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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Jovem de Freamunde vence Concurso Europan

Competição destina-se a arquitectos com menos de 40 anos e oferece aos jovens arquitectos a possibilidade de conseguir um trabalho em escala urbana.
O arquitecto Humberto Pereira, de Freamunde, venceu o Concurso Europan com o projecto “ Seed structure: The Production of Happiness”, cuja competição decorreu na Bélgica e contou com a presença de vários países.
Ao Verdadeiro Olhar, Humberto Pereira que tem um gabinete de arquitectura em Freamunde, designado Omatelier, destacou que O Europan é uma “competição bi-anual de projectos urbanos para arquitectos com menos de 40 anos que oferece a jovens arquitectos a possibilidade de conseguir um trabalho em escala urbana, sendo que as propostas vencedoras podem chegar a ser executadas em parceria com as organizações europeias e os municípios locais”.
O Europan foi organizado como uma iniciativa conjunta entre 13 organizações europeias que englobaram países como a Alemanha, Áustria, Bélgica, Croácia, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Noruega, Polonia, Suécia e Suíça.
O tema geral, deste ano, foi “Productives Cities”, as cidades produtivas e dos 13 países em concurso, estiveram envolvidas 40 cidades europeias.
Ao nosso jornal, Humberto Pereira revelou que foi colocado a todos os participantes o desafio de resolverem, com um programa livre, um lote de terreno situado numa antiga zona industrial que se encontra actualmente numa das entradas principais da cidade de Tubize, na Bélgica.
“O projecto que apresentei para o concurso tem como ideia central a felicidade e o tema geral “as cidades produtivas”. Parti do principio que para podermos ter uma cidade produtiva, temos de, numa primeira fase, ter seres humanos felizes e para isso acontecer temos de criar estruturas que possam produzir essa felicidade. Desta forma propus a criação de uma construção central chamada de “Seed of happiness” – Semente da Felicidade. Esta, irá ser directamente um ponto gerador de outros núcleos chamados de Núcleos de Produção que irão dinamizar e criar novas sinergias na cidade. Espero que num futuro próximo, esta «Semente» possa vir a ser «Plantada» noutros locais dando origem a cidades/sítios felizes”, disse.
Referindo-se ao seu projecto que venceu este concurso internacional, o jovem de Freamunde garantiu que “a cidade está intimamente ligada ao ser humano porque sem este a cidade não sobrevive, aliás nem chega a existir.
“Penso que a arquitetura tem de pensar a cidade não só do ponto de vista material (como um conjunto de edifícios, ruas, etc..) mas como algo muito mais profundo e importante, o aspeto imaterial e como é que através da criação de espacialidades podemos melhorar a qualidade de vida do ser humano. Torná-lo feliz”, acrescentou.
Para a cidade de Tubize participaram 19 equipas, mas somente 12 entregaram proposta final.
Humberto Pereira realçou, também, que a distinção que lhe foi atribuída veio marcar uma nova etapa na sua carreira profissional.
“No que toca à responsabilidade esta é a mesma, pois sempre encarei o trabalho de arquitecto como um pensador e criador de espaços que tem a função de melhorar a qualidade de vida do ser humano. Sendo o concurso à escala internacional este está-me a dar mais visibilidade e notoriedade, o que é sempre bom pois é esta qualidade e profissionalismo que pretendo transmitir no omatelier em Freamunde”, frisou, manifestando trabalhou para este concurso com prazer e determinação e com uma ideia muito concreta do queria realmente propor.
“Isso deu-me motivação e fez-me acreditar que seria possível vencer”, afiançou.
Humberto Pereira já tinha concorrido à edição de 2013 do Europan 13, com um colega, tendo ambos sido seleccionados para a shortlist com o projecto Rethinking the Viticultural Landscape- The Market Square as a Patio para a cidade de Santo Tirso, em Portugal.
Falando do seu estilo, Humberto Pereira afirmou não ter um estilo específico de arquitectura.
“Pessoalmente não considero que tenha um estilo específico de arquitectura, porque cada projecto tem diferentes variáveis, condicionantes, etc. Pretendo projectar pensando o processo arquitectónico na sua totalidade, percebendo a construção, não como um objecto espacial para utilizar a curto e médio prazo, mas como um elemento “vivo” onde se deverá entender o seu principio, meio e fim”, asseverou.
Sobre os projectos de arquitectura que vão vingando na Região do Vale do Sousa, o arquitecto manifestou que existem alguns projectos interessantes nesta zona, que apresentam qualidade.
“Contudo penso que há ainda um grande trabalho a fazer a nível urbanístico, a meu ver existe nesta zona uma “confusão” urbanística, ou seja, falta de um planeamento urbano adequado e organizado”, anuiu.
Humberto Pereira está a trabalhar atualmente na ampliação de hotel em Moura no Alentejo e a criação de um complexo de turismo rural na zona de Águeda.
O jovem freamundense em 2016 já tinha ganho uma menção honrosa no concurso internacional LAKA COMPETITION e em 2017 abriu o OMATELIER em Freamunde – Paços de Ferreira, um espaço que definiu como “criativo e dinâmico” e que além de espaço de arquitectura funciona como atelier de artes.
“Temos no atelier uma galeria dedicada à exposição de artes plásticas. Iremos ter mensalmente artistas convidados que irão expor as suas obras neste espaço. O nosso intuito é criar uma dinâmica entre a arquitectura e as artes plásticas e dar a conhecer novos artistas”, afiançou, realçando que dia 15 de Janeiro de 2018 estará patente, no omatelier, a exposição “Rostos de Portugal” do artista Miguel Dias.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Sebastianas organizam maior concentração feminina de bombos do mundo

