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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Capão cada vez com mais procura

MANUEL BESSA, COM UMA DAS 60 AVES, TEM CLIENTES DE TODO O PAÍS
PAÇOS DE FERREIRA ACOLHE, ATÉ AO PRÓXIMO DIA 13, A SEMANA GASTRONÓMICA DO CAPÃO A FREAMUNDE
TRADIÇÃO  Durante 14 dias, o Capão à Freamunde vais ser servido em 14 restaurantes do concelho de Paços de Ferreira, na 14ª Semana Gastronómica do Capão à Freamunde. Ao longo dos anos, esta iguaria única tem conquistado pessoas de todo o país e tem já como embaixadores vários chefs portugueses, entre os quais, este ano, o chef estrela Michelin Diogo Rocha.
Cozinhado de forma tradicional, assado no forno e acompanhado com batatas assadas e grelos, o capão à Freamunde tem alguns segredos que não são revelados. "Mas o tempero, o tempero de confeção , que é de quatro horas, e o recheio, não podem ser descurados", afirmou ao JN Vitor Brito, proprietário do restaurante Areia, o vencedor do Melhor Capão de 2017, no concurso que encerra a Semana Gastronómica.
Apostado em "produtos de qualidade", o proprietário afirma que o interesse por esta ave, que é um ex-líbris do concelho pacense, "tem crescido e começa a prolongar-se durante todo o ano e não só por ocasião do Natal", ou da Feira de Santa Luzia, conhecida como a Feira dos Capões, que acontece em Freamunde no dia 13 de dezembro.
No seu restaurante, Vítor Brito só serve capões certificados pela Associação de Criadores de Capão de Freamunde, "de preferência com cinco quilos, no máximo, para a carne ser mais tenra". No restaurante, um capão, para oito pessoas, é vendido por 130 euros.
VÍTOR BRITO GANHOU PRÉMIO PARA O MELHOR CAPÃO EM 2017
SEISCENTOS POR ANO
Durante o ano, os 20 associados certificados da Associação de Criadores de Capão produzem cerca de 600 aves. Desde 2015, altura em que o produto foi certificado pela Comissão Europeia, com a denominação de Indicação Geográfica Protegida (IGP), a produção aumentou gradualmente, tendo registado um aumento de 20% no último ano.
Manuel Bessa, tem 49 anos e cria capões há 18. Tem atualmente 60 aves, "todas certificadas", para vender nesta época natalícia. "Mas agora, com a certificação e com uma maior procura do produto, já conseguimos vender capão o ano inteiro e para todo o país", diz com agrado. O capão "é cada vez mais procurado" e Manuel Bessa cria 200 por ano. É vendido a 70 euros a unidade.
JORNAL DE NOTÍCIAS - EDIÇÃO DE 30 DE NOVEMBRO DE 2019

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Café Teles tem fino e marisco de top no Vale do Sousa

ESPAÇO É GERIDO HÁ 36 ANOS POR DOIS CUNHADOS NUM ESQUEMA DE GESTÃO MENSAL
Os melhores mariscos e finos do Vale do Sousa podem ser encontrados no Café Teles, em Freamunde, no concelho de Paços de Ferreira, garantem os proprietários. O espaço, com mais de 50 anos, é liderado há 36 pelos cunhados Carlos Gonçalves e Manuel Cardoso, que têm muito orgulho na casa que é já uma referência na região e é conhecida pelas suas especialidades em vários pontos do país.
"Esta foi uma aposta ganha", afirma ao JN Carlos Gonçalves, que há 36 anos partilha com o cunhado um esquema de gestão mensal. "Trabalhamos aqui um mês cada um. A cada dia 16 entregamos o café ao outro, com as contas a zero. Isto permite-nos descansar, ter tempo para a família e dedicarmo-nos de corpo e alma ao café, com uma vontade diferente daquela que teríamos se estivéssemos cá os dois diariamente", diz.
A funcionar no centro da cidade de Freamunde, o café Teles é um espaço acolhedor, que funciona diariamente até de madrugada. "Só fechamos na véspera de Natal", conta o proprietário. O horário alargado, as suas especialidades, aliadas aos bons preços, fazem desta casa um espaço bem conhecido na região. "Somos um bom sítio para se comer fora das refeições", acrescenta.
Carlos Gonçalves assegura que os mariscos são "os melhores da região do Vale do Sousa" e apontados por muitos clientes como "melhores que os de Matosinhos". Também as francesinhas e petiscos, os finos - tirados em copos que são tratados com o mesmo cuidado que a carne e os mariscos -, são marcos que distinguem o café de outros estabelecimentos.
Durante o ano, são vendidas centenas de quilos de marisco e cerca de 50 mil litros de cerveja. "Temos muito brio no nosso trabalho e na qualidade daquilo que servimos", assegura Carlos Gonçalves, que, apesar de se sentir realizado com este projecto, continua a querer inovar e a alargar o leque de produtos a apresentar ao cliente.
JORNAL DE NOTÍCIAS - EDIÇÃO DE 11 DE AGOSTO DE 2018  
MANUEL CARDOSO (À ESQUERDA) E CARLOS GONÇALVES

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Freamunde, 1 - Leixões, 0

Há cinquenta anos, no dia 28 de Janeiro de Janeiro de 1968, no mítico Campo do Carvalhal, o S.C.Freamunde defrontou o Leixões S.C. na categoria de juniores. Um jogo decisivo para as aspirações do clube com vista ao apuramento para o Nacional da categoria. Com uma equipa algo desfalcada na defesa, a equipa conseguiu com muita garra, paixão e amor à camisola, vencer o valoroso adversário recheado de bons elementos. Aos 26 minutos Luís Rego, marcou o golo que garantiu a vitória do Freamunde. 
Crónica do jogo do Jornal de Notícias no dia seguinte ao jogo (foto de cima):
"Jogo em Freamunde. Árbitro: Fernando Leite.
FREAMUNDE: Dias; Quim, Viana I, Viana II e Ribeiro; Santos e Barbosa; Lobo, Martins, Daniel e Luís.
LEIXÕES: Terroso; Alípio, Galrão, Santos e Óscar; Adelino e Alberto; Nicolau, Albertino, Iglésias, Dias da Hora (Quim).
Ao intervalo: 1 - 0. Marcador: Luís (aos 26 minutos).
Vitória certa, pois premeia a equipa que mais lutou pelo triunfo.
O Leixões superou em técnica e força os seus adversários. No entanto, ainda foram os avançados do Freamunde que tiveram à sua mercê mais duas grandes oportunidades de golo, que foram salvas pela rapidez e atenção do defesa Galrão.
Arbitragem com alguns erros."
Luís Rego, autor do golo, no mítico Campo do Carvalhal.
Equipa de juniores do Sport Clube de Freamunde. Luís Rego, o autor do golo, é o primeiro da direita da fila de baixo.
Imagens publicadas na rede social "facebook", pelo nosso conterrâneo Luís Rego, autor do golo deste jogo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Poeira, pedras, suor, sangue, luta e...futebol

