caí, mas a minha tia só soube disto no dia seguinte. Bateu-me, fartei-me de lá ficar, e regressei a Freamunde".
Esta história mirabolante foi decisiva para ingressar na sua grande paixão: a música. Entrou na Banda de Freamunde aos 16 anos e por lá permaneceu até aos 78 anos. "Aprendi a tocar muitos instrumentos, como clarinete, o saxofone e o pratilheiro. Foi uma ligação de 62 anos à banda", sublinha Alfredo Matos. Mas pelo meio ficaram mais experiências no trabalho, primeiro como tamanqueiro e depois como pintor numa fábrica de móveis, onde ficou até atingir a idade da reforma.
RITUAL
Os dias de Alfredo Matos vão passando sempre ao mesmo ritmo. Vive em casa de um filho mas a sua independência é uma condição obrigatória. Levanta-se às 7 horas da manhã e uma hora depois está a tomar o pequeno-almoço. Almoça ao meio-dia e depois segue-se o passeio pelas ruas da cidade de Freamunde. A visita ao Café Teles é um ritual obrigatório depois do jantar. "Vou lá diariamente há 24 anos e já tenho a minha cadeira reservada. Chego por volta das 20 horas e só me vou embora duas horas depois. Tenho sempre a conversa em dia".
AMORES
Alfredo Matos casou-se aos 23 anos com a Gracinda, era uma jovem "muito bonita" e morava perto de sua casa. Tiveram uma vida em comum até aos 65 anos, altura em que uma doença cortou uma relação de onde nasceram cinco filhos e ma extensão de 45 familiares divididos entre netos, bisnetos e trisnetos.
Mas a primeira namorada de Alfredo foi Olinda. "Eu trabalhava como tamanqueiro, tinha 15 ou 16 anos, e ela numa casa como servente. Sempre que eu passava na rua ela vinha espreitar-me à janela, mas o patrão não achou piada e despediu-a porque entendia que estava a perder tempo ao ver-me". Nunca mais a viu até há pouco tempo. "Sabia que ela morava por estes lados e disseram-me que estava internada no Lar André Almeida. Fui visitá-la e perguntei-lhe se me reconhecia. As gargalhadas só vieram quando lembrei a história da janela. Ainda a fui visitar uma outra vez, mas acabou por falecer".
As histórias de Alfredo Matos são intermináveis e mágicas e a sua energia demonstra que muitas outras ainda ficarão registadas num futuro que se espera longínquo.
JORNAL IMEDIATO - EDIÇÃO DE 25 DE AGOSTO DE 2017

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Freamundense vence Prémio Vasco Graça Moura

O freamundense José Carlos Vasconcelos, de 76 anos de idade, foi distinguido nesta terça-feira com o Prémio Vasco Graça Moura, e foi elogiado pelo júri do galardão, afirmando que José Carlos Vasconcelos "é um raro exemplo de persistência na imprensa portuguesa de âmbito cultural".
José Carlos Vasconcelos começou a sua atividade jornalística de forma precoce, e em 1960, publicou o seu primeiro livro de poemas (no total, escreveu 10). Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra, e nessa vertente se destacou como dirigente associativo. Depois de terminar a licenciatura em Direito, Vasconcelos ingressou na redação do Diário de Lisboa, foi dirigente sindical e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa, e foi ainda um dos fundadores do seminário 'O Jornal' e seu diretor, assim como da revista Visão, da qual fez parte direção editorial, presidiu também à assembleia geral do Sindicato e do Clube dos Jornalistas, assim como à direção deste último.
O cidadão freamundense ficou ainda marcado no pós 25 de abril de 1974, fazendo parte da direção do Diário de Notícias e da direção de informação da RTP, onde fez o programa literário 'Escrever é luta'.
O poeta, jurista e jornalista recebeu já "todos os prémios de carreira do jornalismo português" e o Prémio Cultura, da Fundação Luso-Brasileira.
Entre as várias instituições às quais pertenceu, refira-se a Comissão de Honra dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, o Conselho Geral da Fundação Calouste Gulbenkian e o Conselho das Ordens Honoríficas Nacionais, e foi ainda comissário do Encontro Internacional Língua Portuguesa, promovido pela União Latina.
Atualmente, José Carlos Vasconcelos faz parte do conselho geral da Universidade de Coimbra, dos conselhos consultivos para a Língua Portuguesa da Fundação Gulbenkian e do Instituto Camões, e é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.
O Prémio Vasco Graça Moura, no valor de 40.000 euros, é uma iniciativa da Estoril Sol, em parceria com o grupo editorial Babel.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sebastianas 2012 - Entrevista ao Jornal Imediato

Quais são as perspetivas das Sebastianas 2012?
Queremos fazer umas festas tão boas como as anteriores e com menos dinheiro. O orçamento para este ano ronda os 260 mil euros, uma redução significativa em relação ao ano anterior, mas como estamos num ano de crise, permite-nos negociar melhor os contratos com as bandas.
As bandas terão o seu destaque mas as marchas são a menina bonita das festas.
  