Tocar bombos é coisa para homens? Mais de 400 mulheres, desde meninas de 6 anos a seniores de 76 anos, vão juntar-se, esta sexta-feira à noite, em Freamunde, Paços de Ferreira, para mostrar que não.
Esta “onda rosa”, organizada pelas mulheres dos festeiros, vai invadir a Grande Noite de Bombos das Sebastianas. A promessa é de que a iniciativa é para repetir nos próximos anos.
Objectivo era juntar 300 mulheres, mas foi largamente superado e foi preciso rejeitar inscrições.
Nos últimos três meses, uma vez por semana, centenas de mulheres têm-se juntado para tocar bombos em Freamunde. Aos ensaios foram chegando cada vez mais mulheres e meninas, não só da localidade mas também de Lousada, Paredes, Penafiel, Porto, Matosinhos, Guimarães e Aveiro.
Foi Mafalda Monteiro, mulher de festeiro, que lançou o desafio às mulheres dos elementos da comissão organizadora das Sebastianas: organizar a maior concentração de bombos feminina do mundo. As mulheres estão afastadas de tudo na preparação das festas em honra de São Sebastião de Freamunde, tradicionalmente organizadas por homens, embora façam muito trabalho de bastidores. Por isso, a ideia agradou e o trabalho de equipa fez o resto.
“A Grande Noite de Bombos, criada há cerca de 15 anos, já tinha mulheres nos últimos anos, mas poucas”, explica Mafalda. A ideia nasceu em Fevereiro, quando percebeu que não existiam grandes concentrações de bombos no feminino. “Queríamos fazer a maior concentração de bombos feminina do mundo, criando um recorde do Guiness, e juntar cerca de 300 mulheres. Mas isto começou a tomar grandes proporções”, adianta.
As mulheres abraçaram a ideia e começaram a trazer outras. No total há 409 inscritas, sendo que houve inscrições recusadas, porque já não havia t-shirts rosa suficientes nem forma de as fazer a tempo.
Face ao interesse gerado em torno desta iniciativa e ao sucesso em que já se tornou, o objectivo é repeti-la no próximo ano. “É incrível a dimensão que isto tomou e a forma como todas as mulheres, sobretudo as mulheres dos festeiros, têm ajudado”, salienta Mafalda Monteiro.
No total serão entre 800 e 1.000 os tocadores de bombos que vão invadir as ruas de Freamunde esta sexta-feira á noite. A concentração está marcada para as 11h00 e o desfile começa à meia-noite, depois de terminado o concerto de Sérgio Godinho.
Recorde-se que as Sebastianas têm mais de 120 anos de história. Depois da Semana Cultural, arrancam as comemorações oficiais, entre 6 e 11 de Julho, com destaque para a majestosa procissão em honra de São Sebastião, mas também para a intensa animação musical que vai trazer à localidade Richie Campbell, Sérgio Godinho, C4 Pedro e Bonga, entre outros. As festas contam ainda com a Grandiosa Noite de Bombos e com a marcha alegórica.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