Reportagem do Jornal de Notícias, sobre o jogo Freamunde 1 - 1 Paços de Ferreira, realizado no dia 3 de Fevereiro de 1974, no Campo do Carvalhal. Uma belíssima reportagem, que apesar de ser bastante longa, vale a pena perder tempo a ler...Um verdadeiro tesouro.
Imagens e reportagem cedidas por Luís Rego.
O que é um «jogo grande»? Na sinonímia dos desportistas afectos ao futebol e na interpretação dos dicionaristas da modalidade, «jogo grande» é aquele que envolve a presença de dois «grandes». E «grandes» são o F. C. Porto, o Benfica, o Sporting, o Setúbal, o Belenenses...Os outros jogos, os que confrontam outros clubes, mau grado transcendência de que eventualmente se possam revestir, são, quando muito, «jogos importantes». E isto a nível de I Divisão, que se descermos os degraus, os outros desafios de futebol só grangeiam certo rumor se catalogados de «decisivos»...
Ontem estivemos em Freamunde. E não porque o jogo fosse decisivo. Mas também mais que importante. Ele valia, para as duas localidades vizinhas, pelo mais sensacional F. C. Porto - Benfica. Fosse qual fosse o encontro que se disputasse na área, com Cubillas ou com Eusébio, com Cruifft ou Pelé, ontem, não havia aborígene que arredasse pé do campo do Carvalhal.
Aquilo não era Freamunde - mas o fim do mundo, em assistência, em entusiasmo, em excessos! Foi, ao longo destes 25 anos que levamos de jornalismo desportivo, a primeira vez que fomos destacados para comentar um jogo da III Divisão. E, com prazer e mágoa o afirmamos, o acontecimento que constituiu uma das mais belas experiências da nossa vida de crítico de futebol - e a tal ponto, que lamentamos, nesta caminhada de um quarto de século, não termos «perdido» mais tempo com jogos de futebol desta natureza.
Já não sabíamos o que era o futebol na exegese do amadorismo mais puro, já não sabíamos o que era o futebol espontâneo, livre dos complicados e por vezes insuportáveis espartilhos das tácticas, já não sabíamos o que era vinte e dois jogadores em permanente movimento - que as medidas do campo, além do mais, a isso os obrigavam, já não sabíamos o que era correr lágrimas de fogo por faces encandecidas, já não sabíamos o que era o peso do desalento, a euforia das falanges de apoio, o esganiçar das raparigas, a irrequietude do rapazio, aos magotes, o silencioso roer das unhas, o drapejar das bandeiras, aos molhos, como «mimosas» azuis e brancas, sob os ventos do jogo. Foi tal a nossa emoção, que até nos agradamos de ver -, e perdoem-nos a fraqueza - como nos «bons velhos tempos», um guarda-chuva ferir o ar e um bom murro à portuguesa a fazer saltar os dentes.
Deu coisa boa estar ali em Freamunde! É que tivemos ocasião de registar, também, que não fora, apenas, um mergulho de encontro ao futebol empírico, quase elementar, no ambiente natural onde mais que as regras contam os impulsos e mais que o jogo contam as paixões...e as rivalidades. Não há ali atitudes dúbias, mesquinhas. Podem por vezes (como aconteceu) pisar as raias do condenável - mas fazem-nas às escâncaras, de peito aberto, sofrendo ou fazendo sofrer as consequências .
Foi bom, é bom, porque é puro! E há ali todo um mundo a cultivar, a comparar, a guiar. É que daquelas 10 mil pessoas (!) que tomaram de assalto o acanhadíssimo recinto, uns milhares, largos, eram de jovens, rapazes e raparigas! E a quantidade de mulheres ali presentes! E o barulho, o pandemónio infernal que ali faziam!
APONTAMENTOS DO JOGO
Um rapagão, empunhando uma bandeira grande como coberta de cama de casal, entrou em campo para se postar à frente da equipa do Freamunde, que entrava em campo. Nunca a meus ouvidos reboou tal estampido! Bonzo, sai do recinto dos balneários à cata do «lugar da Imprensa»! Mas que diabo de ideia tão peregrina me havia de assaltar! O terreno conquistado é todo - e não chega - para o rectângulo de jogo e para amontoar e comprimir a multidão dos apaniguados! Como pode passar despercebido, das autarquias locais, tão extremo esforço, tamanha dedicação, tão veemente desejo de serem o porta-estandarte da localidade? Que é, que representa um subsídio de 10 mil escudos anuais para um clube de futebol, nos tempos de hoje? Que reconhecimento há para a vitalidade deste clube e desta terra - ninho ariçado de indústrias?
Bonzos pelo barulho e confundidos nestas cogitações, tratamos de arranjar lugar. O único - e esse por especial deferência dos dirigentes locais - foi-nos oferecido no «banco dos réus», ao lado do técnico-adjunto e dos suplentes do Freamunde. Começou o jogo. A equipa do Paços de Ferreira impressiona pelo seu talhe atlético. E de resto - e como folha arrancada aos livros do passado - os mais fortes, os mais altos e vigorosos alinham na defesa. Tal como no Freamunde. Nestes houve mais garra que ideia de colectivismo, mais luta que jogo, mais força que inteligência. Só um, Ernesto, o nº 11, fugia à regra. Todo ele é central, fugidio, habilidade, intenção, caminho do golo.
Dois pés excelentes, velocidade, poder de simulação e arranque fácil. Um belo jogador. Mas o mais franzino.
O Paços tem o seu futebol mais estruturado. Sabe mais. Pensa na construção do jogo e de como iniciar a progressão no terreno. E Lima, logo aos 2 minutos perdeu ocasião soberana de transformar. Mas o Freamunde contrapunha toda a sua alma e querer. Santana procurava lançar Ernesto - o perigo.  E aos 18 minutos a barra substitui Filipe I. O meio-campo visitante tem em Canhoto um jogador esclarecido e perfeitamente «à la page» com os conceitos correntes do futebol. Move os cordelinhos, bem apoiado por Lima (que é o médio que mais se adianta). Pimenta está a estragar o «cozinhado». Mas bate-se. O Freamunde tem Santana, na intermediária, a pautar o seu jogo. Mas está desacompanhado em jogo-jogo. Os outros, vibrantes, vão a todos e esquecem as «missões». Miguel fez-se aplaudir várias vezes. É ágil como um gato, ousado, temerário mesmo. E denota boas mãos.