Quantas pessoas trabalham para as Sebastianas?
Neste momento somos 28 elementos, mas começamos com 40. Há sempre alguém que desiste por motivos pessoais ou profissionais porque alguns têm de trabalhar à noite e torna-se impossível para eles ajudarem como queriam e acabam por desistir.
  
A comissão trabalhou num ano de dificuldades económicas. Sentiram isso nos peditórios?
As maiores dificuldades que sentimos foram nas publicidades. Também não tivemos uma tarefa fácil no peditório. Começámos mais cedo já a prevenir essas dificuldades financeiras e isso obrigou-nos a passar várias vezes nas casas das pessoas para angariar dinheiro, a acabámos por conseguir. Quando começamos a trabalhar sabíamos que íamos trabalhar o dobro para conseguir os valores do orçamento. Mas se no «porta a porta» tivemos sucesso, o mesmo não aconteceu com os empresários, onde aí foi mais difícil de obter patrocínios.

 De onde sai a maior fonte de receita para as Festas?
A maior fatia é dada pelos freamundenses e amigos das Sebastianas. E para além dos peditórios massacrámos as pessoas para comprarem t-shirts porta-chaves, entre outros objetos. As pessoas de Freamunde sabem que trabalhamos para as festas durante um ano completo e por isso retribuem. Reunimo-nos todos os dias das 20:30 até às 2 horas da manhã, mas no final ficamos com a sensação do dever cumprido.

Qual o papel das Sebastianas na região?
As Sebastianas são o maior cartaz cultural do Vale do Sousa e atraem durante os cinco principais dias cerca de 200 mil pessoas. Este ano contamos ter um número aproximado, mas, ao contrário dos anos anteriores, apostamos no equilíbrio das bandas pelos cinco dias, enquanto nos anos anteriores apostava-se numa banda forte e resto era para encher cartaz. Quisemos cimentar os cinco dias de festa, apostando na diversidade musical de qualidade

Um freamundense passa sempre pela comissão de festas Sebastianas?
Já faz parte da cultura de Freamunde e é uma forma de ficar a gostar ainda mais das festas. Quem assume as festas sabe que vai perder um ano da sua vida familiar e profissional. Quando somos festeiros é um ano de regressão particular, mas estamos a trabalhar por uma boa causa.

Passaram por alguma situação insólita neste ano?
Houve um caso que nos marcou. Foi no magusto em que estávamos a contar com 200 pessoas e apareceram mais do dobro. Ainda estávamos no início e tínhamos pouca experiência, mas lá tivemos de nos desenrascar. Arranjámos mais umas mesas e cadeiras e acabámos por acolher todas as pessoas.

Ser festeiro cria laços de amizade?
Podemos dizer que no início não conhecíamos muitos festeiros e agora somos como irmãos. Fazemos as coisas juntas e isso criou um importante laço de amizade. É nisto que as festas são ricas.

Que outras iniciativas organizaram?
Realizámos o torneio de futsal, o S. Martinho, a S. luzia, a Festa do Festeiro e vários leilões. Tivemos ainda uma parceria com a Câmara Municipal no evento «Movimentos» que se realizou em setembro do ano passado, fizemos um torneio de sueca e um Rally Paper, onde conseguimos juntar uma série de equipas e levá-las por todo o concelho de Paços de Ferreira e parte do concelho de Lousada.
Também tivemos a ajuda de associações de Freamunde. A AJAF na corrida de rolamentos, o Pedaços de Nós através de peças de teatro e ainda o GTF.