XI Semana Gastronómica Capão à Freamunde

São 13 os restaurantes que, este ano, participam na Semana Gastronómica do Capão à Freamunde, em Paços de Ferreira.
De 1 a 13 de Dezembro, quem quiser degustar esta iguaria gastronómica pode fazê-lo nos restaurantes Aidé – Paços de Ferreira Hotel; A Presa; Adega Regional – Quim Cancela; Bom Garfo; Casa Anhinho; Casa de S. Francisco Wine Bar; Lareu’s; A Parilhada; O Gusto; O Telheiro; O Penta2; O Tarasco e S. Domingos.
O objectivo da iniciativa é promover o capão, produto já certificado com Indicação Geográfica Protegida.
À semelhança de anos anteriores, realiza-se, no dia 12, um concurso gastronómico que vai eleger o melhor Capão à Freamunde. O prémio será entregue durante o jantar de Gala promovido pela Associação de Jovens Ao Futuro, com o apoio da Confraria do Capão, da Associação de Criadores de Capão e da Junta de Freguesia de Freamunde, na Quinta do Pinheiro.
No dia 13, realiza-se a tradicional Feira de Santa Luzia, conhecida por “Feiras dos Capões”, onde será eleito o melhor capão vivo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Mendonça Pinto deixa comando dos Bombeiros de Freamunde ao fim de 30 anos