Entra-se no segundo tempo. Martinho tem uma excelente abertura em profundidade sobre o flanco esquerdo. Para aí desmarcar-se Couto que correu até à linha e tirou um remate-centro impecável. Filipe I, adiantado, ficou batido. O esférico também à face interna do poste contrário e entrou. Filipe foi culpado.
O que se passou naquele recinto, nesta altura, foi qualquer coisa que transcende as nossas possibilidades descritivas. Que venham lá os intelectuais de trazer por casa, falar de futebol aleanatório! Que coisa linda! Jogadores a chorar, amarrados num cacho, dirigentes ao saltos, povo a cantar, moças a correr, sirenas, bandeiras, abraços, na mais caótica e maravilhosa confusão que nos foi dado ver!
Que interessam as tácticas, o pontapé para o ar, o belo? O que interessa é o golo!..
Pinho entrou na equipa. Mais ligeireza, mais agressividade. O golo e este novo jogador. Atrito, forte. Entradas «suicidas». Pés em riste. O árbitro a meio pau, a tentar segurar - sem provocar reacções. Mas geraram-se exageros e Jesus teve uma entrada violenta na grande área, cartão amarelo. «Amarelo» ficamos nós com aquela entrada. Era vermelho, o sinal que deveria ver-se. Aqui o «princípio de incêndio». Jogo interrompido. Canavarro foi atingido com uma pedra na cabeça. Caem mais pedras do topo onde se encontrava a falange do Paços. Furámos por entre a chuva, colados a um guarda-republicano. Vindo lá do fundo das redes, acercou-se de nós, presuroso, Miguel, o guarda-redes. Para dizer «ponha lá, se faz favor, que aquelas pedras não foram atiradas pelo público da casa». Pelo sim pelo não, saímos da zona perigosa...e quando demos por ela, estávamos sentados. Já agora, no «banco dos réus» do Paços! E foi bom esse «engano de banco». Bom porque tivemos ensejo de testemunhar que, para além do jogo, para além de algumas escusadas atitudes, o ideal do desporto, na sua expressão de camaradagem, sobrenadam. Foi o caso de Ribeiro, cair, ali, paralizado com caimbras. Retorcia-se no chão, com dores. O médio e o massagista do Paços socorreram-no, trataram-no e puseram-no apto a retomar o seu posto.
Aos 24 minutos, Mascarenhas foi derrubado, irregularissimamente, dentro da grande área. Penalty «dos antigos». Mas o árbitro também foi «dos antigos» e fechou os olhos...Malheiro é um poço de habilidade. Deu a volta ao miolo ao defesa contrário. O Paços está a subir. E Canavarro ameaça Miguel com um remate forte. Pouco depois, veio o empate. Na sequência de um canto (mal executado) que sai rasteiro, atravessou uma dúzia de jogadores para Martinho, precipitado, fulminar Miguel, com um remate indefensível e...inesperado! Fora um passo em falso que fez o Paços acertar...o passo.
AS EQUIPAS
As equipas da III Divisão deveriam constituir, na grande maioria, um repositório de jovens a «tarimbar». Mas pelo que vimos, não é bem assim.
A certa altura pensamos estar a ver fantasmas a deambular, na nossa frente. Nomes do passado, nomes grandes, que passaram e morreram no espaço do futebol com o brilho efémero dum meteoro. Foi o caso de Santana, adíposo, barrigudinho, com os seus 40 anos. O de Mascarenhas, ainda a tentar correr. O de Jesus com um físico de «boxeur» cada vez menos capaz de tratar a bola...
O Freamunde, à excepção de Santana, é constituído por jogadores não-amadores! Todos dali, daquelas bandas ou ali a empregarem a sua actividade. Preparação para este jogo: a mesma que para qualquer. «Estépio» nos empregos até às 18 horas de sábado - e cama, às 22 horas! Natural a incipiência do seu recontro técnico-táctico.
O que lhes falta em conhecimentos de futebol, subeja-lhes em honestidade, em dignidade, em dedicação. Na equipa, Miguel chamou-nos a atenção, bem como Martinho e Couto. Mas o melhor é Ernesto - o empregado bancário - que paga em futebol o que lhe escasseia em físico.
O Paços é mais equipa. Tem obrigação disso. São na sua maioria - senão na sua totalidade - profissionais. Daniel (ex-defesa do Guimarães) é o «mister». Mas vibra mais ali que quando jogava. É que há muitos anos, nestes pequenos clubes, verdadeiramente «grandes». Um apontamento, só: quando a equipa perdia por 1-0 introduziu e valeu-se das substituições. 
Na ânsia e na pressa, aos 71 minutos mandou entrar Malheiro - autêntica promessa. Mandou sair Mascarenhas. Mas hesitou. Canhoto veio falar-lhe. Inclinou-se, então para Canavarro (de cabeça rachada) mas este senti-se bem. Optou, por último em Jesus! Noutros jogos e noutras equipas isto seria fartote de especulação. Mas aqui está certo. Compreende-se. É que eles vivem extraordinariamente estas pugnas.
O melhor da defesa foi Freitas (também o menos atlético). Canhoto foi o «senhor da equipa». Lima tem intuição e sabe do jogo. Na frente, ficámos com o poder de elevação de Mascarenhas...Notável.
O ÁRBITRO
Era um jogo difícil. Apitar a tudo, podia estragar o espectáculo e gerar reacções incontroláveis. Contemporizar podia comprometer e acicatar ânimos...O Diabo que escolhesse. É difícil, dificílimo, em jogo desta natureza. Teve apenas dois grandes erros: no «amarelo» para Jesus (que deveria ser «vermelho») e no penalty sobre Mascarenhas. Não descontou tempo...mas o «empate» disse-lhe que não era momento para tal...
FICHA TÉCNICA 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A ceia do eunuco

