Competição destina-se a arquitectos com menos de 40 anos e oferece aos
jovens arquitectos a possibilidade de conseguir um trabalho em escala
urbana.
O arquitecto Humberto Pereira, de Freamunde, venceu o Concurso Europan
com o projecto “ Seed structure: The Production of Happiness”, cuja
competição decorreu na Bélgica e contou com a presença de vários países.
Ao Verdadeiro Olhar, Humberto Pereira que tem um gabinete de
arquitectura em Freamunde, designado Omatelier, destacou que O Europan é
uma “competição bi-anual de projectos urbanos para arquitectos com
menos de 40 anos que oferece a jovens arquitectos a possibilidade de
conseguir um trabalho em escala urbana, sendo que as propostas
vencedoras podem chegar a ser executadas em parceria com as organizações
europeias e os municípios locais”.
O Europan foi organizado como uma iniciativa conjunta entre 13
organizações europeias que englobaram países como a Alemanha, Áustria,
Bélgica, Croácia, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Noruega,
Polonia, Suécia e Suíça.
O tema geral, deste ano, foi “Productives Cities”, as cidades produtivas
e dos 13 países em concurso, estiveram envolvidas 40 cidades europeias.
Ao nosso jornal, Humberto Pereira revelou que foi colocado a todos os
participantes o desafio de resolverem, com um programa livre, um lote de
terreno situado numa antiga zona industrial que se encontra actualmente
numa das entradas principais da cidade de Tubize, na Bélgica.
“O projecto que apresentei para o concurso tem como ideia central a
felicidade e o tema geral “as cidades produtivas”. Parti do principio
que para podermos ter uma cidade produtiva, temos de, numa primeira
fase, ter seres humanos felizes e para isso acontecer temos de criar
estruturas que possam produzir essa felicidade. Desta forma propus a
criação de uma construção central chamada de “Seed of happiness” –
Semente da Felicidade. Esta, irá ser directamente um ponto gerador de
outros núcleos chamados de Núcleos de Produção que irão dinamizar e
criar novas sinergias na cidade. Espero que num futuro próximo, esta
«Semente» possa vir a ser «Plantada» noutros locais dando origem a
cidades/sítios felizes”, disse.
Referindo-se ao seu projecto que venceu este concurso internacional, o
jovem de Freamunde garantiu que “a cidade está intimamente ligada ao ser
humano porque sem este a cidade não sobrevive, aliás nem chega a
existir.
“Penso que a arquitetura tem de pensar a cidade não só do ponto de vista
material (como um conjunto de edifícios, ruas, etc..) mas como algo
muito mais profundo e importante, o aspeto imaterial e como é que
através da criação de espacialidades podemos melhorar a qualidade de
vida do ser humano. Torná-lo feliz”, acrescentou.
Para a cidade de Tubize participaram 19 equipas, mas somente 12 entregaram proposta final.
Humberto Pereira realçou, também, que a distinção que lhe foi atribuída veio marcar uma nova etapa na sua carreira profissional.
“No que toca à responsabilidade esta é a mesma, pois sempre encarei o
trabalho de arquitecto como um pensador e criador de espaços que tem a
função de melhorar a qualidade de vida do ser humano. Sendo o concurso à
escala internacional este está-me a dar mais visibilidade e
notoriedade, o que é sempre bom pois é esta qualidade e profissionalismo
que pretendo transmitir no omatelier em Freamunde”, frisou,
manifestando trabalhou para este concurso com prazer e determinação e
com uma ideia muito concreta do queria realmente propor.
“Isso deu-me motivação e fez-me acreditar que seria possível vencer”, afiançou.
Humberto Pereira já tinha concorrido à edição de 2013 do Europan 13, com
um colega, tendo ambos sido seleccionados para a shortlist com o
projecto Rethinking the Viticultural Landscape- The Market Square as a
Patio para a cidade de Santo Tirso, em Portugal.
Falando do seu estilo, Humberto Pereira afirmou não ter um estilo específico de arquitectura.
“Pessoalmente não considero que tenha um estilo específico de
arquitectura, porque cada projecto tem diferentes variáveis,
condicionantes, etc. Pretendo projectar pensando o processo
arquitectónico na sua totalidade, percebendo a construção, não como um
objecto espacial para utilizar a curto e médio prazo, mas como um
elemento “vivo” onde se deverá entender o seu principio, meio e fim”,
asseverou.
Sobre os projectos de arquitectura que vão vingando na Região do Vale do
Sousa, o arquitecto manifestou que existem alguns projectos
interessantes nesta zona, que apresentam qualidade.
“Contudo penso que há ainda um grande trabalho a fazer a nível
urbanístico, a meu ver existe nesta zona uma “confusão” urbanística, ou
seja, falta de um planeamento urbano adequado e organizado”, anuiu.
Humberto Pereira está a trabalhar atualmente na ampliação de hotel em
Moura no Alentejo e a criação de um complexo de turismo rural na zona de
Águeda.
O jovem freamundense em 2016 já tinha ganho uma menção honrosa no
concurso internacional LAKA COMPETITION e em 2017 abriu o OMATELIER em
Freamunde – Paços de Ferreira, um espaço que definiu como “criativo e
dinâmico” e que além de espaço de arquitectura funciona como atelier de
artes.
“Temos no atelier uma galeria dedicada à exposição de artes plásticas.
Iremos ter mensalmente artistas convidados que irão expor as suas obras
neste espaço. O nosso intuito é criar uma dinâmica entre a arquitectura e
as artes plásticas e dar a conhecer novos artistas”, afiançou,
realçando que dia 15 de Janeiro de 2018 estará patente, no omatelier, a
exposição “Rostos de Portugal” do artista Miguel Dias.













