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| "CAMPEÕES" DE JUNIORES 89 / 90 POSAM PARA A FOTOGRAFIA |
Nunca
me cansarei de elogiar o trabalho desenvolvido ao longo dos anos pelo
denominado departamento de formação do S.C. Freamunde, desde o tempo de "Zeca Mirra", o HOMEM que lançou a semente, adubada contínua e carinhosamente. Os "frutos",
esses, continuam a ser da melhor qualidade. Nunca me cansarei de
incentivar os seus dirigentes para que não desfaleçam nem se deixem
morrer nos tempos da indiferença.
É, no entanto, necessário continuar a dar a melhor das atenções às áreas de desenvolvimento como é o futebol jovem.
A habilidade, para muitos rapazes (e raparigas) sendo congénita, cumpre, contudo, à "escola" desenvolvê-la, fornecendo-lhe conhecimentos e aperfeiçoamentos técnicos. "Escola"
ministrada, há uns anos a esta parte, por antigos praticantes dotados
apenas da experiência adquirida nas suas carreiras futebolísticas. Mas
não só; o desporto, neste caso o futebol, também é um "campo"
de ensinamentos para a vida, sobretudo para quem os queira (para quem
os quis) aprender. Então se o técnico for sabedor e ministrar, sem
pressas, à vontade, tudo o que o jogo exige de si, o jovem praticante
sairá capaz.
Mas nada disto seria, e continuará a ser, possível sem a gente que por lá tem passado, a chamada "retaguarda", os
abnegados, os carolas dos seus dirigentes, absolutamente
amadores, principalmente aqueles que se debateram com a gritante falta
de infra-estruturas, que tinham de inventar receitas para as despesas
correntes; compra de equipamentos, chuteiras, bolas,
gás, combustível..., sem a ajuda de um tostão por parte dos pais dos
meninos - agora não é tanto assim, e ainda bem, pois até aqui muita
coisa mudou, o que era irreversível face às constantes transformações
que tudo isto levou. Que se serviram apenas (que remédio!) do acanhado
pelado do saudoso "Carvalhal", disponível para todos, e não eram assim
tão poucos. Dirigentes que fizeram daquele mítico espaço a sua segunda
casa, que diariamente se esforçaram, lutaram, que foram para a frente.
Que também ganharam.
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| O VELHINHO E SAUDOSO CAMPO DO "CARVALHAL" |
Vem tudo isto a propósito dum glorioso feito alcançado pelos JUNIORES do Freamunde, faz hoje, dia 17 (Agosto de 2015), 25 anos;
os "nossos" meninos disputaram no Campo Rei Ramiro, em Candal, Gaia,
com o grupo local, o segundo jogo da final e empataram--no, 2-2,
resultado que serviu, sagrando-se CAMPEÕES DISTRITAIS da categoria.
Ribeiro,
treinador principal, havia "pegado" neste grupo pela base, desde os
infantis, com o auxílio de excelentes colaboradores. Até à emancipação,
ao último ano da formação, a equipa só soube vencer. Conquistou sempre o
primeiro lugar da série em todos os escalões etários. Fantástico, só ao
alcance dos denominados "grandes".
Nesta
finalíssima, com os candalenses, à rapaziada bastava uma igualdade,
depois da vitória no seu reduto, no jogo da 1ª mão, por 4-3.
Gaia
foi inundada de adeptos azuis e brancos que não quiseram faltar à
chamada. O jogo, arbitrado pelo malogrado Miranda de Sousa, foi vivido
de forma emotiva com fases de algum dramatismo. A vencer por 2-1, a
escassos minutos do derradeiro apito, golos de Arnaldo e Leonel, os
jovens freamundenses consentiram que o valoroso adversário, através da
marcação de uma grande penalidade, empatasse a contenda. Ansiedade
dentro e fora das quatro linhas. Os corações não paravam de bater.
O "juiz" silvou, finalmente, por três vezes e pôs fim ao desespero. O
Freamunde tornava-se virtual campeão.
Foi a vitória da raça, da paciência, do sofrimento..., da classe. Os
abraços sucederam-se entre os heróis. Dos que sofreram no banco dos
suplentes aos que tudo deram dentro do pelado. Aos que, fora das quatro
linhas, não pararam um minuto de incentivar os seus meninos. Os mesmos
que no final, num acto espontâneo de alegria, invadiram pacificamente o
campo para a tradicional "caça" aos equipamentos. A festa era
freamundense.
O treinador, Ribeiro,
na aura envolvente do título, visivelmente eufórico, destacou, como
factores principais do êxito, a união do grupo (e aqui incluem-se os
atletas, dirigentes e treinadores) e o apoio, possível, dos pais.
A Albino Campos, líder dos dirigentes, as palavras não lhe "saíam". Custava balbuciá-las, tamanha era a emoção. O caso não era para menos.«Sem
o orçamento dos grandes clubes, com as infra-estruturas de todos
conhecidas, sem posses, os resultados, mesmo assim - e ninguém pense que
houve milagres -, apareceram...», lá foi atirando.
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| ALBINO CAMPOS E RIBEIRO |
FICHA DO JOGO
Campo Rei Ramiro, em Candal, Gaia.
Árbitro: Miranda de Sousa (Porto), auxiliado por Cerejo Moutinho e Alfredo Manuel.
S. C. Freamunde: Rui Ribeiro, Serafim, Carlos, Fernando e Adriano; Zé "d'Eiriz", António "de Modelos" e Leonel; Arnaldo (Tonanha), Aníbal e Rui Pacheco "48" (Jaime).
Ao intervalo: 0 - 0.
Marcadores dos golos do Freamunde: Arnaldo (50) e Leonel (70).
Enquanto
a comitiva ficou umas horas por Gaia, para o almoço, os adeptos, que
viajaram de camionetas e automóveis, efusivos com os feitos dos meninos,
regressaram felizes ao seu burgo, com bandeiras tremulando ao vento.
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| A "MALTA" DEPOIS DO ALMOÇO, EM GAIA |
A rapaziada, cada vez mais animada, mal cá chegou, foi direitinha para o "Dallas",
discoteca do povo e para o povo, gerida por dois tipos fixes - sabem
muito bem a quem eu quero referir-me. Lá, deram largas à sua existência.
A vitória foi festejada, pela noite dentro, no meio de uma ruidosa
algazarra, com muita bebida à mistura, tudo oferta da casa, ao som
constante de "we are de champions", dos Queen.
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| SAUDOSOS FERNANDO E ANTÓNIO "DE MODELOS" |
Dias
depois, a homenagem, mais que merecida, a todos os que diretamente
estiveram envolvidos e que tiveram ali a demonstração de quanto o seu
trabalho foi apreciado. Na "Quinta da Vista Alegre"- após o jogo de
consagração com o Penafiel (7-1), imposição de faixas, entrega de
troféu, por Alcino Campos, dirigente da AFP - o "copo d'água" reuniu
inúmeros associados, amigos do departamento e outras pessoas ligadas às
estruturas desportivas regionais, clubes incluídos.
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| ENTREGA DA TAÇA PELO DIRIGENTE DA AFP, ALCINO CAMPOS |
Ao
longo destes 25 anos, toda a estrutura ( a possível, pois alguns dos
seus membros já nos deixaram) reúnem-se num jantar convívio, uma forma
salutar de reforço dos elos de ligação e para que o "feito" não se apague na poeira do esquecimento.
GLÓRIA AOS CAMPEÕES!
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| 1995 - UM ASPECTO DO CONVÍVIO |