Mendonça Pinto deixa comando dos Bombeiros de Freamunde ao fim de 30 anos
 “Ninguém tem nada que me agradecer. Eu é que tenho que agradecer por me terem deixado estar nos bombeiros e fazer aquilo que sempre quis: ajudar os outros”
A sua história de vida confunde-se com a dos Bombeiros Voluntários de Freamunde. António Mendonça Pinto, o comandante com mais anos de serviço do distrito do Porto, deixou o comando da corporação freamundense e passou ao quadro de honra, por força da lei, mas a paixão por servir e por ajudar os outros mantém-se.
Por isso, se passar pelo quartel dos Bombeiros Voluntários de Freamunde e vir o “comandante” Mendonça Pinto por lá, não estranhe.
Aos 66 anos, e com mais de 35 anos dedicados aos bombeiros, primeiro nos corpos dirigentes e depois no comando, este homem promete continuar a defender o lema “Vida por Vida”.
“Ninguém tem nada que me agradecer. Eu é que tenho que agradecer por me terem deixado estar nos bombeiros e fazer aquilo que sempre quis: ajudar os outros”, garante.
António Mendonça Pinto nasceu em Felgueiras, mas foi em Lousada que viveu toda a infância e juventude. Com os pais e os quatro irmãos viveu aquilo que designa como “uma infância acima da média” para aquela altura. “Os meus pais não eram ricos, viviam do trabalho, mas tínhamos um bom nível de vida. O meu pai tinha carro, o que era raro naquela altura, e saíamos para passear”, recorda. Viviam no centro da vila, junto ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Lousada. Talvez esteja aí a semente da sua paixão pelos soldados da paz.
Em Lousada, fez o percurso escolar até por volta dos 15 anos, foi jogador de hóquei e fez parte dos corpos dirigentes da Associação Desportiva de Lousada. Depois de deixar a escola, fez alguns biscates, num alfaiate e como tarefeiro dos CTT até ir para a tropa. Ingressou nos paraquedistas e depois foi para a Guiné, entre 1972 e 1975, onde ainda participou em operações de combate. Mas como sabia dactilografar, acabou por ficar a fazer secretariado. Só voltaria a Portugal já depois do 25 de Abril.
Estava desempregado, mas não cruzou os braços, conta. “Escrevi uma carta ao Correio-Mor a dizer que andava à procura de trabalho e fui chamado ao Largo 1.º de Dezembro, no Porto, num sábado. Perguntaram-me se queria ficar a trabalhar logo nesse dia”, diz Mendonça Pinto. Ficou. Nesse e nos dos próximos cerca de cinco anos em que se dedicou à indexação de cartas que ajudava a separar a correspondência.
Entretanto casou e foi viver para Freamunde, terra que adoptou como sua há mais de 40 anos. Foi então que se candidatou a um concurso para trabalhar na área das telecomunicações e foi colocado em Penafiel, onde foi administrativo e passou por vários cargos de chefia da Portugal Telecom até se reformar, há cerca de 12 anos.
Não chegou aos bombeiros pela parte operacional. Integrou primeiro os órgãos directivos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Freamunde, há cerca de 35 anos.
Só mais tarde, foi recomendado para ocupar o lugar de 2.º comandante. Ocupou essas funções durante quase um ano, até que, pela saída do comandante da altura, foi novamente convidado para assumir a liderança da corporação. Aceitou. E comandou os Bombeiros Voluntários de Freamunde nos últimos cerca de 30 anos. Passou agora ao quadro de honra, por força da lei, por estar acima dos 65 anos. “Por mim continuava, embora reconheça que é bom que venham pessoas mais novas e com outras ideias”, confessa.
Deixou a parte operacional, mas não a directiva. Continua a ser tesoureiro da associação humanitária até ao final do ano. Também não deixou o quartel nem a segunda família – de cerca de 180 elementos – que tem nos bombeiros. Todos os dias passa lá, como antes, como sempre.
“Preocupei-me sempre em servir as pessoas, é para isso que estamos ali. Temos que tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados. Enquanto lá estiver vou lutar sempre por isso”, garante.
Serviu as pessoas também na política, assumindo funções na Junta de Freguesia e Assembleia de Freguesia de Freamunde.
E foi de luta e persistência que se fizeram os anos de Mendonça Pinto na liderança desta corporação. Os bombeiros e o quartel mudaram muito nos últimos 30 anos. Cresceu o corpo activo, cresceram as instalações e o número de veículos.
Durante o seu comando, o quartel sofreu duas ampliações, sempre por necessidade, sustenta. “Há cerca de 25 anos, cresceu para o dobro para poder alojar as viaturas. A última obra, inaugurada há cerca de dois anos, também teve o mesmo fim, mas quis também dar melhores condições às camaratas dos bombeiros”, acrescenta o “comandante”. E há ainda um terreno adquirido, da parte detrás do quartel, onde pretendem construir alguns anexos (lavandaria, oficina, estação de serviço) e aumentar o espaço da parada.
“Não vai ser preciso mais ampliações no quartel dos Bombeiros de Freamunde e já não se justifica construir um edifício novo”, acredita.
Mas para chegar até aqui a luta foi grande. Sem se vangloriar, não esconde que foi o seu empenho que ajudou a conseguir estas últimas obras, financiadas pelo QREN, e a aquisição de algumas viaturas necessárias ao longo dos últimos anos. “Reuni muitas vezes com a câmara, com o QREN, fui muitas vezes a Lisboa”, recorda.
Esse seu empenho foi lembrado no último aniversário dos Bombeiros Voluntários de Freamunde e está mesmo fixado nas paredes do quartel, numa placa de agradecimento.
Quem saiu sacrificada foi a família, que, no entanto, sempre compreendeu a sua devoção à causa dos bombeiros. “Antes de ia para o trabalho ia ao quartel, quando saía passava lá e depois do jantar ainda voltava. A minha mulher dizia-me muitas vezes que passava mais tempo no quartel do que em casa. Agradeço sempre por me terem compreendido e por terem percebido que era algo de que eu gostava”, explica.
A dedicação aos bombeiros foi contínua. Só esteve afastado da corporação há cerca de 10 anos, quando atravessou um grave problema de saúde. Foi operado de um dia para o outro, teve que retirar o estômago e complicações deixaram-no em coma durante quatro meses. A recuperação foi demorada e teve que passar por várias cirurgias.
“Foi um período muito difícil da minha vida”, reconhece. Hoje está totalmente recuperado e pode fazer uma alimentação sem restrições. Mas algo mudou, concorda. A forma de ver a vida é agora diferente. “Fiquei mais desprendido dos bens materiais e gosto ainda mais de estar com a família e amigos e de sair. Dou valor a outras coisas”, sustenta Mendonça Pinto.
Da sua acção como comandante não guarda arrependimentos. Haveria no entanto coisas que, a esta distância, poderia ter feito de forma diferente, reconhece. Guarda sobretudo muitas histórias, nem todas com final feliz. Mas prefere destacar as boas. Como as vezes em que, levado pela paixão de ajudar o próximo, levava a filha no seu trabalho de bombeiro. “Mais do que uma vez vinha do trabalho, em Penafiel, com a minha filha ainda pequena, e, antes de ir para casa, ainda passava pelos bombeiros. Aconteceu chegar lá e dizerem-me que havia um incêndio. Arranquei para lá com ela no carro e quando cheguei entreguei-a às pessoas que estavam por ali a assistir e que não conhecia para tomarem conta da menina”, conta. Talvez por isso, Ana seja hoje também bombeira da corporação. “Desde pequena que andava sempre comigo, quando eu ia para os bombeiros agarrava-se a mim e dizia que também queria ir”, recorda.
Incêndios difíceis também fazer parte das suas lembranças. O mais complicado foi mesmo um que combatiam na zona centro do país, quando integravam o dispositivo nacional de combate a incêndios. O fogo parecia controlado quando um pequeno reacendimento no fundo de um vale acabou por provocar um susto. “O incêndio vinha a subir lentamente pela encosta e não era preocupante. Limitamo-nos a molhar uma casa por prevenção e estávamos a tentar evitar que atravessasse a estrada. Mas em alguns minutos, começou a arder com tal velocidade que obrigou todos a fugir, bombeiros e jornalistas que estavam no local. A minha preocupação foi ver se alguém estava ferido. Foi a maior situação de desespero que vivi. Tive muito receio, mas tudo acabou bem”, congratula-se.
O que vai guardar destes mais de 30 anos no comando? “As amizades e o facto de ter ajudado pessoas”, responde Mendonça Pinto. “Ninguém tem nada que me agradecer. Eu é que tenho que agradecer por me terem deixado estar nos bombeiros e fazer aquilo que sempre quis: ajudar os outros”, sustenta.
Até ao final do ano vai ainda continuar ligado aos bombeiros pelas funções directivas. Mas diz-se disponível para ajudar com a sua experiência onde for preciso.
Em breve, deverá ser substituído no comando por José Domingos, actual segundo comandante, nome proposto para assumir a liderança. “O quartel fica bem entregue. É uma pessoa competente e responsável. Por isso o escolhi para segundo comandante e me acompanhou estes 30 anos. Ele conhece os bombeiros e é merecido que seja ele”, conclui Mendonça Pinto.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Há mais de 60 anos a vender capões