Querem deixar agradecimentos?
Agradecemos às associações de Freamunde, aos freamundenses, amigos das Sebastianas, Junta de Freguesia de Freamunde e Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Freamunde é a grande montra cultural do concelho e está a crescer a cada ano. Um agradecimento ainda aos nossos fornecedores pela forma como nos ajudam.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cem anos de histórias na memória de Saul

 FREAMUNDENSE CHEGOU AOS TRÊS DÍGITOS
Ouvir um resumo das lembranças de Saul Alves Nogueira Nunes acumulados nos seus 100 anos de vida é um exercício cativante.
O sócio número 1 do Sport Clube de Freamunde chegou à idade dos três dígitos no passado dia 14 de Março e, em conversa com o Imediato, recordou a sua juventude e as dificuldades que, na altura, se alastrava pela maioria das famílias portuguesas. Passou pelas grandes guerras, testemunhou a revolução do 25 de Abril de 1974 e hoje continua atento ao que se passa no exterior e ainda tem forças para ir ao supermercado com as sobrinhas, ficando responsável pelo carrinho de compras.
Optou pela vida de solteiro porque assistiu com amargura a alguns desentendimentos entre os casais e isso afligia-o, mas garante que « não faltavam raparigas a querer namorar comigo».
Começou muito cedo a trabalhar. Tinha apenas 14 anos e era o responsável para sustentar uma família com 7 irmãos. « Sempre fui lavrador e carteiro. Fazia os fretes às pessoas », recordando as longas viagens até Guimarães, Porto ou Felgueiras com o seu carro de bois. «As pessoas pediam para eu lhes levar as coisas para casa e depois davam-me mantimentos. Era um tempo de  fome, mas nunca faltou comida em casa », sublinha Saul, orgulhoso. « Era um tempo desgraçado e trabalhávamos toda a noite, mas sempre que podia ia para a praia », confessa. Aliás, o mar sempre foi uma das suas paixões. « Ia de carreira para a Foz e ficava por lá uma temporada. Gostava de ir à pesca ».
As festas e romarias continuam a fazer parte das suas rotinas.
In Jornal Imediato

sábado, 24 de março de 2012

Notícias de Freamunde

Manuel Pacheco demite-se da liderança do Freamunde
Manuel Pacheco demitiu-se hoje do cargo de presidente da comissão administrativa do SC Freamunde. A falta de apoios por parte da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, que se teria comprometido em pagar uma parte do subsídio em falta, está na base da decisão. Os jogadores estão com dois meses de salários em atraso e não há qualquer solução de liquidez.
O Freamunde atravessa uma grave crise financeira, agravada agora com a demissão de Manuel Pacheco. O presidente demissionário optou pela saída depois de uma reunião fracassada com a autarquia pacense que, ao que tudo indica, se tinha comprometido a pagar parte do subsídio em falta e que seria canalizado para os salários dos jogadores, que já estão com dois meses de atraso.
Com esta solução defraudada, o presidente não tem em mãos qualquer alternativa para resolver o problema dos jogadores pelo que a opção tomada acabou por ser a sua demissão. "Não sou o pai do clube e neste momento não há ninguém que queira ajudar. Esgotou-se-me a paciência e a partir deste momento deixo de ser o presidente do Freamunde", referiu Manuel Pacheco em tom agastado, lembrando que será marcada em breve uma assembleia-geral extraordinária para esclarecer os sócios sobre o estado atual do clube.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Entrevista a Armanda Fernandez

Armanda Fernandez quer revitalizar Associação de Socorros Mútuos de Freamunde

Armanda Fernandez é o rosto da renovada gestão da Associação de Socorros Mútuos de Freamunde. A líder da comissão administrativa assumiu funções com o objetivo de dinamizar a área do mutualismo, só que uma profunda crise financeira está a assombrar o futuro da instituição que está na iminência de dispensar funcionários para reequilibrar as contas. Desde 2002 que os prejuízos anuais rondam os 50 mil euros, colocando em causa o funcionamento do Centro Infanto-Juvenil, uma das valências da Associação.

Numa entrevista ao IMEDIATO, Armanda Fernandez faz um ponto da situação da instituição e antecipa as medidas que terão de ser tomadas para viabilizar o funcionamento pleno de todas as valências que contemplam a Associação de Socorros Mútuos de Freamunde.



O que a levou a assumir a liderança da instituição?

Quando me abordaram para assumir a instituição era no sentido de trabalhar na área do mutualismo porque a instituição tem mais de 100 anos e já foi a salvaguarda de muita gente. Teve o cariz de apoios médicos e medicamentosos. Por isso fazia sentido trabalharmos nessa área.