Castram-se os galos em março, alimentam-se a grão e couves para dezembro. Nas mesas de Natal do Vale do Sousa, as famílias sentam-se em volta do capão. Foi o manjar dos reis e é uma iguaria rara, protegida por produtores e cozinheiros e, agora, também por certificação europeia. O passado tornou uma ave eunuca o orgulho de Freamunde. O futuro pode torná-la a salvação da terra.
Os animais estão prontos, nesta semana vão a feira. No próximo domingo, dia 13, o povo acorre a Freamunde, freguesia de Paços de Ferreira. Alguns para participar na romaria de Santa Luzia, a maioria para comprar um capão para o Natal. Ave gorda, seis a sete quilos, uma iguaria nortenha. Custam uns 50 euros, quando não 60, e seguem vivos para as cozinhas – se vão a mesa na consoada, são degolados a 22 de dezembro. A multidão de interessados tem crescido, neste ano a associação de criadores local espera vender 2500 animais. Isso mais a semana gastronómica que começou no início do mês, em que os principais restaurantes do concelho servem o bicho por encomenda. É um recorde. Há cada vez mais gente a querer comer a iguaria e há cada vez mais gente a criá-la nos galinheiros. A galinha dos ovos de ouro, afinal, não é galinha nem dá ovos.
A Comissão Europeia certificou neste ano o Capão de Freamunde. Agora é produto com identificação geográfica protegida e regras de criação apertadas. «Já começámos a dar formação aos produtores», diz Ricardo Graça, presidente da Associação de Criadores de Capão. «O animal e castrado aos 3 meses, normalmente no início da primavera. E não pode comer hormonas. E alimentado 70 por cento a grão e 30 a couve. E tem de andar ao ar livre. Se não forem cumpridas as regras, não é capão.» Em dezembro, está pronto para o abate.
Quem ensina os novos produtores a castrar os frangos e Guidinha Mota, que tem 85 anos e mais de um milhar de galos capados. «Foi a minha mãe que me ensinou e eu ensinei a minha filha», diz, diante da capoeira onde ela e a filha, Alvina, estão a criar 19 bichos. «Isto é trabalho de mulheres, que aos homens mete pena tirar os testículos ao galo», sentencia. O genro empoleirado num escadote, a podar as videiras, ri-se. E depois a mulher descreve o processo, metade relato, metade provocação: «Quando o pinto faz 3 meses, faz-se a operação. Tem de ser duas pessoas. Uma segura-o pelas asas, para ele não fugir. Às vezes leva umas bicadas valentes.»A outra corta-lhe a pele junto à tripa com uma tesoura a sangue-frio. Os genitais, que se encontram no dorso, vão sendo empurrados a dedo, um depois do outro. «Às vezes fica um bocadinho lá dentro e, se não se tira tudo, a carne já não vai ser tão boa. Em vez de capão temos rinchão», diz Alvina. «Para mim, esses que vendem galos por capões deviam ser todos presos. É um crime.»
No final é preciso cozer a tripa ao bicho, de preferência com linha branca. «Corta-se-lhe a crista e as barbas, que é para o bicho perder vaidade e não se fazer às galinhas.» A partir daí, o animal torna-se passivo, vive para comer e dormir. Corre pouco e tem de ser separado dos outros galináceos, que atacam os eunucos sem piedade. Alvina vai buscar um animal à capoeira, põe-o ao colo, vai-lhe desfiando festas. Lamenta-lhe a sorte, mas diz que são as leis da vida. «Os capões são sujeitos a uma cirurgia a sangue-frio e um terço da produção acaba por morrer, fruto das infeções que contraem», explica Ricardo Graça. «É também por isso que é tão caro.» Durante nove meses, e engordado a milho e couve, nenhum medicamento. A carne fica gorda e suculenta, mais tenra do que um frango. O melhor exemplar vai a concurso na feira – Guidinha e Alvina já ganharam o troféu meia dúzia de vezes. São 125 euros na carteira e orgulho para o ano inteiro.
Na verdade, há duas competições na feira de Santa Luzia, uma para os capões vivos e outra para os cozinhados. E, em dez edições do concurso culinário, sete foram ganhas pelo restaurante Aide, de Paços de Ferreira. Numa cozinha moderna, o chef Joaquim Gomes segue a receita tradicional. «Estou cá há três anos e ganhei dois troféus. Os cinco anteriores foram ganhos pela minha sogra, dona do restaurante e do hotel ao lado.» Aqui vêm parar sobretudo homens de negócios, empresários do mobiliário e do têxtil que vêm fazer encomendas a capital do móvel. «Mas em dezembro as pessoas vêm sobretudo para comer capão.» Ninguém o tem já preparado, é preciso fazer encomenda com dois dias de antecedência. Serve seis a sete bocas e custa 120 euros. Mas não há ninguém no vale do Sousa que não afiance a qualidade do capão do Aide.
Joaquim Gomes trabalhou 15 anos em boas cozinhas do Douro, primeiro na Pousada Solar da Rede, na Régua, depois no Vintage House Hotel, no Pinhão. Quando a mulher, Teresa Pinto, lhe propôs que tomassem conta do restaurante familiar, ele Mudou-se para Paços de Ferreira. «Venho de uma escola de cozinha de autor e tenho tentado introduzir alguns elementos desses no menu, sobretudo nas entradas e nas sobremesas.» Mas a casa tem tradições firmadas e uma clientela que não abdica dos pratos de sempre. «Quando se tem um produto desta qualidade, não há muito a inventar. Sirvo o capão como ele é feito aqui há cinquenta anos.» Pele estaladiça, a carne tenra e húmida, mais um recheio que lhe dá um pontapé salgado. A acompanhar, batatas assadas e grelos salteados.
O interesse gastronómico na ave tem despertado a curiosidade de muitos chefs e, agora, o município quer internacionalizar a iguaria. «Ao certificarmos o capão podemos embalá-lo a vácuo e distribui-lo pelo país e pelo estrangeiro. Não o queremos nos hipermercados, mas sim nas melhores cozinhas», diz Humberto Brito, presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira. «Alguns dos grandes nomes da gastronomia do pais têm demonstrado interesse em levar o produto para os seus restaurantes, e até aqui era difícil fazê-lo. Mas as possibilidades, a partir de agora, ficam abertas. Paços de Ferreira já tem dois setores económicos emblemáticos, o mobiliário e o têxtil. Agora pode muito bem ter um terceiro» O município tem um baixo nível de desemprego, em redor dos seis por cento. Mas há uma grande disparidade salarial. «Para as famílias que ainda vivem da agricultura, e para as que auferem de baixos rendimentos, a produção de aves pode ser o complemento que fazia falta.»