Maria Fernanda Alves da Costa tem 73 anos e mora em Covas, Lousada. Margarida Moreira de Bessa, natural da freguesia lousadense de Figueiras, mas uma mulher de Freamunde, é dez anos mais velha.
Ano para trás, ano para a frente, as duas são das vendedoras de capões mais antigas da tradicional Feira de Santa Luzia que, na sexta-feira da semana passada, voltou a levar milhares de pessoas a Freamunde. Habituadas a este ritual desde novas, Maria Fernanda e Margarida prometem abandonar a feira e os capões apenas quando a saúde já não lhes permitir fazer o percurso entre as suas casas e o centro de uma cidade onde, por estes dias, o capão é rei.
500 frangos capados

A história destas duas mulheres é semelhante e ter-se-á cruzado algumas vezes, sobretudo por esta altura do mês de Dezembro. "Vendo capões desde que eles custavam 150 e 200 escudos. Tinha dez anos e vinha com a minha mãe a pé desde Figueiras. Trazíamos cerca de 12 capões para vender na Feira de Santa Luzia", recorda Maria Fernanda Alves da Costa.

Nessa altura, Margarida Moreira de Bessa também já tinha o seu espaço para apregoar aquele que dizia ser o melhor capão de toda a feira. "Aos 18 anos casei e vim para Freamunde. Pouco depois experimentei capar os meus galos e correu bem. Nunca mais parei", refere.