Mas, para além disso, a associação tem o Centro Infanto-juvenil, que carecia de uma gestão apertada. Longe de mim pensar que as contas estariam naquele estado, mas foi o que nos calhou em mãos e, por isso, tivemos que nos agarrar com unhas e dentes a todo o processo.

 

Como encontraram as finanças do Centro?
Encontrámos, desde logo, muitas dificuldades impostas pela diretora técnica que lá estava. Foi muito contrária à nossa entrada, de tal forma que tive de pegar na lei e perceber o que estava a acontecer, pois na situação em que estávamos não podíamos eleger corpos sociais e acabámos por constituir uma comissão administrativa.
Depois de assumirmos, fizemos um levantamento técnico e financeiro da instituição e percebemos que o equipamento estava a ter prejuízos na ordem dos 50 mil euros anuais, desde que começou a funcionar, em 2002. Aquilo foi sobrevivendo porque as comissões de gestão anteriores aproveitavam a entrada de dinheiros a título de donativos. O buraco existia economicamente, mas era sempre coberto com este tipo de situações.
 
Então o estado da instituição pode ser considerado grave…
Não conhecia as pessoas que lá trabalhavam, mas quando chegámos verificámos que no ano anterior já tinham despedido quatro pessoas. Isto porque o dinheiro começou a faltar e tiveram de despedir pessoal.

Como pretendem estancar a dívida?
O meu compromisso com os associados é de que a gestão corrente a partir de janeiro de 2012 seja sustentável. Com esforço vamos conseguir, mas provavelmente ainda teremos de dispensar excedentários. Em relação às dívidas anteriores, essas terão de ser renegociadas.
 
Têm recebido apoios da autarquia?
Neste momento há uma verba devida pela Camara Municipal que ainda tem a ver com as obras do centro Infanto-juvenil, na ordem dos 13 mil euros. Este valor era importante para negociarmos com o empreiteiro pois temos as salas onde chove no interior e não será intervencionado enquanto não lhe pagarmos.
O próprio presidente da Câmara disse-nos que pagava a verba em agosto, depois foi o vereador o António Coelho a dizer que seria liquidada em Setembro, mas até agora ainda não recebemos nada.
Tentámos também um acordo com o Centro Escolar de Freamunde para as extensões horárias. São necessárias pessoas para assegurarem os prolongamentos dos horários e sugerimos a colocação dos nossos excedentários, só que foi recusada. Penso que era uma solução viável para todas as partes, pois assim seria possível manter as pessoas no ativo.
 
A construção dos centros escolares coloca em causa o funcionamento do Centro?
A abertura dos novos centros escolares foi, na minha opinião, uma gestão abrangente demais, porque não ponderaram a existência de outras instituições, como a nossa.
Neste momento temos mais vagas no pré escolar e menos apoios da segurança social. Colocámos o problema à autarquia porque nestes moldes está em causa a própria instituição e os 30 postos de trabalho. Fizemos ainda um pedido de conversão porque temos capacidade excedente na creche e, por isso, podíamos albergar mais crianças.
A segurança social autorizou, mas o acordo devia ter sido revertido, diminuindo o pré escolar e aumentado a creche. Esta situação iria permitir manter o rendimento da segurança social. Colocámos a questão às entidades responsáveis, mas faltou o forcing para tornar isto uma realidade.
 
Quais são as suas prioridades para 2012?
Quero garantir a sustentabilidade do centro infanto-juvenil para depois me preocupar com a área do mutualismo.
Em relação Centro, temos de encontrar uma solução para as dívidas anteriores, mas as responsabilidades devem ser imputadas a quem as criou.
Somos uma comissão administrativa, e o que está para trás deve ser assumido por quem as fez. A nossa gestão, e foi dito em assembleia geral, passa por colocar o centro a trabalhar de uma forma sustentável, como se estivéssemos no ano zero.
Pretendemos também dar mais benefícios aos associados, pois neste momento apenas existem os subsídios de morte que vão dos 100 aos 2500 euros. Neste momento ser sócio equivale a quase nada e não queremos isso. Vamos fazer uma campanha de angariação de sócios, mas teremos de dar mais, criando acordos com clínicas, farmácias e benefícios no comércio local.
Queremos ainda revitalizar a nossa casa cultural, colaborando com as associações que existem na cidade, através da música ou teatro. Por minha vontade A Associação de Socorros Mútuos nunca fechará. É uma instituição centenária e é pena ter chegado a este ponto. Houve guerrinhas pessoais que só prejudicaram a instituição..

In Jornal Imediato