O capão à Freamunde é tradição tão enraizada que, em 2001, Raimundo Durão decidiu criar-lhe uma confraria. São 24 confrades, empenhados em preservar a tradição. Nem todos são de Freamunde. Raimundo, por exemplo, adotou a terra por via da mulher, mas enamorou-se do requinte do prato. «Os nossos objetivos passam pela proteção do animal, mas também pelo levantamento histórico e pela sua divulgação.» E então o homem conta a lenda do eunuco. «Nos tempos romanos, um cônsul chamado Caio Canio, cansado da perda do sono por causa do cantar dos galos, conseguiu fazer aprovar uma lei impeditiva da existência destas aves na região.» O povo, pobre e faminto, lembrou-se de capar os bichos, tirando-lhes o pio mas guardando a carne. «E foi aí que se percebeu que a castidade tornava o animal mais gordo, opulento e tenro do que as outras aves.» A história cabe no domínio da lenda mas, em 1719, D. João V instituiu oficialmente a Feira dos Capões por decreto régio.
Entre os seguidores do culto do capão há nomes como Pedro Lemos, chef do restaurante homónimo do Porto, com uma estrela Michelin, Álvaro Costa, que lidera a cozinha do NH Batalha, no Porto, Nuno Diniz, do lisboeta Tágide, ou Lígia Santos, a vencedora do primeiro Masterchef Portugal. São, neste ano, os embaixadores da ave. Mas, em boa verdade, o nome que tem trazido o capão para as bocas do mundo e o critico gastronómico Fernando Melo. «Estamos no ano zero e agora podemos dar asas ao capão. Com a certificação, um chef algarvio vai poder usá-lo e tem todas as vantagens em pô-lo no seu receituário. Como é um produto caro, nunca terá uma distribuição maciça, mas tem espaço nas grandes cozinhas do mundo.»
Pode caber nos restaurantes de topo, mas dificilmente haverá local mais autêntico para degustar o galináceo do que a sala de jantar de Manuel Machado. Há sete anos, o homem foi despedido da empresa de mobiliário onde trabalhava e decidiu criar uma tasca em casa. Abre para almoço às quartas e às sextas, e aí pode vir quem quiser. O resto é por encomenda – e raros são os dias em que ninguém lhe pede serviço. Bacalhau no forno e anho assado, galo e galinha do campo, vitela de aba e cabidela. Em dezembro, como seria de esperar, e a corrida ao capão.
A casa de Manuel fica em Arreigada, aldeia de 2117 habitantes. Fica num fundão do povo, à beira do rio Ferreira. No quintal, há pocilgas e duas grandes capoeiras – uma para galos, galinhas e rinchões, outra para os que perderam a virilidade. Ao lado, cinco fornos de lenha, é lá que se cozinha o petisco. Mesas sempre cheias. «A semana vem grupos de amigos, homens na maioria. Ao fim de semana é mais famílias.»
Agora que o frio chegou, as encomendas de capão não param. «Nestas semanas vou dar cabo de uns cinquenta, ai isso vou, atira Machado. Veio um grupo do Porto, engenheiros de máquinas que nunca provaram a iguaria. «Somos um grupo que gosta de caca, e quem gosta de caça gosta sempre de uma boa comezaina», diz João Alves, o organizador do almoço, o único que já conhece o prato. Provou-o três vezes, e tanto falou da ave que os companheiros quiseram prová-la. São sete, número ideal para dar conta de um animal. O dono da casa já anda há dois dias a preparar o bicho, não tarda nada há-de levá-lo à mesa.
Manuel trata de degolar o bicho e acender o lume, mas e Jerusa Sousa, a mulher, quem acerta os temperos. Ela não segue a receita fiel, fez-lhe as suas adaptações. Whisky e bagaço, em vez de vinho verde. Com as patas e os fígados apura um caldo para onde há de ser deitado arroz – cozinhado, como a ave, em forno de lenha. As batatas seguem no mesmo tabuleiro de barro onde foi posto o capão, que vai recheado com um picado de carne de vaca, salpicão e moelas – tudo produção caseira. Os grelos, cozidos e depois salteados em azeite e alho, são apanhados na horta. «Isto dá uma trabalheira danada, mas quem vem volta sempre.»
Outros dois grupos juntam-se ao repasto, economistas do Porto numa mesa, políticos de Paços de Ferreira na outra. Ligaram de véspera, já não vão a tempo de pedir capão. Sai-lhes galo, mas todos admiram o banquete dos vizinhos quando ele vem para a mesa. Os da terra debitam piadas: «Quando um homem se casava e passado um ano não tinha filhos, deixávamos-lhe um capão em madeira preso a porta de casa, durante a noite», conta Paulo Barbosa, vice-presidente da autarquia, que ainda espera pelo repasto. Vai dando cabo de um jarro de verde tinto, produção local, e de um queijo de Paços produzido pela paróquia local.
Na mesa do capão a comida trouxe festa. José Manuel Maia, criador de cavalos lusitanos em Vila do Conde, gaba a suculencia da carne e espanta-se por o produto não ser mais conhecido. «Sabe, aqui temos a prova de que o problema do pais e agrícola. Temos excesso de nabos e falta de tomates.» Os outros riem-se, riem-se, e elogiam a iguaria. Manuel Machado cruza os braços e fica a olhar para aquela alegria toda, depois diz que todos os dias de capão são dias felizes. «Não é por acaso que é um prato de Natal. O capão ninguém come sozinho, precisa de ter gente de quem um homem goste a volta da mesa.»
Já não há grupos separados, toda a gente fala com toda a gente. Anedotas, gargalhadas, tudo por causa de um capão. De repente, Maia levanta-se e pigarreia. Recita um poema de António Aleixo e outro de Bocage, atrevimento em quadras e sonetos. Depois termina com José Régio, o «Cântico Negro» – durante uns minutos faz-se um silêncio sepulcral entre os homens que não se conhecem para ouvir uma voz de trovão. «A minha vida e um vendaval que se soltou. E uma onda que se alevantou. E um átomo a mais que se animou.» E, no mais improvável desfecho de uma almoçarada de empresários, caçadores e criadores de cavalos, os homens abraçam-se para concluírem em uníssono que não sabem por onde vão, nem sabem para onde vão, mas sabem que não vão por aí. Então Machado, o dono da casa, desfere no meio dos aplausos: «Está a ver? É isto que o capão faz à gente.
CAPÃO À FREAMUNDE
Embriaga-se o capão, com um cálice de vinho do porto e passado meia hora, mata-se,
Depena-se, abre-se e lava-se. Depois de estar em água fria com rodelas de limão, cerca de uma hora, põe-se a escorrer e mergulha-se em vinha de alhos (molho de vinho branco, algumas colheres de azeite, sal e pimenta e vários dentes de alhos esmagados). Deve ficar neste molho, de véspera, e Proceder-se a diversas viragens, esfregando o capão. No dia de o consumir, põe-se ao lume uma caçarola com azeite, gordura de porco e cebolas as rodelas. Quando a cebola esta estalada, deita-se uma boa colher de sopa de manteiga, meio quartilho (2,5 dl) de vinho branco e sal q.b. Escorre-se o capão, esfrega-se todo com este molho e recheia-se com farófia e um picado feito com os miúdos do capão e pedacinhos de salpicão e presunto. Põe-se na assadeira, de preferência uma pingadeira de barro, e leva-se ao forno a assar lentamente, picando-o com um garfo de vez em quando, ao mesmo tempo que se rega com o molho da assadeira. A operação de picar com o garfo deve ser cuidadosa para não ferir a pele, que deve ficar estaladiça e loura.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Elevação de Freamunde a Vila - Jornal de Notícias, 21 de Junho de 1933