Para esta octogenária não existe segredo nenhum: "faço um corte à beira do rabo do frango. Depois meto-o debaixo do braço e tiro os grãos. A seguir, coso o rasgo e, no fim, corto-lhe a crista e as barbas". Foi desta forma aparentemente simples que Margarida capou cerca de 500 frangos… só este ano. "As pessoas telefonam-me e eu lá vou capar. Já fui a Braga, Guimarães, Arcos de Valdevez ou Aveiro. Não levo dinheiro nenhum. As pessoas só têm de me vir buscar, dar-me o almoço e trazer-me a casa", garante.
Maria Fernanda Alves da Costa, mãe e avó, tem a mesma paixão pelos frangos que não chegaram a galos, mas nunca capou nenhum. "Tenho os dedos curtos e as mãos inchadas. Não consigo capar", explica. Mesmo assim, assegura que nunca faltou a uma Feira de Santa Luzia, na qual vende frangos capados por uma vizinha. Também os vende um pouco por todo o país. Desde Amarante a Lisboa, passando por Guimarães. "As pessoas ficam com o meu número de telefone e encomendam. Outras vêem o anúncio em minha casa e páram para comprar", diz.


50 euros é o preço "justo"

Em Julho, Maria Fernanda capou 82 frangos comprados em Março. Porém, nem todos chegaram a capões. Durante o processo de crescimento – que se alonga por sete, oito meses – 17 morreram devido àquilo que diz ser "uma operação delicada". "É normal morrerem assim tantos", complementa. 
Para a feira levou 21 capões, mas a meio da tarde só tinha vendido três. "O povo quer barato, mas eu prefiro vendê-los a um preço justo", sustenta. Preço justo que estipulou entre os 45 e os 50 euros e que, afiança, não pagará o trabalho tido com os bichos. "Não fazemos contas às horas que passamos em volta dos galos", avisa.

Na Feira de Santa Luzia os capões de Margarida Moreira de Bessa também estavam à venda por uma quantia a rondar os 50 euros, mas a mais velha capadora de Freamunde prefere fazer negócio com restaurantes e com quem a procura em casa. "Só trouxe dois capões para o concurso. Tirei muitas vezes o prémio, mas percebo que não possa ganhar sempre… os outros capadores começam a reclamar", afirma.

Com ou sem prémio, Margarida voltará à Feira de Santa Luzia enquanto as forças lhe permitirem. Terá ao seu lado Maria Fernanda, que com o pregão "vai um capão" tentará convencer os fregueses a comprar-lhe um frango que, por ter sido capado, tem um tamanho anormalmente grande para aquele tipo de bicho.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Augusto Ramos

ESCULTOR FORMADO NA ESCOLA DA VIDA
Desde cedo que a vocação de Augusto Ramos para a arte veio ao de cima. Na escola, ao invés de aprender as letras, transformava as lições da professora em desenhos. Em casa, todo o pedaço de madeira encontrado era usado para fazer pequenas esculturas. Expôs pela primeira vez aos 12 anos. E desde aí nunca mais parou. Hoje com 43 anos, os trabalhos de Augusto Ramos, são reconhecidos não só em Freamunde, de onde é natural, mas também no Vale do Sousa e em vários pontos do país e do mundo, onde figuram em colecções particulares. 
 "A escola da vida ensinou-me", afirma o freamundense. Muitas das coisas que hoje sabe, aprendeu-as sozinho ou nos trabalhos que foi desenvolvendo com o pai, nos restauros, ou como entalhador. Apesar de, mais tarde, ter ingressado num curso de três anos da APIMA - Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins e ter passado pela Escola Artística Soares dos Reis, onde estudou restauro, entre outros. "Mas já sabia mais que os professores", diz modestamente. "Já levava muita bagagem e anos de experiência", sustenta o escultor. 
 Augusto Ramos nasceu e cresceu em Freamunde. Aí realizou o percurso escolar normal. Mas, conta, "quando estava na escola a professora ditava e eu desenhava. Transformava o que ela dizia em imagens. E hoje tenho muita dificuldade em escrever". O bichinho da arte e a vontade e a urgência em fazer obra, que ainda actualmente lhe fazem o sangue correr mais depressa, já existiam nessa altura. Aos 12 anos, expôs pela primeira vez, em Paços de Ferreira.
 E não parou mais. Autodidacta, continuou sempre a desenhar e, em casa, aproveitava restos de madeira para esculpir rostos. Até que, por volta dos 16 anos, e apesar da insistência do pai para ingressar numa escola ligada às artes, foi trabalhar e aprender a arte da talha. "Perante o que já sabia, a escola não me ia ensinar nada. Preferi a escola da vida", diz. Ficou na empresa por 10 anos e chegou a encarregado geral dos entalhadores, 22 no total. Durante esse período, trabalhava também com o pai, que, laborando na área da construção, fazia restauro de tectos de gesso. "Na construção aprende-se muito", afirma Augusto. Fez restauros em casas particulares e igrejas, ganhou a experiência que queria. 