Freamunde, 16 - (atrazada)
Ontem, á tarde, correu rapida a noticia de que o «Diario do Governo», inseria nas suas colunas a efectivação duma justa aspiração dos habitantes de Freamunde.
E quando, ao anoitecer, os repiques dos sinos das nossas três igrejas se juntavam anunciando uma festa religiosa que hoje solenemente se realisou, parecia que a alegria do seu som e a vibração das suas ondulações traduziam sinceramente, e apregoavam ao longe, o prazer imenso do nosso povo por mais um passo dado no progresso da nossa querida terra.
Queimaram-se foguetes, rebentaram bombas, trocaram-se felicitações, e a Junta da Freguesia constituida pelos srs. Arnaldo da Costa Brito, Armando de Oliveira e Abilio Barros, tomou a iniciativa da organisação dos festejos que hoje á noite deverão realisar-se, os quais contarão de numeros populares abrilhantados pela nossa excelente «Banda Freamundense» e duma «marcha aux flambeaux» na qual se encorporarão todas as colectividades e povo de Freamunde, que, em massa, vão testemunhar ao sr. tenente Carlos Alves de Sousa, nosso querido conterraneo, e actual administrador de Paços de Ferreira, a sua gratidão pela sua valiosa interferencia junto do Governo da Republica para a realisação desta concessão. A sua ex.ª, cuja fotografia temos a honra de fazer gravar nas paginas do «Jornal de Noticias» - apresentamos os nossos cumprimentos e felicitações. - (C.)
Freamunde, 17. - Conforme haviamos anunciado, realisaram-se no passado dia 15, entusiasticas festas e vibrantes manifestações de regosijo pela elevação da povoação de Freamunde á categoria de vila.
Os nosso conterraneos Arnaldo Brito, Armando de Oliveira e Abilio Barros, que constituem a Junta de Paroquia, organizaram um belo programa, no qual cooperaram todos os freamundenses, as suas colectividades recreativas, Associação de Socorros Mutuos, Bombeiros Voluntarios, e a Banda de Freamunde.
Ao entardecer a importante Fabrica de Material e Mobiliario Escolar de Albino de Matos, Pereira & Barros, Lda, mandou acender as caldeiras das suas maquinas, pondo-as em pressão para inundar de luz e de sons, o ambiente apregoador do trabalho, e do progresso.
No lado oposta da vila, ao Norte, igual azáfama na grande Fabrica de Moveis do Calvário, do nosso querido amigo António Pereira da Costa, que preparava as suas sirénes e dispunha a iluminação das suas casas de trabalho, de modo a merecer a admiração e os elogios de todos os que a contemplavam.
A Banda de Freamunde excelente agrupamento musical que a batuta do nosso amigo sr. Leitão, conseguiu igualar, em mérito artistico, a qualquer banda dos grandes centros, entrou inexperadamente na povoação ás 16 horas, vinda da Trofa, donde apressou os seus trabalhos, para não faltar ás festas dos seus conterraneos.
E quando soavam as 21 horas, já no Largo da Feira, sob as frondosas tilias - a multidão se comprimia, deliciada pela audição de alguns trechos de musica que a nossa Banda ia executando.
Ao longe destacava-se, dominando a arteria principal da vila, um grande «placard» luminoso, como que uma barreira de fogo que constantemente bradasse - em grandes letras - «Viva a Vila de Freamunde».
A's 21 e meia da torre da Igreja Matriz subiu um foguete que anunciou o começo do desfilar da imponente marcha au flambeaux.
Milhares de venezianas e archotes festivamente conduzidos, ao som dum passe doble enervante e animador, e do repicar dos sinos das nossas igrejas e do silvar estridente das nossas fabricas, começaram a deslocar-se lentamente ao longo da estrada em direcção á casa do sr. tenente Carlos Alves Sousa, administrador do concelho, a quem se ia, em romagem de agradecimento, levar também a homenagem do muito apreço em que Freamunde tinha os seus dedicados esforços pela vitória alcançada.
No cortejo iam incorporados os briosos os Bombeiros Voluntários, comandados pelo 1º patrão Henrique Felgueiras.
A assembleia Freamundense ia representada pela quasi totalidade dos seus associados, e o Club Recreativo Freamundense ia representado pela sua direcção com o seu estandarte conduzido pelo sr. João Rodrigues, seu presidente. O sr. Guilherme Gomes levava o glorioso estandarte da nossa querida e florescente Associação de Socorros Mutuos Freamundense, a que todos os presentes pertenciam.