Homenagem ao capão foi primeira grande obra

A primeira grande escultura da carreira está instalada em Freamunde. Chama-lhe carinhosamente de "a galinheira", embora o nome oficial seja "Monumento ao Capão e à Cidade de Freamunde". A obra foi inaugurada em 2001 e homenageia a tradição do capão. "Demorou três anos a fazer. Só a fazia à noite, porque durante o dia trabalhava", recorda o escultor. Seguiu-se uma outra escultura de grande porte, também instalada na terra que o viu nascer, a "Homenagem aos combatentes das ex-colónias", inaugurada em 2005.  
 A partir daí, sucederam-se várias obras, instaladas no concelho de Paços de Ferreira e concelhos vizinhos. Só na freguesia de Louredo estão três: o busto do Padre Armando; uma peça que homenageia os bombeiros de Paredes; e um anjo, com seis metros. Tem peças espalhadas por toda a Europa, em colecções particulares, e mesmo no Brasil. "Há uma Nossa Senhora de Fátima, oferecida a um particular, que acabou numa igreja brasileira e saiu na procissão de 13 de Maio, em Campinas, S. Paulo", diz Augusto Ramos. As exposições, às quais já perdeu a conta, realizaram-se sobretudo em concelhos do Vale do Sousa. 
 Pelo caminho, lançou-se em vários desafios. "A minha paixão é sempre ir experimentando fazer coisas novas", assume. Já trabalhou no edifício do Parlamento inglês, na mudança e restauro de uma ponte, que foi desmantelada e reconstruida, pedra a pedra, com a gravação de 130 nomes. Em França, em conjunto com escultores locais, trabalhou no restauro e construção de uma torre de castelo. Em Portugal, fez parte da equipa que restaurou a Capela das Almas, no Porto, e várias na região. 


Já terá feito cerca de duas mil peças

Augusto Ramos orgulha-se de trabalhar com os mais diversos materiais, desde o bronze, o granito, a madeira, o inox, o ferro e a fibra de vidro até às joias e pedras preciosas. "A dificuldade maior é escolher o material com que vou trabalhar", confessa. Já terá feito cerca de duas mil peças (calcula), tendo ganho vários prémios ligados ao desenho, escultura e pintura. 
 Nesta vida dedicada à arte, já fez também ilustrações de livros, caricaturas em jornais locais, cenários para teatro e pintou Vespas. É, desde há 25 anos, um dos elementos que faz os carros alegóricos das Sebastianas, sendo um dos sócios fundadores da Associação de Artes e Letras de Freamunde. 
 Entre as próximas grandes obras, estão uma homenagem à indústria do mobiliário e metalomecânica, com 12 metros e custo de cerca de 60 mil euros, que ficará instalada no concelho ainda este ano. Em curso está também a realização do monumento à família, que ficará junto às piscinas de Freamunde. "Umas árvores com cerca de 140 anos, que estavam junto à capela de São Francisco, em Freamunde, caíram com o temporal. Foram recolhidas e eu transformei-as numa escultura com cerca de sete metros", explica. 

Sonho é abrir escola para ensinar artes
 
O grande sonho de Augusto Ramos é abrir uma escola onde possa trabalhar com crianças com Trissomia 21. "Já tive uma experiência no INATEL do Porto. São crianças difíceis, mas com muito jeito para a pintura, gostei muito", conta. O escultor, diz ter a promessa de um espaço no parque urbano de Paços de Ferreira, que possa ser transformado numa oficina onde artistas locais possam expor, trabalhar e ensinar.
"É possível viver da arte em Portugal?", perguntamos. "Será possível, eu já vivi e hoje vivo só disto", afirma. "Mas uma peça que antes custava 30 mil hoje está a ser vendida por 10 mil", explica o artista, que defende que os municípios deviam apoiar mais a cultura.