Todos os prédios estavam iluminados, destacando-se a bela iluminação da Fabrica de Moveis do Calvario, da Assembleia Freamundense, do dr. Antonio Vasconcelos, da casa Antonio José de Brito & Filhos, da Fabrica de Material e Mobiliario Escolar Albino de Matos, Pereira & Barros, L.da, etc., ao que se juntava a iluminação publica que a nossa Empresa Electrica Freamundense mandou reforçar com fortes lampadas, destacando-se a colocada no alto da torre da nossa igreja.
Com grande entusiasmo e alegria, chegou o cortejo á porta da residencia do sr. tenente Carlos de Sousa, esperando-o s. ex.ª á varanda da mesma ao lado de sua ex. ma esposa e demais familia. Junto dêle o sr. D. José de Lencastre, a unica pessoa estranha á terra, que aqui compareceu. Os vivas repetiam-se e o conflito dos sons que animavam a atmosfera davam á manifestação um aspecto verdadeiramente extraordinario.
O sr. tenente Carlos de Sousa foi recebendo os cumprimentos e felicitações das pessoas gradas da vila, e da sua varanda falou á multidão renunciando os agradecimentos que lhe eram dirigidos, e endereçando-os ao govêrno da Republica, que tão interessada e tão patrioticamente tem cuidado do bem-estar da Patria Portuguesa. Enumerou os beneficios realisados pelo Estado Novo e terminou saudando Freamunde, o govêrno e o sr. Presidente da Republica.
Seguiu-se-lhe o sr. presidente da Camara, D. José de Lencastre, que acorreu a Freamunde logo que teve conhecimento da realisação das festas. Veio trazer as suas saudações aos habitantes de Freamunde cujas tradições, habitos e costumes ha muito conhece, aprecia e admira. Confirma as palavras do sr. tenente, a quem felicita, e dirige as suas saudações aos srs. Presidentes da Republica e Ministerio.
A seguir, o rev. Francisco Peixoto, um dos padres ilustrados do por mostrar a sua alegria e entusiasmo por mais êste passo dado no progresso de Freamunde.
O sr. dr. Alberto Cruz, afirmou que gostosamente havia tomado parte naquela romagem de gratidão, porque todo o habitante de Freamunde é sensivel e grato aos favores que lhe fazem.
Conhecendo ha muito a psicologia do povo da sua terra, e tendo apreciado muitas vezes a sua solidariedade, reconhece que é do coração que lhe sai esta homenagem, costumes, et., e terminou a historia de Freamunde, sua origem de agradecimento ao sr. tenente, pelo interesse que lhe mereceu a satisfação desta justa aspiração do povo freamundense. Povo essencialmente trabalhador, trabalha sempre para que a sua pequena parcela dentro da Republica Portuguesa, avance e progrida, tanto quanto permite e determina o acendrado amor ao seu torrão.
Rematou com um Viva á Republica Portuguesa que foi delirantemente correspondido.
Para terminar o rev. Alberto Brito, digno abade de Rande - Felgueiras, e acidentalmente entre nós, apresentou em nome do velho e honesto parroco de Freamunde, a quem a idade e a doença haviam aconselhado ficar em casa, os seus cumprimentos e felicitações ao sr. tenente Carlos de Sousa.
A Banda de Freamunde foi executando alguns trechos do seu reportorio selecto, e o sr. tenente convidou então para um «Porto de Honra» - na sua sala de jantar, lindamente adornada.
O sr. tenente agradeceu de novo a todos os presentes e o dr. Alberto Cruz, brindando pela sua saude e pela da sua ex. ma familia, aproveitou a oportunidade para lembrar as necessidades de se estabelecer a ligação telefonica de Freamunde com o resto do país.
Dirigiu-se, tambem, ao sr. presidente da Camara aqui presente, afirmando que a rêde telefonica em Freamunde constituirá um passo agigantado dado no desenvolvimento do seu comercio e industria, e um grande auxilio para a vida profissional particular.
O sr. presidente bebeu pela saude do sr. tenente e sua familia e informou que brevemente teriamos a rêde telefonica.
Terminado o «Porto de Honra» o cortejo poz-se novamente em marcha, visitando a Assembleia Freamundense, a Associação de Socorros Mutuos Freamundense, o Club Recreativo Freamundense, e o quartel da Associação dos Bombeiros Voluntarios de Freamunde.
Durante o trajecto queimaram-se muitos foguetes, e os sinos da vila, e as sirenes das fabricas fizeram-se ouvir.
A' meia noite, a Banda de Freamunde subiu para o corêto do Largo da Feira, onde permaneceu até ás 3 horas da madrugada, deliciando gratuitamente, e com o maior entusiasmo, os seus queridos conterraneos e amigos.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A história de...

Maximino Pacheco

Com a derrocada iminente de tecto ardido e rodeado por chamas, salvou idosa arriscando a própria vida
O HERÓI DE FREAMUNDE

No Dia Mundia do Bombeiro, que hoje se assinala, recordamos o feito heróico de um jovem voluntário de Freamunde (Paços de Ferreira) que, no dia 20 de Outubro do ano passado, salvou uma idosa de morrer queimada dentro de casa. Entre labaredas e com o tecto da habitação a desabar, o bombeiro tirou o capacete e, colocando-o na cabeça da idosa, resgatou-a do inferno.

Não é necessário perguntar a Max se repetiria o feito; afinal, todos temos um momento em que reagimos sem hesitar face ao inesperado...

Ao nascer do dia 20 de Outubro de 2010, Maximino Pacheco, de 29 anos, integrava a equipa dos bombeiros chamada a um incêndio na Rua Nova de Abrute, em Freamunde. Lá chegados, deparam-se com uma casa de dois pisos em chamas. No rés-do-chão estava Fernando Gomes Pereira, de 85 anos, o qual, por ter um pé amputado, pernoitava no rés-do-chão, evitando as escadas, enquanto a esposa, Maria Fernanda Neto, de 83 anos, também com dificuldades de locomoção após ter partido a anca há dois anos, dormia no primeiro andar da casa.

Max, como é conhecido entre os camaradas, entrou no piso superior por uma escada. Vendo a idosa, com cerca de 90 quilos, de muletas e em desespero, com o tecto em risco de ruína, num ápice, Max tirou o capacete, colocou-o na cabeça da idosa e abafou-a com um casaco. Em ombros, liberou-a das chamas. Max ainda sofreu ferimentos ligeiros na cabeça, mas, no caso, os fins justificaram os meios. "Num instante, o tecto caiu sobre nós", recorda o bombeiro de Freamunde. "Começou tudo a cair. Parecia um inferno. Consegui pegar na senhora aos ombros e, com a ajuda de um colega, tirámo-la das chamas", recorda.

Se a decisão tomada por Max é controversa - um bombeiro nunca deve pôr em causa a própria vida -, certo é que foi graças ao gesto que o voluntário de Freamunde se tornou herói. Uma das três filhas do casal, Lizarda Pereira, diz mesmo que "não fosse a coragem do bombeiro de Freamunde e a minha mãe estaria morta".

Jornal de Notícias - Edição de 21 de Abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pedaços de Nós no Jornal de Notícias

UMA GRANDE FAMÍLIA DE ARTISTAS FAZ PEDAÇOS DE NÓS

Em dez anos, a associação cultural e recreativa de Freamunde pôs de pé projecto que inclui uma big band, um grupo de castanhola e outro de teatro.

Fundada há dez anos, a Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós, de Freamunde, Paços de Ferreira, envolve mais de duas centenas de músicos, poetas e outros artistas. A colectividade tem sete grandes projectos culturais e está organizada por secções, cada uma com projecto específico.

Comecemos pelo projecto da Big Band Pedaços de Nós. Desde há três anos vem promovendo espectáculos dentro e fora do concelho. Três saxofonistas altos, três saxofonistas tenores e um barítono, quatro tambores, cinco trompetes e as vozes da columbiana Jenny Moreno e do freamundense Hugo Marinheiro, percorrem um circuito musical que passa pelo jazz, funk, bossa nova, pop jazz até à música ligeira. Além disso, a denominada Secção Combo junta piano, guitarra, viola baixo, bateria e instrumentos de percussão. Ao todo são 32 elementos com preparação musical.

Nautílio Ribeiro, responsável pela big band, explica que o grupo é uma "escola de música não formal", sublinhando que a maioria dos elementos que a compõe são amadores. "Há três anos pensámos em fazer regressar ao mundo da música elementos que estavam afastados e que tocaram na Banda Marcial de Freamunde. Começámos a contactar músicos clássicos que aderiram ao projecto, e a partir daí experimentaram novas sonoridades, desde o jazz à música ligeira, que fazem parte do nosso reportório", explica António Lobo, director da Associação e membro da Big Band Pedaços de Nós.

As Castanholas de Freamunde é um outro projecto da associação, que desde há seis anos junta 24 elementos que produzem e interpretam música de raiz tradicional portuguesa. Pedro Ribeiro, responsável por este projecto, explica que a castanhola foi sempre um instrumento musical muito popular em Freamunde, feito por marceneiros que trabalham na indústria do mobiliário local. "Recuperámos esse instrumento e até a indumentária dos músicos é idêntica à usada pelos marceneiros de Freamunde, há muitos anos", explica.

Vitorino Ribeiro tem a responsabilidade de gerir o Grupo de Teatro Sénior Pedaços de Nós. Actualmente tem em cena "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, envolvendo 40 actores e técnicos. Ana Melo coordena o grupo infanto-juvenil de teatro, com 20 pessoas. Neste momento está a preparar um espectáculo de rua para assinalar os dez anos da Associação.

O Grupo de Percussão Pedaços de nòs desenvolve três projectos: "Ecosons", cujos instrumentos são feitos com material reciclado e junta 80 músicos; "Pedasons" reúne 30 elementos que interpretam temas medievais com rufos e tambores; e "Noson", um grupo de palco com oito elementos desenvolve sonoridades para acompanhar shows de pirotecnia.

Além da música, a Associação Pedaços de Nós dedica-se à poesia e tem uma secção que promove anualmente o Concurso Nacional de Quadras Populares durante as Festas Sebastianas.

Este ano, já no próximo dia 11 de Junho, a colectividade vai promover o Encontro Nacional de Poetas Populares, em Freamunde, que dará origem à publicação de um livro com textos de todos os poetas populares que participarem no evento. Coordenada por José Leal e Idalino Ribeiro, a Secção de Poesia organiza, uma vez por mês, uma tertúlia na sede da associação, onde se declama poesia de autores portugueses.

PROJECTOS EM MOVIMENTO

Big Band Pedaços de Nós - 23 músicos

Castanholas de Freamunde Pedaços de Nós - 24 músicos

Grupo de Teatro Pedaços de Nós (sénior) - 40 elementos

Grupo de Teatro Pedaços de Nós (infantil) - 20 elementos

Grupo de Percussão Pedaços de Nós (Ecosons; Pedasons e Noson) - 118 músicos

Grupo de Poesia Pedaços de Nós - 15 elementos

Grupo Laços e Nós - 9 músicos

NASCIDOS A 1 DE JULHO

A Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós foi fundada a 1 de Julho de 2001 com o objectivo de dinamizar culturalmente a cidade de Freamunde, a segunda do concelho de Paços de Ferreira. Desde muito cedo começou a cativar músicos de todas as idades e de todos os estratos sociais. Por uma questão de operacionalidade, a associação divide-se por secções coordenadas por um elemento escolhido pela direcção.

Jornal de Notícias / JN Cidades / 18 de Abril de 2011